Unid 3
Unid 3
Unidade III
7 BIODISPONIBILIDADE DE SELÊNIO E MAGNÉSIO
O selénio é um oligoelemento não metálico essencial, que está relacionado a inúmeras funções
enzimáticas e metabólicas envolvidas no crescimento normal, fertilidade e prevenção de uma grande
variedade de doenças. Encontrado nas formas de selenato, selenido, selenito, é elemento constituinte dos
aminoácidos selenometionina e selenocisteína. As duas últimas formas são metabolizadas e utilizadas na
síntese de selenoproteínas, e estas desempenham importante função antioxidante, imunomoduladora,
anticancerígena, antiangiogênica, antiaterogênica e anti-inflamatória.
A essencialidade do selênio foi descoberta em 1957 por Schwarz e Foltz, cientistas que verificaram
em animais com hipovitaminose E o benefício da suplementação com o selênio; alguns anos após,
conseguiram justificar essa resposta pelo fato do selênio ser parte do sítio ativo da enzima glutationa
peroxidase (GPx), uma selenoproteína de sistema antioxidante e que está envolvida na proteção
cardiovascular (DONADIO et al., 2016).
Embora hoje saibamos sobre a sua essencialidade e importância, o selênio já foi considerado
tóxico e carcinogênico, a causa de envenenamento de animais que se alimentavam de um grupo
particular de plantas com capacidade de acumular selênio em grandes quantidades, em alguns solos
considerados seleníferos. Na atualidade, as condições climáticas, sazonalidade, tipo de solo, tipo de
plantio e região ainda são importantes fatores que influenciam na quantidade de selênio presente no
solo (DONADIO et al., 2016).
Apenas em 1950, o selênio foi classificado como um oligoelemento essencial, e a sua essencialidade
foi comprovada em 1979 quando um paciente com distrofia muscular, em longa permanência sob
nutrição parenteral total, apresentou melhora do quadro clínico após suplementação com o mineral
(DONADIO et al., 2016).
104
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Selenido e selenito
(Se2– e SeO32–), Selenito e selenato
poucos compostos orgânicos de Se (Se2– e SeO42–),
poucos compostos orgânicos de Se,
Complexos com Fe, Al, Ca e Se (elementar) esporádico
e Se (elementar) esporádico
Figura 30 – Influência dos fatores geoquímicos sobre a concentração de selênio nos solos e nos alimentos
105
Unidade III
Grande parte das selenoproteínas exercem função antioxidante. Entre os diferentes grupos,
aquela que é mais abundante é a glutationa peroxidases (GPx), encontrada em todos os tecidos
de mamíferos em que ocorrem processos oxidativos. A glutationa peroxidase reduz a produção
de espécies reativas de oxigênio (EROs), pelo mecanismo de redução do potente pró oxidante
peróxido de hidrogênio (H2O2) e de hidroperóxidos lipídicos. Essa importante função protegerá as
macromoléculas e biomembranas do organismo contra a oxidação – neste contexto, age de maneira
sinérgica com o tocoferol na regulação e prevenção da peroxidação lipídica, uma vez que o LDL‑Col
é uma das moléculas mais oxidadas em sua porção proteica (Apo) (DRUTEL; ARCHAMBEAUD;
CARON, 2013; BECKETT; ARTHUR, 2005).
• D2 atua significativamente no sistema nervoso central (SNC), hipófise, tecido adiposo marrom e
placenta, e apresenta atividade elevada no hipotiroidismo e diminuída no hipertiroidismo.
• regulação da expressão de células T com alta afinidade por receptores de interleucina 2 (IL2) e
promoção de resposta aumentada dessas células;
106
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Outras atuações desse nutriente sobre o sistema imunológico, quando suplementado, envolvem a
atividade de células natural killer; a redução do eritema provocado por exposição à radiação ultravioleta,
a ativação e replicação do vírus HIV em células T, a ativação do fator nuclear kappa B (NF-κB), a
atividade da enzima lipooxigenase de células B, a morte celular, os danos ao DNA, a peroxidação
lipídica de células da pele expostas à radiação ultravioleta e a morte celular induzida (SALVATORE,
2018; NUNES, 2003).
Por sua função antioxidante, o selênio está envolvido na redução do risco de doenças crônicas não
transmissíveis, como o câncer, as doenças cardiovasculares e o diabetes mellitus. Alguns mecanismos
pelos quais esse micronutriente pode reduzir o risco de câncer incluem a modulação da divisão celular,
a redução da hipermetilação do DNA, a regulação da hipometilação do DNA, a alteração metabólica
de alguns carcinógenos, a proteção celular contra danos oxidativos, o estímulo ao sistema imune e a
inibição da atividade de enzimas hepáticas ou a ativação de enzimas destoxificantes (SALVATORE, 2018;
NUNES, 2003).
Obtemos o selênio na natureza, a partir do ar, água, vento e na forma de suplementos. Ele é encontrado
de forma orgânica e inorgânica e não são percebidas diferenças com relação a sua biodisponibilidade,
distribuição tecidual e eficiência de utilização (DONADIO et al., 2016).
