mayarafa,+AT +05
mayarafa,+AT +05
diferenciação e caracterização
de monocotiledôneas e dicotiledôneas em aulas
de botânica na educação superior
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1 Introdução buscam apenas medir a assimilação desses conte-
údos. Esse tipo de ensino, no entanto, por tornar-se
O termo didática refere-se à técnica de dirigir cada vez mais ineficaz, passou a receber uma série
e orientar a aprendizagem; técnica de ensino. Para de críticas. Essas críticas formuladas a partir do
uma melhor compreensão é necessário definir, final do século passado, foram aos poucos, dando
também, o ensino como transmissão de conheci- origem a uma nova teoria da educação.������������
As ativida-
mentos, informações ou esclarecimentos úteis ou des deveriam deixar de lado o sistema repetitivo para
indispensáveis à educação; e aprendizagem como dar espaço para a criatividade, pesquisa e produção
ato ou efeito de tomar conhecimento de, reter na de conhecimentos (PILETTI, 2006), qualidades exi-
memória, mediante o estudo, a observação ou a gidas no mercado de trabalho atual. Na atualidade,
experiência (FERREIRA, 1995). A etimologia de além dos conteúdos, é necessário que a escola fa-
ensinar (do latim signare) é colocar dentro ou voreça o desenvolvimento de atitudes que contribu-
gravar no espírito. De acordo com esses conceitos, am para a formação do indivíduo. Neste contexto,
ensinar é gravar ideias na cabeça do aluno. Do respeito, paz, convivência harmônica, solidariedade
conceito etimológico surgiu o conceito tradicional e princípios de cidadania devem ser levados a sério
de ensino: ensinar é transmitir conhecimento. Por e incluídos, de forma prática e eficiente, nos pro-
isso o método baseia-se em aulas expositivas e expli- gramas pedagógicos. Toma corpo assim um novo
cativas. O professor fala o que ele sabe sobre deter- conceito de ensino e de educação que passou a se
minado assunto e espera que o aluno seja capaz de denominar escola nova (PILETTI, 2006).
reproduzir o que ele disse (PILETTI, 2006). Com a escola nova, o eixo da questão pedagó-
Na escola tradicional, a relação professor- gica passa do intelecto (ensino tradicional) para o
aluno trata de um modelo que centra as suas sentimento; do aspecto lógico para o psicológico; dos
preocupações na memória dos alunos para reter conteúdos cognitivos para os métodos ou processos
ordens, normas e recomendações, mas também pedagógicos; do professor para o aluno; do esforço
a disciplina, obediência e o espírito de trabalho. A para o interesse; da disciplina para a espontanei-
relação é a de superior-adulto que ensina ao infe- dade; da quantidade para a qualidade. Em suma,
rior-aluno que aprende mediante a instrução, e em trata-se de uma teoria pedagógica que considera
clima de forte disciplina, ordem, silêncio, atenção que o importante não é aprender, mas aprender a
e obediência em relação aos valores vigentes. Basta aprender. Segundo os princípios da escola nova, o
entrarmos numa escola atual para verificarmos professor deve agir como um orientador e estimula-
que ela reproduz o mesmo sistema da época dos dor da aprendizagem (PILETTI, 2006).
nossos avós (PILETTI, 2006). Os resultados na aprendizagem são peculiares
A sociedade, a família e o mundo do traba- em certas turmas e, isso sugere influência de con-
lho mudaram, mas a maioria das escolas brasileiras texto, ou seja, do ponto de vista psicoeducacional,
continuam repetindo o mesmo modelo. As escolas as distintas ações docentes conduzem a diferentes
tradicionais ainda trabalham com o sistema que pri- efeitos na história pessoal de cada aluno, que podem
vilegia a quantidade de informação. Questionários ser partilhadas pela classe inteira (CARDOSO e
são usados para reforçar o conteúdo e as avaliações BZUNECK, 2004).
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Essa realidade aponta que ensinar exige ri- para o ensino poder gerar mudanças no processo
gorosidade metódica; pesquisa; respeito aos saberes de ensino-aprendizagem; 2) a compreensão de que
dos educandos; criticidade; estética; ética; corporifi- representações coletivas que circulam na esfera de
cação das palavras pelo exemplo; risco e aceitação sua atividade profissional podem levá-la à tomada
do novo; rejeição a qualquer forma de discrimina- de consciência da constituição de seu contexto e da
ção; reflexão crítica sobre a prática; reconhecimento ancoragem de seu trabalho, nesse contexto (DOLZ e
e assunção da identidade profissional; entre outros SCHNEULY, 2004).
