CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PÓS GRADUAÇÃO EM
EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA
CÂNDIDA ENÚCIA FOGAÇA DE CASTRO
AUTISMO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NO
CONTEXTO ESCOLAR
CORIBE - BAHIA
2023
CÂNDIDA ENÚCIA FOGAÇA DE CASTRO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PÓS GRADUAÇÃO EM
EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA
AUTISMO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NO
CONTEXTO ESCOLAR
TCC/Artigo Científico apresentado a Faculdade Venda Nova do
Imigrante – Faveni e pesquisa como requisito parcial para a
conclusão do curso pós Graduação em Educação Inclusiva.
CORIBE - BAHIA
2023
AUTISMO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NO
CONTEXTO ESCOLAR
Cândida Enúcia Fogaça de castro1
Resumo: Nota - se que nos últimos anos, o diagnóstico de Transtorno do Espectro
Autista (TEA) tem aumentado significamente, refletindo no contexto escolar,
crescendo também a quantidade de trabalhos acerca do tema em todo mundo.
Nesta perspectiva, propõe-se a realizar uma reflexão teórica com ênfase nas
práticas pedagógicas voltadas para a inclusão do aluno com Transtorno do Espectro
Autista (TEA) na sala de aula regular, inserido na temática Educação Especial na
perspectiva da Educação Inclusiva. Pois, o portador de TEA pode desenvolver
diversos problemas de aprendizagem e ter dificuldades de adaptação nos processos
escolares convencionais. Sendo assim o presente artigo objetiva o estudo e reflexão
sobre os desafios das crianças com autismo no contexto da educação inclusiva e
permeia traçar estratégias metodológicas para facilitar o processo ensino
aprendizagem. Posto isto, a partir de pesquisas e análises bibliográficas e
constatações teóricas.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Autismo. Desafios. Ensino Aprendizagem.
Abstract: It is noted that in recent years, the diagnosis of Autistic Spectrum Disorder
(ASD) has increased significantly, reflecting in the school context, also increasing the
amount of work on the subject worldwide. In this perspective, it is proposed to carry
out a theoretical reflection with emphasis on pedagogical practices aimed at the
inclusion of students with Autistic Spectrum Disorder (ASD) in the regular classroom,
inserted in the theme of Special Education from the perspective of Inclusive
Education. Therefore, the person with ASD can develop several learning problems
and have difficulties in adapting to conventional school processes. Thus, this article
aims to study and reflect on the challenges of children with autism in the context of
inclusive education and permeates outlining methodological strategies to facilitate the
teaching-learning process. That said, based on research and bibliographical analysis
and theoretical findings.
KEYWORDS: Inclusive Education. Autism. Challenges. Teaching Learning.
Introdução
1
Licenciada em: Pedagogia pela Universidade Norte do Paraná-Unopar
Na Modernidade, a estruturação escolar, foi pautada pela ótica da ordem e
homogeneização. A educação então privilegiava um grupo específico que
correspondia aos padrões e interesses dessa sociedade e era marcada por políticas
educacionais (re)produtoras de desigualdades, por causa dessa conjutura escolar do
passado as escolas atuais passam infelizmente ainda por muitas dificuldades para
se adaptarem aos novos padrões onde exige igualdade para todos, ou seja uma
escola heterogênea que ofereça uma educação inclusiva.
Ao falar sobre a inclusão da criança com autismo no âmbito escolar, deve-
se pensar também no professor, pois este, muitas vezes, não está preparado para
receber os alunos com esse transtorno, pois trabalhar o autismo na escola é uma
questão delicada e que gera inúmeros debates, sendo que o professor é visto como
mediador no processo inclusivo; é ele quem promove o contato inicial da criança
com a sala de aula, pois é o responsável por incluí-lo nas atividades com toda a
turma, sendo assim o mesmo deve estar capacitado para exercer sua função com
êxito, afinal não existe um consenso sobre o melhor caminho para a inclusão.
Enquanto para uns o ensino regular deve ser adaptado ao aluno do TEA (Transtorno
de Espectro Autista), para outros a criação de instituições especializadas é a melhor
alternativa para que o aluno possa se desenvolver. Independentemente de o ensino
acontecer em escolas regulares ou especializadas, dialogar sobre a aceitação, o
acolhimento, o respeito e a condição do autista é fundamental.
