Mura, guardies do caminho fluvial
Eliane da Silva Souza Pequeno1
Resumo - O texto refere-se ao grupo indgena Mura, habitantes da regio amaznica, especialmente as bacias dos rios Solimes, Amazonas e Madeira. Conhecidos na etnografia colonial como os corsrios do caminho fluvial e muito temidos, principalmente no decorrer dos sculos XVIII a XIX, foram alvo de uma tentativa frustrada em deflagrar uma guerra de extermnio, parte de sua evoluo histrica. Palavras-chave: ndios. Mura. Amaznia. Rio Madeira. Etno-histria.
Aspectos gerais da populao indgena
O grupo indgena MURA originrio da regio compreendida pelo baixo Amazonas, Solimes, Madeira, Autaz, Baetas, Marmelos, Mataur, Aripuan e Canum. Atualmente esto estabelecidos na regio das bacias hidrogrficas dos rios Solimes, Amazonas e Madeira. O grupo indgena Mura pertence a uma famlia lingstica menor do sul do Amazonas integrada pelas lnguas Mura e Pirah (Rodrigues, 1998, p. 81). Os Pirah, seus parentes mais prximos, habitam a regio do rio Maici, afluente do rio Marmelos, tributrio da margem direita do rio Madeira, localizada no interior do municpio de Manicor (AM). Por volta da segunda metade do sculo XIX, os Pirah separaram-se do grande grupo Mura, permanecendo, ainda hoje, monolngues. Atualmente, no se observa qualquer relao entre os dois grupos, salvo em reunies das lideranas
Revista de Estudos e Pesquisas, FUNAI, Braslia, v.3, n.1/2, p.133-155, jul./dez. 2006
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indgenas de diversas etnias da Amaznia, podendo-se considerar estes encontros apenas ocasionais. Os Mura, atualmente, falam exclusivamente a lngua portuguesa. O motivo da perda da lngua materna muito se deve ao fato de que os Mura esto em contato com a sociedade envolvente desde o sculo XVIII. A utilizao da Lngua Geral ou Nheengat observada, com freqncia, em ambiente domstico entre os ndios e raramente utilizada na comunicao com estranhos. A Funai dispe de amplo material de cunho histrico e documental a respeito dos Mura, sendo que os vrios postos indgenas que atuaram, e ainda atuam, na regio do estado do Amazonas foram instalados no incio do sculo XX pelo ento Servio de Proteo aos ndios/SPI.
Aspectos culturais verificados na bibliografia
Os ndios Mura ficaram conhecidos na bibliografia etnogrfica como corsrios do caminho fluvial. Viviam em suas prprias canoas, como se fossem suas casas, e se destacavam na resistncia ocupao pelos no ndios. Sua imagem marcada por traos guerreiros, destemidos, conhecedores de tticas sui generis de ataque e de emboscada, o que atemorizava e lhes concedia uma enorme fama de perigosos, principalmente nos idos dos sculos XVII a XIX, quando impediram, por sua presena e fora fsica, o avano das misses, do comrcio portugus e das aes de cunho militar na Amaznia, especialmente na regio compreendida pelos municpios de Autazes, Itacoatiara, Careiro da Vrzea, Careiro do Castanho, Borba e Manicor, Estado Amazonas.
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A Muhuraida, obra pica, mostra em versos a saga dos Mura em contato com a sociedade envolvente, a tentativa frustrada em deflagrar uma guerra contra esse povo, no autorizada pelo Rei Joo VI, e a facilidade de incluir no seio do grupo indgena pessoas estranhas que no possuam descendncia Mura, o que ficou conhecido como murificao, ou seja, a incluso social prpria dos ndios Mura.
