Sebenta Do Rorschach
Sebenta Do Rorschach
O Rorschach
Técnicas Projectivas
Rorschach
TAT – foi o 1º a aparecer,
Técnica paradigmática, pois é a serve para crianças e para
1ª a aparecer; é objecto de adultos (é a base de todas as
muitos estudos e é a técnica mais outras técnicas que lhe
utilizada na investigação sucederam)
Problema
Escolha do instrumento a utilizar
Hipótese
Metodologia
Conclusão
Modo de apreensão
Objecto de cotação Determinante
Conteúdo
- Instrução:
A instrução deve ser adequada ao sujeito e deve ser introduzida na relação. Rorschach
considera que as instruções devem ser curtas, o que vai cumprir o objectivo das técnicas
projectivas, ou seja, estimula o sujeito de forma adequada – cria um espaço de liberdade no
sujeito, onde estão presentes os dois objectivos principais das técnicas projectivas; a
instrução será: “O que é que se poderia ver aqui?” ou “O que e que isto poderia ser?”. Outros
psicólogos, como por exemplo Chebert, consideram que a instrução a dar deverá ser
diferente, contendo objectivos mais explícitos: “Vou mostrar-lhe 10 cartões e peço-lhe que
me diga tudo o que eles lhe fazem pensar e tudo o que se pode imaginar a partir de cada um
deles”.
É importante reter que todas as indicações devem ser formuladas como um pedido, assim
abre-se um espaço de liberdade que é a base das técnicas projectivas.
- 1ª Fase da Aplicação do Rorschach:
Dar a instrução ao sujeito
Entregar o cartão I na posição direita (pode entregar-se na mão ou colocá-lo em cima
da mesa)
Accionar o cronómetro
O psicólogo deve escrever tudo o que o sujeito diz na folha de anotações
Devolução dos cartões
Apesar de a regra ser a da não intervenção, por vezes, podem fazer-se intervenções
durante a passagem dos cartões, quando o sujeito fala de algo paralelo na passagem dos
cartões pode-se intervir; na fase inicial (1º, 2º e no máximo 3º cartão), quando o sujeito está
a ter dificuldades, é útil e desejável que se faça um intervenção do tipo “Se pensar um pouco
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O Rorschach
talvez consiga ver outras coisas”, isto, por exemplo, no caso de usar uma única imagem, ou
de não nos dar imagem nenhuma, “Porque temos tempo...”. Se o sujeito falar muito rápido
pode pedir-se para que repita a última palavra, ou fale mais lentamente.
NOTA: O uso do talvez permite que o sujeito veja, ou não veja, o que mantém a liberdade.
O trabalho do psicólogo é um trabalho de atribuição de sentido, pelo que a sua atitude
deve ser uma atitude de neutralidade: de acolhimento e de aceitação das imagens e da
resposta do sujeito.
A primeira fase termina com a Prova Complementar de Escolha:
É pedido ao sujeito que dos 10 cartões escolha os 2 dos quais gostou menos, e os dois dos
quais gostou mais, e indique os motivos que o levaram a escolher os cartões, devemos tentar
que os motivos apresentados sejam de ordem estética ou afectiva. É de notar a ordem pela
qual o sujeito nos diz os cartões apesar de não ser muito relevante.
Se os motivos de preferência forem iguais “Gostei mais dos cartões IX e X porque são
coloridos”, há que aceitar, pois isso implica conceder o espaço de liberdade ao sujeito. Há
sujeitos que escolhem apenas um cartão de cada, ou outros que escolhem 3 cartões,
devemos aceitar esta escolha, tal como devemos aceitar se o sujeito insistir que são todos os
cartões, pois cada escolha é objecto de atribuição de sentido.
Nos cartões em que há participação da cor não temos a certeza se este elemento participa
ou não na resposta do sujeito. Para isso devemos ter uma folha A4 com os cartões diminuídos
a preto e branco para mostrar ao sujeito durante o inquérito. Exemplo: “Ainda vê aqui a
borboleta?” “Sim, sim. Veja aqui as asas recortadinhas.” Neste caso o que predomina é a
forma e não a cor.
Se o sujeito refere algo como «estranho» ou «esquisito» o psicólogo não deve deixar
escapar estes elementos, pois por aqui pode revelar-se algo mais importante do que a
imagem em si, deve saber-se porque é que há a introdução de algo desta forma. Exemplo “A
borboleta está voar mas vai perdendo bocados do corpo”.
