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Versão Final TCC - Cadastro Ambiental Rural

O documento analisa o Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil, destacando sua criação pelo Código Florestal de 2012 e os desafios enfrentados na sua implementação entre 2021 e 2022. A pesquisa identifica problemas como a baixa adesão, uso indevido da ferramenta e sobreposição em terras indígenas e quilombolas. O trabalho busca entender a eficiência da legislação ambiental e propõe soluções para os obstáculos encontrados.

Enviado por

Dalila Ramos
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Versão Final TCC - Cadastro Ambiental Rural

O documento analisa o Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil, destacando sua criação pelo Código Florestal de 2012 e os desafios enfrentados na sua implementação entre 2021 e 2022. A pesquisa identifica problemas como a baixa adesão, uso indevido da ferramenta e sobreposição em terras indígenas e quilombolas. O trabalho busca entender a eficiência da legislação ambiental e propõe soluções para os obstáculos encontrados.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

Faculdade de Ciências Agrarias


Dalila Lilianne Alves Ramos

CADASTRO AMBIENTAL RURAL: uma análise do avanço do código Florestal nos


anos 2021 - 2022, acertos e falhas

Diamantina
2023

Dalila Lilianne Alves Ramos


Cadastro Ambiental Rural: subtítulo, se necessário,
utilizar mais de uma linha para sua indicação

Monografia apresentada ao Curso de


Graduação em Agronomia da Universidade Federal
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito
para conclusão do curso.

Orientador: Prof. Dr. Claudenir Favero

Diamantina
2023
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais Antonio Manuel Ramos e Alzerina Ressureição Santos Alves por
acreditarem em mim, por serem minha base, e todo esforço feito para que eu pudesse chegar
aqui. Agradeço também a todos os meus familiares e amada amiga Alicia Neves que com sua
torcida, ajuda e oração contribuíram para conclusão deste curso.
A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), pela oportunidade de
ingressar no ensino superior, ao Departamento de Agronomia pela possibilidade realização do
curso, aos professores que contribuíram com minha formação acadêmica e profissional, meu
profundo agradecimento.
Agradeço ao Prof Dr. Claudenir Favero pela orientação, ensinamento, apoio e paciência para
realização desse trabalho.
“Medo nós tem, mas não usa”.
Margarida Maria Alves
RESUMO

No Brasil, as propriedades rurais são importantes atores na produção de alimentos e na


economia do país. No entanto, ao longo do tempo, muitas dessas propriedades enfrentaram
problemas relacionados ao desmatamento, à degradação ambiental e ao não cumprimento das
leis ambientais, o que resultou em impactos negativos para a biodiversidade, os recursos
hídricos e o equilíbrio dos ecossistemas.

Com a promulgação do Código Florestal em 2012, que instituiu o CAR, buscou-se estabelecer
uma nova abordagem para a regularização ambiental das propriedades rurais. O CAR foi
criado para consolidar informações precisas sobre as características ambientais das
propriedades, como áreas de preservação permanente, áreas de reserva legal e remanescentes
de vegetação nativa, como forma de identificar os autores de passivos ambientais e promover
a regularização ambiental de propriedades rurais privadas, o governo instituiu em âmbito
nacional a obrigatoriedade de cadastro no Cadastro Ambiental Rural (CAR), plataforma de
registro eletrônico, obrigatório, onde o proprietário/possuidor declara a área de seu imóvel e
seus aspectos ambientais. Este trabalho consistiu em analisar e discutir as ferramentas do
módulo do CAR, do governo Federal brasileiro.

Definiu-se pelo seguinte problema de pesquisa: Qual a finalidade do Cadastro Ambiental


Rural? A legislação em relação ao meio ambiente é devidamente aplicada? Ela é eficiente?
Quais os problemas relacionados a ele, e quais as possíveis soluções?
A partir da pesquisa foi possível constatar que houveram muitas adversidades nos 10 anos
desde que foi promulgado em 2012 tendo inicialmente problemas de adesão por parte do
publico alvo, o qual demoraram anos para começar a ser resolvido, uso indevido da
ferramenta, sobreposição do CAR em terras indígenas, quilombolas e Unidades de
Conservação.

Palavras chave: Meio ambiente. CAR. Código Florestal. Terra Indígena. Quilombola
2
ABSTRACT

In Brazil, rural properties are important players in food production and in the country's
economy. However, over time, many of these properties have faced problems related to
deforestation, environmental degradation and non-compliance with environmental laws,
resulting in negative impacts on biodiversity, water resources and the balance of ecosystems.
With the enactment of the Forest Code in 2012, which established the CAR, a new approach
was sought for the environmental regularization of rural properties. The CAR was created to
consolidate accurate information about the environmental characteristics of properties, such as
permanent preservation areas, legal reserve areas and native vegetation remnants, as a way to
identify the authors of environmental liabilities and promote the environmental regularization
of private rural properties, the government instituted nationwide the mandatory registration in
the Rural Environmental Registry (CAR), a mandatory electronic registration platform, where
the owner/landowner declares the area of his property and its environmental aspects. This
work consisted in analyzing and discussing the tools of the CAR module, of the Brazilian
Federal Government.
The following research problem was defined: What is the purpose of the Rural Environmental
Cadastre? Is the legislation regarding the environment properly applied? Is it efficient? What
are the problems related to it, and what are the possible solutions?
From the research it was possible to see that there have been many adversities in the 10 years
since it was enacted in 2012, having initially problems of adherence by the target public,
which took years to begin to be resolved, misuse of the tool, overlap of CAR in indigenous
lands, quilombolas and Conservation Units.

Key words: Environment. CAR. Forest Code. Indigenous Land. Quilombola


LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Status da Implementação do CAR e do PRA pelos Estados, 2021-2022..................
Figura 2. Comparação do número de imóveis inscritos no CAR e o percentual dos imóveis
cadastrados com relação ao número de imóveis rurais nos anos 2021 e 2022...........................
Figura 3. Proporção de Análise Iniciada e Concluída do CAR, 2022........................................
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

APP - Area de Preservação Permanente


ARL - Associação Brasileira de Normas Técnicas
CAR - Cadastro Ambiental Rural
CRA – Cota de Reserva Ambiental
CONAMA - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
EMATER – Instituto de Assistência Tecnica e Extensão Rural
SICAR – Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural
PRA – Programa de Regularização Ambiental
ITR - Propriedade Territorial Rural
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
RIMA - Relatório de Impacto Ambiental
SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
FPND - Florestas públicas não destinadas
OIT - Organização Internacional do Trabalho
SUMARIO