(FREIRE, 1996). Na escola nova, o processo tem A criação de uma sequência de atividades
como interesse a experiência do aluno que serve, permite a transformação gradual das capacidades
neste caso, de base para a educação intelectual, re- iniciais dos alunos. Devem ser consideradas ques-
forçando a ligação entre a teoria e a prática. O pro- tões como a complexidade de tarefas, em razão dos
fessor conduz o processo de aprendizagem partindo elementos que excedem as capacidades iniciais dos
da experiência do aluno, da observação, da manipu-
alunos. Um conjunto de atividades ligadas entre si,
lação, de atividades sobre realidades concretas como
planejadas para ensinar um conteúdo, etapa por
forma de se atingir, por meio do método indutivo a
etapa e organizadas de acordo com os objetivos
abstração (ROBEL, 2005).
que o professor quer alcançar para a aprendiza-
A importância de iniciativas como essa é dar
gem de seus alunos, envolvem atividades de apren-
oportunidade aos professores de participarem ativa-
dizagem e de avaliação. As sequências didáticas
mente, produzindo materiais didáticos que condi-
são instrumentos que podem guiar professores,
zem com a realidade de seus alunos (ROBEL, 2005).
propiciando intervenções sociais e formalizadas
Este tipo de trabalho defende o processo do professor
nas instituições escolares, ações recíprocas dos
de planejar sua prática pedagógica e se responsabili-
membros dos grupos e intervenções, tão necessá-
zar pela produção de ferramentas que possam orien-
rias para a organização do aprendizado em geral.
tar suas ações docentes. Com isso, trabalha-se em
favor da emancipação dos participantes, alcançando (DOLZ e SCHNEUWLY, 2004).
práticas produtivas, críticas e reflexivas. O estudo de
diferentes práticas de linguagem que se desenvolvem
no trabalho educacional corrobora para o aprofun- 2 Fundamentação teórica
damento das questões teóricas e metodológicas que
subjazem as ações (CRISTOVÃO, 2006). Heráclito de Éfeso, filósofo grego importante,
O desenvolvimento está intimamente rela- afirmava que todas as coisas estão em movimento,
cionado ao contexto sociocultural em que o aluno como um fluxo perpétuo, tudo flui e nada fica como
se insere e se processa, de forma dinâmica, por é. (OLIVEIRA, 1999) Essa declaração torna clara a
meio de rupturas e desequilíbrios provocadores de importância de momentos de reflexão, sempre pre-
contínuas reorganizações por parte dos indivídu- sentes nas atividades docentes de qualquer natureza.
os (REGO, 2002). Com base no discurso anterior Em tempos de inteligências múltiplas é a hora de
podemos ressaltar duas importantes conclusões: 1) multiplicarmos nossos olhares sobre a inteligência
o fato da mudança nas ferramentas de mediação e sobre a própria aprendizagem (RIBEIRO, 2006).
271
A ampliação desses olhares se torna possível demonstra a qualificação do profissional docente, e
na aplicação de sequências didáticas que ensinam que o torna insubstituível no processo de desenvol-
o aluno a aprender e posicionam o docente como vimento essencial ao progresso cognitivo humano
uma figura suficientemente convincente, sem ser (GALVÃO e SANTOS, 2008).
autoritário, saindo assim do falar para em direção O nosso modelo de sociedade permite a com-
ao falar com. O profissional direcionado para paração das pessoas, hierarquizando-as conforme a
o exercício da docência pelo processo formativo velocidade de seu processo de acumular ou adquirir
põe-se de modo diferenciado, para não somente informação. Desse modo um bom educador é capaz
contemplar “seu fazer”, mas também de refazer de conduzir a evolução cognitiva do aluno, fazendo-
sua ação (RIBEIRO, 2006). A revisão de ideias na o perceber formas melhores de trabalhar com suas
tentativa de adaptá-las à realidade de sala de aula inteligências mais afloradas e não insistindo em
é uma necessidade imposta pela vida, em razão modelos tradicionais e castradores, nos quais o erro
de seu próprio processo ininterrupto de mudanças é indício de fracasso e não apenas mais um degrau
(CUNHA e VILARINHO, 2007). As sequências didá- para o sucesso. Todos os processos permeados pelo
ticas propiciam variados momentos de interferên- professor tem como princípio o ciclo docente, ou seja
cia e reflexão no processo de aprendizagem. as normas e técnicas de ensino são postas em prática
A experiência, por si só, pode ser uma mera por meio de atividades de planejamento, orientação
repetição, uma mera rotina, não é ela que é forma- e controle (PILETTI, 2006). Essas três fases são in-
dora, mas sim a reflexão que ela propicia, ou a pes- terligadas e dependem uma da outra, assim como as
quisa que gera (NÓVOA, 2001). de uma sequência didática.
