Técnico em
Enfermagem
Módulo I
MICROBIOLOGIA E
PARASITOLOGIA
Introdução
A microbiologia é uma ciência que deriva da biologia. Ela vem se
desenvolvendo nos últimos tempos, devido à contribuição dos
profissionais da área e demais estudiosos que se dedicam a
conhecer um mundo invisível, aparentemente, como afirmam
Silva; Souza (2013).
A microbiologia tem como fim estudar os aspectos relativos ao
mundo microbiano, constituído por bactérias, fungos,
protozoários, vírus e algas microscópicas, como ilustra a seguir.
Introdução
Bactérias Archaea Fungos
Vírus Algas Protozoários
Micro-organismos estudados pela microbiologia
História da Microbiologia
A ciência da Microbiologia iniciou há algumas centenas de anos.
A recente descoberta de DNA de Mycobacterium tuberculosis
em múmias egípcias de 3.000 anos de idade chama a atenção
para a presença desses microrganismos por muito mais tempo
ao nosso redor.
Na verdade, os ancestrais das bactérias foram os primeiros seres
vivos a aparecer na Terra. Enquanto se sabe relativamente muito
pouco a respeito do que os povos mais primitivos pensavam
sobre as causas, a transmissão e o tratamento das doenças, a
história das poucas centenas de anos passados é mais bem
conhecida.
História da Microbiologia
De acordo com estudos de Lins (2010), esta área do
conhecimento teve seu início com os relatos de Robert Hooke e
Antony van Leeuwenhoek, que desenvolveram microscópios que
possibilitaram as primeiras observações de bactérias e outros
microrganismos, além de diversos espécimes biológicos.
Apesar de van Leeuwenhoek ser considerado o "pai" da
microbiologia, os relatos de Hooke, descrevendo a estrutura de
um bolor, foram publicados anteriormente aos de
Leeuwenhoek. Na verdade, estes dois pesquisadores devem ser
considerados como pioneiros nesta ciência.
História da Microbiologia
Apesar de muitos estudos acerca do tema, é sabido que a
compreensão da natureza e importância destes microrganismos
progrediu lentamente. Somente no século XIX, com a
disseminação e melhoria dos microscópios e a evolução de
técnicas laboratoriais, a microbiologia ganhou o
reconhecimento. Observar-se-ão a seguir algumas descobertas
históricas importantes acerca do tema.
O químico francês Louis Pasteur (1822-1895) buscou soluções
para eliminar os micro-organismos existentes no suco de uva,
que seria usado para a produção do vinho. Ele desenvolveu,
então, um método de aquecimento e resfriamento, chamado de
pasteurização, amplamente empregado na indústria alimentícia
hoje em dia.
História da Microbiologia
O médico alemão Robert Koch (1843 - 1910) tentava encontrar a
causa do carbúnculo, ou antraz, doença que estava dizimando o
gado na Europa.
Para muitos cientistas da época, era inconcebível que as
doenças fossem causadas por seres invisíveis, mas alguns,
incluindo Pasteur e Koch, acreditavam com convicção que
muitas doenças fossem causadas por micro-organismos.
Koch, então, descobriu que o agente causador do carbúnculo era
uma bactéria em forma de bastão. Assim, pôde constatar que
bactérias específicas causam doenças distintas.
História da Microbiologia
Koch é também aclamado pela descoberta do micro-organismo
responsável pela tuberculose, doença que durante o século 19
foi responsável por um sétimo das mortes.
meio para culturas puras...outra contribuição de Koch: a
utilidade do ágar (figura a seguir)
Utilizando-se das melhorias da microscopia e de técnicas de
coloração, visto que muitos micro-organismos são incolores,
juntamente com suas técnicas de inoculações e cultivo em meio
de cultura, Koch conseguiu isolar a bactéria que causava a
doença, vindo a receber o Prêmio Nobel, em 1905, por esta
descoberta.
História da Microbiologia
O século XIX e o início do século XX foram conhecidos como a
era de ouro da microbiologia. Além de Pasteur e Koch, muitos
outros cientistas contribuíram para a compreensão do universo
dos micro-organismos e as consequentes aplicações na
pesquisa, indústria e nos avanços na medicina.
Outro nome importante foi o do microbiologista escocês
Alexander Fleming (1881-1955), que pela sua quase acidental
descoberta abriu novas fronteiras para a produção de drogas
que combatessem os micro-organismos. A contaminação por
bolor (como eram mais conhecidos os fungos) em algumas
placas, nas quais ele cultivava bactérias, chamou sua atenção,
posto que nelas, ao redor do fungo, as colônias de bactérias não
cresciam.