2 INTRODUÇÃO..............................................................................................9

3 OBJETIVOS..................................................................................................11

4 REVISAO DE LITERATURA.....................................................................12

4.1 Cadastro Ambiental Rural - Conceito....................................................12

4.2 Contexto histórico..................................................................................12

4.3 Legislação..............................................................................................13

4.4 Ferramentas relacionadas ao CAR.........................................................16

4.5 Relação entre CAR e as ferramentas.....................................................18

4.6 Abrangência do CAR no que diz respeito a áreas de proteção............19

4.7 A problemática do CAR.........................................................................24

5 MATERIAIS E MÉTODOS..........................................................................27

5.1 ÁREA DE ESTUDO..............................................................................27

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................27

6.1 Análise dos dados inscrição no car nos anos 2021 e 2022....................28

6.2 ANÁLISE DA PROPORÇÃO DA ANÁLISE INICIADA E


CONCLUIDA DO CAR, 2022....................................................................................32

6.3 Análise dos cancelamento de car sobrepostos à terras indígenas,


unidades de conservação de domínio público e outras áreas consideradas impeditivas
nos anos de 2021 e 2022..............................................................................................34

6.4 Fraude no car e suas consequencias.......................................................34

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................35

REFERENCIAS..................................................................................................37
9

1 INTRODUÇÃO

O artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88 diz que “Todos tem
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, em de uso comum do povo e essencial
á sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-
lo e preserva-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL 1988), ou seja, o meio
ambiente é um direito de todos, deve ser garantido para as presentes e futuras gerações.
É possível atualmente no Brasil de equiparar o crescimento da agropecuária com a
proteção dos recursos naturais: estudos demonstram que é possível dobrar a produção agrícola
valendo-se de as áreas já abertas, não havendo necessidade de desmatar novas áreas
(JULIAO, 2019). Esse conceito se baseia na ideia de aumentar a produtividade das terras
existentes, utilizando técnicas e tecnologias avançadas, sem comprometer o meio ambiente:
com as consequências no âmbito ambiental das ações do homem se mostrando cada vez mais
visíveis e inviáveis para o equilíbrio na natureza, a preocupação de desenvolver tecnologias e
melhorar as já presentes cresce num ritmo continuo (IMAZON, 2013).

Existem várias abordagens e práticas que podem ser adotadas para alcançar esse
objetivo tal como melhoramento genético de culturas, agricultura de precisão (que faz uso de
tecnologias como GPS, sensores remotos e monitoramento por satélite), manejo integrado de
pragas e doenças, uso eficiente de recursos hídricos, etc (IMAZON, 2013).

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012), também conhecida


como Código Florestal, é um instrumento de grande relevância no sentido de estimular os
esforços do Brasil para esse propósito, dado que os mecanismos de proteção que limitam a
expansão de área de produção, criam incentivos de forma que os produtores rurais invistam
em tecnologias (BRASIL, 2012)
A efetivação da lei, no entanto, constitui um desafio importante, uma vez que próximo
de completar a primeira década de sua promulgação e apesar dos avanços alcançados, tal lei
encontra diversos obstáculos que impedem que seu proposito seja cumprido de forma
eficiente e eficaz.
Apesar de ter conseguido ultrapassar alguns obstáculos ao longo do tempo, alguns
persistem e outras aparecem. Em relação as que persistem podem ser mencionados os desafios
técnicos e tecnológicos como a falta de infraestrutura acabam prejudicando a
operacionalização do cadastro como falhas no sistema, dificuldade de acesso a internet em
10

áreas rurais remotas e falta de capacitação dos responsáveis pela administração do CAR em
determinadas regiões. Outro que pode ser mencionado está relacionado a regularização
fundiária, uma vez que para que o cadastro seja efetuado é necessário que a propriedade esteja
regularizada, porem há fatores que dificultam o processo como a falta de documentação
adequada, conflitos de terra e sobreposição de terra.
Quanto aos obstáculos que aparecem pode ser mencionado fraude no cadastro que
beneficia grileiros, fazendeiros, e consolidar incontáveis situações antijurídicas, já existentes.

Carrero et al (2022) destaca que,

De todas as terras declaradas no cadastro ambiental rural (car) em nossa


área de estudo de 300.689 km2, 90,5% não estão em conformidade com a lei
brasileira e 45,8% estão em áreas protegidas. Mudanças na lei até 2017
reclassificaram como lícitas 4,2% das reivindicações ilícitas de terras no car) em
2014 (901 km2 por ano-1). A redução dos assentamentos tornou 5266 km2
disponíveis para apropriação ilegal. A desflorestação nas reivindicações de terras
representou 35% do total, e é provável que esta percentagem aumente.

Assim, a situação atual do CAR varia dependendo da região e da implementação


realizada pelos governos estaduais e órgãos ambientais principalmente. Em geral, o prazo
para a inscrição no CAR foi prorrogado e encerrado em muitos estados brasileiros, com parte
das propriedades rurais obrigadas a se cadastrar já o fez.
11

2 OBJETIVOS

O objetivo desse trabalho foi contextualizar como está sendo a evolução do CAR: a
ocorrência de falhas, inconsistências nos cadastros realizados nos estados brasileiros e como
isso impacta as unidades de conservação e áreas protegidas como Áreas Indígenas e
Quilombolas.
12

3 REVISAO DE LITERATURA

3.1 Cadastro Ambiental Rural - Conceito

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico que reúne informações


ambientais e georreferenciadas das propriedades rurais do país. É uma ferramenta importante
para auxiliar na regularização ambiental das propriedades rurais.
O CAR é obrigatório para todas as propriedades rurais, sejam elas pequenas, médias ou
grandes, e tem como objetivo principal identificar e integrar informações sobre a situação
ambiental de cada propriedade, como áreas de preservação permanente, reservas legais e áreas
de uso restrito.
O cadastro é realizado por meio do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar),
que é uma plataforma eletrônica disponibilizada pelo Ministério do Meio Ambiente. Para
fazer o cadastro, o proprietário rural deve acessar o Sicar, preencher os formulários
eletrônicos e enviar as informações necessárias, como a localização da propriedade, as áreas
de preservação permanente e de reserva legal, e outras informações relacionadas à
conservação do meio ambiente.
Como é amplamente divulgado por diversos meios de informação, o CAR é um instrumento
importante para a regularização ambiental das propriedades rurais, e sua implantação ajuda a
promover a conservação ambiental em todo o país, além de possibilitar o acesso a políticas
públicas de crédito rural e incentivos fiscais para quem está em dia com a legislação
ambiental como será mostrado adiante.

