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Civil 1

O Processo Civil é o ramo do direito que regula a jurisdição civil e a aplicação da lei em conflitos de interesse levados ao Poder Judiciário. As normas de direito processual são instrumentais, servindo para garantir que os direitos materiais sejam respeitados através do processo judicial. O documento também discute a distinção entre direito público e privado, princípios fundamentais do processo civil, e a natureza da jurisdição.

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Civil 1

O Processo Civil é o ramo do direito que regula a jurisdição civil e a aplicação da lei em conflitos de interesse levados ao Poder Judiciário. As normas de direito processual são instrumentais, servindo para garantir que os direitos materiais sejam respeitados através do processo judicial. O documento também discute a distinção entre direito público e privado, princípios fundamentais do processo civil, e a natureza da jurisdição.

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DIREITO

PROCESSUAL CIVIL I
PROFESSORA – ISABELLE ALMEIDA
CONCEITO
• O Processo Civil é o ramo do direito que contém as
regras e os princípios que tratam a jurisdição civil, isto é,
da aplicação da lei aos casos concretos, para a solução
dos conflitos de interesse pelo Estado-juiz.

• O conflito entre sujeitos é a condição necessária, mas


não suficiente para que incidam as normas de processo,
só aplicáveis quando se recorre ao Poder Judiciário
apresentando-lhe uma pretensão. Portanto, só quando
há conflitos posto em juízo.
• PROCESSO CIVIL:

Conflito de interesses + pretensão levada ao


Estado-juiz.

• Só se compreende o processo civil como


ramo autônomo do direito quando se faz a
distinção entre as relações dos envolvidos em
conflitos não levados a juízo e as daqueles
cujos conflitos são levados.
• Conflito não levado a juízo: relação linear

• Conflito levado a juízo: relação triangular


• Direito Processual Civil:

• Pode ser definido como o ramo do direito


público que trata do complexo das normas
reguladoras do exercício da jurisdição civil.
Direito material x direito
processual
• As normas de direito processual regulamentam o
instrumento de que se vale o Estado-juiz para
fazer valer os direitos não respeitados dos que a
ele recorreram
DIREITO MATERIAL
• As normas de direito material são aquelas que
indicam quais os direitos de cada um;

• EX. A que diz que determinadas pessoas têm direito


de postular alimentos de outras;

• O direito material pode ser espontaneamente


respeitado, ou pode não ser.

• Se a vítima quiser fazê-lo valer com força coercitiva,


deve recorrer ao Estado, do que resultará a
instauração do processo.
DIREITO PROCESSUAL
• As normas de processo são meramente
instrumentais;

• Pressupõem que o titular de um direito material


entenda que este não foi respeitado,
possibilitando que recorra ao Judiciário para que
o faça valer.
• Ele não é um fim em si mesmo, nem o que
almeja quem ingressou em juízo, mas um meio,
um instrumento, para fazer valer o direito
desrespeitado.

• As normas de direito processual regulamentam o


instrumento de que se vale o Estado-juiz para
fazer valer os direitos não respeitados dos que a
ele recorreram.
DIREITO PRIVADO X DIREITO
PUBLICO
• Categoria: direito público, tal como o direito
constitucional, o administrativo, o tributário e o
penal, em oposição ao direito civil e empresarial

• A relação civil entre duas pessoas pode ser


privada. Mas, quando posta em juízo, forma uma
nova de cunho processual, que pertence ao
direito público
Processo civil e o direito
constitucional
• Acesso à justiça
• Princípio da isonomia
• Princípio do contraditório
• Normas que regulamentam a jurisdição
constitucional as que tratam do mandado de
segurança, do habeas corpus, dos recursos
extraordinários e da ação direta de
inconstitucionalidade
Processo civil x processo penal
• São subdivisões do direito processual

• Institutos fundamentais: jurisdição, ação,


defesa e processo

• Princípios estruturais: devido processo


legal, isonomia, contraditório

• Diferença: pretensão posta em juízo


• Na jurisdição penal, a pretensão é a aplicação
da sanção penal àquele a quem se acusa de
ter perpetrado um crime ou contravenção
penal.

• A natureza da sanção penal exige que o


processo tenha peculiaridades que o
diferenciam do civil

• O arcabouço estrutural das duas é o mesmo


A LEI PROCESSUAL CIVIL
NORMA JURÍDICA: vigora entre nós o princípio da supremacia da
lei.