Os vegetais absorvem o selênio em sua forma inorgânica a partir do solo, e essa forma é convertida
para a forma orgânica, gerando compostos metilados de baixo peso molecular, além de selenocisteína
e selenometionina. Essa última é a principal fonte de compostos de selênio presentes em produtos
vegetais como grãos, legumes e leguminosas. Nas plantas, são encontradas as formas selenito, selenato,
seleno‑metionina, selenocistina, seleno-homocisteína, Se-metilselenocisteína, γ-glutamil‑selenocistationina,
γ-glutamil‑selenocisteína, se‑metilseleno‑metionina, entre outras (DONADIO et al., 2016).
Estudo realizado por Jordão et al. (2002), objetivou determinar a concentração de selênio em alguns
alimentos consumidos no Brasil, e as tabelas a seguir demonstram algumas dessas concentrações:
107
Unidade III
Sobre a recomendação de consumo do selênio, vale a pena destacar que esses valores foram possíveis
de serem identificados a partir de estudos na China, com a descoberta da doença de Keshan, que afetou
sobretudo crianças de 2 a 10 anos de idade e mulheres adolescentes que ingerem menos de 17 μg/dia
de selênio (DONADIO et al., 2016; SALVATORE, 2018).
O leite materno é reconhecido como ótima fonte de nutrientes, entre eles o selênio; para os bebês
durante o primeiro ano de vida foi possível estabelecer valores de AI para crianças de 0 a 12 meses a
partir do estudo da concentração desse nutriente no leite materno (DONADIO et al., 2016).
108
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
A selenometionina melhora o status de selênio de maneira mais eficaz do que as outras formas,
porém, sua biodisponibilidade é menor que a do selenito e do selenato. As taxas médias de absorção
da selenometionina e do selenito são de aproximadamente 84% e 98%, respectivamente, a partir de
quantidades consumidas a partir de 200 µg (DONADIO et al., 2016).
Outra informação relevante utilizada para a descoberta dos valores de ingestão recomendados foram
estudos de saturação, também iniciados na China, cujo resultado demonstrou que uma ingestão de
41 μg/dia de selênio é suficiente para saturar a atividade da enzima glutationa peroxidase. Com a mesma
metodologia aplicada na população norte-americana identificou-se que a ingestão de 52 μg/dia de
selênio também poderia ocasionar a saturação. Na Nova Zelândia, esse mesmo modelo de intervenção
concluiu que 38 μg/dia de selênio são suficientes para saturar a atividade da glutationa peroxidase.
A partir da média dos valores encontrados nesses estudos, foi possível estabelecer a EAR e a RDA
(DONADIO et al., 2016).
Em seres humanos, condições de carência são pouco frequentes. No continente asiático, é associada
com a doença de Keshan, cardiomiopatia que afeta crianças e mulheres jovens, muito prevalente na
China e em regiões com solos pobres em selênio. Sua ocorrência é aguda e associa-se com a insuficiência
súbita da função cardíaca; na fase crônica, pela hipertrofia de moderada a grave do coração pode
ocasionar diferentes graus de insuficiência cardíaca. Outra doença originada pela carência desse
nutriente é a doença de Kashin-Beck, uma osteoartrite endêmica que ocorre durante a pré-adolescência
ou adolescência.
109
Unidade III
Embora durante a gestação ocorra o aumento na atividade da glândula tireoide, são poucos os
estudos a respeito da necessidade de selênio durante essa fase, e os valores de EAR foram estimados
a partir do depósito de selênio no feto; logo, não refletem a necessidade da mulher nessa condição
especificamente. Tendo como base esse depósito e a saturação de selenoproteína, ocorre um acréscimo
de 4 mcg/dia na necessidade dessa mulher em relação à não gestante. A partir da concentração de
selênio no leite humano para nutrizes é recomendado o aumento de 14 mcg/dia sobre a necessidade
média de 45 mcg/dia de mulheres não lactantes.
O consumo excessivo não deve acontecer, e para isso o valor de UL é definido como o valor mais
alto de ingestão diária continuada de um nutriente que, aparentemente, não oferece nenhum efeito
adverso à saúde. O UL para esse nutriente derivou de modelos estatísticos de avaliação do risco para a
ingestão de nutrientes; logo, não deve ser entendido como recomendação, mas sim como informação
para o risco da ingestão excessiva de nutrientes oriunda de suplementação, fortificação de alimentos e
outros (DONADIO et al., 2016).
Formas orgânicas são mais biodisponíveis do que selenito e selenato, uma vez que são capazes
de aumentar mais as concentrações sanguíneas de selênio. A absorção de selênio na forma inorgânica de
selenato (SeO4 selênio VI) é maior que 90% e depende de um gradiente de Na+2 ou K+ e ATPase; portanto,
indiretamente, o status orgânico de sódio e potássio interferem no metabolismo desse oligoelemento.