3.2 Contexto histórico

O CAR foi instituído pela Lei nº 12.651/2012, que é conhecida como o Novo Código
Florestal brasileiro. As diretrizes foram aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas
pelo Presidente da República em 2012, após intenso debate público e político sobre a gestão
ambiental e o uso da terra no país.
Antes da aprovação do Novo Código Florestal, o CAR já havia sido proposto como um
instrumento de gestão ambiental em alguns estados brasileiros, como o Mato Grosso, onde foi
13

instituído em 2008. A experiência bem-sucedida desse estado serviu de inspiração para a


criação do CAR em nível federal.
O CAR surgiu como uma resposta à necessidade de integrar e aprimorar os sistemas de
monitoramento e controle ambiental, além de possibilitar uma gestão mais eficiente e
transparente das informações sobre o uso do solo no Brasil. Com o cadastro, as informações
sobre a localização, a área e as características das propriedades rurais podem ser
compartilhadas entre diferentes órgãos governamentais e utilizadas para a elaboração de
políticas públicas e para o controle e fiscalização ambiental.
Desde sua criação, o CAR passou por aprimoramentos e adequações visando torná-lo mais
eficaz e adequado às necessidades dos diferentes biomas e regiões do país. O cadastro
também tem sido utilizado como base para outros programas de regularização ambiental,
como o Programa de Regularização Ambiental (PRA), previsto no próprio Novo Código
Florestal.

3.3 Legislação

A legislação que rege o Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil é a Lei nº 12.651/2012,
conhecida como Novo Código Florestal Brasileiro, e o Decreto nº 8.235/2014, que
regulamenta o CAR. Além dessas leis, existem também outras normas que complementam o
CAR, como as Instruções Normativas do Ministério do Meio Ambiente e as Resoluções do
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
A Lei nº 12.651/2012 estabelece as regras gerais do CAR, incluindo a sua obrigatoriedade
para todas as propriedades rurais, a identificação e georreferenciamento da propriedade, a
delimitação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Reservas Legais, além de
outras disposições relacionadas à conservação ambiental.
O Decreto nº 8.235/2014, por sua vez, detalha as regras para a implementação do CAR,
incluindo as formas de cadastramento, o prazo para inscrição, as obrigações dos proprietários
rurais, o monitoramento e verificação das informações cadastradas, entre outras disposições.
As Instruções Normativas do Ministério do Meio Ambiente estabelecem critérios para o
preenchimento das informações no CAR, como a identificação dos responsáveis pela
propriedade, a identificação de áreas consolidadas, o cálculo da reserva legal, entre outros
aspectos.
14

Já as Resoluções do CONAMA complementam o CAR em relação às áreas de preservação


permanente, estabelecendo regras específicas para a proteção de rios, lagos, nascentes,
encostas e outras áreas sensíveis. Essas resoluções são importantes para orientar os
proprietários rurais sobre as áreas que devem ser protegidas em suas propriedades e como
fazer isso de forma adequada:
O CONAMA não emitiu resoluções específicas em relação ao CAR, mas há algumas
resoluções relacionadas que podem ser mencionadas:
• Resolução CONAMA nº 369/2006: Dispõe sobre os procedimentos e critérios para o
licenciamento ambiental de atividades agrossilvipastoris e de manejo florestal.
• Resolução CONAMA nº 430/2011: Estabelece as condições e padrões de lançamento de
efluentes, normas e padrões de qualidade do meio ambiente para o licenciamento e
fiscalização das atividades que utilizam recursos hídricos.
• Resolução CONAMA nº 471/2021: Dispõe sobre a implementação do Cadastro Ambiental
Rural (CAR) pelos Estados e pelo Distrito Federal.
Essas resoluções, embora não sejam específicas do Cadastro Ambiental Rural, tratam de
questões importantes relacionadas ao meio ambiente e às atividades rurais, como o
licenciamento ambiental e o uso da água em relação à implantação e manutenção do CAR.
Em 2020, foi publicada a Instrução Normativa nº 2/2020, que estabeleceu novas regras para o
CAR, como a criação do Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR), que tem como
objetivo integrar informações do CAR com outros sistemas de cadastro e registro de imóveis
rurais. A IN nº 2/2020 também trouxe novas regras para a inclusão de informações no CAR,
como a inclusão de informações sobre a infraestrutura existente na propriedade ou posse rural,
como estradas, pontes e cercas. Além disso, a IN nº 2/2020 trouxe regras para a atualização do
CAR, que deve ser feita a cada 2 anos.

O Site JusBrasil informa que a fim de instigar o proprietário rural a se cadastrar no CAR, são
divulgados alguns benefícios. Assim, inscrito no CAR, este se favorece de vantagens e
benefícios como:

- O registro da Reserva Legal no CAR desobriga a averbação no Cartório de Registro de


Imóveis;
15

- Acesso ao Programa de Apoio e Incentivo à Conservação do Meio Ambiente e aos


Programas de Regularização Ambiental – PRA;

- Obtenção de crédito agrícola, em todas as suas modalidades, com taxas de juros menores,
bem como limites e prazos maiores que o praticado no mercado, em especial após 31 de
dezembro de 2017, quando o CAR se tornou pré-requisito para o acesso a crédito;

- Contratação do seguro agrícola em condições melhores que as praticadas no mercado;

- Geração de créditos tributários por meio da dedução das Áreas de Preservação


Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito da base de cálculo do Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rural – ITR;
- Linhas de financiamento para atender iniciativas de preservação voluntária de vegetação
nativa, proteção de espécies da flora nativa ameaçadas de extinção, manejo florestal e
agroflorestal sustentável realizados na propriedade ou posse rural, ou recuperação de áreas
degradadas;

- Isenção de impostos para os principais insumos e equipamentos, tais como: fio de arame,
postes de madeira tratada, bombas d’água, trado de perfuração do solo, dentre outros
utilizados para os processos de recuperação e manutenção das Áreas de Preservação
Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito;

- Suspensão de sanções e novas autuações em função de infrações administrativas por


supressão irregular de vegetação em áreas de preservação permanente, de Reserva Legal e
de uso restrito, cometidas até 22/07/2008, e suspensão da punibilidade dos crimes previstos
nos arts. 38, 39 e 48 da Lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605/1998) associados a essas
áreas;
- Condição para autorização da prática de aquicultura e infraestrutura a ela associada nos
imóveis rurais com até 15 (quinze) módulos rurais, localizados em áreas de preservação
permanente;

- Condição para autorização de supressão de floresta ou outras formas de vegetação nativa


no imóvel rural;

- Condição para aprovação da localização da Reserva Legal;


16

- Condição para cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo da Reserva


Legal do imóvel;

- Condição para autorização da exploração econômica da Reserva Legal mediante manejo


sustentável;

- Condição para constituição de servidão ambiental e Cota de Reserva Ambiental, e acesso


aos mecanismos de compensação da Reserva Legal;
- Condição para autorização de intervenção e supressão de vegetação em Áreas de
Preservação Permanente e de Reserva Legal para atividades de baixo impacto ambiental;

- Condição para autorização da continuidade das atividades agrossilvipastoris, de


ecoturismo e de turismo rural em áreas rurais consolidadas até em 22 de julho de 2008
localizadas em Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal.

