Terapia Cognitivo-Comportamental –
RESUMO
1. Contextualização e História
● Nos anos 1960, a Psicologia Clínica e a Psiquiatria eram dominadas pela
Psicanálise.
● Aaron Beck, um psiquiatra e psicanalista, desenvolveu a Terapia Cognitiva
após identificar falhas na Psicanálise e buscar um método mais validado
empiricamente.
● A Terapia Cognitiva surgiu como uma alternativa à abordagem psicanalítica,
focando na identificação e modificação de pensamentos distorcidos.
2. Principais Influências e Desenvolvimento
● Albert Ellis (1962) desenvolveu a Terapia Racional Emotiva, que identificava
crenças irracionais como fonte de transtornos emocionais.
● Albert Bandura (1969-1971) introduziu a Teoria da Aprendizagem Social,
destacando a importância do processamento cognitivo no comportamento
humano.
● Donald Meichenbaum (1973) criou o Treino de Inoculação ao Estresse,
utilizado em distúrbios ansiosos.
● D’Zurilla e Goldfried (1971) desenvolveram o Treino em Solução de
Problemas para aprimorar a competência social.
● Michael Mahoney (1974) enfatizou a relevância do processamento cognitivo
na Modificação Cognitiva do Comportamento.
3. Bases Filosóficas
● Racionalismo (Descartes): conhecimento adquirido por meio da análise
lógica.
● Empirismo: conhecimento obtido pela experiência e observação.
● Construtivismo (Piaget): aprendizado ocorre pela interação com o ambiente e
passa por estágios de desenvolvimento.
● Sociointeracionismo (Vygotsky): desenvolvimento cognitivo ocorre pela
interação social e assimilação cultural.
4. Princípios Básicos da Terapia Cognitiva
● O aprendizado ocorre por meio da observação e modelagem de
comportamentos.
● A abordagem busca modificar pensamentos disfuncionais para melhorar o
humor e o comportamento.
● Beck desenvolveu escalas para avaliar depressão, ansiedade e ideação
suicida.
5. Princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
a. Baseada em uma formulação contínua dos problemas do paciente.
b. Exige uma aliança terapêutica sólida.
c. Enfatiza colaboração e participação ativa do paciente.
d. Orientada para objetivos e focada nos problemas.
e. Inicialmente foca no presente.
f. É educativa e visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta.
g. Limitada no tempo (6 a 14 sessões para depressão e ansiedade).
h. Sessões são estruturadas.
i. Ensina a identificar, avaliar e modificar pensamentos disfuncionais.
j. Utiliza diversas técnicas para mudança de pensamento, emoção e
comportamento.
1. Desenvolvimento Inicial da Teoria Cognitiva
A Terapia Cognitiva surgiu inicialmente com o objetivo de fornecer suporte empírico
para formulações psicodinâmicas da depressão, investigando:
● Hipóteses da psicanálise, como hostilidade retrofletida e masoquismo.
● Atribuição de tarefas graduadas para testar o impacto de sucessos
controlados.
● Explicações alternativas para os transtornos emocionais, diferindo das
propostas psicanalíticas.
Resultados
● Reformulação da depressão como um transtorno com forte tendência
negativa no pensamento.
● Definição de um conteúdo fenomenal da depressão, baseado em:
● Expectativas negativas para o futuro.
● Visão negativa sobre si mesmo.
● Percepção negativa do ambiente.
● Desenvolvimento de estratégias terapêuticas para modificar essas distorções
cognitivas.
2. Apresentação Formal da Teoria Cognitiva
A TCC se baseia em uma teoria de psicopatologia e psicoterapia que coloca a
cognição no centro da experiência humana:
● A cognição envolve a interpretação de experiências e a previsão de eventos
futuros.
● A adaptação ao ambiente depende da interpretação correta das experiências.
● O termo cognição tem origem em Platão e Aristóteles e abrange atenção,
percepção, memória, raciocínio, julgamento, imaginação e linguagem.
