Espirometria
Global Initiative for Chronic Obstructive
Lung Disease (GOLD)
O que é espirometria ?
Espirometria mede de forma dinâmica volumes e
capacidades pulmonares, é um dos métodos que
avalia a função pulmonar, por meio de manobras
inspiratórias e inspiratórias máximas.
Espirometria
❖É o exame de função pulmonar mais utilizado
para mensuração dos volumes pulmonares.
❖Mede a quantidade de ar que sai dos pulmões
por meio de um cilindro vedado por água, fole ou
por sensores.
Espirometria
• Permite o estudo dos volumes e capacidades
• Analisa a evolução de um paciente
• Investiga a eficácia das drogas broncodilatadoras
• Avaliação pré-operatória
• Conduz o procedimento terapêutico
• Avaliação da ação de fatores ambientais
• Prognóstico
Espirometria
• Pode ser estática ou dinâmica
• A estática mede volumes e capacidades
• A dinâmica analisa fluxo.
• Reflete a dinâmica pulmonar cuja expressão são as
modificações de fluxo expiratório.
• As determinantes do fluxo são:
✓ Força muscular
✓ Retração elástica
✓ Resistência da via aérea (fechamento)
Espirometria - DPOC
• Espirometria é o padrão OURO para o diagnóstico da
DPOC
• A subutilização leva ao diagnóstico impreciso da DPOC
• A utilização generalizada tem sido limitada por:
– Preocupação em relação ao desempenho dos técnicos
– Dificuldade na interpretação dos resultados
– Falta de cursos de treinamento locais aprovados
Por que realizar uma espirometria?
• Confirma a presença de obstrução das vias aéreas
• Avalia a gravidade da obstrução das vias aéreas na DPOC
• Monitora a progressão da doença na DPOC
• Avalia um aspecto da resposta à terapêutica
• Avalia prognóstico (VEF1) na DPOC
• Avaliação pré-operatória
Tipos de espirômetros
• Espirômetros de campânula:
Medem volume; principalmente em unidades de função
pulmonar.
• Espirômetros eletrônicos de mesa:
Medem fluxo e volume com apresentação na tela em tempo
real.
• Espirômetros portáteis pequenos :
Baratos e rápidos para usar mas sem impressão de
resultados
Espirômetro de medida de
volume
Espirômetro
de medida de fluxo
Espirômetros eletrônicos de
mesa
Pequenos espirômetros
portáteis
Nomenclatura dos volumes
pulmonares
Volume de Capacidade
reserva inspiratório inspiratória
Capacidade Volume corrente
pulmonar
total
Volume de Capacidade
reserva expiratória vital
Volume residual
Padrões de índices espirométricos
• CVF - Capacidade vital forçada:
O volume total de ar que pode ser forçadamente expirado em uma
respiração
• VEF1 – Volume expiratório forçado no primeiro
segundo:
O volume de ar expirado no primeiro segundo (atraso na liberação do ar?)
DPOC: INFERIOR!!!
Relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau):
A fração de ar expirado no primeiro segundo relativo ao volume total
expirado
Indica se há ou não obstrução ao fluxo de ar
Padrões do espirograma
• Normal
• Obstrutivo
• Restritivo
• Misto obstrutivo e restritivo
Padrões do espirograma
• Obstrutivo
Obstrução nas vias aéreas, tendo o VEF1 reduzido e CV(F) normal. A
relação VEF1/CVF esta diminuída.
• Restritivo
Ausência de obstrução e Capacidade vital Forçada (CVF) reduzida. A
relação VEF1/CVF é normal.
Espirometria
Valores Normais
Previstos
Valores Normais Previstos
Influenciados por:
✓ Idade
✓ Altura
✓ Sexo
✓Origem Étnica
Critérios para espirometria normal
pós-broncodilatador
• VEF1: % previsto > 80%
• CVF: % previsto > 80%
• VEF1/CVF: > 0,7
Traçado normal mostrando
VEF1 e CVF
5 CVF
Volume, litros
4
VEF1 = 4L
3
CVF = 5L
2
VEF1/CVF = 0,8
1
1 2 3 4 5 6
Tempo, segundos
ESPIROMETRIA
DOENÇA
OBSTRUTIVA
Espirometria: doença obstrutiva
5
4
Volume, litros
Normal
3
VEF1 = 1,8L
2
CVF = 3,2L Obstrutiva
1 VEF1/CVF = 0,56
1 2 3 4 5 6
Tempo, segundos
Doenças associadas com obstrução
do fluxo aéreo
• DPOC
• Asma
• Bronquiectasia
• Fibrose cística
• Pós-tuberculose
• Câncer de pulmão (maior risco em DPOC)
• Bronquiolite obliterante
Diagnóstico espirométrico da DPOC
• DPOC é confirmada pela relação pós–
broncodilatador VEF1/CVF< 0,7
• Relação pós–broncodilatador VEF1/CVF< 0,7 é
medida 15 minutos após 400µg de salbutamol ou
eqüivalente
Teste de reversibilidade com
broncodilatador
• Fornece o melhor resultado de VEF1 (e CVF)
• Ajuda a diferenciar DPOC de asma
Deve ser interpretado com história clínica - nem asma
nem DPOC são diagnosticadas pela espirometria
isoladamente
Teste de reversibilidade com
broncodilatador
Broncodilatador* Dose VEF1 antes e
após
Salbutamol 200 – 400 µg via 15 minutos
espaçador de volume
grande
Terbutalino 500 µg via Turbohaler® 15 minutos
Ipratrópio 160 µg** via espaçador 45 minutos
* Algumas diretrizes sugerem que broncodilatadores nebulisados podem ser dados
mas as doses não são padronizadas. “Não há consenso sobre o fármaco, dose ou
modo de administração do broncodilatador no laboratório.”
