1- A Reprodução Humana Assistida (RHA) é intervenção do homem
no processo de procriação natural, com o objetivo de possibilitar que pessoas
com problemas de infertilidade e esterilidade satisfaçam o desejo de alcançar a
maternidade ou a paternidade. Logo, há a RESOLUÇÃO Nº 2.168/2017 para
nortear adoção de normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução
assistida – sempre em defesa do aperfeiçoamento das práticas e da observância
aos princípios éticos e bioéticos que ajudam a trazer maior segurança e eficácia
a tratamentos e procedimentos médicos.
2- Pode-se aplicar os seguintes princípios: Melhor interesse da
criança e do adolescente: interesse da criança nas relações familiares é de
extrema importância, devendo dar mais ênfase nas vontades, condições de
vida, ambiente físico e mental para a construção a partir da convivência de
relação afetiva; Solidariedade: é estabelecido no o artigo 229 da CF/88 e deve-
se dar no auxílio mútuo, material e moral, dando a devida assistência,
amparando e protegendo; Isonomia entre os filhos: a partir da Constituição
Federal, infere-se todos os filhos são iguais, independentemente de sua origem
(art. 227, § 6º).
3- Gonçalves (2015, pp. 314-315), destaca que na doutrina existem
possibilidades de aceitação do reconhecimento da dupla parentalidade ou
multiparentalidade. Logo, surgiram algumas decisões que afasta a escolha entre
o vínculo biológico e o socioafetivo, admitindo a hipótese de a pessoa poder
ter dois pais ou duas mães em seu registros. Ademais, os efeitos jurídicos
que regem a multiparentalidade são exatamente todos os efeitos que regem a
própria filiação, uma vez que os direitos, deveres e obrigações se expandem,
mesmo que inicialmente cabiam apenas aos pais originais, biológicos ou
adotivos. Entretanto, no caso de herança se o filho foi registrado tanto pelo
pai/mãe socioafetivo(a) quanto pelo(a) biológico(a), terá direitos a duas heranças
assim como alimentos, em que tanto os filhos os filhos biológicos, quantos os
socioafetivos possuem direito de recebe-los.
4- É a família com filhos decorrentes das técnicas de reprodução
assistida, as formas podem variar entre inseminações artificiais homólogas,
heterólogas, útero de substituição (barriga de aluguel).
5- O artigo 1597, incisos III e IV do Código Civil dispõe que os filhos
concebidos na constância do casamento sejam por fecundação artificial
homóloga, como também àqueles havidos a qualquer tempo, tratando-se dos
embriões excedentários. É importante ressaltar que a presunção é válida,
mesmo em relação ao marido falecido, ou seja, trata-se de uma hipótese de
presunção “post mortem”.
6- A sub-rogação de útero constitui-se na gestação, no útero de uma
terceira, de um filho requerido por um indivíduo ou por um casal. Ela pode ser
subdividida em sub-rogação total (gestacional) ou parcial (genética). Na primeira
delas, o material genético do(s) embrião(ões) implantado(s) provém inteiramente
do casal requerente, já na outra uma parcela do material genético da criança
gerada pertence à mãe de substituição, de forma que apenas os
espermatozoides provenham do pai requerente e sejam injetados na futura
gestante. Logo, é necessária considerar alguns pontos dispostos na resolução
nº 2.168 de 21 de setembro de 2017 do Conselho Federal de Medicina, faz-se
necessário tecer algumas considerações a respeito assunto: a) a doadora
genética deve possuir algum problema médico que impeça ou contraindique a
ocorrência de uma gestação; b) o cedente temporário do útero deve pertencer à
família de um dos parceiros (futuros pais) em parentesco consanguíneo até
quarto grau; c) a cessação temporária do útero não pode ter fins lucrativos ou
comerciais.
7 - A reprodução assistida post mortem pode ser entendida como a inseminação
de uma mulher viúva com o sêmen do marido falecido, ou, ainda, a implantação
do embrião fecundado com o sêmen deste. Este tipo de reprodução assistida
trouxe a possibilidade de viúva a utilizar sêmen criopreservado após a morte de
seu marido, vindo a conceber um filho de pai pré-morto.
Contudo, a aplicação deste tipo de técnica de reprodução assistida é limitada
em casos de doença grave ou estado terminal do marido, e fecundado em sua
esposa apenas após a morte dele, sendo possível que um homem que
apresentou riscos de esterilidade preserve sua fertilidade. Mesmo que a prática
desta técnica de reprodução esteja crescendo, a lei brasileira ainda apresenta
diversas lacunas a respeito ao direito de suceder do concebido post mortem.
