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Apollo ? ?

Apolo é um dos principais deuses da mitologia grega, filho de Zeus e Leto, associado ao sol, artes e profecia, e cultuado principalmente em Delos e Delfos. Seu mito inclui a luta contra a serpente Píton e várias histórias de amor, como a trágica relação com Dafne e a paternidade de Asclépio. A origem de Apolo é incerta, com teorias sugerindo influências orientais e sua presença na literatura grega remonta a Homero.

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Apollo ? ?

Apolo é um dos principais deuses da mitologia grega, filho de Zeus e Leto, associado ao sol, artes e profecia, e cultuado principalmente em Delos e Delfos. Seu mito inclui a luta contra a serpente Píton e várias histórias de amor, como a trágica relação com Dafne e a paternidade de Asclépio. A origem de Apolo é incerta, com teorias sugerindo influências orientais e sua presença na literatura grega remonta a Homero.

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MITOLOGIA GREGA 1º DEUS

12 DEUSES DO OLIMPO

APOLLO
___

Senhor Apollo ☀ 🌾🏛

QUEM É APOLLO?
Apollo era um deus grego, filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis. Era uma das
divindades mais importantes da Grécia Antiga e esteve presente na religiosidade romana, onde
era conhecido como Febo.

Apollo era associado a vários atributos e funções, entre eles:

-​ Deus do Sol, da luz, da ordem e da justiça


-​ Deus das artes, da música, da poesia, da dança, da profecia, da cura e das doenças
-​ Deus do arco e flecha
-​ Iniciador dos jovens no mundo dos adultos
-​ Deus da beleza masculina, perfeição, harmonia, equilíbrio e razão
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Onde geralmente era cultuado?

Apollo era cultuado em toda a Grécia, mas principalmente nas ilhas de Delos e Delfos. Em
Delfos ficava o famoso santuário com o Oráculo.

Símbolos
Os símbolos principais do senhor Apollo são: Lira, Louros, corvos, arco e flecha

Origens
Era chamado pelos gregos de Apollon ou Apellon, pelos romanos de Apollo e pelos etruscos de
Apulu ou Aplu. A origem do nome Apolo é incerta, bem como a de seu mito. Apolo é um nome
que não tem paralelos claros em outras línguas indo-europeias, e é o único deus olímpico que
não figura nas cerca de mil tabuletas conhecidas escritas em Linear B, uma fonte de dados sobre
a Grécia na Idade do Bronze. Embora essa omissão possa ser apenas casual e achados
arqueológicos futuros possam trazer outras conclusões, em termos estatísticos permanece uma
evidência significativa, o que aponta para uma origem possivelmente oriental e uma chegada à
Grécia em período relativamente tardio. Graf sugere as seguintes hipóteses para sua origem: ele
pode ter sido uma divindade indo-europeia, presente mas não documentada na Idade do Bronze
grega, ou foi introduzido após a Idade das Trevas grega, ou proveio do Oriente Próximo,
possivelmente da Anatólia ou da região semita.

Para Plotino seu nome significava a negação da pluralidade: "não-muitos" (a-poli),


acrescentando que para os pitagóricos significava o Uno. Plutarco seguia nessa linha dizendo
que os pitagóricos associavam nomes divinos aos números, e que a Mônada era identificada com
Apolo. Platão também pensava de forma semelhante, ligando Apolo com "o simples", e "o
verdadeiro". Burkert sugeriu que deriva de "manter uma assembleia sagrada", o que Nagy
considerou plausível, baseado no que Hesíquio de Alexandria também referira, mas essa
etimologia foi rejeitada por Frisk, Chantraine e Dietrich, que consideram a origem do nome
simplesmente desconhecida. Bernal apresentou a hipótese de que derivou de Hórus, deus solar
egípcio, através de adaptações fonéticas intermédias na Fenícia. Heródoto dizia que Apolo e
Hórus eram o mesmo deus.
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Seu mito

As primeiras referências literárias a Apolo se encontram em Homero, na própria fundação da


literatura grega. E neste momento o deus já aparecia tão carregado de atributos que o poeta
considerava difícil escolher por onde começar seu elogio. Como fica evidente, apesar das
incertezas sobre a origem do mito e da ausência de documentação anterior, no século VIII a.C.
ele já estava consolidado. Apolo é citado na Odisseia, é o foco de um dos Hinos Homéricos, e é
um dos deuses protagonistas na Ilíada, e dessas fontes provêm as primeiras descrições de sua
história.

Na Ilíada Apolo se coloca contra os gregos, e luta pelos troianos. Ele surge para vingar o ultraje
a seu sacerdote Crises, cuja filha Criseida havia sido capturada por Agamemnon, e já aparece
mostrando algumas das facetas de seu caráter, a belicosidade e violência de que era capaz, e
seus atributos de causador e curador de doenças, semeando a peste entre os soldados gregos, e
derramando sobre eles seus raios de fogo como uma chuva de flechas certeiras. Para aplacá-lo,
não apenas Criseida foi devolvida a seu pai, mas os gregos tiveram de oferecer ao deus "uma
perfeita hecatombe de touros e cordeiros", além de cantos e danças. Satisfeito, suspendeu a
praga. Também Apolo foi o responsável pelo antagonismo entre Agamemnon e Aquiles,
protegeu os heróis troianos Pandaros, Páris e Eneias, e também Heitor enquanto pôde, frustrou
as investidas de Pátroclo, Diomedes e Aquiles, e foi quem conduziu a flecha de Páris que matou
Aquiles. Quando Glauco foi ferido por uma flecha de Teucros, orou para Apolo, que
imediatamente fechou a ferida e devolveu-lhe as forças. Macaon e Podalírio, dois filhos de
Esculápio, um dos filhos de Apolo, também estavam presentes na batalha. Foi quem curou as
feridas de Sarpedon, foi o instrumento de Zeus para evitar a profanação do corpo do guerreiro
quando este foi morto, e velou pelo corpo de Heitor. Na Ilíada, Apolo também aparece como o
deus da música, tocando sua lira para o deleite dos imortais, e como o guardião dos cavalos de
Eumelo, e do gado de Laomedonte.