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O Rorschach
Se o sujeito durante o inquérito diz algo diferente daquilo que disse na elaboração
espontânea, ou altera o que viu, trata-se de uma resposta adicional (R. A.), e o inquérito
deve ser feito em relação à segunda imagem.
Inquérito de Limites
Foi um inquérito introduzido por Klopper, tem uma presença mais activa por parte do
psicólogo com o objectivo de explorar modalidades perceptivas, ou conteúdos evitados pelo
sujeito.
Conduzir o sujeito para os encarnados presentes nos cartões bicolor, e perguntar se há
algo que se possa dizer sobre o vermelho. Isto só é feito quando o sujeito não interpreta o
vermelho, e só se faz no final para se poder esperar a resposta adicional.
2. Conteúdo Manifesto
- Dimensão Estrutural:
Os cartões diferenciam-se pelo seu carácter unitário, inteiro e maciço ou pela sua
obediência a uma configuração bilateral.
Cartões unitários (I, IV, V, VI e IX) – reflectem a imagem do corpo humano organizado
simetricamente em torno de um eixo.
Cartões com configuração bilateral (II, III, VII e VIII) – reflectem as representações de
relações.
- Dimensão Sensorial:
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O Rorschach
3. Conteúdo Latente
Cartão I – cartão compacto, negro, que facilita uma apreensão
global (G), baseando-se na forma (F). O estímulo tripartido
remete para a relação e interacção. Este cartão reflecte um
sentimento de identidade (quando a linha média não é vivida
como eixo do corpo mas como linha de separação entre duas
entidades, dá conta de dificuldades de diferenciação entre o
sujeito e o outro) (Chabert). A um nível menos evoluído, o
cartão reactiva a relação com a mãe pré-genital nos seus
aspectos positivos e/ou negativos, nas imagens de segurança
ou ameaça.
Cartão II – a parte central vazia reenvia para o regressivo e o luto; o vermelho reenvia para o
sangue e as pulsões. Este cartão reaviva as pulsões libidinais
e agressivas do sujeito. Se o sujeito lida mal com as pulsões
agressivas, evita o vermelho interpretando só o preto. A
problemática da castração é claramente visível, bem como a
angústia que lhe está directamente ligada e os processos
defensivos que o sujeito utiliza face a essa angústia. Quando as
personagens se apresentam em duplo pode dar conta de
problemas ao nível da identidade. Este cartão permite ao
sujeito reviver alguns dos conflitos da sua infância, revelando
uma relação simbiótica ou destruidora com a mãe.
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O Rorschach
face ao outro, e ainda a descoberta desse outro e o tipo de relação que é procurada com
esse outro, uma relação de apoio (representação de si e representação da relação). O
clima emocional é positivo e este cartão agrada normalmente aos sujeitos. É frequentemente
escolhida como o cartão preferido. O próprio estímulo, por estar próximo da realidade
objectiva, isto é, por evocar facilmente as silhuetas humanas, também pode levantar
problemas por isso, podendo rapidamente adquirir uma tonalidade negativa se o sujeito se vê
confrontado com um outro e esse outro tem dificuldades relacionais.
Este sentimento de integridade ao mesmo tempo física e psíquica, tem a ver com a
representação de si e, se houver uma recusa, isso é um alerta para uma eventual luta do
sujeito contra a desorganização de si, contra o caos interno. Também pode acontecer que o
sujeito fuja da representação através de respostas impessoais ou a manifeste através de uma
resposta simbólica.
Este cartão reenvia o sujeito para a problemática sexual: angústia predominante na neurose:
angústia de castração; estados limite: angústia de perda do objecto; psicose: angústia de
fragmentação. A recusa da interpretação dos cortes é sinal de problemas sexuais.
A reacção emocional é frequentemente negativa, ao ponto de não ser invulgar que este
cartão seja recusado. Isto acontece devido ao significado simbólico deste cartão. Face ao
impacto provocado por esta mancha, pode haver respostas adaptativas, sendo a mais comum
“pele de animal”.
Quando não é vista a resposta animal, vulgar, tem-se um problema análogo ao do cartão V
(sinal de debilidade patológica da ligação do sujeito à realidade). Também são significativos
os graus de agressividade atribuídos aos animais, ou à sua desvitalização sob a forma de
emblema.