Nos dias atuais são grandes os desafios para poder proporcionar uma
educação para todos, sem distinções, além de assegurar um trabalho educativo
organizado e adaptado para atender às Necessidades Educacionais Especiais dos
alunos. Nesse sentido, Borges (2005, p. 3, apud Bortolozzo, 2007, p. 15) afirma que
“um aluno tem necessidades educacionais especiais quando apresenta
dificuldades maiores que o restante dos alunos da sua idade para aprender
o que está sendo previsto no currículo, precisando, assim, de caminhos
alternativos para alcançar este aprendizado”.
Já Miranda e Filho (2012, p. 12) salientam que, “nesse processo, o educador
precisa saber potencializar a autonomia, a criatividade e a comunicação dos
estudantes, e, por sua vez, tornar-se produtor de seu próprio saber”.
Consequentemente o aluno com autismo ou TEA (transtorno do espectro
autista), apresenta características variadas que comprometem, desde as suas
relações com outras pessoas até a sua linguagem, necessitando, assim, de apoio no
seu processo de ensino-aprendizagem. De tal modo, a oferta de escolarização para
todos, na perspectiva de inserir os alunos com Necessidades Educacionais
Especiais na escola regular, “aos poucos vem ocorrendo em nosso cenário
educacional” (Carneiro, 2012, p. 13).
Portanto, os direitos educacionais devem ser estendidos à pessoa com
autismo, conforme garante a Constituição Federal; em seu Art. 205, em relação à
educação como um direito de todos, bem como no Art. 206, inciso I, que estabelece
igualdade de condições de acesso e permanência na escola. Esses direitos também
são previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96),
nos Art. 58 e 59, que oferece respaldo para que o ensino da pessoa com deficiência
(e que apresenta necessidades educacionais especiais) seja ministrado no ensino
regular, preferencialmente, assim como, em decretos e documentos. Além disso, há
direitos previstos no artigo 1º, no § 2º, da Lei nº 12.764/12, que institui a Política
Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista,
designando acesso à educação com as adaptações cabíveis que contemplem suas
necessidades.
Com base nas discussões pontuadas, evidenciamos a condição do aluno
com autismo, que deve ser incluído na escola sem qualquer discriminação e gozar
de todas as oportunidades que esse ambiente deve ofertar, requerendo “[...]
elementos estruturais e pedagógicos diferentes do que a escola comum possui”
(CARNEIRO, 2012, p. 13). Para tanto se faz necessário o docente rever suas
práticas pedagógicas atráves de formações continuadas, pois o trabalho de
professor é complexo e global, lidar com seres humanos, diferentes uns dos outros,
cada um com sua especificidade, requer a gestão de um currículo do qual podem
ser escolhidos diversos caminhos para seguir, dispõe de uma gama diversa de
metodologias a seu dispor e estas são caraterísticas muito singulares de atuação.
Além disso, é preciso salientar que o professor não está sozinho nessa empreitada,
pois a escola inclusiva exige a participação de todos os atores, deste cenário,
envolvidos no processo. Portanto uma equipe coesa faz-se essencial para a
construção e desenvolvimento de uma escola inclusiva.
Associado a isso, deve levar em consideração que a geração de professores
que está promovendo a inclusão o faz sem ter tido este tipo de experiência em sua
própria vida acadêmica. Esta implementação é feita por pessoas que sabem o que
deve ser feito a partir da literatura, mas não de suas vivências pessoais. De acordo
com Montalvão e Mizukami (2002, p. 101):
São muitos os saberes inerentes à profissão docente, oriundos de diversas
fontes, espaços, tempos e experiências que, conjuntamente, configuram a
base do trabalho do professor. Assumindo que tais saberes são constituídos
ao longo de toda a vida, começando, portanto, antes mesmo da formação
inicial, passando por ela e acompanhando toda a formação continuada, eles
englobam, inicialmente, teorias e crenças oriundas da vivência particular de
cada um, ao longo da vida pessoal e escolar, e que, posteriormente, vão
sofrendo influências diversificadas, oriundas de processos de formação que
são consolidados e revalidados na prática docente...
Esse fator influencia o desenvolvimento do processo, pois, na verdade, os
professores promotores da inclusão vivem uma realidade desafiadora: nunca viram
es se processo funcionar de fato em sua experiência pessoal e escolar, mas ainda
assim devem buscar sua implementação e seu sucesso. Esse movimento requer um
esforço grande dos profissionais da educação, incluindo: ação, reflexão, motivação,
conhecimento, comprometimento, geração de novos valores e crenças para a
formação de uma nova cultura dentro da escola, a cultura inclusiva. Sem contar que
a escola brasileira já manifestava outros tipos de dificuldades, anteriormente ao
processo inclusivo.
