INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
CURSO TÉCNICO EM AGRICULTURA INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO
BIANCA LIMA CABRAL
CLARA LIMA CABRAL
GABRIELY SENA DE JESUS SIRQUEIRA
LUMA SARAIVA CERQUEIRA
MARIA CLARA TEIXEIRA VIANA
OLERICULTURA:
Grupo da Batata Inglesa
BARRA DE SÃO FRANCISCO
2024
BIANCA LIMA CABRAL
CLARA LIMA CABRAL
GABRIELY SENA DE JESUS SIRQUEIRA
LUMA SARAIVA CERQUEIRA
MARIA CLARA TEIXEIRA VIANA
OLERICULTURA
Grupo da Batata Inglesa
Relatório apresentado ao IFES Campus Barra
de São Francisco, curso técnico em agricultura
integrado ao ensino médio, como requisito
parcial para aprovação na disciplina:
Olericultura
Professor: Gabriel Pinto Guimarães
BARRA DE SÃO FRANCISCO-ES
2024
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................................ 6
1.2.Origem da batata:............................................................................................................................... 6
1.3.Principais produtores de batata:....................................................................................................... p6
1.4.Características:................................................................................................................................... 7
1.5.Importância social.............................................................................................................................. 7
1.6.Importância econômica...................................................................................................................... 7
TAXONOMIA E BOTÂNICA DA BATATA INGLESA.......................................................................... 8
2.1.Folhas:................................................................................................................................................ 9
2.2.Raízes:................................................................................................................................................ 9
2.3.Caule:................................................................................................................................................. 9
2.4.Flores:.................................................................................................................................................9
2.5.Frutos:................................................................................................................................................ 9
EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS.................................................................................................................... 9
3.1.Temperatura:...................................................................................................................................... 9
3.2.Luminosidade:..................................................................................................................................11
3.3.Umidade:.......................................................................................................................................... 11
CULTIVARES............................................................................................................................................. 11
4.1.Batata BRS Gaia...............................................................................................................................11
4.2.Batata BRS F50 (Cecília).................................................................................................................12
4.3.Batata BRS F183 (Potira)................................................................................................................ 12
4.4.Batata BRS F63 (Camila)................................................................................................................ 13
4.5. Batata BRS Clara............................................................................................................................ 13
5.PREPARO DO SOLO............................................................................................................................. 16
6. CALAGEM............................................................................................................................................. 16
6.1 Benefícios:........................................................................................................................................18
6.2 Nutrição Mineral; Elementos chave................................................................................. 18
TRATOS CULTURAIS.............................................................................................................................. 18
7.1.Controle de plantas daninhas........................................................................................................... 18
7.2.Amontoa...........................................................................................................................................19
7.3.Interrupção do ciclo..........................................................................................................................19
7.4.Manejo da irrigação..........................................................................................................................20
7.5.Distúrbios fisiológicos..................................................................................................................... 21
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS............................................................................................... 28
8.1.Doenças............................................................................................................................................ 28
8.1.1.Doenças causadas por fungos................................................................................................. 28
8.1.2.Doenças causadas por bactérias..............................................................................................32
8.1.3.Doenças causadas por nematóides..........................................................................................33
8.1.4.Doenças causadas por vírus....................................................................................................34
8.1.5.Medidas para o controle integrado de doenças.......................................................................36
8.2.Pragas............................................................................................................................................... 39
8.3.Observação.......................................................................................................................................45
9. COLHEITA............................................................................................................................................. 46
10. PÓS-COLHEITA..................................................................................................................................46
10.1 Valor da batata....................................................................................................................47
CURIOSIDADES........................................................................................................................................49
CONCLUSÃO.............................................................................................................................................50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................................... 50
1. INTRODUÇÃO
A batata inglesa, conhecida cientificamente como *Solanum tuberosum*, é um dos alimentos
mais consumidos em todo o mundo e um elemento básico em inúmeras culinárias. Originária
da região dos Andes, na América do Sul, foi levada para a Europa no século XVI e
rapidamente se popularizou devido à sua capacidade de adaptação a diferentes climas e solos,
além do seu elevado valor nutricional. Rica em carboidratos complexos, especialmente
amido, a batata é uma excelente fonte de energia e contém vitaminas como a C e B6, além de
minerais como potássio e ferro. Versátil na cozinha, pode ser consumida de várias formas:
cozida, frita, assada ou em purés, sendo ingrediente essencial em pratos tradicionais
portugueses, como o bacalhau à Brás e o cozido à portuguesa.
1.2.Origem da batata:
● Origem: A batata (Solanum tuberosum) é originária da região andina da América do Sul,
particularmente do atual território do Peru e da Bolívia, onde começou a ser cultivada há
cerca de 8.000 anos. As civilizações pré-colombianas domesticaram diversas variedades
da batata.
● Difusão: Foi levada para a Europa no século XVI pelos colonizadores espanhóis, sendo
rapidamente adotada em todo o continente devido à sua produtividade e capacidade de
crescer em diversos climas.
1.3.Principais produtores de batata:
1-China: É o maior produtor mundial, responsável por uma grande parte da produção global.
2-Índia: Também é um importante produtor, com destaque para o uso da batata na dieta
indiana.
3-Rússia: Reconhecida pela produção em larga escala devido ao clima favorável.
3-Ucrânia: Importante na Europa, especialmente para consumo doméstico.
4-Estados Unidos: Destacam-se no cultivo de batata para processamento industrial, como
batatas fritas e chips.
Na Europa, países como a Alemanha, a Polónia e os Países Baixos têm também forte tradição de
cultivo.
1.4.Características:
● Botânicas:
●.1. Planta herbácea perene que cresce em regiões temperadas e frias.
●.2. O tubérculo é a parte comestível, rica em amido.
● Nutricionais:
●.1. Rica em carboidratos, vitamina C, potássio e fibras.
●.2. Contém poucas calorias, sendo um alimento versátil na dieta humana.
● Variedades: Existem milhares de variedades, adaptadas a diferentes solos, climas e usos
culinários.
1.5.Importância social
● Alimentação Básica: É uma das principais fontes de energia alimentar no mundo,
especialmente em comunidades rurais.
● Segurança Alimentar: A batata é crucial em tempos de crise por sua produtividade e
resistência, como durante a Revolução Industrial ou períodos de guerra.
● Cultural: É parte integral de muitos pratos tradicionais, como o puré de batata na Europa
ou a batata-doce em festividades.
1.6.Importância econômica
● Agricultura: A batata é uma das culturas mais importantes do mundo, gerando emprego
em todas as etapas, do cultivo ao processamento.
● Indústria Alimentar: Usada na produção de snacks, farinha, amidos industriais e até em
biocombustíveis.
● Exportação: Para países com grande produção, como os Países Baixos e o Canadá, a
batata e seus derivados são um componente significativo das exportações agrícolas.
●.1. Composição nutricional
TAXONOMIA E BOTÂNICA DA BATATA INGLESA
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Gênero: Solanum
Espécie: Solanum Tuberosum
2.1.Folhas:
As folhas são compostas por folíolos, em número de cinco, sete ou nove, e, ainda por folíolos
terciários, muito mais pequenos, partindo aos pares do pecíolo. O comprimento das folhas adultas
é de 20 a 30 cm.
2.2.Raízes:
O sistema radicular da planta é relativamente superficial, com a quase totalidade das raízes
permanecendo a uma profundidade não superior a 40-50 cm. Entretanto, em solos argilosos
férteis e sem camadas de obstrução, podem alcançar até 1,0 m de profundidade.
2.3.Caule:
O caule aéreo da batata é normalmente oco na sua parte superior. Tem secção circular,
quadrangular ou triangular, podendo apresentar asas, que são lisas ou onduladas. Quando o caule
cresce diretamente do tubérculo-mãe ou próximo dele, é chamado de "rama", que pode ou não se
ramificar. Os tubérculos são caules adaptados para reserva de alimentos e também para
reprodução, formando, como resultado, o engrossamento da extremidade dos estolões, que são
caules modificados, subterrâneos, semelhantes a raízes. Na superfície dos tubérculos, as
estruturas mais evidentes são os olhos, cada um contendo mais de uma gema, e as lenticelas.
2.4.Flores:
As flores, com cerca de 2 cm de diâmetro, de cor branca a rosada, têm cálice gamossépalo, corola
completa com cinco pétalas, cinco estames, ovário bilocular, estilo e estigma simples. A
inflorescência, panícula, é composta por cinco a quinze flores.
2.5.Frutos:
Os frutos são biloculares do tipo baga, de cor verde, normalmente medindo de 2 cm a 3 cm de
diâmetro, contendo de 40 a 240 sementes por fruto. Muito embora algumas cultivares floresçam e
produzam sementes, a batata cultivada é propagada vegetativamente por meio de tubérculos
(clones).
EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS
3.1.Temperatura:
Temperatura ideal: A batata é uma planta de clima temperado. O intervalo ideal de
temperatura para o crescimento saudável está entre 15°C e 20°C.
● Durante a germinação dos tubérculos, temperaturas entre 18°C e 22°C são preferidas.
● Para o crescimento dos tubérculos, temperaturas mais baixas, entre 15°C e 18°C,
favorecem o desenvolvimento.
Sensibilidade ao calor: Acima de 30°C, o crescimento da planta pode ser prejudicado, e o
desenvolvimento dos tubérculos é reduzido.
Sensibilidade ao frio: Temperaturas abaixo de 0°C podem causar danos às folhas e congelar
os tubérculos, matando a planta.
3.2.Luminosidade:
● Necessidade de luz: A batata é uma planta que exige boa luminosidade.
Aproximadamente 12 horas diárias de luz são ideais para um crescimento saudável.
● Impacto da luz na qualidade: A exposição direta dos tubérculos à luz solar (por
exemplo, quando não estão bem cobertos de solo) pode fazer com que se tornem verdes,
devido à produção de clorofila, e aumentem os níveis de solanina, uma substância tóxica.
● Fotoperíodo: O comprimento do dia influencia a produção. Em regiões com dias longos,
as variedades locais estão adaptadas para crescer melhor nesses períodos.
3.3.Umidade:
Umidade do solo: A batata necessita de um solo moderadamente úmido, mas não encharcado.
● A umidade ideal do solo está entre 65% e 85% da capacidade de campo (quantidade
de água que o solo pode reter sem escorrer).
● Excesso de umidade: Solos alagados ou muito encharcados podem causar apodrecimento
dos tubérculos e aumentar a suscetibilidade a doenças, como o míldio.
● Deficiência de umidade: A falta de água pode resultar em tubérculos menores e menor
rendimento.