Breve evoluo histrica do grupo indgena Mura
Os Mura aparecem bruscamente na histria colonial da Amaznia, a partir da implantao das misses jesutas ao longo do rio Madeira, durante a segunda metade do sculo XVII. Eles desempenharam um papel estratgico na viabilizao do projeto colonial portugus e determinaram o desaparecimento e descaracterizao tnico-cultural de diversos povos indgenas. O apostolado jesuta na Amaznia comea na Ilha de So Luis, em 1622, quando foi assentada uma ermida pelo capito-mr Antnio Moriz Barreiros. A aldeia missionria era um centro de destribalizao e de homogeneizao cultural, onde os ndios transitavam da condio de ndios especficos, com sua prpria lngua, condio de ndios genricos cada vez menos distinguveis pela lngua que falavam. [...] de todas as tribus da Amaznia foi esta a que mais extenso territrio occupou, espalhando-se das fronteiras do Peru at o Trombetas (Nimuendaju, 1925, p. 140). Em sua monografia sobre o grupo Mura, publicada em 1948, Curt Nimuendaju afirma que esses ndios foram mencionados pela primeira vez, em 1714, numa carta do padre jesuta Bartolomeu
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Rodrigues, da misso dos Tupinambaranas, que os localizou na margem direita do rio Madeira, entre os Tor e Unicor (latitude 6 e 7 40S). Hostilizavam a aldeia dos Abacaxis, fundada por volta de 1723, acima da boca do Jamari e, em virtude dessas ameaas, a misso foi transferida para o baixo curso do Madeira, em 1742. Datam desses primeiros conflitos os esforos do padre Jos de Souza, preposto e vigrio provincial da Companhia de Jesus, em promover audies na Junta das Misses que pudessem, por consenso, sugerir aes repressivas contra os Mura. Os Mura constituram o paradigma dos ndios brbaros, ou de corso2 , contra os quais se tentou mover a mais enfurecida guerra de extermnio durante o sculo XIX, na Amaznia. De acordo com Amoroso (1997), a presena Mura no incio do sculo XVII, localizada no sistema hidrogrfico do rio Madeira, eixo de comunicao fluvial entre o Gro-Par e o Mato Grosso, foi apontada pelos hbitos culturais estranhos ao colonizador, familiarizado com o perfil cultural da populao tupi-guarani, sendo que as caractersticas scioculturais se faziam das ausncias: foram descritos como um povo que no plantava, no possua aldeias e no tecia. As primeiras tentativas de reduo foram frustradas, sendo que os Mura atacavam com freqncia as embarcaes comerciais utilizadas na navegao do Madeira. Segundo os registros histricos, a presena Mura s margens do rio Madeira representava ameaa aos colonos nas pocas de colheita: nativos irredutveis, os Mura dificultavam a penetrao no interior da mata, ameaavam os estabelecimentos,
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aterrorizavam escravos e trabalhadores do cacau (Moreira Neto, 1988, p. 258-259). A primeira caracterstica que colaborou para a construo do inimigo Mura foi a extrema mobilidade dos Mura na ocupao de um territrio original a bacia hidrogrfica do rio Madeira. A ao das frentes de colonizao que empurraram os Mura at sua ltima fronteira com a sociedade nacional o rio Japur seria o segundo elemento da caracterizao do territrio expandido. O terceiro elemento seria a murificao, instituio pela qual os Mura agregavam outras etnias, entre elas negros dos quilombos, ciganos, ndios destribalizados ou ex-catecmenos, egressos das misses catlicas. A publicao de uma srie de documentos que trata dos Autos da Devassa Contra os ndios Mura do Rio Madeira e Naes do Rio Tocantins, 1738-1739, pela Comisso de Documentao e Estudos da Amaznia-CEDEAM, em 1986, forneceu elementos de grande interesse para o entendimento dos modos e processos usuais na declarao de guerra justa. Depois de ouvir trinta e trs testemunhas, dentre as quais alguns moradores de Belm, que nada saberiam sobre ndios do rio Madeira por cincia prpria, publicaram o parecer do padre Jos de Souza, solicitando o encaminhamento do processo-crime contra os Mura Coroa portuguesa. O Frei Clemente de So Joseph, provincial de Santo Antnio, analisou em um longo texto o contedo dos depoimentos das testemunhas, mostrando que quase todas se repetem nos mesmos termos e incidem em incongruncias perceptveis. A despeito dos votos favorveis guerra do governador, Joo de Souza Castelo Branco, do ouvidor-geral da Capitania do Gro137