110
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Selenometionina
Selenofosfato
Selenocisteína
Se‑metilselenocisteína
Metionina (α, y‑liase) Ácido metilselenímico
Metilselenol (CH3SeH) Selenobetaína
Metilselenocianato
Eliminado na
respiração em doses
Dimetilseleneto (CH3)2SeH) tóxicas
Excretado na urina
Trimetilselenônio (CH3)3SeH+ em doses tóxicas
1β‑Metilseleno‑N‑acetil‑D‑galactosamina
Excretado na urina
em doses adequadas
ou pouco tóxicas
A glutationa (GSH) é responsável pela redução das formas inorgânicas de selênio em seleneto de
hidrogênio (H2Se). Esse composto poderá ser utilizado na síntese das diversas selenoproteínas ou também
metilado por meio de reações enzimáticas, gerando outras formas com um grupo metil chamado de
as formas monometiladas (metilselenol), com dois radicais metil ou dimetiladas (dimetilseleneto) e
finalmente com três radicais metil ou trimetiladas (trimetilselenônio).
O H2Se originado a partir da conversão das diferentes formas de selênio será, por sua vez, transformado
em selenofosfato, numa reação mediada pela enzima selonofosfato sintetase e será incorporado às
selenoproteínas na forma de selenocisteína.
A principal forma de aliminação do selênio é a urinária e quando a sua ingestão se torna excessiva,
a excreção pela urina pode aumentar significativamente. Nas fezes, ocorre a excreção principalmente de
selênio alimentar não absorvido, junto com aquele presente nas secreções biliares, pancreáticas e intestinais.
111
Unidade III
Saiba mais
A quantidade de selênio em alimentos é muito variável entre diferentes regiões e países, como
mencionado anteriormente; a sua concentração nos solos é responsável por um ciclo que afeta tanto
animais que consomem as pastagens quanto alimentos vegetais, nos quais a quantidade do mineral
é inteiramente dependente do solo. A quantidade de proteínas também influencia a concentração de
selênio no alimento, uma vez que o mineral pode se incorporar a estas no lugar do enxofre.
Alimentos como a castanha-do-brasil e o rim bovino são considerados as melhores fontes de selênio,
porém, o processamento do alimento, principalmente térmico, pode reduzir a quantidade de selênio
pela volatilização. A carne bovina, frango, peixe e ovos, além de serem ricos em proteínas, também
apresentam quantidades importantes de selênio e em muitos países são a principal fonte alimentar
do mineral. Leite e derivados também podem fornecer boas quantidades do mineral, dependendo da
espécie animal e do conteúdo de gordura, sendo que o leite de vaca e aqueles com maior quantidade
de gordura apresentam as menores concentrações. Frutas e verduras em geral são pobres em selênio,
com exceção daqueles vegetais denominados “acumuladores” de selênio, como alho, mostarda-indiana,
brócolis, couve-de-bruxelas, couve-rábano, couve-flor, repolho, cebola e alguns cogumelos, os quais
podem fornecer quantidades importantes do mineral quando consumidos adequadamente.
A sua biodisponibilidade nas carnes é elevada, pois as formas predominantes de proteína são a
selenometionina e a selenocisteína. No caso de peixes, o conteúdo do mineral geralmente é significativo,
112
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
porém, a interação com metais pesados, principalmente o mercúrio, reduz a biodisponibilidade, uma
vez que pode ocorrer a ligação entre ambos, formando complexos insolúveis, reduzindo a absorção do
mineral em até 50%.
A toxicidade do selênio é dependente de inúmeros fatores, variando conforme o método de consumo
ou administração (nos casos de suplementação), o tempo de consumo e o estado de saúde e
fisiológico, porém a toxicidade por formas orgânicas ou inorgânicas de selênio resulta em características
clínicas semelhantes.
O magnésio (Mg+2) é o segundo cátion intracelular mais abundante no corpo humano, sendo o potássio
o primeiro. Esse mineral essencial atua como cofator de aproximadamente 300 reações enzimáticas
com grande relevância metabólica, sendo uma das mais descritas a regulação do metabolismo dos
carboidratos e a secreção de insulina.
O Mg+2 liga-se a grupos nitrogênio neutros (grupo amino e imidazol) e a partir de então atua
como um cofator em mais de cem reações enzimáticas, tendo destaque aquelas que usam nucleotídeos
como cofator ou substrato, como as ATPases, enzimas relevantes para o metabolismo energético
(MAFRA; COZZOLINO, 2004). Esse mineral atua ainda na estabilidade da membrana neuromuscular e
cardiovascular, na manutenção do tônus vasomotor e como agente da regulação fisiológica da função
hormonal e imunológica (NASCIMENTO et al., 2015).
Observação
Para os praticantes de exercícios físicos, o magnésio é de extrema
importância, uma vez que regula a excitabilidade cardíaca, a transmissão
neuromuscular, a contração muscular, o tônus vasomotor e a pressão arterial,
elementos importantes durante o esforço físico (MAFRA; COZZOLINO, 2004).