História da Microbiologia
Este estranho fenômeno levou-o a descobrir que o fungo ali
instalado, o Penicillium notatum, liberava uma substância que
inibia o crescimento dos outros micro-organismos. Surgia, então,
a penicilina.
Outros cientistas haviam anteriormente identificado e produzido
substâncias com ação antibiótica, porém a descoberta de
Fleming foi um grande avanço,
pois a produção da penicilina tornou-se rapidamente viável a
partir de um organismo simples, como um tipo de bolor. Muitas
doenças de origem bacteriana puderam ser combatidas
eficientemente com a nova substância
História da Microbiologia
Os avanços ocorridos nos anos posteriores, nas mais diversas
áreas da ciência, encontraram nos micro-organismos um grande
aliado para a fabricação de medicamentos, melhoria na
produção da indústria alimentícia, mediante técnicas utilizando
transgênicos, além de fornecer importantes informações sobre o
funcionamento de organismos mais complexos.
Importância da Microbiologia
A microbiologia abrange várias áreas de estudo, tais como:
• Biologia: aspectos básicos e biotecnológicos. Produção de
antibióticos, hormônios (insulina, GH), enzimas (lipases,
celulases), insumos (ácidos, álcool), despoluição (herbicidas
- Pseudomonas, Petróleo), bio-filme (Acinetobacter), etc.;
• Biotecnologia: uso de microrganismos com finalidades
industriais, como agentes de biodegradação, de limpeza
ambiental, etc.
Importância da Microbiologia
• Odontologia: estudo de microrganismos associados à placa
dental, cárie dental e doenças periodontais. Estudos com
abordagem preventiva;
• Medicina e enfermagem: doenças infecciosas e infecções
hospitalares;
• Nutrição: doenças transmitidas por alimentos, controle de
qualidade de alimentos, produção de alimentos (queijos,
bebidas);
Mamão papaia transgênico contendo gene de vírus
PRINCIPAIS
CARACTERÍSTICAS DO
MICROORGANISMOS
Principais Características dos
Micro-organismos
Bactérias:
• Do grego bakteria (bastão), as bactérias são organismos
unicelulares, procariontes, ou seja, não possuem envoltório
nuclear, nem organelas membranosas. Podem ser encontrados na
forma isolada ou em colônias.
• Podem viver na presença de ar (aeróbias), na ausência de ar
(anaeróbias), ou ainda serem anaeróbias facultativas. As bactérias
são um dos organismos mais antigos, com evidência encontrada
em rochas de 3,8 bilhões de anos.
Principais Características dos
Micro-organismos
Bactérias:
• São microscópicas, com dimensões que variam de 0,5 a 5
micrômetros. As bactérias são conhecidas como os organismos
mais bem-sucedidos do planeta em relação ao número de
indivíduos. A quantidade de bactérias no intestino de uma pessoa
é superior ao número total de células humanas no corpo da
mesma, por exemplo.
• Em relação às formas, de acordo com Lins (2010), a maioria das
bactérias estudadas segue um padrão menos variável, embora
existam vários tipos morfológicos distintos.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Parede celular:
• A parede celular, pela sua rigidez, forma um estojo que garante a
estabillidade da forma característica da bactéria, protegendo-a de
agressões externas e das variações de pressão osmótica. Esta
estrutura de base da parede das bactérias é específica de cada
espécie bacteriana.
• A composição e a estrutura da parede celular determinam o
comportamento da célula em face de um dos métodos de
coloração bacteriológicos: a coloração de Gram. Este método de
coloração foi desenvolvido pelo médico dinamarquês, Hans
Christian Joachim Gram, em 1884.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Parede celular:
• Trata-se de um tratamento suscessivo de um esfregaço basteriano,
fixado pelo calor, com os reagentes: cristal violeta, lugol, etanol-
acetona e fucsina básica.
• Esta técnica possibilita a separação de amostras bacterianas em
Gram-positivas e negativas, bem como a determinacao da
morfologia e do tamanho das amostras analisadas.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Cápsula:
• Algumas espécies bacterianas elaboram uma volumosa cápsula de
natureza polissacarídica (cuja espessura ultrapassa muitas vezes a
própria espessura da célula).