No Hino a Apolo, Homero descreveu desde seu nascimento em Delos até sua apoteose em
Delfos. O hino abre mostrando Apolo já adulto, como o arqueiro sublime, entrando no palácio
dos deuses e inspirando o temor em todos. Leto, sua mãe, o recebe e conduz ao seu assento
entre os imortais, enquanto que seu pai Zeus lhe dá as boas-vindas, junto com os outros deuses.
Depois o poeta passa a descrever as circunstâncias de seu nascimento. Leto, uma ninfa filha do
titã Céos, foi amada por Zeus e engravidou de Apolo e Ártemis. Hera, esposa legítima de Zeus,
descobriu o romance e voltou sua ira para Leto, que se viu impelida em uma longa peregrinação
para encontrar um lugar onde pudesse dar à luz, sempre perseguida pela serpente Píton, posta
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em seu encalço. Parando na ilha de Ortígia, deu à luz Ártemis, mas só encontrou abrigo enfim
em uma ilha flutuante, Delos, pois Hera ordenara a Gaia, a terra, que não oferecesse nenhum
lugar de repouso para Leto. Ao pisar na ilha, Leto falou-lhe implorando que a recebesse, e
fazendo o grande juramento em nome do Estige, prometeu-lhe erguer um templo e consagrá-la
a seu filho, com o que a ilha aquiesceu à sua súplica. Entretanto, mesmo assistida pelas deusas
Dione, Reia, Icneia, Têmis e Anfitrite, por nove dias e nove noites Leto sofreu as dores do parto
sem que Apolo nascesse, uma vez que Hera havia impedido Ilícia, a deusa dos partos, de
socorrê-la. Mas as deusas finalmente enviaram Íris, a mensageira dos deuses, para que seduzisse
Ilícia com a oferta de um magnífico colar de ouro e âmbar de nove cúbitos de comprimento, e
assim, antes que Hera protestasse, carregada pela veloz Íris ela desceu do Olimpo para ajudar
Leto, e logo Apolo nasceu. O infante foi então banhado pelas deusas, envolto em faixas e ornado
com uma coroa de ouro. Antes que mamasse em sua mãe, Têmis deu-lhe de beber o néctar dos
deuses, e fê-lo comer a ambrosia divina, conferindo-lhe a imortalidade. Imediatamente
tornou-se adulto, soltou-se das faixas, bradou reivindicando a lira e o arco, e declarou-se o
porta-voz da vontade de Zeus. Sua luz refulgiu, e Delos floresceu em ouro.

Em seguida Homero o mostra de novo no Olimpo, tocando sua lira e presidindo o coro das
Musas, e logo o faz descer do céu e percorrer a Terra, procurando onde fundar seu culto.
Chegando junto à fonte Telfusa, viu que era um local sobremaneira aprazível para erguer um
templo e estabelecer um oráculo, mas a fonte advertiu-o que ali os homens ergueriam uma
cidade barulhenta e não lhe dariam a devida atenção, e sugeriu que ele fundasse seu oráculo nas
silenciosas encostas do monte Parnaso, o que ele fez, não sem antes matar o monstro Tífon,
filho partenogênico de Hera, que ali vivia devastando a região, e a serpente Píton, que
perseguira sua mãe. Em seguida procurou seus primeiros sacerdotes. Disfarçado de delfim,
capturou um navio cretense e levou seus marinheiros para o sítio que escolhera, impondo-lhes a
obediência, dando-lhes a direção do templo e do oráculo e prescrevendo os rituais que deviam
ser realizados. Por ter-se revelado a eles sob a forma de um delfim, disse que deveria ser
invocado sob o epíteto de Apolo Delfínio, e o oráculo se chamaria Oráculo de Delfos.

Em sua Teogonia, Hesíodo, mais ou menos contemporâneo de Homero, fez apenas uma breve
alusão a Apolo, mas outros autores depois deles deram versões alternativas para sua história.
Diversas localidades reivindicaram o privilégio de ser seu local de nascimento: Éfeso, Tegyra,
Zoster e Creta. Os egípcios e Cícero diziam que ele era filho de Ísis e Dionísio, e foi identificado
também com os deuses solares Febo e Hélios, o egípcio Hórus, o Aplu etrusco e o Mitra oriental.
Dizia-se que ele nascera em um dia sete, ou que nascera de sete meses, e por isso o número sete
lhe era sagrado. Os dias sete de todos os meses lhe eram dedicados com sacrifícios, e seus
festivais caíam geralmente num dia sete. Era membro do concílio dos deuses principais no
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Olimpo, tinha o sol como sua carruagem e como regente das Musas residia também no monte
Parnaso, em cuja base estava seu principal oráculo. Os animais a ele associados eram a
serpente, o lobo, o delfim e o corvo, alguns autores acrescentam o cisne, o abutre e o grifo, e era
amiúde representado com o arco e flechas, ou com a lira. Sua planta sagrada era o loureiro, com
cujas folhas eram confeccionadas as coroas dos vencedores dos Jogos atléticos.