3.4 Ferramentas relacionadas ao CAR

A) Programa de Regularização Ambiental (PRA)

O Programa de Regularização Ambiental (PRA) é uma iniciativa prevista pela Lei Federal nº
12.651/2012, que instituiu o novo Código Florestal Brasileiro. O objetivo do PRA é
regularizar as propriedades rurais que possuem passivos ambientais, ou seja, que não
cumprem com as exigências ambientais previstas em lei.
O PRA tem como principal finalidade garantir a preservação e a recuperação dos recursos
naturais, como a vegetação nativa, as áreas de preservação permanente (APPs) e as reservas
legais, além de promover a regularização ambiental das propriedades rurais.
O programa permite que os proprietários rurais possam regularizar sua situação
ambiental por meio de um conjunto de medidas, como a recuperação de áreas degradadas, a
recomposição de áreas desmatadas e a compensação de áreas em outras regiões, por exemplo.
Em contrapartida, o proprietário rural obtém a regularização de sua propriedade, evitando
sanções e punições previstas em lei, e pode ainda acessar benefícios e incentivos ambientais
previstos em programas governamentais.

B) Licenciamento Ambiental
17

O licenciamento ambiental é um processo administrativo pelo qual é verificado e


autorizado o empreendimento ou atividade que possa causar impacto ambiental significativo.
O objetivo do licenciamento ambiental é garantir que esses empreendimentos ou atividades
sejam desenvolvidos de forma sustentável e sem causar danos ao meio ambiente.

O licenciamento ambiental é regulamentado pela Lei nº 6.938/1981, que instituiu a


Política Nacional do Meio Ambiente, e pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA). O processo de licenciamento ambiental é conduzido pelo órgão
ambiental competente, que pode ser federal, estadual ou municipal, dependendo do porte e do
potencial poluidor do empreendimento ou atividade.

O processo de licenciamento ambiental inclui a elaboração de estudos ambientais,


como o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a realização de audiências públicas e a
análise técnica do órgão ambiental competente. O licenciamento ambiental é obrigatório para
uma ampla variedade de atividades, desde pequenos empreendimentos até grandes projetos de
infraestrutura, como hidrelétricas, rodovias e aeroportos.

C) A Regularização Fundiária

A regularização fundiária é o processo pelo qual as propriedades rurais são legalizadas


perante o Estado, por meio da regularização dos títulos de propriedade e da regularização das
áreas ocupadas. Esse processo é importante para garantir a segurança jurídica dos
proprietários e para evitar conflitos fundiários. A regularização fundiária envolve a
identificação e a delimitação das propriedades rurais, a verificação da origem e da validade
dos títulos de propriedade, a regularização das áreas de ocupação e a concessão de títulos
definitivos aos proprietários.

D) A Cota de Reserva Natural

A Cota de Reserva Ambiental (CRA) é um instrumento criado pelo Código Florestal


Brasileiro (Lei nº 12.651/2012) com o objetivo de incentivar a preservação e a recuperação de
áreas de vegetação nativa em propriedades rurais. A CRA funciona como um título que
representa uma área de reserva ambiental que pode ser comercializada entre proprietários
rurais, permitindo que um proprietário que possui excedente de vegetação nativa possa vender
18

essa área para outro proprietário que precisa compensar um déficit de vegetação nativa em sua
propriedade.
Dessa forma, a CRA permite que os proprietários rurais cumpram a obrigação legal de manter
a reserva legal em suas propriedades. A reserva legal é uma área de vegetação nativa que deve
ser mantida em cada propriedade rural, de acordo com a legislação ambiental brasileira. Essa
área varia de acordo com a região e o bioma onde a propriedade está localizada, podendo ser
de 20% a 80% da propriedade.
Quando um proprietário rural possui mais vegetação nativa do que o exigido pela legislação,
ele pode transformar o excedente em CRA e vendê-lo para outros proprietários que precisam
compensar um déficit de vegetação nativa em suas propriedades. Por exemplo, um
proprietário que possui uma propriedade com reserva legal de 30%, mas que mantém 50% de
vegetação nativa na propriedade, pode transformar os 20% excedentes em CRA e vendê-los
para outro proprietário que tenha uma propriedade com reserva legal de 20% e que tenha
apenas 10% de vegetação nativa na propriedade.
A compra de CRA é uma alternativa mais econômica para os proprietários rurais do que a
recuperação de áreas degradadas, que muitas vezes são onerosas e demoradas. Além disso, a
CRA permite que os proprietários rurais obtenham recursos financeiros com a venda de áreas
de vegetação nativa excedentes, estimulando a preservação e a recuperação de áreas
degradadas em propriedades rurais.

3.5 Relação entre CAR e as ferramentas

Além da relação direta entre CAR e PRA, há também a complementaridade: o CAR é


a primeira etapa para a adesão ao PRA, já que é por meio do cadastro que se identificam os
passivos ambientais e se inicia o processo de regularização. Dessa forma, o CAR é pré-
requisito para a adesão ao PRA. Além disso, as informações do CAR são fundamentais para a
elaboração do Plano de Recuperação Ambiental (PRA), que é o documento que define as
ações a serem tomadas para a regularização ambiental do imóvel rural.

No que diz respeito ao licenciamento ambiental, embora sejam instrumentos distintos, eles se
relacionam de forma importante. O CAR pode ser utilizado como uma ferramenta para
auxiliar o processo de licenciamento ambiental, pois fornece informações sobre as
características ambientais das propriedades rurais. Além disso, a existência do CAR é uma das
19

exigências para a concessão do licenciamento ambiental de atividades rurais, conforme


previsto na Resolução CONAMA. Ou seja, para realizar atividades rurais que exijam
licenciamento ambiental, é necessário que o proprietário esteja em dia com as obrigações
ambientais e tenha realizado o CAR.

Já em relação a regularização fundiária, embora sejam instrumentos distintos, eles são


complementares e correlacionam de forma importante. O CAR é um dos requisitos para a
regularização fundiária, pois as informações registradas no CAR são utilizadas para a
identificação e a delimitação das propriedades rurais. Além disso, a regularização fundiária
pode ser uma oportunidade para que os proprietários regularizem também suas obrigações
ambientais, como a recuperação de áreas degradadas e a conservação das áreas de preservação
permanente e de reserva legal.

A relação entre a CRA e o CAR se dá pelo fato de que as áreas utilizadas para a compensação
de reserva legal por meio da CRA devem estar devidamente cadastradas no CAR. Além disso,
a CRA é emitida com base em critérios estabelecidos no CAR, como a localização da
propriedade, a quantidade de reserva legal a ser compensada e a disponibilidade de cotas de
reserva ambiental na região.

3.6 Abrangência do CAR no que diz respeito a áreas de proteção

A Nova Lei Florestal determina as normas para proteção da vegetação, precisando as


áreas que deverão ser vegetadas e o mínimo de porcentagem mínima de vegetação definido
para cada propriedade. Ele também especifica outros requisitos relacionados ao uso da terra.
A seguir será abordado especificamente áreas de proteção permanente, áreas de uso restrito,
reserva legal, reserva natural, terras indígenas e quilombolas e florestas públicas não
definidas. As definições dos termos utilizados estão de acordo com o art. Artigo 3º do Novo
Código Florestal.

