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Abordagem do Abdome Agudo e Dor Abdominal

O documento aborda o abdome agudo, suas classificações, etiologias e quadro clínico, além de discutir a síndrome de dor abdominal e a apendicite. Também são abordadas as respostas metabólicas ao trauma, cicatrização de feridas e a classificação cirúrgica conforme o grau de contaminação. Exames laboratoriais e de imagem são destacados como essenciais na abordagem inicial do paciente com dor abdominal.

Enviado por

Thaissa Barros
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
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Tópicos abordados

  • doenças associadas,
  • abordagem laboratorial,
  • etiologias,
  • cicatrização,
  • sinais clínicos,
  • exames laboratoriais,
  • tratamento,
  • anamnese,
  • antibióticos,
  • anatomia topográfica
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Abordagem do Abdome Agudo e Dor Abdominal

O documento aborda o abdome agudo, suas classificações, etiologias e quadro clínico, além de discutir a síndrome de dor abdominal e a apendicite. Também são abordadas as respostas metabólicas ao trauma, cicatrização de feridas e a classificação cirúrgica conforme o grau de contaminação. Exames laboratoriais e de imagem são destacados como essenciais na abordagem inicial do paciente com dor abdominal.

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Tópicos abordados

  • doenças associadas,
  • abordagem laboratorial,
  • etiologias,
  • cicatrização,
  • sinais clínicos,
  • exames laboratoriais,
  • tratamento,
  • anamnese,
  • antibióticos,
  • anatomia topográfica

PROBLEMA 2 - AP2

OBJETIVOS:
- relembrar as fases
1. Sobre abdome agudo e suas classificações
7. ⁠Justificar todos os exames do paciente
- etiologias

- ⁠quadro clínico ~ anatomia topográfica

- ⁠epidemiologia + fatores de risco

- ⁠abordagem inicial

- ⁠rotina laboratorial e de imagem do abdômen


agudo

- ⁠tem abdome agudo clínico/cirúrgico?

- ⁠significado clínico: alça sentinela no RX?

- ⁠indicação de atb? Até quanto tempo atb


profilaxia? ≠ terapia?

2. Síndrome de dor abdominal:

- agudo X crônico

- ⁠tipo de dor (visceral…)

- ⁠abordagem inicial

- ⁠etiologias

3. Apendicite

- aguda ≠ complicada

- ⁠diagnóstico

- ⁠tratamento

4. Resposta metabólica ao trauma esperadas


- até quando?

5. Classificação da cirurgia de acordo com o


grau de contaminação

6. ⁠Cicatrização de feridas

- principais complicações

- ⁠fatores que interferem


do órgão. Exemplo: gastrite
SÍNDROME DE DOR ABDOMINAL (epigastralgia), acometimento do esôfago
(dor retroesternal), dor hepatobiliar
(hipocôndrio direito), cólica renal (flanco-
A dor abdominal é um sintoma e sinal dorso ipsilateral), cistite (hipogástrio),
clínico caracterizado pela sensação entre outros.
referida pelo paciente com ou sem reação
ao exame clínico de desconforto à • Dor Referida ( viscerocutânea ): aquela que
palpação. obedece à distribuição metamérica, sendo
definida como sensação dolorosa
MECANISMO DA DOR
superficial e tendo sua origem em
estrutura distante do local, como ocorre
Os nociceptores envolvidos nas dores
com a dor periumbilical na apendicite.
abdominais são sensíveis principalmente
em distensão, tração, isquemia,
processos inflamatórios, contração DOR PARIETAL: A dor parietal geralmente
espasmódica e distensão das cápsulas manifesta-se com maior intensidade que a
quando envolvidas as vísceras maciças. A dor visceral, além de ser mais bem
distribuição desses nociceptores é localizada. É causada pelo estímulo
variável em diferentes tecidos, justificando doloroso sobre o peritônio parietal, e
as diferentes sensações e suas transmite-se pela inervação somática, o
intensidades (por exemplo, os que justifica a contratura dos músculos
parênquimas hepático e esplênico são abdominais, sinal presente em alguns
praticamente indolores, entretanto o casos de dores abdominais com irritação
peritônio parietal é extremamente parietal.
sensível). Essas características da dor
são classificadas como
sensitivo-descriminativas, propiciando
informações como localização, tipo de dor, CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TEMPO
duração e intensidade.

AGUDA
CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE DOR Poucos dias de duração (costuma ser < 7
dias), geralmente com piora progressiva e
de inicio súbito.
DOR VISCERAL: A dor visceral é Exemplo: apendicite aguda, colecistite
caracterizada por ser difusa, profunda ou aguda, pancreatite aguda.
mal delimitada, e é causada por
inflamação, distensão, tração, isquemia CRÔNICA
ou aumento de pressão do peritônio Dor que permanece inalterada por meses
visceral. Fibras aferentes do sistema a anos.
nervoso autônomo, principalmente
simpático, conduzem esses estímulos -​ Crônica intermitente: caracterizada
dolorosos. por episódios dolorosos que duram
de minutos ou horas a dias
-​ SUBTIPOS DE DOR VISCERAL: alternados com períodos
assintomáticos. Ex: Síndrome do
● Visceral Verdadeira: quando a dor se situa intestino irritável, cólica ureteral,
próximo à localização anatômica doença calculosa biliar.
-​ Crônica persistente:duração ˃ 7
dias, sem períodos de acalmia.
EX: herpes zoster, câncer gástrico
avançado. ABDOME AGUDO

CARÁTER DA DOR DO ABDOME AGUDO:


ABORDAGEM INICIAL DA DOR ABDOMINAL

ANAMNESE
INFLAMATÓRIA: Os quadros inflamatórios
-Dor: localização, irradiação, tipo, modo de
têm início com dor de fraca intensidade, pouco
início e evolução, fatores desencadeantes,
precisa na localização. Sua evolução com o
agravantes ou atenuantes, correlação com
passar das horas sugere o diagnóstico, como
outras manifestações.
no caso da apendicite aguda, em que a dor é
inicialmente difusa e pouco localizada e,
-Sintomas gastrintestinais: anorexia, náuseas,
conforme a evolução do quadro, passa a ser
vômitos (aspecto, frequência, relação com a
localizada, geralmente na fossa ilíaca direita.
dor), evacuações, gases, etc.