Amantes e descendência

Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, mas
geralmente não foi correspondido, ou quando foi, alguma tragédia interrompeu o romance. Aqui
são citados apenas alguns, lembrando que de acordo com as várias fontes podem ser
encontradas versões divergentes de cada história. Ovídio disse nas Metamorfoses que o primeiro
amor de Apolo foi Dafne, uma ninfa, mas o amor acabou frustrado por Eros, que lançando sua
flecha de chumbo contra a ninfa, fê-la rejeitar o deus, enquanto que dirigindo sua flecha de ouro
para Apolo, provocou-lhe intensa paixão. Teve motivos para isso, pois Apolo havia desdenhado
da habilidade do deus do amor com o arco e gabado suas próprias vitórias. Depois de ser
incansavelmente perseguida por Apolo, Dafne suplicou para seu pai para que fosse
transformada em um loureiro. Apolo declarou então que o loureiro seria sua árvore sagrada. Os
vencedores dos Jogos recebiam uma coroa de folhas de loureiro. Ciparisso era especialmente
afeiçoado a um cervo domesticado. Acidentalmente matou-o com seu dardo, e, inconsolável,
pediu para Apolo, que o amava, para pranteá-lo para sempre. Apolo atendeu ao seu pedido
transformando-o em cipreste, que tornou-se uma árvore símbolo do luto. Hermes e Apolo
disputaram o amor de Quíone, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes
tocou seus lábios com o caduceu, fê-la dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de
uma velha, penetrou no seu quarto e a amou também. De Hermes Quione concebeu Autólico, e
de Apolo, Filamon, mas orgulhou-se demasiado disso, julgando-se mais bela que Ártemis. Então
a deusa injuriada a matou. O pai de Quíone, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas
Apolo o transformou em uma águia feroz.

Corônis lhe deu como filho Asclépio, mas o traiu, e por isso morreu pela seta do deus ultrajado.
Asclépio, tornando-se um mestre na arte de curar tão poderoso que podia ressuscitar os mortos,
ameaçava com isso o poder soberano de Zeus, ultrajava Têmis e roubava súditos a Hades, pelo
que foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se, como não podia voltar-se contra seu pai, Apolo
matou os Ciclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado. Deveria ter sido
desterrado para o Tártaro, mas graças à interferência de sua mãe o castigo foi comutado em um
ano de trabalhos forçados como um mortal para o rei Admeto. Sendo bem tratado pelo rei
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durante sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa que a que o
destino lhe reservara. Uma versão da história a amplia, e diz que enquanto Apolo estava entre
os mortais ensinou-lhes a música, a dança e todas as artes e ofícios que tornam a vida mais
agradável; ensinou às pessoas também os jogos atléticos, a caça, a contemplação da natureza e a
percepção de suas belezas próprias, e todo o dia parecia um dia de festa. Os deuses, vendo que a
vida na Terra se tornava mais aprazível que a sua, chamaram de volta Apolo para o Olimpo.
Também disputou o amor de Marpessa com Idas, e Zeus ordenou que ela escolhesse entre
ambos. Temendo ser rejeitada quando ficasse velha e perdesse sua beleza, ela decidiu por Idas.
Desejou a princesa troiana Cassandra, e deu-lhe como presente o dom da profecia. Mesmo assim
ela repudiou o deus, e Apolo a puniu fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora suas
profecias se revelassem depois sempre verdadeiras. Destino semelhante teve a Sibila de Cumas,
que exigiu o prolongamento de sua vida em tantos anos quantos os grãos de areia que tinha na
mão. Concedido o favor, ela negou seu amor, e então Apolo não revogou-lhe o dom, mas fez com
que sua beleza e juventude não fossem preservadas ao longo de sua vida de milênios,
envelhecendo até se tornar uma criatura horrenda, seca e encarquilhada, escondida dentro de
um vaso, cujo único desejo era morrer. Entretanto, Apolo foi feliz com Cirene, uma ninfa, tendo
o filho Aristeu, que se tornou uma deidade da vegetação e agricultura.

Amou tão intensamente o formoso Jacinto que, segundo Ovídio, esqueceu de si mesmo, do arco
e da lira, e passava todo o seu tempo longe de Delfos entretendo-se com o jovem. Mas Jacinto
também era o predileto do vento Zéfiro, que invejoso da primazia de Apolo sobre o coração do
jovem, num dia em que eles jogavam o disco, desviou o lance de Apolo, e o disco atingiu Jacinto,
matando-o. Cheio de tristeza, Apolo impediu que ele fosse levado por Hades, e o transformou
em uma flor que recebeu seu nome. Uma das lágrimas de Apolo tocou numa das pétalas,
deixando uma marca. Jacinto mais tarde recebeu um culto próprio importante, especialmente
cultivado em Esparta, e festivais dedicados a ele ainda sobrevivem nos dias de hoje. Com Creusa
gerou Íon, o fundador mítico do povo jônico. De Dríope gerou Anfiso; com Hécuba, esposa de
Príamo, às vezes se diz que gerou Troilo, príncipe de Troia. De Manto, uma vidente, teve Mopso,
um profeta. Teve ainda romances com algumas Musas: com Tália foi o pai dos Coribantes,
seguidores de Dionísio, e com Urânia gerou os músicos Lino e Orfeu.

Alguns personagens históricos também são citados como filhos de Apolo: a tradição sobre
Pitágoras o refere ou como um filho ou como uma verdadeira encarnação de Apolo[20] e Ácia,
mãe do imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.), teria sido engravidada pelo deus em forma de
serpente, quando dormiu no seu templo.
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Outras histórias

Depois do esquartejamento de Orfeu, Apolo impediu que uma serpente comesse sua cabeça,
transformando o réptil em pedra. Apolo matou os filhos de Níobe, vingando a ofensa que esta
havia proferido contra sua mãe Leto, gabando-se de ter muitos filhos, enquanto Leto havia tido
apenas dois. Matou também os Aloídas, gigantes filhos de Posídon, que ameaçavam o Olimpo
Enviou duas serpentes para matar seu sacerdote Laocoonte e seus filhos, pois ele o havia
ofendido quebrando seu voto de castidade.

