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Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) surgiu nos anos 1960 como uma alternativa à Psicanálise, focando na identificação e modificação de pensamentos distorcidos. Baseada em influências de psicólogos como Aaron Beck e Albert Ellis, a TCC utiliza um modelo cognitivo para entender como a interpretação de eventos afeta emoções e comportamentos, e ensina técnicas para modificar pensamentos automáticos disfuncionais. A abordagem é estruturada, orientada para objetivos e visa capacitar o paciente a se tornar seu próprio terapeuta.

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Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) surgiu nos anos 1960 como uma alternativa à Psicanálise, focando na identificação e modificação de pensamentos distorcidos. Baseada em influências de psicólogos como Aaron Beck e Albert Ellis, a TCC utiliza um modelo cognitivo para entender como a interpretação de eventos afeta emoções e comportamentos, e ensina técnicas para modificar pensamentos automáticos disfuncionais. A abordagem é estruturada, orientada para objetivos e visa capacitar o paciente a se tornar seu próprio terapeuta.

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Terapia Cognitivo-Comportamental –

RESUMO

1.​ Contextualização e História


●​ Nos anos 1960, a Psicologia Clínica e a Psiquiatria eram dominadas pela
Psicanálise.
●​ Aaron Beck, um psiquiatra e psicanalista, desenvolveu a Terapia Cognitiva
após identificar falhas na Psicanálise e buscar um método mais validado
empiricamente.
●​ A Terapia Cognitiva surgiu como uma alternativa à abordagem psicanalítica,
focando na identificação e modificação de pensamentos distorcidos.

2.​ Principais Influências e Desenvolvimento


●​ Albert Ellis (1962) desenvolveu a Terapia Racional Emotiva, que identificava
crenças irracionais como fonte de transtornos emocionais.
●​ Albert Bandura (1969-1971) introduziu a Teoria da Aprendizagem Social,
destacando a importância do processamento cognitivo no comportamento
humano.
●​ Donald Meichenbaum (1973) criou o Treino de Inoculação ao Estresse,
utilizado em distúrbios ansiosos.
●​ D’Zurilla e Goldfried (1971) desenvolveram o Treino em Solução de
Problemas para aprimorar a competência social.
●​ Michael Mahoney (1974) enfatizou a relevância do processamento cognitivo
na Modificação Cognitiva do Comportamento.

3.​ Bases Filosóficas


●​ Racionalismo (Descartes): conhecimento adquirido por meio da análise
lógica.
●​ Empirismo: conhecimento obtido pela experiência e observação.
●​ Construtivismo (Piaget): aprendizado ocorre pela interação com o ambiente e
passa por estágios de desenvolvimento.
●​ Sociointeracionismo (Vygotsky): desenvolvimento cognitivo ocorre pela
interação social e assimilação cultural.
4.​ Princípios Básicos da Terapia Cognitiva
●​ O aprendizado ocorre por meio da observação e modelagem de
comportamentos.
●​ A abordagem busca modificar pensamentos disfuncionais para melhorar o
humor e o comportamento.
●​ Beck desenvolveu escalas para avaliar depressão, ansiedade e ideação
suicida.

5.​ Princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)


a.​ Baseada em uma formulação contínua dos problemas do paciente.
b.​ Exige uma aliança terapêutica sólida.
c.​ Enfatiza colaboração e participação ativa do paciente.
d.​ Orientada para objetivos e focada nos problemas.
e.​ Inicialmente foca no presente.
f.​ É educativa e visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta.
g.​ Limitada no tempo (6 a 14 sessões para depressão e ansiedade).
h.​ Sessões são estruturadas.
i.​ Ensina a identificar, avaliar e modificar pensamentos disfuncionais.
j.​ Utiliza diversas técnicas para mudança de pensamento, emoção e
comportamento.

1.​ Desenvolvimento Inicial da Teoria Cognitiva

A Terapia Cognitiva surgiu inicialmente com o objetivo de fornecer suporte empírico


para formulações psicodinâmicas da depressão, investigando:

●​ Hipóteses da psicanálise, como hostilidade retrofletida e masoquismo.


●​ Atribuição de tarefas graduadas para testar o impacto de sucessos
controlados.
●​ Explicações alternativas para os transtornos emocionais, diferindo das
propostas psicanalíticas.

Resultados

●​ Reformulação da depressão como um transtorno com forte tendência


negativa no pensamento.
●​ Definição de um conteúdo fenomenal da depressão, baseado em:
●​ Expectativas negativas para o futuro.
●​ Visão negativa sobre si mesmo.
●​ Percepção negativa do ambiente.
●​ Desenvolvimento de estratégias terapêuticas para modificar essas distorções
cognitivas.