• CARACTERÍSTICAS:

• Generalidade – se aplica a todas as pessoas indistintamente


• Imperatividade – impõe a todos uma obrigação
Caráter bilateral: a cada dever imposto corresponde um
direito
• Permanência – prevalece até a sua revogação
CATEGORIAS DE NORMAS
• COGENTE: de ordem pública, não pode ser
derrogada pela vontade do particular. Editada
com finalidade de resguardar os interesses da
sociedade. É a maioria das normas processuais

• NÃO COGENTE: também chamada dispositiva,


não contém um comando absoluto, inderrogável.
Sua imperatividade é relativa. EX. no processo
civil, a autocomposição.
• NÃO COGENTE
- Permissiva: quando autoriza o
interessado a derrogá-la, dispondo da
matéria da forma como lhe convier
- Supletiva: aplicável na falta de disposição
em contrário das partes.
NORMA PROCESSUAL
• Trata das relações entre os que participam
do processo, bem como do modo pelo
qual os atos processuais se sucedem no
tempo
• Cuida da relação processual ou do
procedimento
• ARTIGO 190 DO CPC
- Trouxe hipóteses de derrogação, pelas
partes, das normas processuais,
permitindo de forma aberta que elas
convencionem, com a fiscalização e
supervisão do juiz – jurisdição
voluntária
FONTES FORMAIS DA NORMA
PROCESSUAL CIVIL
• FONTE FORMAL PRIMÁRIA:
- Lei
• FONTES FORMAIS ACESSÓRIAS:
- Analogia, costume e princípios gerais do
direito
- Súmula vinculante, editada pelo STF
- Decisões definitivas de mérito proferidas
pelo STF em controle direto de
constitucionalidade
• FONTES NÃO FORMAIS
- A doutrina
- Os precedentes jurisprudenciais -
jurisprudência
• Precedente:
• É a decisão judicial de um caso concreto, que
pode servir como exemplo para outros
julgamentos similares. Contudo, há muitas
discussões no sentido que decisões isoladas
poderiam ser consideradas jurisprudência.
• Jurisprudência:
• é um termo jurídico, que significa o conjunto das
decisões, aplicações e interpretações das leis.

• A jurisprudência pode ser entendida de três formas:

• 1) decisão isolada de um Tribunal que não tem mais


recursos;

• 2) um conjunto de decisões reiteradas dos tribunais;

• 3) Súmulas, ou seja, orientação dos tribunais para que


seja adotada um entendimento dominante.
Lei PROCESSUAL CIVIL NO
ESPAÇO
• As normas de processo civil tem validade e
eficácia, em caráter exclusivo sobre todo o
território nacional, na forma do artigo 16
do CPC
• Pode-se aplicar normas de direito material
de outro país, mas processual, não. Ex.
estrangeiro que falece no Brasil e os
herdeiros abrem aqui o inventário
LEI PROCESSUAL NO TEMPO
• O CPC de 2015, teve vacatio legis de um ano,
por força de disposição expressa, em geral o
prazo é de 45 dias.

• Art. 14 do CPC – aplicado imediatamente aos


processos em curso, respeitando os atos
processuais já praticados.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO
PROCESSO CIVIL
• Princípio do devido processo legal/
princípio da legalidade, art 5º, LIV da CF :
“Ninguém será privado da liberdade ou de
seus bens sem o devido processo legal”
• Devido processo legal formal: diz respeito à
tutela processual. Isto é, ao processo, às
garantias que ele deve respeitar e ao regramento
legal que deve obedecer

• Devido processo substancial: constitui


autolimitação ao poder estatal, que não pode
editar normas que ofendam a razoabilidade e
afrontem as bases do regime democrático
• Princípio do acesso à justiça ou princípio da
inafastabilidade da jurisdição : artigo 5º, XXXV
da CF, “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito” e art. 3º
CPC.

• Princípio do contraditório: artigo 5º, LV, da CF,


“aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerente.”
• Do contraditório resultam três exigências:
- Dar ciência aos réus, executados e
interessados, da existência do processo;
- Aos litigantes de tudo o que nele se passa;
- Permitir que as partes se manifestem e
que apresentem suas razões.
• Princípio da duração razoável do processo: art.
5º, LXXVIII da CF “a todos, no âmbito judicial e
administrativo, são assegurados a razoável
duração do processo e os meios que garantem a
celeridade de sua tramitação.”

