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Resposta Metabólica ao Trauma Cirúrgico

O documento aborda a resposta endócrina, metabólica e imunológica ao trauma cirúrgico, destacando a importância do equilíbrio entre os sistemas envolvidos para evitar complicações como a falência orgânica múltipla. A resposta é dividida em duas fases: ebb, caracterizada por hipometabolismo, e flow, que envolve hipermetabolismo e anabolismo. Situações como hemorragia e infecção podem exacerbar essa resposta, enquanto intervenções adequadas podem mitigá-la.
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Resposta Metabólica ao Trauma Cirúrgico

O documento aborda a resposta endócrina, metabólica e imunológica ao trauma cirúrgico, destacando a importância do equilíbrio entre os sistemas envolvidos para evitar complicações como a falência orgânica múltipla. A resposta é dividida em duas fases: ebb, caracterizada por hipometabolismo, e flow, que envolve hipermetabolismo e anabolismo. Situações como hemorragia e infecção podem exacerbar essa resposta, enquanto intervenções adequadas podem mitigá-la.
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Resposta Endócrino

Metabólica
Imunológica ao
trauma
(REMIT)
Prof. Guilherme de Almeida Santos
Internato de Cirurgia Geral
REMIT
 O ato cirúrgico é um trauma.

 A resposta do organismo visa restabelecer o equilíbrio de


suas funções e depende do grau da agressão, da idade e
estado geral do paciente.

 Componentes biológicos do trauma (primários,


secundários ou associados).
REMIT

 Envolve o sistema nervoso, imunológico, endócrino e


circulatório.

 Quando exacerbada pode provocar a falência orgânica


múltipla (FOM).
REMIT

 Quando a homeostase não é alcançada após injúria, temos


a Síndrome da inflamação, imunossupressão e catabolismo
persistente (PICS)– morte.

 O desequilíbrio pode ser tanto hiper ou hipoinflamatório.


REMIT
 Características:

 1- A intensidade é proporcional à gravidade do estresse.

 2- Alteração do metabolismo que direciona as funções


energéticas para a manutenção dos processos celulares.
Classificação da REMIT

 Primeira fase: fase ebb (declínio).

 Segunda fase: fase flow (avanço metabólico)


Fase ebb
 Diminuição das funções metabólicas.

 Objetivo principal: perfusão de órgãos nobres.

 Acontece precocemente ao trauma e deve ser curta.


Fase ebb

 Redução: débito cardíaco, gasto de energia, temperatura,


concentração de insulina e consumo de O2.

 Aumento: resistência vascular periférica, glicemia (reservas


de glicogênio hepático), noradrenalina, conc. ácidos graxos,
glucagon).
Fase flow
 Hipermetabolismo

 Início após estabilização cardiopulmonar, duração variável.

 Gasto aumentado de energia, mudança no substrato


energético e catabolismo muscular.
Fase flow

 Dividida em subfases:

 Fase corticoadrenérgica
 Fase de transição
 Fase de anabolismo precoce
 Fase de anabolismo tardio
Fase flow
 Fase corticoadrenérgica:

 Duração de 2 a 5 dias.

 Catabolismo.

 Hipermetabolismo.
Fase flow

 Fase de transição: 1 - 2 dias


 Redução do catabolismo (precursora da fase de
anabolismo).

 Diurese aumentada com perda de água e sódio.


 Balanço positivo do potássio (redução de perda na urina).
 Diminuição da perda urinária de nitrogênio (redução da
degradação proteica).

 Suspeitar de alguma complicação se a fase de transição não


iniciar em 3 a 5 dias.
Fase flow

 Fase de anabolismo precoce:

 3 – 12 semanas

 Balanço nitrogenado positivo.

 Deposição de gorduras nos tecidos adiposos.


Fase flow

 Fase de anabolismo tardio:

 Alguns meses

 Balanço nitrogenado neutro.

 Aumento da deposição de gorduras nos tecidos


adiposos.

 Balanço calórico positivo.


Fase flow
 Outras características da fase flow:

 Aumento do débito cardíaco, temperatura corporal,


produção de glicose, concentração da insulina,
concentração dos ácidos graxos, níveis de glucagon,
adrenalina, consumo de oxigênio.
Mediadores da
REMIT e efeitos no
organismo
Citocinas

 Polipeptídeos produzidos por células nucleadas.

 Podem estimular o processo inflamatório (pró-


inflamatórias) ou inibi-lo (anti-inflamatórias)

 REMIT adequada deve haver equilíbrio entre as duas.

 Efeito exacerbado de uma citocina anti-inflamatória inibe


o sistema imunológico. Pró-inflamatória acarreta
resposta inflamatória exacerbada (FMO).
Citocinas pró-inflamatórias
 Fator de necrose tumoral (TNF), interleucinas 1 e 8 (IL-1
e IL-8), interferon-gama (IFN-γ).

 IL-6 também apresenta efeito anti-inflamatório (inibe


produção de TNF e IL-1 pelos macrófagos) é fator
prognóstico de pacientes graves.

 Aumento da migração e ativação dos neutrófilos, síntese


de moléculas de adesão, inflamação, febre, leucocitose,
proteólise.
Citocinas anti-inflamatórias
 Antagonista do receptor da IL-1 (IL-1ra), IL-4, IL-10, IL-
11, IL-13 e fator de crescimento transformador beta
(TGF-β).