I) Áreas de Preservação Permanente


20

Áreas de Preservação Permanente (APP) são áreas protegidas pela legislação brasileira
que possuem a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a
biodiversidade, o solo e garantir a qualidade de vida das comunidades humanas.

As APPs são definidas como áreas naturais ou antropizadas que possuem


características especiais e que, por isso, precisam ser preservadas e protegidas. São exemplos
de APPs as margens de rios, lagos, nascentes, topos de morros, encostas, manguezais,
restingas, entre outros.

Elas são fundamentais para a conservação do meio ambiente e para garantir a qualidade de
vida das comunidades humanas, uma vez que funcionam protegendo os recursos hídricos,
pois as APPs localizadas em margens de rios, lagos, nascentes e represas ajudam a proteger os
corpos d'água e a manter a qualidade da água, atuam na conservação da biodiversidade: elas
são habitat natural de diversas espécies de animais e plantas, contribuindo para a manutenção
da biodiversidade e a preservação da fauna e da flora, o que acaba contribuindo para a
proteção do solo da erosão e da degradação, contribuindo para a manutenção da fertilidade e
da capacidade produtiva do solo. Esse conjunto colabora para a regulação do clima,
contribuindo para a redução da temperatura e para a manutenção do equilíbrio climático,
prevenindo assim desastres naturais uma vez que quando preservadas, contribuem para a
prevenção de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra e secas, reduzindo os
riscos e os impactos desses eventos determinando na melhoria da qualidade de vida das
comunidades humanas, oferecendo espaços de lazer, turismo e recreação, além de contribuir
para o bem-estar físico e psicológico das pessoas.

II) Áreas de Reserva Natural

As áreas de reserva natural são uma das categorias de unidades de conservação


definidas pela lei, sendo criadas com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais e seus
processos ecológicos essenciais. Essas áreas têm como característica principal a inexistência
de interferência humana significativa, podendo ser utilizadas apenas para atividades de
pesquisa científica e educação ambiental.

São áreas protegidas que possuem a função ambiental de preservar ecossistemas naturais,
garantir a biodiversidade e oferecer oportunidades para estudos e pesquisas científicas. Assim
21

como as APPs, as ARN contribuem para a Conservação da biodiversidade mantendo habitats


naturais de diversas espécies de animais e plantas, proteção dos recursos hídricos mantendo a
qualidade da água e dos corpos d'água, e Preservação de ecossistemas naturais garantindo a
sua integridade ecológica. Ademais, oferecem contribuição para a pesquisa científica:
facilitam oportunidades para estudos e pesquisas científicas, possibilitando a descoberta de
novas espécies, bem como o desenvolvimento de tecnologias e práticas sustentáveis.

No Brasil, as áreas de reserva natural são protegidas pela Lei nº 9.985/2000, que
instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Essa lei
estabelece as normas para a criação e gestão das unidades de conservação no país, incluindo
as áreas de reserva natural.
De acordo com o SNUC, as áreas de reserva natural são de uso restrito e são criadas
por meio de decreto do Poder Executivo. Essas áreas são consideradas zonas nucleares de
proteção ambiental, e por isso, o acesso é controlado e regulamentado.
Além da Lei do SNUC, outras leis e normas também podem regulamentar as áreas de
reserva natural no Brasil. Por exemplo, a Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006)
estabelece as normas para a conservação e proteção da Mata Atlântica, um dos biomas
brasileiros mais ameaçados.
No entanto, as áreas de reserva natural também enfrentam desafios, como a pressão
humana exercida principalmente em regiões onde a população é alta e a atividade econômica
é intensa, conflitos fundiários pois as áreas de reserva natural estão localizadas em terras
particulares ou de propriedade do governo, o que pode gerar conflitos fundiários e dificultar a
implementação de políticas de preservação e falta de recursos já que muitas vezes não
possuem recursos financeiros e humanos suficientes para a sua gestão e manutenção
adequadas.

III) Reserva Legal

Reserva legal é uma área de vegetação nativa localizada no interior de uma propriedade rural,
com a finalidade de assegurar a conservação e a preservação da vegetação nativa, da fauna
silvestre, dos recursos hídricos e da biodiversidade. A reserva legal é uma obrigação legal
imposta pelo Código Florestal brasileiro e sua extensão varia de acordo com a região e a
situação da propriedade rural.
22

De acordo com o Código Florestal Brasileiro, toda propriedade rural deve manter uma área de
Reserva Legal, que varia de acordo com a região e o bioma onde a propriedade está
localizada. No caso de propriedades localizadas na Amazônia Legal, a Reserva Legal deve
corresponder a 80% da área total da propriedade. Para as propriedades rurais localizadas nos
demais biomas do país, a Reserva Legal pode variar entre 20% a 35% da área total,
dependendo da região e do tipo de atividade desenvolvida na propriedade.
Terras Indígenas

IV) Terras Indígenas

São propriedades da união destinados aos povos indígenas do Brasil, que são reconhecidas e
demarcadas pelo Estado brasileiro com base em critérios estabelecidos na Constituição
Federal de 1988 e na legislação infraconstitucional.
O objetivo principal das terras indígenas é garantir aos povos indígenas o direito à terra, que é
fundamental para a sua subsistência física e cultural, e para a manutenção de sua identidade e
modos de vida (CALGARO et al, 2019).
As terras indígenas são áreas demarcadas e protegidas por lei para a preservação do modo de
vida, cultura, tradições e línguas dos povos indígenas que historicamente ocupam esses
espaços. São territórios fundamentais para a garantia dos direitos dos povos indígenas, bem
como para a preservação da biodiversidade, das florestas, dos rios, das águas e do clima,
tendo em vista que muitas dessas áreas ainda mantêm-se preservadas e intactas (CALGARO
et al, 2019).
A proteção das terras indígenas é essencial para a manutenção da diversidade cultural e
biológica no planeta. Além disso, essas áreas desempenham um papel fundamental na luta
contra o desmatamento e a degradação ambiental, na proteção das nascentes de rios, no
controle das mudanças climáticas, no desenvolvimento de práticas agroecológicas e
sustentáveis e na promoção da biodiversidade (CALGARO et al, 2019).
Conforme Prist et al (2023), na revista científica Communications Earth &
Environment, efeito causado pelo ato de proteger as terras indígenas do desmatamento
na Amazônia brasileira é a economia até US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,1 bilhões) por ano em
gastos com saúde e a prevenção de doenças respiratórias.

A falta de proteção das terras indígenas pode levar à expulsão dos povos indígenas de suas
terras, à destruição de seus modos de vida e à perda de suas culturas e tradições. Também
23

pode resultar em conflitos e violência, além de contribuir significativamente para o


aquecimento global e a degradação ambiental (SILVA, 2018).

