Taquiarritmias: Definições e Tratamentos
Taquiarritmias: Definições e Tratamentos
CLÍNICA MÉDICA I
TAQUIARRITMIAS
1
SUMÁRIO
TAQUIARRITMIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1. Definições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
5. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6. Exames complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6.1. Taquicardias supraventriculares (TSV) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6.2. Taquicardias ventriculares (TV) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
7. D
iagnóstico diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
8. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
8.1. Taquicardias instáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
8.2. T aquicardias estáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2
TAQUIARRITMIAS
importância/prevalência
3
Taquiarritmias Cardiologia
Note que na fase 4, de repouso, o potencial de ação é ascendente (vai ficando mais “positivo”), o que possibilidade a autodespolarização.
Fonte: Alencar Neto et al.¹
Taquicardias ou taquiarritmias são definidas pela externo ou estar relacionadas a um distúrbio pri-
presença de Frequência Cardíaca (FC) elevada mário do ritmo cardíaco.
(> 100 bpm). Podem corresponder a uma resposta
Automatismo refere-se à propriedade que algu-
fisiológica do organismo frente a algum estímulo
mas células têm de gerar impulso elétrico sem
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Taquiarritmias
necessidade de estímulo externo, ou seja, são capa- Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), relacio-
zes de se autodespolarizarem. nada à Taquicardia por Reentrada Atrioventricular
(TAV), é mais frequente em homens jovens.
As Taquicardias Supraventriculares (TSV) têm sua
origem acima do feixe de His, ou seja, em qualquer
região dos átrios ou do NAV, acima dos ventrículos.
Já as Taquicardias Ventriculares (TV), como o nome 3. FISIOPATOLOGIA
já diz, originam-se nos ventrículos.
A FC máxima que pode ser atingida de forma fisio-
lógica por determinado indivíduo varia de acordo BASES DA MEDICINA
com a faixa etária e pode ser determinada de forma
aproximada pela fórmula: 220 – idade, ou seja, As taquiarritmias podem ocorrer devido a diferentes
uma pessoa de 20 anos pode atingir até 200 bpm mecanismos. É importante entender como funcionam e
de forma fisiológica, enquanto uma de 60 anos, no a fisiopatologia de cada arritmia, pois existe implicação
tanto no tratamento como no prognóstico. Os principais
máximo 160 bpm.
mecanismos são automatismo anormal, reentrada e
atividade deflagrada por pós-potenciais.
De maneira sucinta, o automatismo é o aumento na fre-
2. E PIDEMIOLOGIA quência de despolarização de células com capacidade de
automatismo, ocasionado pela maior inclinação da fase 4
do potencial de ação da célula, gerando despolarizações
As taquiarritmias podem ocorrer em qualquer faixa espontâneas mais frequentes.
etária, lembrando que em recém-nascidos e lacten-
No que tange à reentrada nodal, para a sua ocorrência,
tes a FC habitualmente é mais elevada. é necessária a presença de um circuito com 2 vias de
As taquiarritmias mais comuns em crianças e ado- condução do estímulo, que possuem propriedades ele-
trofisiológicas distintas, com velocidades de condução
lescentes são as TSV, que ocorrem geralmente em
e períodos refratários diferentes. Em condições normais,
pacientes com doença cardíaca estrutural (miocar- há apenas um caminho a ser seguido pelo estímulo
diopatia dilatada, doenças congênitas etc.). elétrico. Em algumas situações, pode haver mais de um
trajeto possível, como na presença de fibrose miocárdica,
dupla via nodal ou uma via acessória. Nesses casos, o
DICA estímulo é conduzido anterogradamente por uma das vias,
Em crianças, as TSV podem estar enquanto a outra via encontra-se em período refratário. Ao
associadas à miocardite infecciosa. chegar ao ponto final do circuito de reentrada, o estímulo
encontra a via previamente refratária passível de nova
despolarização, conduzindo retrogradamente por essa
A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia cardíaca susten- via. Forma-se, assim, a reentrada (Figura 4).
tada mais comum na prática clínica, e sua incidên- A atividade deflagrada tem relação com potencial de
cia aumenta com a idade, sendo mais comum em ação. Podem ocorrer “abalos” na corrente elétrica trans-
idosos com comorbidades. membrana relacionados à movimentação de cálcio no
meio intracelular, o que pode gerar um novo potencial de
A Taquicardia Atrial (TA) ocorre com mais frequência ação. Esses “abalos” são chamados de pós-potenciais
em pacientes com dilatação de câmaras direitas, precoces ou tardios, a depender da fase do potencial de
secundária a doenças congênitas ou pela hiper- ação em que ocorrem.