Este elemento faz parte da clorofila, pigmento verde das plantas, o que torna os vegetais de folhas
verdes suas maiores fontes nas dietas. A quantidade adequada de mineral corporal é favorecida pela
adequada ingestão de alimentos fonte como os cereais integrais, vegetais folhosos verdes, espinafre,
nozes, frutas, legumes e tubérculos, como a batata. Segundo as recomendações das DRIs, a ingestão
diária de magnésio deve permanecer em torno de 310 a 320 mg e 400 a 420 mg para mulheres e
homens adultos, respectivamente (MAFRA; COZZOLINO, 2004).
113
Unidade III
114
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Os mesmos autores descrevem ainda que o transporte passivo predomina quando a ingestão do mineral
é elevada e permite que a sua concentração no lúmen intestinal ultrapasse 20 mEq/L. Essa via é caracterizada
por um mecanismo de transporte paracelular, processo de absorção em que o íon é conduzido a favor de um
gradiente eletroquímico, sendo que o íleo e as partes distais do jejuno são os principais locais de absorção
passiva do mineral, em decorrência de uma menor expressão das proteínas claudinas pertencentes às tight
junctions que são pouco permeáveis a esse micronutriente (MAFRA; COZZOLINO, 2016b).
Após a absorção, o magnésio é direcionado para os seus tecidos alvo e acessa o sistema via receptor
específico, do tipo melastatina e com o potencial transitório. De acordo com Houillier (2014) e Romani
(2011), o receptor TRPM7 está distribuído por todo o organismo, portanto, controla mais fortemente
a homeostase desse mineral em células individuais, enquanto o TRPM6 localiza-se especificamente no
colón e no túbulo contorcido distal dos néfrons. O mecanismo de transporte de magnésio através dos
enterócitos ainda não é totalmente elucidado, uma vez que os canais transportadores TRPM6 e 7 são
expressos apenas na membrana apical e não na basolateral dos enterócitos (MAFRA; COZZOLINO, 2016b).
A absorção do magnésio inicia aproximadamente 1 hora após a refeição, atinge o platô por volta de
2 a 2,5 horas após e declina de 4 a 5 horas após o término da refeição; certa de 80% do magnésio terá
sido absorvido após 6 horas do consumo dos alimentos fonte (SCHUCHARDT; HANH, 2017).
115
Unidade III
No canto esquerdo da figura, podemos observar que o aproveitamento do magnésio será influenciado
por fatores exógenos (fatores favorecedores ou inibidores, solubilidade, matriz alimentar e quantidade
consumida) associados aos fatores endógenos como a idade, a condição de saúde, fatores hormonais,
expressão de proteínas transportadoras e concentração do mineral no organismo. A etapa inicial de
absorção no jejuno e íleo ocorrerá a partir de mecanismo para e intracelular por meio de proteínas
TRPMG e TRPM7, respectivamente, tendo de forma subsequente a absorção via processo ativo para a
corrente sanguínea (SCHUCHARDT; HANH, 2017, p. 261).
Muitos são os fatores que podem afetar o Mg livre no citosol (concentração de nucleotídeos, sistema
de transporte de mitocôndria e membrana plasmática, especialmente de ATP), e consequentemente as
funções que ele desempenhará.
Existem alguns fatores inibidores do processo de absorção do magnésio, como o ácido fítico, o ácido
oxálico, os fosfatos e as fibras alimentares e aqueles com a capacidade de melhorar ou aumentar a
sua biodisponibilidade, como a lactose e os carboidratos. Outros elementos, como as proteínas, podem
alterar o processo de absorção do magnésio, sendo reduzidos quando a ingestão proteica é inferior a
30 g/dia. O elevado consumo de sódio, cálcio, cafeína e álcool também pode aumentar a excreção renal
desse mineral, reduzindo a sua biodisponibilidade (NASCIMENTO et al., 2015).
Lembrete
Cozzolino (1997) cita uma interação negativa entre o cálcio e o magnésio, porém essa condição
negativa parece acontecer apenas em casos de suplementação de cálcio, recomendado quando a dieta
é limítrofe em cálcio ou quando ocorre a confirmação de uma carência.
Lembrete
Saiba mais
O potássio é um íon que atua conjuntamente ao sódio e cloro na manutenção da pressão osmótica
e do equilíbrio hídrico e acidobásico. O cloro é um ânion (Cl-) que se associa ao cátion potássio (K+)
no ambiente intracelular, circulando livremente entre os líquidos intra e extracelulares por meio das
membranas celulares (TRAMONTE; CALLOU; COZZOLINO, 2016). Quando alterações em sua concentração,
mesmo pequenas, ocorrem já é suficiente para alterar o equilíbrio muscular e a sua tonicidade, além da
transmissão neural.