V) Quilombolas

Os quilombolas são descendentes de africanos escravizados que, após a abolição da


escravatura no Brasil, fundaram comunidades autônomas em áreas rurais, conhecidas como
quilombos. Essas comunidades foram formadas a partir da resistência e da luta dos
escravizados contra a opressão e a exploração a que eram submetidos (LEITE, 2017)

Atualmente, os quilombolas são reconhecidos como um grupo étnico e culturalmente


diferenciado no Brasil, e têm direito à terra e à preservação de suas tradições culturais e
religiosas, conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e pela Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho.
Assim como as terras indígenas, as terras quilombolas são reconhecidas e demarcadas pelo
Estado brasileiro, com o objetivo de garantir a proteção dos direitos dos quilombolas à terra e
à sua cultura, bem como para evitar a expulsão das comunidades por outros proprietários de
terras ou empresas.

Demarcação de terras quilombolas segue um processo semelhante ao das terras indígenas, que
envolve a participação das comunidades quilombolas afetadas, estudos técnicos e científicos,
e a análise de diversos órgãos governamentais. Quando uma terra quilombola é demarcada,
ela é registrada. Os territórios quilombolas são titulados em nome da associação comunitária.

VI) Florestas Públicas Não Destinadas

Florestas públicas não destinadas (FPND) são áreas florestais que pertencem ao Estado, mas
que ainda não têm uma finalidade específica determinada, como a criação de unidades de
conservação, uso sustentável ou proteção de recursos hídricos. São áreas com potencial para
diversas finalidades, mas que ainda não foram designadas para um uso específico.
24

Essas florestas públicas não destinadas são geralmente gerenciadas por órgãos
governamentais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) ou o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que são responsáveis por
estabelecer as diretrizes para a gestão e uso dessas áreas.
Entre as possíveis finalidades para as florestas públicas não destinadas estão a criação de
novas unidades de conservação, como parques nacionais e áreas de proteção ambiental, a
implementação de projetos de manejo florestal sustentável para uso de madeira e outros
recursos, a exploração de atividades turísticas e recreativas, a proteção de mananciais e
nascentes de rios, entre outras possibilidades.
O importante é que a gestão dessas florestas públicas não destinadas seja realizada de forma
planejada e sustentável, garantindo a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos
naturais e a promoção do desenvolvimento socioeconômico da região em que estão
localizadas.
As florestas públicas não destinadas muitas vezes são vistas como áreas disponíveis para a
apropriação ilegal, o que pode levar à degradação ambiental, conflitos fundiários,
desmatamento, perda de biodiversidade e prejuízos para as comunidades que dependem
dessas áreas para subsistência.
Para combater a grilagem de terras em florestas públicas não destinadas, é necessário um
esforço conjunto dos governos, sociedade civil e setor privado para fortalecer a fiscalização e
aplicação das leis, além de implementar políticas que incentivem o uso sustentável e legal da
terra. Isso pode incluir a regularização fundiária, o zoneamento ecológico-econômico, o
incentivo à conservação e manejo sustentável das florestas, além da educação e
conscientização das comunidades locais sobre a importância da proteção das florestas
públicas não destinadas.

3.7 A problemática do CAR

O CAR é autodeclaratório, ou seja, os próprios proprietários ou posseiros (no caso de imóveis


particulares) registram em uma plataforma virtual todos os dados ambientais de seus imóveis:
desde as Áreas de Preservação Permanente (APP) até áreas de Reserva Legal, florestas ou
áreas remanescentes de vegetação nativa. Esse cadastro permite ao governo fiscalizar o
desmatamento nos imóveis e visualizar o nível de adequação ambiental, por exemplo, se o
imóvel mantém o percentual legal de APPs ou Reserva Legal. Cabe aos governos estaduais,
após os proprietários cadastrarem os dados, verificá-los.
25

Embora o CAR seja uma importante iniciativa para o controle e a proteção ambiental, existem
algumas falhas legislativas que podem comprometer a eficácia da ferramenta.

O Prazo para adesão é uma delas: embora a lei preveja um prazo para a adesão ao
CAR, muitos proprietários rurais não conseguiram cumprir essa exigência, seja por falta de
informação ou por dificuldades técnicas. Isso pode levar à exclusão de muitas propriedades
rurais do sistema de monitoramento ambiental.

O registro de imóveis rurais sofre com a falta de um sistema de registro unificado de imóveis
rurais pode dificultar a identificação das propriedades que ainda não aderiram ao CAR e a
fiscalização das que estão em desacordo com a legislação ambiental.

A falta de incentivos aos produtores rurais tem seu impacto pois muitos proprietários rurais
não veem vantagem em aderir ao CAR, pois em muitos casos os mesmos não têm informação
suficiente e acabam deduzindo que não há incentivos suficientes para isso. Além disso, a falta
de apoio técnico e financeiro para a regularização ambiental pode ser um obstáculo para a
adesão.

As Sanções inadequadas também acabam por prejudicar o processo já que as sanções


previstas na legislação para os proprietários rurais que descumprem as normas ambientais são
consideradas brandas e pouco efetivas para coibir a degradação ambiental. Isso pode levar à
impunidade e ao desrespeito à legislação.

A checagem fundiária do CAR é defasada. O que faz com que haja incompatibilidade do
CAR em relação aos tópicos apresentados anteriormente: as APP, reservas naturais, reservas
legais, FPND, terras indígenas e quilombolas.
Existe uma incompatibilidade entre o CAR e a área de reserva legal, pois a legislação
ambiental prevê que a ARL é uma área de preservação permanente (APP) e, portanto, não
pode ser objeto de uso econômico direto, exceto nos casos previstos em lei.
Isso pode gerar conflitos com o CAR, uma vez que o cadastro permite que o proprietário rural
declare a ARL como uma área de uso restrito, o que pode ser interpretado como uma
autorização para uso econômico. Além disso, a legislação ambiental estabelece que a reserva
legal deve ser averbada na matrícula do imóvel, o que pode não ser garantido pelo CAR.
26

Uma das principais irregularidades é a falta de consulta prévia aos povos indígenas sobre a
inscrição da terra no CAR. A consulta prévia é um direito garantido pela Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Constituição Federal brasileira, e deve
ser realizada antes de qualquer atividade ou projeto que afete diretamente os povos indígenas.

A relação entre as florestas públicas não destinadas e o CAR pode ter aspectos negativos
quando a falta de planejamento e gestão dessas áreas resulta em conflitos com o
cadastramento de imóveis rurais. Esses conflitos podem ocorrer quando imóveis rurais são
cadastrados em áreas de florestas públicas não destinadas, que podem ter sido utilizadas como
áreas de reserva legal ou áreas de preservação permanente.

Além disso, a falta de destinação específica das florestas públicas não destinadas pode resultar
em atividades ilegais, como a exploração de madeira e a ocupação desordenada, o que pode
levar à degradação ambiental e comprometer a conservação dessas áreas.