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Par, Salvador de Souza Rabelo, do padre provincial da Companhia de Jesus e de outros membros da Junta das Misses, o rei de Portugal, D. Joo VI, no considerou o documento juridicamente aprecivel, dizendo: [...] me pareceo dezervoz que No est em termoz de se Reputarem com justaz, e necessrias estaz guerraz [...] (CEDEAM, 1986, p. 163). Apesar da recusa do rei D. Joo VI em autorizar a guerra justa contra os Mura, no episdio acima referido, esses ndios foram atacados vezes sem conta por particulares e por tropas coloniais nos anos que se seguiram. Soma-se a isso a sucesso de epidemias de sarampo, varola e infeces gastrointestinais que dizimaram alguns grupos indgenas habitantes do rio Madeira, a partir de 1749, e que tiveram profundo impacto sobre os Mau e outros grupos da foz do Madeira, afetando com toda a probabilidade tambm os Mura dessa regio. Esse fato teve alguma conseqncia na disperso dos Mura por todos os afluentes do Amazonas at o Solimes, inclusive os tributrios da parte setentrional do rio, como o Japur e o Negro. Outro efeito provvel dessa sucesso de epidemias, ataques armados e a conseqente disperso dos grupos foi a apresentao espontnea dos Mura em Santo Antnio do Mapiri, no baixo Japur, de que se falar adiante, no episdio conhecido como voluntria reduo. Por volta de 1744, a aldeia jesuta de Trocano (hoje, a cidade de Borba) substituiu a de Santo Antnio das Cachoeiras e, mesmo com a mudana, os jesutas no se viram livres dos Mura, que investiram contra a aldeia de Trocano. De forma que, por cautela, o missionrio vivia cercado por estacas para se defender de ataques
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semelhantes ou invases inesperadas. Havia em Trocano dois canhes trazidos para a misso via rio Madeira muitos anos antes, pelo padre Jos da Gama, para espantar os Mura (Leite, 1943, p. 402-403). A obsesso dos jesutas com os Mura haveria de ter resultados funestos. O governador Mendona Furtado visitou essa aldeia, em 1755, e foi recebido pelo missionrio padre Anselmo Eckart. Fontes da poca afirmam que, para saudar festivamente o governador, que j ento se encontrava em rota de coliso com os jesutas, dispararam os malfadados canhes. Mendona Furtado teria entendido que essa seria uma demonstrao de nimo pouco pacfico dos jesutas e converteu a aldeia do Trocano na Vila de Borba, iniciando com este incidente a poltica de secularizao das misses na Amaznia. O padre jesuta Joo Daniel, que viveu na Amaznia entre 1741 e 1754, escreveu Thesouro Descoberto no Rio Amazonas, entre 1757 e 1776, nos crceres do Forte de Almeida, em Portugal, a que fora levado pela expulso dos jesutas da Amaznia pelo Marqus de Pombal. Publicado por volta de 1820 pela Impresso Rgia do Rio de Janeiro, registrou alguns dados de interesse sobre os Mura:
A nao Mura tambm tem muita especialidade entre as mais. gente sem assento, nem persistncia, e sempre anda a corso, ora aqui, ora ali; e tem muita parte do Rio Madeira at o rio Puruz por habitao. Nem tem povoaes algumas com formalidades, mas como gente de campanha, sempre anda de levante, e ordinariamente em guerras, j com as mais naes, e j com os brancos, aos quaes querem a matar ou tem dio mortal. E no s assaltam as mais naes,
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mas ainda nas mesmas misses tem dado vrios assaltos, e morto a muitos ndios mansos, de que se no puderam livrar, por serem repentinas e inesperadas as suas investidas; e para as evitarem lhes necessrio fazerem cercas de pao a pique, e estar sempre alerta; e tem esta contnua guerra, no porque coma gente ou carne humana, mas por dio estranhvel aos brancos, a que estes mesmos deram muita causa. Tinha-os praticado antigamente um missionrio, e eles dado palavra de sarem dos seus matos, e descerem para a sua misso no anno seguinte, depois do missionrio lhes ter promptos, e prevenidos os viveres, pannos e ferramentas para os vestir, e sustentar enquanto eles no fizessem roas prprias. Neste ajuste estavam firmes; mas foi perturb-los um portugus, que dele soube, deste modo. Preparou um grande barca com o p de ir s colheitas do serto, como se costuma, foi ter com eles, e fingindo ser mandado pelo dito missionrio, lhes