O professor reflexivo pode ser visto como um A linguagem é a mediadora entre todas as prá-
artista, não como produtor de uma obra de arte, ticas sociais. Os conceitos de práticas e atividades de
mas como um profissional que utiliza conhecimen- linguagem interessam porque a comunicação nasce
to técnico e talento pessoal, consegue vislumbrar de uma prática social (de uma situação vivida pelos
novos caminhos, novas saídas, inventando saberes sujeitos), materializadas nos chamados gêneros tex-
e técnicas produzidas em um momento específico tuais. Esses gêneros são compreendidos por meio de
para um determinado problema (ALARCÃO, 1996). ações e atividades de linguagem que exigem capaci-
Do ponto de vista do “aprender a ensinar”, o edu- dades específicas do falante/leitor. Todos os diversos
cador passa por diferentes etapas, que representam campos da atividade humana estão ligados ao uso
exigências pessoais, profissionais, organizacionais, da linguagem que ocorre em forma de enunciados
textuais, psicológicas que se desenvolvem ao longo orais e escritos concretos e únicos (BAKHTIN, 2003).
da carreira profissional em diversos momentos, As atividades escritas e orais das sequências didáti-
incluindo a experiência do docente como discente cas permitem o desenvolvimento da comunicação.
(NONO e MIZUKAMI, 2006). O modo de utilização da língua varia de
É preciso relevar o momento em que os pro- acordo com as esferas da atividade humana e pela
fissionais transformam conhecimento em ensino, articulação entre práticas sociais, gêneros textuais
usando o raciocínio pedagógico. A capacidade de e objetos de ensino (DOLZ e SCHNEUWLY, 2004).
raciocinar pedagogicamente é o que diferencia e Assim a linguagem técnica pode e deve ser incor-
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porada usando o contexto sociocultural de cada se manifesta na forma individual e na dimen-
aluno como base. As sequências didáticas permitem são social. Uma sequência didática permite que
que o discente familiarize-se com essa forma de co- as aulas apresentem-se como instrumento de in-
municação profissional, de modo escrito e oral. O teração social, que pode e deve ser transformada
gênero deve ser utilizado como meio de articulação em atividades de linguagem, propiciando assim o
entre práticas sociais e os objetos escolares, mais desenvolvimento de diferentes aspectos cognitivos
particularmente no domínio do ensino da produ- dos docentes e discentes envolvidos. Além disso,
ção de textos orais e escritos. Dessa perspectiva, os momentos de socialização permitem avaliação e
gêneros são instrumentos pelos quais as práticas de reflexão dos resultados.
linguagem se transformam em atividades de ensino As sequências didáticas mostram-se efi-
para os alunos, fazendo emergir uma série de regu- cientes no contexto da escola nova, pois permi-
laridades no uso, no propósito e na função (DOLZ, tem que o professor confeccione, do modo mais
NOVERRAZ E SCHNEUWLY, 2004). adequado, o material didático a ser utilizado
Segundo Dolz, Noverraz e Schneuwly para cada grupo de trabalho. Essa situação pro-
(2004) devem subsidiar a elaboração de uma se- picia as atividades reflexivas necessárias ao de-
quência didática: senvolvimento de todos os envolvidos no processo
ensino-aprendizagem. A avaliação nesse caso, é
1) Ativação do conhecimento prévio sobre o formativa, e ajuda o mestre a ensinar e o aluno a
gênero e o tema a ser abordado; aprender, esse tipo de avaliação possui diferentes
2) Apresentação do gênero; momentos e demanda confiança e cooperação
3) Realização de atividades de linguagem que entre professores e alunos, vínculo este que pode
transformam o gênero em forma de ensino. e deve ser construído no decorrer das etapas da
4) Agregação das partes: sugerimos atividades sequência didática.
