Issufo Raul
Telma Dionísio
Retículo endoplasmático (elementos de transição)
Licenciatura em Ensino de Biologia com Habilitações em Gestão de Laboratórios
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
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2025
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Trabalho de carácter avaliativo da cadeira
Biologia Celular e Molecular (BCM), a ser
entregue no Departamento de Ciências Naturais,
engenharia, Tecnologia e Matemática, 1°
semestre, 1° ano, sob orientação do docente:
dr. Idiamine Mussa Sabe
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
2025
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Índice
Introdução.....................................................................................................................................4
1. Retículo Endoplasmático.......................................................................................................5
2. Elementos de Transição.........................................................................................................6
2.1. Principais elementos envolvidos nos elementos de transição............................................6
3. Relação entre o Retículo Endoplasmático e o Complexo de Golgi.......................................7
4. Doenças Relacionadas...........................................................................................................8
Conclusão....................................................................................................................................10
Referências bibliográficas...........................................................................................................11
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Introdução
O retículo endoplasmático (RE) é uma organela celular essencial para a síntese de proteínas e
lipídios, desempenhando um papel vital na manutenção da homeostase celular. Esta organela
pode ser classificada em retículo endoplasmático rugoso (RER), associado à síntese proteica, e
retículo endoplasmático liso (REL), relacionado à produção de lipídios e desintoxicação celular.
O RE também apresenta elementos de transição, fundamentais para a conexão entre esta organela
e o complexo de Golgi, garantindo o tráfego intracelular de proteínas e outras biomoléculas.
Alterações no funcionamento do RE estão associadas a diversas patologias, incluindo doenças
neuro-degenerativas e distúrbios metabólicos.
Objectivos:
Gerais:
Analisar os elementos de transição do retículo endoplasmático, sua relação com o
complexo de Golgi e as doenças relacionadas ao seu mau funcionamento.
Específicos:
Descrever os elementos de transição do RE;
Identificar a relação entre o retículo endoplasmático e o complexo de Golgi;
Descrever as doenças relacionadas.
Metodologias
O trabalho foi, construído baseando-se a revisão bibliográfica, neste caso o método bibliográfico
como a principal fonte, através pelo qual fez-se a consulta de varias obras como: livros e
manuais, artigos científicos e a Internet.
Estrutura do trabalho
O presente trabalho está estruturado e organizado, seguindo as orientações da Universidade
Rovuma, portanto tem como estrutura: Capa, folha de rosto, índice, introdução, desenvolvimento,
conclusão e referências bibliográficas (em normas APA 6ª edição).
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1. Retículo Endoplasmático
O retículo endoplasmático (RE) desempenha diversas funções celulares mas está envolvido
principalmente na síntese de lipídios assim como de enzimas lisossomais, de proteínas de
membrana e de proteínas de exportação. Esta estrutura pode ser encontrada em todas as células
eucariontes e constitui sua maior organela, (De Robertis, 2007).
O retículo endoplasmático é uma organela fundamental para a homeostase celular, sendo
responsável pela síntese de proteínas e lipídios e pelo transporte dessas biomoléculas ao
complexo de Golgi.
Figura 1: Retículo Endoplasmático
Fonte: Biologia Net.
O retículo endoplasmático é uma organela que está envolvida na produção de moléculas
orgânicas. Há dois tipos de retículo: o rugoso e o liso, com formas e funções distintas. O retículo
rugoso é associado à síntese de proteínas, pois apresenta ribossomas aderidos à sua superfície,
enquanto o retículo liso produz lipídios. Ambos os tipos são estruturas membranosas compostas
de sacos achatados e encontram-se no citosol da célula, (Hetz & Saxena, 2017).
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2. Elementos de Transição
Os elementos de transição do RE são regiões específicas dessa organela onde ocorre a formação
de vesículas destinadas ao transporte de proteínas e lipídios até o complexo de Golgi. Essas áreas
são caracterizadas pela presença de proteínas do tipo coatômero (COPII), que revestem as
vesículas e garantem o direccionamento correto das moléculas, (Alberts, et al, 2014).
Os elementos de transição do RE correspondem a regiões especializadas que
facilitam a formação de vesículas de transporte para o complexo de Golgi. Essas
vesículas são recobertas por coatômeros e dependem da proteína COPII para o
transporte anterógrado de proteínas e lipídios (Lee, 2020).
Essa dinâmica é essencial para a continuidade da cadeia de produção de proteínas e
lipídios na célula.
A formação das vesículas é um processo altamente regulado que envolve
proteínas como Sar1, Sec23/24 e Sec13/31, responsáveis pela montagem e
desprendimento das vesículas da membrana do RE. Esse mecanismo assegura
que apenas proteínas correctamente dobradas e processadas sigam para o Golgi,
evitando o acúmulo de proteínas defeituosas no interior do RE (Lee, 2020).
A eficiência desses elementos de transição é fundamental para o equilíbrio da via secretória
celular. Deficiências nesse processo podem resultar na retenção de proteínas mal dobradas no RE,
levando a respostas celulares como a activação da resposta à proteína mal dobrada (UPR –
Unfolded Proteínas Response), que pode desencadear a apoptose celular em casos de estrese
prolongado.
2.1. Principais elementos envolvidos nos elementos de transição
a) Vesículas COPII: são vesículas revestidas por proteínas COPII, são responsáveis pelo
transporte de proteínas do RE para o complexo de Golgi.
b) Proteínas de revestimento COPII: são:
Sar1: proteína G que inicia a formação da vesícula;
Sec23∕Sec24: formam o complexo interno da vesícula;
Sec13∕sec31: formam o revestimento externo da vesícula.
c) Receptores de carga: proteínas que reconhecem e seleccionam quais proteínas devem ser
transportadas.
