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LC 2 Teste

O documento é um enunciado de um teste do Departamento de Linguística Geral e Românica, com instruções sobre a realização do teste e questões sobre linguística, incluindo modalidades de compreensão e produção, atos ilocutórios e análise de enunciados. O teste avalia a capacidade crítica e a qualidade da expressão escrita dos alunos. As questões abordam temas como aquisição de linguagem, perenidade da produção escrita, e a interpretação de expressões e enunciados em contextos comunicativos.
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LC 2 Teste

O documento é um enunciado de um teste do Departamento de Linguística Geral e Românica, com instruções sobre a realização do teste e questões sobre linguística, incluindo modalidades de compreensão e produção, atos ilocutórios e análise de enunciados. O teste avalia a capacidade crítica e a qualidade da expressão escrita dos alunos. As questões abordam temas como aquisição de linguagem, perenidade da produção escrita, e a interpretação de expressões e enunciados em contextos comunicativos.
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Departamento de Linguística Geral e Românica - 2023-2024

Linguagem e Comunicação – TP 3
Docente Margarita Correia
Teste: 30 de novembro de 2023

Leia todo o enunciado antes de começar a responder. Escreva respostas bem organizadas, selecionando
os aspetos efetivamente relevantes para cada uma. Na avaliação do seu teste, será considerado o seu sentido
crítico relativamente ao conteúdo desta UC, além da qualidade e correção da expressão escrita. O teste é com
consulta.
Quem realizar o teste presencialmente não deve usar corretor: se se enganou, risque e prossiga. Quem
realizar o teste no computador, deve responder no próprio documento do enunciado, a seguir a cada pergunta;
no final, deve enviar o documento em formato editável (Word) para margarita@[Link] até às 14.10.

1. Distinga as modalidades orais e escritas de compreensão e produção em termos de:


1.1. aquisição ou aprendizagem,
1.2. tempo de processamento,
1.3. perenidade do produto.
Para cada alínea, apresenta a respetiva justificação.

1.1 A compreensão oral é adquirida naturalmente, começando desde a infância com a exposição auditiva ao
ambiente linguístico. A aquisição envolve a absorção intuitiva de padrões auditivos e estruturas linguísticas,
pois a compreensão oral é uma habilidade fundamental desenvolvida através da exposição regular à linguagem
falada desde tenra idade. As crianças começam a compreender a linguagem oral mesmo antes de começarem
a ler e escrever.
Já a compreensão escrita é mais formal e frequentemente ensinada de maneira explícita. Envolve aprender o
código escrito, desenvolver habilidades de decodificação, compreensão de vocabulário escrito e compreensão
de estruturas gramaticais específicas. Assim, a compreensão escrita geralmente requer instrução formal,
começando com o ensino do alfabeto e da decodificação e progredindo para a compreensão mais profunda de
textos escritos.

1.2 Em termos de tempo de processamento, a produção oral é geralmente mais rápida, dado que as palavras
são geradas instantaneamente durante a fala. O processo é imediato porque, ao verbalizar algo, as palavras
geram-se em tempo real, e a comunicação oral é, muitas vezes, mais espontânea.
No entanto, A produção escrita tende a exigir mais tempo de processamento, pois envolve escolher
palavras, estruturar frases, corrigir erros e organizar ideias de maneira mais cuidadosa e planeada. Escrever
envolve etapas adicionais, como a revisão e a edição, o que torna o processo mais demorado em
comparação à produção oral.

1.3 Por último, a produção oral é efémera e, normalmente, não deixa um registo tangível. A não ser que seja
gravada, o que é proferido deixa de existir. A comunicação oral é, assim, breve por natureza.
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Porém, a produção escrita cria um produto tangível que pode ser revisto, armazenado,
compartilhado e referido posteriormente, ou seja, textos escritos têm uma perenidade maior.
Concluindo, a escrita deixa um registo duradouro. Textos escritos podem ser preservados e
acedidos ao longo do tempo, proporcionando uma perenidade ao produto da produção escrita.

2. Por que razão as expressões (1) a (3), não sendo frases, podem corresponder a enunciados? Justifique
tão completamente quanto possível a sua resposta.