Com relação ao eletrólito potássio, ele está presente em maior quantidade no líquido intracelular, e
a sua absorção ocorre em todos os segmentos do trato digestivo (difusão), possui baixa concentração
plasmática e importantes funções na síntese de proteínas e glicogênio, na transmissão de impulsos
nervosos para contração muscular (determinante do potencial elétrico transmembranal) e na correção
do desequilíbrio acidobásico. Segundo Stivanin (2014), o potássio é essencial na manutenção do volume
celular, além de ser requerido para correto funcionamento de enzimas como a piruvato quinase, que age
transferindo o grupo fosfato para o ATP na fosforilação durante a glicólise.
Com relação ao cloro (Cl-), possui atividade conjunta com o sódio no ambiente extracelular e com o
potássio no ambiente intracelular para favorecer o equilíbrio na pressão osmótica e do equilíbrio ácido
básico do organismo. Devido à sua participação na formação do ácido clorídrico, esse íon apresenta
importante função na digestão.
117
Unidade III
Do ponto de vista fisiológico, os eletrólitos devem ser considerados em conjunto, uma vez que as
células necessitam de uma combinação específica de ânions e cátions para funcionar de forma eficiente.
Logo, qualquer mudança no equilíbrio acidobásico terá uma ampla influência sobre a função das células
e vias metabólicas que poderão ser incapazes de funcionar de forma eficiente (STIVANIN, 2014; BASSAN
et al., 2011).
Por apresentar uma ação direta no controle do volume plasmático, em situação de deficiência, há
um aumento no risco de desenvolvimento das doenças cardiovasculares como hipertensão e acidente
vascular cerebral.
Com relação aos alimentos fonte de cada um desses eletrólitos, temos o sal de cozinha ou sal
comum, que é formado por cloreto de sódio (NaCl), como a principal fonte de cloro. O cloro dietético é
proveniente principalmente do sal de cozinha, enquanto o potássio pode ser encontrado em alimentos
não processados como frutas (banana, frutas secas, laranja), vegetais (espinafre, brócolis, tomate) e
carnes frescas (TRAMONTE; CALLOU; COZZOLINO, 2016).
Com relação ao potássio, as suas formas predominantes são aquelas encontradas nos vegetais e
nas frutas. Produtos animais também contêm ânions de potássio, sendo encontrados essencialmente
como fosfato ou como lactato, sendo este último resultante da fermentação dos alimentos ou de seus
processos de maturação (TRAMONTE; CALLOU; COZZOLINO, 2016).
Cotidianamente, pessoas com saúde ingerem em torno de aproximadamente 2,7 g de potássio por
dia; praticamente todo o potássio ingerido é absorvido no trato gastrintestinal e transportado para o
fígado através da circulação portal. A taxa de aproveitamento é alta e por esse emotivo quantidades
mínimas de potássio são excretadas pelas fezes e pelo suor, sendo os rins os principais responsáveis pela
excreção e regulação do balanço de potássio.
Algumas das funções do potássio já foram descritas anteriormente, porém, devido à sua
diversidade é elementar abordar mais algumas funções desempenhadas por esse eletrólito (CUPPARI;
BAZANELLI, 2010):
118
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Ingestão de K+
↑ K+ plasmático
Vaso sanguíneo
Córtex adrenal
— +
↑ Aldosterona
Rins
Excreção renal de K+
119
Unidade III
Muito ainda necessita ser esclarecido com relação à quantidade recomendada de consumo desses
eletrólitos, por isso não estão estabelecidos valores de EAR (estimated average requirement) – confira
esses valores na tabela a seguir. Essa limitação nas recomendações nutricionais ocorre pela insuficiência
de dados de estudos dose-resposta, portanto, as RDAs não puderam ser derivadas, sendo divulgadas, em
2004, as AIs para sódio e cloro. Importante ainda ressaltar que as necessidades do cloro podem variar
com o crescimento, a intensidade da atividade física e a temperatura, que aumentam as perdas pelo
suor e em situações de diarreias e vômitos.
120
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
De forma geral, é sempre importante retomar a importância dos eletrólitos em nosso organismo,
uma vez que desempenham várias funções no geral; um desequilíbrio ou escassez deles pode
comprometer a homeostase e a vida humana. Esse equilíbrio deve acontecer nos meios intra e
extracelular, promovendo o controle do pH sanguíneo, a hidratação, bem como a correta contração
e excitabilidade do tecido muscular, em especial o coração.
Durante a etapa de digestão, parte do cloreto sanguíneo pode ser direcionado para o sistema
digestivo, participando da formação do ácido clorídrico, com secreção gástrica para atuar
conjuntamente e como a enzimas digestivas, sendo reabsorvido na corrente sanguínea (TRAMONTE;
CALLOU; COZZOLINO, 2016). A sua absorção ocorre principalmente no intestino delgado, com boa
taxa de assimilação (cerca de 98%).
121
Unidade III
A absorção celular do potássio nas células hepáticas e musculares ocorre a partir da atividade
da enzima Na-K-ATPase, e essa ação enzimática é dependente da secreção de insulina endógena e da
estimulação do receptor β2-adrenérgico pela adrenalina (STIVANIN, 2014).