No que diz respeito as terras indígenas, há alguns pontos a serem observados. A começar por
a falta de informação e orientação sobre o CAR aos povos indígenas. Muitos deles não têm
conhecimento sobre o cadastro, seus objetivos e impactos, o que pode gerar dúvidas e
resistência à inscrição.
Além disso, a inscrição no CAR pode gerar conflitos com a demarcação e titulação das terras
indígenas, que são processos complexos e que podem levar anos para serem concluídos. A
inscrição no CAR pode ser interpretada como uma medida que antecipa a regularização
fundiária, o que pode prejudicar os processos de demarcação e titulação em curso.

A sobreposição de terras indígenas ocorre quando a terra tradicionalmente ocupada por um ou


mais grupos indígenas é também reivindicada por outros interesses, como empresas, governos
ou outros grupos sociais. Isso pode levar a conflitos territoriais entre os diferentes grupos que
reivindicam o mesmo espaço geográfico.
No Brasil, a sobreposição de terras indígenas é um problema recorrente e complexo. Muitas
vezes, as terras indígenas foram oficialmente reconhecidas pelo governo, mas não foram
completamente demarcadas ou regularizadas, o que as torna vulneráveis à invasão e
exploração ilegal por outros grupos. Além disso, a falta de políticas públicas efetivas para
proteger e garantir o acesso aos recursos naturais para os povos indígenas pode intensificar os
conflitos em torno da terra.
27

O Brasil é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que


estabelece padrões mínimos de proteção aos direitos dos povos indígenas. No entanto, na
prática, muitos grupos indígenas enfrentam dificuldades para garantir seus direitos territoriais
e enfrentam ameaças à sua sobrevivência física e cultural.

Existem algumas irregularidades na inscrição do CAR em terras quilombolas (tituladas e não


tituladas) que podem gerar conflitos e problemas ambientais.
Uma das principais irregularidades é a falta de consulta prévia e informação adequada às
comunidades quilombolas sobre a inscrição no CAR. Assim como os povos indígenas, as
comunidades quilombolas têm o direito à consulta prévia e participação nas decisões que
afetam suas terras e recursos naturais, de acordo com a Convenção 169 da OIT e a
Constituição Federal brasileira.
Outra irregularidade é a falta de reconhecimento das especificidades das comunidades
quilombolas na inscrição no CAR. As comunidades quilombolas têm uma relação
diferenciada com a terra e com os recursos naturais, que deve ser considerada na elaboração
das políticas e programas ambientais.

Além disso, a inscrição no CAR pode gerar conflitos com a regularização fundiária das terras
quilombolas, que são processos complexos e que podem levar anos para serem concluídos.

4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 ÁREA DE ESTUDO

O levantamento dos dados CAR será analisado será os estados de brasileiros como um
todo.
Foram agrupados os registros de acordo com a natureza das instituições requerentes,
separados em instituição pública, privada e parceria público-privada.
Os dados apresentados neste trabalho foram coletados e atualizados até o dia 30 de Dezembro
de 2022

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
28

Para a coleta de dados foi utilizada a plataforma SiCar


([Link] assim como de
([Link] Anexo C,
([Link]
Anexo A, ([Link] Anexo B e o Climate
Policy Iniciative. O download de dados foi realizado a partir da Plataforma Climate Policy
Iniciative, uma plataforma onde é possível se explorar diferentes fontes de dados como:
Inscrição no CAR, Análise por equipe de CAR, Análise dinamizada de CAR,
Regulamentação do PRA, Sistema operacional CAR/PRA, PRA implementado e Execução e
monitoramento dos projetos de regularização de APP e Reserva Legal, Proporção de análise
iniciada e concluída do CAR e cancelamento de CAR sobrepostos à Terras Indígenas,
Unidades de Conservação de domínio público e outras áreas consideradas impeditivas

5.1 Análise dos dados inscrição no CAR nos anos 2021 e 2022

Além de São Paulo, Minas Gerais foi o único estado que alcançou uma nova etapa na
implementação da lei, com a adoção do PRA autodeclaratório no estado, quando comparado
com o ano anterior como mostra a figura 1 que diz respeito ao Status de implementação do
29

CAR e PRA pelos Estados nos anos de 2022 (em cima) e 2021 (em baixo)

Figura 1. Status da Implementação do CAR e do PRA pelos Estados, 2021-2022


30

Quanto ao número de inscrições no CAR, essa etapa está bastante avançada e


consolidada em todos os estados. Comparando os anos 2021 e 2022 observa-se que houve um
aumento constante na base cadastral no país como um todo no resultado da inscrição de
pequenos agricultores e de povos e comunidades tradicionais (PCT). No ano de 2021, nos
estados do Acre, Amazonas, Minas Gerais, Pará, Paraíba, São Paulo e Rondônia, a inscrição
de agricultores familiares foi feita através de mutirões com apoio de secretarias estaduais de
desenvolvimento rural e agricultura familiar, de agências de cooperação técnica e financeira
nacionais e internacionais, de técnicos vinculados aos programas e empresas estaduais de
Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER/EMATER) além de sindicatos de produtores e
trabalhadores rurais. Já no ano de 2022, Bahia e Minas Gerais foram os estados com o maior
número de cadastros do país possuindo cerca de um milhão de cadastros, sendo que os outros
estados tiveram um aumento menos expressivo.
A figura 2 mostra o número de imóveis inscritos no CAR e o percentual dos imóveis
cadastrados com relação ao número de imóveis rurais levantados no último Censo
Agropecuário, Florestal e Aquícola, de 2017.
31
32

5.2 ANÁLISE DA PROPORÇÃO DA ANÁLISE INICIADA E CONCLUIDA DO


CAR, 2022
No tocante as parcelas de CARs com a análise iniciada quando comparada a soma de
cadastros no estado, apenas quatro estados conseguiram sobressair: Espírito Santo, São Paulo,
Mato Grosso e Pará. O restante enfrenta vastas adversidades para avançar com a análise,
como é mostrado na Figura 3. Levando em conta o país, 12% é o total de cadastros que
passaram pela análise, seja por equipe ou dinamizada.
Mesmo com a eventual progressão, a conclusão da análise com a homologação dos
dados declarados no CAR e a análise da regularidade ambiental do imóvel, dispõe de
adversidades tanto quanto o início das análises. Poucos estados tiveram progressos na
conclusão das análises por equipe em 2022. A analise dinamizada não possui dados para
análise.
Com relação à porção de CARs com análise concluída comparativamente ao total de
cadastros, a situação é considerada grave. De todos os estados, único estado que conseguiu
avanços significativo foi o Espírito Santo, concluindo 70% das análises dos cadastros. Apenas
2% dos cadastros do país concluíram suas analises por equipe ou dinamizada, como é
mostrado na figura 3.
O ano de 2021 não houve dados significativos para que pudesse fazer uma
comparação entre os dois anos.
33

Figura 3. Proporção de Análise Iniciada e Concluída do CAR, 2022


34

5.3 Análise dos cancelamentos de CAR sobrepostos a terras indígenas, unidades de


conservação de domínio público e outras áreas consideradas impeditivas nos anos de
2021 e 2022.