disse que ele os mandava buscar; porque j tinha preparado roa, casas e pannos. Admirados responderam os tapuias, que ainda no chegava o tempo que o padre tinha ajustado com eles, e que ainda no podia ter promptos os vveres, e farinhas para comerem: porm o branco, com aes, piores que de preto, os soube enganar, e iludir de sorte, que eles persuadidos de que na verdade os mandava buscar o padre, se embarcaram, os que puderam na canoa do barco ... e os vendeo aos mais brancos nos seus stios, fingindo serem seus escravos, que pouco antes remira do poder de seus contrrios. E como o escrpulo era em todos nenhum, e se tinham conscincias, eram de camura, como dizem, no gastavam tempo, nem os compradores em pedirem registros, nem o vendedor os mostrar; e assim vendendo com eles a sua alma, os passou todos grandes e pequenos, homens, e
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mulheres, de que se trazia abundncia, mancebos, e velhos: e desta sorte se faziam escravos. Os mais, que ficaram para as seguintes mones, e esperavam com nsia o como os seus parentes tinham sido recebidos na misso, e se estavam contentes para eles seguirem os seus informes assim que souberam da tramia, e que estavam feitos escravos, em lugar da liberdade crist prometida na misso, conceberam tal dio contra os brancos, e talvez contra os mesmos padres persuadidos de que eles os tinha j antes praticado para os fazer escravos, que desde ento ategora tem contnua declarada guerra contra os missionrios, brancos e aldeanos. (Daniel, [1757-76] 1860, p. 166-168).
Intermedirio tradicional da comercializao dos produtos extrativos, especialmente a borracha e a castanha, que percorre, de barco, os rios da Amaznia, os regates compravam a produo da borracha e da castanha e vendiam produtos de primeira necessidade. Um regato portugus fingindo ser mandado pelo dito missionrio preparou uma grande embarcao e foi ter com os Mura, dos quais embarcou uma grande quantidade no barco, que levou a vender aos colonos da regio como escravos. Conclui Daniel:
E, na verdade tem bem vingada a referida tramia, e desafogada a sua clera, em tantas mortes, que no h anno, em que no matem muitos, j nas misses assaltadas de repente, e j nas canoas que vo ao serto, ou sejam nas suas feitorias em terra, ou quando navegam: porque eles no seguro da terra, no escuro das sombras, e no amparo das rvores muito a seu salvo, vo disparando a mosquetaria das suas frechas nos pobres remeiros, e algumas vezes tambm nos cabos brancos. Com serem estes
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muras to bravos, e to belicosos, no so to brbaros como as mais naes, que comem carne humana; pois no consta que eles a comam. Zombam dos brancos, e tropas de soldados, que muitas vezes se tem mandado contra eles: porque como no tem domiclio certo, ou povoaes fixas, no podem as tropas alcan-los, e apenas apanham alguns, ou alguns pouco esgarrados. So gente bem disposta, e bem encarada. Usam de uns arcos de doze, ou pouco mais, ou menos palmos de compridos, e frechas da mesma grandeza, e proporo. Quando atiram no suspendem os arcos no ar, como os mais de ordinrio fazem; mas os seguram no cho com os dedos dos ps: atiram as frechas com tanta fora, e valentia, que mui longe atravessam um boi, e qualquer homem de parte a parte. (Daniel, [175776] 1860, p. 264-265).
Este incidente marcou o incio da resistncia Mura ao avano do sistema colonial e, a partir dele, os Mura passaram a atacar as misses. Os Mura tornam-se ento conhecidos pelos colonizadores como gentio de corso, ou seja, os ndios que permaneciam afastados dos aldeamentos e representavam uma perigosa ameaa aos interesses coloniais.
Por volta de 1750, as tropas de resgate e as misses j haviam despovoado e desocupado as regies prximas das margens dos rios do baixo e mdio Amazonas e os Mura, que no haviam se submetido, iniciaram um processo de expanso territorial e crescimento demogrfico, aproveitando-se dos espaos vazios criados pelos descimentos e pelo contgio das doenas que dizimavam naes inteiras como os Tupinamb e os Tapaj. No rio Tef, onde havia salsaparrilha, navegava a
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nao Mura, j que as naes que o habitavam anteriormente haviam sido desterradas. (Sampaio, 1985, p. 45).