8 - Na inseminação artificial homóloga, são utilizados os próprios gametas
(óvulos e espermatozoides) dos pacientes que recorrem ao procedimento; já na
heteróloga são utilizados gametas de doadores distintos. Essa técnica de
reprodução assistida vem a substituir a relação sexual em que ocorreria a
fecundação.
Sob o aspecto da paternidade, quando se utiliza o sêmen do marido para a
fecundação, ela é denominada homóloga, não apresentando muitos problemas
jurídicos, visto que a hereditariedade biológica não é modificada.
Em contrapartida, quando é utilizado o sêmen de doador diverso do marido,
trata-se da paternidade heteróloga. Separa-se, neste caso, o ato da paternidade
em si, não havendo convergência dos vínculos biológico e jurídico.
9 - Trata-se da possibilidade jurídica conferida ao genitor biológico e/ou do
genitor afetivo de invocarem os princípios da dignidade humana e da afetividade
para ver garantida a manutenção ou o estabelecimento de vínculos parentais. Se
especifica por meio de dois elementos distintos, mas fundamentais e
complementares: o fator biológico e a socioafetividade. A primeira situação é
caracterizada pelos meios fisiológicos e sua respectiva determinação se baseia
na genética, enquanto que a segunda se caracteriza pelo aspecto socioafetivo
entre pais e filhos, onde o liame sanguíneo entre estes é inexistente e tem o
afeto como elemento definidor da união familiar.
O conceito da multiparentalidade no direito da família, entender a diferença da
filiação biológica e filiação afetivas, quais as consequências jurídicas no direito
da família. O reconhecimento do parentesco por ascendente aos respectivos
descendente advindos de relação adulterinas só passou a ser possível depois do
Decreto-Lei nº 4.737/42, no qual trouxe a em sua redação o art. 1 °, expressa, “
O filho havido pelo cônjuge fora do matrimônio pode, depois do desquite, ser
reconhecido ou demandar que declare sua filiação”. Ou seja, os filhos, advindos
de relação extraconjugais, só poderia ter o direito ao reconhecimento em
registro civil, caso houvesse um desquite. Visto que, a legislação com intuito
primário de protege a família tradicional, fez por décadas descriminações entre
filhos, até privá-lo do direito hoje consolidado, no que tange o pronome dos seus
ascendentes.
10 - A adoção à brasileira, também conhecida como adoção ilegal caracteriza-se
quando a genitora ou a família biológica simplesmente entrega a criança a um
indivíduo estranho, onde este muito provavelmente registrará a criança como
filho próprio, sem sequer ter passado por um processo judicial de adoção. Ao
nos depararmos com tal situação, é mister questionar por que tal ato ilegal é tão
comum no nosso país, mesmo havendo legislações específicas para a
regularização de tal procedimento e possuindo previsão no CP ao descrever a
conduta no Art. 242: ''Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho
de outrem; ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando
direito inerente ao estado civil.", com pena cominada de 2 a 6 anos de reclusão.
11. O termo “intuitu personae” origina-se do latim, que significa “consideração
à pessoa”, também denominada adoção dirigida, direta e consentida. Adoção
intuitu persone ou adoção dirigida, ocorre quando existe o desejo da mãe
biológica de entregar seu filho à determinada pessoa conhecida, caracteriza-se
como uma forma alternativa de adoção.
A adoção dirigida é o método de adoção que ocorre sem a habilitação e
sem a prévia inscrição no CNA, o adotante recebe o menor diretamente da mãe
biológica, muitas das vezes, a pessoa escolhida pela genitora é de sua confiança,
que por não possuir condições necessárias para efetivar as garantias de uma boa
criação ou até mesmo condições financeiras, dar crédito a outrem, com a certeza
que este pode oferecer qualidade de vida para seu filho.
12 - A adoção póstuma (adoção post mortem) é aquela em que a adoção será
considerada plena ainda que haja o falecimento do adotante no curso do
processo de adoção. Exige-se que exista a manifestação inequívoca da vontade
de adotar. Encontra-se prevista no art. 42 §6 do ECA
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos,
independentemente do estado civil. (Redação dada pela Lei
nº 12.010, de 2009) § 6o A adoção poderá ser deferida ao
adotante que, apósinequívoca manifestação de vontade, vier
a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a
sentença.(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009).