Com relação ao potássio, cerca de 85% do que é ingerido é absorvido e cerca de 77% a 90% será
excretado na urina, sendo o restante eliminado pelas fezes e em menor quantidade pelo suor (TRAMONTE;
CALLOU; COZZOLINO, 2016).
O balanço dos íons recebe também influencia de vários elementos corporais como o sistema renina
angiotensina aldosterona (SRAA), o sistema nervoso simpático (SNS), o hormônio atrial natriurético (ANP),
entre outros (TRAMONTE; CALLOU; COZZOLINO, 2016).
122
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
AGT
Renina
Ang I
ECA
Ang II
Receptor aldosterona
Receptor‑β
Receptor‑α
Neprelisina
Consumo de O2
Frequência cardíaca
Vasoconstrição
Retenção de sódio
Retenção de água
Remodelamento ventricular
Fibrose ventricular
123
Unidade III
plasmática de colesterol; logo, efeitos positivos também são percebidos no metabolismo dos lipídios
(GOMES; ROGERO; TIRAPEGUI, 2005).
Presente em diminutas proporções em alguns alimentos como carnes, cereais integrais, oleaginosas
e leguminosas, a ingestão diária e segura de cromo em adultos está estimada entre 50 e 200µg/dia e,
apesar de ser considerado um elemento essencial, não existe uma ingestão dietética recomendada (RDA)
específica para o cromo.
Após a absorção, o cromo pode ser estocado em vários tecidos do organismo, sem possuir um local
específico necessariamente, mas totalizando em média um pool de 4 a 6 mg. A maior quantidade de
cromo parece estar distribuída no fígado, rins, baço e epidídimo e acredita-se então que a concentração
de cromo seja metabolicamente controlada nos tecidos, não havendo acúmulo.
124
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
A absorção do cromo se dá por meio de difusão passiva; em humanos que consomem cerca de 10 μg de
cromo por dia, a absorção aparente (medida pela excreção urinária) foi aproximadamente de 2%; porém,
quando a ingestão foi de 40 μg/dia, a absorção aparente foi de apenas 0,5%. Esses dados sugerem a
existência de um processo de autorregulação na absorção de cromo segundo a dose ingerida (SILVA;
ROCHA; COZZOLINO, 2016).
A biodisponibilidade do cromo em geral é baixa, apresentando valores que não ultrapassam 3%, e
essa porcentagem de absorção parece ser inversamente proporcional à quantidade de cromo na dieta.
Vários fatores interferem na absorção do cromo, dos quais se ressaltam, como inibidores, o fitato e
a maior quantidade de minerais como zinco, ferro e vanádio no intestino e, como estimuladores, os
aminoácidos, o oxalato, a vitamina C e o amido (GOMES; ROGERO; TIRAPEGUI, 2005).
Tanto o exercício físico quanto à ingestão de açúcares podem aumentar a excreção urinária de cromo;
contudo, se esses fatos induzem a uma deficiência de cromo ou se atletas são capazes de aumentar
a eficiência ou a retenção do cromo no organismo isso é ainda desconhecido (GOMES; ROGERO;
TIRAPEGUI, 2005).
Elemento químico com símbolo Cu, o cobre pode sofrer diversos tipos de reações químicas e o seu
produto mais conhecido é o sulfato de cobre.
Quando exposto à água ou ao ar, ele sofre oxidação, adquirindo uma coloração verde, porém, é um
metal bastante resistente à corrosão.
• Calcopirita (sulfeto de cobre e ferro): forma mais frequente, apresenta brilho metálico intenso.
• Calcocita (sulfeto de cobre): composto por sulfeto de cobre, apresenta coloração que varia de
cinza à preta.
O cobre é um mineral traço cuja essencialidade foi reconhecida em 1928 ao ser evidenciado em
experimento com ratos. Esse micronutriente, juntamente com o ferro, tinha uma função importante na
prevenção da anemia (PEDROSA; COZZOLINO, 1999). O cobre é um elemento químico de símbolo Cu (do
latim cuprum), número atômico 29 (29 prótons e 29 elétrons) e de massa atómica 63,54 u.
125
Unidade III
Observação
A maioria das manifestações clínicas de deficiência de cobre são explicadas, em parte, pelo
decréscimo nas atividades das cuproenzimas, sendo observadas doenças em variados órgãos. Destaque
importante deve ser oferecido para a enzima citocromo c oxidase, que é uma oxidase terminal na cadeia
de transporte de elétrons, daí seu papel fundamental na fosforilação oxidativa.
126
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Muitos são os órgãos cujas funções tornam-se comprometidas em deficiência desse mineral:
adrenais, gônadas, ossos, intestino, fígado, coração, entre outros.