Quanto à música, há uma lenda a respeito da origem da lira e da siringe, uma espécie de flauta.
Enquanto servia o rei Admeto, Apolo enamorou-se de Himeneu a ponto de esquecer seu
trabalho como guardador dos rebanhos do rei. Aproveitando-se disso, Hermes, seu irmão por
parte de Zeus, roubou o gado. Apolo o acusou junto a Maia, mãe de Hermes, mas ela não lhe deu
fé. Zeus então ordenou que Hermes devolvesse as reses, mas Apolo o viu tocando a lira, que ele
havia inventado afeiçoando o casco de uma tartaruga como o corpo do instrumento, e usando
tripas de vaca como suas cordas. Apolo ficou tão encantado que em troca do gado a pediu para
si. Mais tarde Hermes inventou a siringe, que Apolo também desejou para si, mas em retorno
Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia, Apolo discordou, pois não era
lícito que nenhum outro deus usufruir do dom da profecia, porém indicou-o aprender esta arte
com as Trías que viviam no Monte Parnasso. Indicou o caminho, e deu ainda para Hermes seu
cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético.

Apolo competiu em um concurso musical com Cíniras, seu filho, que perdeu e cometeu por isso
o suicídio. Competiu também com o sátiro Mársias, e foi ajustado de antemão que se Mársias
perdesse, seria esfolado vivo. Perdeu, e sofreu a consequência trágica. Toda a natureza chorou
Mársias, e suas lágrimas, colhidas pela terra, drenaram para suas veias exangues, e ele se
transformou em um rio, que recebeu seu nome. Competiu também com Pã, quando foi juiz o rei
Midas. Dando Pã como vencedor, Midas foi punido pelo deus da música recebendo orelhas de
burro. Segundo Ovídio, através do poder de sua música Apolo construiu as muralhas de Troia.

Seu culto

Conforme se percebe nas alusões de Homero, o culto de Apolo já estava firmemente


estabelecido antes do começo dos registros escritos na Grécia, mas as evidências arqueológicas
só aparecem no tempo do mesmo Homero. Seus dois santuários maiores, Delfos e Delos, eram
dos mais influentes da antiga Grécia. Também era cultuado de forma importante em Atenas,
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Dídimos, Claros, Cnossos e Abas. Outros santuários havia em Egina, Quios, Mileto, Oropo,
Hierápolis Bambice, Corinto, Bassas, Patara, Segesta e vários outros lugares, assumindo a
presidência de quase todos os oráculos da Grécia, do qual o de Delfos foi o mais célebre. Música,
dança, divinação, procissões, sacrifícios e rituais purificatórios tinham parte central em seu
culto em todos os lugares, e o hino dedicado especialmente a Apolo era o peã, mas as formas
específicas variavam de acordo com o local e suas associações com alguma faceta especial do
deus, e com a época do ano, e não se pode imaginar um sistema homogêneo, considerando a
extensão do período histórico em que foi cultuado, a vasta região que abrangeu e os vários
sincretismos que sua imagem sofreu. Há relatos desde grandes festivais pan-helênicos até
oferendas simples de indivíduos, e adiante são citadas algumas festas e ritos a título de
exemplo. Apesar de a lenda dizer que seu primeiro local de culto foi Delos, a ilha onde nascera,
achados arqueológicos sugerem que o mais antigo templo de Apolo possivelmente foi
construído em Naxos, no final do século VII a.C., uma estrutura relativamente simples, mas que
possuía uma estátua de culto do deus de dimensões colossais, com cerca de seis metros de
altura, que se preservou de forma fragmentária.

Delos

Somente no final do século VI a.C. os gregos dominaram Delos, e então ergueram ali um
santuário para Apolo que veio a adquirir grande importância, também em virtude da condição
da ilha de sede da Liga de Delos. Em 426 a.C. os gregos consagraram toda a ilha ao culto, e por
causa do seu caráter sagrado, nascimentos e mortes eram proibidos, e todas as gestantes perto
de darem à luz e doentes graves deviam abandoná-la. Também reconstruíram e ampliaram o
templo primitivo e instituíram um grande festival para Apolo que reunia as cidades da Liga a
cada quatro anos, e outro a cada seis anos. Anualmente os membros da Liga enviavam para
Delos um coro de quatorze jovens num navio consagrado, que reconstituía a chegada mítica de
Teseu à ilha de Creta para matar o Minotauro, acompanhado dos sete mancebos e sete virgens
enviados em sacrifício. Segundo a tradição, os jovens haviam prometido, se Teseu derrotasse o
monstro e eles sobrevivessem, que enviariam todos os anos um navio-oferenda para perpetuar a
memória da façanha. As famílias que se diziam seus descendentes mantiveram o costume, e era
uma cerimônia cercada de grande sacralidade. Desde a partida do navio, após a bênção solene
do sacerdote de Apolo, até seu retorno, as execuções eram proibidas. O Apolo Délio se tornou
muito venerado em Atenas, ao lado do Apolo Pítio. Ao longo do domínio helenista seu prestígio
permaneceu e mesmo cresceu, chegando ao seu pico em torno do século II a.C., mas em 69 a.C.
a ilha foi devastada pelas tropas do rei do Ponto.
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Atenas

