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Sebenta Prática APCA

O documento aborda a avaliação do QI através do WISC-III, destacando a importância da análise dos QIs verbal e não-verbal, suas diferenças e implicações clínicas. Também discute a interpretação de resultados em relação a dificuldades de aprendizagem, dislexia e deficiência mental, além de apresentar métodos de avaliação como a Figura Complexa de Rey e Matrizes Progressivas Coloridas. Por fim, menciona a prova projetiva para crianças, que visa entender como lidam com emoções e experiências emocionais.

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Sebenta Prática APCA

O documento aborda a avaliação do QI através do WISC-III, destacando a importância da análise dos QIs verbal e não-verbal, suas diferenças e implicações clínicas. Também discute a interpretação de resultados em relação a dificuldades de aprendizagem, dislexia e deficiência mental, além de apresentar métodos de avaliação como a Figura Complexa de Rey e Matrizes Progressivas Coloridas. Por fim, menciona a prova projetiva para crianças, que visa entender como lidam com emoções e experiências emocionais.

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WISC-III

1º passo: Hipóteses de Diagnóstico (tendo em conta apenas a história clinica)

2º passo: Análise dos QI’s

Classificação dos QIS

QIEC – Eficiência intelectual global situada no nível …


QIV – Inteligência verbal situada no nível …
QIR – Inteligência não-verbal situada no nível …

Interpretação das diferenças entre QI Verbal e QI Realização

Uma diferença de 13 pontos entre QIV e QIR é estatisticamente significativa para o


nível de significância 0.05  Homogeneidade / heterogeneidade

Uma diferença significativa que ocorra numa frequência igual ou inferior a 15% da
amostra de aferição é já suficientemente rara para permitir uma interpretação
clínica

Podemos já confirmar ou infirmar algumas das nossas hipóteses 1


Quando o QIV é superior ao QIR, existem várias possibilidades:

 Elevadas condições educacionais, escolares, sociais e culturais


 Pais com profissões de desempenho intelectual elevado
 Maior número e riqueza de oportunidades de aprendizagem
 Interacções familiares mais frequentes e estimulantes
 Possibilidade de problemas neurológicos quando a diferença é maior do que 25
pontos (défice no hemisfério esquerdo podem resultado num QIV mais baixo;
défices no hemisfério direito podem resultar num QIR mais baixo)

Quando o QIR é superior ao QIV, existem várias possibilidades:

 Problemas de aprendizagem quando a diferença é superior a 25 pontos


 Menor inteligência cristalizada ligada a menores oportunidades de aprendizagem
 Efeito bola de neve (não aprende, logo não aprende, logo não aprende)
 Stresse, ansiedade, sensibilidade à pressão do tempo (desistência da tarefa)
 Deliquência (maior pensamento concreto, maior passagem ao acto, menor
mediação verbal)
 Independência do campo (maior facilidade de estímulos visuais e flexibilidade)

3º passo: Análise dos Índices Factoriais

ICV – Nível … de conhecimento verbal e de raciocínio verbal

IOP – Raciocínio não-verbal e organização perceptiva situados no nível …

IVP – Velocidade mental e motora na resolução de problemas de natureza visual situada no


nível Muito Superior

2
 ICV/IOP - Diferenças iguais ou superiores a 14 pontos são significativas a p <.05
 ICV/IVP - Diferenças iguais ou superiores a 16 pontos são significativas a p <.05
 IOP/IVP - Diferenças iguais ou superiores a 17 pontos são significativas a p <.05

Ver homogeneidade / heterogeneidade

4º passo: Análise Intra-Individual

 Analisar por denominador comum

Homogeneidade /
Heterogeneidade dentro de
cada IF:

ICV (Nota mais alta – Nota


mais baixa) ≥ 7

IOP (Nota mais alta – Nota


mais baixa) ≥ 9

IVP (Nota mais alta – Nota


mais baixa) ≥ 4

Classificação teste a
teste

3
Informação:

Prova que avalia a aquisição de conhecimentos gerais (e que indirectamente informa


sobre as capacidades de aprendizagem e sobre a qualidade da recuperação da memória a
longo prazo).

Excelente medida de inteligência cristalizada.

O desempenho nesta prova está muito dependente das oportunidades de aprendizagem


(meio sociocultural) e do interesse e curiosidade pelo meio envolvente.

Semelhanças:

Sub-teste que avalia a formação de conceitos verbais

O desempenho nesta prova depende do contexto social e cultural da criança (medida de


inteligência cristalizada).