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O Rorschach
simbologia pré-genital, ou seja, uma temática ligada ao nascimento e nem todos os indivíduos
têm muita facilidade em lidar com esta simbólica, pelo que muitas vezes o que aparecem são
fantasias pré-genitais ligadas à gravidez/parto.
Estimula quase sempre respostas em D. Uma resposta G revela uma capacidade intelectual
organizadora de alto nível (G secundária)
Há sujeitos que se perturbam com o cartão, devido à cor (reagindo, nesse caso, como aos
cartões já interpretadas), ou devido à extrema dispersão das manchas (sentindo verdadeiro
choque ao despedaçamento).
4. A cotação
4.1. – Princípios Elementares de Cotação dos protocolos de Rorschach
A cotação não é mais do que um esboço cómodo que serve de quadro e de ponto de
partida para a reflexão e que facilita a comparação dos protocolos:
A cotação realiza-se após uma leitura atenta do conjunto do texto e depois de terem sido
anotadas as impressões que dele se destacam (tonalidade emocional, verbalização, atitude,
etc.)
A cotação tenta dar conta de todos os aspectos “objectivos” de uma resposta. Esta
decompõe-se em vários elementos que se podem evidenciar com a ajuda de quatro tipos de
questões que s colocam para cada uma das respostas:
O que é que determinou a resposta ou qual (is) a (s) particularidade (s) objectiva (s) ou
subjectiva (s) do estimulo que provocou a interpretação? Porquê e Como?
Cada uma destas questões corresponde a uma série de símbolos convencionais, entre os
quais é preciso escolher aquele (s) que podem dar conta, o mais fielmente possível, da
resposta do sujeito tal como ele a viu e enunciou, sem que a subjectividade do próprio
psicólogo interfira.
É evidente que não se poderá elucidar os mecanismos em jogo, nem responder às três
primeiras questões sem se interrogar o próprio sujeito: é este o objectivo do inquérito.
Todavia, é necessário ter presente que a cotação propriamente dita se refere às respostas
dadas espontaneamente e que no inquérito é preciso distinguir entre o que corresponde a
uma simples explicitação da resposta espontânea (que serve de base à cotação) e o que
constitui uma nova abordagem ou uma reelaboração, que não deverá ser cotada, ou então só
deverá ser considerada em tendência, embora entre na análise propriamente dita.
A folha de Protocolo
Discurso
Espontâneo
Cotação
Símbolos
^ - Direito
ν – Inverteu
G F+ A Ban
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O Rorschach
- Resposta global:
As respostas globais são respostas que compreendem a totalidade da mancha. São
respostas como: “borboleta”; “uma mancha negra de tinta-da-china”; “bailarino a rodopiar
sobre si mesmo, com duas bailarinas a apoiarem-se sobre ele, com as suas capas a esvoaçar;
“caranguejo com duas pinças”, “uma aranha com uma mosca na barriga”; etc. Os produtos
finais são semelhantes apesar do processo de resposta ser diferente.
Para uma resposta ser considerada global é necessário que o sujeito interprete a totalidade
da mancha, excepto no cartão III, onde se considera resposta global, se o sujeito considera
dois negros laterais como duas figuras humanas.
- G primário:
G simples
Um exemplo de um G simples será a resposta “borboleta” (é a imagem mais neutra), ou o
morcego, aqui existe uma clara diferenciação entre sujeito e objecto, há uma identidade
definida, o sujeito vê-se como inteiro e repara no meio envolvente. A estratégia perceptiva
utilizada é a abordagem directa e imediata da mancha, sem elaboração, destacando a figura
do fundo. Pelo facto da figura ser fechada este cartão () e outros (I, IV, V) favorecem o
aparecimento de imagens G simples.
Os G simples do ponto de vista do funcionamento mental dão conta de uma adaptação
perceptiva de base que faz pensar se o sujeito se encontra minimamente inserido na
realidade – G simples adaptativo.
G simples Adaptativo
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O Rorschach
- Detalhe Oligofrénico:
Foi constatado que estas imagens surgiam em sujeitos com défices cognitivos, apesar
deste tipo de respostas não serem específicas deste tipo de sujeitos. Essencialmente
Rorschach constatou que onde sujeitos normais viam figuras inteiras, outras pessoas viam
apenas partes dessas figuras, o que atribuiu a restrições do campo perceptivo e do conteúdo
– é esperado que não ocorram estas restrições (d e db). Os conteúdos mais frequentemente
interpretados são animais (A), ou partes de animais (Ad), figuras humanas (H) ou partes de
figuras humanas (Hd), bot (botânica), obj (algo fabricado pelo homem). Os Do’s estão sempre
associados a Ad e Hd.
