DPOC
• Fatores de risco tabagismo (ativo/passivo); queima de biomassa; exposição ocupacional; poluição
atmosférica; fatores genéticos; envelhecimento.
• Nova classificação (2023) DPOC-G (deficiência de Alfa-1-Antitripsina); DPOC-D (desenvolvimento
anormal); DPOC-C (clássica; exposição ao tabaco ativo/passivo incluindo DEF); DPOC-P (exposição
ambiental); DPOC-I (quadros infecciosos na infância); DPOC-A (sobreposição a asma); DPOC-U (causas
desconhecidas).
• Quadro clínico dispneia, tosse Crônica (produtiva ou seca), sibilância recorrente, infecções
recorrentes VAI.
• Diagnóstico combinação OBRIGATÓRIA de 3 fatores fatores de risco + quadro clínico + ALTERAÇÃO
FUNCIONAL (DVO).
• ATENÇÃO avaliar gravidade de obstrução do Fluxo Aéreo (%VEF1 - predito):
• GOLD 1 %VEF1 ≥ 80 LEVE;
• GOLD 2 50 ≤ %VEF1 < 80 MODERADO;
• GOLD 3 30 ≤ %VEF1 < 50 GRAVE;
• GOLD 4 %VEF1 < 30 MUITO GRAVE.
• Tratamento:
• Inicial rupo A (qualquer broncodilatador); Grupo B (LABA + LAMA); Grupo E (LABA + LAMA;
considerar TRIPLA se EOS ≥ 300);
• Seguimento rever fluxograma abaixo.
• Exacerbações:
• Piora aguda dos sintomas respiratórios; diagnóstico clínico;
• Classificação: LEVE (manejado a domicílio com doses adicionais de SABA); MODERADO (uso de
corticoide oral com ou sem ATB); GRAVE (procura serviço de urgência/emergência com ou sem
internação hospitalar);
• Tratamento medicamentoso corticoide + ATB (sempre que houver purulência do escarro
ou necessidade de VM; escolha depende de fatores de risco sem fatores: macrolídeos,
cefuroxima, doxiciclina ou sulfametoxazol/trimetropina; com fatores: amoxicilina + clavulanato
ou quinolona respiratória).
1. DEFINIÇÃO
• Doença comum, evitável e tratável; • Envelhecimento.
• Caracterizada por sintomas respiratórios
persistentes e limitação do fluxo aéreo; • Ocorre lesão de pequena via aérea (região
• Anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, terminal próximo às trocas gasosas);
normalmente causadas por exposição • A exposição dos fatores gera inflamação da VA;
significativa a partículas nocivas ou gases. • Consequentemente, fibrose das vias;
• Alto impacto econômico (40bi/ano), sendo • Reação inflamatória crônica que leva a um
responsável por 4,72% das mortalidades em 2017; remodelamento das VA.
• Alta morbimortalidade. • Plugs intraluminais;
• Pacientes relacionados a comorbidades • Aumento da resistência.
(cardiovasculares, diabetes mellitus e
psiquiátricas); • Ocorre também destruição do parênquima;
• Fatores de risco são: • Perda da arquitetura alveolar;
• Tabagismo (ativo ou passivo); • Diminuição do recolhimento elástico.
• Queima de biomassa; • Aumento da complacência.
• Exposição ocupacional;
• Poluição atmosférica; Em conjunto, estes dois fatores promovem limitação
• Fatores genéticos; ao fluxo aéreo.
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2 CLÍNICA MÉDICA
2. FISIOPATOLOGIA
• Distúrbio ventilação/perfusão; • Comorbidades;
• Alteração da conformidade estrutural do • Aprisionamento aéreo;
pulmão. • Exacerbações.
• Crônicas e ocorrem com frequência.
3. CLASSIFICAÇÃO
• DPOC geneticamente determinada (DPOC-G); • DPOC secundária à queima de biomassa e poluição
• Deficiência de alfa-1-antitripsina; atmosférica (DPOC-P);
• Demais variantes genéticas pouco expressivas • Exposição à poluição doméstica, poluição do ar
em combinação. ambiente, fumaça de incêndio florestal e riscos
• DPOC determinada por desenvolvimento anormal ocupacionais.
dos pulmões (DPOC-D);
• Eventos no início da vida, baixo peso ao nascer • DPOC secundária a infecções (DPOC-I);
e prematuridade. • Quadros infecciosos na infância, DPOC
• DPOC secundária à exposição a tabaco (DPOC-C) associado a TBC ou HIV.