PERFURATIVO: Nos casos de perfuração


-Doenças associadas ou pregressas
gastrintestinal, a dor é intensa e localizada
-Medicamentos em uso
desde o início, com piora progressiva do
-Cirurgias abdominais prévias
estado geral. Um exemplo é a perfuração de
-> Viagens recentes
úlcera gástrica ou duodenal, caracterizada por
dor de forte intensidade, em epigástrio, e que
-Antecedentes ginecológicos: leucorreia, data
provoca maior irritação peritoneal conforme
da última menstruação, alterações menstruais,
ocorre mais extravasamento de conteúdo
métodos contraceptivos, doenças prévias, etc.
gástrico para a cavidade peritoneal.
-Sistema urinário: ardência miccional, disúria,
OBSTRUTIVO: A dor em cólica, ou
polaciúria, hematúria, eliminação de cálculos,
espasmódica, surge subitamente; é de forte
etc.
intensidade e difusa, e é seguida por período
de atenuação ou ausência da dor. Geralmente
EXAME FÍSICO
é secundária à obstrução ou à suboclusão do
-Avaliação do estado geral do paciente e dos
trânsito gastrintestinal.
sinais vitais
-Tórax: inspeção, percussão e ausculta
-​ OBSTRUÇÃO PROXIMAL: por
(pulmonar e cardíaca)
exemplo, no jejuno proximal, as dores
-Abdome: inspeção, ausculta, palpação e
são mais frequentes e acompanhadas
percussão
por vômitos biliosos.
->Exame ginecológico e toque retal

-​ OBSTRUÇÃO DISTAL: Nas


EXAMES COMPLEMENTARES
obstruções mais distais, como em
-Hemograma, exame comum de urina e
alças do cólon, as dores são menos
conforme a suspeita clínica: glicemia,
frequentes, e podem ser
creatinina, ureia, eletrólitos, amilase, lipase,
acompanhadas por vômitos de
provas de função hepática, provas de
aspecto fecaloide.
coagulação, eletrocardiograma, etc.

VASCULAR:
-Exames de imagem devem ser solicitados de
modo seletivo: radiografia de tórax
​ •​ Causa: Decorrente de
(anteroposterior e perfil) e abdome (três
alterações na circulação sanguínea, como
incidências); ultrassonografia abdominal;
tomografia computadorizada abdominal total.
isquemia (redução do fluxo sanguíneo), CLASSIFICAÇÕES
trombose arterial/venosa ou embolia.
​ •​ Caráter: QUANTO AO MECANISMO
​ •​ Geralmente uma dor intensa,
difusa e de início súbito. Mecânica
​ •​ Frequentemente descrita - É algo palpável.
como uma dor em cólica ou pulsátil em casos - Vai ter algo impedindo.
de aneurisma de aorta abdominal.
​ •​ Pode ser desproporcional aos Funcional
achados clínicos iniciais (em casos como - Há um distúrbio na motilidade. - Não há fator
isquemia mesentérica). mecânico.
​ •​ Exemplos:
​ •​ Isquemia mesentérica aguda
(por trombose ou embolia).
​ •​ Ruptura ou dissecção de QUANTO AO GRAU
aneurisma de aorta abdominal.
​ •​ Trombose venosa Total
mesentérica. - Tudo fechado.

HEMORRÁGICO: Parcial
- Pode eliminar gases ou fezes.
​ •​ Causa: Associada à presença
de sangue na cavidade abdominal
(hemoperitônio), decorrente de ruptura
vascular ou lesão em órgãos.
​ •​ Caráter: QUANTO A GRAVIDADE
​ •​ Dor súbita, intensa e
frequentemente acompanhada de sinais de Obstrução simples
irritação peritoneal (como rigidez abdominal e - Não há isquemia intestinal.
dor à palpação).
​ •​ Pode irradiar dependendo da Obstrução estrangulada
origem do sangramento. - Há isquemia de parede, podendo gerar
​ •​ Em casos de grande volume necrose, perfuração e peritonite.
de sangramento, pode haver hipotensão,
tontura ou sinais de choque hipovolêmico.
​ •​ Exemplos:
​ •​ Gravidez ectópica rota. QUANTO À LOCALIZAÇÃO
​ •​ Ruptura de aneurisma de
aorta abdominal.
​ •​ Traumas abdominais com
lesão de órgãos sólidos (baço, fígado).
​ •​ Ruptura de cisto ovariano
hemorrágico.

ETIOLOGIAS

ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO


Alta
- Intestino delgado.
- Proximal a válvula íleo cecal.
- Cirúrgico: lise de bridas. Faz quando o
Baixa paciente não evolui bem após o tratamento
- Intestino grosso. conservador.
- Distante da válvula íleo cecal. NEOPLASIAS
- Segunda causa de obstrução alta.
- São tumores metastáticos. Ou seja, não são
tumores do intestino em si.
CAUSAS - Neoplasia de cólon, ovário, pâncreas e
estômago

OBSTRUÇÃO EM ALÇA FECHADA HÉRNIAS


- Terceira causa de obstrução alta.
- Ha 2 pontos obstruídos ao mesmo tempo. - Hérnias femorais têm maior risco de
- Exemplo: neoplasia de cólon sigmoide e estrangulamento, sendo mais comum nas
válvula ileo- cecal competente. Essa mulheres.
obstrução gera supercrescimento bacteriano, - Se a hérnia for encarcerada: faz cirurgia
produção de gás e distensão abdominal, até imediata.
podendo ter isquemia, necrose, perfuração e - Se o paciente tiver menos de 6-8 horas de
peritonite. evolução e alto risco cirúrgico, pode tentar
reduzir. Se tiver sucesso: programa cirurgia
QUADRO CLÍNICO: eletiva. Se não, faz cirurgia imediata.
- Hérnia encarcerada com sinais de
estrangulamento (febre, taquicardia,
hiperemia, hipertermia, tempo de evolução
maior que 6-8 horas): cirurgia imediata. Não
tem como fazer redução.

OUTRAS CAUSAS DE OBSTRUÇÃO


INTESTINAL ALTA
- Volvo gástrico, intestinal
- Doença de Crohn
- Íleo biliar
- Corpo estranho
- Divertículo de Meckel
- Se não tratar, os ruídos hidroaéreos ficam - Parasita: bolo de ascaris
hipoativos, sinais de que o paciente pode
estar evoluindo para uma isquemia. OBSTRUÇÃO INTESTINAL BAIXA

