ESTADO DE SANTA CATARINA
E.E.B. PRESIDENTE JOÃO GOULART
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Professora: Aline Bonotto Coradini Componente curricular: Biologia
Os vírus
A palavra vírus vem do latim e significa “veneno” ou “fluido venenoso”.
Os vírus são extremamente pequenos, os menores “seres” conhecidos.
Um dos menores vírus é o da febre aftosa (aproximadamente 10nm) e um dos
maiores é o da varíola (aproximadamente 300nm).
Nanômetro é a milionésima parte do milímetro (1 milímetro dividido por 1 milhão
de partes, portanto, 1 nm = 1/1.000.000 = 0,000001 mm (10-6mm ou).
Características virais
1. São acelulares (não possuem célula);
2. Considerados estruturas supramoleculares ou agregados de moléculas;
3. Possuem uma composição básica de proteína (que forma o capsídeo) e ácido nucleico
(DNA ou RNA). Alguns vírus possuem envelope viral, que é um envoltório mais externo de
natureza fosfolipídica;
4. São parasitas intracelulares obrigatórios. Parasitam células específicas (especificidade
celular), podendo ser: bacteriófagos (parasitam bactérias), micófagos (parasitam fungos),
vírus de animais ou vírus de plantas;
5. Sem metabolismo ou reprodução própria;
6. Resistentes a antibióticos;
7. Quando nos referimos aos vírus no ambiente externo (fora do hospedeiro), chamamos de
vírions.
8. Quando estão parasitando os vírus apresentam capacidade metabólica, reprodutiva,
mutacional e evolutiva.
Cada vírus é formado por basicamente duas partes
1- uma porção central que leva a
informação genética DNA (ácido
desoxirribonucleico) ou RNA
(ácido ribonucleico), no qual estão
contidas todas as informações
necessárias para a produção de
outros vírus iguais a ele.
2- uma porção periférica,
constituída de proteínas, que
protege o material genético,
possibilita ao vírus identificar as células que ele pode parasitar e, em certos vírus, facilita a
penetração nas células. O conjunto de capsídeo mais o ácido nucleico é chamado de
nucleocapsídeo. Certos vírus, maiores e mais complexos, apresentam um invólucro
lipoproteico (formado por proteína e lipídio), são chamados de envelopados. Esse envelope
viral é formado pela membrana celular da célula em que o vírus parasitou, durante a entrada
ou saída da mesma.
O espaço entre o capsídio e o material genético (DNA ou RNA, podem existir algumas
enzimas) é chamado de cerne ou core.
Reprodução viral
O processo de replicação dos vírus possui 5 etapas:
1. Adsorção;
2. Separação dos ácidos nucléicos do
capsídeo;
3. Expressão e replicação de ácidos
nucléicos;
4. Montagem de novos vírus;
5. Liberação e transmissão.
Na etapa de adsorção, ocorre a ligação do vírion com a célula hospedeira, num processo
bastante específico, o que significa que cada vírus infecta em geral um ou poucos hospedeiros.
Mesmo dentro de um hospedeiro os vírus podem infectar alguns tecidos e outros não. Isso ocorre
porque envolve o reconhecimento por parte do vírus de que ele encontrou uma célula adequada,
que acontece por ligação entre moléculas do capsídeo ou envelope do vírion com moléculas da
superfície da célula. Estas moléculas podem ser carboidratos, proteínas, glicoproteínas, lipídeos
ou lipoproteínas, por exemplo.
Após o reconhecimento, ocorrem alterações na célula que permitem a penetração dos ácidos
nucléicos (procariotos) ou mesmo o vírion inteiro (eucariotos) no interior da célula.
No caso de vírus que infectam procariotos, por exemplo, isto pode envolver a ação de
enzimas do vírus no rompimento da parece celular bacteriana (lisozimas) e injeção do genoma do
vírion na célula.
Em eucariotos (animais e plantas), o vírion entra inteiro na célula, o que ocorre pela fusão do
envelope com a membrana celular da célula hospedeira ou endocitose do vírus. Alguns vírus
envelopados entram com o envelope dentro da célula a parasitar (exemplo: vírus do sarampo, da
gripe). Outros não entram com o envelope, entra apenas o capsídeo e o ácido nucleico-
nucleocapsídeo (exemplo: HIV)
Seja por qual via for, ocorre então a separação dos ácidos nucléicos do capsídeo.
Uma vez dentro das células, o material genético do vírus pode seguir vários caminhos: pode
codificar a expressão de proteínas do vírus ou ser replicado para formar novas partículas virais
(expressão e replicação de ácidos nucléicos).