Necessidade de irrigação: É importante em períodos secos, especialmente durante a fase de
formação dos tubérculos, para garantir um bom desenvolvimento.
Umidade do ar: Uma umidade relativa do ar entre 60% e 80% favorece o crescimento da
planta, enquanto níveis mais altos podem predispor à proliferação de fungos.
CULTIVARES
4.1.Batata BRS Gaia
A BRS Gaia é uma cultivar de batata de tubérculos com casca vermelha desenvolvida para
complementar a produção voltada ao autoconsumo em pequenas propriedades, especialmente no
Rio Grande do Sul. Pela sua resistência intermediária à murcha bacteriana, pode ser utilizada em
rotação com o tabaco, com menor risco à produção. Também apresenta moderada resistência ao
vírus Y da batata. Os tubérculos da variedade têm boa aparência, com polpa amarela média e
formato ovalado. Também apresentam baixa incidência de desordens fisiológicas que resultam
em deformidades. No campo, apresenta potencial produtivo moderadamente elevado. Além
disso, a variedade também é considerada de média-alta rusticidade, com elevada tolerância ao
calor. A recomendação de cultivo é para a Região Sul do País, podendo ser produzida em todas
as épocas com clima adequado para a batata: entre 15 ºC e 22 ºC.
4.2.Batata BRS F50 (Cecília)
A BRS F50 (Cecília) é uma cultivar de batata que alia elevado potencial produtivo, dupla
finalidade de uso (cocção e fritura) e indicação para sistemas orgânicos de produção, já que o seu
principal diferencial é a resistência a doenças foliares, o que diminui a necessidade de uso de
defensivos químicos. Uma das suas principais características é a resistência moderada a doenças
como a requeima, principal doença da batata no mundo e que pode causar a perda total da
produção. O material é adaptado à safra de inverno, com plantios de maio a julho, em Minas
Gerais e São Paulo; e às safras de outono e primavera, com plantios em fevereiro e maio e em
agosto e setembro, respectivamente, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Além disso,
pode ser cultivado na safra de verão, em áreas de maior altitude do Sul do País. Possui teor
relativamente alto de matéria seca (maior que 20%), o que lhe dá dupla finalidade de uso: cocção
e fritura. As batatas da nova variedade têm polpa amarelo-clara e película amarela e lisa, com
formato ovalado e gemas rasas, o que confere aparência atrativa.
4.3.Batata BRS F183 (Potira)
BRS F183 (Potira) destaca-se pelas características de duplo propósito (indústria e in natura), com
alto potencial produtivo e excelente qualidade de fritura de palitos. As principais características
que fazem com que a cultivar seja considerada de duplo propósito são seu teor de 21% de matéria
seca e a aparência dos tubérculos. Na produção de palitos pré-fritos congelados, apresenta
elevado rendimento industrial e alta qualidade do produto final. Já na culinária, apresenta textura
firme (coesa e não farinhenta) e seca e crocante quando frita. A película lisa e as gemas rasas dos
tubérculos também facilitam o descascamento. É moderadamente resistente à alternaria,
moderadamente suscetível à requeima e suscetível à sarna comum.
4.4.Batata BRS F63 (Camila)
BRS F63 (Camila) é uma cultivar de batata com elevado potencial produtivo, ótima aparência,
resistência ao vírus Y e teor médio de matéria seca, o que confere maior versatilidade culinária e
maior vida útil na prateleira. Os tubérculos são ovalados, de polpa amarelo-claro, película
amarela e lisa e apresentam resistência moderada ao esverdeamento pós-colheita. O teor médio
de matéria seca possibilita vida de prateleira mais longa no mercado e no armazenamento de
sementes. É indicada preferencialmente para as regiões produtoras do Sul do Brasil, enquanto nas
regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste a recomendação é que seu plantio seja limitado às
épocas mais fria
4.5. Batata BRS Clara
A cultivar BRS Clara possui elevado potencial produtivo com alta percentagem de tubérculos
graúdos, em épocas mais quentes deve ser comercializada imediatamente após a colheita devido
à perda de qualidade da película. Os tubérculos de BRS Clara têm conteúdo médio de matéria
seca, apresentando textura firme na cocção, com uso preferencialmente para preparação de
saladas e outros pratos afins. Entretanto, a característica em destaque é a sua resistência à
requeima, a doença mais devastadora das lavouras de batata no mundo. Apresenta ciclo médio
(100 dias).
5.PREPARO DO SOLO
Todas as medidas de preparação do solo devem ser devidamente seguidas a fim de garantir a
produção de tubérculos sadios, sem o risco de possíveis apodrecimentos ou até mesmo a má
formação de raízes. Para isso deve-se realizar:
5.1Análise de solo:
Assim como em qualquer cultura, o preparo do solo para o cultivo de batata começa com a análise do
solo que, após os resultados, possibilita ao produtor saber do que a área precisa, como nutrientes,
correções e aplicações de produtos necessários. A cultura da batata precisa de um solo muito bem
adubado e com grandes concentrações de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Tudo em equilíbrio e
com uma estratégia de adubação de produtividade.
5.2Arações no solo:
Para facilitar a boa drenagem do solo, é necessário garantir o revolvimento do solo da área que receberá as
batatas-semente. No caso dessa cultura, a maioria dos produtores realizam o revolvimento com grades
aradoras ou subsoladores, que diminuem a compactação do solo, deixando-o solto e com as condições
ideais para a planta emergir e brotar seus tubérculos sem nenhuma deformação. Na prática isso significa
arar o solo para garantir um solo descompactado a cerca de 30 cm do solo e com a integração de restos de
outras culturas
5.3Espaçamento:
Os sulcos de plantio geralmente têm 10 a 15 cm de profundidade, com espaçamento de 70 a 90 cm,
dependendo da finalidade da produção. Para batata consumo, o espaçamentos entre sulcos é de 80 a 90
cm; para batata-semente, utiliza-se 70 a 75 cm entre sulcos. O espaçamento entre as linhas deve permitir o
tráfego de máquinas durante os tratos culturais. A distância entre as plantas, nas linhas, varia de 30 a 40
cm para a produção de batata-consumo e de 20 a 25 cm para o cultivo de batata-semente. A profundidade
de plantio depende das condições do solo. Em solos argilosos, normalmente os tubérculos semente são
posicionados de 3 a 5 cm abaixo da superfície do solo, já em solos de textura média ou arenosa a
profundidades pode ser de até 10 cm.
6. CALAGEM
(Ph ideal de 5,5 a 6,0)
Importante para o desenvolvimento da batata. Solos ácidos limitam o desenvolvimento das raízes e
aumentam a toxicidade do alumínio.O manejo de calagem foi uma das grandes descobertas da
pesquisa agropecuária no que diz respeito à correção de solo e incremento de produção. A
calagem tem a finalidade de corrigir a acidez do solo, elevando o pH e neutralizando os efeitos
tóxicos do alumínio (Al) e manganês (Mn).
Além da correção da acidez, a calagem eleva os teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) do solo,
porque o calcário, que é o corretivo normalmente usado, contém teores altos desses nutrientes.
Há vários métodos para estimar a quantidade de calcário a ser adicionada ao solo, a qual deve ser
determinada com base nos resultados da análise de solo, de modo a elevar a saturação de bases
(V) a 80%. O calcário deve ser aplicado a lanço e incorporado ao solo por meio de gradagem
que, dependendo do grau de finura e reação que classificamos como PRNT, deve-se aplicar entre
três e um mês antes do plantio da batata. No que se refere à quantidade, é muito relativo. É
preciso realizar uma amostragem de solo representativa e enviar para o laboratório uma amostra
composta. Com a ajuda de um engenheiro agrônomo e/ou Técnico Agrícola deve-se realizar a
interpretação da análise de solo, quando será possível saber a quantidade exata a aplicar naquele
solo especificamente.
6.1 Benefícios:
Aumento da resistência da planta a estresses abióticos, melhoria na produtividade e qualidade
dos tubérculos.A calagem é feita com calcário, e entrega grandes benefícios, como: aumentar
a disponibilidade de fósforo, já que diminui os sítios de fixação no solo; diminuir a
disponibilidade de alumínio e manganês por meio da formação de hidróxidos, que não são
absorvidos; aumentar a mineralização da matéria orgânica com consequente maior
disponibilidade de nutrientes e favorecer a fixação biológica de nitrogênio. Nas propriedades
físicas do solo, a calagem aumenta a agregação, pois o cálcio é um cátion floculante e, com
isso, diminui a compactação.
6.2 Nutrição Mineral; Elementos chave
Cálcio e magnésio desempenham papéis críticos no desenvolvimento radicular, resistência a
doenças e metabolismo da planta. A deficiência de cálcio afeta o crescimento dos tubérculos e
das raízes. Magnésio é essencial para a fotossíntese e resistência à seca.
TRATOS CULTURAIS
7.1.Controle de plantas daninhas
O ideal é que a cultura da batata não sofra influência de plantas daninhas, que competem por
água, nutrientes e luz, além de poderem em alguns casos ter efeito alelopático. Os efeitos mais
danosos desta competição são na primeira metade do ciclo de desenvolvimento da cultura, isto é,
até os primeiros 30 a 50 dias. No final do ciclo, o efeito das plantas daninhas não se reflete muito
na produção, mas o mato pode dificultar fisicamente o processo de colheita.
Dentro da dinâmica do desenvolvimento das plantas daninhas, é importante sempre reduzir a
reserva de suas sementes no solo, não as deixando produzir sementes na área. As plantas de
batata não competem vigorosamente no início do seu desenvolvimento com as plantas daninhas,
sendo que sua habilidade de competição está diretamente relacionada com o estado de
dormência, a capacidade de brotação e a ocorrência de crescimento inicial rápido, para produção
de grande área foliar para o sombreamento do solo e plantas daninhas. Esta habilidade depende
também da arquitetura da planta, que varia entre cultivares.
Para o controle das plantas daninhas, destaca-se o método cultural, que é um conjunto de práticas
que possibilitam à cultura melhor competitividade com as plantas daninhas, incluindo a rotação
de culturas, utilização de espaçamento e plantio adequados, além do adequado manejo da área
após a colheita para evitar a produção de sementes pelas plantas daninhas. Pode-se ainda
antecipar o preparo do solo para favorecer a emergência das plantas daninhas, facilitando a sua
eliminação antes do plantio, mecânica ou químicamente.