• Esta cápsula desempenha um papel determinante na resistência à
ingestão e à digestão pelas células fagocitárias nos processos
infecciosos, ou participa na aderência dos organismos entre si ou
ao substrato.
• É particularmente o caso do Streptococcus
pneumoniae, agente causador de pneumonias bacterianas.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Membrana plasmática:
• A membrana plasmática pode encontrar-se encostada ou
ligeiramente afastada da camada de peptidoglicano pelo espaço
periplasmático. A estrutura desta membrana é semelhante àquela
das células eucarióticas. Na célula bacteriana, a membrana é
suporte de grande parte da atividade metabólica e assegura a
respiração, nas bactérias aeróbias.
• Além disso, a membrana plasmática assegura, assim como nas
células eucarióticas, o transporte seletivo de moléculas e a saída
das enzimas responsáveis pela síntese da parede celular. Existe um
dobramento da membrana celular denominada mesossomo,
responsável pela respiração bacteriana.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Membrana plasmática:
• Na superfície das bactérias encontram-se filamentos proteicos
longos, com 20 nm de diâmetro. Uns são implicados nos
processos de aderência das bactérias entre elas ou a substratos
como os tecidos do corpo humano; são designados por fímbria;
outros intervêm na transferência de material genético entre
bactérias; são designados por pili sexuais. Alguns autores
designam ambos por pili (pilus, pili).
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Genoma:
• O genoma bacteriano ocupa a região central da célula, chamada
por nucleoide. O genoma é constituído por uma única molécula de
ácido desoxirribonucleico (DNA), fechada em anel, com o
cromossomo bacteriano comumente colado à membrana
plasmática.
• O cromossomo não é o único repositório de informação genética
da bactéria. Existem ainda pequenos anéis de DNA, designados
por plasmídeos, com autonomia de replicação.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Genoma:
• Os plasmídeos são responsáveis por características específicas,
tais como: resistência a antibióticos e produção de toxinas.
• Os plasmídeos são transferíveis de uma bactéria a outras, não só
por meio da divisão celular, mas também a partir de estruturas
tubulares, os pili sexuais, que estabelecem a ponte entre duas
bactérias.
• São estes plasmídios os responsáveis pela resistência bacteriana
aos antibióticos.
Constituintes e Morfologia da
Célula Bacteriana
Flagelos:
• Algumas bactérias são dotadas de capacidade de locomoção. Para
tanto, dispõem de um ou mais flagelos, com cerca de 20 nm de
diâmetro. As espiroquetas possuem um conjunto vasto de
flagelos, enrolados externa e helicoidalmente em volta da célula,
denominados flagelos periplasmáticos.
• Os flagelos estão ancorados por meio
de uma estrutura que atravessa a
parede celular, o espaço periplasmático
e a membrana plasmática, designada
por corpo basal.
Flagelos
Formas Celulares e Tipos de
Colônias Bacterianas
As células bacterianas podem apresentar forma esférica (coco),
de bastonete (bacilo), espiralada (espirilo) e também de vírgula
(vibrião). As colônias podem ser de dois cocos unidos
(diplococos), oito cocos formando um cubo (sarcinas), cocos
alinhados em cadeia (estreptococos), cocos reunidos em forma
de cacho de uva (estafilococos).
Os bacilos têm forma de bastonetes, podendo apresentar
extremidades retas (Bacillus anthracis) e arredondadas
(Salmonella, E. coli). Os bacilos exibem menor variedade de
arranjos, sendo encontrados isolados, como diplobacilos ou
ainda como estreptobacilos. Os bacilos podem também
apresentar-se como pequenas vírgulas (Vibrio cholerae).
Formas Celulares e Tipos de
Colônias Bacterianas
No caso das bactérias espiraladas, sua nomenclatura é bastante
controvertida. Um tipo de classificação divide os espiralados em
dois grupos: as espiroquetas, que apresentam uma forma de
espiral flexível, possuindo flagelos; e os espirilos, que exibem
geralmente morfologia de espiral incompleta e rígida.
Há ainda formas intermediárias como os cocobacilos; formas
pleomórficas (quando o microrganismo não tem uma morfologia
padrão), tal como Mycoplasma. A Figura 3 a seguir ilustra as
formas celulares das bactérias.