Exemplo: no cartão III, se mencionar a cabeça como parte de um todo será um Do.
-G Primário:
G barrado
Escomotizado técnico: o sujeito interpreta o todo, mas retira uma pequena parte (parte
que, do ponto de vista estritamente perceptivo não se impõe – Dd). Ao nível interpretativo,
este modo de apreensão dá-nos conta de que o sujeito evita essas partes por terem,
grande parte das vezes, um valor sexual ou agressivo. (G)
G sincréticos
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O Rorschach
Existem três tipos de G sincréticos e todos eles nos remetem para problemas de separação
e individualização:
G confabulados: são resultado de uma generalização abusiva a partir de um detalhe
da mancha. Podem remeter para dificuldades claras ao nível da diferenciação. Isto
porque a generalização começa a partir de uma parte da mancha que do ponto de vista
estritamente perceptivo se impõe. (DG; DdG; DblG)
G contaminados: são o resultado de uma fusão ou sobreposição de imagens ou
associações distintas, sendo que o resultado final vai ser uma combinação
perfeitamente absurda. (D/G; Dd/G; Dbl/G)
G informulados: são o resultado de uma enunciação dos diversos elementos
constitutivos de um todo sem, no entanto, se lhe referir (ao todo). Como se o todo
fosse constituído por partes que se colam, o que denuncia uma fragilidade muito
grande ao nível da identidade. (D(G); Dd(G))
G imprecisos
Estas são respostas associadas a formas que o sujeito não precisa e dividem-se em dois
tipos:
G vago: o sujeito introduz o vago para não ver coisas significativas e para não ter
que se revelar, ou seja, este tipo de respostas aparece associado ao recalcamento.
(F+/-) G
G impressionistas: o sujeito deixa impressionar-se pela cor. (C; C, E) G
-G Secundário:
Estas respostas são o resultado de uma articulação/combinação dos diversos elementos da
mancha até que o sujeito tem em conta a totalidade da mesma através de um processo de
elaboração.
Este tipo de imagem remete-nos para um pensamento rico (creativo, com capacidade de
ligar) e reflexão do sujeito. ((D)G; (Dd)G; (Dbl)G; (Do)G; G bl)
4.3. Determinantes
- Forma F:
As respostas formais são determinadas pela configuração da mancha (exemplo: borboleta
é uma resposta que é determinada pela configuração da mancha).
F+ é uma forma boa ou adequada
F- é uma má forma ou forma inadequada
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O Rorschach
F+-, neste caso, o sujeito é incapaz de precisar a forma/ imagem o que origina uma
resposta indeterminada ou imprecisa (exemplo: cartão VII, resposta de detalhe em que
isola uma parte e diz que é uma ilha).
As respostas formais relacionam-se com a leitura que o sujeito faz da realidade, por isso, a
percentagem das boas formas de Rorschach dá-nos conta da adaptação/ inserção do sujeito
na realidade.
- Cor C:
Cromática - (C) vermelho pastel
Acromática – (C’) negro, branco e cinzento
-Esbatimento:
São respostas determinadas pelas diferentes tonalidades – exemplo: cartões VII, algo de
nebuloso, nevoeiro (GE), ou cartão VI, estas mudanças lembram-me lama, lodo (GE).
As respostas de esbatimento podem ser EF, quando a forma é imprecisa e secundária, ou
FE, quando o esbatimento é secundário.
Exemplos:
Cartão VII:
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O Rorschach
- “Nevoeiro” (GE)
- “Farrapos de nuvens pela diferença de tonalidades” (EF, há uma não
definição dos limites)
- “Cabeça duma mulher desenhada numa nuvem” (FE, o sujeito precisou a
imagem)
- “Cão fofinho de peluche” (GFE)
Respostas que incluem tecido, veludo, peluche, são imagens que remetem para o toque e
para o tacto – são respostas de esbatimento.