Os Mura nunca fixavam seus aldeamentos muito para o interior das terras e, mesmo no perodo de maior expanso, sempre procuravam vrzeas do Amazonas, do Solimes, do rio Negro, do Japur, do Madeira e de seus tributrios. O primordial era assegurar a capacidade de deslocamento em suas canoas, que os conduziam s reas onde estabeleciam suas moradias e aos lugares onde a caa e a pesca eram mais abundantes. Em 1753, a coroa portuguesa abre, oficialmente, o caminho para o Mato Grosso, via o caminho fluvial pelo Madeira. Neste perodo, os Mura so ainda considerados cativos, apesar da Lei de Liberdade dos ndios, promulgada em 1755, porm divulgada no Par somente dois anos mais tarde. Neste perodo registrouse o deslocamento dos Mura do rio Madeira para o Solimes e o Negro. De acordo com o naturalista Henry Walter Bates:
[...] os Mura se tornaram uma tribo de pescadores nmades, que desconhecem a agricultura e todas as artes praticadas por seus vizinhos. No constroem moradias slidas e duradouras: vivem em grupos familiais isolados ou em pequenos bandos, errando de um lugar para outro ao longo das margens dos rios e das lagoas onde h mais abundncia de peixes e de tartarugas. Em cada lugar onde param temporariamente, eles constroem choas provisrias beira da gua, mudando-se mais para cima ou para baixo do barranco medida que a gua sobe ou desce [...] (Bates, 1840, p. 129-130).
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O ouvidor da Capitania de So Joo do Rio Negro, Francisco Xavier Ribeiro de Sampaio, percorre o Gro Par em 1773 e 1734, onde testemunhou as condies de vida e o futuro que estava reservado para as naes de ndios que eram transferidas para os aldeamentos dos missionrios, e apontou os Mura como o grande empecilho ao desenvolvimento da agricultura na regio. A facilidade com que os Mura se deslocavam entre os rios da Amaznia foi registrada pelo comandante de Santo Antonio do Mapiri:
Indagando com individuao qual fosse a primeira, e principal habitao deste gentio, me figuraram, que sendo o seu costume viverem de corso, tinham contudo a sua assemblia geral na margem setentrional do Beni, em toda a extenso da parte daquele rio, que corre com o nome de Madeira, sendo a paragem do seu maior ajuntamento no clebre lago, que quasi na foz daquele rio se encontra com o nome de Guautazes (atual Municpio de Autazes), o qual por um furo, ou furos se comunica com o Solimes para baixo do Purus na parte meridional do mesmo Solimes; Que sendo por aquella margem do Madeira o seu imperio, e antiga habitao, della sahiram a difundirse, primeiro pelas margens do Madeira, e descendo antiga povoao dos Abacaxis, mataram, e aprisionaram muitas della: Que depois tendo shaido a algumas canas, que viajavam aquelle rio, entraram a fazer presas e mortes e que passando depois para o Solimes, principiaram a infestar aquelle rio, atravessando o lago dos Guautazes j dito para o lago Piuinuri, na margem septentrional do Solimes. (Notcia, 1873, p. 343 - grifos nossos).
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Ao passar por Arvelos, Ribeiro de Sampaio registrou que:
[...] tem tido esta povoao argumento em vrios descimentos; mas no anno presente tinha padecido grave diminuio, por causa do contgio das bexigas, morrendo delle muitos indios, e desertando outros para os matos, como costumo nessas ocasies. (Sampaio, 1985, p.156-157).
A descoberta das minas de ouro em Mato Grosso, em meados da segunda metade do sculo XVIII, intensificou o movimento de barcos pelo rio Madeira e colocou os Mura frente a frente com os colonizadores portugueses. A desigualdade das armas causou o decrscimo na populao, que passou a usar o seu domnio no conhecimento do meio ambiente para surpreender e atacar os barcos que navegavam pelo rio Madeira. A nova estratgia de ataque dos Mura, conhecida pelas trincheiras situadas em pontos estratgicos nas passagens dos rios, levou pnico s embarcaes e s vilas, mobilizando todo o esforo da represso colonial, que enviara tropas s localidades onde havia registros de seus ataques.