Formas Celulares e Tipos de
Colônias Bacterianas
Estreptococos Vibrião Estreptococos
Bacilo Espirilo Cocos e diplococos
Formas celulares bacterianas
Reprodução Bacteriana
As bactérias se reproduzem com grande rapidez, dando origem
a um número muito grande de descendentes em apenas
algumas horas. A maioria delas reproduz-se assexuadamente,
por cissiparidade, também chamada de divisão simples ou
bipartição, como ilustra a Figura 4 abaixo. Aqui, cada bactéria
divide-se em duas outras bactérias geneticamente iguais,
supondo-se que não ocorram
mutações, ou seja, alterações
em seu material genético.
Reprodução assexuada por bipartição
Esporulação
De acordo com os estudos publicados no Portal Só Biologia
(s/d), algumas espécies de bactérias, em determinadas
condições ambientais, originam estruturas resistentes
denominadas esporos. A célula que origina o esporo se
desidrata, formando uma parede grossa, cuja atividade
metabólica torna-se muito reduzida.
Alguns esporos são capazes de se manter em estado de
dormência por dezenas de anos, e, ao encontrar um ambiente
adequado, este se reidrata e origina uma bactéria ativa, que
passa a se reproduzir por divisão binária. Os esporos são muito
resistentes ao calor e, em geral, não morrem quando expostos à
água em ebulição.
Reprodução sexuada
Bactérias consideram reprodução sexuada qualquer processo de
transferência de fragmentos de DNA de uma célula para outra.
Uma vez transferido, o DNA da bactéria doadora se recombina
com o da receptora, produzindo cromossomos com novas
misturas de genes.
Tais cromossomos recombinados serão transmitidos às células-
filhas quando a bactéria se dividir. A transferência de DNA de
uma bactéria para outra pode ocorrer transformação,
transdução ou por conjugação.
Transformação
No processo de transformação, a bactéria absorve moléculas de
DNA dispersas no meio e incorpora estas moléculas a sua
cromatina, como ilustra a Figura 5 abaixo. Esse DNA pode ser
proveniente, por exemplo, de bactérias mortas. Tal processo
ocorre espontaneamente na natureza.
Os cientistas utilizam a transformação como uma técnica de
Engenharia Genética, para introduzir genes de diferentes
espécies em células bacterianas, de acordo com o Portal Só
Biologia (s/d).
Transformação
Processo de transformação das bactérias
Transdução
A transdução é um processo onde as moléculas de DNA são
transferidas de uma bactéria a outra usando vírus como vetores
(bactériófagos), conforme ilustra a Figura 6 abaixo.
Estes, ao penetrar dentro das bactérias, podem eventualmente
incluir pedaços de DNA da bactéria que lhes serviu de
hospedeira. Ao infectar outra bactéria, o vírus que leva o DNA
bacteriano o transfere junto com o seu.
Neste caso, se a bactéria sobreviver à infecção viral, pode passar
a incluir os genes de outra bactéria em seu genoma.
Transdução
Processo de transdução das bactérias
Conjugação
Na conjugação bacteriana, os pedaços de DNA passam
diretamente de uma bactéria doadora para uma receptora. Isso
acontece a partir de microscópicos tubos proteicos, chamados
pili, que as bactérias possuem em sua superfície.
O fragmento de DNA transferido se recombina com o
cromossomo da outra bactéria, produzindo novas misturas
genéticas, que serão transmitidas
às células-filhas na próxima
divisão celular.
Conjugação bacteriana mostrando
o pili sexual
Principais Características dos
Micro-organismos
Fungos:
• São microrganismos considerados um pouco mais evoluídos do
que as bactérias, pois são seres eucariontes (possuem o material
genético delimitado pela membrana nuclear) e além de
unicelulares (leveduras) também podem ser pluricelulares.
• São heterotróficos e obtêm energia dos mais diversos substratos.
Estes organismos também possuem parede celular como as
bactérias, mas nesta há a presença de uma substância quitinosa.
Sua estrutura vegetativa é representada por hifas, cujo conjunto
constitui o denominado micélio.
Principais Características dos
Micro-organismos
Fungos:
• Até pouco tempo, eram considerados como pertencentes ao reino
Vegetal, mas, pelas considerações feitas acima, a tendência atual é
considerá-los num reino à parte, o reino Fungi.
Principais Características dos
Micro-organismos
Vírus:
• Os vírus são seres muito simples e pequenos, que medem menos
de 0,2 µm, formados basicamente por uma cápsula proteica,
envolvendo o material genético, que, dependendo do seu tipo,
pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos (citomegalovírus).