Pele de animal pode ser Fe ou EF, há que fazer o inquérito para perceber se o esbatimento
participa ou não na resposta (exemplos cartão VI – pele de animal, vê-se muito bem a cabeça
e as quatro patas, está estendida no chão GF+; pele de animal, vê-se muito bem a cabeça, as
quatro patas e o pelo GFE, pois demonstra sensibilidade à nuance, às diferentes tonalidades e
ao esbatimento; ao longe parece uma pele de animal, é fofinha GEF)
No esbatimento estão presentes diferentes cores e tonalidades, as cores ligam-se aos
afectos, à sensibilidade ao mundo interno (pastel); por isso as respostas de tonalidade
também se referem a afectos porém não a uma afectividade franca, mas a uma subtileza,
perspicácia, a presença deste tipo de resposta (na ausência de resposta de cor) pode mostrar
uma afectividade abafada, reprimida.
Respostas de Esbatimento
1. Textura - A textura remete para uma dimensão táctil muito importante, os afectos.
Exemplo: cartão VI “O cãozinho de peluche é tão fofinho, apetece tocar!”. Afectos: nos
primeiros objectos e nas primeiras relações muitas mensagens passam pelo tacto (o
qual tem um papel fundamental). A presença deste tipo de resposta (em detrimento de
outros) dá conta da imaturidade e carências afectivas.
2. Tridimensional ou perspectiva
3. Difusão – refere-se a imagens nas quais o grau de organização é muito ténue. Estas
imagens indicam recalcamentos: o sujeito introduz algo vago para não ver coisas mais
significativas.
Exemplos: “Algo nebulosos”, “Farrapos de nuvens a dispersarem-se”, “Fumo”,
“Espirais de fumaça”
-Clob:
Para ser cotado com clob é necessário que a imagem se situe em D ou em G, é obrigatório
que haja um sentimento de perigo, ameaça ou destruição (não se pode cotar Clob sem que
exista um destes sentimentos). O que está subjacente são os medos, estes demonstram a
presença duma angústia muito intensa, há que entender a dimensão projectiva é uma
dimensão muito importante a qual se encontra aqui.
Exemplos:
Cartão IV - “Algo demoníaco, um pesadelo terrível!”
Cartão I – “Uma impressão de terror, de fim de mundo.”
Existem respostas que integram também um F, uma resposta do tipo F clob demonstra
uma angústia contida e controlada (cartão IV: “É um homem terrível!”; “O abominável
homem das neves”; “Um gigante”; cartão I “Parece uma bruxa”). Quando se verificam muitas
respostas do tipo ClobF está demonstrada uma fragilidade e que as dificuldades de contenção
e de controlo são muito maiores (exemplo: “Ih! Qualquer coisa terrível! Pegajoso, repelente,
nojento! Parece uma aranha!”. Este exemplo é claramente um ClobF porque foram os
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O Rorschach
diversos sentimentos do sujeito que o levaram a associar a uma aranha, e não houve
sensibilidade relativamente à configuração da mancha).
- Respostas Cinestésicas:
- Conteúdo humano K K
- Conteúdo animal Kan menores
- K:
Cota-se K quando houver atribuição de movimento a uma forma humana (uma figura
humana inteira em movimento), também se cota K se uma figura humana se uma figura
humana se encontrar com uma atitude de intenção duma relação.
Exemplos:
Cartão VII: Duas mulheres que se olham; Uma mulher a ver-se ao espelho
Cartão I: Um homem a orar aos céus K (sonhar, dormir, pensar... são cotados com K)
Um palhaço também se cota como K porque está sempre a rir, assim como uma
bailarina (está sempre associada a movimento).
EXCEPÇÂO: cartão III, os negros laterais cotam-se sempre como K sem ser necessário
que estejam associados a movimento ou a relação.
- Kan:
Cota-se Kan no caso de haver atribuição a movimento a um animal inteiro ou quando o
animal inteiro se encontra numa atitude humana.
Cartão I: uma borboleta a voar
Cartão IV: (as partes mais claras dos detalhes laterais inferiores) “Parece um cão que
está sentado a pensar na vida.”
Excepção: No cartão VIII, dois animais a subir ou a andar nas partes laterais não são
cotados como kan, mas como F+; mas se o cartão se encontrar na posição lateral cota-se
Kan.
- Kob:
A cotação Kob refere-se a objectos vistos em movimento ou a fenómenos naturais em
movimento, sendo que a força impulsionadora do movimento tem de se encontrar no interior
do objecto.