que permitam avaliação formativa sobre o O docente precisa criar um clima de con-
progresso feito pelo aluno: quais conheci- fiança que leve os alunos a expor suas dúvidas
mentos produzidos, de que forma a atividade e problemas; eles precisam se convencer de que
de linguagem vivenciada o ajuda a entender podem cooperar com o professor na luta contra
o mundo que o cerca, transformar a realidade o fracasso escolar. Segundo Dolz e Schneuwly
social, entre outros. (2004), os eventos de instrução podem ser agrupa-
dos em quatro fases que ocorrem na ordem descri-
Todas as fases anteriores ocorrem por meio ta, embora não se sejam invioláveis.
de práticas sociais que, numa perspectiva intera-
cionista, são o reflexo e o principal instrumento 1 Fase introdutória: nela cabe ao professor
de interação. São todas as experiências vividas e/ ativar a motivação do estudante, criando
ou conhecidas pelos falantes em um dado contex- maneiras de tornar o objetivo da instrução
to social. Ao definir práticas sociais em relação relevante aos interesses do aluno. Deve ainda
às estruturas sociais, Dolz e Schneuwly (2004), informar ao estudante o que se espera dele e
as definem como o lugar em que a linguagem direcionar seus estímulos.
273
2 Orientação para a aprendizagem inicial: alunos declararem quais monocotiledôneas e dicoti-
Trata-se de trazer à memória do aluno capa- ledôneas estão mais presentes em seu convívio social
cidades já aprendidas, ou seja pré-requisitos, e serão solicitadas amostras dessas plantas, para
preparando o terreno para a orientação da posterior observação, em aula prática no laborató-
aprendizagem, propriamente dita. rio, das características expostas no momento inicial.
3 Retenção e transferência: Criar atividades que No momento de recolher informações sobre o co-
levem à retenção e transferência do conheci- nhecimento prévio do aluno, o seu contexto social
mento. acabará evidenciando-se por meio das relações re-
4 Performance e feedback: O aluno terá opor- alizadas pelo discente. Um aluno, muito ligado ao
tunidade de exibir seu desempenho, de meio rural, ofertará milho e feijão (plantados pelos
modo que demonstre se atingiu os objetivos avós por exemplo). Outro, habituado ao convívio
propostos. apenas urbano, recorrerá a exemplos, como giras-
sol (vendido na floricultura da esquina de casa). Ao
Com base nos conceitos trabalhados pelas re- conduzir essas amostras para o estudo no laborató-
ferências anteriormente citadas, proponho uma se- rio, o docente envolve a família, que passa a solicitar
quência didática para o ensino de botânica que trata devolução do conhecimento adquirido pelo aluno e
da diferenciação, identificação e caracterização de assim, permite que ele expresse seu desenvolvimento
monocotiledôneas e dicotiledôneas, seguindo essa cognitivo em seu meio de convívio.
ordem descrita do seguinte modo:__ A fase três terá início na terceira aula e se
estenderá até a sexta aula, quando as amostras
• Período de aplicação: um mês /quatro aulas coletadas pelos próprios alunos serão analisadas
semanais comparativamente e discutidas em grupos; a con-
• Objetivos: produzir e consolidar conhecimen- clusão desse trabalho culminará na confecção de
tos sobre mono e dicotiledôneas, pela intera- um relatório escrito que, além de funcionar como
ção prática/ composição textual / discussão atividade avaliativa, ainda permitirá a prática dos
do tema novos termos técnicos assimilados e sua fusão ao
• Objeto do estudo: monocotiledôneas e dicoti- vocabulário profissional do discente. Para esse tra-
ledôneas balho pode se comparar as amostras, esquemas e
• Material didático: papel, ilustração (foto ou fotos, descrevendo as características a serem obser-
exemplar) da planta, livros didáticos para vadas, descritas na sequência, e que devem ficar
apoio, laboratório claras para os alunos.