Em pequenas áreas ou em áreas acidentadas, o controle pode ser realizado por meio de capinas
mecânicas, sendo que no cultivo mais tecnificado o uso de herbicidas na época do plantio
(pré-plantio ou pré-emergência), seguido de uma ou duas cultivações (tração motorizada), as
quais, geralmente, coincidem com a(s) amontoa(s), são mais utilizadas. Os herbicidas devem ser
escolhidos em função da sua eficiência, segurança e economicidade, levando-se em conta o
programa de rotação de culturas e outras recomendações técnicas para o cultivo.
As plantas que se desenvolvem a partir dos tubérculos que rebrotam (soqueira), em áreas onde
são realizadas implantações sucessivas da cultura, também são consideradas daninhas, podendo
promover a manutenção de pragas e doenças na área, além de contaminação varietal, devendo
estas ser eliminadas após cada cultivo.
7.2.Amontoa
A amontoa é o processo no qual o solo é movimentado e direcionado para a base das plantas em
ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura,
estimulando o desenvolvimento de estolões e protegendo os tubérculos do sol, além de também
auxiliar no controle das plantas daninhas. A amontoa tradicional realiza-se aproximadamente aos
25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 cm a 30 cm de altura.
Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma
segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e
fiquem esverdeados, tornando-os inadequados ao consumo. Este processo, quando não realizado
adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas,
proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a
rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole. Para proteger a parte do caule
que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo
imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos. É comum também a antecipação da
amontoa, realizando-se o primeiro processo logo após a germinação, com vantagens em relação à
diminuição nos danos causados às plantas.
7.3.Interrupção do ciclo
A interrupção do ciclo da cultura, que normalmente varia de 90 a 120 dias dependendo da
cultivar, do clima e do solo, pode ocorrer de forma natural ou artificial com a utilização de
desfolhantes ou dessecantes, que matam a rama e as ervas daninhas, facilitando a colheita, e
evitam futuras contaminações do tubérculo através da parte aérea da planta (rama). Se utilizar a
dessecação, o produtor pode antecipar a colheita, aproveitando o preço de mercado, se favorável.
Após a dessecação, é esperado um período que varia de 10 a 15 dias para que a pele da batata se
fortaleça ou se firme, evitando o pelamento durante o processo de colheita e pós-colheita. Em
cultivos agroecológicos, este processo pode ser realizado mecanicamente, por meio de roçada.
Porém, deve-se evitar realizar o corte das ramas em épocas chuvosas e deve-se fazer a
pulverização das hastes danificadas com defensivos permitidos neste tipo de cultivo, para
diminuir os riscos da entrada de bactérias e fungos.
7.4.Manejo da irrigação
A planta de batata é muito sensível ao déficit de água. Mesmo pequenos períodos de estiagem
comprometem o sucesso da lavoura, sendo a irrigação recomendada em regiões e/ou estações
com distribuição irregular de chuvas. A produção também é afetada pelo excesso de água, por
reduzir a aeração do solo, favorecer maior incidência de doenças e lixiviar nutrientes móveis.
Irrigações em excesso favorecem várias doenças de solo, como murcha-bacteriana,
sarna-prateada, sarna-pulverulenta, canela-preta e podridão-mole. A irrigação por aspersão,
notadamente quando em regime de alta frequência, favorece condições de alta umidade no dossel
vegetal, aumentando a incidência de doenças foliares. Por outro lado, a falta de água,
especialmente no início da tuberização, favorece a ocorrência da sarna-comum.
A demanda de água pelas plantas é dependente das condições climáticas, da cultivar e do sistema
de cultivo, principalmente. A necessidade total da cultura, incluindo a evaporação do solo, varia
de 250 mm a 550 mm, podendo superar 600 mm para cultivares de ciclo longo e em regiões
quentes e secas.
A irrigação é realizada, muitas vezes, por meio de práticas impróprias de manejo e do uso de
sistemas de irrigação com baixa uniformidade de distribuição de água. Ao mesmo tempo em que
são, geralmente, irrigadas em excesso, as plantas são também, com frequência, submetidas a
condições de déficit hídrico. Por conseguinte, é possível aumentar a produtividade em até 20% e
reduzir a lâmina total de irrigação em até 40%, somente irrigando-se corretamente.
7.5.Distúrbios fisiológicos
Perdas consideráveis ocorrem quando a batata é produzida sob condição de estresse ambiental
(ambientes micro e macro) ou quando é manipulada indevidamente. Essas perdas podem ser
evitadas planejando-se o cultivo para situações pouco sujeitas aos estresses relacionados a elas.
Para os distúrbios fisiológicos, deve-se ter cuidado especial para evitar a aplicação de agrotóxicos
em doses que causem fitotoxicidade. A disponibilidade de água no solo deve ser a adequada para
a cultura, evitando sua falta ou o excesso principalmente no período de crescimento dos
tubérculos. A adubação deve ser balanceada, levando-se em conta ainda o espaçamento adequado
de acordo com a cultivar. Para evitar danos mecânicos, deve-se manipular os tubérculos com
cuidado nas operações de colheita, transporte, lavação e embalagem, dispondo-se de
equipamentos adequados e bem ajustados, além de pessoal bem treinado nas operações.
Tubérculos danificados são facilmente colonizados por patógenos e apodrecem, podendo
contaminar outros tubérculos. Cultivares de batata se comportam de forma diferente em relação
aos fatores abióticos associados a alguns tipos de distúrbios. Portanto, é essencial que se escolha
a cultivar adequada para a época de plantio.
Rachadura
Ocorre durante o crescimento acelerado do
tubérculo, quando sua parte interna cresce
mais rapidamente do que a parte externa. As
rachaduras deste tipo, normalmente
longitudinais (Figura 1), cicatrizam e
Figura 1. Tubérculos de batata com rachadura.
tornam-se cada vez mais superficiais à
medida que o tubérculo cresce. Fatores que
favorecem o crescimento rápido do
tubérculo, como chuva ou irrigação pesada Embonecamento ou crescimento
após um período quente e seco, e adubação secundário
nitrogenada desbalanceada, são as principais
Embonecamento ou crescimento secundário
causas das rachaduras.
- É a formação irregular do tubérculo
Foto: Carlos A. Lopes
provocado pelo seu crescimento
desuniforme (Figura 2) após um período de
estresse que temporariamente paralisa este
crescimento. As causas de estresse que
interrompem o crescimento normal do
tubérculo são normalmente relacionadas ao
ambiente, como geada e granizo que
destroem a folhagem, baixa umidade do
solo, temperatura elevada do solo e
desbalanço nutricional. A carga genética da
cultivar também influencia a frequência do
aparecimento de tubérculos com este
distúrbio. Figura 3. Coração-oco em tubérculos de
batata.
Coração-preto
Caracteriza-se por apresentar manchas
irregulares, de cor cinzenta e preta, na região
central do tubérculo. Pode ocorrer ou não
formação de uma cavidade ocasionada pela
contração dos tecidos afetados. Os tecidos
Figura 2. Embonecamento em tubérculos
ficam escurecidos (Figura 4) devido à
de batata.
necrose ocasionada pelo suprimento
Coração-oco insuficiente de oxigênio no tubérculo,
provocado por arejamento inadequado no
É o nome dado quando o tubérculo,
armazém ou por respiração excessiva dos
normalmente grande, apresenta uma ou mais
tecidos do tubérculo, provocada por forte
cavidades de diferentes tamanhos no seu
calor durante a fase final da tuberização no
interior (Figura 3). É provocado por
campo.
crescimento rápido do tubérculo, às vezes
associado ao desbalanço hídrico ou à Foto: Carlos A. Lopes
deficiência de potássio. Cultivares que
produzem tubérculos muito grandes devem
ser produzidas em espaçamentos menores
para evitar este problema.
Foto: Carlos A. Lopes
Unhadura
É um distúrbio caracterizado por pequenas
fendas (1 a 2 cm de comprimento) curvas,
como se fosse originada pela compressão de
uma unha no tubérculo (Figura 6). Pode
ocorrer uma ou várias fendas por tubérculo.
Sua causa não é bem conhecida, mas tem
sido atribuída a período seco no final da
Figura 4. Coração-preto em tubérculo de tuberização e pancadas nos tubérculos
batata. durante a colheita e armazenamento.
Chocolate ou mancha-ferruginosa
Foto: Carlos A. Lopes
Ou também chamado de internal heat
necrosis; ocorre mais em períodos quentes e
secos. Caracteriza-se por apresentarem
manchas pardo-avermelhadas, firmes,
irregularmente distribuídas na polpa do
tubérculo (Figura 5). Só é visível após o
corte do tubérculo, constituindo-se em um
Figura 6. Unhadura em tubérculos de
problema na comercialização. Sua causa não
batata.
é bem conhecida, mas sabe-se que é
controlada geneticamente. As cultivares Lenticelose
mais plantadas no Brasil dificilmente
Caracteriza-se por crescimento exagerado
apresentam este problema.
das lenticelas. Como as lenticelas são
estruturas de respiração, elas se expandem
Foto: Carlos A. Lopes
para compensar a pequena quantidade de
oxigênio disponível no ambiente de solo
encharcado. Na colheita, em solo úmido, as
lenticelas expandidas aparecem como
pontuações esbranquiçadas, parecidas com
pequenas verrugas (Figura 7). Lenticelas
expandidas são portas de entrada de vários
patógenos.
Figura 5. Mancha-chocolate em
tubérculos de batata. Foto: Carlos A. Lopes
tubérculos são expostos à luz. No campo
(esverdeamento de campo) (Figura 9),
acontece quando a amontoa é mal feita,
quando ocorre erosão no campo ou quando a
cultivar tuberiza muito superficialmente. O
esverdeamento de pós-colheita (Figura 10)
ocorre quando os tubérculos são
armazenados sob a luz natural ou artificial.
A rapidez com que os tubérculos esverdeiam
Figura 7. Lenticelose em tubérculo de
depende da cultivar. Quando o tubérculo
batata.
esverdeia, forma-se um alcaloide de sabor
Vitiligo amargo, tóxico ao homem, chamado
solanina. Por isso, tubérculos esverdeados
Tubérculos produzidos em solos
não devem ser consumidos.
encharcados podem apresentar a superfície
esbranquiçada e ligeiramente embolhada e
Foto: Carlos A. Lopes
depois escurecidas (Figura 8) em virtude da
absorção de água pelas lenticelas.
Normalmente, esse distúrbio vem
acompanhado de outros ligados à alta
umidade do solo, como lenticelose,
coração-oco e coração-preto.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 9. Tubérculos de batata com
esverdeamento de campo.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 8. Vitiligo em tubérculo de batata.
Esverdeamento
O esverdeamento ocorre quando os
Figura 10. Esverdeamento de tubérculos
de batata em pós-colheita.