Em 2021, foi notado o aumentou de 56% nos dois anos anteriores de registro de novas
áreas, em sobreposição a terras indígenas, UC e outras áreas consideradas impeditivas de
acordo com um levantamento do Instituto SocioAmbiental (ISA). Este mesmo instituto
naquele ano havia cerca de 30 milhões de hectares registrados na base do CAR sobrepondo
áreas protegidas. Dados retirados da plataforma SICAR, levantados pelo SFB confirmavam,
visto que ao menos 6.775 cadastros sobrepunham Terras Indígenas homologadas.
O estado do Maranhão mostrou proatividade ao avançou editar o Decreto estadual no
36.889/2021 que estabelecia a nulidade das inscrições no CAR de imóveis rurais que
sobrepusessem por completo a Terras Indígenas, áreas de comunidades quilombolas e UC’s
que fossem de posse e domínio públicos. Tal decreto, promulgava a retificação de cadastros
parcialmente sobrepostos as áreas já mencionadas sob pena de nulidade. Sendo de
regulamentação própria ou não, apenas quatro estados promoveram o cancelamento de CAR
sobrepostos: o Acre, Mato Grosso, Rondônia e Pará.
Em 2022, cancelamento de CARs sobrepostos às TI’s, UC’s de domínio público e
outras áreas públicas não cadastráveis permanece precário e precisa impreterivelmente
avançar em todos os estados. Pará é o estado que mais avançou, Acre, Mato Grosso e
Rondônia também já promoveram o cancelamento de CARs sobrepostos a TIs. O primeiro
executou ações de cancelamento e suspensão de cadastros irregulares e também acabou
disponibilizando os dados publicamente, como é possível observar na plataforma Regulariza
Pará, como é possível ver no anexo C.

5.4Fraude no CAR e suas consequências

A fraude utilizando o CAR está relacionada ao aumento de desmatamento e grilagem


de terras, ocorrer de diferentes maneiras. Uma delas é a apresentação de informações falsas ou
imprecisas sobre as características ambientais das propriedades, como a área desmatada. Isso
permite que os proprietários rurais evitem a fiscalização e obtenham licenças e autorizações
indevidas para atividades que seriam restritas em áreas desmatadas ilegalmente.
35

A relação entre fraudes no CAR e o aumento de desmatamento está associada à


impunidade e à dificuldade de controle e monitoramento das informações prestadas. Quando
os dados fornecidos são fraudados, o governo e os órgãos responsáveis pela fiscalização e
combate ao desmatamento não têm informações precisas sobre as áreas que precisam ser
protegidas. Isso pode facilitar a ação de madeireiros ilegais, grileiros e outros agentes
envolvidos em atividades ilegais de desmatamento.

Ao fraudar as informações no CAR, os invasores podem obter documentos que


aparentam legalidade, como certidões de imóveis rurais, e assim consolidar a posse irregular
das terras desmatadas.

Devido a tais ações, houve aumento de 25% de casos de violência no campo.

Essas práticas contribuem para o aumento do desmatamento e da degradação


ambiental, além de promover conflitos agrários além de impactar negativamente comunidades
tradicionais, povos indígenas que dependem dessas terras para sua subsistência.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde sua implementação em 2015, o CAR houve avanços consideráveis na


implementação do CAR em que foram implementadas melhorias e simplificações nos
procedimentos de cadastro, bem como iniciativas de capacitação e suporte técnico para os
proprietários tendo como resultado um progresso significativo nos últimos anos: ficou mais
consolidado como uma ferramenta de gestão ambiental, com uma base de dados mais
completa e atualizada. Isso permite um melhor controle e monitoramento das áreas rurais,
contribuindo para a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável.

Porem indivíduos mal-intencionados decidiram tirar vantagem utilizando o CAR de


maneira inadequada para legalizar áreas desmatadas ilegalmente ou obter títulos de
propriedade sobre terras públicas. Juntamente com a falta de fiscalização adequada, a pressão
por expansão agrícola, a especulação imobiliária e a fragilidade das políticas públicas voltadas
para a proteção ambiental e a regularização fundiária foi observado um aumento no
desmatamento
36

Pode-se observar que o CAR pode retratar diferentes representações do meio


ambiente, e que a sobreposição de registros pode indicar diferentes formas de organização das
relações espaciais e tipos de ocupação do território e da natureza. Conclui-se que os registros
pendentes que afetam as terras indígenas mostram a presença de dois grupos de interesse no
mesmo território, potencialmente ameaçando o modo de vida dos mais vulneráveis. Na
prática, mesmo que esses registros sejam retirados do sistema cadastral, o monitoramento e
fiscalizações locais devem ser direcionados para verificar se existem conflitos ambientais
entre os grupos residentes na área. Além disso, é importante realizar pesquisas que
incorporem outros métodos de pesquisa, especialmente a coleta de dados primários com
atores sociais relevantes, o que permite uma análise mais profunda da realidade.
Remover registros irregulares e facilitar soluções rápidas e eficientes para evitar novos
registros são questões fundiárias, sociais e ambientais que precisam ser tratadas com
prioridade e urgência. O combate às fraudes no CAR e o fortalecimento dos mecanismos de
fiscalização e monitoramento são fundamentais para reduzir o desmatamento ilegal e a
grilagem de terras, protegendo o meio ambiente e os direitos das populações afetadas.
No que concerne aos dados observados, o estado do Pará se mostrou o mais
preocupado e avançado quando se fala de dedicação a proteção de TI’s, UC’s e Quilombolas,
e podendo ser citado como exemplo e estimulo aos outros estados para o combate ao
genocídio de culturas e o desmatamento em massa que coloca em risco áreas como a
Amazonia e o Cerrado.

A eficácia do CAR depende de uma série de fatores, como o comprometimento e a


fiscalização adequada dos órgãos ambientais e a cooperação dos proprietários rurais. Para
combater o desmatamento e a grilagem, é fundamental fortalecer a governança ambiental,
promover ações de fiscalização mais efetivas, implementar políticas de incentivo à
conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais, além de investir em educação
ambiental e conscientização sobre a importância da preservação dos ecossistemas.
37

REFERENCIAS

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a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19
de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nºs 4.771, de 15
de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória nº 2.166-67, de
24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em:
38

<[Link] Acesso em: 13


jul. 2022.
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art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII, da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Disponível em:
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caráter geral aos Programas de Regularização Ambiental, de que trata a Lei nº 12.651, de 25
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Anexo A
44

Anexo B
45

Anexo C
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47
48

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