Esta prova permite obter informações clínicas interessantes. As respostas dos sujeitos
podem corresponder a níveis distintos de formação de conceitos: a. Nível concreto (a
banana e o pêssego têm casca); b. Nível funcional (a banana e o pêssego servem para
comer); c. Nível abstrato (a banana e o pêssego são frutos).

Vocabulário:

Este subteste informa sobre as capacidades de aprendizagem (bom preditor da


capacidade para adquirir conhecimentos sociais, científicos e humanos) e sobre a
qualidade dos processos de pensamento do sujeito (fonte de informações clínicas).

Está dependente do meio sociocultural, do nível educacional e da riqueza das interações


verbais (boa medida de inteligência cristalizada).

Compreensão

Numa prova que avalia conhecimentos sobre questões sociais e gerais

Medida de inteligência cristalizada, dependente da educação formal e do nível


sociocultural

 conclusão para cada denominador comum tendo em conta a descrição da tabela e a


história clinica.

4
Complemento de gravuras:

Avalia a Capacidade de reconhecimento visual, de identificação de formas familiares e


de discriminação entre o essencial e o acessório.

Apesar de envolver a análise de estímulos visuais, depende de conhecimentos culturais


e da possibilidade de os recuperar da memória a longo prazo

Disposição de gravuras:

Avalia a capacidade de plicar a inteligência na resolução de situações sociais, para


compreender o todo a partir da análise das partes, planear e compreender noções
temporais e relações de causa-efeito.

Cubos:

Avalia a análise visual, raciocínio sobre relações espaciais e coordenação visuomotora.

Composição de objectos

Avalia a compreensão do todo a partir da análise das partes, de coordenação


visuomotora, de planeamento.

Esta prova é uma boa medida de Organização Perceptiva. A 2ª melhor depois de


Cubos.

 conclusão para cada denominador comum tendo em conta a descrição da tabela e a


história clinica.

Código:

Avalia a Capacidade de aprendizagem de uma tarefa nova num curto espaço de tempo

Não é uma boa medida de inteligência geral, nem de organização perceptiva, mas é uma
boa medida de velocidade de processamento.

Pesquisa de símbolos:

Avalia a velocidade de processamento de informação visual, capacidade de


concentração, rapidez de execução e boa coordenação visuomotora.

5
 conclusão para cada denominador comum tendo em conta a descrição da tabela e a
história clinica.

Aritmética (Medida de QIV)

Avalia capacidades de atenção/concentração, memória de trabalho e de raciocínio


numérico

Para realizar a tarefa proposta em Aritmética são necessários conhecimentos


matemáticos (as 4 operações, fracções e percentagens) que se adquirem no 1º Ciclo do
Ensino Básico.

Prova muito sensível às flutuações da atenção e à influência de variáveis emocionais

Memória de dígitos (Medida de QIV)

Avalia as capacidades de mobilização da atenção e de memória de trabalho

Dislexia / Perturbações da Aprendizagem / Perturbações da Atenção

Perfil Bannatyne: Aptidão Espacial (Cubos, Composição de Objectos e


Completamento de Gravuras) > Aptidão de Conceptualização Verbal (Compreensão,
Semelhanças e Vocabulário) > Aptidão Sequencial (Memória de Dígitos, Aritmética e
Código)

Os disléxicos obtêm melhores resultados nos subtestes da


categoria Espacial, resultados intermédios nos subtestes da categoria
Conceptual e piores resultados nos subtestes da categoria Sequencial

Perfil ACID: Aritmética, Código, Informação e Memória de Dígitos

Perfil SCAD: Pesquisa de Símbolos, Código, Aritmética e Memória de Dígitos

6
OP > SCAD: ocorre com maior frequência em crianças com Dislexia, Perturbações da
Aprendizagem e da Atenção do que em crianças “normais”

Deficiência Mental

O diagnóstico de DM pressupõe a simultaneidade de um funcionamento intelectual


significativamente inferior à média (QI < 70) e de défices em duas ou mais áreas de
competência adaptativa (i.e., comunicação, cuidados próprios, vida social…), que se
manifestam durante o desenvolvimento

 DM Ligeira (QI 55 – 69)


 DM Moderada (QI 40 – 54)
 DM Severa (QI 25 – 39)
 DM Profunda (QI < 25)

Etiologia

QI < 50 – etiologia orgânica

QI > 50 – sem perturbações neurológicas ou físicas evidentes; meio sociocultural


desfavorecido

Padrão característico

QIV < QIR

Subtestes mais difíceis: Vocabulário, Informação, Semelhanças e Aritmética

Subtestes mais fáceis: Completamento de Gravuras, Composição de Objectos,


Compreensão e Disposição de Gravuras

Perturbação de Hiperactividade com Défice da Atenção

Resultados baixos em IVP e nos subtestes Memória de Dígitos e Aritmética surgem


frequentemente associados a défices de atenção

7
Figura Complexa de Rey

 Permite avaliar Organização perceptiva e Memória visuo-espacial


(indirectamente fornece dados sobre a eficiência intelectual).