Despelamento ou batata mal-encascada
A colheita de batata deve ocorrer pelo
menos cinco dias após a morte natural ou
artificial das ramas, ocasião em que a
película fica bem aderida aos tubérculos.
Colheita mais precoce resulta em Figura 12. Tubérculos de batata esfolados.
"despelamento" dos tubérculos (Figura 11)
durante a manipulação e lavação, o que afeta Empedramento ou engelado
a aparência do produto e acelera a sua
É um distúrbio de causa desconhecida, com
deterioração por favorecer o ataque de
suspeita de presença de virose, em que o
patógenos.
tubérculo fica endurecido e com aparência
Foto: Carlos A. Lopes vitrificada, impróprio para o consumo e para
uso como semente.
Gelatinizada ou jajica
Ocorre em tubérculos em duas situações:
quando se encontram em fase de
crescimento em lavoura sujeita a geada forte
ou quando são armazenados em câmara fria
ou armazém convencional sujeitos a
abaixamento brusco e forte de temperatura
Figura 11. Tubérculo de batata despelado.
(menor que 0 °C). Tubérculos gelatinizados
Esfolamento apresentam cor esbranquiçada e polpa
vitrificada dura, de difícil corte, e não
É um dano mecânico que provoca a
brotam após período normal de dormência
remoção da casca da batata e também de
natural, mesmo com tratamento químico.
parte da polpa (Figura 12); portanto, de
forma mais profunda que o despelamento. Injúrias ou fitotoxidez de herbicidas
Acontece durante a operação de transporte,
Podem ser de vários tipos, tanto na parte
embalagem ou lavação da batata.
aérea como nos tubérculos, dependendo do
modo de ação do produto e da dose a que a
Foto: Carlos A. Lopes
planta foi exposta. Ocorrem basicamente
devido a deriva ou resíduos de produto no Figura 14. Clorose das nervuras de folha
solo ou no pulverizador. Nas folhas, ocorrem de batata causada por herbicida.
deformações (Figura 13), enrugamento,
queima de bordas, e cloroses (Figura 14), Foto: Carlos A. Lopes
sintomas que podem desaparecer à medida
que as plantas se desenvolvem. Nos
tubérculos, ocorrem deformações (Figura
15) ou queima superficial, neste caso
concentrada na face exposta ao contato
direto com o produto. Sintomas nos
tubérculos podem ser também internos
(Figura 16), quando há translocação do
produto em doses altas ou em condições de
Figura 15. Severa deformação de
climáticas adversas.
tubérculos de batata causada por
herbicida.
Foto: Carlos A. Lopes
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 13. Planta de batata com forte
deformação causada por herbicida.
Figura 16. Necrose na extremidade do
tubérculo de batata causado pela
Foto: Carlos A. Lopes
translocação de herbicida.
Injúrias ou fitotoxidez de inseticidas,
fungicidas e adubos foliares
Produtos não registrados ou quando
aplicados em doses excessivas,
principalmente sob alta temperatura ou em
horário de alta insolação, podem provocar
queima, pintas, enrugamento ou alteração na
cor da folhagem. Produtos aplicados no solo,
em especial os inseticidas sistêmicos, podem
causar injúrias. Alguns dos sintomas
desaparecem quando cessa o efeito do
produto, à medida que a planta se
desenvolve.
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
8.1.Doenças
8.1.1.Doenças causadas por fungos
Requeima, mela, míldio, mufa,
preteadeira, fitóftora ou
crestamento-da-fitóftora (Phytophthora
infestans)
A requeima é a principal doença da batata no
mundo. É favorecida por baixa temperatura
(12 °C - 18 °C) e alta umidade relativa do ar Figura 2. Escurecimento na parte superior de
(>90%). Sob estas condições, espalha-se caule de batata causado pela requeima.
rapidamente na lavoura, podendo causar
Foto: Carlos A. Lopes
perda total em poucos dias pela destruição
da folhagem. A doença se manifesta
primeiro nas folhas mais novas, onde causa
manchas grandes (Figura 1) e escurecimento
do caule (Figura 2). Quando o patógeno
atinge o tubérculo, causa lesões escuras e
firmes, de bordas pouco definidas, de cor
marrom na polpa exposta por corte
superficial (Figura 3).
Figura 3. Manchas marrons em tubérculos de
Foto: Carlos A. Lopes batata causado pela requeima.
A requeima é causada por Phytophthora
infestans, um oomiceto (antigamente
classificado como fungo) que produz
esporângios, zoósporos e oósporos, que são
estruturas responsáveis pela dispersão e/ou
sobrevivência do patógeno. A recombinação
dentro da espécie pode gerar variantes do
patógeno que suplantam ou "quebram" a
resistência vertical de cultivares ou que são
Figura 1. Manchas necróticas grandes de
resistentes a determinados fungicidas. A
requeima em batata.
resistência horizontal à requeima tem sido
preferida no desenvolvimento de novas
Foto: Carlos A. Lopes
cultivares, pois é efetiva contra todas as
variantes do patógeno e, por conseguinte,
mais estável e durável.
Pinta -preta ou mancha-de-alternaria, papel no controle integrado da doença.
alternária e crestamento-foliar (Alternaria Porém, é difícil obter sucesso
solani e A. grandis) exclusivamente com as medidas acima,
especialmente quando a cultura se insere em
É favorecida por temperaturas altas, acima sistemas intensivos de produção. O emprego
de 24 ºC, e alta umidade relativa do ar de cultivares resistentes está entre as
(>90%), portanto mais presente em lavouras medidas mais eficientes e seguras para o
cultivadas durante o verão. Normalmente, se controle da pinta-preta. Trabalhos de
estabelece na lavoura após o período de melhoramento que vêm sendo conduzidos,
maior vigor vegetativo e se espalha por meio inclusive pela Embrapa, têm mostrado ser
de esporos carregados pelo vento. possível obter genótipos precoces e ao
Contrastando com a requeima, ataca mesmo tempo resistentes à pinta-preta.
primeiramente as folhas mais velhas, onde
causa lesões concêntricas, mais secas e
menores que as da requeima (Figura 4), e Rizoctoniose, crosta-preta ou alfalto
pode provocar desfolha total das plantas, (Rhizoctonia solani)
reduzindo o ciclo da cultura, resultando na
produção de tubérculos pequenos e, É uma doença que aparece principalmente
consequentemente, em baixa produtividade. em solos frios, atacando inicialmente os
Estudos recentes têm indicado que A. brotos, antes e após a emergência, afetando o
grandis é a principal espécie associada à estande e a uniformidade da lavoura.
pinta-preta em batata no Brasil. Também provoca cancros avermelhados na
base das ramas (Figura 5) e enrolamento das
Foto: Carlos A. Lopes folhas, que se confunde com o ataque do
vírus do enrolamento das folhas de batata
(PLRV). Plantas afetadas às vezes
apresentam tubérculos aéreos, que se
formam pelo acúmulo localizado de amido
pelo impedimento da sua translocação
causado pelas lesões no caule. Nos
tubérculos, a doença é reconhecida
facilmente pela presença de escleródios
superficiais pretos (asfalto) (Figura 6). É
comum a formação de tubérculos
deformados, produzidos em "cachos",
resultantes da inibição do alongamento dos
estolões (Figura 7). Neste caso, percebe-se
uma aspereza superficial que pode ser
confundida com a sarna-comum. A doença
espalha-se principalmente por meio da
batata-semente e máquinas contaminadas.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 4. Manchas necróticas pequenas da
pinta-preta em folhas de batata.
As cultivares mais plantadas no Brasil são
suscetíveis à pinta-preta. Assim, seu controle
requer aplicações de fungicidas que chegam
a representar mais de 10% do custo de
produção. Escolha do local e época de
plantio, rotação de culturas de preferência
com gramíneas e nutrição adequada das
Figura 5. Cancros de cor marrom cuasados pela
plantas, entre outros, têm um importante rizoctoniose em caule subterrâneo da batata.
Foto: Carlos A. Lopes bem úmidos.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 6. Escleródios pretos de Rhizoctonia solani
(mancha-asfalto) em tubérculos de batata.
Figura 8. "Galhas" de Spongospora subterranea
Foto: Carlos A. Lopes em raízes de batata.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 7. Tubérculos e batata deformados pela
ação da rizoctoniose no alongamento dos estolões.
Figura 9. Sarna-pulverulenta em tubérculos de
batata.
Sarna-pulverulenta, sarna ou
espongóspora (Spongospora subterranea)
É uma doença que afeta raízes e tubérculos Podridão-seca e olho-preto (Fusarium
da batata. Nas raízes, forma pequenas galhas spp.)
similares às de nematoides (Figura 8), mas
os danos são principalmente nos tubérculos,
Afeta somente os tubérculos, provocando o
onde são formadas pústulas superficiais que
seu apodrecimento antes e, principalmente,
se abrem (Figura 9) e liberam estruturas
após a colheita, pela infecção que se dá por
típicas do patógeno, chamadas bolas de
meio de ferimentos mecânicos ou causados
esporos (spore balls). Essas lesões
por insetos. É mais importante para a
comprometem a aparência do produto e
batata-semente, que é armazenada por
podem ser confundidas com as da
períodos, que podem ser de vários meses,
sarna-comum. Geralmente, só é observada
em câmaras frias ou em temperatura
após a colheita, principalmente quando a
ambiente, dependendo da necessidade de se
batata é lavada. O patógeno está associado
obter tubérculos brotados para o plantio.
ao solo, onde sobrevive por muitos anos, e a
batata-semente infectada, através da qual ele
Temperaturas mais altas são mais favoráveis
é disperso a longas distâncias. Embora cause
para o desenvolvimento da doença. A
mais problemas em climas frios, pode ser
doença se caracteriza por ser seca e
encontrada sob todas as condições onde se
deprimida, evoluindo para seca total do
cultiva a batata, desde que os solos estejam
tubérculo, que fica com aspecto mumificado.
Quando o tubérculo doente é cortado, são mais profundas devido a condições de
percebe-se a formação de cavidades internas, temperatura e umidade altas, que são mais
geralmente cobertas de micélio branco do favoráveis à doença.
fungo (Figura 10). O olho-preto (Figura 11),
além de podridão-seca, causa escurecimento Foto: Carlos A. Lopes
vascular.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 12. Lesões causadas por Cylindrocladium
clavatum em tubérculos de batata.
Figura 10. Podridão-seca em tubérculos de batata
com a presença de micélio de Fusarium sp. Sarna-prateada (Helminthosporium
solani)
Foto: Carlos A. Lopes
Afeta a periderme dos tubérculos (pele), sem
se aprofundar na polpa. Tubérculos
recém-colhidos, em especial se
permaneceram no solo além do necessário
para fixação da pele e sob temperatura e
umidade altas, apresentam manchas
superficiais irregulares, de aspecto
metálico-prateado, percebidas
principalmente após a lavação (Figura 13),
característica que confere o nome à doença.