• Art. 4º do CPC, “as partes têm direito de obter


em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.”
• Esse dispositivo é dirigido para:

• Legislador: deve editar leis que acelerem o


andamento dos processos;

• Administrador: zelar pela manutenção


adequada dos órgãos judiciários,
aparelhando-os a dar efetividade a norma
constitucional;
• Juízes: no exercício de suas atividades,
devem diligenciar para que o processo
caminhe para uma solução rápida.
• Princípio da isonomia
- Artigo 5º, caput e inciso I, da CF: todos são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza.
- Art. 7º do CPC: necessidade de dar às partes
tratamentos igualitário em relação ao exercício
de direitos e faculdades processuais, aos meios
de defesa, ao ônus, aos deveres e à aplicação de
sanções processuais.
• O princípio da isonomia deve, primeiramente,
orientar o legislador na edição das leis, que
devem dar tratamento igualitário aos litigantes,
depois deve nortear os julgamentos, orientando
o juiz na condução do processo
• Isonomia formal: tratamento igualitário a todos,
sem levar em consideração eventuais diferenças
entre os sujeitos do processo;

• Isonomia real: tratar igualmente os iguais e


desigualmente os desiguais na medida de sua
desigualdade
• Princípio da imparcialidade do juiz (juiz
natural): ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente
e não haverá juízo nem tribunal de exceção,
artigo 5º, LIII e XXXVII

O juiz natural é aquele cuja competência é apurada


de acordo com regras previamente existentes no
ordenamento jurídico e que não podem ser
modificadas a posteriori.
Requisitos para a caracterização do
juiz natural
• O julgamento deve ser proferido por alguém
investido de jurisdição;
• O órgão julgador deve ser preexistente, vedada a
criação de juízos ou tribunais de exceção,
instituídos após o fato, com o intuito específico
de julgá-lo;
• A causa deve ser submetida a julgamento pelo
juiz competente, de acordo com as regras postas
pela CF e por lei
• Princípio da ação (da demanda ou da inércia) -
representa a atribuição à parte da iniciativa de
provocar o exercício da função jurisdicional

• Princípio do impulso oficial- art. 2º do CPC- “o


processo começa por iniciativa da parte e se
desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções
previstas em lei.”
• Princípio da instrumentalidade das formas- art.
188 do CPC- “os atos e os termos processuais
independem de forma determinada, salvo
quando a lei expressamente exigir,
considerando-se válidos os que, realizados de
outro modo, lhe preencham a finalidade
essencial.”

• Apenas pretende evitar o abuso de formalismo


• Princípio do duplo grau de jurisdição: quando
houver inconformismo das partes com relação a
decisões judiciais, estas poderão ser submetidas
à apreciação de um órgão de superior instância,
composto via de regra, por juízes mais
experientes
• Princípio da publicidade dos atos
processuais: art. 5º, LX “ a lei só poderá
restringir a publicidade dos atos
processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o
exigirem”
• Art. 93, X “ as decisões administrativas dos
tribunais serão motivadas e em sessão
pública...”
• O art. 11, caput, primeira parte, do CPC
assegura a publicidade de todos os
julgamentos dos órgãos do Poder
Judiciário.
• A publicidade é mecanismo de controle
das decisões judiciais
• Princípio da motivação das decisões judiciais:
Art. 93, IX, da CF, determina que serão públicos
todos os julgamentos dos órgãos do Poder
Judiciário e fundamentadas todas as decisões, sob
pena de nulidade.

A fundamentação é indispensável para a


fiscalização da atividade judiciária.
• Princípio da boa –fé - art. 5º “aquele que de
qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé.

• Princípio da cooperação: art. 6º do CPC – “todos


os sujeitos do processo devem cooperar entre si
para que se obtenha, em tempo razoável,
decisão de mérito justa e efetiva”.
JURISDIÇÃO
• Conceito
Função do Estado, pela qual ele, no intuito
de solucionar os conflitos de interesse em
caráter coativo, aplica a lei geral e abstrata
aos casos concretos que são submetidos.
À função de compor os litígios, de declarar e
realizar o Direito.
• Pode ser visualizada sob três enfoques distintos:
• Como poder: porquanto emana da soberania do
Estado, que assumiu o monopólio de dirimir os
conflitos;
• Como função, porque constitui dever do Estado
prestar tutela jurisdicional quando chamado;
• Como atividade: uma vez que a jurisdição atua
por meio de uma sequência de atos processuais.
CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO
• Unicidade: segundo a doutrina clássica, é função
exclusiva do Poder Judiciário, por intermédio de
seus juízes, os quais decidem monocraticamente
ou em órgãos colegiados, daí porque se diz que
ela é una.