CAUSAS:
OBSTRUÇÃO INTESTINAL ALTA
NEOPLASIA COLO RETAL
CAUSAS:
- Principal: brida! - Principal causa de obstrução baixa.
- Neoplasia de reto e cólon esquerdo são mais
BRIDA fáceis de obstruir, pois não se distendem
- São as aderências intestinais. tanto.
- Comum após cirurgias abdominais prévias. - Quando clínico e exame físico:
- No exame de imagem se mostra um padrão ✓ Idade 60-89 anos
de obstrução intestinal alta. ✓ Antecedentes de alteração de hábito
- Tratamento conservador (falado intestinal,
anteriormente) é suficiente em 80% dos emagrecimento, sangramento retal
casos. ✓ Dor e distensão abdominal
✓ Parada de eliminação de fezes e flatos - Hemograma: leucocitose/anemia.
✓ Vômitos fecaloides tardios; indica válvula - Eletrólitos: hipocalemia, hipocloremia e
íleo-cecal incompetente. hiponatremia. - Gasometria arterial: alcalose
✓ Toque retal: obrigatório. metabólica pode evoluir com isquemia e aí
- Tratamento: cirúrgico em sua maioria. apresentar acidose metabólica.
- A alcalose metabólica hipocloremica
VOLVO SIGMOIDE hipocalemica advém dos vômitos.
- Lactato sérico: indica isquemia intestinal.
- Segunda causa de obstrução baixa.
- Há uma rotação do cólon sigmoide ao redor
do seu próprio eixo. EXAMES DE IMAGEM
Fatores de risco - Primeiro exame a ser solicitado na suspeita
- Sigmoide redundante e longo. de abdômen agudo obstrutivo: rotina de
- Idosos (70-80 anos) abdômen agudo.
- Pacientes institucionalizados. - Raio X de tórax em ortostase PA, raio X de
- Doenças neurológicas e psiquiátricas, uso de abdômen com o paciente em ostostase e
medicamentos psicotrópicos decúbito dorsal.
- Constipação crônica - Doença de Chagas - No raio x normal, é normal ver gases, não se
Diagnóstico vê o delgado.
- Quadro clínico e imagem de grão de café.
Tratamento
- Tratamento conservador.
- Se tiver instabilidade e peritonite, faz
cirurgia.
- Se está estável e sem peritonite, tenta
distorcer via colostomia. Depois programa a
cirurgia definitiva.

OUTRAS CAUSAS DE OBSTRUÇÃO


INTESTINAL BAIXA

- Fecaloma. TOMOGRAFIA DE ABDÔMEN


- Volvo de ceco. - Útil quando o raio X não mostra nada.
- Corpo estranho. - Bom exame, principalmente quando usa
- Diverticulite aguda. contraste.
- Hérnias. - Só faz em pacientes com estabilidade
- Doença inflamatória intestinal. hemodinâmica. - Geralmente consegue dar a
etiologia da obstrução.

DIAGNÓSTICO DE ABDOME AGUDO


OBSTRUTIVO
- Quadro clínico: dor abdominal, distensão, MEDIDAS DE SUPORTE
vômitos, náuseas, timpanismo, ... - Faz para todos.
- Exame físico: toque retal é OBRIGATÓRIO! - Jejum.
Pode detectar fecaloma, corpo estranho, - Sonda nasogástrica para descompressão do
neoplasia, ... TGI.
- Exame de imagem. - Hidratação EV.
- Correção de distúrbios hidroeletrolíticos e
ácido básico. - Analgesia.

NO LABORATÓRIO
- Atb: a princípio, só faz para pacientes que LABORATÓRIO
irão realizar cirurgia (profilaxia) ou na - Leucocitose com desvio a esquerda. -
presença de complicações. Aumento do PCR e amilase.

OBS: o tratamento depende da etiologia IMAGEM


Radiografia simples
- O diagnóstico de abdômen agudo perfurativo
é baseado na história clínica, exame físico e
ABDOME PERFURATIVO confirmado pelo exame de imagem que
mostre pneumoperitônio, visualizado como ar
- Quadro de dor abdominal súbita e intensa, subdiafragmático.
decorrente da perfuração de uma víscera oca, - Na suspeita dele, deve-se solicitar a rotina
com extravasamento do seu conteúdo para a de abdômen agudo.
cavidade peritoneal. Sendo a causa mais
comum a úlcera péptica perfurada. Tomografia computadorizada
- Melhor exame para diagnóstico de abdômen
agudo perfurativo, pois consegue demonstrar
quantidades menores de ar na cavidade.
EPIDEMIOLOGIA - Além do pneumoperitônio, consegue
- Os principais fatores de risco para úlcera visualizar complicações da perfuração.
péptica são a infecção pelo H. Pylori e uso de
AINES ou AAS. Atenção! O primeiro exame a ser solicitado na
- O tabagismo e o álcool também estão suspeita de uma perfuração intestinal é a
relacionados. rotina de abdômen agudo radiológica, a
- São mais comuns em homens, sendo as tomografia fica reservada para os casos em
duodenais mais frequentes do que as que o pneumoperitônio não for visualizado na
gástricas. radiografia simples.
- A incidência aumenta com a idade.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E EXAME TRATAMENTO


FÍSICO - Úlcera péptica perfurada é cirurgia de
emergência.
- Dor abdominal de início súbito, de forte - Faz reposição volêmica, correção de
intensidade em região epigástrica, que irradia distúrbio hidroeletrolítico, analgesia, atb, ...
para todo o abdômen. antes da cirurgia, o mais rápido possível.
- Náuseas, vômitos, taquicardia, taquipneia,
hipotensão arterial.
- Abdômen em tábua, com contração
muscular involuntária e descompressão
brusca localizada ou difusa, devido irritação
peritonial.
- Pode ser encontrado o sinal de Jobert
(presença de timpanismo ao invés da macicez
hepática habitual, devido pneumoperitônio).
- RHA diminuídos.

EXAMES COMPLEMENTARES
ABDOME AGUDO VASCULAR FISIOPATOLOGIA

- Após a obstrução vascular, a probabilidade


- Refere-se a isquemia do intestino delgado ou de desenvolver isquemia intestinal depende
grosso. do número e calibre dos vasos acometidos,
- Logo, temos um desbalanço entre oferta / adequação da perfusão mesentérica e
suprimento vascular e demanda metabólica existência de circulação colateral, além da
intestinal. duração da isquemia.

- A lesão intestinal ocorre por isquemia e por


reperfusão, que gera liberação de radicais
CLASSIFICAÇÃO livres, subprodutos tóxicos, …

QUANTO A LOCALIZAÇÃO - O intestino consegue compensar uma


redução de até 75% do fluxo sanguíneo
Isquemia mesentérica: acomete o intestino mesentérico por até 12h sem lesão
delgado. substancial.

Isquemia colônica: acomete o intestino - No entanto, após um período prolongado de


grosso. isquemia, há vasoconstrição progressiva do
leito vascular obstruído, diminuindo o fluxo
QUANTO AO TEMPO DE EVOLUÇÃO colateral.