No caso de batata-semente, que é
Figura 11. Escurecimento vascular em tubérculos armazenada por períodos mais longos, a
de batata atacados por Fusarium solani. superfície coberta pela lesão apresenta
aspecto enrugado, ocasionado pela perda de
água no tecido afetado.
Olho-pardo (Cylindrocladium clavatum) Foto: Carlos A. Lopes
Afeta somente os tubérculos, onde causa
lesões superficiais marrom escuras ao redor
das lenticelas localizadas mais próximas à
região do estolão (Figura 12). É muito
comum em solos de cerrado e aparece com
mais frequência em cultivos sujeitos a
temperaturas mais altas, principalmente se a
batata é cultivada após ervilha ou soja, que
também são hospedeiras do fungo. Pode ser
confundida com outras doenças associadas Figura 13. Sarna prateada em tubérculos de
batata.
às lenticelas (lenticeloses) e com a
podridão-seca, neste caso, quando as lesões
8.1.2.Doenças causadas por
bactérias Foto: Carlos A. Lopes
Murcha-bacteriana, murchadeira, água
quente ou dormideira (Ralstonia
solanacearum)
É favorecida por temperatura e umidade
altas. Está presente nos solos de quase todo
o país, podendo atacar muitas espécies de
plantas, embora a raça 3 biovar 2 (R3Bv2)
Filotipo I, predominante no Sul e Sudeste do
Brasil, seja mais comum em batata. Provoca
murcha da planta (Figura 14) e exsudação de
pus bacteriano nos tubérculos (Figura 15). É
responsável por perdas significativas em
épocas mais quentes do ano em solos muito
úmidos, se não for feita adequada rotação de
culturas, de preferência com gramíneas, ou
se batata-semente contaminada for utilizada.
O teste-do-copo é uma técnica útil para se
diagnosticar esta doença (Figura 16).
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 16. Teste do copo usado para diagnóstico
de murcha-bacteriana.
Ralstonia solanacearum é nativa da maioria
dos solos brasileiros. Embora não haja
registro de cultivares com resistência total à
murcha-bacteriana, observa-se que qualquer
nível de resistência tem se mostrado útil
dentro do contexto do controle integrado.
Figura 14. Planta de batata com sintoma típico de
murcha-bacteriana.
Foto: Carlos A. Lopes Podridão-mole e canela-preta
(Pectobacterium spp. e Dickeya spp.) (=
Erwinia spp.)
De ocorrência muito comum em lavouras
conduzidas no verão, são favorecidas por
temperatura e umidade altas, tornando-se
mais sérias na presença de ferimentos dos
tecidos. Podem provocar perdas
consideráveis pelo apodrecimento da
batata-semente (antes e após o plantio), das
ramas (Figura 17) e dos tubérculos (Figura
18) no campo ou armazém. Representantes
Figura 15. Escurecimento vascular e presença de dos dois gêneros acima são encontrados com
bactéria em tubérculo de batata com abundância em todos os solos brasileiros,
murcha-bacteriana. podendo atacar diversas hospedeiras,
principalmente as hortaliças que produzem onde pode estar presente antes do plantio,
órgãos suculentos, como cenoura, mas é transmitido também pela
mandioquinha-salsa, repolho, couve-flor e batata-semente. A doença provoca perdas
tomate. consideráveis especialmente quando em
solos secos por ocasião da tuberização, e
Foto: Carlos A. Lopes com pH acima de 6,0. Somente os
tubérculos são afetados e, por isso,
normalmente só é detectada na colheita, com
depreciação da qualidade dos tubérculos.
Dependendo da espécie e da condição do
solo, os sintomas podem ser superficiais ou
profundos (Figura 19).
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 17. Escurecimento e podridão-mole
causados pela canela-preta em batata.
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 19. Lesões de sarna-comum em tubérculos
de batata.
8.1.3.Doenças causadas por
nematóides
Figura 18. Podridão-mole em tubérculos de batata
Pipoca, nematoide ou
causada por espécies de pectobatérias. nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.)
Embora seja difícil o seu controle por meio É causada por várias espécies do nematoide
de resistência genética, sabe-se que as do gênero Meloidogyne, sendo mais comuns
cultivares variam em relação à severidade de M. incognita e M. javanica no Brasil. Estas
sintomas para ambas as doenças. Nenhuma espécies são habitantes do solo e atacam
cultivar é considerada resistente, embora a diversas hospedeiras, o que dificulta a
variação na suscetibilidade relativa seja rotação de culturas para controle da doença.
percebida. A infecção de raízes e tubérculos se dá pelo
estádio juvenil 2 (J2); ao se alimentar dos
tecidos, o nematoide induz hiperplasia e
hipertrofia das células, formando as galhas
Sarna-comum, sarna-estrela, (Figura 20). As protuberâncias nos
sarna-profunda ou ferruginho tubérculos, também conhecidas como galhas
(Streptomyces spp.) ou pipocas, reduzem a produção, mas
principalmente afetam a qualidade do
Mais de 10 espécies de Streptomyces podem produto. Provoca maiores danos sob
causar a doença, o que torna difícil seu temperatura alta do solo. O patógeno é
controle. Independentemente da espécie, o disperso pela batata-semente infectada ou
patógeno é muito bem adaptado ao solo, por máquinas e implementos contaminados.
Nematoide-do-cisto (Globodera
rostochiensis e G. pallida) e
falso-nematoide-das-galhas (Nacobbus
Foto: Carlos A. Lopes aberrans)
Estes dois gêneros de nematoides ainda não
foram relatados no Brasil. São descritos aqui
pelo seu alto poder destrutivo e por estarem
presentes em países vizinhos, como
Argentina, Chile, Peru e Equador. É
importante mantê-los fora do país por meio
de medidas quarentenárias na aquisição de
batata-semente importada e, principalmente,
evitando a importação clandestina de batata.
Figura 20. "Pipoca" em tubérculos de batata
causada pelo nematoide-das-galhas.
8.1.4.Doenças causadas por vírus
Enrolamento das folhas (Potato leafroll
Nematoide-da-pinta ou virus - PLRV)
nematoide-das-lesões (Pratylenchus spp.)
Considerada a principal virose infectando a
Várias espécies de Pratylenchus causam cultura da batata no Brasil, a doença está
lesões em raízes e tubérculos, mas as mais sendo detectada em baixa frequência nas
importantes no Brasil são P. brachyurus e P. lavouras nos últimos anos. O vírus pertence
penetrans. Embora também causem danos ao gênero Polerovirus, família Luteoviridae.
ao sistema radicular, prejudicando a São dois os tipos de sintomas observados
absorção de águas e nutrientes pela planta, nas plantas infectadas e decorrentes da
os sintomas são mais visíveis quando os infecção por PRLV. Os sintomas primários
tubérculos são atacados. Os nematoides resultam da infecção da planta no campo
penetram no tubérculo por meio das durante o ciclo da cultura e caracterizam-se
lenticelas, que ficam escurecidas, dando ao por apresentar enrolamento dos folíolos
tubérculo um aspecto de pintado (Figura 21), apicais, além de amarelecimento da base dos
desvalorizando-os comercialmente. folíolos. Os sintomas secundários resultam
do plantio de tubérculos infectados com o
Foto: Carlos A. Lopes vírus e as plantas ficam com aspecto
enfezado e apresentam enrolamento das
folhas basais (Figura 22). Entre as várias
espécies de pulgões que são capazes de
transmitir o vírus, Myzus persicae é a
principal. A relação vírus/vetor é do tipo
persistente ou circulativa. Neste caso, o
pulgão, tanto para adquirir o vírus em planta
infectada como para transmiti-lo para planta
sadia, necessita de algumas horas de
alimentação no floema da planta. Uma vez
virulífero, o pulgão pode transmitir o vírus
Figura 21. Pontuações necróticas em tubérculos de por toda sua vida. As fontes iniciais do vírus
batata causadas por nematoides do gênero
Pratylenchus.
no campo são tubérculos infectados e plantas
de batata infectadas e que permanecem no
campo.
Foto: Mirtes F. Lima
Figura 23. Mosaico em folhas de batata causado
pelo vírus Y da batata (PVY).
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 22. Planta de batata com enrolamento das
folhas cuasado pelo vírus PLRV.
Mosaico (Potato virus Y - PVY)
O mosaico tornou-se a virose de maior
importância econômica para a cultura da
batata no Brasil, sendo atualmente
considerada a principal causa da Figura 24. Tubérculo de batata com anéis
degenerescência da batata-semente (Figura causados pela estirpe necrótica do PVY.
23). O PVY pertence ao gênero Potyvirus,
família Potiviridae. Possui três estirpes
principais: PVYo, PVYc e PVYN e o
subgrupo necrótico denominado PVYNTN, Clorose (Tomato chlorotic virus – ToCV)
que causa anéis necróticos nos tubérculos
(Figura 24). Dessas estirpes, apenas o PVYc No Brasil, o ToCV é um patógeno
ainda não foi detectada no Brasil. O vírus é emergente na batata, tendo sido detectado
transmitido por várias espécies de pulgões, após a constatação de elevadas populações
sendo a principal Myzus persicae. Pode ser de mosca-branca em lavouras dessa cultura
transportado a grandes distâncias pela (Figura 25). O vírus tem sido detectado com
batata-semente infectada e por pulgões com frequência em tomateiro em diversas regiões
asas (alados); a curtas distâncias, dentro da do país, entretanto, embora menos frequente
lavoura, por pulgões com ou sem asas em batata, é uma nova ameaça à
(ápteros). A relação vírus/vetor é do tipo não bataticultura nacional. Pertence ao gênero
persistente ou não circulativa. Dessa forma, Crinivirus, na família Closteroviridae. A
o pulgão tanto pode adquirir como também infecção da planta pelo vírus pode resultar
transmitir o vírus em poucos segundos. na produção de tubérculos infectados,
Portanto, apenas uma "picada de prova" é tornando a sua utilização como
suficiente para adquirir o vírus em planta batata-semente inapropriada,
infectada ou transmiti-lo para planta sadia. considerando-se que poderão originar
plantas infectadas. O vírus é transmitido pela
Foto: Carlos A. Lopes mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) de
maneira semipersistente, na qual períodos
mais prolongados de aquisição e de
transmissão são necessários para que o
inseto possa adquirir e transmitir o vírus.