O autismo
O autismo — nome técnico oficial: transtorno do espectro do
autismo (TEA) — é uma condição de saúde caracterizada por déficit na
comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e
comportamento (interesse restrito ou hiperfoco e movimentos repetitivos). Não há só
um, mas muitos subtipos do transtorno. Falando etimologicamente, autismo vem da
palavra de origem grega "autos" cujo significado é "próprio ou de si mesmo", sendo
caracterizado como um distúrbio neurológico que surge ainda na infância, causando
atrasos no desenvolvimento (na aprendizagem e na interação social) da criança. Tão
abrangente que se usa o termo “espectro”, pelos vários níveis de suporte que
necessitam — há desde pessoas com outros transtornos, doenças e condições
associadas (coocorrências), como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas
independentes, com vida comum, algumas nem sabem que são autistas, pois jamais
tiveram diagnóstico.
A identificação de atrasos no desenvolvimento, o diagnóstico oportuno de
TEA e encaminhamento para intervenções comportamentais e apoio educacional na
idade mais precoce possível, pode levar a melhores resultados a longo prazo,
considerando a neuroplasticidade cerebral. Ressalta-se que o tratamento oportuno
com estimulação precoce deve ser preconizado em qualquer caso de suspeita de
TEA ou desenvolvimento atípico da criança, independentemente de confirmação
diagnóstica.
Sabe se que o autismo não tem causa definida. É um transtorno que
provoca atraso no desenvolvimento infantil, comprometendo principalmente sua
socialização, comunicação e imaginação. Manifesta-se até os três anos de idade e
ocorre quatro vezes mais em meninos do que em meninas. Algumas características
são bem gerais e marcantes, como a tendência ao isolamento, a ausência de
movimento antecipatório, as dificuldades na comunicação, as alterações na
linguagem, com ecolalia e inversão pronominal, os problemas comportamentais com
atividades e movimentos repetitivos, a resistência a mudanças e a limitação de
atividade espontânea. Bom potencial cognitivo, embora não demonstrassem.
Capacidade de memorizar grande quantidade de material sem sentido ou efeito
prático. Dificuldade motora global e problemas com a alimentação (Kanner, apud
Menezes, 2012, p. 37).
Podem-se acrescentar as principais características da pessoa autista em
três aspectos, segundo Kanner (apud Rivière, 2004, p. 235): as relações sociais
(sociabilidade seletiva, dificuldade na interação social, padrões restritos e repetitivos
de comportamentos, recusa colo ou afagos, não estabelece contados com os olhos);
a comunicação e a linguagem (atrasos ou ausência do desenvolvimento da
linguagem, dificuldades em expressar necessidades, dificuldades acentuadas no
comportamento não verbal, ausência de resposta aos métodos normais de ensino);
a insistência em não variar o ambiente (assume formas inflexíveis de rotinas,
preocupação insistente com partes de objetos, em vez do todo). Sobre o tratamento,
o material elaborado pelo Ministério da Saúde que abarca as diretrizes de atenção à
reabilitação da pessoa com TEA, descreve que:
O tratamento deve ser estabelecido de modo acolhedor e humanizado,
considerando o estado emocional da pessoa com TEA e seus familiares,
direcionando suas ações ao desenvolvimento de funcionalidades e à
compensação de limitações funcionais, como também à prevenção ou
retardo de possível deterioração das capacidades funcionais, por meio de
processos de habilitação e reabilitação focados no acompanhamento
médico e no de outros profissionais de saúde envolvidos com as dimensões
comportamentais, emocionais, cognitivas e de linguagem (oral, escrita e não
verbal), pois estas são dimensões básicas à circulação e à pertença social
das pessoas com TEA na sociedade (Brasil, 2012, p. 57).
Atualmente, os diagnósticos de TEA vem aumentando com mas frequência,
e ganhando mas visibilidade, muito provavelmente porque passou a ser uma
condição mais conhecida, com isso tem-se ampliado mais o conhecimento sobre o
autismo e, por consequência, ampliado mais as possibilidades de intervenção. No
Brasil, essa preocupação é recente, e, em 27 de dezembro de 2012, foi promulgada
a Lei nº 12.764, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa
com Transtorno do Espectro Autista, dentre vários tópicos relevantes. Um deles diz
respeito ao fato de se considerar a pessoa com TEA como pessoa com deficiência
para todos os efeitos legais - Art. 1º, § 2º (Brasil, 2012). Assim, todo o direito
reservado à pessoa com deficiência, passa, a partir dessa lei, a contemplar também
a pessoa com autismo.