Isquemia mesentérica aguda: há um início - A isquemia persistente pode gerar necrose e


súbito de hipoperfusão do intestino delgado, subsequente perfuração, gerando a peritonite.
que pode ser devido à obstrução oclusiva ou
não oclusiva da irrigação arterial ou obstrução
do fluxo venoso.
ETIOLOGIAS
Isquemia mesentérica crônica: geralmente,
desenvolve-se em pacientes com - A mais comum é a isquemia colônica, que é
aterosclerose mesentérica, causando mais frequente em idosos e mulheres. Pode
sintomas crônicos de hipoperfusão intestinal, ocorrer devido hipoperfusão (não oclusiva),
comumente relacionados à alimentação. oclusão por êmbolos, trombose da veia
mesentérica…
QUANTO AO SEGMENTO VASCULAR
ACOMETIDO
Oclusão arterial: a obstrução arterial oclusiva
ocorre por embolia ou trombose e afeta mais FATORES DE RISCO
comumente a artéria mesentérica superior
(AMS). A isquemia mesentérica não oclusiva é -​ DM
resultado de um estado de hipofluxo e é mais -​ IC
comumente devida à vasoconstrição por baixo -​ Opioides ( droga indutora de
débito cardíaco ou ao uso de vasopressores. constipação )

Oclusão venosa: a trombose venosa é devida


à obstrução da via de saída do intestino,
incluindo as veias mesentéricas superior e
inferior e as veias esplênica e porta.
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
- Dor abdominal em cólica, geralmente no lado Medidas de suporte: jejum, checagem de
esquerdo do abdômen (área de menor medicamentos que
circulação colateral). predispõe o baixo fluxo, correção do baixo
- Diarreia sanguinolenta (hematoquezia). fluxo, …
- Início da dor súbito em casos de etiologia em
plica. TRATAMENTO CIRÚRGICO
- A dor pode ser insidiosa quando em - Evidência clínica de isquemia de toda
isquemia não oclusiva. espessura da parede colônica, com necrose
e/ou perfuração colônica e peritonite fecal
(como sinais de peritonite e instabilidade
hemodinâmica) ou radiológica (como
pneumatose, gás no sistema venoso
EXAMES LABORATORIAIS mesentérico ou portal, pneumoperitônio).
- Não são específicos para isquemia, mas
podem mostrar: Aumento do lactato sérico - Em pacientes que apresentam falha no
Aumento do LDH, CPK e amilase tratamento conservador (febre persistente,
Queda da Hb (pelo sangramento retal) leucocitose, irritação peritoneal, diarreia
Leucocitose com desvio a esquerda prolongada ou sangramento gastrointestinal
Acidose metabólica (em fase de isquemia maciço) também está indicada a cirurgia de
avançada). urgência.

RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME


- Pode apresentar distensão na isquemia
avançado.
- Além disso, edema e espessamento ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO
da parede intestinal.
- É uma condição inflamatória/infecciosa
TC DE ABDOME gastrointestinal que precisa de conduta
- Geralmente é o primeiro exame a ser imediata, sendo cirúrgica ou não. - Causa
realizado. mais comum de dor abdominal na
- Tem achados inespecíficos ou normais em emergência.
fase inicial. PRINCIPAIS CAUSAS
- Pode apresentar edema e espessamento da
parede intestinal. Além de, em fases - Apendicite.
avançadas, necrose e perfuração intestinal. - Colecistite.
- Diverticulite.
COLONOSCOPIA - Pancreatite.
- Exame de escolha. - Doença inflamatória pélvica.
- Confirma o diagnóstico de isquemia colônica.
- Deve ser realizado sempre que suspeitar de
isquemia colônica.
- Pode detectar lesões hemorrágicas e fazer
biópsia de áreas suspeitas.
- Pode demonstrar mucosa edemaciada,
eritema, nódulos hemorrágicos, …

TRATAMENTO
- A maioria dos casos tem isquemia de
espessura parcial e tem boa resolução. -
QUADRO CLÍNICO
ETIOLOGIAS - Inicia com uma dor mal localizada (dor
visceral, devido estimulação de fibras
aferentes viscerais) que evolui para localizada
em fossa ilíaca direita (dor parietal, quando a
DIVERTICULITE AGUDA inflamação envolve o peritônio parietal
adjacente, estimulando nervos somáticos).
- Dor em FIE.
- Náuseas e vômitos. - A dor mal localizada fica no mesogástrio ou
- Mudança de hábito intestinal. periumbilical, que dura 4-6 horas até migrar
- Paciente idoso com episódios prévios. para FID. - Sinal de blumberg +, que consiste
na DB no ponto de McBurney.

- Febre baixa (<38,5°)


APENDICITE - Náuseas.
- Vômitos.
- Anorexia.
EPIDEMIOLOGIA: - Pode ter RHA diminuídos.
- Outros sinais semiológicos: lapinsky, sinal do
- Tem pico na 2-3 década de vida. Poucos psoas ilíaco, sinal de rovsing, sinal do
casos acontecem nos idosos. obturador, sinal de Dunphy.
- Maior incidência em homens brancos.

FATOR DE RISCO: DIAGNÓSTICO

- Baixa ingesta de fibras. - É clínico.


- Os exames de imagem ajudam para casos
FISIOPATOLOGIA: duvidosos, de evolução arrastada (>48h),
- A inflamação inicial da parede do apêndice é atípicos.
seguida de isquemia localizada, necrose, - Então, paciente jovem, com dor típica de
perfuração e desenvolvimento de abcesso ou apendicite e <48h de evolução=
peritonite generalizada. - É causada por uma apendicectomia.
obstrução da luz apendicular, que gera
distensão e aumento da pressão luminal.
EXAMES COMPLEMENTARES
- Após 12-24h, há comprometimento do
retorno venoso e linfático, trombose, oclusão Laboratório:
de pequenos vasos e estase de fluxo linfático,
resultando em isquemia da mucosa. - Leucocitose com desvio a esquerda.
- Pode ter leucocitúria.
- Pode ser causada por fecalito (mais comum; - PCR aumentado.
massa de fezes empedradas e endurecidas, - Teste de gravidez. A gravidez ectópica rota
de tamanhos variáveis, localizada no reto e/ou pode ter quadro semelhante a apendicite,
no sigmoide) ou apendicolito (fezes devendo sempre solicitar a dosagem do B
endurecidas), neoplasias, cálculos, sementes, HCG em mulheres de idade fértil.
parasitas (ascaris), …
EXAMES DE IMAGEM:
- Uma vez obstruído, pode haver
supercrescimento bacteriano no apêndice. Radiografia
- Deve-se solicitar em todo paciente com
suspeita de abdômen agudo;
Raio X de tórax em PA em ortostase Ressonância nuclear magnética:
Raio X de abdômen AP em ortostase e
deitado. - Pode fazer em pacientes grávidas com
- Pode achar fecalito em QID, alça sentinela suspeita de apendicite aguda quando USG
na FID, apagamento do músculo psoas direito. inconclusiva.

APENDICITE AGUDA NÃO COMPLICADA


x COMPLICADA

OBS: Significado e Mecanismo Da Alça OBS: sinais de sepse na APEND.


Sentinela COMPLICADA ( hipotensão e taquicardia ).

​ •​ A alça sentinela reflete a


paralisia localizada do intestino em resposta à
inflamação adjacente, como ocorre na TRATAMENTO
apendicite ou na pancreatite.
​ •​ É uma reação inflamatória O tratamento da apendicite varia dependendo
visceral ou irritação do peritônio que faz com da gravidade da condição, sendo classificado
que o segmento de alça intestinal próximo ao em apendicite não complicada e apendicite
processo inflamatório se torne hipomotil, complicada. A abordagem é composta por
resultando na retenção de gás ou líquido. manejo clínico e, na maioria dos casos,
intervenção cirúrgica.

