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Anemia Falciforme

A anemia falciforme é uma doença genética comum no Brasil, especialmente entre a população afrodescendente, caracterizada por uma mutação na hemoglobina que causa a deformação das células vermelhas do sangue. Os sintomas incluem anemia, crises de dor, infecções recorrentes e icterícia, e o diagnóstico é realizado através de triagem neonatal. Embora não haja cura, o tratamento visa minimizar os sintomas e pode incluir o uso de hidroxiuréia e, em casos específicos, transplante de medula óssea.

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Anemia Falciforme

A anemia falciforme é uma doença genética comum no Brasil, especialmente entre a população afrodescendente, caracterizada por uma mutação na hemoglobina que causa a deformação das células vermelhas do sangue. Os sintomas incluem anemia, crises de dor, infecções recorrentes e icterícia, e o diagnóstico é realizado através de triagem neonatal. Embora não haja cura, o tratamento visa minimizar os sintomas e pode incluir o uso de hidroxiuréia e, em casos específicos, transplante de medula óssea.

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Anemia falciforme

Introdução:
● Origem na África
● Chegou no continente americano por meio do tráfico de pessoas negras escravizadas,
durante o período colonial
● Mais da metade da população brasileira tem traços de afrodescendência, o que torna a
doença comum no Brasil.
● Os negros e descendentes de africanos possuiam prevalência em apresentar o fenótipo
1 da deonça, que era causadora do formato de foice nas células.
● Por esse motivo, essa patologia hematológica passou a ser conhecida como doença
das células falciformes.
● Foi a primeira doença molecular humana a ser descoberta
● Em 1978, Kan e Andree, utilizando técnicas de biologia molecular demonstraram a
diferença na sequência de bases nitrogenadas no gene que codifica a cadeia estrutural
beta da hemoglobina. Com isso, foi iniciada a era da biologia molecular no estudo da
doença falciforme.

Hemoglobina:
● Compostas por 4 cadeias de aminoácidos, que são as globinas, porque se apresentam
na forma globular.
● Essas 4 subunidades formam uma estrutura globular tetramérica com 2 cadeias do tipo
alfa globina e 2 do tipo beta globina

● Cada subunidade é composta por 2 frações: uma proteica (cadeias globínicas) e outra
não proteica (grupo heme), onde se liga o átomo de Ferro.
● O grupo heme está ligada às cadeias globínicas em sítios específicos, o que favorece a
ligação do oxigênio ao átomo de ferro no processo de oxigenação.
● O gene estrutural que codifica a cadeia beta da hemoglobina apresenta uma mutação
que é responsável pela codificação da Hb S (hemoglobina com alteração estrutural na
cadeia da globina beta.
● Essa mutação ocorre pela substituição de uma base nitrogenada de adenina por timina,
no sexto códon do gene beta globina, o que causa alterações fenotípicas.
● A Hb S faz com que o eritrócito deixe de ser flexível e fique mais rígido, podendo
apresentar formato de foice, daí o nome falciforme. A concentração da Hb S e sua
associação com outras variantes determinam a intensidade clínica da doença.

Herança genética
● Hemoglobina A (Hb A), considerada normal, os genes que codificam as frações beta
da hemoglobina, herdados dos pais, estão em homozigose e resultam no padrão Hb
AA.
● No portador com o traço falciforme, a presença apenas de um alelo da globina beta A,
a qual combina com outro alelo da globina beta S. Vai apresentar um padrão genético
AS (heterozigose), caracterizando o portador da doença.

Doença anemia falciforme:


● Padrão da herança genética da doença falciforme é autossômico recessivo.
● A doença falciforme mais comum é a caracterizada pela presença do gene da globina
beta em homozigose (SS) e que foi inicialmente denominada anemia falciforme.

Perfil demográfico da doença falciforme no Brasil


● Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um grave problema de saúde
pública mundial
● Grande impacto de mortalidade da população afetada
● No Brasil, a partir da década de 1990, a partir de diversos estudos estimavam uma
prevalência média de 2% de traço falciforme na população geral e de 6% a 10% entre
pardos e pretos.
● As Regiões Norte e Nordeste apresentam alta prevalência de população
afrodescendente. Além de apresentar maiores taxas de incidência e de prevalência da
doença.
● Assim, as regiões Norte e Nordeste apresentam prevalência de 6% a 10%, já no Sul e
Sudeste esta taxa é de 2% a 3%.

Fisiopatologia:
● É caracterizada por anemia hemolítica crônica e presença de fenômenos vasoclusivos
que levam a crises dolorosas agudas e à lesão tecidual e orgânica crônica e
progressiva.
● É causada pelo substituição de adenina por timina de GAG passa a ser GTG,
codificando valina ao invés de ácido glutâmico, com produção de Hb S
● O processo primário é a polimerização da desoxi-Hb S. A polimerização progride
com adição de moléculas sucessivas de Hb S à medida que a porcentagem de
saturação de oxigênio da hemoglobina diminui.
● A falcização dos eritrócitos ocorre pela polimerização reversível da Hb S dentro da
célula em condições de desoxigenação
● Quando completa desoxigenação formam-se células em forma de foice
● Esse fenômeno é reversível com a oxigenação, desde que a membrana da célula não
esteja alterada definitivamente. Quando a alteração é definitiva, formam-se os
eritrócitos irreversivelmente falcizados, que permanecem deformados
independentemente do estado da Hb S intracelular.
● Quanto maior a quantidade de Hb S, mais grave é a doença
● A desidratação celular aumenta a concentração de hemoglobina corpuscular média,
isso facilita a falcização por aumentar a possibilidade de contato entre as moléculas de
Hb S