Exemplos:
Cartão II: Um foguetão a subir, vê-se o fogo da propulsão (KobC)
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O Rorschach
- Kp:
Refere-se a partes do corpo humano vistas em movimento ou o corpo humano em
movimento visto em DD
Exemplos:
Cartão VII: Um homem que balança, hesita em atirar-se ou não.
Cartão IV: dois olhos que me perseguem
Cartão IX: Uma cabeça está escondida por trás duma moita a espreitar.
4.4. Conteúdos
Entre as respostas humanas ou animais, cota-se (H) ou (Hd) e (A) ou (Ad) aquelas que
pertencem ao domínio do irreal, do sobrenatural ou da lenda (mas não as da História). Por
exemplo: “ogre”, “dragão”, “duende”.
Obj - Objecto
Alim - Alimentos
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O Rorschach
Sg - Sangue
Bot - Botânica
Másc - Máscara
4.5. Banalidades
IV - G - Pele de animal
VII - Não há
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O Rorschach
Recusa – Há recusa sempre que o sujeito devolve o cartão sem ter dado uma resposta
cotável. Não há assim nem tempo de latência nem tempo total.
Tempo total por cartão – tempo que decorre entre a apresentação do cartão ao sujeito a
fim das associações dadas nesse cartão.
Elementos Qualitativos
Choque Manifesto – que se exprime verbalmente de uma forma directa (“Oh! Que
horror!”, “É horroroso!”), ou através do silêncio ou da recusa.
Preservação – quando uma resposta formalmente adequada num cartão se repete duas
vezes de forma arbitrária (F-) nos cartões seguintes.
É obvio que a cotação é redutora e não consegue dar conta de toda a riqueza e
complexidade dos protocolos.
4.7. O Psicograma
TT - soma dos tempos totais em cada cartão. È exprimido em minutos e segundos (20 a 30
minutos).
T/R - é dada pela soma do tempo total a dividir pelo número de respostas (40 a 60 segundos).
T/Lm - é dado pela soma dos tempos de latência a dividir pelo número de cartões
interpretados. É exprimido em segundos.
Localizações = N x 100
R
Na segunda coluna faz-se a reorganização dos modos de apreensão.
20% a
G
30%
60% a
D
80%
Dd 6% a 10%
Dbl 3%
Do
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O Rorschach
F+% = Número de (F+) + ½ (F±) x 100 (80% a 85%; não é muito válido quando o
número total de F é baixo)
Número total de F
-Sucessão:
- rígida – ordenada – relaxada – incoerente
Refere-se à ordem perceptiva das respostas num cartão, a qual deverá ir sempre do geral
para o particular. Se esta ordem for igual em todos os cartões trata-se duma sucessão rígida;
se for sistemática ao longo de 7/ 8 cartões, é uma sucessão ordenada; se a ordem for
sistemática ao longo de 3/ 4 cartões, estamos perante uma sucessão relaxada ou frouxa; se
esta ordem variar sistematicamente designa-se por incoerente. Nos dois primeiros casos
existe controlo sobre os processos cognitivos.
-Tipo de Apreensão:
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O Rorschach
G D Dd Dbl
O T.R.I. permite aceder ao mundo interno/externo, ou seja, da atitude que o sujeito tem
para consigo próprio e para com o mundo. O mundo (externo ou interno) é enriquecido pelo
outro, e o T.R.I. vai permitir perceber se o sujeito investe mais no externo ou no interno.
Dependendo desta relação, Rorschach distingue 4 tipos de ressonância íntima, distinguindo-
os segundo a sua frequência de aparecimento entre indivíduos normais e, sobretudo, em
doentes mentais, e apresenta as variáveis psicológicas do teste que acompanham esses
tipos. É, portanto, em termos de dados do teste que o TRI é definido, e não em função do
processo psicológico.
- Tipo Extratensivo:
Os tipos extratensivos são dominados por cargas afectivas ou uma excitabilidade cuja
utilização é frequentemente inadequada. Falta-lhes perspectiva na apreciação da realidade
objectiva, mas podem ser espontâneos nas suas reacções. Sendo impulsivos, podem, no
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O Rorschach
limite, ser instáveis. Estas respostas mais emotivas do que pensadas aparecem atenuadas no
tipo extratensivo misto.