Teste de reversibilidade com
broncodilatador na DPOC
Preparação
• Testes devem ser realizados quando os pacientes
estão clinicamente estáveis e livres de infecção
respiratoria
• Pacientes não devem ter tomado:
✓ broncodilatadores inalados de curta duração nas seis horas
anteriores
✓ Broncodilatador de longa duração nas 12 horas anteriores
✓ teofilina de liberação lenta nas 24 horas anteriores
Teste de reversibilidade com
broncodilatador na DPOC
Espirometria
• VEF1 deve ser medido (mínimo duas vezes, com diferença de
5%) antes que um broncodilatador seja dado.
• O broncodilatador deve ser dado por inalador de dose medida
atraves de um espaçador ou por nebulizador para estar certo
que o medicamento foi inalado.
Teste de reversibilidade com
broncodilatador na DPOC
•Possíveis protocolos de doses:
✓ 400 µg β2-agonista, ou
✓ 80-160 µg anticolinérgico, ou
✓ os dois combinados
•VEF1 deve ser medido de novo:
✓10-15 minutos após um b2-agonista de curta
duração
✓ 30-45 minutos após a combinação
ESPIROMETRIA
DOENÇA
RESTRITIVA
Critérios: doença restritiva
• VEF1: % previsto < 80%
• CVF: % previsto < 80%
• VEF1/CVF: > 0,7
Espirometria: doença restritiva
5 Normal
Volume, litros
3 Restritiva
VEF1 = 1,9L
2
CVF = 2,0L
1
VEF1/CVF = 0,95
1 2 3 4 5 6
Tempo, segundos
Doenças Associadas com Alteração
Restritiva
Pulmonar Extrapulmonar
• Doença pulmonar • Deformidade da caixa
fibrosante torácica
• Pneumoconioses • Obesidade
• Edema pulmonar • Gravidez
• Tumores pulmonares • Doenças
parenquimatosos neuromusculares
• Lobectomia ou • Fibrotórax
pneumonectomia
Distúrbio Obstrutivo/Restritivo
Misto
• VEF1: % previsto < 80%
• CVF: % previsto < 80%
• VEF1 / CVF : < 0,7
Distúrbio Obstrutivo/Restritivo
Misto
Normal
Volume, litros
VEF1 = 0,5L
Obstrutivo - Restritivo CVF = 1,5L
VEF1 / CVF = 0,30
Tempo, segundos
Distúrbio restritivo e misto obstrutivo-restritivo são dificeis de diagnosticar pela espirometria somente;
testes de função pulmonar completos são habitualmente necessários (ex. pletismograpia corpórea etc)
ESPIROMETRIA
Fluxo Volume
Curva Fluxo Volume
• É padrão na maioria dos espirômetros de mesa
• Fornece mais informação do que a curva volume
tempo
• Menos compreendida mas não difícil de interpretar
• Melhor para demonstrar obstrução leve das vias
aéreas
Curva Fluxo Volume
Fluxo expiratório
máximo (PFE)
Fluxo
expiratório
L/seg
CVF VR
CPT
Fluxo
inspiratório
L/seg
Volume (L)
Curva Fluxo Volume
• Relação Fluxo/Volume: são analisadas na expiração:
– Peak Flow (PFE): é o mais alto volume de fluxo expirado,
obtido em litros/segundo. Ocorre na porção da curva dos 20-
25% da CPT( esforço dependente: maior pressão, maior fluxo)
(força muscular).