Análise da Cópia

Informa sobre a organização perceptiva e o desenvolvimento intelectual

A análise da Cópia tem em consideração 3 aspectos:

Precisão da Cópia, / Tempo de Realização

 Analise dos centis – centil X  100-X% da população resultados superiores


 E.g.: centil 30 – 70%da população obteve resultados superiores
 Analise do tempo – mesmo raciocínio (X% completou a tarefa em menos
tempo)

Tipo de Cópia

Tipo I – Construção sobre a armadura

O sujeito começa o desenho pelo grande retângulo central, que funciona como a
estrutura do desenho, em relação ao qual agrupa os outros elementos da figura.

É o tipo de cópia dominante nos adultos. Está, no entanto, presente desde os 4 anos,
aumentando lentamente até atingir uma frequência máxima na idade adulta.

Tipo II – Detalhes englobados na armadura

O sujeito começa o desenho por um detalhe ligado ao grande retângulo (e.g., cruz
superior esquerda) ou traça o grande retângulo englobando em simultâneo um detalhe.
A restante reprodução é feita em função do retângulo enquanto “armadura”.

É um tipo acessório de cópia. Aparece aos 6 anos, desenvolve-se regularmente até aos
12 anos onde atinge a frequência mais elevada para em seguida diminuir até à idade
adulta.

Tipo III – Contorno geral

O sujeito começa o desenho pela reprodução do contorno integral da figura sem


diferenciar explicitamente o retângulo central. Obtém um “continente” no qual são
colocados os detalhes interiores.

Tipo de cópia acessório que diminui depois dos 6 anos (embora aos 10 anos assuma
uma expressão razoável) e que é negligenciável na idade adulta.

8
Tipo IV – Justaposição de detalhes

O sujeito justapõe os detalhes uns aos outros, procedendo por proximidade. Não há
elemento diretor da reprodução.

Tipo de cópia dominante dos 5 aos 10 anos. Na idade adulta assume uma expressão
mínima.

Tipo V – Detalhes sobre fundo confuso

O sujeito reproduz uma figura pouco ou nada estruturada na qual não se reconhece o
modelo, mas onde certos detalhes do modelo são claramente reconhecidos.

Tipo de cópia dominante aos 4 anos. Diminui rapidamente, desaparecendo aos 8 anos.

Tipo VI – Redução a um esquema familiar

O sujeito assemelha a figura a um esquema que lhe é familiar (casa, barco, homem, etc.)

Tipo de cópia bastante raro, mas presente aos 4/5 anos e desaparecendo aos 6 anos.

Tipo VII – Garatujas

O sujeito produz uma garatuja onde não se reconhece nenhum elemento do modelo nem
a sua forma global.

Considerações sobre a cópia

I) Processos de cópia inferiores


a) Tipo de cópia inferior (em relação à idade) / Cópia pouco precisa:

Atraso do desenvolvimento intelectual => responsável por uma organização percetiva e


uma coordenação visuomotora deficientes.

Dificuldades específicas na organização percetiva, estruturação espacial e coordenação


visuomotora, quando o nível intelectual é normal.

Dificuldades de coordenação visuomotora por falta de treino (nível cultural e treino


escolar)

b) Tipo de cópia inferior (em relação à idade) / Cópia precisa e rica:

Tempo de cópia longo => sujeitos empenhados, mas com dificuldades na análise rápida
e racional das estruturas visuo-espaciais.

Tempo de cópia curto, traçado fácil e firme => sujeitos dotados para o desenho que
copiam a figura de um modo pouco racional (tipo IV), mas fazem-no com qualidade.

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II) Processos de cópia superiores
a) Tipo de cópia superior (em relação à idade) / Cópia precisa e rica:

Sujeitos empenhados, capazes de analisar e estruturar racionalmente os dados visuo-


espaciais (o tempo de cópia é normal ou longo).

b) Tipo de cópia superior (em relação à idade) / Cópia pouco precisa :

Tendência para realizar a cópia num tempo reduzido (à pressa), com esquecimentos e
imprecisões gráficas, embora a capacidade de elaboração percetiva seja evoluída
(sujeitos dotados para o desenho).