Sintomas:
● Os sintomas e sinais mais comuns de doença falciforme são a anemia, as crises de
dor, as infecções recorrentes e a icterícia
● Anemia: acontece pela redução do número de eritrócitos, das alterações em seu
formato e na sua função e da diminuição do valor da hemoglobina e do hematócrito. É
identificada por: cansaço; fraqueza; indisposição; palidez.
● A anemia causada pela doença falciforme não é decorrente da deficiência de ferro.
● Crises de dor: causadas pelo processo de vaso-oclusão, costumam durar de 4 a 6
dias, ocorrem nos braços, nas pernas, nas articulações, no tórax, no abdômen e nas
costas.
● Alguns fatores são desencadeantes, como: diminuição dos níveis de oxigênio no
sangue (hipóxia); infecções; febre, desidratação; perda de temperatura corporal;
exposição prolongada ao frio; atividade física extenuante; estresse emocional.
● Na maioria das crianças a primeira manifestação de dor decorre de um processo
inflamatório que provoca inchaço nos tornozelos, nos punhos, nos dedos ou nas
articulações. Esses sinais são conhecidos como síndrome mão-pé ou dactilite.
● Infecções recorrentes: episódios frequentes de vaso-oclusão lesionam o baço,
levando à atrofia e à diminuição da sua funcionalidade. Isso faz com que o organismo
da pessoa com a doença fique mais sujeito às infecções.
● Pneumonias, infecções renais e osteomielites também ocorrem com muita frequência,
tanto em crianças quanto em adultos com doença falciforme.
● Em crianças com doença falciforme, a ocorrência de infecção disseminada
(septicemia ou sepse) é mais frequente.
● Os episódios de febre devem, portanto, ser encarados como situações de risco, nas
quais os procedimentos diagnósticos precisam ser aprofundados e a terapia deve ter
início imediato.
● Icterícia: ocorre em função do aumento da hemólise e do consequente excesso de
bilirrubina na circulação, aumentando a pigmentação amarelada da pele e da parte
branca dos olhos (esclerótica). Outro sinal da icterícia é o escurecimento da urina
(colúria).
● Esses são alguns sinais que correspondem ao comprometimento hepático na doença
falciforme, e que podem ser confundidos com outras hepatites.
● Outras manifestações clínicas que aumentam a morbidade e a mortalidade na doença
falciforme são o sequestro esplênico (O sequestro esplênico ocorre com mais
frequência dos 5 meses até os 2 anos de idade, sendo uma das principais causas de
morte nas crianças com doença falciforme), a síndrome torácica aguda (STA) (A STA
é uma complicação severa na doença falciforme, sendo necessária a hospitalização
para que se realizem o tratamento e o acompanhamento), o acidente vascular cerebral
(AVC) (O AVC ocorre em cerca de 10% das pessoas com doença falciforme), o
priapismo, a crise aplásica, a úlcera de perna e a osteonecrose ou necrose avascular.

Manifestações clínicas na gestação e cuidados da gestante com doença falciforme


● Pode gerar danos para a gestante, para o feto e também para o recém-nascido
● Durante a gestação há piora da anemia, o aborto espontâneo ocorre com frequência e
há maior incidência de placenta prévia e de deslocamento prematuro de placenta.
● Ocorrência de crises de dor, infecções e síndrome torácica aguda são condições de
gravidade e complicam a gestação, podendo levar ao óbito materno e fetal.

Diagnóstico:
● Nas hemoglobinopatias, os exames laboratoriais são utilizados para: Detecção de Hb
S nos eritrócitos, Genotipagem de Hb, Determinante de haplótipos, Monitoração.
● Atualmente, no Brasil, o diagnóstico da doença falciforme está inserido em duas
estratégias do Ministério da Saúde: o Programa Nacional de Triagem Neonatal
(PNTN) e a Rede Cegonha.
● Programa Nacional de triagem Neonatal: O exame conhecido como o teste do
pezinho deve ser realizado na primeira semana de vida da criança. Atualmente, a
triagem neonatal da doença falciforme é realizada em todos os estados brasileiros,
possibilitando o diagnóstico precoce, o tratamento e a melhoria da qualidade de vida
das pessoas que apresentam essa doença genética. Com base nos dados produzidos
pelo PNTN sabe-se que, a cada mil crianças nascidas vivas no país, uma tem a doença
falciforme, estimando-se o nascimento de cerca de 3.000 crianças por ano com doença
falciforme e de 180.000 com traço falciforme.
● Rede cegonha: Trata-se de uma estratégia que visa implementar uma rede de
cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção
humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como garantir às crianças o
direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. Em 2011
foi instituída a inclusão do diagnóstico da doença falciforme na rotina do pré-natal
para todas as gestantes. Essa ação visa identificar gestantes com doença falciforme
para assegurar o pré-natal de alto risco em ambulatório adequado e, desse modo,
contribuir para a redução da morbimortalidade materna

Tratamento:
● A anemia falciforme não tem cura e requer acompanhamento médico por toda a vida.
● Não existe um tratamento específico para a doença em si, apenas medidas que visam
prevenir e minimizar as consequências.
● Atualmente, existe um tratamento medicamentoso como o hidroxiuréia, que auxilia no
aumento da hemoglobina fetal e ajuda a qualidade de vida dos pacientes.
● Tratamento curativo é possível apenas com transplante de medula óssea, mas só é
indicado para pessoas com até 16 anos e com indicações específicas

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