274
3) Bainha presente Monocotiledônea
4) 3 partes florais ou múltiplos Características:
• Folhas lineares
5) Sistema radicular fasciculado • Nervuras paralelas
6) Sistema vascular sem câmbio • Bainha presente
• 3 partes florais ou
7) Fruto cariopse
múltiplos
8) Flores inconspícuas • Sistema radicular
fasciculado
• Sist. Vascular Sem
Características Dicotiledôneas câmbio
1) Folhas pecioladas ou sésseis, não lineares • Fruto Cariopse
• Flores Inconspícuas
2) Nervuras reticuladas
3) Bainha ausente Figura 1: Monocotiledônea, capim gordura
4 Partes florais 2, 4, 5 ou múltiplos (geralmente
pentâmeras)
Características:
5) Sistema radicular pivotante • Folhas pecioladas ou
6) Sist. vascular com câmbio feixes vasculares sésseis, não-lineares
• Nervuras reticuladas
em anel • Bainha ausente
7) Frutos vários • Partes florais 2,
4, 5 ou múltiplos
8) Flores vistosas, coloridas
(geralmente
pentâmeras)
Com base nos critérios definidos acima, rea- • Sistema radicular
pivotante
lizar a análise das amostras, fotos e esquemas, um • Sist. vascular
a um, trazidos pelos alunos, pois assim, haverá con- com câmbio feixes
vasculares em anel
textualização do conteúdo. Veja os exemplos: • Vários frutos
A fase quatro, que avalia a performance e • Flores vistosas,
coloridas
o feedback do conhecimento, ocorrerá no decor-
rer das duas últimas aulas, quando haverá a so- Figura 2: Dicotiledônea, feijão
cialização dos resultados da aprendizagem entre
toda a turma; nesse momento, o aluno assume a
Características:
posição de detentor e transmissor do conhecimen- • Folhas lineares
to mediante os colegas e o professor, há também • Nervuras paralelas
• Bainha presente
aí a oportunidade de momentos reflexivos e ava- • 3 Partes florais ou
liativos da linguagem oral em público e do con- múltiplos
• Sistema radicular
teúdo adquirido. Ao final dessa última situação,
fasciculado
os alunos poderão refazer seus relatórios de modo • Sist. vascular sem
que possam corrigir eventuais falhas, enfatizando câmbio
• Fruto cariopse
assim a característica formativa do processo e per- • Flores inconspícuas
mitindo que sejam acrescidos os conhecimentos
ampliados durante a socialização. Figura 3: Monocotiledônea, milho
275
3 Considerações finais representava o detentor do saber e o aluno, o recep-
tor de um conteúdo transmitido já pronto, até o mo-
O ensino com base em sequências didáticas vimento da escola nova em que o professor assume
é mais coerente para a Botânica porque parte do papel de orientador e coparticipante no processo de
mais familiar (plantas já conhecidas pelos alunos) construção do conhecimento, acrescendo saberes a
para o menos familiar (características para obser- ele e ao aluno. No novo modelo, o professor desce
vação técnica), assim considera-se a experiência dos da posição intocável de detentor de maior gama
alunos no contato diário com plantas e, gradativa- de conhecimentos e se aproxima da realidade do
mente, exploro o contexto e acrescento informações aluno ao desenvolver avanços cognitivos múltiplos
como o uso da linguagem técnica necessária à for- em ambas as figuras envolvidas no processo ensino-
mação no conteúdo. aprendizagem (professor e aluno).
A primeira etapa das sequências didáticas é A sequência didática apresentada propor-
dedicada a ativação do conhecimento de mundo ciona momentos reflexivos e de auto avaliação
que o aluno já tem interligando com os conheci-
para professor e aluno e também permite a par-
mentos novos.
ticipação mais ativa da família e da comunidade
A segunda etapa constitui proporcionar a vi-
que cerca o discente, tanto no momento inicial
vência dos alunos com o tema em questão por meio
de contextualização do conhecimento que o edu-
de coleta, fotos ou esquemas desenhados de exem-
cando já possui, advindos do seu círculo social,
plares para posterior identificação e estudo.
quanto no retorno de informações no final do
A terceira etapa constitui-se da confecção do
trabalho, fazendo com que o aluno transforme-
material escrito para fixação do conteúdo e avalia-
se num multiplicador de informações. Esse tipo
ção da produção do conhecimento no aluno, numa
de atividade permite grande desenvolvimento pro-
perspectiva descritivo reflexiva.
fissional do aluno quando alia atividades práticas
A quarta etapa constitui-se de atividade oral
de identificação com gêneros textuais essenciais à
e socialização do conhecimento adquirido, permi-
tindo a avaliação formativa e a autoavaliação do sua formação acadêmica, permitindo ainda que,
professor e alunos. com base no desenvolvimento desse trabalho, ao
A quinta etapa é marcada pela revisão e rees- socializá-lo com o grupo em que está inserido, ex-
crita do material após a socialização, momento em perimente a oportunidade de posicionar-se como
que poderão ser corrigidas eventuais falhas. detentor e transmissor do saber, fato que deve me-
O trabalho foi constituído com o objetivo de lhorar e muito o relacionamento profissional exis-
criar uma sequência didática aplicada ao ensino de tente entre docentes e discentes.