• A distribuição da jurisdição em órgãos (Justiça


Federal, do Trabalho, Varas Cíveis, Criminais etc)
tem efeito meramente organizacional
• Tradição histórica do direito romano
• Não se separava Estado da Religião (Estado
Teocrático);
• O exercício da Jurisdição estatal nasceu
impregnado pela religiosidade;
• Personalismo – a figura do Deus recai sobre a
figura do Juiz – o centro.
• Hoje o parâmetro é o Estado Democrático
de Direito;
• Decisões processuais não são atos de uma
única pessoa;
• A sentença é prolatada pelo Juiz, em nome
do Estado, porém o provimento
jurisdicional é fruto de processo, onde
houve contraditório.
• Assim, podemos concluir que a Jurisdição não é
um ato solitário dos juízes. É prestada por um
órgão que, do ponto de vista subjetivo, é
composto por agentes públicos, que recebem
vencimentos (juiz, escrivão, promotor público,
etc) e agentes privados que recebem honorários
(advogado e perito).
Exercício da Jurisdição por outros órgãos –
natureza jurisdicional
• Senado Federal: presidido pelo Presidente do
STF, é competente para julgar o Presidente da
República nos crimes de responsabilidade (art.
86 da CF) – processo de impeachment;
• Justiça desportiva: órgão administrativo com
atribuições para julgar questões relacionadas à
disciplina e competições desportivas (art. 217 da
CF);
• Tribunal de contas: órgão ligado ao Legislativo e
com competência para julgamento das contas
dos administradores públicos;
• Arbitragem: um terceiro escolhido pelos
litigantes, decidirá o conflito de interesses,
criando a norma individual que regulará o caso
concreto.
CARACTERÍSTICAS DA
JURISDIÇÃO
• SECUNDARIEDADE: só atuará em ultimo caso,
quando esgotadas todas as possibilidades de
resolução do conflito instaurado;
• SUBSTITUTIVIDADE: substituição das partes
como solucionadoras de conflitos, pelo Estado-
juiz, imparcial;
• DEFINITIVIDADE: as decisões judiciais adquirem,
após um certo momento, caráter definitivo.
• IMPERATIVIDADE: as decisões judiciais tem força
coativa e obrigam os litigantes;

• IMPARCIALIDADE: para ser legítimo o exercício


da jurisdição, é imprescindível que o Estado –
Juízo atue com imparcialidade. Do advogado,
apesar de indispensável, não se exige
imparcialidade;
• INAFASTABILIDADE: a lei não pode excluir da
apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão
ou ameaça a direito, mesmo que não haja uma
lei que possa ser aplicada ao caso de forma
específica.

• INDELEGABILIDADE: só pode ser exercida pelo


Poder Judiciário.
• INÉRCIA: a jurisdição é inerte, precisa ser
provocada. Um dos envolvidos precisa levar a
questão à apreciação do judiciário.

• IVESTIDURA: só exerce a jurisdição quem ocupa


o cargo de juiz, tendo sido regularmente
investido nessa função.
Parei aqui
PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO
• Princípio do juízo natural: preexistência do
órgão jurisdicional ao fato, ou proibição de juízo
ou tribunal de exceção e o respeito absoluto às
regras objetivas de determinação de
competência.

• É indispensável também que o juiz e seus


auxiliares sejam imparciais, aí incluídos o
escrivão, o perito, os conciliadores e mediadores.
• Princípio da improrrogabilidade:

• Todos os juízes são investidos de jurisdição , mas


só podem atuar naquele órgão competente para
o qual foram designados , e somente nos
processos distribuídos para aquele órgão, fora de
sua função, o juiz é um cidadão comum.
• Princípio da indeclinabilidade:

• O órgão jurisdicional, uma vez provocado, não


pode recusar-se, tampouco delegar a função de
dirimir os litígios, mesmo se houver lacunas na
lei, caso em que poderá o juiz valer-se de outras
fontes do direito, como analogia, costumes e
princípios gerais;
• Princípio da inevitabilidade: provocada a
jurisdição e não sendo requerida a desistência da
ação, ou implementada a causa de extinção sem
julgamento do mérito, não será possível evitar
que se profira sentença;