Segundo Demóstenes, Atenas tinha Apolo Pítio como seu ancestral, e ali ele foi sempre
cultuado. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e cidades
gregas da Ásia no mês de Targélio, maio. Era basicamente um rito purificatório, às vezes
combinado a ritos de fertilidade celebrando as colheitas. Iniciava com a escolha de duas pessoas,
que serviriam de bodes expiatórios para a coletividade, os fármacos (pharmákoi), que seriam
banidos para sempre, e era necessário que eles oferecessem a si mesmos voluntariamente.
Apesar do sacrifício que isso envolvia, os fármacos não ganhavam nenhum respeito da
população, ao contrário, eram tratados da forma mais indigna. Recebiam colares de figos secos e
eram a seguir expulsos da cidade com pancadas de ramos de figueira, acreditando-se que
carregariam com eles todo o mal de lá. Contudo, ganhavam provisões para um ano. Enquanto
isso acontecia, se realizava uma procissão onde se apresentavam os frutos da terra entre cantos
de hinos a Apolo. É possível que esses frutos fossem consumidos no festival, e que se realizasse
ao mesmo tempo um rito em honra a Deméter, mas as fontes não são claras a respeito. Outro
festival era o da Pianópsia, quando se levava em procissão geral um ramo de oliveira enfeitado
com um tecido de lã e vários tipos de frutos. Várias procissões privadas aconteciam no mesmo
momento, e as portas das casas eram adornadas com um ramo semelhante que permanecia ali
ao longo de todo o ano, renovado na festa seguinte. O significado exato do festival é obscuro,
pode ter sido uma ação de graças pelo bom resultado das colheitas, uma vez que ele era
realizado no outono, quando as safras já estavam no fim. Várias casas da Ática possuíam um
altar ou um pilar em frente ao pórtico dedicado a Apolo Aguieu, em sua condição de protetor
das ruas e do caminho de entrada, e ele era honrado com sacrifícios e preces antes de cada
assembléia pública, junto com outros deuses. Quando os atenienses enviavam oficialmente suas
oferendas para Delfos, a procissão era precedida de dois homens portando machados,
reencenando a lenda que dizia Apolo ter desbravado o terreno para a fundação da cidade e
reafirmando o caráter civilizador do deus. Outro festival ateniense era a Bedrômia, que
agradecia a assistência de Apolo durante as guerras.

Delfos

Algumas versões do mito dizem que desde antes da chegada de Apolo havia um oráculo
instalado na encosta do monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Têmis ou Febe.
Mais tarde ele teria passado para a presidência de Posídon, e somente em data relativamente
tardia teria sido assumido por Apolo.[108] Essa versão é confirmada pela evidência
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arqueológica, havendo sido encontrados ali artefatos sacros de data tão antiga quanto c. 1 600
a.C. Tomlinson acredita que Delfos permaneceu como um santuário de âmbito apenas local até
o século VI a.C., quando foi dedicado a Apolo e começou a adquirir importância, mas não há
consenso entre os historiadores; De Boer & Hale, e também Malkin, fazem sua influência
pan-helênica recuar para o século VIII a.C., quando ele já teria sido consultado sobre projetos
de fundação de colônias distantes. Ésquilo, que era filho de um sacerdote de Elêusis e ele
mesmo um iniciado em seus Mistérios, também suportava essa visão de dedicações sucessivas, e
disse que certa vez a pitonisa o havia confirmado. Diodoro Sículo disse a origem da sacralidade
do lugar se deve a que certa vez um pastor foi procurar suas cabras perdidas e, entrando numa
gruta, ficou inebriado com estranhos vapores e pôde ver o passado e o futuro. Relatando o fato
aos seus companheiros, ergueram um altar, pois consideraram os fenômenos como sinal da
presença divina, e escolheram uma virgem para assumir a função de profetisa.

O santuário délfico mais recente, quando já era presidido por Apolo, foi construído no fim do
século VI a.C., em uma série de terraços interligados por uma Via Sacra, que era usada como
caminho de procissões, culminando no terraço do templo propriamente dito, uma estrutura
dórica erguida a mando de Clístenes, que foi destruída por uma avalanche no século IV a.C.. Foi
então reconstruído no mesmo local uma estrutura idêntica à anterior, financiado por toda a
Grécia. Ao longo da Via Sacra foram com o tempo erguidas várias capelas, chamadas de
tesouros, por cada cidade grega, e serviam como depósitos das oferendas para Apolo. Algumas
eram ricamente ornamentadas, como os tesouros de Sifno e de Atenas. Também foi erguido um
muro em torno de toda a área, além de oratórios menores, um estádio, um teatro, casas para os
sacerdotes e para as pitonisas, memoriais e outras estruturas.

Os registros históricos relatam que depois da consolidação da presença apolínea as pitonisas -


profetisas cujo nome celebrava a vitória de Apolo sobre Píton - eram escolhidas entre as virgens
de Delfos, e deviam ter uma reputação imaculada, permanecendo toda a vida consagradas ao
deus. Algumas parecem ter sido casadas, mas depois de assumirem sua função rompiam todos
os laços familiares e perdiam sua identidade privada. No período de apogeu do oráculo as
pitonisas eram de famílias distinguidas, e eram todas possuidoras de uma cultura ampla e
refinada. Eram ricas, possuindo grandes propriedades isentas de impostos, podiam assistir
cerimônias profanas e usavam coroas de ouro, elementos indicativos de seu imenso prestígio.
Nas fases finais de sua atividade o nível cultural e social das pitonisas decaiu muito. As
pitonisas proferiam seus oráculos em um estado de transe, sentadas sobre uma trípode que
ficava sobre uma fenda rochosa no solo de onde saíam vapores subterrâneos, depois de
mascarem folhas de loureiro e beberem água da fonte sagrada. Só profetizavam nove vezes por
ano, no sétimo dia após a lua nova. Aristófanes disse que quando a pitonisa proferia o oráculo o
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loureiro sagrado era agitado em uma encenação orgiástica, e Diodoro mencionou o sacrifício de
bodes, cuja presença é documentada por moedas cunhadas em Delfos. Essa forma de divinação
não era típica de deuses solares mas era comum a outras divindades ctônicas, e isso parece
indicar sua ligação com os cultos primitivos dedicados a Gaia e outras deidades da terra e do
mundo subterrâneo. Também foi sugerido que isso indica uma origem cretense ou oriental para
o rito. Estudos recentes têm sugerido que certos gases tóxicos emanados de fissuras
subterrâneas exatamente no local do templo podem ser uma explicação para a origem do estado
alterado de consciência das pitonisas. Elas eram assistidas por uma equipe de sacerdotes e
funcionários, que organizavam o funcionamento do templo, recebiam os peregrinos e as
embaixadas, interpretavam as palavras muitas vezes obscuras das pitonisas, realizavam
sacrifícios e conduziam o canto de hinos e outras cerimônias. Em anos recentes foi desenvolvida
uma técnica de estimação de probabilidades e sincronismos futuros, chamada Método Delphi,
inspirada pela atividade do oráculo. A técnica é usada especialmente "quando não se possuem
dados em quantidade suficiente ou fidedignos para que se possa fazer uma extrapolação ou,
ainda, quando existem expectativas de mudanças estruturais nos fatores determinantes do
desencadeamento futuro".