Botânica, no âmbito da identificação de monocotile- O tempo de inteligências múltiplas permite a
dôneas e dicotiledôneas, que utiliza o conhecimento avaliação e a aprendizagem de vários aspectos di-
prévio do aluno. ferentes, sendo possível assim visualizar e valorizar
A realização de revisão bibliográfica detectou as características individuais, mesmo em grupos de
as alterações ocorridas nos modelos ensino-aprendi- alunos maiores, por meio da variedade de momen-
zagem desde a escola tradicional, em que o professor tos presentes na sequência didática que permitem a
276
expressão oral e escrita e atividades práticas e sua der a ensinar o mesmo conteúdo em momentos dis-
observação tanto pelo professor quanto pelo aluno. tintos na sequência didática apresentada.
As atividades de linguagem implicam o de- A sequência elaborada tenta fazer a transpo-
senvolvimento de diversas capacidades por parte do sição entre conteúdo teórico e prático e acredito ser
sujeito: capacidade de ação, línguistico-discursiva e
capaz de fornecer êxito nesse trabalho, ao propor-
discursiva, estando todas muito presentes em qual-
cionar ao aluno a contextualização do conteúdo
quer área do conhecimento, pois, são atividades
escolar ministrado, destacar sua importância e seu
básicas para profissionais de qualquer área desen-
volverem sua função. uso na comunidade social em que está inserido, per-
No que se refere à capacidade de ação, esta mitindo também visualizar as diferentes comunida-
foi trabalhada na coleta de materiais e em sua des sociais em que está presente e como está presente
confecção. No que se refere à capacidade linguis- nos momentos de socialização com o grupo.
tica-discursiva, foi observada na parte escrita a
identificação das amostras e a descrição de suas
Didactic sequence for identification,
principais características. No que se refere à ati-
differentiation and characterization
vidade discursiva, está presente nos momentos de
socialização e na identificação dos saberes iniciais
of monocot and dicot classes in
dos educandos. botany in higher education
A elaboração da sequência didática foi centra- That article presents a bibliographical revision
da em três princípios definidos por Dolz e Schnewly that demonstrates the transposition between tra-
(2004), que sugeriram para elaboração de um ditional school and new school, characterizing
them. Starting from the worked theoretical ref-
modelo didático: legitimidade (referência ao saberes
erences a didactic sequence was built for iden-
teóricos elaborados por especialistas); pertinência
tification, differentiation and characterization
(referência às capacidades dos alunos, as finalida- monocotiledoneas and dicotiledoneas. The pro-
des e objetivos) e solidarização (solidificação dos posal uses the knowledge that the student already
saberes) que se refere a tornar coerentes os saberes possesses as step for the cognitive development of
em razão dos objetivos visados. Essa proposta, além the necessary knowledge to identify, to character-
de procurar ensinar conceitos básicos e essenciais de ize and to differentiate monocotiledonea and dico-
botânica aos futuros profissionais da área, constitui- tiledoneas. The objective of the elaborated didactic
sequence is to facilitate the process of construction
se de atividades de linguagem também essenciais na
of the knowledge through the context. The made
formação de qualquer profissional. material can be used in any college or course that
Posso dizer que a sequência didática possui as contains botany in his/her grating. The sequence
características necessárias para cumprir seus obje- allows that educational and learning accomplish
tivos na formação profissional; produzindo sentido reflection activities and solemnity-evaluation on
no conteúdo, por meio de sua contextualização ao the content and the practice-educational ones, us-
grupo sociocultural em que o aluno está inserido, ing multiple intelligences.
e sua compreensão com base em uma abordagem Key words: Botanical. Didactic sequences. New
textual e discursiva que permite ao educando apren- school. Traditional school.
277
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