• Princípio da indelegabilidade: não pode o juiz


ou o Tribunal, delegar suas funções a outra
pessoa ou órgão jurisidicional.
ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO
• CONTENCIOSA
- Busca uma determinação judicial que
obrigue a parte contrária
- A sentença sempre favorece uma das
partes
- Pede-se ao juiz que dê uma decisão
solucionando o conflito
• VOLUNTÁRIA
- Busca uma decisão que valha para ambas
as partes
- A decisão em geral beneficia ambas as
partes
- Ainda que haja uma situação conflituosa,
não é posta diretamente em juízo
A jurisdição voluntária não serve para que o juiz
diga quem tem razão, mas para que tome
determinadas providências que são necessárias
para a proteção de um ou ambos os sujeitos da
relação processual
DIREITO
PROCESSUAI CIVIL I
PROFESSORA: ISABELLE ALMEIDA
DA AÇÃO
• CONCEITO
• Meio de se provocar a tutela jurisdicional;
• O direito de ação é público, porque se
dirige conta o Estado – juiz;
• É subjetivo, porque o ordenamento
jurídico faculta àquele lesado em seu
direito pedir a manifestação do Estado
para solucionar o litígio
Ação, portanto, na concepção eclética,
é o direito a um pronunciamento
estatal que solucione o litígio, fazendo
desaparecer a incerteza ou insegurança
gerada pelo conflito de interesses,
pouco importando qual seja a solução a
ser dada pelo juiz
• Mediante o direito de ação, provoca-
se a jurisdição estatal, a qual, por sua
vez, será exercida por meio daquele
complexo de atos que é o processo
TEORIAS DA AÇÃO
• Teoria Imanentista ou civilista:
• Defendia por Savigny e adotada pelo
Código Civil de 1916, que dispunha em seu
art. 75 “a todo direito corresponde uma
ação, que o assegura.”
• A ação é aderida ao direito material
controvertido, de forma que a jurisdição
só pode ser acionada se houver o direito
postulado;
• A ação seria o próprio direito material
violado em estado de reação;
• Não há ação sem direito material;
• Não há direito sem ação;
• A ação segue a natureza do direito
material alegado.
• Nesse contexto, uma ação de
cobrança só poderia ser manejada se
não pairasse dúvida sobre o crédito
do autor;
• O disposto no art. 75 do CC de 1916,
não foi repetido no CC de 2002
• Teoria da ação como direito autônomo e
concreto:
• Partiu do debate entre Windscheid e Muther
- A ação passou a ser vista como autônoma em
relação ao direito material controvertido;
- O direito postulado entre as partes e o direito de
ação são coisas distintas;
• A ação é autônoma, mas só existe quando a
sentença for favorável (a ação consiste no direito
a sentença favorável);
• Teoria da ação como direito autônomo e
abstrato:
- A ação não tem qualquer relação com o
direito material controvertido;
- Além de autônomo, o direito de agir é
independente do reconhecimento do
direito material.
• A ação, então, passou a ser entendida
como direito público subjetivo a um
pronunciamento judicial, seja favorável ou
desfavorável;
• Basta que o autor invoque um hipotético
direito que mereça proteção para que o
Estado fique obrigado a pronunciar-se.
• Teoria eclética:
• Teoria adotada pelo CPC de 1973;
• Segundo Liebman, o direito de ação não
está vinculado a uma sentença favorável
(teoria concreta), mas também não é
completamente independente do direito
material (teoria abstrata).
• A ação é o direito a uma sentença de
mérito, seja qual for o seu conteúdo, isto
é, de procedência ou improcedência;
• Para surgir tal direito, deveriam estar
presentes as condições da ação, que estão
expressas no art. 267, VI, do CPC de 1973.
Possibilidade jurídica do pedido,
legitimidade das partes e interesse
processual.
• A concepção eclética foi mitigada pela
doutrina moderna;
• Não vislumbrava mais as condições da
ação como requisitos à existência da
ação, mas sim como requisitos ao
legítimo exercício de tal direito ou,
ainda, condições para o provimento
final.
No código atual, não há mais a
referência à “possibilidade jurídica
do pedido”, como hipótese
geradora da extinção do processo
sem julgamento do mérito
Elementos da ação
• Elementos subjetivos:
• Parte: é quem participa da relação
jurídico processual, integrando o
contraditório. Partes principais, que
são aquelas que formulam ou têm
contra si pedido formulado.
•Autor e Réu: ações de cognição
•Exequente e executado: nas
execuções
•Requerente e requerido: nas
ações cautelares
• Elementos objetivos:
• Causa de pedir: são os fatos e
fundamentos jurídicos do pedido;
• O autor, na inicial, deverá indicar todo
o quadro fático necessário à obtenção
do efeito jurídico pretendido, bem
como demonstrar de que maneira
esse fatos autorizam a concessão
desse efeito.
• Causa de pedir remota: se relaciona
com o fato (situação fática). Narração
dos fatos