5
Taquiarritmias Cardiologia
u Automatismo anormal (Figura 3): aumento na ao aumento de atividade adrenérgica que ocorre
frequência de despolarização de células com na febre, hipertireoidismo, hipóxia, hipovolemia,
capacidade de automatismo. O início e o término anemia, uso de β-agonistas, entre outros. O au-
são graduais, e as frequências máximas atingi- tomatismo está relacionado às seguintes taqui-
das geralmente não superam a máxima espe- cardias: sinusal (foco de automatismo no NSA)
rada para a idade. Pode ocorrer como resposta e atrial (foco nos átrios, em uma região do NSA).
u Reentrada: O início e o término são súbitos e a tricular (TAV), flutter atrial (cuja etiologia envolve
reentrada pode atingir FC mais elevadas que o macrorreentrada no átrio direito) e a maioria das
esperado para a idade. Está relacionada às Ta- taquicardias ventriculares.
quicardias por Reentrada Nodal (TRN), Atrioven-
Na imagem 1, um batimento precoce encontra a via rápida no período refratário. Na imagem 2, após ser conduzido pela via lenta, o estímulo
encontra a via rápida já fora da refratariedade e é conduzido. Por fim, na imagem 3, fecha-se o circuito de reentrada, com o estímulo sendo
novamente conduzido pela via lenta.
Fonte: Acervo Sanar.
u Atividade deflagrada por pós-potenciais: último mente elucidado. Após ou durante um potencial de
mecanismo a ser descrito e ainda não completa- ação, podem ocorrer “abalos” na corrente elétrica
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Taquiarritmias
A fibrilação atrial é a arritmia com mecanismo mais W Fatores moduladores (alteração do tônus do sistema
nervoso autônomo, isquemia, alteração do pH etc.).
complexo; acredita-se que haja sobreposição dos
3 mecanismos descritos. W Substrato anatômico ou eletrofisiológico (área de
fibrose, alteração de velocidade de condução ou do
período refratário, existência de dupla via nodal).
W Gatilhos (extrassístoles atriais ou ventriculares).
Fatores Moduladores
SNA, isquemia, pH tecidual etc.
Gatilhos
Gatilhos
Fibrose, alteração da refratariedade
Ectopias atriais e ventriculares
e condutividade
DICA
4. Q UADRO CLÍNICO A taquicardia sinusal geralmente
é secundária e pode estar relacionada ao
tromboembolismo pulmonar, desidratação
Os sintomas mais comuns são palpitações, com e à sepse.
sensação de batimento acelerado descrito muitas
vezes como “batedeira” no peito. Outros sintomas
podem ser inespecíficos, como tontura, mal-estar, Ao exame físico, pesquisar FC, regularidade e sime-
sensação de angústia. tria do pulso. A ausculta cardíaca pode identificar
sopros em pacientes com valvopatias associadas,
Sinais e sintomas que devem chamar atenção para
e a ausculta pulmonar pode identificar sinais de
quadros de instabilidade são dispneia, dor torácica
congestão (crepitações, estertores).
anginosa, síncope, hipotensão e rebaixamento do
nível de consciência. Pacientes com FA podem apresentar-se com sinais
e sintomas associados a tromboembolismo sistê-
Na anamnese, deve ser pesquisado o uso de drogas
mico, como hemiparesias (AVC isquêmico) e qua-
estimulantes, como hormônio tireoidiano em fórmu-
las para emagrecer, excesso de cafeína, energéti- dro súbito de dor no abdome seguido de diarreia
cos e drogas ilícitas simpaticomiméticas (cocaína, sanguinolenta (isquemia mesentérica). É comum
também a dissociação entre a frequência cardíaca
anfetamina).
auscultada e a sentida no pulso periférico (disso-
ciação pulso-frequência ou anisocardiosfigmia).
