AULA 04 – CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO
Design Thinking – Visão Geral
Design Thinking é uma metodologia que emprega um amplo conjunto de
atividades de inovação com uma filosofia de design centrada nas pessoas. A
inovação é impulsionada por uma compreensão sólida mediante a observação
direta do que as pessoas desejam e necessitam em suas vidas.
O termo design está associado um processo de descoberta, tanto em âmbito
emocional quanto racional, das necessidades dos indivíduos. Os clientes, nesse
caso, não são vistos apenas como simples consumidores ou um conjunto de
dados estatísticos e demográficos, supostamente dispostos a pagar um valor por
um bem ou serviço.
Um dos principais diferenciais do Design Thinking é a visão
holística para a inovação, ou seja, a visão do todo. Equipes
multidisciplinares seguem um processo, entendendo os
consumidores, funcionários e fornecedores no contexto onde se
encontram, cocriando com os especialistas as soluções e
prototipando para entender melhor as suas necessidades,
gerando ao final novas soluções, geralmente inusitadas e
inovadoras.
Designers produzem modelos e protótipos que fazem as ideias parecerem reais,
em vez de planilhas e declarações de missão, como nos negócios, que residem em
abstrações.
O quadro a seguir demonstra a diferença entre uma visão voltada para negócios
e o Design Thinking:
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Apesar da diferenciação, o Design Thinking mantém o foco no negócio, mas
olhando os problemas de forma crítica e como oportunidades para inovar,
privilegiando o usuário e considerando as tecnologias disponíveis. Isso permite
que as soluções encontradas tenham alto potencial de impacto e aderência com
valor real agregado para o negócio.
As empresas estão adotando o Design Thinking porque percebem a necessidade
de serem mais inovadoras, diferenciar suas marcas e colocar seus produtos e
serviços para comercializar mais rapidamente. As organizações sem fins
lucrativos estão utilizando essa metodologia para encontrar e desenvolver
melhores soluções para problemas sociais.
O Design Thinking cruza as fronteiras tradicionais entre o setor público e o
privado, com e sem fins lucrativos. Ao trabalhar em estreita colaboração com os
clientes e consumidores, permite que os problemas sejam tratados a partir de
uma visão de baixo para cima, e não de cima para baixo, o que faz com que a
soluções encontradas sejam, normalmente, de alto impacto, aderentes ao negócio
e não impostas.
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Abordagem do Design Thinking
O Design Thinking é usado para resolver problemas mal definidos ou
desconhecidos (problemas complexos), porque o processo os reformula de
maneira centrada no ser humano e permite que os participantes se concentrem
no que é mais importante para os usuários.
A capacidade de pensar o os problemas com foco no cliente é denominado de
empatia. A base do Design Thinking é a empatia, estabelecendo um
entendimento profundo dos problemas daqueles para quem estamos procurando
soluções. Isso parece um tanto simples, mas nem sempre acontece na realidade.
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O que estamos falando aqui é mais profundo e pessoal
do que isso. Significa "conhecer" os clientes como
pessoas reais com problemas reais, não os vendo
como alvos de vendas ou como um conjunto de
estatísticas demográficas sobre idade, nível de renda
ou estado civil. Envolve desenvolver uma compreensão de ambos suas
necessidades e desejos emocionais e "racionais“.
As origens do Design Thinking
A tendência à solução coletiva de problemas foi impulsionada pelas mudanças
sociais e culturais que ocorreram principalmente após a Segunda Guerra
Mundial. O Design Thinking surgiu, entre outras metodologias, dessas
transformações.
O cientista cognitivo e ganhador do Prêmio Nobel
Herbert A. Simon foi o primeiro a mencionar o Design
Thinking como uma maneira de pensar em seu livro
de 1969, The Sciences of the Artificial. Depois, ele
contribuiu com muitas ideias ao longo dos anos 70,
que agora são consideradas como princípios do Design Thinking.