A instabilidade torna-os muito maleáveis; o objecto, a realidade exterior, domina-os com
facilidade, mas o relaxamento das funções cognitivas e do controle produz efeitos de
regressão, uma regressão salutar ao serviço do Ego.
- Tipo Introversivo:
Também pode ser puro e misto, conforme as reacções cor C estejam ou não expressas
nele.
No caso do tipo puro a adaptação feita mais pelo pensamento do que pelo afecto. São
sujeitos bastante virados para si próprios. Preocupam-se com a sua própria personalidade. Os
indivíduos observam o objecto, reflectem, são capazes de protelar a acção e a gratificação, e
parecem ter um carácter reservado. Neste sentido, podem ter um bom conhecimento de si
mesmos, talvez estejam conscientes das suas dificuldades, mas podem absorver-se na sua
contemplação imaginária e o seu mundo interior prevalece sobre a realidade exterior.
A reacção do tipo misto é mais impulsiva, sendo os indivíduos muito centrados em si
mesmo mas capazes de incidentes explosivos.
A sintomatologia dos tipos introversivos será, sobretudo, ideacional e só ocasionalmente
comportará descargas afectivas. Encontram-se, portanto, os introversivos nas neuroses
obsessivas e fóbicas, nos estados esquizóides e certas esquizofrenias paranóides.
1 ponto – cada EF
Ao calcular a FC, vamos verificar se ela Consciente
confirma ou informa o TRI. Quando o TRI 1,5épontos – cada E
contraditório com a FC, isso indica que há uma K TRI C
parte inconsciente (recalcada) do sujeito que K FC C
tende a ir contra o consciente.
Inconsciente
- Reactividade Cor (R.C.%):
Percentagem das respostas dadas nos três últimos cartões em relação com o número
total de respostas.
Podemos admitir a situação de teste Rorschach como um triângulo, onde vão aparecer
vários aspectos. Por um lado, num dos vértices, teremos a problemática do testador. Esta
não é anódina, há sempre algo de intrusividade; pode ser um estilo mais directo ou
autoritário, mas há sempre um estilo. No outro vértice poderemos pôr a comunicação da
dinâmica interpessoal na interpretação, isto é, os aspectos transferenciais e contra-
transferenciais. Há um interpenetração de dinâmicas de uma parte e de outra: o que o
sujeito vê em mim e que se repercute na forma como se relaciona com o teste e, por outro
lado, a forma como eu o vejo a ele e que se repercute na forma de eu interpretar os
protocolos. Finalmente, num terceiro vértice temos a dinâmica do teste, isto é, o
regressivo e progressivo no próprio teste.
Quer isto dizer que o Teste Rorschach é feito de movimentos progredientes, ou regras. O
que nós assistimos às vezes é a melhores níveis de funcionamento nuns cartões do que
noutros. Por exemplo, um sujeito pode dar 3 ou 4 respostas perante um mesmo estímulo,
começando por uma resposta de boa qualidade que se vai degradando. Por outro lado, pode
suceder o inverso. Portanto, pode haver uma degradação da resposta ou um melhoramento
da resposta inicial.
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O Rorschach
Quando há uma degradação da resposta, o sujeito tentou fazer face àquele estímulo,
mas os mecanismos de defesa que utilizou não foram suficientemente sólidos para que ele se
aguentasse e daí surgir a queda na qualidade da resposta. São movimentos regredientes.
São, pois, três vértices de uma mesma questão que estão sempre em jogo nesta questão
da avaliação psíquica através do uso das técnicas projectivas. Produz-se, antes de mais, num
contexto, segundo numa interacção e finalmente numa intersubjectividade.
É redutor pensarmos que as respostas produzidas pelo sujeito são produto unicamente do
confronto entre o sujeito e a mancha, de onde estaria evacuado todo o olhar e a presença do
próprio examinador. Esta interacção, esta intersubjectividade, tem expressão no próprio
comportamento e na própria forma do indivíduo se expressar.
- Processo-resposta Rorschach:
O Rorschach é um instrumento para conhecer o que o seu uso provoca; permite revelar
os processos mentais que fundam a relação de objecto e do sujeito com ele próprio, a
representação do objecto e a representação da relação. Permite conhecer as suas
capacidades criativas e de recriação (liga interno e externo e vai criar um novo objecto, uma
criação sua).
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O Rorschach
Contexto;
Relação interpessoal;
Características do próprio estímulo;
Instrução dada ao sujeito.