Após a aquisição pela mosca-branca, a
capacidade de transmissão do vírus pelo TSWV; Groundnut ringspot virus – GRSV;
inseto vetor é reduzida gradualmente. O Tomato chlorotic spot virus - TSCV)
ToCV não se multiplica no vetor.
A ocorrência da doença vira-cabeça em
Foto: Mirtes F. Lima batata no Brasil foi relatada pela primeira
vez na década de 1930. Embora muito
comum em tomateiro, não é frequentemente
detectada em lavouras de batata. É causada
por espécies de vírus classificados no gênero
Tospovirus, família Bunyaviridae. Esses
vírus induzem necrose nas folhas e no topo
das plantas (Figura 26), sintomas que podem
ser confundidos com os induzidos por
fungos. A identificação da espécie do vírus
só é possível por meio de testes em
laboratório, sorológicos ou moleculares.
Esses vírus são transmitidos por tripes, de
Figura 25. Clorose da batata causada pelo Tomato maneira circulativa propagativa. Nesse tipo
chlorotic virus (ToCV), transmitido pela de transmissão, o vírus é adquirido pelo
mosca-branca.
inseto durante a alimentação em planta
infectada, circula no corpo do vetor onde se
multiplica. Apenas o segundo instar larval
do tripes é capaz de adquirir o vírus ao se
Mosaico-deformante (Tomato yellow vein alimentar em planta infectada e se tornar
streak virus - ToYVSV; Tomato severe transmissor, quando adulto e, dessa forma,
rugose virus - ToSRV) transmitir o vírus ao se alimentar em planta
sadia. Os principais gêneros de tripes
É uma doença emergente na cultura da considerados importantes na agricultura são
batata no Brasil, ainda detectada em baixa Frankliniella e Thrips. A ocorrência do
incidência nas lavouras. Foi inicialmente Trips palmi na cultura da batata foi relatada
relatada no Brasil na década de 1980, no início da década de 90.
quando foi denominada de mosaico
deformante. As espécies de geminivírus Foto: Mirtes F. Lima
identificadas causando sintomas em batateira
sãoTomato yellow vein streak virus e Tomato
severe rugose virus (ToSRV). Plantas
infectadas com o vírus podem produzir
tubérculos infectados, o que compromete sua
utilização como batata-semente. Ambas as
espécies pertencem ao gênero Begomovirus,
na família Geminiviridae. São transmitidos
pela mosca-branca Bemisia tabaci biótipo B,
de maneira persistente-circulativa. Nesse
tipo de relação vírus/vetor, o inseto adquire
o vírus após algumas horas de alimentação Figura 26. Necrose no topo de planta de batata
causada pelo vírus do vira-cabeça (Tospovírus).
em planta infectada; há um período de
latência, no qual o vírus circula no corpo do
vetor até atingir as glândulas salivares,
quando este se torna apto a transmitir o vírus 8.1.5.Medidas para o controle
ao se alimentar em planta sadia. integrado de doenças
Para melhor controle das doenças e pragas
da batata, o sistema mais adequado, tanto do
Vira-cabeça (Tomato spotted wilt virus - ponto de vista econômico como ambiental, é
o controle integrado, que procura preservar o Em caso de campo de
meio ambiente. Nele, procura-se reduzir a batata-semente, respeitar os níveis de
necessidade do uso de agrotóxicos, sem tolerância pré-estabelecidos;
negligenciar, entretanto, o seu valor em caso
● eliminar sistematicamente as plantas
de as condições de cultivo serem muito
favoráveis às doenças. Quando necessários, voluntárias (soqueira, resteva,) e as
esses agrotóxicos devem ser usados com os plantas daninhas, eventuais
cuidados essenciais à preservação da saúde hospedeiras de patógenos e de
do aplicador e do consumidor, bem como do vetores, no campo e em torno da área
meio ambiente, além de não onerar os custos plantada. Alguns vírus podem
de produção. Para a produção de batata
infectar diversas plantas daninhas em
orgânica, as medidas alternativas ao controle
químico devem ser reforçadas, com ênfase campo atuando como fonte primária
no controle cultural preventivo, como a de inóculo;
seguir: ● preparar o solo com antecedência de
modo a expor os patógenos,
● plantar batata-semente certificada, principalmente os nematoides, ao
dessecamento;
que é uma garantia de estar menos
contaminada com patógenos; ● evitar o movimento de máquinas,
● não plantar batata mais do que duas implementos e pessoas de áreas
contaminadas para novas áreas de
safras seguidas na mesma área. Fazer
plantio;
rotação preferencialmente com
cereais (arroz, milho, sorgo), ● plantar em solos bem drenados, que
cana-de-açúcar ou pastagens; não acumulem água em excesso, pois
● evitar plantar batata em área onde solos encharcados favorecem muitas
doenças, como a murcha-bacteriana,
foram cultivadas outras espécies de
a sarna-pulverulenta e as podridões
plantas da família Solanaceae, como
de tubérculos;
pimentão, berinjela, tomate e jiló,
considerando-se que essas espécies ● não aplicar excesso de calcário,
podem ser afetadas pelas mesmas considerando-se que pH acima de 6,0
doenças; favorece a ocorrência da
● sempre que surgirem as primeiras sarna-comum;
plantas com sintomas de viroses ou ● adubar corretamente. Falta ou
de doenças causadas por patógenos excesso de nutrientes favorece o
de solo, arrancá-las, juntamente com desenvolvimento de doenças tanto de
as plantas situadas próximo às origem biótica como abiótica;
plantas eliminadas, e enterrá-las ou ● quando disponível, plantar cultivar
queimá-las fora da área de plantio. resistente/tolerante às doenças mais
prevalentes na região; não causar ferimentos que sirvam de
● utilizar espaçamento correto para portas de entrada a patógenos
cada cultivar; plantios pouco causadores de podridões;
arejados favorecem o surgimento e o ● quando houver necessidade de
aumento da severidade de doenças lavação, deixar que os tubérculos
foliares, como a requeima; sequem bem antes de embalar ou
● em lavouras irrigadas, usar água de transportar;
boa qualidade e evitar excesso ou ● a erradicação de plantas com
falta de água. Colocar em prática os sintomas de doenças, normalmente,
conhecimentos de "quando", "como" só se justifica em campos de
e "quanto" irrigar; produção de batata-semente;
● pulverizar a lavoura, ● a aplicação de inseticidas para o
preventivamente, com produtos controle do vetor visando a redução
registrados para a cultura e na disseminação de viroses não se
recomendados para determinada justifica para o PVY, devido ao modo
doença ou inseto vetor; de transmissão não persistente do
● monitorar a população de insetos vírus pelo inseto. Nesse caso, a
vetores de vírus e pulverizar a transmissão do PVY pelo pulgão
lavoura de acordo com as pode já ter ocorrido antes que o
recomendações do fabricante, inseticida atue sobre o inseto.
somente quando necessário; Entretanto, para os vírus com relação
● visitar frequentemente a lavoura e vírus/vetor do tipo persistente
observar quaisquer irregularidades circulativa (PLRV, geminivírus),
que possam favorecer as doenças, semi-persistente (crinivírus) ou
como vazamentos de canos de circulativa-propagativa (tospovírus),
irrigação, ocorrência de plantas o controle químico pode ser utilizado
daninhas, presença de insetos, chuvas desde que haja baixa incidência de
de granizo, etc.; vírus no campo;
● fazer eficiente controle de plantas ● aplicações de agrotóxicos em doses
daninhas dentro e próximo da área acima do recomendado pelo
cultivada, principalmente das fabricante, além de não aumentarem
solanáceas, que podem hospedar a eficácia do controle, podem
patógenos e abrigar insetos que aumentar os custos de produção e
transmitem vírus; causar contaminação do aplicador e
● realizar a colheita e o transporte dos do meio ambiente;
tubérculos com cuidado, de modo a ● em áreas onde coexistem produtores
de batata, é importante que todos os rachaduras no solo na proximidade das
vizinhos adotem as medidas de plantas. Os ovos são globulosos e de
controle para evitar a disseminação coloração amarelada, medindo cerca de 0,5
de patógenos entre lavouras. mm de diâmetro. O período de incubação
● A
lista de produtos químicos varia de sete a 14 dias, dependendo da
registrados para o controle das temperatura. Ao eclodir, as larvas
pragas e doenças da batata está alimentam-se de estolões e tubérculos, sendo
disponível na página do Ministério que nestes últimos, constroem galerias,
da Agricultura, Pecuária e depreciando estes para o consumo e
Abastecimento (MAPA), no seguinte indústria. A duração da fase larval também
endereço: oscila com a temperatura, podendo ser de 12
http://extranet.agricultura.gov.br/agro a 30 dias. A fase pupal ocorre no solo, em
fit_cons/principal_agrofit_cons
câmaras pupais, apresentando uma duração
de aproximadamente 12 dias, após a qual
8.2.Pragas
emergem os adultos.
Vaquinha ou larva-alfinete (Diabrotica
speciosa, Coleoptera: Chrysomelidae) Danos: A vaquinha danifica tanto a parte
aérea quanto os tubérculos. Os adultos
Descrição e biologia: Conhecida
chegam às lavouras de batata a partir da
popularmente como larva alfinete, na fase
emigração de lavouras de milho, feijão e
larval, e como vaquinha ou patriota, na fase
soja, entre outras e se alimentam dos
adulta, é uma das principais pragas da
folíolos, porém não causam maiores danos à
cultura da batata. Os adultos são besouros
produção, uma vez que as infestações
que medem aproximadamente 5 mm a 6 mm
ocorrem após as plantas terem desenvolvido
de comprimento e possuem seis manchas
boa massa foliar. Os danos mais
amarelas nos élitros verdes (Figura 1).
significativos são causados pelas larvas que
se alimentam dos tubérculos, reduzindo o
Foto: Heraldo Negri de Oliveira
seu valor comercial (Figura 2).
Foto: Carlos A. Lopes
Figura 1. Adulto de Diabrotica speciosa.
As fêmeas colocam em média 400 ovos em
Na espécie M. euphorbiae, tanto os
indivíduos ápteros quanto os alados são de
coloração verde, sendo a cabeça e o tórax
amarelados e as antenas escuras. Na forma
áptera, os pulgões são maiores que os alados
que medem aproximadamente 3 mm a 4 mm
de comprimento. A espécie M.
persicaemede cerca de 2 mm de
comprimento, sendo que as formas ápteras
Figura 2. Danos causados nos tubérculos pelas apresentam coloração verde-clara, e os
larvas de Diabrotica speciosa.
alados, verde. A cabeça, as antenas e o tórax
são pretos. De uma maneira geral, o
Controle: O controle é realizado,
desenvolvimento dos pulgões ocorre em 10
principalmente, com uso de inseticidas
dias e as ninfas passam por quatro ecdises. A
registrados, conforme indicação no Agrofit,
reprodução se dá por partenogênese, e cada
do MAPA.
fêmea origina, em média, 80 indivíduos.