• Por ser um parasita intracelular obrigatório, os vírus não são
considerados organismos vivos, pois quando estes estão fora de
uma célula hospedeira não conseguem realizar nenhuma de suas
funções.
MICROBIOTA
NORMAL HUMANA
Aspectos Gerais
• Em indivíduos saudáveis, a maioria dos microrganismos que
habitam no corpo humano não provocam doenças, mas tem
funções importantes para o hospedeiro, tais como, favorecer a
digestão dos alimentos, induzir a produção de vitaminas e proteger
o hospedeiro contra microrganismos patogénicos.
• Assim sendo, são encontradas diferentes comunidades microbianas
em cada um dos variados ambientes da anatomia humana e para
cada pessoa, o microbioma pode variar ao longo do tempo, como é
o caso da atrofia gástrica que aparece com a idade e altera o
microbioma gástrico (Cho e Blaser, 2012).
Microbiota Normal Humana
A microbiota normal humana desenvolve-se
desde o nascimento até as diversas fases da
vida adulta, resultando em comunidades
bacterianas estáveis.
Há fatores que controlam a composição da
microbiota em uma dada região do corpo.
Estes estão relacionados à natureza do
ambiente local, tais como temperatura, pH,
água, oxigenação, nutrientes e fatores mais
complexos como a ação de componentes do
sistema imunológico.
Microbiota Normal Humana
Estima-se que o corpo humano, que contém cerca de 10 trilhões
de células, seja rotineiramente portador de aproximadamente
100 trilhões de bactérias.
A composição da microbiota bacteriana humana é relativamente
estável com gêneros específicos ocupando as diversas regiões
do corpo durante períodos particulares na vida de um indivíduo.
A microbiota humana desempenha funções importantes na
saúde e na doença.
Microbiota Normal Humana
Os microrganismos membros da microbiota humana podem
existir como:
• Mutualistas: nos casos em que protegem o hospedeiro
competindo por microambientes de forma mais eficiente que
patógenos comuns (resistência à colonização), produzindo
nutrientes importantes e contribuindo para o desenvolvimento
do sistema imunológico;
• Comensais: quando mantêm associações aparentemente
neutras sem benefícios ou malefícios detectáveis;
Microbiota Normal Humana
• Oportunistas: nos casos em que causam doenças em indivíduos
imunocomprometidos devido a diversas condições, tais como:
infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, terapia
imunossupressora de transplantados, radioterapia,
quimioterapia anticâncer, queimaduras extensas ou perfurações
das mucosas.
Microbiota Normal Humana
A microbiota humana constitui um dos mecanismos de defesa
contra a patogênese bacteriana, porém, ainda que a maioria dos
componentes da microbiota normal seja inofensiva a indivíduos
sadios, esta pode constituir um reservatório de bactérias
potencialmente patogênicas.
Muitas bactérias da microbiota normal agem como oportunistas
e nestas condições, a microbiota residente pode ser incapaz de
suprimir patógenos transitórios ou alguns membros da
microbiota podem invadir os tecidos do hospedeiro e causar
graves doenças.
Microbiota Normal Humana
De acordo com Miguel Jr. (2012), os tratos digestivos, urogenital
inferior (especialmente feminino) e respiratório superior (boca,
garganta, nariz e traqueia), além da pele, são áreas onde a
microbiota se instala assim que o indivíduo deixa o útero
materno.
Toda a microbiota do ser humano pesa cerca de 1,5 kg e tem
atividade metabólica semelhante ao fígado, o maior órgão do
corpo.
COMBATE A
DOENÇAS DE
INTERESSE DA
MICROBIOLOGIA
Microrganismos Prejudiciais:
Como Combatê-Los
De um modo geral, são duas as formas de combate aos micro-
organismos: a profilaxia e o tratamento. Entende-se por
profilaxia o conjunto de medidas voltadas à prevenção,
erradicação ou ao controle de doenças, ou fatos prejudiciais aos
seres vivos. São variadas, em conformidade com o agente
causador da doença.
De acordo com Araújo (2012), muitas doenças bacterianas e
fúngicas podem ser evitadas com medidas simples, como uma
boa higiene pessoal e do ambiente, com o cozimento
apropriado dos alimentos, bem como com a sua devida
conservação em local, com embalagens apropriadas,
refrigeradas, na maioria das vezes.