H memria, que no sitio dos Guautazes huma diviso desta tropa surpreendera uma maloca as seis horas da tarde deitando-lhes uma linha de cerco por mar, e por terra. Os homens rompendo a linha fugiro: as mulheres com suas crianas, e todos os rapazes e raparigas lanaro-se ao mar querendo ganhar uma ilha fronteira, em tempo, que ahi ainda no tinho chegado as canoas, morrero todos afogados em nmero de trezentos e tantos. (Annimo apud Moreira Neto, 1988, p. 251).
Em Dirio da Viagem Filosfica pela Capitania de So Jos do Rio Negro, realizada pelo naturalista Alexandre Rodrigues
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Ferreira, encontram-se vrias referncias feitas aos Mura, entre elas a Notcia da Voluntria Reduo de Paz e Amizade da Feroz Nao do Gentio Mura nos anos de 1784, 1785 e 1786. Rodrigues Ferreira chegou em Belm em 1783, iniciando a grande expedio cientfica que percorreria vastas extenses da Amaznia e de Mato Grosso durante quase dez anos. Na poca da pacificao dos Mura no Japur, o naturalista encontrava-se em viagem pelo rio Negro, e em parte desse tempo esteve em Barcelos, onde teve contato imediato e detalhado com as notcias daquela aproximao pacfica. Encontrava-se, em 1781, tambm nas imediatas vizinhanas da regio onde os Mura se apresentaram, Henrique Joo Wilkens, engenheiro militar integrante da misso portuguesa, membro da Quarta Comisso de Fronteira, que esteve no rio Japur para fazer levantamentos cartogrficos e, na boca do igarap Jaui, encontrou dois ndios da nao Tareira, que tinham fugido dos Mura e lhe relataram que estes estavam na boca do rio Juani, onde:
[...] mataro cinco pessoas e que foro empregados os homens prisioneiros em fazer grandes feixes de flechas, cuja tarefa se no acabavo lhes davo pancadas, e que estes se preparavo para entrar no rio Ticami onde pretendiam extirpar a nao dos Jupirs, e sahir depois ao rio Ia e Solimes a matar como dizio, todos os brancos e indios que achassem no negcio, e que logo encorporados com uma partida da sua nao passaro s povoaes e roas de Alvares, Nogueira e Ega, a matar os brancos e indios moradores, rezervando os rapazes e raparigas para seus escravos, a cujo fim obrigaro os indios prisioneiros a fazer farinhas e bej recomendando aos indios que
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trabalharo nas frechas as fizessem que no quebrassem. (Amoroso apud Wilkens, 1994, p. 25).
Henrique Joo Wilkens, ao tomar conhecimento dos planos de ataque dos Mura, deu-lhes combate quando:
[...] se soube com certeza pela reao das indias que os Mura intentaro assaltar o logar de Santo Antonio no dia 16, para que tinho muita farinha, canoas furtadas, e frechas que tudo se lhe destruiu e quebrou, e se deu morte a 12 ou 14 Mura. (Amoroso apud Wilkens, 1994, p. 23).
Em 1784, aps as freqentes expedies punitivas, um grupo de cinco Mura, comandados pelo ndio murificado Ambrsio, celebrou o acordo com os portugueses na localidade de Santo Antonio do Mapiri, situada no baixo Japur. Ambrsio demonstrava que os Mura estavam dispostos a cessar suas hostilidades e se comprometiam a fornecer produtos do serto. Neste mesmo perodo, outros ndios Mura apresentaram-se em lugares como Tef, Alvares e Borba e, por volta de 1786, os Mura estavam, aparentemente, em estado de paz. Wilkens escreve sobre o episdio da voluntria reduo, em oitava camoniana, no primeiro poema amaznico, Muhuraida ou o Triunfo da F (1785), cuja inteno aproximar o poema aos outros picos do Arcadismo brasileiro, como o Uruguay, em 1754, de Jos Baslio da Gama, e o Caramuru, 1781, do Frei Francisco Jos da Santa Rita Duro. Aps a reduo de 1784, diversos descimentos de ndios Mura, que viviam nos rios Negro, Juru e Madeira, foram realizados e, para abrig-los, foram fundados os aldeamentos de Imapiri,
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Manacapuru, Piaurini, Mami, Guautazes, Ayro e Piraquequara. Aos diretores desses aldeamentos foi determinado que fizessem censos para se saber efetivamente quantos Mura estavam morando nas aldeias. No entanto, conforme se observa na carta do diretor da vila de Santo Antnio de Borba, em 1788, no era possvel saber ao certo quantos Mura viviam aldeados:
[...] dos referidos Mura seno acha aqui grande quantidade, pois foro muitos para os lagos apanhar tartarugas e peixes boys, para seu sustento e outros para os matos s castanhas, levando consigo suas mulheres e filhos como tem sempre de costume .(Amoroso apud Wilkens, 1994, p. 54).