A partir da década de 1970, o Design Thinking começou a combinar as
necessidades humanas, tecnológicas e estratégicas de nossos tempos e se
desenvolveu progressivamente ao longo das décadas para se tornar uma das
principais metodologias de inovação que é hoje. E continua a se desenvolver,
sendo aplicado em muitas organizações e em pesquisas acadêmicas.
As etapas do Design Thinking
Ainda que seja uma metodologia consolidada e utilizada praticamente no mundo
inteiro, o Design Thinking é muito flexível, apresentando diferentes modos de
aplicação com etapas diferentes entre si, mas que, fundamentalmente, não
perdem sua essência inovadora.
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Nesse curso vamos nos orientar parcialmente pelas etapas do Interaction Design
Foundation cujo método consiste de 5 fases: Empatia, Definição (Informar as
necessidades e os problemas de seus usuários), Ideação, Prototipação e Testes.
Etapa 1: Empatia - pesquise as necessidades de seus usuários
Uma das formas de identificar as necessidades dos usuários é utilizar a técnica
das perguntas "O que“ - "Como" - "Por que" por meio da observação direta e/ou
entrevistas.
Em "O que", registramos os detalhes (não suposições) do que aconteceu. Em
"Como", analisamos como a pessoa está fazendo o que está fazendo (está fazendo
muito esforço? Essa pessoa está sorrindo ou franzindo a testa?). Finalmente, em
"Por que", fazemos suposições sobre as motivações e emoções da pessoa.
Etapa 2: Definir - Informar as necessidades e os problemas de seus usuários
No estágio Definir, você acumula as informações criadas e coletadas durante o
estágio Empatia. Você analisa suas observações e as sintetiza para definir os
principais problemas que você e sua equipe identificaram até agora. Ao fazer
isso, você deve sempre tentar definir o problema de maneira centrada no ser
humano.
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Quando você aprender a dominar a definição do seu problema, declaração do
problema ou desafio do projeto, ele melhorará bastante o processo e o resultado
do Design Thinking. Uma ótima definição de sua declaração de problema
orientará o trabalho de você e de sua equipe e iniciará o processo de ideação na
direção certa.
Isso trará clareza e foco ao espaço do design. Pelo contrário, se você não prestar
atenção suficiente na definição do seu problema, trabalhará como uma pessoa
sem rumo definido.
Etapa 3: Ideação
O processo de Ideação é gerar um grande número de ideias.
Ideias essas que potencialmente inspiram novas e melhores
ideias – das quais podem ser selecionadas as melhores, mais
práticas e inovadoras.
O principal objetivo do estágio Ideação é usar a criatividade e a
inovação para desenvolver soluções. Ao expandir o espaço de
soluções, as equipes podem ver além dos métodos usuais de
solução de problemas, a fim de encontrar soluções melhores,
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mais elegantes e satisfatórias para os problemas que afetam a experiência do
usuário com o produto ou processo com o qual está envolvido.
Resultados esperados da Ideação:
Fazer as perguntas certas e inovar.
Ir além das soluções óbvias e aumentar o potencial de inovação da sua solução.
Reunir perspectivas e pontos fortes dos membros da equipe.
Descobrir áreas inesperadas de inovação.
Gerar volume e variedade em suas opções de inovação.
Eliminar soluções óbvias e conduzir sua equipe além delas.
Etapa 4: Protótipo
Os protótipos são frequentemente usados na
fase final de teste de um processo de Design
Thinking para determinar como os usuários
se comportam com o protótipo, revelar
novas soluções para problemas ou descobrir
se as soluções implementadas foram ou não
bem-sucedidas.
Os resultados gerados a partir desses testes são usados para redefinir um ou mais
dos problemas estabelecidos nas fases anteriores do projeto e para construir uma
compreensão mais robusta dos problemas que os usuários podem enfrentar ao
interagir com o produto no ambiente pretendido.
Quando os designers desejam determinar e entender exatamente como os
usuários irão lidar com um produto, o método mais óbvio é testar como os
usuários interagem com ele.
Seria imprudente produzir um produto acabado para os usuários testarem. Em
vez disso, os designers podem fornecer versões simples e reduzidas de seus
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produtos, que podem ser usadas para observar, registrar, julgar e medir os níveis
de desempenho do usuário com base em elementos específicos ou no
comportamento geral, interações e reações.