Alguns vírus de DNA conseguem integrar seu genoma no genoma do hospedeiro, e seguir
sendo multiplicado junto com as divisões celulares normais da célula, sem causar-lhe maiores
danos. Isso é chamado de ciclo lisogênico. Vírus que iniciam de pronto sua replicação ou que
saíram do ciclo lisogênico realizam o ciclo chamado de lítico, que envolvem a morte da célula
hospedeira para a liberação dos vírus.
Após a produção de todos os componentes necessários para os novos vírus, ocorre a fase da
montagem. Nesta fase as proteínas do capsídeo são agrupadas e o material genético é
empacotado dentro do capsídeo.
Na fase final, ocorre o rompimento da célula, liberação
e transmissão dos vírus. No caso de vírus envelopados
(observe na figura ao lado), o envelope forma-se a partir
da saída através da membrana celular do hospedeiro.
Uma vez fora do hospedeiro, são chamados
novamente de vírions e estão aptos a infectar novos
hospedeiros. Dependendo do vírus, podem ser liberados
Formação do envelope viral
de poucos a milhares de partículas virais no exterior.
Ciclo lítico e ciclo lisogênico
Vamos observar estes ciclos na figura ao lado da
reprodução de um vírus bacteriófago T4 (fago T4) que
parasita bactérias Escherichia coli.
No ciclo lítico o vírus utiliza a célula hospedeira
para se reproduzir, gerando a destruição da mesma.
No ciclo lisogênico o vírus incorpora seu material
genético ao da célula hospedeira e se mantém
"adormecido/latente” (é chamado de profago ou
provírus) por algum tempo, podendo manifestar-se e passar a realizar o ciclo lítico. Quando o
vírus sai do ciclo lítico para o ciclo lisogênico, chama-se indução.
Exemplo de outros vírus que também podem apresentar o ciclo lisogênico: HIV, herpes
aparece-ciclo lítico/some-ciclo lisogênico).
Classificação dos vírus
Os ácidos nucléicos podem ser do tipo ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA em inglês)
ou ácido ribonucleico (ARN ou RNA em inglês). O padrão mais comum que encontramos na
natureza em todos os organismos – de bactérias até baleias – é de duas fitas de DNA
complementares (DNA dupla fita) e uma fita de RNA (RNA fita simples). Os vírus, no entanto,
fogem a essa regra e podem ser:
1- Vírus de DNA:
DNA (fita dupla) Exemplo: bacteriófago T4. DNA (fita simples) Exemplo: Parvovírus.
2 - Vírus de RNA:
RNA (fita dupla) Exemplo: rotavírus.
RNA (fita simples) (sentido+): RNAm. Exemplo: vírus da dengue e coronavírus (O nome
oficial do coronavírus é Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, ou mais
simplificadamente SARS-CoV-2).
RNA (fita simples) (sentido-): RNA→RNAm. Exemplo: influenza.
RNA (fita simples) RT- retrovírus : Estes vírus precisam converter DNA →RNA → DNA
(hepadnavírus) ou RNA → DNA → RNA (HIV) utilizando uma enzima muito especial
chamada transcriptase reversa, codificada pelo próprio genoma viral. Exemplo: HIV e
hepadnavírus (causador da hepatite B).
Drogas antivirais
Os alvos das drogas antivirais são pontos variados na reprodução viral, como
aderência a célula do hospedeiro (adsorção), penetração, desnudamento, síntese ou
reprodução de DNA ou RNA, ou montagem do novo vírus.
Doenças causadas por vírus
Catapora ou varicela; caxumba ou parotidite; citomegalovírus; condiloma acuminado ou
verruga genital; dengue; febre aftosa; febre amarela; gripe; hepatites; herpes; HIV; HPV; HTLV
I E HTLV II; meningite viral; mononucleose; poliomielite; raiva; resfriado; rotavirose; rubéola;
sarampo; varíola.
Não são vírus
Viroides: é uma partícula RNA de cadeia simples e circular que tem a capacidade de causar
doença basicamente apenas em plantas. Exemplo: PSTVd (doenças em batatas).
Virusoides: igual viroides, mas precisam de um vírus. Exemplo: Hepatite D (virusoide) precisa
da hepatite B.
Príons: são proteínas infecciosas, produzidas por um gene defeituoso, essa proteína ataca as
células nervosas do encéfalo. Consegue sobreviver a altas e baixas temperaturas, não
produzimos anticorpos contra essas proteínas e se multiplicam e produzem outras iguais a ela
que destroem o cérebro. Exemplo: encefalopatia espongiforme em humanos e doença da
vaca louca em bois.