A inclusão escolar do aluno autista: desafios e estratégias
O processo de inclusão educacional é caracterizada por concepções que
buscam a aceitação, a convivência, a valorização da contribuição de cada indivíduo
e a aprendizagem atribuída socialmente. A inclusão do autista no meio social e
educacional é desafiadora, pois para que ela seja aplicada se faz necessária à
sensibilização por parte de toda comunidade escolar, dos gestores e dos
funcionários, da família e discentes. Para alguns profissionais na área da educação,
receber um aluno com um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em
uma sala de ensino regular, em muitos casos pode assustar no começo, contudo
cabe à escola elaborar métodos e estratégias para que crianças autistas possam
desenvolver suas habilidades, se integrando de forma plena ao meio e interagindo
com as demais crianças. A família pode auxiliar neste processo, sendo responsável
por construir uma parceria com a ela, capaz de fornecer ao aluno autista os meios
necessários para que ele se sinta seguro e confortável na escola. Uma tarefa
importante é dedicar algumas horas por dia para conversar com as crianças sobre
as impressões deles sobre o espaço, sobre o que aprenderam etc.
A escolarização das crianças com autismo é um campo em construção
marcado pelos diferentes modos de compreender essas crianças, seu
desenvolvimento e as possibilidades educativas de cada abordagem. Muita das
vezes a escola ao receber uma criança com dificuldades em se relacionar, seguir
regras sociais e se adaptar ao novo ambiente. Esse comportamento é logo
confundido com falta de educação e limite. E por falta de conhecimento, alguns
profissionais da educação não sabem reconhecer e identificar as características de
um autista, principalmente os de alto funcionamento, com grau baixo de
comprometimento.
Incluir a criança com autismo vai além de colocá-la em uma escola comum,
em uma sala regular; é preciso proporcionar a essa criança aprendizagens
significativas, investindo em suas potencialidades, constituindo, assim, o sujeito
como um ser que aprende, pensa, sente, participa de um grupo social e se
desenvolve com ele e a partir dele, com toda sua singularidade. Conforme Santos
(2008),
a escola tem papel importante na investigação diagnóstica, uma vez que é o
primeiro lugar de interação social da criança separada de seus familiares. É
onde a criança vai ter maior dificuldade em se adaptar às regras sociais - o
que é muito difícil para um autista, e ainda ressalta que os profissionais da
educação não são preparados para lidar com crianças autistas e a escassez
de bibliografias apropriadas dificulta o acesso à informação na área.
(Santos, 2008, p. 9).
O serviço de mediação escolar tem como objetivo levar em conta as
necessidades educacionais especiais dos alunos por ele atendidos, podendo
atender no sentido de complementar, suplementar e/ou servindo de apoio ao ensino
comum. Portanto, o(a) mediador(a) escolar atua junto ao professor e demais
envolvidos no processo, inclusive aos alunos, oferecendo suporte prático e teórico à
aprendizagem dos mesmos. Desta maneira, a importância da mediação escolar a
uma pessoa no Espectro do Autismo é que o atendimento e/ou acompanhamento,
geralmente, ocorre no interior da sala de aula, mas também em outros espaços
sociais, inclusive com orientações de como conviver em casa e em situações de
interação na rua ou em parques, lanchonetes e outros ambientes, com serviço de
orientação e de supervisão pedagógica, além de fornecer suporte para as mais
variadas situações do cotidiano.
A aprendizagem é característica do ser humano. O ensino e aprendizagem
são dois movimentos que se ligam na construção do conhecimento. Porém, O
indivíduo com autismo encontra uma série de dificuldades ao ingressar na escola
regular. Essas dificuldades passam a fazer parte da rotina dos professores e da
escola como um todo. Uma maneira de melhorar a adaptação e, consequentemente,
obter a diminuição dessa contingência trazida pela criança e promover sua
aprendizagem é adaptar o currículo. Assim, conforme Valle e Maia (2010, p. 23), a
adaptação curricular se define como “o conjunto de modificações que se realizam
nos objetivos, conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação, atividades e
metodologia para atender as diferenças individuais dos alunos”.