Em 1834 e 1835, com a ecloso do movimento denominado Revolta da Cabanagem, houve a participao dos ndios Mura ao lado dos negros, brancos e mestios revoltosos.
A Revolta da Cabanagem aterrorizou os setores dominantes da Amaznia nos anos de 1836-1840 e resultou em verdadeiro massacre aos revoltosos, causando cerca de 30.000 mortos, o equivalente a 1/5 da populao total da Provncia do Amazonas. (Hemming, 1978, p. 237).
A represso aos Mura foi violenta, restando poucos milhares, em 1840. Um dos feitos mais expressivos e que haveria de lhes causar dura perseguio, durante e aps a rebelio, foi a derrota e a morte que impuseram a Ambrsio Pedro Aires, lder da expedio punitiva aos pontos cabanos no lago do Autazes:
[...]o comandante do rio Negro, Ambrsio Pedro Ayres, ao passar entre duas ilhas foi atacado por sete canoas de rebeldes, a maior parte Mura, e defendendo-se at quase
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noite, tentou salvar-se em terra; mas foi agarrado e morto cruelmente. (Moreira Neto, 1988, p. 109).
A participao dos Mura na Revolta da Cabanagem rendeulhes um novo perodo de represlias, o que levou a um novo declnio demogrfico. A partir de 1850, os Mura voltaram a empreender ataques a viajantes, soldados e missionrios. As aldeias localizavamse nos lagos Capan Grande, das Onas, Acar, Maria Pau, Uauara, Arary, Jacar e no rio Jumas. Em 1853, os Mura foram localizados nas seguintes aldeias, todas na regio do rio Madeira: Sapucaiaoroca, Mataur, Atininga, Matupiri, Manicor, Capan, Uarapiara, Baetas, Carapanatuba, Crato, Trs Casas, lagos do Antonio, das Onas, Grande, Acar, Uauara, Aracu, Jacar, Arai e Chaves. Os Mura limitaram-se cada vez mais ao vale do rio Madeira, a partir de meados do sculo XIX, onde no estiveram a salvo dos ataques peridicos da populao regional ou de seus inimigos tradicionais, os Munduruku e os Parintintin. O decrscimo posterior da populao Mura acompanha as severas taxas que caracterizam a histria recente da maioria dos povos indgenas da regio amaznica. A presena dos Mura em Autazes, no Lago do Sampaio, no sculo XIX, atestada pela documentao relativa morte do capito Ambrsio Aires, conhecido como Bararo, que comanda a represso aos cabanos, aos quais os Mura estavam integrados.
possvel que as hostilidades entre os Mura e os Mundurucu, documentadas desde o sculo XVIII, fossem ainda mais antigas, estendendo-se a pocas pr-coloniais. Os dois grupos competiam pelos mesmos territrios (pelo menos na regio do rio Madeira) e tinham ambos desde
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que deles se possuem registros histricos em extraordinrio poder de expanso territorial e de domnio sobre outros grupos. Entretanto, a natureza dessa competio mudou fundamentalmente depois que as autoridades regionais e os colonos passaram a capitalizar, em seu proveito, as tenses e rivalidades tradicionais entre os ndios. (Moreira Neto, 1988, p. 111).