Microrganismos Prejudiciais:
Como Combatê-Los
No entanto, alguns micro-organismos exigem cuidados
especiais, sobretudo se relacionados a práticas hospitalares e
intervenções cirúrgicas. A esterilização de objetos pelo calor,
irradiação ou processo químico, e a assepsia corporal, a partir de
uma série de compostos químicos especiais, podem garantir ao
agente de saúde, bem como ao paciente, maior segurança,
minimizando e até eliminando a contaminação.
A vacinação também é um modo profilático de grande ajuda,
dado que diminui as taxas de muitas doenças bacterianas e
virais, chegando até a sua erradicação.
Microrganismos Prejudiciais:
Como Combatê-Los
Araújo (2012) afirma ainda que outro modo de profilaxia está
ligado aos micro-organismos causadores de Doenças
Sexualmente Transmissíveis (DSTs), cujos cuidados estão na
prática de sexo seguro, mediante uso de preservativos.
No que diz respeito ao tratamento, existe uma gama imensa de
medicamentos que atuam no combate aos micro-organismos
que, por sua vez, já estejam infectando o organismo, como
preconiza a autora.
De modo geral, as drogas antibacterianas, antivirais e
antifúngicas agem interferindo no metabolismo do micro-
organismo ou em sua reprodução, enquanto que outros, por sua
vez, destroem estruturas da parede ou membrana das bactérias.
Microrganismos Prejudiciais:
Como Combatê-Los
Entretanto, o tratamento, tal como a profilaxia, vai depender da
especificidade do medicamento e do agente causador da
doença. Isto serve de alerta aos riscos da automedicação, pois,
por exemplo, o uso inadequado de um antibiótico geralmente
acarreta na seleção de bactérias resistentes, necessitando cada
vez mais de dosagens maiores e de antibióticos mais fortes.
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
Calor:
• Uma população de bactérias que é submetida ao calor tem suas
proteínas desnaturadas. Os lipídios fluidificam na presença de
calor úmido, conforme preconiza a autora. Quando os micro-
organismos perdem a sua capacidade de se multiplicar de modo
irreversível, eles podem ser considerados mortos.
• O calor pode ser observado como úmido ou seco. No que diz
respeito ao seco, trata-se da oxidação. É importante observar
que cada micro-organismo responde de uma forma, de acordo
com a sua resistência, com a quantidade e seus estágios
metabólicos.
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
Calor:
• Ao tentar eliminá-los, deve-se escolher um método que elimine
as formas mais resistentes. Uma vez submetida ao calor, uma
população microbiana tem a redução do número de indivíduos
viáveis ocorrendo de forma exponencial.
• O que significa dizer que quanto mais tempo se passar exposta
ao calor, menor será a quantidade de micro-organismos em
determinado meio.
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
• Em relação ao calor úmido, os mecanismos utilizados são a
fervura, a autoclavação e pasteurização, conforme descrito
abaixo:
a) fervura: o mecanismo de ação da fervura é a desnaturação
de proteínas. Embora não seja considerado um método de
esterilização, após 15 minutos de fervura pode matar uma
grande quantidade de micro-organismos.
Ressalta-se que não é um método eficaz contra endósporos
bacterianos e alguns vírus. Normalmente, é um método
utilizado em desinfecções caseiras, preparo de alimentos, etc.;
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
b) autoclavação: o mecanismo de ação da autoclavação é a
desnaturação de proteínas. Este é o melhor método a ser
empregado, caso os materiais a serem submetidos à
autoclavação não deformarem pelo calor ou umidade.
A autoclave é um aparelho que trabalha com temperatura e
pressão elevadas. Quando os micro-organismos estão
diretamente em contato com o vapor, a esterilização é mais
eficaz. Este processo é utilizado para esterilização de meios de
cultura, soluções, utensílios e instrumentos;
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
c) pasteurização: este mecanismo também é a desnaturação
de proteínas. Este método foi desenvolvido por Louis Pasteur,
em 1846. Consiste em aquecer o produto em uma determinada
temperatura, por certo tempo e logo após, resfriá-lo.
Com este processo reduz-se o número de micro-organismos,
mas não se pode assegurar a sua esterilização. É um método
bastante utilizado na esterilização de leite, creme de leite,
cerveja, vinho, etc.