Deve se adequar e flexibilizar o currículo viabilizando o acesso às diretrizes
estabelecidas pelo currículo regular e não possuem a intenção de desenvolver uma
nova proposta curricular, mas estabelecer um currículo dinâmico, alterável, passível
de ampliação, para que atenda realmente a todos os educandos. Isso é facilmente
realizado quando há disponibilidade do profissional da sala de recurso na escola,
que contribui para que sejam planificadas as ações pedagógicas e o conteúdo que o
aluno deve aprender (Valle; Maia, 2010).
Flexibilizar o currículo é uma maneira de estabelecer o vínculo e a
cumplicidade entre pais e educadores, para que, no espaço escolar, ocorra a coesão
de vontades, entre educadores e família, das competências estabelecidas para a
educação do aluno com autismo. Essa revolução estrutural acontece através do
manejo do currículo frente aos desafios enfrentados com a vinda da criança com
autismo à escola regular. Assim sendo, é muito importante estimular os distúrbios
cognitos precocemente para que tais sejam amenizados, Vigotski (1997 apud
CHIOTE, 2013) enfatiza que, assim como as crianças normais apresentam
particularidades em seu desenvolvimento, o mesmo acontece com a criança
deficiente que se desenvolve de um modo distinto e peculiar, ou seja, elas
necessitam de caminhos alternativos e recursos especiais.
Tomando como base essa perspectiva entendemos que é na mediação
pedagógica, no contato cotidiano, a imagem da criança com autismo produzida no
discurso social macro, de quem não interage com o outro, deve abrir espaço para a
imagem de uma criança que apresenta sim especificidades, mas, como toda e
qualquer criança, necessita do outro para se desenvolver culturalmente de forma
singular e única. As crianças com autismo, em geral, apresentam dificuldade em
aprender, conforme com Bosa (2002), a ausência de respostas das crianças autistas
deve-se, muitas vezes, à falta de compreensão do que está sendo exigido dela, ao
invés de uma atitude de isolamento e recusa proposital.
Portanto a metodologia adotada pela escola/professor deve ser um dos
pilares para auxiliar essas crianças em seu desenvolvimento como um todo e
principalmente no processo ensino-aprendizagem, é necessário propor alternativas
com metodologias diversificadas como uma forma de facilitar a construção do
conhecimento, devem ser diversificadas para que auxiliam o processo de ensino-
aprendizagem e agucem a sua consciência sensório motor, fino e grosso, como
atividades que utilizem pinças, jogos com botões, garrafas pets, estimulando o toque
em materiais fofos, como almofadas, entre tanta outras alternativas disponíveis
basta o professor usar sua criatividade.
Provavelmente o aluno, no início de seu convívio com o professor,
demonstre agressividade, desinteresse, porém, cabe ao educador criar estratégias
que diminuam essas problemáticas e conduzir os conteúdos pertinentes ao seu
desenvolvimento. Trabalhar com crianças com autismo é um desafio diário. O
professor terá que perceber as dificuldades, as limitações e as potencialidades,
gostos e estímulos que mais o auxiliarão a atingir os objetivos com esses alunos. As
atividades lúdicas são importante para o desenvolvimento social, cognitivo, a
capacidade psicomotora e afetiva da criança autista, proporcionando o prazer de
aprender e se desenvolver, respeitando suas limitações e no decorrer da jornada
pedagógica alcançar seus objetivos.
Papel do professor
Embora muito importante, a inclusão não ocorre apenas quando a criança é
matriculada no ensino regular. O docente é visto como um dos principais agentes no
trabalho com alunos que apresentam algum tipo de dificuldade, porém, o espaço em
que essas crianças passaram tanto tempo de suas vidas, necessita de um bom
trabalho. Sendo assim, o professor tem papel fundamental no desenvolvimento de
crianças autistas, pois, contribuem para a sua socialização, seu desenvolvimento
intelectual e em especial na sua autonomia. Acredita-se que a força do diálogo é
muito importante para o desempenho e interação do aluno com TEA.
A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos
ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as
práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. Portanto o
professor deve ter consciência clara do importante papel que desempenha ao iniciar
o processo de inclusão de uma criança com necessidades educacionais especiais
associadas ao autismo infantil. A ação e o planejamento do professor serão
necessários para a construção da aprendizagem do aluno com dificuldade, uma vez
que, compreendendo as particularidades de cada um, avaliando de acordo com seu
progresso, reconhece-se esses avanços passo a passo. É importante compreender
que os alunos precisam receber estímulos para todas as suas realizações de
aprendizado, para que eles criem táticas para avançar seu aprendizado e, dessa
forma, se tornarem mais seguros.