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Taquiarritmias Cardiologia
5. D IAGNÓSTICO
u Taquicardia sinusal: ritmo regular com onda “p”
sinusal (positiva em DI e aVF) antes de todo QRS
O diagnóstico baseia-se na avaliação do Eletrocar- (Figura 5).
diograma (ECG) para identificação da taquiarritmia
específica e avaliação dos sinais e sintomas para
definir se o paciente está instável ou estável do
ponto de vista hemodinâmico.
6. E XAMES COMPLEMENTARES
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Taquiarritmias
Figura 5. Taquicardia sinusal. Onda “p” sinusal (positiva em DI e aVF) antes de todo complexo QRS.
u Taquicardia Atrial (TA): constitui ritmo atrial ori- (Figura 6). É comum a ocorrência de condução
ginado em região diversa do nó sinusal, carac- AV variável. Se houver ritmo irregular, com 3 ou
terizado pela presença de onda “p” distinta da mais morfologias de “p” na mesma derivação, é
sinusal com frequência atrial superior a 100 bpm chamado de taquicardia atrial multifocal.
Onda “p” não é sinusal (negativa em D2). Em (A) a frequência está normal (ritmo atrial ectópico). Em (B) a frequência está elevada (taqui-
cardia atrial).
Fonte: Adaptado de asia11m/Shutterstock.com².
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Taquiarritmias Cardiologia
Presença de ondas “F” de flutter: serrilhado na linha de base. Forma mais comum com ondas negativas nas derivações inferiores (DII, DIII
e aVF) e positivas em V1.
Fonte: Keetapong Pongtipakorn/Shutterstock.com³.
Ausência de onda “p”, ritmo irregular com tremor na linha de base (onda “f”).
Fonte: Alencar Neto et al.¹
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Taquiarritmias
u Taquicardia por Reentrada Nodal (TRN): o padrão sência de onda "p". Ocorre pela presença de dupla
eletrocardiográfico é de Taquicardia Supraventri- via nodal. O ECG fora da taquicardia é normal.
cular (TSV): ritmo regular com QRS estreito e au-
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Taquiarritmias Cardiologia
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Taquiarritmias
DICA
Inicialmente, é preciso definir se a taquicardia é O tratamento de escolha das taqui-
instável ou estável. Em caso de instabilidade, é cardias instáveis é a Cardioversão Elétrica
Sincronizada (CVES), que deve ser realiza-
necessário instituir o tratamento de forma imediata.
da de imediato.
Nas taquicardias estáveis, há tempo para identificar
o tipo e realizar o tratamento específico.
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Taquiarritmias Cardiologia
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Taquiarritmias
O tratamento ambulatorial das taquicardias envolve Pacientes idosos e com insuficiência renal estão
a ablação por radiofrequência do feixe anômalo sob maior risco de intoxicação por antiarrítmicos
(TAV), da dupla via nodal (TRN) ou do circuito de digitálicos, cujo quadro clínico engloba alterações
macroentrada (flutter atrial) e está indicado a depen- gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdomi-
der dos sintomas e do risco de morte súbita no caso nal), neurológicas (confusão, fraqueza) e visuais
da Síndrome de WPW (depende das características (xantopsia: objetos ficam com coloração amarela),
do feixe anômalo). além de diversos tipos de arritmia (bradicardias,
taquicardia atrial, extrassístoles ventriculares em
Na presença de pré-excitação, drogas que reduzem
bigeminismo). O tratamento consiste na suspensão
a condução pelo NAV devem ser evitadas, pois
da droga, hidratação, avaliação de possíveis distúr-
aumentam a chance de condução pelo feixe anô-
bios hidroeletrolíticos associados (hipocalemia,
malo e, por consequência, o risco de morte súbita.
hipomagnesemia), além do anticorpo antidigoxina,
As drogas antiarrítmicas de escolha para prevenir
em casos refratários.
recorrência de TSV em paciente com pré-excitação
são propafenona e procainamida (contraindicadas
na presença de doença arterial coronariana ou
DICA
doença cardíaca estrutural). Sinais de intoxicação digitálica: náu-
seas, vômitos, taquiarritmias e xantopsia
Betabloqueador e bloqueador do canal de cálcio são (visão amarelada).
drogas proscritas e aumentam a mortalidade em
casos de taquicardia por reentrada atrioventricular.