Danos: Os danos diretos causados por
Pulgões (Macrosiphum euphorbiae e
Myzus persicae, Hemiptera: Aphididae) pulgões consistem na sucção de seiva,
ocasião em que podem injetar saliva tóxica.
Descrição e biologia: Os pulgões são
Entretanto, as perdas ocorrem somente
pequenos insetos que sugam a seiva das
quando a população da praga é elevada. O
plantas. As duas principais espécies que
principal dano provocado por pulgões é
atacam a batata são Macrosiphum
indireto, pelo fato de serem vetores de vários
euphorbiae eMyzus persicae (Figura 3).
vírus, como o PVY e o PLRV, causadores do
mosaico e enrolamento das folhas,
Foto: Dori Edson Nava
respectivamente.
Controle: O controle inicia-se pelo
monitoramento da população dos pulgões,
usando bandejas amarelas com água.
Também, pode-se realizar a contagem de
pulgões em 100 folhas por hectare, duas
vezes por semana. Quando forem
encontrados mais de 20 pulgões alados nas
bandejas ou mais de 30 pulgões ápteros por
Figura 3. Pulgão no estádio de ninfa sobre a folha
de batata. folha em cada observação, deve-se realizar o
controle com inseticidas registrados no
MAPA (Agrofit, 2015). Recomenda-se
também espalhar sobre o solo palha de arroz,
que reflete os raios ultravioletas, fazendo
com que os pulgões alados não pousem nas
plantas. Além dessas recomendações, devem
ser preservados os inimigos naturais, como
as joaninhas e o bicho-lixeiro, usando
inseticidas seletivos.
Figura 4. Presença de minas em folhas de batata,
causadas por larvas da mosca-minadora.
Mosca-minadora (Liriomyza spp., Diptera: Controle: O controle químico de adultos e
Agromyzidae) larvas pode ser realizado com inseticidas de
diferentes grupos químicos registrados
Descrição e biologia: Trata-se de um díptero (Agrofit, 2015). Não há nível limiar de dano,
de coloração preta, a fêmea mede cerca de devendo-se realizar as aplicações assim que
1,5 mm e o macho um pouco menos. A for constatada a presença da praga nas
postura é realizada no interior do tecido lavouras. Após a colheita, o agricultor deve
vegetal, numa quantidade que pode variar de incorporar os restos culturais, pois estes
500 a 700 ovos. O período de incubação abrigam pupas e larvas da mosca-minadora,
varia de dois a oito dias, dependendo da servindo de fonte para a manutenção do
temperatura. As larvas são cilíndricas, de cor inseto. Devido à pequena duração do ciclo
branca e ápodas. A fase de larva varia de biológico e à intensidade de aplicações de
sete a 15 dias. As pupas são formadas nas inseticidas, deve-se optar sempre por
folhas, no caule e, principalmente, no solo, rotacionar aqueles com modos de ação
permanecendo nesse estágio de nove a 15 diferentes, evitando assim a seleção de
dias. Os adultos vivem entre 10 e 20 dias. O insetos resistentes. Por outro lado, deve-se
ciclo completo do inseto varia de 21 a 28 optar também por inseticidas seletivos aos
dias. inimigos naturais.
Danos: A fêmea adulta alimenta-se do
conteúdo celular que extravasa de
perfurações por ela realizadas, sendo Traça (Phthorimaea operculella,
também chamadas de minas ou puncturas. Lepidoptera: Gelechiidae)
As minas aparecem primeiro nas folhas mais
velhas e, dependendo do nível de infestação, Descrição e biologia: Os adultos da traça
podem chegar às folhas superiores (Figura
4). O dano da mosca-minadora reduz a área possuem hábito noturno, permanecendo
fotossintética da planta e a predispõe a durante o dia refugiados nas folhas da batata
doenças fúngicas. Quando o ataque é intenso
ou na vegetação vizinha. Apresentam
pode inviabilizar prejudicar o tecido foliar,
levando a planta à morte. coloração geral acinzentada, medindo de 10
mm a 12 mm de envergadura. As asas
Foto: Heraldo Negri de Oliveira
anteriores apresentam pequenas manchas
irregulares escuras, ornadas com pelos nas
bordas, sendo as asas posteriores de
coloração acinzentada. Os adultos vivem de
10 a 15 dias, podendo ser encontrados
durante todo o ano, tanto no campo como Controle: Dentro do conceito de manejo
nos armazéns. Cada fêmea coloca em média integrado, podem ser utilizadas várias
300 ovos individualizados, próximos das medidas preventivas, tais como: plantio de
nervuras da superfície inferior das folhas, sementes sadias – para evitar a entrada do
nos pecíolos, gemas e brotações novas dos inseto na lavoura; preparo adequado do solo
tubérculos. Os ovos são brancos, lisos e - a fim de evitar formações de torrões, que
globosos. Após cinco dias, as larvas eclodem servirão de abrigo para os adultos da traça;
e se alimentam do mesófilo foliar, formando plantio na profundidade adequada à época;
as minas, de aparência mais grosseira do que realização da amontoa - pois esta é uma
as provocadas pela mosca-minadora. As importante barreira física que dificulta o
larvas no último ínstar chegam a medir 12 acesso de adultos e larvas da traça aos
mm de comprimento e possuem coloração tubérculos; uso de irrigação por aspersão - a
rosada no dorso. No final da fase larval, fim de diminuir as rachaduras no solo,
saem do substrato e procuram um local para dificultando assim o acesso da traça aos
empupar, construindo uma proteção com tubérculos; eliminação de solanáceas -
fios de seda. A duração do período consideradas plantas hospedeiras; colheita
ovo-adulto é de cerca de 30 dias a 25 °C. na época certa e separação e eliminação de
tubérculos infectados durante a lavagem e
Danos : As larvas causam danos (minas) classificação; armazenamento em locais
primeiramente nas folhas e ramos e, com a limpos desinfetados e protegidos - pois a
morte da planta, passam a atacar também os traça encontra condições favoráveis em
tubérculos, construindo galerias onde se armazéns sujos e mal manejados; limpeza e
podem ver suas fezes (Figura 5). As perdas desinfestação com pulverizações e expurgos;
podem se estender para tubérculos e armazenamento dos tubérculos em
armazenados. câmaras frias a aproximadamente 10 °C.
Foto: Heraldo Negri de Oliveira A preservação e manutenção dos inimigos
naturais contribuem, também, para manter a
população da praga em baixa densidade
populacional, o que reduz a necessidade do
controle químico, que, quando necessário,
pode ser realizado no campo ou nos
armazéns com inseticidas recomendados
(Agrofit, 2015).
Figura 5. Larva de Phthorimaea operculella
Cigarrinha (Empoasca spp., Hemiptera:
alimentando-se do tubérculo de batata. Cicadellidae)
Descrição e biologia: Os adultos medem de lagarta-rosca mais frequentemente
aproximadamente 3 mm de comprimento e encontrada causando danos é Agrotis
ipsilon. Os adultos são mariposas de
são de coloração verde-pálida e aproximadamente 40 mm de envergadura,
verde-prateada. A postura é realizada, cujas asas anteriores são marrons com
algumas manchas pretas e as posteriores,
preferencialmente, ao longo das nervuras da semitransparentes. As fêmeas podem colocar
folha. Cada fêmea coloca em torno de 60 até 1000 ovos, realizando posturas em
ovos. As ninfas são de coloração verde mais rachaduras no solo ou diretamente no colo
das hastes das plantas de batata. O período
clara e têm o hábito de se locomover de incubação varia de cinco a sete dias. As
lateralmente. A duração do período de lagartas apresentam coloração
pardo-acinzentada escura, atingindo até 45
ovo-adulto é de aproximadamente 21 dias. mm de comprimento. Possuem atividade
noturna e durante o dia permanecem
Danos: O ataque às lavouras de batata é enroladas (Figura 6) e refugiadas sobre resto
de vegetais ou sob os primeiros centímetros
esporádico e desuniforme, favorecido pelo do solo. A duração do período ovo-adulto é
clima úmido. Os insetos vivem na parte de aproximadamente 35 dias.
abaxial (de baixo) dos folíolos, Foto: Heraldo Negri de Oliveira
alimentando-se da seiva da planta. Também
injetam saliva tóxica, causando a paralisação
do crescimento, o encarquilhamento e a
necrose dos folíolos e das folhas. Sob ataque
severo, as plantas atacadas morrem
prematuramente. As cigarrinhas podem
transmitir alguns vírus, embora sua
ocorrência seja rara.
Figura 6. Larva de Agrotis ipsilon enrolada sobre o
solo.
Controle: Deve ser realizado a partir da
Ocorre especialmente em solos arenosos,
constatação das cigarrinhas nas lavouras.
com boa drenagem e aeração. Culturas que
Para tal, recomenda-se observar a sua antecedem à batata têm influência na
presença na parte inferior dos folíolos ou incidência dessa lagarta, pois algumas são
hospedeiras da mesma.
utilizar redes entomológicas, bem como
armadilhas amarelas. Os inseticidas Danos: Essas lagartas-roscas cortam os
caules das plantas jovens e danificam os
recomendados para o controle químico,
tubérculos mais superficiais, realizando
quando necessário, estão listados no Agrofit perfurações. Cada lagarta pode destruir até
(2015). quatro plantas com 10 cm de altura.
Controle: Pode-se realizar o controle
químico com a aplicação de inseticidas
registrados (Agrofit, 2015).
Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon,
Lepidoptera: Noctuidae)
Descrição e biologia: Em batata, a espécie Burrinho ou vaquinha-da-batata
(Epicauta atomaria e Epicauta suturalis, alimentando em folhas de batata.