No ano de 1856, um Mapa Estatstico dos Aldeamentos de ndios, publicado anexo ao relatrio anual do Ministrio do Imprio, indicava, em toda a provncia do Amazonas, no mais de 1.300 ndios Mura, aldeados em oito povoaes subordinadas s diretorias parciais de Sapucaia-oroca, Autazes, Tijuca-murutinga e Arib. Esse nmero indica um rpido decrscimo da populao Mura que, ao mesmo tempo, tende a abandonar seus territrios tradicionais no Japur, Negro, Purus, Juru e Solimes para concentrar-se, principalmente, no vale do rio Madeira. Os aldeamentos indgenas Mura, no final do sculo XVIII, descritos em Notcia da Voluntria Reduco de Paz e Amizade da Feroz Nao do Gentio Mura (UFA/CEDEAM) estavam assim distribudos: a) Imapiri: 200 pessoas, entre Mura e Chumana; b) Mami: 250 Mura; c) Manacapuru: 523 Mura; d) Guautazes: 1.442 pessoas, entre Mura e Iruri; e) Airo: 60 Mura; f) Piraquequara (Japur): 300 Mura. A maior disperso dos Mura, no decorrer dos sculos XVIII e XIX, pela corrente principal do Amazonas e por todos os seus tributrios a montante do Madeira, alm dos conflitos aqui apontados, podem ser explicados pela maestria dos Mura como navegadores e pela busca permanente de novas reas de caa e pesca.
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O gigantesco territrio dos ndios Mura, segundo fontes dos sculos XVIII e XIX, que apontam a estimativa populacional Mura entre 30.000 e 60.000 ndios, deve levar em conta o nomadismo e o movimento de pequenos grupos como um dos fatores determinantes da espacialidade Mura, que avana e desloca-se do rio Madeira para o Japur, reproduzindo preconceitos e imprecises que marcaram as fronteiras coloniais. A partir do sculo XX, a atuao do Servio de Proteo aos ndios/SPI na regio foi de fundamental importncia para o desenvolvimento das comunidades Mura, atrasando o processo de espoliao das terras indgenas. Da surgiram dezenas de pequenos lotes de terras destinados a populaes indgenas na Amaznia, doadas pelo Estado. Em 1926, vrios documentos do Servio de Proteo aos ndios/SPI fazem referncia existncia dos Mura habitando a regio do vale do rio Madeira. A 1 Inspetoria Regional do Amazonas e Acre, sediada em Manaus, instalou dois postos indgenas no rio Purus: Pedro Dantas (ou Marien, no municpio de Lbrea) no rio Seruini, e Manauac, no rio Tuini. O posto indgena, nico meio de atuao do SPI, forneceu s comunidades indgenas gneros de produo agrcola e artigos industrializados, incentivou a lavoura e iniciou projetos econmicos na regio. Calcula-se que a populao Mura, em 1926, distribuda nos rios Madeira, Manicor, Autaz, Purus e Urubu, somava cerca de 1.400 pessoas. Nimuendaj relacionou, em 1926, cerca de 1.390 Mura, em vinte e seis aldeias no Madeira, Autaz e Urubu, com admisso de um total mximo de 1.600 ndios. O esforo do SPI na regio do Madeira significou um resgate cultural de extrema importncia para os Mura, visto que, na dcada
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de 1940, a 1IR desenvolveu o reconhecimento dos limites, expulso dos intrusos, projetos de comercializao da castanha e atividades pecurias. Em pesquisa sobre os Pirah, Adlia Engrcia de Oliveira percorreu a regio do vale do Madeira, durante a dcada de 70, observando a presena dos Mura tambm no rio Solimes. Outro estudo de grande importncia sobre os ndios Mura encontra-se no Projeto Madeira: Levantamento das Populaes Indgenas do Mdio Madeira, de Lange & Heringer, 1981.
Notas
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Antroploga pela Universidade de Braslia/UnB, servidora lotada na Coordenao Geral de Identificao e Delimitao/CGID, da Diretoria de Assuntos Fundirios/ DAF, da FUNAI Os corsrios no se confundem com piratas estes agiam tanto na guerra quanto na paz. Os corsrios recebiam dos reis patentes ou cartas de corso, que lhes davam o direito de apresar navios mercantes de naes inimigas. No estranho que se transplante o conceito para denominar ndios em estado de beligerncia, mas curioso que se revele, por trs desta denominao, o sentido de guardies que tinham os corsrios incumbidos oficialmente pelas monarquias europias de proteger os mares contra a circulao de embarcaes identificadas com naes inimigas. Contudo, o sentido que veio impregnar expresses como gentio de corso ou que veio compor consideraes sobre ndios como os Mura, especificamente, designa a qualidade atribuda pirataria, ou seja, vida nmade de pessoas que tiram seu sustento fazendo guerras e saques. (Lello Universal, p.660 apud Almeida, 1997)
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