3. Os 10 Axiomas da Teoria Cognitiva
A teoria cognitiva é baseada em dez axiomas fundamentais que estruturam a
compreensão do comportamento humano:
1. Os esquemas cognitivos são a base da adaptação psicológica
● São estruturas de significado que ajudam na interpretação da
realidade.
2. Atribuir significado controla os sistemas psicológicos
● Isso inclui a ativação de estratégias de adaptação.
3. Os sistemas cognitivos interagem com outros sistemas psicológicos
● Emoções e comportamentos são moldados pela cognição.
4. O conteúdo cognitivo influencia padrões específicos de comportamento
● Significados diferentes geram respostas emocionais, atencionais e
comportamentais distintas.
5. Os significados podem ser corretos ou distorcidos
● Distorções cognitivas podem levar a erros de julgamento e
comportamento disfuncional.
6. Vulnerabilidades cognitivas levam a síndromes específicas
● Exemplo: indivíduos deprimidos interpretam consistentemente suas
experiências de forma negativa.
7. A psicopatologia resulta de significados negativos sobre si mesmo, o
ambiente e o futuro
● Exemplos:
○ Depressão: autoimagem negativa, percepção pessimista do
mundo e do futuro.
○ Ansiedade: sensação de inadequação pessoal e percepção de
perigo iminente.
○ Transtornos paranoides: crença de injustiça e perseguição.
8. Os significados podem ser públicos (objetivos) ou privados (subjetivos)
● As interpretações privadas podem ser generalizações extraídas de
eventos específicos.
9. Três níveis de cognição:
● Pré-consciente: pensamentos automáticos, involuntários.
● Consciente: raciocínio intencional.
● Metacognitivo: pensamento sobre o próprio pensamento, avaliação
crítica.
10.Os esquemas evoluem para facilitar a adaptação ao ambiente
● Não há um estado psicológico absoluto de adaptação ou
desadaptação; tudo depende do contexto.
4. Modelo Cognitivo de Processamento de Informação e Comportamento
A TCC entende que o comportamento humano resulta de processos automáticos e
conscientes de interpretação:
● Processamento cognitivo automático:
● Operações mentais que ocorrem fora da consciência.
● Geração de interpretações inconscientes sobre eventos.
● Processo de reação emocional e comportamental:
● A interpretação gera um afeto (emoção).
● O afeto leva a um comportamento específico.
● O comportamento influencia a situação inicial.
1. Introdução aos Conceitos Fundamentais
Apresenta os seguintes pontos principais para discussão:
● O modelo cognitivo.
● As crenças centrais e intermediárias.
● A relação entre comportamento e pensamentos automáticos.
● Identificação e modificação de pensamentos automáticos.
2. O Modelo Cognitivo
A TCC baseia-se no modelo cognitivo de processamento de informação, que
descreve como as interpretações de eventos influenciam emoções e
comportamentos. Esse modelo considera dois tipos de processamento cognitivo:
2.1. Processamento Cognitivo Automático
● Ocorre de forma inconsciente e rápida.
● Atua por meio de esquemas mentais, que organizam e interpretam
informações.
● Gera interpretações automáticas da realidade, sem análise racional
consciente.
● Exemplo: uma pessoa com ansiedade social pode interpretar um olhar neutro
como julgamento negativo.
2.2. Processo de Interpretação e Reação
1. O indivíduo processa um evento (consciente ou inconscientemente).
2. Gera uma interpretação baseada em esquemas pré-existentes.
3. Essa interpretação influencia o estado emocional.
4. O estado emocional resulta em um comportamento específico.
5. O comportamento pode reforçar ou modificar a interpretação inicial.
3. Esquemas Cognitivos e Significado
Os esquemas são estruturas mentais que armazenam e organizam crenças e regras
sobre o mundo. Eles influenciam o processamento da informação e podem ser
classificados em três níveis:
3.1. Esquemas Simples
● Regras básicas sobre o mundo físico e cotidiano.
● Exemplo: “Uma boa educação é essencial”, “Dirija com segurança”.