Alguns estudos indicam que a absorção do cobre pela membrana de borda em escova envolve um
carreador ativo, saturável, dependente de energia quando há baixas concentrações, e um processo de
difusão quando há concentrações mais altas do mineral. Um transportador de cobre, o Ctr1 (codificado
pelo gene SLC31A1) foi identificado em leveduras e clonado em humanos e em camundongos. Alguns
trabalhos demonstram que o Ctr1 se desloca para vesículas endocíticas ou é degradado quando há a
presença do mineral em grande quantidade, configurando um mecanismo de resposta adaptativa que
previne o acúmulo de altas doses de cobre (HASHIMOTO et al., 2016b).
Alguns estudos sobre metabolismo de cromo concluíram que há uma união do cromo com um
componente proteico chamado de apocromodulina, um carreador formado por quatro aminoácidos
presente no meio intracelular, tanto no citosol quanto no núcleo. Quando há a necessidade de a insulina
atuar no organismo, o cromo é trazido por meio da corrente sanguínea por um transportador proteico
e a transferrina vai até a membrana da célula; quando em contato com pH ácido, se desprende da
transferrina e penetra na célula, sendo que nesse momento se liga à apocromodulina. Essa combinação
foi inicialmente denominada de “substância ligadora de cromo de baixo peso molecular” (low-molecular
weight chromiumbinding substance ou LMWCr) em meados de 1980, sendo hoje conhecida por
cromodulina, pelo fato da semelhança em estrutura e função com a calmodulina. Essa estrutura é
127
Unidade III
formada por quatro íons de Cr+3 ligados a resíduos de glicina, cisteína, glutamato e aspartato. Foi isolada
em tecidos de várias espécies de mamíferos (PIRES; GRAÇA, 2011).
128
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
Para lactantes, os valores recomendados permanecem em torno de 985 a 1000 μg/dia para EAR e
1.300 para AI* RDA (μg/dia).
O iodo é um oligoelemento vital para o organismo humano que tem de ser ingerido regularmente
com a alimentação. Existe numa variedade de formas químicas, sendo as mais importantes o iodeto (I),
o iodato (IO3) e o iodo elementar (I2). Está presente em quantidades relativamente constantes na água
salgada, e por esse motivo o sal iodado é a melhor fonte alimentar de iodo. Condimentar os alimentos
com sal iodado é uma prática desejável, porque nos garante a presença deste elemento.
de leite, ovos e lã, e o desempenho reprodutivo dos animais. O iodo é o único elemento mineral
cuja deficiência leva a uma anomalia clínica – aumento da glândula tireoide – específica e de fácil
conhecimento. Ultimamente, a sua ação enquanto elemento antioxidante tem sido investigada,
com resultados promissores.
O iodo foi o segundo micronutriente a ser reconhecido como essencial para a saúde, em 1850.
Anteriormente, apenas o ferro havia atingido esse grau de classificação, no século XVII. Ele encontra‑se
amplamente distribuído na natureza e está presente nas substâncias orgânicas e inorgânicas em
quantidades muito pequenas. O nível de iodo na água reflete o teor de iodo das rochas e solos da
região, e consequentemente das plantas comestíveis. Normalmente, a água não contribui com uma
proporção significativa do consumo diário de iodo, já que mais de 90% dele provêm dos alimentos
(HASHIMOTO et al., 2016a).
130
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
O consumo excessivo de iodo pode causar irritação no trato gastrintestinal, dor abdominal, náuseas,
vômitos e diarreia, além de sintomas cardiovasculares e cianose; muitas vezes o quadro pode ser
agravado pela presença de perda de peso, taquicardia, fraqueza muscular e calor da pele, sem a presença
da oftalmopatia característica na doença de Graves. Segundo o Council for Responsible Nutrition, que
estabeleceu os níveis de Noael (no observed adverse effects level) e Loael (lowest adverse effects level),
pode-se observar para o iodo um Noael de 1.000 a 1.200 μg de iodo e um Loael de até 1.700 μg
(HASHIMOTO et al., 2016a).
Segundo Hashimoto et al. (2016a), o iodo da dieta é rápida e quase totalmente absorvido (> 90%)
no estômago e no duodeno. Antes disso ele é convertido a íon iodeto, 100% biodisponíveis e absorvidos
praticamente por completo no intestino delgado, diferentemente da forma orgânica, em que apenas
50% do iodo são absorvidos. O iodo circula no plasma na sua forma inorgânica (iodeto), sendo utilizado
pela tireoide para síntese dos hormônios tireoidianos, e o excesso é excretado pelos rins.
Dentro da tireoide, os íons iodeto se difundem para o espaço coloidal dos folículos e serão oxidados para
iodo elementar; a enzima iodinase catalisa a iodação de resíduos de tirosina na proteína tireoglobulina,
formando resíduos de monoiodo (MID) e de diiodotirosina (DIT). Posteriormente, após ela favorecer a
transferência de um grupo diiodofenil de um resíduo de diiodotirosina para outro, forma a tiroxina
incorporada à proteína e finalmente o triiodotironina (T3). A tireoglobulina iodada é então captada pelas
células da tireoide, sofrendo proteólise para liberação de tiroxina (T4) e pequenas quantidades de T3.