USG: Tratamento da Apendicite Não Complicada

- Auxilia no diagnóstico. A apendicite não complicada é caracterizada


- Pode verificar o apêndice aumentado. por inflamação restrita ao apêndice, sem
- Espessamento da parede apendicular: perfuração, abscesso, gangrena ou peritonite.
imagem em alvo. - Borramento da gordura.
- Fecalito. A. Apendicectomia

TC de abdômen com contraste endovenoso: ​ •​ Indicação principal: É o


tratamento padrão para apendicite não
- Exame de escolha para o diagnóstico. Mas complicada.
só deve ser solicitado em casos de dúvida ​ •​ Tipos de abordagem cirúrgica:
diagnóstica e avaliação de complicações da ​ 1.​ Apendicectomia
apendicite. laparoscópica:
​ •​ Menor invasividade. ​ 2.​ Drenagem de abscesso:
​ •​ Reduz o tempo de internação ​ •​ Realizada preferencialmente
e recuperação. por via percutânea, guiada por ultrassom ou
​ •​ Melhor para pacientes obesos tomografia.
ou do sexo feminino (diferenciação de outras ​ •​ Indicada para abscessos >3
condições ginecológicas). cm ou com sinais de sepse.
​ 3.​ Suporte clínico:
​ 2.​ Apendicectomia aberta: ​ •​ Reposição volêmica
​ •​ Realizada em casos em que agressiva.
laparoscopia não é viável (ex.: falta de ​ •​ Monitoramento de sinais de
recursos, instabilidade hemodinâmica). sepse (febre, taquicardia, instabilidade
hemodinâmica).

B. Tratamento conservador (não cirúrgico) B. Cirurgia

​ •​ Consiste no uso exclusivo de A decisão sobre o momento da cirurgia


antibióticos. Pode ser considerado em casos depende da estabilização do quadro clínico:
selecionados, como:
​ •​ Pacientes de alto risco ​ 1.​ Apendicectomia imediata:
cirúrgico. ​ •​ Indicada em casos de
​ •​ Casos em que o diagnóstico é peritonite difusa ou sepse não controlada.
incerto. ​ •​ Frequentemente realizada por
​ •​ Quando a cirurgia não é via laparotômica.
acessível imediatamente. ​ 2.​ Apendicectomia de intervalo:
​ •​ Regime antibiótico: ​ •​ Indicada em casos de
​ •​ Cefalosporinas de 2ª ou 3ª abscesso ou flegmão, após controle do
geração (ex.: ceftriaxona) associadas ao processo inflamatório inicial com antibióticos e
metronidazol, ou piperacilina-tazobactam. drenagem.
​ •​ Administração inicial ​ •​ Realizada de 6 a 8 semanas
intravenosa seguida por antibióticos orais por após o tratamento inicial.
cerca de 7-10 dias.
​ •​ Limitação: Risco de 3. Cuidados Pós-operatórios
recorrência de apendicite.
​ •​ Antibioticoterapia: Pode ser
necessária após a cirurgia em casos de
apendicite complicada.
Tratamento da Apendicite Complicada ​ •​ Monitoramento de
complicações:
A apendicite complicada envolve perfuração, ​ •​ Infecção do sítio cirúrgico.
abscesso, flegmão, gangrena ou peritonite. ​ •​ Abscesso residual.
​ •​ Íleo paralítico.
A. Manejo inicial ​ •​ Reabilitação: Retorno gradual
às atividades diárias e orientação dietética
​ •​ Objetivo: Controlar a infecção leve inicialmente.
e estabilizar o paciente antes de qualquer
cirurgia.

​ 1.​ Antibioticoterapia:
​ •​ Esquema de amplo espectro
para infecção intra-abdominal (ex.:
meropenem, piperacilina-tazobactam ou
ceftriaxona associada ao metronidazol).
episódio, há o risco de evolução para
ESQUEMA DE ANTIBIÓTICO complicações, como a colecistite aguda.

Colecistite aguda
- Refere-se a uma síndrome de dor no
quadrante superior direito, febre e leucocitose
associada à inflamação da vesícula biliar. Na
maioria dos pacientes (90%), a colecistite
aguda desenvolve-se em pacientes com
histórico de cálculos biliares sintomáticos,
Complicações e Manejo enquanto a colecistite acalculosa é
responsável por cerca de 5% a 10% dos
​ •​ Peritonite difusa: Requer casos.
apendicectomia de urgência e irrigação
abdominal.
​ •​ Abscesso residual: Drenagem
percutânea e antibioticoterapia. EPIDEMIOLOGIA
​ •​ Íleo paralítico: Suporte clínico - Complicação mais comum da colelitíase, se
com reposição de líquidos, monitoramento e, desenvolvendo frequentemente após crises
em casos graves, descompressão com sonda recorrentes de cólica biliar.
nasogástrica. - Acomete mais as mulheres.