• Causa de pedir próxima: se relaciona


com as consequências jurídicas desse
fato (violação do direito).
Fundamento jurídico do pedido
• Pedido: é a conclusão da exposição
dos fatos e fundamentos jurídicos
constantes na petição inicial;
• É o resultado da valoração do fato
pela norma jurídica;
• Pretensão material formulada ao
Estado-Juízo.
• Pedido imediato: é a providência ou o tipo
de tutela pretendido pelo autor;

• Pedido mediato: constitui o bem jurídico


pretendido.
Ex: ação de cobrança.

Condenação – pedido imediato


Recebimento do crédito- pedido mediato
• O pedido deve ser certo e
determinado;
• Dois ou mais pedidos podem
cumular-se no mesmo processo –
economia processual;
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES
• Segundo natureza do provimento jurisdicional
pretendido:

• - AÇÃO DE COGNIÇÃO OU CONHECIMENTO: visa


ao acertamento do direito.

• Ação declaratória: tem por objetivo a simples


declaração da existência ou inexistência de
relação jurídica, art. 19, I, CPC
• Não se postula outra providência consequencial,
mas apenas o reconhecimento de um fato já
existente no mundo jurídico;

• Não se pretende dar, tirar, proibir, vedar,


extinguir ou modificar coisa alguma;

• Natureza de tutela jurisdicional de per si, não se


impõe prestações e, por isso, não afeta a esfera
jurídica de outra pessoa.
• Ação constitutiva: tem por finalidade criar,
modificar, ou extinguir um estado ou
• relação jurídica;

• Ação condenatória: objetiva a condenação


do réu a prestar obrigação de fazer, não
fazer, entregar coisa ou pagar quantia
• Segundo a natureza da relação jurídica
discutida:
- Real: se a demanda funda-se em direito
real (propriedade e posse) ex. usucapião,
reconhecimento de usufruto.
- Pessoal: se funda em direito pessoal (ex.
ação de cobrança fundada em contrato de
empréstimo bancário.
• Segundo o objeto do pedido mediato
(bem jurídico pretendido)

• Ações imobiliárias: se o bem jurídico


pretendido é um imóvel;

• Ações mobiliárias: se o objeto


mediato for bem móvel.
• Nem toda ação imobiliária é real,
tampouco a ação mobiliária será sempre
pessoal.

• Ex. Ação de despejo

- Pessoal (funda-se em contrato de locação)


- Imobiliária (o bem jurídico pretendido é
um bem imóvel)
• Ex. Ação reivindicatória de automóvel

- Real: baseia-se no direito de propriedade;

- Mobiliária: o veículo é um bem móvel.


PROCESSO
• A ação é o ato do individuo de acionar o
Estado para a resolução do seu conflito e o
processo é mero instrumento pelo qual
será executado esse direito, que por sua
vez será composto por vários atos
processuais.
• Conceito:
É a relação jurídica que se estabelece entre autor,
juízo e réu, com vistas ao acertamento,
certificação, realização ou acautelamento do
direito substancial;

É o meio, o método ou o instrumento para


definição, realização ou acautelamento de direitos
materiais.
• Não é apenas um instrumento da jurisdição;

• É elemento validador e disciplinador da


jurisdição;

• Serve, então, como um método inerente à


atuação estatal que objetiva proteger o direito
das partes envolvidas e garantir o cumprimento
das regras e princípios estabelecidos no
ordenamento jurídico pátrio.
Pressupostos processuais

• Constituem aquelas exigências que


possibilitam o surgimento de uma relação
jurídica válida e seu desenvolvimento
imune a vício que possa nulificá-la, no
todo, ou em parte;