Os hormônios são liberados da tireoide a partir do estímulo da tireotrofina, que, por sua vez, tem sua
secreção regulada pela tiroxina circulante, e dessa forma fica clara a participação de extrema relevância
do iodo no metabolismo tireoidiano (HASHIMOTO et al., 2016a).
131
Unidade III
TGB
I-
Tirosina 3
TGB
TP
Capilar 4
9 5 TP
MIT
DIT MIT
Enzimas DIT
MIT DIT lisossômicas T3
6
TGB
7 T4 T3
TGB
T3 T4
T4
8
T3
T4
A figura anterior deve ser observada da esquerda para a direita. Nela, fica clara a sequência de
eventos que finaliza com a produção dos resíduos MIT e DIT e os hormônios tireoidianos. Segue a síntese
e a liberação de T3 e T4:
Na água e alimentos, o iodo ocorre em grande parte como iodeto inorgânico, sendo absorvido nessa
forma através do trato gastrintestinal e transportado na forma livre ou anexo a proteínas do plasma.
132
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
O excesso de iodo é excretado primariamente na urina, com pequenas quantidades nas fezes e suor.
A deficiência de iodo em diferentes estágios de vida produz diferentes desfechos da saúde. Logo a
sua adequada ingestão torna-se especialmente importante na vida intraútero e durante os primeiros
dois anos, quando as células neurais sofrem divisão celular, contribuindo com o desenvolvimento e
crescimento mental.
Alguns fatores que contribuem para a deficiência do elemento incluem solos com baixos níveis
de iodo e muito drenados, distância do mar e variação da capacidade da planta em absorver iodo.
Bovinos em pastejo estão sujeitos à deficiência desse elemento. A maneira mais eficiente de prevenir a
deficiência de iodo é suplementá-lo em misturas minerais. O uso de iodeto de potássio não estabilizado
deve ser evitado porque o iodo se volatiliza com facilidade nas condições tropicais. O iodato de potássio
é mais estável.
Resumo
Exercícios
Alimentos como a castanha-do-brasil e o rim bovino são considerados as melhores fontes de selênio.
Carne bovina, frango, peixe e ovos, além de serem ricos em proteínas, também apresentam quantidades
importantes de selênio e em muitos países são a principal fonte alimentar do mineral.
COMINETTI et al. Estresse oxidativo, selênio e nutrigenética. Nutrire, v. 36, n. 3, p. 131-153, São Paulo, 2011.
A) I e II, apenas.
B) I, apenas.
C) II e III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.
I – Afirmativa correta.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a conversão de tiroxina (T4) em triiodotironina (T3) é realizada pela desiodinase tipo I,
uma selenoproteína encontrada no fígado e nos rins, responsável pela conversão da forma inativa do
pró-hormônio tiroxina (T4) na forma metabolicamente ativa, a tri-iodotironina (T3). São conhecidas três
desiodinases dependentes de selênio: tipo I, tipo II e tipo III. O selênio e o iodo devem ser suplementados
concomitantemente em populações com deficiência desses elementos, pois a suplementação somente
com selênio pode ser danosa (haveria maior produção de T3, o que promoveria a inibição da liberação
de TSH e pioraria o quadro de hipotireoidismo).
Justificativa: a glutationa peroxidase (GPX) é uma enzima dependente de selênio que age na
redução de peróxidos de hidrogênio (H2O2) e de hidroperóxidos orgânicos livres, transformando-os,
respectivamente, em água e álcool.
• GSH: glutationa.
135
Unidade III
A) I e II, apenas.
B) I, apenas.
C) II e III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.
136
NUTRIÇÃO E BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a ceruloplasmina é uma oxidase que apresenta seis íons de cobre e é produzida
principalmente no fígado. Para ser transportado pela transferrina, o ferro precisa ser oxidado, e esse
processo é realizado pela ceruloplasmina. A ceruloplasmina oxida o Fe+2 (íon ferroso), libertado pela
ferritina intracelular, para ser ligado à transferrina, que se une ao Fe+3 (íon férrico). A deficiência de
ceruloplasmina é acompanhada pelo acúmulo de ferro no fígado.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a competição de vários íons, como o zinco, o ferro, o chumbo e o cádmio, pode
inibir a absorção do cobre. O mecanismo proposto para a interação entre o cobre e o zinco baseia‑se
na observação de que o excesso de zinco aumenta a síntese da metalotioneína, uma proteína que
apresenta a propriedade de se ligar a minerais e protege o organismo de possíveis efeitos tóxicos deles.
A metalotioneína apresenta afinidade maior por cádmio e cobre e menor afinidade por zinco. Como o
cobre apresenta maior afinidade pela metalotioneína, ele ficaria retido no interior do enterócito e seria
impedido de passar para a circulação.
Justificativa: o excesso de vitamina C pode prejudicar a absorção de cobre pela redução do Cu2+ a Cu+,
forma menos biodisponível.
137
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