FATORES DE RISCO
- Sexo feminino.
COLECISTITE - Idade.
- Obesidade/dislipdemia.
Colecistite Crônica - Gravidez.
- Genética.
- Infiltração celular inflamatória crônica da - DM.
vesícula biliar. - Desenvolve-se após repetidos - Medicamentos: fibrato, reposição de
episódios de cólica biliar, que causam estrogênio, …
inflamação e estenose no colo vesical e no
ducto cístico, levando a uma fibrose e
espessamento da vesícula biliar.
FISIOPATOLOGIA
QUADRO CLÍNICO - Ha obstrução do ducto cístico, geralmente
A apresentação clínica é de cólica biliar, dor por um cálculo, e ação irritante da lisolecitina,
em epigástrio ou hipocôndrio direito que pode uma enzima liberada pela mucosa da vesícula
irradiar para a escápula, causada pela biliar.
obstrução temporária do ducto cístico e que - Com a obstrução, há aumento da pressão
tende a ocorrer após as refeições, intra luminal e consequente obstrução venosa
principalmente as ricas em lipídios, em que há e linfática, edema de parede, que pode evoluir
aumento da colecistoquinina (CCK) e para isquemia, necrose e perfuração.
contração da vesícula biliar. - A infecção da bile estagnara é um fenômeno
secundário, que nem sempre ocorre.
OBS: Toda colelitíase sintomática tem
indicação cirúrgica, já que, após o primeiro
QUADRO CLÍNICO ✓ Pancreatite aguda edematosa intersticial:
- Dor insidiosa que piora no hipocôndrio cursa com aumento difuso ou localizado do
direito. pâncreas secundário a edema inflamatório,
- Dor é constante, intensa e prolongada sem necrose. Ocorre em 90% a 95% dos
(superior a 4 a 6 horas), podendo irradiar para doentes e está associada à doença leve, com
o ombro direito ou escapula direita. baixa morbimortalidade (cerca de 3%).
- Dor que inicia após alimentação gordurosa. Autolimitada, geralmente, apresenta resolução
- Febre, náuseas, vômitos. em uma semana.
- Leucocitose.
- Sinal de Murphy. ✓ Pancreatite necrosante: há evolução para
necrose do parênquima pancreático, dos
tecidos peripancreáticos
ou de ambos. Ocorre em 5% a 10% dos
EXAMES COMPLEMENTARES doentes e está associada a quadros graves,
Laboratório com elevada morbimortalidade (cerca de 17%
de mortalidade).
- Leucocitose com desvio a esquerda.
- Aumento do PCR.
- Aumento moderado da FA, amilase sérica,
bilirrubinas e transaminases. ETIOLOGIA
Litíase biliar
Exames de imagem - É a principal causa.
- Teoria obstrutiva: o cálculo biliar migra para o
- SEMPRE deve ser solicitado para ducto pancreático, obstruindo-o. No entanto, a
confirmação diagnóstica. secreção pancreática mantém-se,
USG: promovendo aumento excessivo da pressão
- É primeira escolha para diagnóstico de no interior do ducto pancreático obstruído.
colecistite aguda. - Pode detectar a presença - Teoria do refluxo: o cálculo biliar fica
de cálculos biliares, além de: espessamento impactado na ampola de Vater (formada pela
da parede vesicular, aumento da vesícula união do ducto pancreático com o ducto
biliar… colédoco), permitindo o refluxo de sais biliares
para o pancreas. Esses sais biliares
Cintilografia provocariam, então, uma necrose das células
- Exame padrão ouro na investigação quando acinares pancreáticas.
USG duvidosa.
- A vesícula não é visível na colecistite aguda.

Álcool
- Segunda causa mais comum.
- Tem efeitos nocivos sobre o pâncreas,
liberando citocinas inflamatórias e aumento da
PANCREATITE expressão de proteases apoptóticas.

- Processo inflamatório que afeta o pâncreas, Outras causas


podendo envolver tecidos peripancreáticos - Hipertrigliceridemia.
e/ou outros órgãos. - 90% dos casos são - Medicamentos. Ex.: sulfonamidas,
leves e autolimitada. metronidazol, furosemida, …

SUBTIPOS SEGUNDO A CLASSIFICAÇÃO QUADRO CLÍNICO


DE ATLANTA - Dor em faixa.
- A dor tem intensidade variável, de leve a
intensa e incapacitante. QUADRO CLÍNICO E EXAME FÍSICO
- Náuseas e vômitos.
- Alterações sistêmicas: hipóxia, edema local, - Dor abdominal intensa associada a
hemorragia, IRA. alterações hemodinâmica secundárias a perda
- Sinal de Grey Turner e sinal de Cullen. sanguínea, como palidez, sudorese fria,
- Exame físico mais inespecífico. Pode ter taquicardia, taquipneia, hipotensão, ...
taquicardia, hipotensão, icterícia (25% dos - Sempre devemos suspeitar de abdômen
casos), … agudo hemorrágico em paciente com dor
abdominal aguda e choque hipovolêmico.
- Nem sempre o paciente vai ter sinais de
peritonite, pois o sangue é pouco irritativo
DIAGNÓSTICO para o peritônio parietal.
- Não depende de exame de imagem.
- Precisa de dois dos 3 critérios:
1. Achados clínicos típicos/compatíveis: dor
abdominal no quadrante superior do abdome TRATAMENTO
associado a náuseas e vômitos. - Evitar o choque fazendo hidratação
2. Elevação de três ou mais vezes nos níveis endovenosa, transfusão sanguínea e controle
séricos de AMILASE e/ou LIPASE. da hemorragia.
3. Achados característicos nos exames de
imagem.

ETIOLOGIA:

USG DE ABDÔMEN GRAVIDEZ ECTÓPICA ROTA


- É exame mandatório em todo caso de
pancreatite aguda. Deve ser pedido nas Quadro clínico e exame físico:
primeiras 48h de admissão do paciente para - Paciente em idade reprodutiva com histórico
avaliar etiologia biliar. de amenorreia, sangramento vaginal anormal,
- Não faz diagnóstico, mas é mandatório para com dor abdominal súbita, de forte
descobrir a etiologia. intensidade, continua e sinais de choque.
- O abdômen pode estar distendido, com
sensibilidade difusa ou localizado.
TRATAMENTO - Pode ter sinal de cullen ( equimose ou
- Deve-se realizar ressuscitação volêmica nas coloração azulada na região periumbilical )
primeiras 12-24h de início dos sintomas.
- Analgesia, preferencialmente com AINE.
- Dieta zero.
- Só usa ATB na vigência de infecção. Diagnóstico
- Quadro clínico de dor abdominal aguda com
atraso menstrual, sangramento vaginal e
sinais de choque, em paciente com idade
fértil, BHCG positivo e USG abdominal e/ou
ABDOME AGUDO HEMORRÁGICO transvaginal mostrando: ausência de gestação
intrauterina, líquido livre na cavidade, massa
- É a presença de sangue livre na cavidade extra- uterina complexa (geralmente na tuba)
abdominal, de origem não traumática.
- Exemplos:
Gravidez ectópica (causa mais comum)
Cisto ovariano roto Tratamento:
Ruptura de aneurisma de aorta abdominal - Salpingectomia de emergência.
​ •​ Hipocalemia: perda de
potássio por vômitos.
ABORDAGEM INICIAL LABORATORIAIS E ​ •​ Creatinina elevada:
DE IMAGEM NO ABDOME AGUDO desidratação ou lesão renal aguda.

1. Exames laboratoriais 1.4 Amilase e lipase

Esses exames são solicitados para avaliar a ​ •​ Por que solicitar?


inflamação, infecção, função de órgãos e ​ •​ Diagnosticar pancreatite
distúrbios metabólicos associados ao quadro. aguda, já que esses marcadores são elevados
em inflamação do pâncreas.
1.1 Hemograma completo ​ •​ Alterações esperadas:
​ •​ Lipase > 3x o limite normal é
​ •​ Por que solicitar? altamente sugestiva de pancreatite.
​ •​ Detectar leucocitose ou
desvio à esquerda, indicativos de infecção ou 1.5 Testes de função hepática (TGO, TGP,
inflamação. fosfatase alcalina, bilirrubinas)
​ •​ Identificar anemia, que pode
ocorrer em casos de sangramento ​ •​ Por que solicitar?
intra-abdominal (ex.: úlcera perfurada ou ​ •​ Avaliar possíveis causas
ruptura de aneurisma). hepatobiliares de abdome agudo, como
​ •​ Alterações esperadas: colecistite, colangite ou obstrução biliar.
​ •​ Leucocitose: comum em ​ •​ Alterações esperadas:
apendicite, colecistite ou pancreatite. ​ •​ Elevação de bilirrubinas e
​ •​ Hematócrito baixo: pode fosfatase alcalina: indica obstrução biliar ou
sugerir hemorragia (ex.: gravidez ectópica colangite.
rota).
1.6 Exame de urina (EAS)