– 80-90% dos casos;
• Exposição ao tabaco (ativo e passivo, incluindo • DPOC sobreposta à asma (DPOC-A);
intraútero);
• Uso de DEF, vaping ou e-cigarettes; • DPOC por causas desconhecidas (DPOC-U).
• Cannabis.
4. QUADRO CLÍNICO
4.1 Principais sinais clínicos: • 2: para caminhar algumas vezes andando no
seu passo ou andando mais devagar que outras
Dispneia;
pessoas da minha idade;
• Persistente; • 3: para muitas vezes devido a dispneia, mesmo
• Progressiva; quando anda só 100m ou poucos minutos de
• Piora com exercícios. caminhada;
Tosse crônica;
• 4: dispneia para se vestir ou tomar banho ou deixar
• Seca ou produtiva; de sair de casa.
• Persistente ou intermitente.
Exposição a fatores de risco;
• Tabaco; 4.3 Achados clínicos:
• Exposição ocupacional; • Alterações em oximetria de pulso;
• Fatores pessoais (fatores genéticos, anormalidades • Aumento do diâmetro anteroposterior do tórax;
no desenvolvimento e quadros infecciosos). • MV presente, bilateral e reduzido em ápices;
• Sibilância recorrente; • Presença de sibilos e roncos na ausculta;
• Infecções recorrentes de VAI. • Aumento do tempo expiratório;
• Expiração com lábios semicerrados;
4.2 Quantificação da dispneia (escala • Hipofonese de bulhas cardíacas.
mMRC): • Sinais de cor-pulmonale;
• Sarcopenia.
• 0: dispneia para exercícios intensos;
• 1: dispneia ao apressar o passo ou subir escadas/
ladeiras;
5. DIAGNÓSTICO
5.1 Combinação de 3 fatores: • Gases, fumaça e produtos químicos ocupacionais.
Sinais e sintomas:
Fatores de risco:
• Dispneia, tosse e sibilância;
• Tabagismo - carga tabágica (maços/anos) = • Infecções respiratórias (baixas) recorrentes.
carteiras/dia x anos de tabagismo;
Confirmação funcional:
• Outras fontes de queima de biomassa; • Espirometria com obstrução ao fluxo aéreo
• Subdesenvolvimento pulmonar na infância; persistente;
• HMF de DPOC/enfisema; • VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70.
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DPOC 3
Previsto LIN Pré-BD Pré-BD Pós-BD Pós-BD
% do previsto % do previsto
VEF1 (L) 1,88 1,27 1,02 54% 1,30 69%
CVF (L) 2,38 1,74 2,19 92% 2,55 107%
VEF1/CVF 0,79 0,70 0,46 59% 0,50 63%
6. TRATAMENTO
6.1 Leva em consideração: 6.3 Terapias não farmacológicas:
• Gravidade de limitação ao fluxo aéreo; • Cessação do tabagismo;
• Avaliação dos sintomas; • Reabilitação;
• Avaliação das comorbidades; • Vacinação: influenza, pneumococo, COVID-19 e
• História de exacerbações. Haemophilus;
• Controle de comorbidades;
6.2 Gravidade de obstrução ao fluxo • Investigação de diagnóstico diferenciais → Em
aéreo: especial com IC.
Em pacientes portadores de DPOC – Espirometria 6.4 Avaliação dos sintomas:
VEF1/CVF < 0,7
Escala mMRC: classificação de 0 a 4;
• 0 a 1 - pouco sintomático;
GOLD 1 LEVE VEF1 ≥ 80% (predito)
• Maior ou igual a 2: muito sintomático.
GOLD 2 MODERADO 50% ≤ VEF1 < 80% (predito)
CAT (COPD Assessment Test): classificação de 0
GOLD 3 GRAVE 30% ≤ VEF1 < 50% (predito) a 40 pontos;
• Até 10: pouco sintomático;
GOLD 4 MUITO GRAVE VEF1 < 30% (predito)
• Maior que 10: muito sintomático;
• Se maior que 20: extremamente sintomático.