(1) – Até que enfim!


(2) – Meu Deus!
(3) – Já!

As expressões "Até que enfim!", "Meu Deus!" e "Já!" podem ser consideradas enunciados apesar de não
serem estruturadas como frases completas devido à natureza pragmática e contextual da linguagem.

A primeira expressão contém uma carga emocional e denota um sentido de alívio ou satisfação. Mesmo
que não seja uma frase gramaticalmente completa, é capaz de transmitir uma emoção específica. Neste
contexto, é um enunciado porque expressa um estado emocional e comunica uma mensagem
compreensível.

A segunda expressão também carrega uma carga emocional, podendo expressar surpresa e choque.
Embora não seja uma frase completa, a entoação, o contexto e a situação em que é usada conferem-lhe
significado. Assim, ela pode ser considerada um enunciado por transmitir uma reação emocional ou
estado mental.

A última expressão é uma forma abreviada de algo como, por exemplo, "Eu quero isso já!" ou "Faz isso
já!". Apesar de ser curta e aparentemente concisa, é possível inferir o significado completo com base no
contexto e na entoação. Portanto, é um enunciado, pois comunica uma vontade ou urgência.

Em resumo, essas expressões podem ser consideradas enunciados devido à capacidade da linguagem de
transmitir significado, mesmo em formas não convencionais ou incompletas. O contexto, a entoação e a
pragmática desempenham papéis essenciais na interpretação destas expressões como mensagens
comunicativas.

3. Considere os atos ilocutórios abaixo.


(4) Importa-se de colocar o tabuleiro no carrinho?
(5) Os tabuleiros devem ser arrumados no carrinho.
(6) Ponha o tabuleiro no carrinho.
3.1. Identifique o(s) objetivo(s) ilocutórios visados. Justifique.
3.2. Identifique a(s) força(s) ilocutória(s) presentes nos enunciados.

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No primeiro enunciado, "Importa-se de colocar o tabuleiro no carrinho?", a intenção principal é


claramente uma solicitação. O locutor, ao expressar um interesse direto, busca a cooperação do
alocutário para a ação de colocar o tabuleiro no carrinho, que, se realizada, seria um ato perlocutório.
A força ilocutória predominante é a de um pedido, onde a expectativa é que o alocutário considere e
atenda ao pedido.

Já no segundo enunciado, "Os tabuleiros devem ser arrumados no carrinho", percebe-se uma mudança
no objetivo ilocutório. Aqui, o locutor assume uma postura mais normativa, emitindo uma ordem sobre
como os tabuleiros deveriam ser organizados. A força ilocutória central é a de prescrição,
estabelecendo uma diretriz a ser seguida pelo alocutário.

No terceiro enunciado, "Ponha o tabuleiro no carrinho", a natureza direta da instrução é destacada. O


falante emite uma ordem clara e específica, indicando ao alocutário que a ação de colocar o tabuleiro
no carrinho deve ser realizada imediatamente. A força ilocutória, aqui, é a de uma instrução, onde se
espera uma resposta imediata e efetiva.

4. Observe o enunciado apresentado em (7) e responda às questões seguintes:


(7) Deixei a mala na receção do hotel.
4.1. O enunciado (7) pode ser interpretado como correspondendo a dois tipos de atos ilocutórios.
Identifique-os, justificando a sua resposta.
4.2. Podendo provocar diferentes reações no ouvinte, o enunciado (7) pode realizar diferentes atos
perlocutórios. Justifique a sua resposta.

4.1 Em primeiro lugar, o enunciado é, primeiramente assertivo. Ao declarar explicitamente que o falante
deixou a mala na receção do hotel, o ato ilocutório de afirmação está em jogo. O propósito fundamental é
comunicar um facto, compartilhando uma informação sobre uma ação específica realizada no passado.
Além disso, o enunciado pode ser compreendido como diretivo. Ao descrever essa ação passada, o locutor
não apenas afirma um facto, mas também implica o desejo de reaver a sua mala.
Essa dualidade evidencia a complexidade intrínseca à linguagem, que vai além da transmissão direta de
informações.
4.2 Um dos atos perlocutórios poderia ser o alocutário ir reaver a mala do locutor, já que o mesmo poderia ter
interpretado uma entoação implícita no enunciado proferido pelo locutário.
O outro, poderia ser poderia ser simplesmente aceitar o enunciado. Nesse caso, o ato perlocutório seria de
aceitar a situação apresentada sem manifestar emoções intensas, dependendo da relação e do contexto entre
ambos.