2.​ Apresentação Formal da Teoria Cognitiva

A TCC se baseia em uma teoria de psicopatologia e psicoterapia que coloca a


cognição no centro da experiência humana:

●​ A cognição envolve a interpretação de experiências e a previsão de eventos


futuros.
●​ A adaptação ao ambiente depende da interpretação correta das experiências.
●​ O termo cognição tem origem em Platão e Aristóteles e abrange atenção,
percepção, memória, raciocínio, julgamento, imaginação e linguagem.

3.​ Os 10 Axiomas da Teoria Cognitiva

A teoria cognitiva é baseada em dez axiomas fundamentais que estruturam a


compreensão do comportamento humano:

1.​ Os esquemas cognitivos são a base da adaptação psicológica


●​ São estruturas de significado que ajudam na interpretação da
realidade.
2.​ Atribuir significado controla os sistemas psicológicos
●​ Isso inclui a ativação de estratégias de adaptação.
3.​ Os sistemas cognitivos interagem com outros sistemas psicológicos
●​ Emoções e comportamentos são moldados pela cognição.
4.​ O conteúdo cognitivo influencia padrões específicos de comportamento
●​ Significados diferentes geram respostas emocionais, atencionais e
comportamentais distintas.
5.​ Os significados podem ser corretos ou distorcidos
●​ Distorções cognitivas podem levar a erros de julgamento e
comportamento disfuncional.
6.​ Vulnerabilidades cognitivas levam a síndromes específicas
●​ Exemplo: indivíduos deprimidos interpretam consistentemente suas
experiências de forma negativa.
7.​ A psicopatologia resulta de significados negativos sobre si mesmo, o
ambiente e o futuro
●​ Exemplos:
○​ Depressão: autoimagem negativa, percepção pessimista do
mundo e do futuro.
○​ Ansiedade: sensação de inadequação pessoal e percepção de
perigo iminente.
○​ Transtornos paranoides: crença de injustiça e perseguição.
8.​ Os significados podem ser públicos (objetivos) ou privados (subjetivos)
●​ As interpretações privadas podem ser generalizações extraídas de
eventos específicos.
9.​ Três níveis de cognição:
●​ Pré-consciente: pensamentos automáticos, involuntários.
●​ Consciente: raciocínio intencional.
●​ Metacognitivo: pensamento sobre o próprio pensamento, avaliação
crítica.
10.​Os esquemas evoluem para facilitar a adaptação ao ambiente
●​ Não há um estado psicológico absoluto de adaptação ou
desadaptação; tudo depende do contexto.

4. Modelo Cognitivo de Processamento de Informação e Comportamento

A TCC entende que o comportamento humano resulta de processos automáticos e


conscientes de interpretação:

●​ Processamento cognitivo automático:


●​ Operações mentais que ocorrem fora da consciência.
●​ Geração de interpretações inconscientes sobre eventos.
●​ Processo de reação emocional e comportamental:
●​ A interpretação gera um afeto (emoção).
●​ O afeto leva a um comportamento específico.
●​ O comportamento influencia a situação inicial.

1.​ Introdução aos Conceitos Fundamentais

Apresenta os seguintes pontos principais para discussão:

●​ O modelo cognitivo.
●​ As crenças centrais e intermediárias.
●​ A relação entre comportamento e pensamentos automáticos.
●​ Identificação e modificação de pensamentos automáticos.

2.​ O Modelo Cognitivo


A TCC baseia-se no modelo cognitivo de processamento de informação, que
descreve como as interpretações de eventos influenciam emoções e
comportamentos. Esse modelo considera dois tipos de processamento cognitivo:

2.1. Processamento Cognitivo Automático

●​ Ocorre de forma inconsciente e rápida.


●​ Atua por meio de esquemas mentais, que organizam e interpretam
informações.
●​ Gera interpretações automáticas da realidade, sem análise racional
consciente.
●​ Exemplo: uma pessoa com ansiedade social pode interpretar um olhar neutro
como julgamento negativo.

2.2. Processo de Interpretação e Reação

1.​ O indivíduo processa um evento (consciente ou inconscientemente).


2.​ Gera uma interpretação baseada em esquemas pré-existentes.
3.​ Essa interpretação influencia o estado emocional.
4.​ O estado emocional resulta em um comportamento específico.
5.​ O comportamento pode reforçar ou modificar a interpretação inicial.