 A partir dos 12 anos, os Tipos de Cópia V, VI e VII sugerem dificuldades


intelectuais.

Análise da reprodução de memória

Avalia-se segundo os parâmetros: Precisão da reprodução de memória e Tipo de


reprodução de memória

Avalia-se:

Precisão / Tipo de cópia

Mesmo raciocínio que na cópia

 Resultados Baixos
Se a cópia foi normal = indicam dificuldades na memória visuo-espacial.

Se a cópia foi deficiente = traduzem as dificuldades de análise percetiva e de


estruturação espacial já reveladas na cópia.

Nota: quando a reprodução de memória é muito pobre, mesmo que a cópia tenha sido
deficiente pode-se pensar em dificuldades de memória.

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Matrizes Progressivas Coloridas

 Testes de raciocínio lógico-abstrato


 Muito saturados em fator g
 Saturados, também, no fator organização percetiva
 Testes sensíveis à deterioração mental

Correspondência percentil-QI

Classificação do QI

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Comparação do QI obtido nas MPC com os QI’s (QIV, QIR, QIEC) da WISC

As MPC correlacionam-se mais com as capacidades avaliadas na subescala de


Realização.

Os resultados tendem a ser concordantes (em todos os qi’s), mas no caso de serem
discordantes é possível levantar as seguintes hipóteses:

MPC > WISC


 Intervenção de fatores não intelectuais (motivação, atenção, concentração,
características de personalidade)
 Intervenção de fatores específicos verbais na eficiência demonstrada na E.
Wechsler

MPC < WISC


 Deterioração mental
 Dificuldades na organização percetiva
 Dificuldades na mobilização da atenção
 Motivação
 Dificuldades na resistência à distracção

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Prova Projectiva para Crianças “Era uma vez…”
Pretende descrever o modo como as crianças lidam com a ansiedade e o prazer,
experiências emocionais presentes desde o início da vida, fundamentais na activação do
comportamento e na comunicação com os seres humanos. Compreender cm as crianças
lidam com as emoções e as organizam porque dificuldade na emoção pode ser sinal de
problema psicopatológico. Prova que se baseia na prova de Winnicott. Situação lúdica
estandardizada. Constituída por cartões que têm uma história sempre incompleta sendo
que a criança deverá colocar os cartões numa sequência de forma a construir uma
história. A criança deve escolher três cartões para cada cena. Num primeiro momento a
selecção e manipulação destes cartões são o essencial. Num segundo momento já se
pede à criança que verbalize a história que construiu. Todas as cenas têm um gradiente
de intensidade emocional. Ao contrário da maior parte das provas para crianças estas
cenas são banais para a criança, que acontecem no seu dia-a-dia. No cartão 2 por
exemplo é representada uma situação de doença, a forma cm elas lidam com a situação
de doença depende da realidade externa de cada um. Para algumas crianças também
pode estar associada à separação porque ficam internadas p.e ou a pais que morrer por
doença. Também tem cartões sobre actividades prazerosas por exemplo ir à praia ou o
dia de anos.

Outra situação frequente na infância são os pesadelos e se forem muito intensos poderão
indicar uma perturbação emocional. O cartão 6 remete para a briga dos pais, cuja
resolução não está nas suas mãos e portanto a capacidade de controlo da criança é muito
limitada. O que se pretende é saber se a criança consegue alcançar um saudável
equilíbrio entre as brigas dos pais e o amor que tem por eles.

As cenas são propositadamente objectivas para poder estudar em cada idade o padrão de
respostas típico. No final há um cartão que é um retrato da menina ou menino que
permite à criança falar sobre aquilo que acabou de viver.

Interpretação:
À medida que as crianças vão desenvolvendo, vai-se verificando diferenças no modo
como organizam as histórias e as cenas que escolhem. Com o desenvolvimento da
capacidade para elaborar a ansiedade e a maior flexibilidade em face das exigências da
realidade verifica-se:

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- nos cartões que apresentam situações ansiogénicas há um aumento da frequência de
escolhas de aflição na posição nº1 e maior frequência de escolhas de realidade no final
bem como as cenas de fantasia tendem a diminuir. Nas situações agradáveis as crianças
ficam mais capazes de lidar com as cenas felizes da vida e decrescem as escolhas da
cena de aflição.

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