• Elementos condicionadores da existência e


da validade do processo.
• Diferença entre pressupostos e requisitos :

Pressupostos: diz respeito ao plano de existência


jurídica;

Requisitos: refere-se ao plano de validade do


direito.
Pressupostos processuais
subjetivos

• Dirão respeito às pessoas/agentes que


deverão estar presentes para que exista
processo.
• A) CAPACIDADE DE SER PARTE

- Para que o processo exista, é necessário a prévia


existência de alguém capaz de pedir o provimento
jurisdicional, ou seja, alguém dotado de capacidade de ser
parte.
• Personalidade judiciária, ou seja, a
aptidão conferida por lei para adquirir
direitos e contrair obrigações;

• É uma noção absoluta: ou se é ou não se


é capaz;

• Não se cogita incapacidade relativa de


ser parte.
• Entes despersonalizados contemplados
com personalidade judiciária:
- Espólio
- Condomínio
- Massa falida
- Herança jacente
• Essas entidades não são pessoas (porque não são
previstas na lei como tal), mas, não obstante, por meio
de uma ficção legal, lhes foi atribuída a capacidade de ser
parte no processo.
Do nascituro também se reconhece a
capacidade de ser parte, ou personalidade
judiciária;

Possui direito ao que se denominou


“alimentos gravídicos”
• B) EXISTÊNCIA DE UM ÓRGÃO INVESTIDO DE
JURISDIÇÃO

• A petição proposta por quem detém capacidade


de ser parte é dirigida a um órgão, ao qual a
Constituição ou a lei outorga o exercício da
função jurisdicional;

• Processo instaurado perante um não juiz é um


não processo e a decisão prolatada é uma não
decisão.
Pressuposto processual objetivo
• Existência de uma demanda.

• Se consubstancia na apresentação da
petição inicial em juízo;

• Para que o processo exista, basta que


aquele capaz de ser parte apresente uma
petição inicial a órgão investido de
jurisdição;
Requisitos processuais subjetivos
de validade
• A) Competência do órgão jurisdicional:

• Atribuição legal para julgar a causa;

• É a demarcação dos limites em que cada juízo


pode atuar, é a medida da jurisdição;

• Para que seja válido o processo, é necessário que


o órgão jurisdicional que o presidirá e proferirá o
julgamento seja competente para tanto.
• B) Imparcialidade do juízo:

• A imparcialidade, a um só tempo, figura como


uma das características da função jurisdicional e
também como requisito de validade do
processo;

• O juízo ao qual é distribuída a causa deve


oferecer às partes garantia de imparcialidade.
• C) Capacidade processual

• A capacidade processual pressupõe a capacidade


de ser parte, mas a recíproca não é verdadeira;

• Ex. pessoa absolutamente incapaz, detentoras


de capacidade de ser parte, mas que em juízo
devem ser representadas por seus pais, tutores
ou curadores.
D) Capacidade postulatória

- Aptidão para intervir no processo,


praticando atos postulatórios;

- Para a prática de atos processuais, a lei


exige aptidão técnica especial do sujeito,
sem o qual o ato é invalidado;
• Possuem capacidade postulatória os
Advogados regularmente inscritos na
OAB (advogados privados e aos
vinculados a entidades públicas);

• Integrantes do Ministério público


Requisitos processuais necessários
a admissibilidade do processo

• A) Interesse processual ou interesse de agir :

• Relaciona-se com a necessidade ou utilidade da


providência jurisdicional solicitada e a
adequação do meio utilizado para a obtenção da
tutela ;
• Terá interesse de agir quem demostrar a
necessidade da tutela jurisdicional formulada e a
adequabilidade do procedimento instaurado
para a obtenção do resultado pretendido.
• Ex. Filho que pleiteia reconhecimento de
paternidade contra quem já figura no
assento de nascimento não tem interesse
no provimento jurisdicional.
• B) Legitimidade para a causa

• Serão partes legítimas os titulares da relação


jurídica deduzida;

• O que interessa para verificação da legitimidade


é o direito abstratamente invocado, a afirmação
do autor, de tal forma que o juiz possa
estabelecer um nexo entre a narrativa e a
conclusão.
• A regra geral, portanto, é que serão partes
legítimas para a causa aqueles que
afirmaram ser titulares da relação jurídica
deduzida na inicial.

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