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
No que diz respeito ao calor seco, os mecanismos utilizados são a
flambagem, a incineração e os fornos:
a) flambagem: trata-se de um método simples, mas de grande
eficácia, bastando apenas colocar todo só instrumentos
metálicos diretamente sobre o fogo;
b) incineração: é um método igualmente eficaz. Utilizam-no
para incinerar vários tipos de materiais, tais como papéis,
materiais hospitalares, carcaças de animais, etc. Ele é capaz de
oxidar todos os materiais, até que virem cinzas;
c) fornos: este é um método utilizado para esterilizar vidrarias.
Exige cuidado, pois se deve ficar atento à relação tempo x
temperatura.
Mecanismos de Controle de
Crescimento Bacteriano
Radiação:
• De acordo com Gonçalves (2010), a radiação pode ser ionizante
ou não ionizante, dependendo do comprimento de onda, da
intensidade, da duração e da distância da fonte que será
esterilizada.
a) ionizantes: este é um método que utiliza radiações gama, mas
tem um custo elevado. Formam radicais superativos e destroem
o DNA. É um método comumente utilizado para esterilizar
produtos cirúrgicos que podem ser submetidos ao calor.
b) não ionizantes: neste tipo de radiação a mais empregada é a
luz ultravioleta, que altera o DNA mediante a formação de
dímeros.
Controle do Crescimento de
Micro-organismos com Antimicrobianos
(antibióticos)
Os antimicrobianos são substâncias que matam ou inibem o
desenvolvimento de micro-organismos, tais como as bactérias,
os fungos, vírus ou protozoários.
Fazem parte dos antimicrobianos os antibióticos, antivirais,
antifúngicos e antiparasitários.
Como citado no parágrafo anterior, um dos antimicrobianos é o
antibiótico. Como pesquisado em Emuc (2013), definem-se
como antibióticos as substâncias desenvolvidas a partir de
fungos, bactérias ou elementos sintéticos (aqueles produzidos
em laboratórios farmacêuticos).
Controle do Crescimento de
Micro-organismos com Antimicrobianos
(antibióticos)
O antibiótico tem como finalidade combater os micro-
organismos (monocelulares ou pluricelulares) que causam
infecções no organismo.
É necessário observar o cuidado quanto ao uso dos antibióticos,
que prescinde de orientação e acompanhamento médico, pois
do contrário, pode ser prejudicial à saúde. O uso indiscriminado,
além de prejudicar a saúde, pode favorecer o desenvolvimento
de micro-organismos resistentes a determinados antibióticos. O
primeiro antibiótico foi desenvolvido pelo pesquisador inglês,
Alexander Fleming.
Controle do Crescimento de
Micro-organismos com Antimicrobianos
(antibióticos)
Trata-se da penicilina. Atualmente, a medicina conta com
antibióticos mais potentes, administrados contra diversos tipos
de doenças, tias como a pneumonia, meningite, tuberculose e
as doenças sexualmente transmissíveis, o que requer ainda mais
cuidado em sua utilização (EMUC, 2013).
Características Gerais das
Drogas Antimicrobianas
Como citado acima, os antimicrobianos são substâncias que
matam os micro-organismos e que dentre as principais se
encontra o antibiótico. As principais características das drogas
antimicrobianas são :
a) Toxidade seletiva: segundo pesquisadores, esta é uma
característica que toda droga antimicrobiana deveria
apresentar, dado que diz respeito à capacidade de atuar de
modo seletivo sobre o micro-organismo, não provando danos
ao hospedeiro;
Características Gerais das
Drogas Antimicrobianas
b) Espectro de ação: esta característica diz respeito à
diversidade de organismos afetados pelo agente. De modo
geral, os antimicrobianos são de pequeno ou amplo espectro.
Hoje em dia, os laboratórios vêm trabalhando, na tentativa de
isolar e purificar antimicrobianos de espectro restrito, de modo
que este atue apenas sobre um determinado grupo de
organismos.
Isto evitaria a resistência bacteriana, e aqueles considerados de
pequeno espectro atuariam de modo específico sobre um ou
um pequeno grupo de micro-organismos;
Características Gerais das
c) No que diz respeito à síntese,
podem ser de origem microbiana, Drogas Antimicrobianas
aquela produzida exclusivamente
por micro-organismos, química,
por síntese química, e
semissintética;
d) no que diz respeito à ação, as
drogas antimicrobianas podem
apresentar características
microbiostáticas, com ação direta
para inibir o crescimento
bacteriano ou microbicidas, que
são aquelas que atuam inibindo a
reprodução bacteriana, porém
exigem maior tempo de
tratamento.