1.2 Proteína C Reativa (PCR) ​ •​ Por que solicitar?


​ •​ Diferenciar causas urológicas
​ •​ Por que solicitar? de abdome agudo, como infecção urinária,
​ •​ Avaliar a gravidade da pielonefrite ou cálculo renal.
inflamação. A PCR é um marcador sensível, ​ •​ Alterações esperadas:
mas inespecífico, que ajuda a diferenciar ​ •​ Piúria ou hematúria: comuns
quadros mais graves de abdome agudo. em infecção urinária ou nefrolitíase.
​ •​ Alterações esperadas:
​ •​ PCR elevada: comum em 1.7 Beta-HCG (em mulheres em idade fértil)
apendicite complicada, peritonite ou
pancreatite grave. ​ •​ Por que solicitar?
​ •​ Diagnosticar gravidez
ectópica, uma causa importante de abdome
1.3 Eletrólitos e função renal (sódio, potássio, agudo em mulheres.
ureia( desidratação do paciente ), creatinina) ​ •​ Alterações esperadas:
​ •​ Beta-HCG positivo em níveis
​ •​ Por que solicitar? elevados ou desproporcionais ao esperado
​ •​ Identificar distúrbios para a idade gestacional.
hidroeletrolíticos e avaliar a função renal, que
pode estar comprometida em quadros de 2. Exames de imagem
vômitos, diarreia ou choque.
​ •​ Alterações esperadas:
Os exames de imagem são essenciais para ​ •​ Indicações principais:
identificar a localização e a causa do abdome ​ •​ Apendicite complicada:
agudo. abscesso, perfuração.
​ •​ Pancreatite aguda: necrose
2.1 Radiografia de abdome ou coleções.
​ •​ Obstrução intestinal:
​ •​ Por que solicitar? identificar a causa (ex.: hérnia, aderências,
​ •​ Avaliar perfuração de vísceras tumores).
ou obstrução intestinal. ​ •​ Colecistite ou colangite:
​ •​ Indicações principais: cálculo impactado, abscesso.
​ •​ Pesquisa de pneumoperitônio ​ •​ Isquemia mesentérica:
(ar livre sob o diafragma em úlcera perfurada). espessamento da parede intestinal e oclusão
​ •​ Avaliação de distensão de vascular.
alças e níveis hidroaéreos em obstrução ​ •​ Alterações esperadas:
intestinal. ​ •​ Inflamação de gordura
​ •​ Alterações esperadas: periapendicular em apendicite.
​ •​ Pneumoperitônio: úlcera ​ •​ Dilatação de alças e líquido
perfurada. livre em obstrução.
​ •​ Níveis hidroaéreos: obstrução
intestinal. 2.4 Exame contrastado do trato
gastrointestinal
2.2 Ultrassonografia (USG) de abdome
​ •​ Por que solicitar?
​ •​ Por que solicitar? ​ •​ Diagnóstico de obstruções ou
​ •​ Avaliar causas inflamatórias perfurações do trato gastrointestinal.
ou obstrutivas em órgãos sólidos e estruturas ​ •​ Indicações principais:
biliares. ​ •​ Suspeita de obstrução
​ •​ Indicações principais: intestinal, hérnias ou fístulas.
​ •​ Apendicite: apêndice dilatado ​ •​ Alterações esperadas:
(>6 mm), paredes espessadas. ​ •​ Parada do contraste ou
​ •​ Colecistite: presença de extravasamento.
cálculos e espessamento da parede da
vesícula.
​ •​ Abscessos ou massas: Esses exames devem ser escolhidos de
identificar coleções líquidas. acordo com a história clínica e o exame físico
​ •​ Gravidez ectópica: do paciente para otimizar o diagnóstico e o
visualização do saco gestacional fora do manejo.
útero.
​ •​ Alterações esperadas:
​ •​ Líquido livre: perfuração ou
hemorragia.
​ •​ Massa inflamatória: flegmão ANATOMIA x POSSÍVEL DIAGNÓSTICO
ou abscesso.

2.3 Tomografia Computadorizada (TC) de


abdome com contraste

​ •​ Por que solicitar?


​ •​ Método de escolha para
diagnóstico detalhado de abdome agudo,
especialmente em casos duvidosos ou
complicados.
​ •​ Características principais:
​ •​ Aumento do metabolismo
basal (pode aumentar em até 50%-100% em
grandes traumas).
​ •​ Ativação neuroendócrina:
aumento de catecolaminas, cortisol, glucagon
e hormônio do crescimento.
​ •​ Mobilização de substratos
energéticos:
​ •​ Glicogenólise (uso do
glicogênio hepático).
​ •​ Proteólise (degradação de
proteínas musculares para produção de
aminoácidos, como glutamina e alanina, para
gluconeogênese).
​ •​ Lipólise (quebra de
triglicerídeos para geração de ácidos graxos
livres).
​ •​ Resposta inflamatória
sistêmica: liberação de citocinas (IL-1, IL-6,
RESPOSTA METABÓLICA AO TRAUMA TNF-alfa) e mediadores inflamatórios.
​ •​ Retenção de sódio e água
1. Fases da Resposta Metabólica ao Trauma (mediada por aldosterona e ADH).
​ •​ Estado hipercatabólico: Perda
1.1. Fase do choque inicial ou hipodinâmica de massa magra, hiperproteinemia e aumento
(Fase Ebb) de marcadores inflamatórios.
​ •​ Objetivo fisiológico: Fornecer
​ •​ Duração: 24 a 48 horas após energia para o reparo tecidual e sustentação
o trauma ou cirurgia. de funções essenciais.
​ •​ Características principais:
​ •​ Redução do metabolismo 1.3. Fase de recuperação ou anabólica
basal para poupar energia.
​ •​ Hipovolemia, hipotensão e ​ •​ Duração: Pode durar
redução do débito cardíaco inicial (em semanas a meses, dependendo da extensão
traumas graves ou cirurgias extensas). do trauma ou cirurgia.
​ •​ Redução da perfusão tecidual ​ •​ Características principais:
e oxigenação. ​ •​ Início da síntese proteica:
​ •​ Priorização do fluxo Reparo tecidual e reconstrução de massa
sanguíneo para órgãos vitais (cérebro, muscular perdida.
coração, rins). ​ •​ Redução progressiva do
​ •​ Supressão de secreções catabolismo.
hormonais anabólicas (insulina) e ativação do ​ •​ Normalização da função
sistema simpático. hormonal (redução de cortisol e
​ •​ Objetivo fisiológico: Preservar catecolaminas).
energia e estabilizar o organismo. ​ •​ Retorno do metabolismo basal
aos níveis normais.
​ •​ Objetivo fisiológico:
1.2. Fase hipermetabólica ou catabólica (Fase Reconstrução de tecidos e recuperação
Flow) funcional.