Também é fundamental desenvolver ainda, outras estratégias para melhorar
o desempenho do aluno como: respeitar o ritmo de aprendizado, não mencionar
para o aluno que ele é lento ou não inteligente, trabalhar com atividades para
desenvolver consciência fonológica em sala de aula, estimular a autoconfiança e
não realizar atividades que façam com que ele se sinta envergonhado diante dos
colegas. Contudo, compreende-se que educação inclusiva necessita de
transformações com a finalidade de aperfeiçoar a qualidade de ensino.
A gestão escolar deve estar constantemente pensando e repensando
práticas que envolvam a formação de seus profissionais, a melhoria de estruturas e
atendimento ao público que necessita ser incluído por meio do ensino regular. Como
a aprendizagem dos alunos com necessidades especiais pode ocorrer de forma
mais lenta e gradativa, é fundamental que o educador esteja qualificado para
atender suas especificidades, construindo técnicas de comunicação que possam
atingi-lo de maneira significativa.
Nesse contexto, conforme Santos (2008, p. 30)
“é que os professores devem direcionar sua prática pedagógica e tornar
possível a socialização da criança com autismo na sala de aula e adequar a
sua metodologia para atender as necessidades destes”.
Em muitas situações, as crianças com autismo acabam ficando às margens
do conhecimento ou não participam das atividades, o que exige do professor
sensibilidade para incluí-lo ao máximo no convívio com o meio, visto que é no
processo de socialização e interação que se constitui o desenvolvimento e
aprendizagem. Sendo o docente o principal agente mediador entre o aluno e o seu
convivio diário em sala de aula cabe a ele ver e rever sua prática pedagógica, as
estratégias aplicadas na aprendizagem dos alunos, os erros e acertos desse
processo para melhor definir, retomar e modificar o seu fazer de acordo com as
necessidades dos mesmo. Para o docente, a formação continuada deve ser o seu
objetivo de aprimoramento, porque o educador deve acompanhar o processo de
evolução global, colocando a educação passo a passo no contexto de modernidade.
Conclusão
Após leitura e muitas informações sobre o tema discutido e embasamentos
de muitos teoricos estudiosos no assunto, observa se necessidade do
desenvolvimento de um trabalho em conjunto entre escola, educador, aluno e
família, que pode funcionar como uma das maiores chaves para solucionar ou ao
menos reduzir os impactos negativos causados pelas principais dificuldades de
aprendizagem.
Diante das perspectivas apresentadas e da discussão realizada, percebe-se
que há ainda algumas falhas no sistema de ensino relativas ao processo de
educação inclusiva, como já mencionado anteriormente devido a configuração
escolar passada de não oferecer espaço escolar onde se deve incluir todos
independente de suas direfenças. Porém mesmo com alguns empecilhos existentes
essa realidade tende a mudar gradativamente devido as novas politicas inclusivas
que vem abarcando essa realidade atual, sendo que incluir a criança com TEA deve
estar muito além da sua presença na sala de aula; deve almejar, sobretudo, a
aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades e potencialidades, superando as
dificuldades, até porque para o aluno autista desenvolver suas habilidades, é
necessária uma estrutura escolar eficiente, com preparo profissional de todos os
envolvidos no processo educativo.
Como o aluno autista tem dificuldades de se adaptar ao mundo externo, a
escola deve pensar na adequação do contexto. Não existem apenas salas de aulas
inclusivas, mas escolas inclusivas. Por isso, é necessário que a escola crie uma
rotina de situação no tempo e no espaço como estratégias de adaptação e
desenvolvimento desses alunos. Ainda assim diante de todo esse contexto
mencionado o professor é um mediador essencial no processo de adaptação e
integração do aluno no âmbito escolar, devem sempre prezar por um ensino de
qualidade, inovando, aperfeiçoando suas práticas e abandonando as que não
contemplam todos os alunos e, ainda, deve permanecer com aquelas práticas que
podem ser benéficas, mesmo se somadas a outras novas.
Mesmo com todo empenho por parte do docente e do ambiente escolar para
receber esses alunos a parceria familia/professor/escola é muito importante para o
processo de aprendizagem da criança com autismo, pois juntas irão achar formas de
atuação, a fim de favorecer o processo educativo eficaz e significativo na superação
das dificuldades de uma criança com autismo. Portanto, além de acolhedora e
inclusiva, a escola precisa se constituir em espaço de produção e socialização de
conhecimentos para todos os alunos, sem distinção.
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