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Taquiarritmias Cardiologia
CHA2DS2-VASc Pontuação
Hypertension (hipertensão) 1
Diabetes mellitus 1
Pontuação Conduta
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Taquiarritmias
Deve-se também avaliar o risco de sangramento pelo Quadro 1. Anticoagulantes orais com ação
escore HAS-BLED (Tabela 3). Em caso de escore ≥ 3 direta (Direct Oral Anticoagulants – DOACs).
pontos, o paciente tem alto risco de sangramento e Nome Mecanismo
Fármaco
deve ser monitorizado com mais frequência. comercial de ação
Fonte: Adaptada de Magalhães et al10. A FA valvar é aquela que ocorre na presença de este-
nose mitral moderada a importante e com prótese
A terapia anticoagulante envolve tradicionalmente valvar mecânica. Como já dito, nesses pacientes
drogas cumarínicas (varfarina), que inibem os fatores os DOACs estão contraindicados.
de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX
Em pacientes com FA, não há evidência de que
e X) relacionados à via extrínseca da coagulação.
a estratégia de controle de ritmo (reversão para
Seu efeito deve ser monitorizado pelo tempo de
sinusal) seja superior ao controle de FC.
protrombina (avaliado pelo International Normalized
Ratio – INR). Em geral, após o início da varfarina, um No manejo ambulatorial, existe a possibilidade de
controle de tempo de protrombina deve ser solicitado ablação, indicada para pacientes muito sintomáticos
em aproximadamente 5 dias. Essas drogas, porém, (com palpitações frequentes).
apresentam diversas interações medicamentosas
Na FA, a terapia intervencionista (ablação) não
e com alimentos, o que dificulta manter o paciente
é superior ao uso de fármacos antiarrítmicos no
na faixa terapêutica (INR entre 2 e 3).
tocante à redução de desfechos duros, como mor-
Na última década, anticoagulantes orais com ação talidade, IC e acidentes vasculares cerebrais, mas
direta nos fatores de coagulação se tornaram dis- pode melhorar sintomatologia e qualidade de vida.
poníveis, sem a necessidade de monitorizar os
tempos de coagulação e com menos interações
medicamentosas (Quadro 1). Esses fármacos, no DICA
Em pacientes com FA e alto risco de
entanto, estão contraindicados na FA relacionada tromboembolismo (CHA2DS2-VASc ≥ 2) de-
à estenose mitral (moderada ou severa) e na pre- ve-se indicar anticoagulação, que pode ser
sença de próteses valvares mecânicas. feita com anticoagulantes orais diretos ou
varfarina. Os antiagregantes plaquetários
(como AAS e clopidogrel) não reduzem o
risco de TEV, por isso não estão indicados
nesse caso.
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Taquiarritmias Cardiologia
8.2.3. QRS largo e regular PA limítrofe). Por esse motivo, a conduta imediata é
a desfibrilação (com carga máxima), tendo em vista
A principal hipótese é TV monomórfica (cerca de
que, devido à desorganização completa do ritmo,
80% das vezes é o diagnóstico encontrado). Pode-
não é possível sincronizar o choque com a onda R.
mos encontrar TSV com QRS largo em situações de
aberrância de condução ou pré-excitação; porém, No caso específico da Torsades de Pointes, o trata-
são situações mais raras e, para diferenciá-las, são mento mais efetivo é o sulfato de magnésio. Se não
necessários critérios eletrocardiográficos (como houver resposta, deve-se proceder à desfibrilação.
Brugada e Vereckei, entre outros) que não são de Essa arritmia está relacionada a condições que
fácil aplicação em ambiente de pronto-socorro para aumentam o tempo de repolarização, que no ECG
não especialistas. é identificado pelo aumento do intervalo QT (Qua-
O paciente, apesar de estável, tem potencial para dro 2).
piora clínica rápida. Por esse motivo, deve ser
monitorado em sala de emergência. O tratamento Quadro 2. Causas de QT longo.
inicial é a tentativa de cardioversão química com
Congênitas
amiodarona.
Síndrome do QT longo
Na ausência de resposta, o próximo passo é a CVES.
