LEGISLAÇÃO PENAL
ESPECIAL
Lei 2.889/1956 – GENOCÍDIO
SUMÁRIO
1. Introdução.................................................................................................................................................3
2. Genocídio..................................................................................................................................................3
3. Associação para a prática de genocídio......................................................................................................5
4. Incitação ao genocídio...............................................................................................................................6
5. Tentativa...................................................................................................................................................7
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO..................................................................................................7
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA..............................................................................................................................7
ATUALIZADO EM 06/09/20201
CRIME DE GENOCÍDIO – LEI 2.889/1956
1. Introdução
O Brasil foi signatário da Convenção Internacional para a Prevenção e Repressão do crime de
Genocídio, concluída em Paris, em 11 de dezembro de 1948, por ocasião da III Sessão da Assembleia Geral das
Nações Unidas. O país aderiu à Convenção por intermédio do Decreto Legislativo 2/51, que foi promulgada
pelo Decreto 30.822/52.
De acordo com o art. 1º da Convenção, “as Partes Contratantes confirmam que o genocídio, quer
cometido em tempo de paz ou em tempo de guerra, é um crime contra o Direito Internacional, que elas se
comprometem a prevenir e a punir”. Por sua vez, o art. 5º prevê que “as Partes Contratantes assumem o
compromisso de tomar, de acordo com suas respectivas Constituições, as medidas legislativas necessárias a
assegurar as aplicações das disposições da presente Convenção, e, sobretudo a estabelecer sanções penais
eficazes aplicáveis às pessoas culpadas de genocídio ou de qualquer dos outros atos enumerados no Artigo III”
(associação e incitação ao genocídio, tentativa de genocídio e coautoria em delito de genocídio).
A Lei 2.889/1956 tem como bem jurídico o interesse supra individual na manutenção das
diversidades humanas.
#SELIGA: todos os tipos penais da Lei de Genocídio preveem a conduta incriminada, mas não preveem a pena
que será aplicada, remetendo ao Código Penal e à própria lei de genocídio. Trata-se, portanto, de norma penal
incompleta ou imperfeita (aquela que apresenta o preceito primário, mas não traz o preceito secundário).
2. Genocídio
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Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso,
como tal: (Vide Lei nº 7.960, de 1989)
a) matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física
total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;
Será punido:
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a;
Com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b;
Com as penas do art. 270, no caso da letra c;
Com as penas do art. 125, no caso da letra d;
Com as penas do art. 148, no caso da letra e;
São cinco as condutas típicas elencadas neste art. 1º:
#SELIGA:
MATAR MEMBROS DO GRUPO significa tirar a vida, assassinar, cometer homicídio.
A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão. O
delito admite qualquer forma de execução, inclusive
omissiva.
CAUSAR LESÃO GRAVE À INTEGRIDADE FÍSICA OU as hipóteses de lesão corporal de natureza grave são
MENTAL DE MEMBROS DO GRUPO aquelas elencadas no art. 129, §§ 1º e 2º, do Código
Penal. A pena é de reclusão, de 2 a 8 anos.
SUBMETER INTENCIONALMENTE O GRUPO A manter o grupo em guetos ou campos de
CONDIÇÕES DE EXISTÊNCIA CAPAZES DE concentração onde haja proliferação de doenças ou
OCASIONAR-LHE A dificuldade na obtenção de alimentos ou água,
DESTRUIÇÃO FÍSICA TOTAL OU PARCIAL imposição de trabalhos forçados etc. Trata-se de
crime permanente. A pena é de 10 a 15 anos de
reclusão.
ADOTAR MEDIDAS DESTINADAS A IMPEDIR OS esterilizações, abortos, separação de homens e
NASCIMENTOS NO SEIO DO GRUPO mulheres etc. A pena é de 3 a 10 anos de reclusão.
EFETUAR A TRANSFERÊNCIA FORÇADA DE crianças são pessoas com menos de 12 anos. É
CRIANÇAS DO GRUPO PARA OUTRO GRUPO necessário que a transferência seja feita a fim de
extirpar os laços do menor com o
seu grupo. A pena é de reclusão, de 1 a 3 anos.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (trata-se, pois, de crime comum).