Os protótipos são construídos para que os designers possam pensar em suas
soluções de maneira diferente (produto tangível, em vez de ideias abstratas), bem
como, podem falhar com rapidez e baixo custo, de modo que menos tempo e
dinheiro sejam investidos em uma ideia que não seja boa.
Etapa 5: Testes
Os testes podem ser realizados durante o andamento de um projeto de Design
Thinking, embora seja mais comumente realizado simultaneamente com o
estágio de Prototipagem.
O teste, no Design Thinking, envolve gerar feedback do usuário relacionado aos
protótipos que você desenvolveu, além de obter uma compreensão mais
profunda dos usuários.
Quando realizado corretamente, e etapa de Teste do projeto geralmente pode
alimentar a maioria dos estágios do processo do Design Thinking: permite
interagir e obter uma melhor compreensão de seus usuários; o que pode levar a
insights que mudam a maneira como você define sua declaração de problema;
pode gerar novas ideias no estágio Ideação; e, finalmente, pode levar a uma
iteração com seu protótipo. Ao realizar um teste do usuário em seu protótipo, é
ideal utilizar uma configuração natural (ou seja, o ambiente normal em que seus
usuários usariam o protótipo).
Se o teste em um ambiente natural for difícil, tente convencer os usuários a
executar uma tarefa ou desempenhar um papel ao testar o protótipo. A chave é
fazer com que os usuários usem o protótipo como o usariam na vida real, ou seja,
o máximo possível.
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Feedbacks e não-linearidades no Design Thinking
Em aulas anteriores já vimos que o feedback (realimentação) é a resposta de um
elemento de um sistema em razão de uma função exercida sobre ele. No caso do
Design Thinking isso se refere às respostas e resultados das diferentes fases do
processo.
Já a não-linearidade implica em dizer que tais respostas e resultados não se dão,
necessariamente na mesma sequência em que as fases são executadas.
Eis alguns exemplos de feedback:
• A Empatia ajuda na Definição do problema;
• Os Protótipos estimulam a geração de novas ideias (Ideação);
• Os Testes auxiliam no conhecimento do usuário e suas necessidades
(Empatia), criam novas ideias para o projeto (Ideação) e geram insights
que podem reconfigurar o problema (Definição).
Conclusões
Esta aula foi apenas um resumo teórico do Design Thinking, metodologia que,
reafirmamos, tem um enorme potencial para gerar novas ideias e inovações, e
que vem sendo amplamente utilizada no serviço público. Assim, não descarte a
possibilidade de se aprofundar nessa ferramenta através de cursos e práticas para
os quais tiver oportunidade.
Na próxima aula veremos casos reais de utilização do Design Thinking de modo
que os conceitos aqui explanados sejam compreendidos em sua aplicação.
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Bibliografia
Design Thinking. Disponível em <https://www.interaction-
design.org/literature/topics/design-thinking>
Stage 1 in the Design Thinking Process: Empathise with Your Users Disponível
em <https://www.interaction-design.org/literature/article/stage-1-in-the-design-
thinking-process-empathise-with-your-users>
Stage 2 in the Design Thinking Process: Define the Problem and Interpret the
Results. Disponível em <https://www.interaction-
design.org/literature/article/stage-2-in-the-design-thinking-process-define-the-
problem-and-interpret-the-results>
Stage 3 in the Design Thinking Process: Ideate. Disponível em
<https://www.interaction-design.org/literature/article/stage-3-in-the-design-
thinking-process-ideate>
Stage 4 in the Design Thinking Process: Prototype. Disponível em
<https://www.interaction-design.org/literature/article/stage-4-in-the-design-
thinking-process-prototype>
Stage 5 in the Design Thinking Process: Test. Disponível em
<https://www.interaction-design.org/literature/article/stage-5-in-the-design-
thinking-process-test>
VIANNA et all. Design Thinking: Inovação em Negócios. MJV Press: Rio de
Janeiro, 2012
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