3. Esquemas Cognitivos e Significado

Os esquemas são estruturas mentais que armazenam e organizam crenças e regras


sobre o mundo. Eles influenciam o processamento da informação e podem ser
classificados em três níveis:

3.1. Esquemas Simples

●​ Regras básicas sobre o mundo físico e cotidiano.


●​ Exemplo: “Uma boa educação é essencial”, “Dirija com segurança”.

3.2. Crenças e Pressupostos Intermediários

●​ Regras condicionais do tipo “se… então” que regulam a autoestima e o


comportamento.
●​ Exemplo: “Se eu não agradar os outros, serei rejeitado”, “Se eu me esforçar,
terei sucesso”.

3.3. Crenças Nucleares

●​ São as crenças mais profundas sobre si mesmo, formadas na infância e


reforçadas ao longo da vida.
●​ Exemplo: “Sou um fracasso”, “Não sou digno de amor”, “Posso confiar nos
outros”.
4. Pensamentos Automáticos

Os pensamentos automáticos são cognições rápidas e involuntárias que surgem ao


interpretar eventos ou lembrar experiências passadas. Características:

●​ Ocorrem espontaneamente sem análise racional.


●​ Influenciam emoções e comportamentos de forma imediata.
●​ Podem ser disfuncionais, levando a padrões negativos de pensamento.

Exemplo de pensamento automático:

Uma pessoa que comete um erro no trabalho pode automaticamente pensar: “Sou
incompetente”, o que pode gerar sentimentos de tristeza e insegurança.

5. O Modelo Cognitivo-Comportamental Básico

O documento apresenta um exemplo aplicado ao tratamento da fobia social:

1.​ Evento: O paciente precisa falar em público.


2.​ Interpretação automática: “Vou falhar e ser ridicularizado”.
3.​ Resposta emocional: Ansiedade intensa.
4.​ Comportamento: Evitação da situação.
5.​ Reforço da crença: A evitação impede a oportunidade de refutar a crença
inicial, fortalecendo a fobia.

6. Conceitualização de Caso na TCC

A conceitualização de caso é o processo de análise e estruturação do tratamento na


TCC. Inclui:

●​ Avaliação da história do paciente e da psicopatologia.


●​ Formulação de um plano de tratamento baseado nos princípios da TCC.
●​ Monitoramento da evolução do paciente ao longo das sessões.

6.1. Dimensões Importantes na Avaliação

1.​ Cronicidade e complexidade do problema.


2.​ Otimismo do paciente em relação à melhora.
3.​ Aceitação da responsabilidade pela mudança.
4.​ Capacidade de acessar pensamentos automáticos e identificá-los.
5.​ Habilidade de trabalhar dentro da estrutura da TCC, mantendo o foco na
solução de problemas.
Principais Tópicos Abordados

1.​ Identificação dos Pensamentos Automáticos

Os pensamentos automáticos são cognições involuntárias que influenciam


emoções, respostas fisiológicas e comportamentos. São divididos em três
categorias principais:

●​ Imprecisos e angustiantes, que dificultam a adaptação.


●​ Acurados, mas inúteis, que não contribuem para soluções produtivas.
●​ Disfuncionais, como ruminação e autocrítica.

Os pacientes, muitas vezes, percebem mais as emoções e os comportamentos


resultantes desses pensamentos do que os próprios pensamentos.

2.​ Métodos para Identificação

A TCC utiliza diversas estratégias para identificar pensamentos automáticos,


incluindo:

●​ Mudanças de humor: estados emocionais ajudam a revelar cognições


subjacentes.
●​ Psicoeducação: explicação do conceito ao paciente, com exemplos pessoais.
●​ Descoberta guiada: questionamento socrático para estimular a reflexão.
●​ Registro de pensamentos: escrita estruturada das cognições automáticas.
●​ Exercícios de imagens mentais: reviver mentalmente eventos para acessar
pensamentos e emoções.
●​ Role-play: simulação de interações para explorar pensamentos associados.

3.​ Avaliação e Modificação dos Pensamentos Automáticos

Após identificar os pensamentos, a TCC trabalha para modificá-los. Algumas


técnicas incluem:

●​ Questionamento socrático: examinar a validade dos pensamentos.


●​ Registro de pensamentos disfuncionais (RPD): automonitoramento com
análise de erros cognitivos.
●​ Geração de alternativas racionais: explorar diferentes formas de interpretar a
realidade.
●​ Descatastrofização: reduzir o impacto emocional de previsões negativas.
●​ Ensaio cognitivo: simular mentalmente respostas mais adaptativas.
●​ Reestruturação cognitiva: modificar padrões de pensamento prejudiciais.

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