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d) SNARES e Rab: proteínas que participam da fusão da vesícula com o Golgi, garantindo
que ela se direccione correctamente.
e) ERGIC (Endoplasmatic Reticulum-Golgi intermediate Compartment):
compartimento intermédio entre o RE e o Golgi onde as vesículas COPII podem se fundir
antes de seguirem para o Golgi
Portanto, os elementos de transição são regiões funcionais do RE associadas a essas proteínas e
vesículas de transporte, não sendo estruturas nomeadas individualmente, (Alberts, et al, 2014).
3. Relação entre o Retículo Endoplasmático e o Complexo de Golgi
O complexo golgiense é uma organela formada por várias vesículas achatadas e distribuídas umas
sobre as outras (empilhadas). Como função dele, podemos citar modificações pós-tradução, e
empacotamento e endereçamento de moléculas.
O RE e o complexo de Golgi trabalham de maneira coordenada para garantir a síntese,
modificação e transporte de proteínas e lipídios. O RE sintetiza e inicia o processamento das
proteínas, enquanto o Golgi realiza modificações pós-traducionais, como glicosilação e
sulfatação, além de classificar as proteínas para sua destinação final, (Albertis, 2007).
O transporte de vesículas entre o RE e o Golgi ocorre em ambas as direcções:
Transporte anterógrado (RE → Golgi): Vesículas revestidas por COPII transportam
proteínas recém-sintetizadas para o complexo de Golgi, onde sofrerão processamento
adicional antes de serem enviadas para organelas ou para a secreção celular (Rothman &
Wieland, 2016).
Transporte retrógrado (Golgi → RE): Algumas proteínas precisam retornar ao RE para
serem recicladas ou completarem seu processamento. Esse transporte é realizado por
vesículas revestidas por COPI, garantindo que componentes essenciais do RE não sejam
perdidos.
Figura 2: processo de transporte de vesículas.
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O transporte de proteínas e lipídios entre o RE e o complexo de Golgi ocorre por
meio das vesículas de transição. O RE sintetiza proteínas que são modificadas
no complexo de Golgi antes de serem enviadas para seus destinos finais. O
Golgi também regula a reciclagem de componentes celulares por meio das
vesículas revestidas por COPI, que retornam proteínas ao RE (Rothman &
Wieland, 2016).
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Esse processo é vital para a manutenção da função celular e homeostase intracelular.
4. Doenças Relacionadas
O funcionamento inadequado do RE pode desencadear diversas doenças, principalmente por
meio do acúmulo de proteínas mal dobradas ou pelo estrese do RE, que activa a resposta à
proteína mal dobrada (UPR). Entre as doenças associadas ao mau funcionamento do RE,
destacam-se:
Doenças neurodegenerativas: Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica
(ELA) estão associadas ao acúmulo de proteínas mal dobradas que afectam a função
neuronal. No Alzheimer, por exemplo, a deposição de placas beta-amilóides está
relacionada ao estrese do RE e à morte celular (Hetz & Saxena, 2017).
Diabetes tipo 2: O estrese do RE prejudica a secreção de insulina pelas células β
pancreáticas, levando à resistência à insulina e contribuindo para o desenvolvimento do
diabetes (Kaufman, 2019).
Fibrose cística: Uma mutação no gene CFTR impede a correta exportação da proteína
para a membrana celular, fazendo com que seja degradada no RE antes de exercer sua
função, resultando em disfunções respiratórias e digestivas (Balch et al., 2011).
Essas doenças reforçam a importância do RE na homeostase celular e destacam a necessidade de
estudos sobre mecanismos de controlo da qualidade proteica e novas estratégias terapêuticas.
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Conclusão
Chegando a este ponto, concluímos que, o retículo endoplasmático é uma organela fundamental
para a homeostase celular, sendo responsável pela síntese de proteínas e lipídios e pelo transporte
dessas biomoléculas ao complexo de Golgi. Seus elementos de transição garantem a correta
distribuição e modificação das proteínas, essenciais para o funcionamento celular. Entretanto,
disfunções no RE podem levar a diversas doenças, incluindo doenças neuro-degenerativas e
metabólicas. Portanto, o estudo do RE e de seus mecanismos de regulação é essencial para o
entendimento e desenvolvimento de terapias para tais patologias.
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Referências bibliográficas
1) Alberts, B., et al, (2014). Biologia molecular da célula. Editora Garland Science.
2) Balch, W. E., et al, (2011). Adaptando a proteostase para intervenção em doenças.
Ciência, 319(5865), 916-919.
3) DE Robertis, E. D. P. Bases da Biologia Celular e Molecular. 8ª ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2007.
4) Hetz, C., & Saxena, S. (2017). Estresse do RE e a resposta à proteína mal dobrada na
neurodegeneração. Revisão da Natureza Neurologia, 13(8), 477-491.
5) Kaufman, R. J. (2019). Sinalização de estrese a partir do lúmen do retículo
endoplasmático: Coordenação dos controles transcricionais e translacionais dos genes.
Genes & Desenvolvimento, 13(10), 1211-1233.
6) Lee, M. C. S. (2020). Mecanismos de formação de vesículas COPII na via secretória
precoce. Revisão Anual de Bioquímica, 89, 1001-1027.
7) Rothman, J. E., & Wieland, F. T. (2016). Classificação de proteínas por vesículas de
transporte. Ciência, 272(5259), 227-234.