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5. Considere a seguinte publicação feita por uma utilizadora do Facebook.

É um fenómeno sobejamente conhecido e comprovado "cientificamente": qualquer


português nasce bilingue, a dominar por igual quer a língua portuguesa, quer a
espanhola. Em sentido inverso, porém, os espanhóis, esses, coitados, como não foram
bafejados pela bênção divina com que nós fomos agraciados (ou porque são preguiçosos,
ou porque são uns ressabiados invejosos da nossa sorte) não arranham nada deste nosso
idioma nacional.

5.1. Identifique o valor de verdade presente nos enunciados presentes no excerto. Transcreva os
elementos do texto que fundamentam a sua resposta.
5.2. Atente no que a autora diz a respeito dos espanhóis. Qual o efeito pretendido pela autora ao
produzir o enunciado em causa. Justifique a sua resposta.
5.3. Tendo em conta as respostas anteriores, identifique qual foi a intenção da autora ao escrever
toda a publicação.

5.1 Antes de tudo, esta publicação é, primeiramente, subjetiva, daí o seu valor de verdade ser
duvidoso.

“É um fenómeno sobejamente conhecido e comprovado "cientificamente": qualquer português


nasce bilingue, a dominar por igual quer a língua portuguesa, quer a espanhola” O valor de
verdade desta frase é falso, já que. Não, não é verdade que os portugueses “nascem” bilingues. O
que foi, sim, provado, cientificamente, foi que, se qualquer indivíduo estiver exposto à língua, neste
caso espanhola, sem o mesmo ser espanhol, poderá aprender o mesmo, no entanto, não é algo com
que se nasça.

“Em sentido inverso, porém, os espanhóis, esses, coitados, como não foram bafejados pela bênção
divina com que nós fomos agraciados.” O valor de verdade desta frase também é falso, já que possuí
uma clara ideologia e complexo de superioridade influenciado pela sua nacionalidade, vida pessoal
e contexto social. É, então, de longe, factual.

5.2 A autora pretende provocar uma reação humorística ao leitor, usando frases claramente
ignorantes que refletem o nacionalismo português mais conservador.

5.3 A intenção da autora foi criticar os estereótipos e crenças na sociedade portuguesa em relação à
sua rivalidade com a Espanha. Ao mesmo tempo, a mesma pretende fazer isto de uma forma
humorística de forma demonstrar a absurdez de tais ideais.

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6. Atente nos três enunciados contidos no excerto seguinte.


Começo por declarar que não tenho interesse por futebol, não sou sócia, nem adepta de
nenhum clube e que só acabo por consumi-lo inevitavelmente, dada a desconformidade
da presença do futebol nos meios de comunicação social. Declaro ainda que não perfilho
ideais nacionalistas. Estas declarações parecem-me necessárias dado o melindre de
alguns quando um estranho se põe a falar de assuntos tão essenciais à vida quanto o
futebol.
[Link] o(s) tipo(s) de ato(s) ilocutório(s) realizado(s) pelos dois primeiros enunciados.
Justifique.
6.2. Identifique o ato perlocutório pretendido ao produzir o terceiro ilocutório presente no excerto.
Justifique a sua resposta.
6.3. A violação de uma máxima conversacional presente no terceiro enunciado é involuntária?
Identifique-a e justifique a sua resposta.

6.1 Os dois primeiros enunciados demonstram um caráter assertivo.

6.2 O ato perlocutório convencer e tranquilizar.

6.3 A máxima da quantidade é violada.

Cotações
Item 2. – 30 pontos
Itens 5.1., 5.2., 5.3. e 6.2. – 20 pontos
Todos os restantes itens valem 10 pontos cada.

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