#ATENÇÃO: Se o crime for praticado por governante ou funcionário público, a pena será aumentada em um
terço (art. 4º da Lei n. 2.889/56).
No elemento subjetivo do tipo temos a exigência do legislador de que haja um fim específico de
destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso.
A consumação ocorre no momento em que realizada qualquer das condutas típicas, ainda que não
atingido o objetivo de destruir o grupo total ou parcialmente (crime formal).
#OLHAOGANCHO: Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072/1990)
Art. 1º. Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados: (Redação dada pela
Lei nº 13.964, de 2019)
I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956; (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
#SELIGA: O crime de genocídio é de competência do juízo singular, exceto na hipótese do art. 1º, “a”, da Lei n.
2.889/56, que, devido à conexão com o crime de homicídio, é apurado perante o Tribunal do Júri (art. 5º,
XXXVIII, da Constituição Federal, combinado com o art. 78, do CPP).
#DEOLHONAJURIS:
A competência da Justiça Federal para processar e julgar ações penais de delitos praticados contra
indígena somente ocorre quando o processo versa sobre questões ligadas à cultura e aos direitos sobre suas
terras, ou, ainda, na hipótese de genocídio. STJ. 3ª Seção. CC 38517-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado
em 24/10/2012.
O art. 6º da Lei n. 2.889/56 diz que as condutas ilícitas nela descritas não serão consideradas crimes
políticos para efeitos de extradição. Assim, poderá haver extradição de estrangeiro por crime de genocídio,
uma vez que o art. 5º, LII, da Constituição Federal só proíbe a extradição quando o estrangeiro tiver sido
acusado de crime político ou de opinião.
3. Associação para a prática de genocídio
Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para prática dos crimes mencionados no artigo anterior: (Vide
Lei nº 7.960, de 1989)
Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos.
Trata-se de uma modalidade especial de associação criminosa em que o objetivo dos envolvidos é a
formação de um grupo visando à prática de genocídio. Pressupõe um acordo de vontades entre os integrantes
no sentido de unirem seus esforços para a prática dessa espécie de delito.
O sujeito passivo é a coletividade, e o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Além disso, trata-se de
um crime de concurso necessário, que exige o envolvimento de ao menos 4 pessoas.
A consumação se dá no exato instante em que ocorre o acordo de vontades no sentido de formar um
grupo visando ao cometimento de genocídio, ainda que seus integrantes não consigam iniciar a execução do
crime-fim.
Não é possível a tentativa.
4. Incitação ao genocídio
Art. 3º Incitar, direta e publicamente alguém a cometer qualquer dos crimes de que trata o art. 1º: (Vide Lei
nº 7.960, de 1989)
Pena: Metade das penas ali cominadas.
§ 1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de crime incitado, se este se consumar.
§ 2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço), quando a incitação for cometida pela imprensa.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum), enquanto o sujeito passivo é a coletividade.
A consumação ocorre com a simples incitação pública (trata-se de crime formal e de perigo abstrato).
#ATENÇÃO: Não se confunde o crime de incitação ao genocídio em que a instigação é genérica, feita a pessoas
indeterminadas, com a efetiva participação em um crime de genocídio em que o agente estimula pessoas
determinadas a cometerem o delito e, assim, na condição de partícipe, responde também pelo genocídio,
conforme dispõe o art. 29 do CP.
#SELIGA: no §2º temos uma causa de aumento de pena, que incide na terceira fase da aplicação da pena, na
hipótese de a incitação ser praticada por meio da imprensa. O aumento se justifica em razão do maior alcance
de destinatários que a imprensa pode atingir.
5. Tentativa
Art. 5º Será punida com 2/3 (dois terços) das respectivas penas a tentativa dos crimes definidos nesta lei.
Aqui o legislador estabeleceu a punição da tentativa de forma diversa da prevista no Código Penal.
#OLHAOGANCHO: Código Penal.
Art. 14. Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente
ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
DIPLOMA DISPOSITIVO
Lei 2.889/1956 Integralmente
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA
Legislação Penal Especial Esquematizado, Pedro Lenza, Editora Saraiva.
Leis Penais Especiais, Volume único, Gabriel Habib, Editora Juspodvm.
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