​ •​ Duração: De 2 a 7 dias após o 2. Respostas Metabólicas Esperadas


trauma/cirurgia (em casos graves, pode durar
até semanas).
CIRURGIA X GRAU DE CONTAMINAÇÃO

3. Alterações Patológicas ou Prolongadas

Respostas metabólicas que ultrapassam os


limites normais podem indicar complicações, CICATRIZAÇÃO
como infecções, sepse ou falência
multiorgânica. Exemplos:
Principais Complicações da Cicatrização
​ •​ Hiperglicemia persistente (>72
horas): Pode indicar infecção ou resposta ​ 1.​ Deiscência da ferida:
inflamatória exacerbada. ​ •​ Definição: Separação parcial
ou total das camadas de uma ferida cirúrgica.
​ •​ Catabolismo prolongado: ​ •​ Causas: Infecção, tensão
Sugere falha na fase de recuperação (ex.: em excessiva na sutura, desnutrição,
pacientes desnutridos ou críticos). hipoproteinemia, tosse ou esforço físico
intenso.
​ •​ Inflamação excessiva: Sinal ​ 2.​ Infecção da ferida:
de síndrome da resposta inflamatória ​ •​ Ocorre quando há
sistêmica (SIRS) ou sepse. contaminação bacteriana significativa,
resultando em inflamação excessiva e atraso
4. Fatores que Influenciam a Resposta ao na cicatrização.
Trauma: ​ •​ Sinais: Eritema, edema, dor,
exsudato purulento.
​ •​ Tipo de trauma: Cirurgia ​ 3.​ Hematoma e seroma:
maior, trauma contuso, perfurações. ​ •​ Hematoma: Acúmulo de
​ •​ Comorbidades: Diabetes, sangue no local da ferida, podendo causar
desnutrição, obesidade. compressão tecidual e infecção.
​ •​ Idade: Pacientes idosos têm ​ •​ Seroma: Acúmulo de líquido
menor reserva metabólica. seroso, atrasando a cicatrização e
​ •​ Controle da dor e infecção: aumentando o risco de infecção.
Dor mal controlada e infecção aumentam a ​ 4.​ Cicatriz hipertrófica:
resposta hipermetabólica. ​ •​ Crescimento excessivo de
tecido cicatricial que permanece dentro dos
limites da ferida.
​ •​ Associada a tensão excessiva
na ferida ou predisposição genética.
​ 5.​ Quelóide:
​ •​ Crescimento exagerado do ​ •​ Doenças crônicas:
tecido cicatricial que ultrapassa os limites da ​ •​ Diabetes mellitus: Glicemia
ferida. elevada prejudica a função celular e aumenta
​ •​ Mais comum em áreas como o risco de infecção.
tórax, ombros e lóbulos da orelha. ​ •​ Insuficiência vascular: Reduz
​ 6.​ Fístulas e abscessos: o aporte de oxigênio e nutrientes.
​ •​ Formação de trajetos ​ •​ Uso de medicamentos:
anormais ou coleções purulentas em ​ •​ Corticoides: Inibem a resposta
decorrência de infecção ou necrose tecidual. inflamatória e a síntese de colágeno.
​ 7.​ Retardo na cicatrização ​ •​ Quimioterapia: Afeta a
(feridas crônicas): proliferação celular e a imunidade.
​ •​ Feridas que não cicatrizam no ​ •​ Tabagismo: Reduz a perfusão
tempo esperado, como úlceras por pressão e tecidual e aumenta a hipóxia.
úlceras diabéticas. ​ •​ Obesidade: Aumenta a tensão
na ferida e a propensão à infecção.

Fatores que Interferem na Cicatrização


Fases da Cicatrização
A cicatrização pode ser influenciada por
fatores locais (no local da ferida) e fatores A cicatrização de feridas ocorre em três fases
sistêmicos. principais, que se sobrepõem temporalmente:

2.1. Fatores Locais 3.1. Fase Inflamatória (ou exsudativa)

​ •​ Infecção: A presença de ​ •​ Duração: 1 a 5 dias.


bactérias aumenta a inflamação e retarda o ​ •​ Eventos principais:
processo de reparo. ​ •​ Vasoconstrição inicial para
​ •​ Isquemia e hipóxia tecidual: evitar perda de sangue, seguida de
Reduzem o suprimento de oxigênio vasodilatação.
necessário para a síntese de colágeno e ​ •​ Migração de células
proliferação celular. inflamatórias (neutrófilos e macrófagos) para o
​ •​ Tensão na ferida: Suturas local da lesão.
muito apertadas ou movimentos excessivos ​ •​ Liberação de citocinas e
dificultam a reparação. fatores de crescimento (ex.: Fator de
​ •​ Corpos estranhos: Crescimento Transformador-Beta - TGF-β).
Fragmentos de tecido ou materiais podem ​ •​ Formação de exsudato
causar inflamação crônica. inflamatório.
​ •​ Objetivo: Remoção de debris
2.2. Fatores Sistêmicos e prevenção de infecção.

​ •​ Idade avançada: Reduz a 3.2. Fase Proliferativa (ou fibroblástica)


capacidade de proliferação celular e síntese
de colágeno. ​ •​ Duração: 4 a 24 dias.
​ •​ Desnutrição: ​ •​ Eventos principais:
​ •​ Deficiência de proteínas: ​ •​ Proliferação de fibroblastos,
Afeta a síntese de colágeno e a reparação que sintetizam colágeno (principalmente tipo
tecidual. III inicialmente).
​ •​ Deficiência de vitamina C: ​ •​ Angiogênese: Formação de
Prejudica a produção de colágeno. novos vasos sanguíneos.
​ •​ Deficiência de zinco: Afeta a
proliferação celular e a imunidade.
​ •​ Reepitelização: Proliferação e
migração de queratinócitos para cobrir a
ferida.
​ •​ Formação do tecido de
granulação (tecido vascularizado que
preenche o defeito).
​ •​ Objetivo: Reconstrução do
tecido perdido.

3.3. Fase de Maturação (ou remodelação)

​ •​ Duração: Semanas a meses


(até 1 ano em feridas maiores).
​ •​ Eventos principais:
​ •​ Remodelação do colágeno:
Substituição do colágeno tipo III por colágeno
tipo I (mais resistente).
​ •​ Redução do número de vasos
no tecido cicatricial.
​ •​ Aumento da força tensil da
cicatriz.
​ •​ Objetivo: Restabelecer a força
e funcionalidade do tecido.

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