• MEFR – Fluxo do meio da expiração :
Derivado da porção média da curva fluxo-volume mas não é útil
para diagnóstico da DPOC
Curva Fluxo Volume
– FEMF 25-75%: fluxo expiratório médio forçado durante a
porção média da curva em litros/segundo
– V máximo 25%: é o volume de fluxo em 25% abaixo da
CPT. Ocorre nas proximidades do Peak Flow.
– V máximo 50%: é o fluxo abaixo de 50% da CPT. Ocorre
o esforço independente da curva onde o fluxo está
– V máximo 75%: é o fluxo a 75% da CPT.
Padrões de Curvas Fluxo Volume
Obstrutivas e Restritiva
Obstrutiva
Obstrutiva Restritiva
grave
Fluxo expiratóio
Fluxo expiratóio
Fluxo expiratóio
Volume (L) Volume (L) Volume (L)
Pico do fluxo Padrão Steeple, pico Forma normal,
expiratório reduzido, do fluxo expiratório pico do fluxo
regiao média da curva reduzido, queda expiratório normal,
escavada rápida volume reduzido
Espirometria: Padrões
Anormais
Obstrutiva Restritiva Mista
Volume
Volume
Volume
Tempo Tempo Tempo
Ascenção lenta, Ascenção lenta com
volume expirado Ascenção rápida volume máximo
reduzido; tempo para platô com reduzido; medida de
prolongado para volume máximo volumes estáticos
expiração total reduzido pulmonares e PFP
completa para
confirmar
Realizando a espirometria
Suspensão dos Medicamentos
conforme orientação médica!
Antes de realizar uma espirometria, suspenda:
✓ β2-agonistas de curta duração por 6 horas
✓ β2-agonistas de longa duração por 12 horas
✓ Ipratrópio por 6 horas
✓ Tiotrópio por 24 horas
O ideal é que os pacientes evitem cafeína e fumar cigarro
30 minutos antes de realizarem a espirometria
Realizando Espirometria - Preparação
1. Explique a finalidade do teste e demonstre o
procedimento
2. Registre a idade, altura e gênero do paciente no
espirômetro
3. Anote a hora da última dose de broncodilatador usada
4. Mantenha o paciente sentado confortavelmente
5. Deixe as roupas bem soltas
6. Esvazie a bexiga antes do teste, se necessário
Realizando a Espirometria
• Inspire até encher os pulmões totalmente
• Segure a respiração e coloque os lábios em torno
de um bocal limpo
• Sopre o ar o mais rápido e com o maior esforço
possível. Estimule bastante o paciente !
• Continue a soprar até sentir os pulmões vazios
Realizando a Espirometria
• Observe o paciente durante o sopro para assegurar
que os lábios estão cerrados em torno do bocal
• Cheque para determinar se um traçado adequado
foi conseguido
• Repita o procedimento pelo menos duas vezes
mais até que idealmente 3 leituras com 100 ml ou
5% entre elas sejam obtidas
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Espirometria – Controle de
Qualidade
• A maioria das causas de inconsistência das curvas
é por má técnica do paciente
✓ Inspiração sub-ótima
✓ Esforço expiratório sub-máximo
✓ Retardo na expiração forçada
✓Tempo expiratório curto
✓ Vazamento de ar em volta do bocal
Pacientes devem ser observados e encorajados
durante todo o exame
Espirometria – Problemas Comuns
✓ Sopro inadequado ou incompleto
✓ Falta de esforço intenso durante expiração
✓ Início lento no esforço máximo
✓ Lábios não totalmente fechados em volta do bocal
✓ Tosse durante o sopro
✓ Respirar durante o sopro
✓ Fechamento da glote ou obstrução do bocal pela
lingua ou dentes
✓ Postura ruim– inclinando para frente
Solucionando problemas
Exemplos -Traçados
Inaceitáveis
Traçado Inaceitável – Esforço
Ruim
Volume, litros
Normal
Esforço expiratório variável
Esforço inadequado de
sustentação
Pode ser acompanhado por um início
lento
Tempo, segundos
Traçado Inaceitável – Para de
Soprar Precocemente
Volume, litros
Normal
Tempo, segundos
Traçado Inaceitável– Início Lento
Volume, litros
Normal
Tempo, segundos
Traçado Inaceitável - Tosse
Volume, litros
Normal
Tempo, segundos
Traçado Inaceitável – Respiração
Durante o Esforço
Volume, litros
Normal
Tempo, segundos
Algumas Referências Sobre Espirometria
• Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) - www.goldcopd.org
• Spirometry in Practice - www.brit-thoracic.org.uk
• ATS-ERS Taskforce: Standardization of Spirometry. ERJ 2005;29:319-338
www.thoracic.org/sections/publications/statements
• National Asthma Council: Spirometry Handbook
www.nationalasthma.org.au