Idiopática
Os pacientes devem ser investigados quanto à
Adquiridas
presença de isquemia miocárdica e deve-se ava-
liar achados sugestivos no ECG e marcadores de Causas Exemplos
necrose do miocárdio (troponina). Hipocalemia, hipocalcemia
Metabólica
e hipomagnesemia
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Taquiarritmias
MOVE:
Monitorização (cardioscopia, oximetria, PA)
Oxigenioterapia se hipoxemia (SpO2 < 92%)
Acesso Venoso
Exames (ECG de 12 derivações)
Não Sim
Anticoagular
por no mínimo 4 Sulfato de Mg2+
semanas após 1 a 2 G EV
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Taquiarritmias Cardiologia
REFERÊNCIAS
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Taquiarritmias
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1 Questão 2
(UNICAMP - 2022) Homem, 62a, procura atendimento (UNIFESP - 2022) Mulher, 28 anos de idade, sem ante-
médico com queixa de tontura e dispneia deinício cedentes patológicos, procurou PS com queixa de
agudo há 2 horas. Antecedentes: hipertensão arte- palpitações de início súbito, sem outros sintomas
rial e diabetes mellitus tipo 2, em uso de losartana, associados, há 1 hora. Ao exame físico, PA = 110
besilato de anlodipino e metformina. Exame físico: x 70 mmHg, FC = 170 bpm, SpO2 = 99%. ECG de
FC= 152 bpm, FR= 28 irpm, PA= 96x62 mmHg, oxi- admissão a seguir. Qual é o tratamento indicado?
metria de pulso (ar ambiente) = 88%; consciente,
orientado, sonolento; pulmões: murmúrio vesicular
presente com estertores crepitantes finos bilaterais
até campos médios pulmonares. ECG realizado na
sala de emergência:
⮦ Amiodarona intravenosa.
⮧ Betabloqueador intravenoso.
⮩ Cardioversão elétrica.
⮪ Adenosina intravenosa.
Questão 3
O DIAGNÓSTICO E A CONDUTA SÃO:
(USP - SP - 2022) Homem de 48 anos de idade, casa-
⮦ Taquicardia por reentrada nodal; cardioversão do, comparece em retorno de consulta ambulato-
elétrica sincronizada. rial com queixa de episódios em que seu “coração
⮧ Flutter atrial 2:1; cardioversão elétrica sincro- passa a bater para fora da boca, com batidas fora
nizada. de hora e com a sensação que pode parar a qual-
⮨ Taquicardia por reentrada nodal; manobra de quer momento”. Já procurou serviços de urgência
Valsalva modificada. e emergência. Porém ao chegar ao Pronto-Socorro
⮩ Flutter atrial 2:1; betabloqueador e anticoagu- de cardiologia a crise já passou e os médicos não
lação. acham nada alterado nos exames complementares.
Refere que quando faz atividade física o coração
começa a bater mais rápido. Nesse processo por
vezes lhe falta ar e sente medo muito grande de que
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Taquiarritmias Cardiologia
⮦ Taquicardia supraventricular.
⮧ Fibrilação atrial de alta resposta ventricular.
⮨ Flutter atrial.
⮩ Taquicardia ventricular.
Questão 5
Traçado do Holter:
(HIAE - SP - 2022) Paciente sexo feminino, 27 anos, deu
entrada no pronto-socorro referindo palpitações
taquicárdicas associada a mal-estar. A avaliação
apresentava PA: 126 × 74 mmHg, FC: 180 bpm, FR:
16 ipm, SatO2: 98%. Paciente realizou seguinte
Qual é o diagnóstico provável e a conduta inicial? eletrocardiograma:
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Taquiarritmias
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Taquiarritmias Cardiologia
Questão 10
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Taquiarritmias
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 4 dificuldade:
Questão 2 dificuldade:
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Taquiarritmias Cardiologia
Alternativa C: INCORRETA. No flutter, pode-se obser- Alternativa C: INCORRETA. Como paciente está cho-
var a onda F, um serrilhado na linha de base. cado (hipotenso), está em Killip IV.
Alternativa D: INCORRETA. Neste caso, o QRS seria Alternativa D: CORRETA. A provável artéria culpada é
largo, e não estreito. a descendente anterior (DA).