 Redução das lesões pulmonares agudas, efeito inibitório


das citocinas pró-inflamatórias, redução da atividade
citotóxica dos macrófagos, aumento da proliferação de
fibroblastos, proteção contra a SIRS.
Mediadores da RIT e efeitos
Hormônios
 Fornecem o substrato energético para o reparo dos tecidos
lesados e para o processo de inflamação.

 A produção hormonal é diretamente proporcional à


gravidade do paciente.

 Hipófise, suprarrenais, rins, tireoide e pâncreas.


Catecolaminas
 Adrenalina e noradrenalina atuam como mediadores entre o
SN e endócrino.

 O nível das catecolaminas é proporcional à gravidade do


paciente.

 Fase ebb: taquicardia, taquipnéia, vasoconstrição periférica


e diminuição do débito cardíaco.

 Fase flow: hipermetabolismo e catabolismo protéico (beta-


adrenérgica).
Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
 Secretado pela hipófise.

 Eleva-se poucos minutos após o início do procedimento


cirúrgico.

 Estimula a produção de cortisol pela suprarrenal.


Cortisol
 Após início da cirurgia o ACTH estimula córtex da
suprarrenal a liberar Cortisol (4 – 6 h).

 O nível de Cortisol é proporcional ao grau do estresse.

 Efeitos no metabolismo de carboidratos, gorduras e


proteínas (mobilização de aminoácidos).

 Síntese de novas proteínas nas áreas lesadas, novas


células de defesa e mediadores inflamatórios.

 Efeito anti-inflamatório (inibe o acúmulo de neutrófilos –


queda transitória).
Hormônio do crescimento (GH)
 Secretado pela hipófise.

 Estimula a síntese protéica, a lipólise, a glicogenólise no


fígado, o sistema imunológico.

 Inibe a degradação protéica

 Antagonista da insulina.

 Prolactina e β-endorfina: poucos efeitos, apesar de


aumentadas
Hormônio Antidiurético (ADH)
 Perda de volume é detectada pelos barorreceptores,
osmorreceptores - Hipotálamo – ADH (resposta à alteração
volêmica e conc. Na) – reabsorção de H2O.
Renina, Angiotensina e Aldosterona
 FO – células justaglomerulares – Renina – Angiotensina I –
Angiotensina II (pulmões) – vasoconstrição e liberação da
Aldosterona – reabsorção de água e sal, perda de potássio.
Glucagon e Insulina

 Glucagon:

 Produz a gliconeogênese e glicogenólise no fígado.

 Lipólise no tecido adiposo.

 Insulina:

 É importante anabolizante, inibe o catabolismo e lipólise

 Ineficaz na fase ebb (hiperglicemia)


Hormônios Tireoidianos e Gonadotrofinas
 Hormônios tireoidianos:

 T3 e T4 estimulam o consumo do O2, absorção dos


carboidratos, estimulam o SNC aumenta metabolismo e
produção de calor.
 TSH e T4 estão normais a diminuídos. T3 diminuído.

 Gonadotrofinas:

 Testosterona, LH, FSH e estradiol estão reduzidos.

 Mobilização de proteína muscular para síntese protéica e


síntese de glicose, perda muscular e redução anabolismo
Situações capazes
de induzir a REMIT
Hemorragia

 Choque hemorrágico, queimaduras e sepse


reproduzem com fidedignidade as 2 fases.

 Início resposta típica da fase ebb, se hemorragia


não for corrigida = morte.

 Se a hemorragia for grave ou prolongada = SRIS


- (FOM)
Dor
 Ativa o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal e o
SNS.

 Bloqueio da dor reduz a REMIT = benefício.


Ferida (Cirúrgica ou Trauma)
 Fonte de estímulo para a REMIT (dor, edema e perda
volêmica).

 Estímulos neurendócrinos

 Feridas contaminadas, extensas apresentam maiores


estímulos.
Infecção

 As síndromes sépticas (SRIS, sepse, sepse grave e


choque séptico) induzem resposta inflamatória intensa.

 Choque séptico: mortalidade superior a 50%.

 Prognóstico: doenças pregressas, gravidade da


resposta inflamatória e sequelas nos órgãos alvo.
Outras situações

 Infecções por sondas e cateteres.

 Estresse (barulho, iluminação, falta de repouso).

 Inatividade (perda de massa muscular e atrofia).

 Jejum prolongado (3 – 4 dias).


Situações que reduzem a REMIT

 Jejum limitado;
 Hidratação venosa e reposição íons;
 Aquecimento de líquidos utilizados;
 Insuflação de ar aquecido diretamente na superfície do
paciente;
 Videocirurgia;
 UTI humanizada.
Sumário

 Várias situações desencadeam a REMIT.

 Situações que comprometem as funções


cardiopulmonares.

 Restauração rápida das funções orgânicas.


Sumário
 Quando limitada: BENÉFICA
 Disponibiliza glicose (tecidos nobres)
 Mantém fluxo sanguíneo
 Disponibiliza AA para a cicatrização
 Retém liquido sem alterar a osmolaridade
 Inflamação local (defesa)

 Quando exacerbada: MALÉFICA


 Hipercatabolismo protéico
 Intolerância periférica à glicose
 Isquemia renal e instestinal
 SIRS
 Imunodepressão e apoptose
DÚVIDAS
Bibliografia

 SAAD JUNIOR, R. ET AL.; Tratado de Cirurgia do CBC. 2 ed.


São Paulo: Editora Atheneu, 2015

 DOHERTY, G. M.; CIRURGIA: Diagnóstico & Tratamento. 13


ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 2011.

 [Link]/imagens

guialmeidasantos@[Link]

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