Delfos era considerada o centro do mundo e o umbigo da Terra estava dentro do templo,
simbolizado pela pedra do ônfalo (umbigo). Desta forma Delfos era uma imagem de estabilidade
numa cultura definida por um aglomerado de cidades e grupos étnicos independentes, e
estruturava toda a cosmografia grega num plano de círculos concêntricos de graus decrescentes
de civilização que era reproduzido em escala menor em cada pólis. Os gregos viviam no círculo
central, e para eles além viviam os estrangeiros, seguidos pelos bárbaros, os selvagens e
finalmente os monstros. Envolvendo o mundo conhecido havia um círculo cósmico formado
pelas águas infinitas do oceano, de onde se originavam os quatro ventos e onde residiam os
povos míticos. A cada inverno Apolo viajava até os país dos Hiperbóreos, que segundo algumas
lendas haviam ajudado o deus na fundação de Delfos, um povo eterno e não sujeito aos males da
humanidade e que Heródoto considerava todo composto por sacerdotes de Apolo. Esta
peregrinação mítica era um símbolo da sucessão das estações, regidas pelo deus através do
deslocamento aparente da posição do sol no céu ao longo do ano, e criava um elo entre o mundo
dos homens e as forças dos mundos superiores.

O Oráculo de Delfos se tornou o grande árbitro e legislador de toda a Grécia. Não tomava a
iniciativa de impor regras ou políticas, mas quando surgia alguma questão delicada as cidades
frequentemente o consultavam, para resolver disputas e guerras, quando desejavam criar
legislação ou fundar colônias, e quando precisavam instrução sobre saúde e bem-estar coletivos
na emergência de pragas e outras calamidades, quando o deus informava sobre os ritos
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purificatórios e sacrifícios necessários para afastar o mal. Também impunha penalidades para
maus governantes e regulava os requisitos para admissão em cargos públicos. Suas decisões
eram geralmente acatadas, e quando não o eram, desastres imprevistos podiam suceder. O
oráculo adquiriu tamanha autoridade e o respeito de todos os gregos não apenas porque era a
voz de um deus, mas porque conseguiu se manter relativamente neutro em todos os conflitos
públicos que administrou. Para os indivíduos, suas respostas incentivavam a reflexão e o
autoexame. O santuário permaneceu em atividade ao longo dos períodos helenista e romano, e
o oráculo foi consultado e respeitado até o século II d.C., mas com a progressiva penetração do
cristianismo caiu em abandono. Foram feitas algumas tentativas de restaurá-lo, mas com a
conversão do Império Romano ao cristianismo elas perderam o sentido. O imperador Juliano, o
Apóstata, tentou revitalizá-lo em torno de 360 d.C. quanto quis restaurar o paganismo no
império, mas então o próprio oráculo falou aos enviados imperiais: "Digam ao imperador que
minha casa ruiu até o alicerce. Apolo já não mora aqui, nem a luz de sua profecia, e a água de
sua fonte secou".

A maior festividade em Delfos era os Jogos Píticos, celebrados a cada quatro anos em honra a
Apolo, Leto e Ártemis, e segundo a lenda haviam sido instituídos pelo próprio Apolo. Era uma
das maiores celebrações pan-helênicas, incluía competições atléticas, teatrais, poéticas e
musicais, e também se faziam concursos de pintura e escultura. As competições artísticas eram
as mais importantes, e em certos períodos parece que os jogos atléticos foram suprimidos. As
festividades duravam vários dias e atraíam muitos estrangeiros, e todas as cidades gregas
enviavam oferendas para Apolo. Não sobrevivem relatos detalhados sobre os Jogos Píticos, mas
se presume que tenham sido acompanhados também de procissões, sacrifícios e purificações
públicas, como nos outros Jogos. Seus vencedores recebiam como prêmio um barrete feito de
folhas de loureiro, junto com um ramo de palmeira, e eram eternizados com a ereção de uma
estátua sua. A celebração dos Jogos Píticos perdurou enquanto o oráculo esteve em atividade.
Outras cidades da Grécia, onde havia culto de Apolo, também instituíram pequenos Jogos
Píticos. Sobrevivem duas peças de música dedicadas ao Apolo Délfico, dois hinos encontrados
em inscrições em pedra no santuário, mas não se sabe como eram executados. A transcrição da
notação musical grega ainda tem muitas incógnitas, além disso estão em forma fragmentária, e
a reconstrução de que se dispõe hoje das melodias é conjetural. De qualquer forma estão entre
as mais antigas partituras conhecidas no ocidente. O primeiro hino foi escrito por um ateniense
anônimo em torno de 138 a.C., e foi descoberto em 1893 por Pierre de Coubertin. O segundo
hino foi composto por Limenios, em torno de 128 a.C.
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Roma