13 - A adoção tardia é o termo utilizado para designar a adoção de criança que
já conseguem se perceber diferenciada do outro e do mundo, a criança que não
é mais um bebê, que tem certa independência do adulto para satisfação de suas
necessidades básicas. Ou seja, a criança que já anda, fala, não usa mais fraldas,
se alimenta sozinha.
Pode ser retratada como aquela em que a criança a ser adotada possuir mais e
dois anos de idade. Outros autores, no entanto, consideram a partir dos três
anos. As crianças adotadas nessas condições são crianças que ou foram
abandonadas tardiamente pelo pais ou responsáveis, que não puderem
encarregar-se delas por circunstâncias pessoais ou socioeconômicas; ou foram
retiradas dos pais pelo poder judiciário, que os julgou incapazes de mantê-las
sob seus cuidados, destituindo-lhes do poder familiar; ou que possam estar
esquecidas pelo Estado desde muito pequenas em abrigos e uma minoria é
composta de órfãos sem nenhum parente vivo ou conhecido
14- O Supremo Tribunal Federal reconhece a união homoafetiva como um núcleo
familiar como qualquer outro e, além disso, o Estatuto da Criança e do
Adolescente autoriza a adoção por uma única pessoa, sem fazer qualquer
restrição quanto a sua orientação sexual.
15-O Código Civil brasileiro faz alusão a apenas duas modalidades de guarda: a
guarda unilateral, caracterizada pelo exercício exclusivo ou prioritário das
responsabilidades parentais; e a guarda compartilhada, por meio da qual aquelas
responsabilidades são repartidas conjuntamente por ambos os genitores.
16- Com a aplicação da guarda compartilhada, afasta-se em muito qualquer
sombra da Alienação Parental no meio familiar, por possuir a mesma, a
característica de colaboração para que haja uma convivência igualitária do
menor com ambos os genitores.
17- a síndrome de alienação parental (SAP) é um distúrbio que surge inicialmente
no contexto das disputas em torno da custódia infantil. Sua primeira
manifestação verifica-se numa campanha que visa denegrir a figura parental
perante a criança, uma campanha que não tem justificação. Esta síndrome
resulta da combinação de um programa de doutrinação dos pais (lavagem
cerebral) juntamente com a contribuição da própria criança para envilecer a
figura parental que está na mira desse processo.
18- Na visão dos especialistas, os malefícios da chamada "guarda alternada" são
patentes, prejudicando a formação dos filhos ante a supressão de referências
básicas sobre a sua moradia, hábitos alimentares, etc., comprometendo sua
estabilidade emocional e física.
19- A guarda unilateral é a modalidade de guarda em que apenas você ou sua
esposa toma decisões sobre a vida dos filhos de vocês.
O juiz aplica a guarda unilateral nos seguintes casos:
No caso de um de vocês não querer a guarda; Quando um de vocês não possui
condições de ter a guarda dos filhos, como em casos de dependência química,
por exemplo; Quando há maus tratos, abandono ou falta de condições mínimas
para garantir os cuidados das crianças.
20- Pode-se conceituar o abandono afetivo quando há um comportamento
omisso, contraditório ou de ausência de quem deveria exercer a função afetiva
na vida da criança ou do adolescente. O artigo 1.634 do Código Civil de 2002
define o dever dos genitores em relação aos seus filhos, lendo o dispositivo, é
notável que os pais têm o dever de criar e educar os filhos. Muitos acreditam
que o pai que paga pensão alimentícia estaria exercendo de fato sua função de
pai, ocorre que pagar a pensão, é sustentar sua prole, porém o cuidado é um
gênero do qual o sustento faz parte.
O abandono afetivo é passível de gerar efeitos na esfera da responsabilidade civil
e, portanto, há a possibilidade de se pleitear indenização em face dos danos que
os pais possam acarretar a seus filhos, principalmente, no que diz respeito,
quando eles são privados de usufruir seus direitos e garantias fundamentais ao
seu desenvolvimento equilibrado e saudável.
Contudo, os operadores do direito têm que ter cautela no ingresso e julgamento
dessas demandas que envolvem o abandono afetivo, para que não amparem
pretensões movidas por um instinto de vingança, não sendo esse o objetivo de
responsabilizar os pais por abandonarem afetivamente seus filhos.