- GOLD 2023 atualizado:
Grupo E
≥ 2 exacerbações moderadas
e/ou
1 exacerbação com hospitalização LABA + LAMA*
(considerar LABA+LAMA+ICS se EOS ≥ 300)
Grupo A Grupo B
Até 1 exacerbação moderada SABA, ou
SAMA, ou LABA + LAMA
LABA, ou
LAMA
mMRC 0-1 mMRC 2, 3, 4
CAT < 10 CAT ≥ 10
* Dispositivo único: maior conveniência para o paciente
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4 CLÍNICA MÉDICA
• Oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP):
OBS: SÓ desescalonar tratamento em caso de indicações de ODP no repouso:
pneumonia, piora das exarcerbações ou eventos • PaO2 <= 55 mmHg ou SaO2 <= 88%;
adversos → principal diferença da Asma • PaO2 = 56-59 mmHg (ou SaO2 <= 89%),
associado a HP, edema de 2º IC ou hematócrito
6.5 Outras possibilidades: > 55%;
• Aumenta a sobrevida, melhora a hemodinâmica
• Reposição de alfa-1-antitripsina; pulmonar, qualidade de vida, qualidade de sono
• Bulectomia e cirurgias redutoras de volume; e cognição;
• Válvulas endobrônquicas; • Não reduz a frequência das exacerbações.
• Transplante pulmonar.
7. COMPLICAÇÕES
7.1 Exacerbação: Fatores de risco:
• Idade, tosse produtiva crônica, tempo de
Um diagnóstico clínico. DPOC, exacerbações prévias (especialmente
• DPOC + piora aguda dos sintomas respiratórios, com uso de antibiótico recorrente), eosinofilia
além da variação diária; no hemograma (> 300) e presença de
• Dispneia, tosse e expectoração; comorbidades.
• Sem alterações laboratoriais relevantes;
• Sem alterações em exames de imagem; Até 20% nunca mais voltam ao seu status
• Diagnósticos diferenciais: pneumonia, TEP, prévio.
pneumotórax, infecções virais específicas e IC
descompensada.
7.2 Exacerbação da DPOC –
Prevalência de até 75% dos pacientes em 10 classificação de gravidade:
anos; É retrospectivo;
• Leve;
Risco de hospitalização: • Manejada em domicílio com doses adicionais de
• Tendo 5-20% de óbito. SABA.
• Moderada;
• Uso de corticoide oral com ou sem antibiótico.
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DPOC 5
• Grave. 7.4 DPOC - ATB
• Procura de serviço de urgência/emergência ou
Uso de ATB conforme perfil de resistência
hospitalização.
Opções iniciais:
7.3 Exacerbação da DPOC – tratamento:
• Amoxicilina + Clavulanato
• Macrolídeo
• Medidas de suporte (ex.: O2, VNI/VMI) → VNI • Tetraciclina
melhora mortalidade, diminui hospitalização e Pacientes selecionados: Quinolona
melhora desfecho em paciente DPOC; • Levofloxacino:
• Manter medicações de uso contínuo para DPOC; • Risco de pseudomonas
Broncodilatador de curta duração (SAMA ou • Colonização prévia nos últimos 12 meses
SABA); • DPOC muito grave (VEF1 < 30%)
• Enquanto durar a exacerbação, para todos os • Bronquiectasias
pacientes. • Uso de ATB de largo espectro nos últimos 3
meses
Corticoide oral: • Uso crônico de corticoide sistêmico
• Pred 40-60mg, 1x/d, 5-7 dias; • Cobertura de outros agentes
• Para todos os pacientes que buscam assistência
médica por causas dos sintomas; 7.5 VNI no DPOC
• Benefícios: melhor oxigenação, melhora mais • Reduz mortalidade
rápida dos sintomas, melhora da função pulmonar,
aumento do intervalo até a próxima exacerbação e
• Reduz taxa de IOT
menor tempo de hospitalização.
• Suporte de escolha
• Necessita bom nível de consciência
Indicações:
Antibiótico:
• PaCO2 > 45 mmHg
• Sempre que houver purulência do escarro ou • pH < 7,35
necessidade de ventilação mecânica;
• Benefícios: igual corticoide oral, exceto melhora da
função pulmonar;
• Escolha de ATB depende de fatores de risco
(idade > 65 anos, FEV1 < 50%, maior ou igual a 2
exacerbações/ano e doença cardíaca);
• Se nenhum fator de risco: macrolídeos
• (azitromicina, claritromicina), ou cefuroxima, ou
doxiciclina, ou sulfametoxazol/trimetropina.
• Se algum fator de risco: amoxicilina +
clavulanato, quinolona respiratória (levofloxacino,
moxifloxacino).
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