Coleoptera: Meloidae)
Danos: Alimentam-se de folhas deixando
Descrição e biologia: Trata-se de um inseto
apenas as nervuras e quando a população é
polífago que se alimenta de várias
grande podem causar desfolha total.
solanáceas e plantas hortícolas. O adulto é
um besouro que mede de 10 mm a 15 mm de
Controle: O controle mais utilizado é o
comprimento. Epicauta atomaria possui
químico (Agrofit, 2015).
coloração cinza e pontos pretos distribuídos
sobre os élitros e é mais comum nas regiões
Sul e Sudeste do Brasil (Figura 7), enquanto
E. suturalis, apresenta o corpo de coloração Mosca-branca (Bemisia tabaci (Genn.)
biótipo B, Hemiptera: Aleyrodidae)
escura e é mais frequente no Centro-Oeste
do Brasil (Figura 8). A postura é realizada Descrição e biologia: Altas infestações de
no solo, em grupos de 50 a 80 ovos e as mosca-branca são relativamente recentes em
larvas não causam danos aos tubérculos. lavouras de batata no Brasil, com os
primeiros surtos constatados a partir de
Foto: Heraldo Negri de Oliveira 2001. Os adultos de B. tabaci biótipo B
possuem dorso de cor amarelo-pálido e asas
brancas, medindo de 1 mm a 2 mm de
comprimento e 0,36 mm a 0,51 mm de
largura (Figura 9), apresentando a fêmea
maior tamanho do que o macho. As fêmeas
podem colocar de 100 a 300 ovos durante
toda a sua vida, sendo que a taxa de
oviposição depende da temperatura e da
planta hospedeira. Quanto à longevidade, os
Figura 7. Adulto de vaquinha ou burrinho
machos vivem de 9 a 17 dias (média de 13
alimentando-se de folhas de batata.
dias) e as fêmeas 38 a 74 dias (média de 62
dias). O ciclo em diferentes genótipos de
Foto: Carlos A. Lopes
batata têm uma duração de 21 a 23 dias.
Foto: Airton Arikita
Figura 8. Adultos de Epicauta suturalis se
(Polyphagotarsonemus latus) também pode
causar danos.
8.3.Observação
Figura 9. Mosca-branca em folhas de batata.
Danos: Os danos ocasionados à cultura de
batata incluem sucção de seiva,
desenvolvimento de fumagina e transmissão https://canal.cecierj.edu.br/anexos/recurso_interno/17
de vírus como o Tomato yellow vein streak 614/download/e58d9c1772542ed1e6f0aaabe13544d6
vírus (ToYVSV) causador do Na imagem, a batata se destaca por não
apresentar resíduos de agrotóxicos, com a
mosaico-deformante em plantas de batata.
porcentagem de 0%. Isso é um dado
positivo, indicando que, em comparação
Controle: O controle pode ser realizado por com outros alimentos da lista, a batata
meio de medidas culturais, tais como possui uma menor contaminação por esses
destruição de restos de cultura e da produtos químicos, o que pode ser favorável
para a saúde pública e para o consumidor
alternância de lavouras, com períodos livres
que busca alimentos com menos
de plantações. Já o combate biológico é feito intervenções químicas. Embora a batata não
por meio de inimigos naturais. Quando apresente resíduos de agrotóxicos nesta
exigido, devem ser usados inseticidas amostra, é sempre importante verificar as
práticas agrícolas locais, pois o uso de
constantes do Agrofit(2015).
agrotóxicos pode variar conforme o método
de cultivo e o controle realizado pelos
produtores.
Demais pragas
Além das pragas já mencionadas, outros
insetos podem causar dano eventualmente
em regiões localizadas, sendo, portanto
considerados de importância secundária.
Dentre esses, destacam-se as lagartas
Spodoptera eridania e Spodoptera
fugiperda, os besouros Phyrdenus
muriceus,Conoderus scalaris, Epitrix spp.,
Dyscinetus planatus, a cochonilha-branca
(Pseudococcus maritimus) e a formiga
"lava-pé" (Solenopsis saevissima). Além
desses insetos, o ácaro-branco
9. COLHEITA
A época de colheita da batata no Brasil é de três a quatro meses após o plantio, quando as ramas
secam naturalmente ou, de forma antecipada, pela aplicação de herbicida registrado para tal fim,
que promove a dessecação das ramas antecipadamente, ou pelo uso de desfolhante.
Em áreas menores ou mais acidentadas, a colheita é realizada manualmente com auxílio de
enxadas ou utilizando arado de aiveca, com catação manual dos tubérculos. Em áreas maiores e
com topografia favorável, a colheita pode ser realizada de forma semimecanizada, com
arrancadeiras que desfazem as leiras e expõem os tubérculos para a catação manual, ou
mecanizada, por meio de colhedoras tracionadas por trator, que retiram os tubérculos do solo e os
transferem, parcialmente limpos, para os equipamentos de transporte.
10. PÓS-COLHEITA
A exposição dos tubérculos ao sol durante todo o processo de pós-colheita deverá ser evitada
devido ao esverdeamento e murchamento do produto.O transporte da batata normalmente é
realizado por caminhões, em embalagens variadas, como big-bags, sacos, caixas, ou a granel,
sempre com o cuidado de não ocasionar injúrias mecânicas que possam depreciar a qualidade do
produto, seja por alterações fisiológicas ou pela entrada de micro-organismos patogênicos,
ambas decorrentes dos ferimentos causados.
O transporte e o armazenamento devem ser feitos de tal forma a proporcionar aeração do
produto, com o transporte em caminhões com carrocerias abertas nas laterais e o
armazenamento deve ocorrer em ambientes frescos e ventilados. Caso o armazenamento seja
refrigerado, em câmaras frias, devem-se evitar temperaturas muito baixas, pois temperaturas
abaixo de 10 °C favorecem o acúmulo de açúcares redutores, que causam escurecimento do
produto após a fritura. Para armazenar tubérculos que serão processados em chips, a faixa de
temperatura ideal é de 10 ºC a 13 ºC. A venda pode ser realizada in natura, com a batata lavada
ou escovada ou com o produto processado pela indústria.
A batata lavada é a preferida pelo mercado brasileiro, proporcionando melhor visualização da
coloração, do brilho e de defeitos. No entanto, este processo ocasiona a elevação nos custos,
acelera a deterioração e a suscetibilidade ao esverdeamento. As perdas pós-colheita da batata
podem ocorrer no campo: colheita e transporte; no beneficiamento: lavagem, classificação,
embalagem e transporte; ou na comercialização: atacado, varejo e consumidor. As principais
causas destas perdas são: danos mecânicos, causas fisiológicas, como o esverdeamento,
queimadura e brotação, ausência de aeração e deterioração por patógenos e pragas
10.1 Valor da batata
CURIOSIDADES
Quase água
O pepino é composto por cerca de 95% de água, por isso é um alimento que o mantém
hidratado. Se não houver água por perto, coma pepino
11.2 Sem bafo
Pepinos podem refrescar o hálito, já que seus fitoquímicos ajudam a matar as bactérias que
causam o mau hálito. A mastigação de fatias ou pedaços de pepino cru ajuda a remover a
placa bacteriana nos dentes e gengivas, outra causa de mau hálito
11.3. Livre das baratas
De todos os alimentos do mundo, a única coisa que as baratas não comem é pepino
11.4. Refrescância
Aplicar rodelas de pepino sobre a pele queimada pelo sol trará alívio ao ardor
11.5. Contra o câncer
Os nutrientes do pepino colaboram para restringir o metabolismo de células cancerígenas,
ajudando a evitar câncer de ovário, próstata e de mama
CONCLUSÃO
A partir do exposto, conclui-se que a cultura da batata apresenta importância social,
nutricional e econômica. Além de sua contribuição para a saúde através de sua elevada taxa
de nutrientes e vitaminas, o tubérculo auxilia para a diversificação da produção da produção
agrícola brasileira, sendo um alimento acessível e versátil para a população com a utilização
em pratos diversos.
RECEITAS:
1.1Purê de Batatas:
Modo de preparo
1. Lave, descasque e corte as batatas em pedaços médios. Transfira para uma panela média,
cubra com água e junte 1 colher (chá) de sal – não caia na tentação de colocar as batatas
já na água fervente para acelerar o processo: isso altera a textura do purê e ele não vai
ficar cremoso.
2. Leve para cozinhar em fogo alto. Assim que começar a ferver, abaixe o fogo para médio e
deixe cozinhar por mais 20 minutos, ou até que fiquem macias - espete com um garfo
para verificar. Evite deixar a batata cozinhar demasiadamente, para não terminar com um
purê aguado.
3. Desligue o fogo e passe as batatas para um escorredor. Deixe escorrer bem a água por uns
minutinhos.
4. Enquanto isso, coloque o leite numa panela pequena e leve ao fogo baixo para aquecer –
não é preciso ferver. Esse é um dos segredos para o purê não empelotar: o leite deve estar
na mesma temperatura da batata.
5. Passe as batatas ainda quentes pelo espremedor, voltando para a mesma panela. Leve ao
fogo médio e acrescente o leite, mexendo com um batedor de arame para incorporar.
Tempere com sal, pimenta-do-reino moída na hora e uma pitada de noz-moscada.
6. Desligue o fogo, junte as 2 colheres (sopa) de manteiga gelada e misture bem – a
temperatura da manteiga é o outro segredo para deixar o purê cremoso. Transfira para
uma tigela. Sirva a seguir.
1.2Batata Rústica:
Modo de preparo
1. Preaqueça o forno a 200 °C (temperatura média). Lave e seque bem as batatas e as ervas.
2. Numa tábua, corte as batatas em gomos: sempre no sentido do comprimento, vá cortando
em metades até formar gomos na espessura que desejar. No Panelinha, gostamos deles
mais gordinhos.
3. Transfira os gomos para uma panela, cubra com água e tempere com uma colher (chá) de
sal (comum ou grosso). Leve ao fogo alto e, quando água começar a ferver, deixe
cozinhar por 6 minutos.
4. Retire do fogo, passe as batatas para uma peneira e deixe por alguns minutos para
escorrer bem a água - esse é um dos segredos para deixar crocante os legumes assados.
5. Transfira para uma assadeira (de preferência antiaderente), junte as ervas, os dentes de
alho com casca e regue com o azeite. Misture bem para envolver as batatas e ervas com o
azeite. Espalhe os gomos na assadeira, sem encostar ou sobrepor - quanto mais espaço
entre eles mais crocantes e dourados ficam.
6. Tempere com sal grosso e pimenta-do-reino moída na hora. Leve ao forno preaquecido
para assar por cerca de 40 minutos. Chacoalhe a assadeira de tempos em tempos ou, na
metade do tempo, vire os pedaços com uma pinça.
7. Retire do forno e, com ajuda de uma espátula, solte as batatas da assadeira. Sirva
imediatamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGROLINK. Características da cultura da batata. Disponível em:
https://www.agrolink.com.br/culturas/batata/informacoes-da-cultura/informacoes-gerais/caracteri
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BIODIVERSITY4ALL. Solanum tuberosum. Disponível em:
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EMBRAPA. Batata: Pragas. Disponível em: https://www.embrapa.br/hortalicas/batata/pragas.
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EMBRAPA. Batata: Origem e botânica. Disponível em:
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