Apolo era conhecido pelos romanos desde uma idade recuada, e ainda durante o reinado o
Oráculo de Delfos já era consultado, mas seu culto só foi instituído em Roma no ano de 430 a.C.,
quando ele foi invocado para evitar uma praga, construindo-se um templo nos Campos
Flamínios dedicado a Apolo Sosiano. Um segundo templo foi erguido em 350 a.C., e durante a II
Guerra Púnica foram instituídos Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade
entre os romanos senão durante o império de Augusto, que colocou a si e ao Estado sob sua
proteção, homenageou-o instituindo Jogos quinquenais, ampliando seu templo e doando-lhe
riquezas conquistadas na Batalha de Áccio, além de construir-lhe um novo templo no Palatino,
que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o
início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e sua irmã Diana (Ártemis)
acima de todos os deuses romanos. Também teve templos romanos em Megalópolis, Ortígia,
Figaleia, Corinto e Delos, entre outros locais. Seu culto espalhou-se pela maior parte da área de
influência do Império Romano, e foi identificado com vários deuses regionais associados à cura,
especialmente celtas.

Etrúria

Apolo era conhecido pelos etruscos sob os nomes de Apulu ou Aplu. Até onde se pôde descobrir,
dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e seus
atributos eram em tudo semelhantes aos gregos. Não são conhecidas muitas representações,
mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade
superior, o chamado Apulu de Veios, criada talvez pelo escultor Vulca para os romanos em torno
de 510 a.C. Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no
século XX. Plínio, o Velho, a descreveu como a mais bela estátua de seu tempo, e que era mais
estimada do que ouro.

Epítetos e títulos de culto

Apolo, como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para refletir a
diversidade de seus papéis, obrigações e aspectos. Aqui segue uma lista parcial, que exclui
epítetos toponímicos.
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Epítetos gregos
Aguieu, protetor da entrada das casas; Loxias, oblíquo, pelos oráculos ambíguos; Hélio, o sol;
Egletes, radiante, Febo, brilhante; Lício ou Liceu, luminoso; matador de lobos, ou Licégena,
nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexícaco, Apotropeu, Iatromante,
Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico,
profeta; Arcágeta, diretor da fundação, por ser fundador das muralhas de Mégara; Esminteu,
caçador de ratos; Nômio, andarilho; Delfínio, do útero, que associa Apolo com Delfos; Pítio, por
ter morto a Pìton; Genétor, gerador, produtor de frutos (em grego, também "spérmios"). Era
associado ao atributo de regente da Idade Dourada. Parnópio, salta-montes; Carneios, chifrudo;
Afétoro, deus do arco; Argirotoxo, do arco de prata; Hecergo ou Hecébolo, que atira longe,
referindo às suas flechas; Ninfágeta, líder das ninfas; Clário, doador de terras, por sua
supervisão sobre as cidades e colônias; Muságeta, líder das musas.

Epítetos romanos
Médico; Febo, brilhante; Averrunco, aquele que afasta o mal; Culicário, o que afasta os
mosquitos; Articenens, o que leva o arco; Coelispex, o que observa o céu; Lesquenório, porque
presidia as assembleias poéticas e musicais e as reuniões das musas.

Epítetos celtas
Atepômaro, grande ginete, ou dono de um grande cavalo; Beleno, belo ou brilhante; Grano,
Vindônio, brilhante; Borvo, quente, borbulhante, patrono das fontes termais; Maponos, grande
mancebo, filho divino; Morigasto, marítimo; Oenghus, mancebo; Mac ind Óg, jovem filho, e na
literatura arturiana ele sobreviveu chamado de Mabon, Mabuz e Mabonagrain.

A revitalização do culto de Apolo

Além da importante presença simbólica de Apolo no mundo de hoje, já abordada na seção sobre
seu mito, deve ser mencionada a recente ressurgência do seu culto efetivo através da
proliferação de credos neopagãos na cultura Nova Era. Já existe uma série de ritos estabelecidos
para este novo culto de Apolo, e Vasilios Makrides nota que setores conservadores da Igreja
Ortodoxa grega estão atualmente a denunciar um suposto projeto "oficial" de paganização da
Grécia, tornado evidente para eles através da renovação do ensino da mitologia e da introdução
de literatura neopagã nas escolas, da atribuição de nomes de deidades pagãs para ruas e parques
públicos, da ereção de estátuas de Apolo e outros deuses na Academia de Atenas, da emissão de
selos como efígies de deuses, da organização de festivais revivalistas em Delfos e da criação ali
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de um centro cultural internacional para a promoção do espírito délfico de cooperação


internacional, apenas para citar algumas das medidas adotadas de fato pelas instâncias
governamentais gregas. Diversos pregadores ortodoxos têm protestado também contra a
introdução de elementos pagãos nas Olimpíadas recentes, e já houve enfrentamentos violentos
entre ambas as facções, que tiveram de ser administrados pelo poder público, o que parece
provar que o neopaganismo já se torna, na Grécia contemporânea, uma força social de
significativa influência.

Tais cultos neopagãos fazem em linhas gerais uma crítica ao monoteísmo cristão-judaico e
propõem uma ressacralização do mundo natural e uma reintegração do homem a ele de uma
forma espontânea, desvestida de um dogmatismo religioso que julgam limitador da plena
expressão da natureza humana como ela é e da percepção do divino em todo o mundo
manifesto.

Para Alain de Benoit o Paganismo moderno prima pela tolerância e respeito pelas diferenças, e
antes do que constituir um passadismo romântico ou uma utopia - apesar de muitas de suas
manifestações atuais serem, para ele, ingênuas, quando não patéticas - se baseia numa
concepção não-linear da história, numa escolha deliberada por uma vida mais autêntica,
integrada e harmoniosa, num desejo de corrigir a oposição dualista entre homem e Deus que
contamina o monoteísmo, trazendo o divino para o mundo do cotidiano, e aponta para a efetiva
eternidade dos mitos e da vida que eles animam.