✔ resposta: A Alternativa E: INCORRETA. Pare e pense: é a FA que
está causando a instabilidade? Não, é o IAM. Nes-
se caso, devemos priorizar a terapia de reperfusão
Questão 5 dificuldade: (trombólise ou angioplastia, a depender da disponi-
Y Dica do professor: Em toda questão de taquiarrit-
bilidade de hemodinâmica). No primeiro momento,
mia, o primeiro passo é avaliar se há instabilidade não devemos intervir na taquiarritmia, considerando
hemodinâmica através da PA (se < 90x60 mmHg, revertê-la e a anticoagulação após o tratamento de
paciente está instável). Se instabilidade, deve-se reperfusão. Além disso, para indicar cardioversão, é
proceder à cardioversão elétrica sincronizada. Se necessário um Ecocardiograma transESOFÁGICO;
estável, avaliar se o QRS está estreito (supraven- um transTORÁCICO não é suficiente para excluir
tricular) ou largo (ventricular quase sempre) e sua trombos no átrio esquerdo.
regularidade e a partir daí definir a conduta. ✔ resposta: D
Alternativa A: INCORRETA. A atropina deve ser usada
em caso de BRADICARDIA instável. dificuldade:
Questão 7
Alternativa B: INCORRETA. Amiodarona deve ser usa-
da em casos de TV estável. Y Dica do professor: Paciente com instabilidade e um
ECG clássico de taquiarritmia ventricular polimórfi-
Alternativa C: INCORRETA. Como dito, a CVES deve
ca, mais especificamente a torsade de pointes, ca-
ser usada em casos de instabilidade.
racterizadA pelas torções das pontas. A taquicardia
Alternativa D: CORRETA. A primeira conduta numa é ventricular, pois tem QRS largo e é polimórfica
TSV é a manobra vagal (compressão do seio de porque cada QRS tem uma morfologia diferente.
carotídeo ou manobra de Valsava modificado). Se A torsade de pointes é ocasionada pelo intervalo
não houver resposta, deve-se indicar adenosina. QT longo, que pode ser causado por exemplo por
✔ resposta: D hipomagnesemia, hipocalcemia e uso de medica-
mentos, como cloroquina e alguns antipsicóticos.
Em um paciente instável, a conduta é desfibrilação
Questão 6 dificuldade:
e manutenção com droga antiarrítmica, que neste
Y Dica do professor: Sempre temos que avaliar o caso é o sulfato de magnésio.
ECG com cuidado. A questão o induz a pensar numa ✔ resposta: B
questão sobre taquiarritmia. O ECG de fato mostra
um ritmo taquicárdico irregular sem onda P (fibri-
Questão 8 dificuldade:
lação atrial de alta resposta), porém perceba que
no ECG temos um supra de ST na parede anterior Y Dica do professor: Fibrilação atrial (FA) é a arritmia
(V2 a V4) com imagem em espelho (infra de ST) mais frequente na prática clínica, especialmente em
na parede inferior. Logo, estamos diante de uma pacientes idosos. É um importante fator de risco
paciente com FA + supra anterior. para tromboembolismo arterial e seu manejo envolve
Alternativa A: INCORRETA. Lição de provologia: se fa- tratamento dos sintomas, anticoagulação e controle
lou “exclusivamente”, não deve ser essa a resposta. de comorbidades. A questão traz um paciente de
Fique atendo ao supra de ST nesse ECG. 72 anos com FA e CHA2DS VASC de 3 (idade, DM
Alternativa B: INCORRETA. Marcapasso trata bradicar- e HAS), que justifica a necessidade de anticoagula-
dia, não taquicardia, e muito menos IAM com supra. ção para prevenção de fenômenos cardioembólicos
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Taquiarritmias
(e.g. AVC) – o sangramento digestivo há 1 ano por • Uso de anticoagulante por 3 semanas previa-
úlcera péptica não é contraindicação absoluta. mente
No ECG observa-se ritmo irregular sem onda P Alternativa C: INCORRETA. Deve-se tentar manter a
visível; portanto, estamos diante de uma FA. FC < 80bpm em repouso e < 110 após a caminhada
por seis minutos.
A reversão do ritmo (seja cardioversão elétrica,
Alternativa D: INCORRETA. O átrio esquerdo aumen-
seja química com Amiodarona) na FA só deve ser
tado não é uma contraindicação absoluta para
realizada se paciente estiver instável (não é o caso,
cardioversão.
PA: 140 x 90) ou se houver baixo risco de trombo
no AE, como nas seguintes situações: Alternativa E: INCORRETA. Na fibrilação atrial, não é
possível visualizar ondas P.
• Sintomas a menos de 48 horas (no caso tem 4
dias) ✔ resposta: A
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Fixe seus conhecimentos!
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