3.2. Crenças e Pressupostos Intermediários
● Regras condicionais do tipo “se… então” que regulam a autoestima e o
comportamento.
● Exemplo: “Se eu não agradar os outros, serei rejeitado”, “Se eu me esforçar,
terei sucesso”.
3.3. Crenças Nucleares
● São as crenças mais profundas sobre si mesmo, formadas na infância e
reforçadas ao longo da vida.
● Exemplo: “Sou um fracasso”, “Não sou digno de amor”, “Posso confiar nos
outros”.
4. Pensamentos Automáticos
Os pensamentos automáticos são cognições rápidas e involuntárias que surgem ao
interpretar eventos ou lembrar experiências passadas. Características:
● Ocorrem espontaneamente sem análise racional.
● Influenciam emoções e comportamentos de forma imediata.
● Podem ser disfuncionais, levando a padrões negativos de pensamento.
Exemplo de pensamento automático:
Uma pessoa que comete um erro no trabalho pode automaticamente pensar: “Sou
incompetente”, o que pode gerar sentimentos de tristeza e insegurança.
5. O Modelo Cognitivo-Comportamental Básico
O documento apresenta um exemplo aplicado ao tratamento da fobia social:
1. Evento: O paciente precisa falar em público.
2. Interpretação automática: “Vou falhar e ser ridicularizado”.
3. Resposta emocional: Ansiedade intensa.
4. Comportamento: Evitação da situação.
5. Reforço da crença: A evitação impede a oportunidade de refutar a crença
inicial, fortalecendo a fobia.
6. Conceitualização de Caso na TCC
A conceitualização de caso é o processo de análise e estruturação do tratamento na
TCC. Inclui:
● Avaliação da história do paciente e da psicopatologia.
● Formulação de um plano de tratamento baseado nos princípios da TCC.
● Monitoramento da evolução do paciente ao longo das sessões.
6.1. Dimensões Importantes na Avaliação
1. Cronicidade e complexidade do problema.
2. Otimismo do paciente em relação à melhora.
3. Aceitação da responsabilidade pela mudança.
4. Capacidade de acessar pensamentos automáticos e identificá-los.
5. Habilidade de trabalhar dentro da estrutura da TCC, mantendo o foco na
solução de problemas.
Principais Tópicos Abordados
1. Identificação dos Pensamentos Automáticos
Os pensamentos automáticos são cognições involuntárias que influenciam
emoções, respostas fisiológicas e comportamentos. São divididos em três
categorias principais:
● Imprecisos e angustiantes, que dificultam a adaptação.
● Acurados, mas inúteis, que não contribuem para soluções produtivas.
● Disfuncionais, como ruminação e autocrítica.
Os pacientes, muitas vezes, percebem mais as emoções e os comportamentos
resultantes desses pensamentos do que os próprios pensamentos.
2. Métodos para Identificação
A TCC utiliza diversas estratégias para identificar pensamentos automáticos,
incluindo:
● Mudanças de humor: estados emocionais ajudam a revelar cognições
subjacentes.
● Psicoeducação: explicação do conceito ao paciente, com exemplos pessoais.
● Descoberta guiada: questionamento socrático para estimular a reflexão.
● Registro de pensamentos: escrita estruturada das cognições automáticas.
● Exercícios de imagens mentais: reviver mentalmente eventos para acessar
pensamentos e emoções.
● Role-play: simulação de interações para explorar pensamentos associados.
3. Avaliação e Modificação dos Pensamentos Automáticos
Após identificar os pensamentos, a TCC trabalha para modificá-los. Algumas
técnicas incluem:
● Questionamento socrático: examinar a validade dos pensamentos.
● Registro de pensamentos disfuncionais (RPD): automonitoramento com
análise de erros cognitivos.
● Geração de alternativas racionais: explorar diferentes formas de interpretar a
realidade.
● Descatastrofização: reduzir o impacto emocional de previsões negativas.
● Ensaio cognitivo: simular mentalmente respostas mais adaptativas.
● Reestruturação cognitiva: modificar padrões de pensamento prejudiciais.