Representações

As estátuas e pinturas de Apolo o mostram como um homem jovem, no auge de sua força e
beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o
arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada,
ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo. Nas pinturas e mosaicos
pode ter uma coroa de raios de luz ou um halo. Suas primeiras representações conhecidas datam
do século VIII-VII a.C., onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de
pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieu, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, em
geral um pilar com uma cabeça no topo. Em Esparta foi encontrada uma imagem única,
desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro
orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma pátera.
Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em
bronze.
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Representações mais acabadas aparecem em meados do século VI a.C., entre elas uma estátua
criada por Dipeno e Escílis, seguindo a tipologia abstratizante do kouros do período arcaico, e
nesta época ele já estava firmemente associado com os ideais de beleza, juventude, força e
virtude sintetizados no conceito da kalokagathia. De fato é possível que a simbologia apolínea
tenha desempenhado um papel determinante na cristalização de toda a tipologia do kouros, e
exercido assim uma influência central para toda a evolução subsequente da representação
masculina na escultura grega. Apenas do sítio arqueológico do santuário de Apolo Ptoos na
Beócia foram recuperados cerca de 120 kouroi. O Apolo arcaico mais célebre foi uma estátua em
mármore produzida por Cânaco para o templo de Dídimos perto de Mileto, em torno do fim do
século VI a.C. Na invasão persa foi capturada e levada para Ecbátana, sendo devolvida depois.
Diversas moedas mostram essa estátua, e possivelmente foi reproduzida em bronze em tamanho
menor. O conhecido Apolo de Piombino pode tratar-se de uma dessas cópias.

Do período severo, em sequência, sobrevivem algumas obras muito significativas, o Apolo


Alexícaco, o que afasta o mal, de autoria de Cálamis, o Apolo de Mântua, atribuído a Hegias, e o
Apolo do Mestre de Olímpia, instalado no frontão do templo de Zeus em Olímpia, já mostrando
um trabalho de observação da anatomia humana muito mais detalhado. Algumas peças deste
período também introduzem variações na figura, cobrindo-o de mantos que escondem sua
nudez. Poucas evidências restam do período do alto classicismo, sabe-se que Fídias produziu
vários Apolos, mas não chegaram a nossos dias, salvo o Apolo de Cassel e o Apolo do Tibre, cuja
atribuição não é totalmente garantida, mas dos períodos clássico tardio, helenista e romano os
museus guardam diversas peças, entre elas o célebre Apolo Belvedere, de Leocares, talvez a mais
afamada de todas as estátuas de Apolo, o Apolo Sauróctono e o Apolo Liceu, de Praxíteles, e
várias versões do Apolo Citaredo, das quais são importantes as dos Museus Capitolinos, do
Museu Britânico, da Gliptoteca Ny Carlsberg, do Museu Pergamon e do Museu Nacional
Romano. Também são notáveis as representações pictóricas do deus, encontradas em grande
número de vasos de todos os períodos, ilustrando vários episódios de seu mito. Sua figura,
através da expansão helenística para o oriente, foi uma influência na cristalização da
iconografia do Buda desenvolvida pela escola de Gandara, na Índia.

Depois de um eclipse ao longo da Idade Média, no Renascimento voltou a ser representado com
frequência, em todos os ramos da arte e da literatura, e continua a sê-lo nos dias de hoje. Entre
os pintores célebres que deixaram obras sobre ele se contam Andrea Mantegna, Lucas Cranach,
Piero Pollaiuolo, Dosso Dossi, Palma il Giovane, Rafael Sanzio, Giovanni Battista Tiepolo,
Pompeo Batoni, Claude Lorrain, Diego Velázquez e José de Ribera. Entre os escultores, Baccio
Bandinelli, Adriaen de Vries, Gian Lorenzo Bernini, Nicolas Coustou e Jean-Antoine Houdon.
Cite-se também alguns exemplos literários - além dos poetas clássicos mencionados antes:
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Friedrich Schiller, Jonathan Swift, e Camões escreveram poemas para ele; foi citado várias vezes
em obras de Dante Alighieri, Lope de Vega, Shakespeare, Cervantes, Chesterton, Alexander
Pope, John Milton, Coleridge, Charles Dickens, Victor Hugo, Nathaniel Hawthorne e Oscar
Wilde, entre muitos outros. Na música apareceu nas óperas L'Orfeo de Claudio Monteverdi, La
descente d'Orphée aux enfers de Marc-Antoine Charpentier, Apollo e Dafne de Haendel e Apollo
et Hyacinthus de Mozart, e no bailado Apollon Musagète de Igor Stravinsky, entre outras peças.
O deus é invocado ainda hoje quando os médicos fazem o Juramento de Hipócrates, e seu nome
é usado atualmente para identificar uma infinidade de empresas, casas de espetáculo,
instituições e produtos comerciais em todo o mundo. É nome de pessoas e famílias, de um grupo
de asteroides, de cidades - Apolo (Bolívia), Apollo (Pensilvânia) -, de uma borboleta (Parnassius
apollo), de uma proteína humana e de uma variedade de aspargo, e o conhecido programa
espacial norteamericano Apollo foi denominado à lembrança do deus grego.
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Soneto de Camões

Deixa, Apolo, o correr tão apressado,

Não sigas essa Ninfa tão ufano,

Não te leva o Amor, leva-te o engano

Com sombras de algum bem a mal dobrado.

E quando seja Amor será forçado,

E se forçado for, será teu dano:

Um parecer não queiras mais que humano,

Em um Silvestre adorno ver tornado.

Não percas por um vão contentamento

A vista que te faz viver contente:

Modera em teu favor o pensamento.

Porque menos mal é tendo-a presente,

Sofrer sua crueza, e teu tormento,

Que sentir sua ausência eternamente.

— Camões, Soneto XXXXIX, centúria III


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