Revela a forma do sujeito pensar, como articula as ideias entre si. Esta actividade de
pensar faz-se através do processo de ligação e transformação de diversos universos
psíquicos, recriação e criação. A resposta final é a recriação do objecto (produto entre o
interno e o externo). Tem um conteúdo explícito e um conteúdo latente.
- Projecção:
A projecção é utilizada para apreender o real, e pode ser de natureza:
Avaliativa – atribuição de significados e valores.
Ou
A percepção e a projecção estreitamente relacionadas, sendo que uma não existe sem a
outra, permitem a delimitação entre mundo interno e mundo externo e também a
representação do mundo interno e externo.
Está presente quando os sujeitos utilizam estratégias defensivas e pode ser associada a
uma situação de conflito. A ambiguidade do estímulo leva à mobilização da imaginação por
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O Rorschach
parte do sujeito de uma forma activa, o que provoca, numa mesma resposta, a conciliação
entre forças inconscientes e conscientes, tendo em conta a realidade interna e externa; O
sujeito articula o imaginário com a realidade ambígua que lhe é próxima e transforma a
realidade noutra realidade. A resposta global vai ter de levar em conta a fantasia.
O processo projectivo leva a que só sejam acolhidas e investidas pelo sujeito as
percepções e as representações que reactivam traços mnésicos individuais ou que integram
essas reacções num sistema prévio.
(Retroacção)
Cada cartão tem características precisas (embora ambíguas) que se centram em dois
eixos:
1. Eixo da Representação de Si
O conteúdo latente dos cartões pode perturbar o sujeito de tal forma (pressões
fantasmáticas) que ele se refugia no imaginário e perde o contacto com o princípio da
realidade (quase delirante); o contrário também acontece – agarra-se à realidade e revela um
funcionamento mental muito empobrecido.
Os cartões II e III (com vermelhos) e VIII, IX e X (cores pastel), têm características que
permitem ao sujeito situar-se diferentemente e são susceptíveis de permitir ao sujeito uma
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O Rorschach
Uns deixam-se ultrapassar pela ressonância fantasmática ao ponto de ser quase delirante,
outros não conseguem sair da realidade externa, não há nada de si, só o real. A capacidade
de ler os fenómenos é mais protectora para as pessoas.
Cartão I
Mancha cinzenta escura centrada, onde existem 4 lacunas com grandes aberturas de
bordos muito irregulares. Normalmente os modos de apreensão são G, baseando-se na forma
(determinante F). O sujeito é sensível à condição tripartida do estímulo (1 central, 2 laterais).
Esta composição tripartida vai permitir pôr esses diferentes elementos que compõem o
estímulo em relação, seja essa relação entre seres humanos ou entre animais.
Exemplo: “Dois anjos a elevarem uma mulher”. Pode ser uma relação com seres
humanos ou animados, ou então uma resposta securizante ou de perigo.
Neste cartão não há grande reacção à textura (determinante sensorial), e quando isso
acontece são respostas vagas F e sem grande rigor intelectual ou estrutura definida (ex.
“Rochedos”, “Nuvens”). A partir do momento em que o sujeito precisa a sua resposta quanto
à forma, só se pode cotar F+ ou F-
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O Rorschach
As lacunas centrais são pouco interpretadas, embora haja 4 buracos ou espaços brancos, e
que ora passam despercebidas, ora acabam por ser integradas na própria imagem, podendo
trazer consigo elementos de inquietude, desagradáveis, persecutórios (ex. “Uns olhos de um
lobo”).
A tonalidade emocional é quase sempre mais disfórica que eufórica (há pouco entusiasmo),
visto apresentar uma tonalidade depressiva, no entanto, a partir dos buracos brancos podem
também aparecer respostas securizantes, como por exemplo “as janelas da minha casa”.
Quando o sujeito refere que “É uma máscara” remete para o voyeurismo, porque permite ver
sem ser visto.
Este cartão está ligado ao desconhecido, o sujeito não sabe o que vai acontecer a seguir, é
o primeiro contacto com o psicólogo, daí que possa gerar uma certa inquietude. O sujeito
pode tomar uma atitude passiva, socializada, e como tal, dar respostas banais (G F+ ban),
ou então mobilizar as suas forças face ao desconhecido, traduzindo-se em respostas K. A
cinestesia é projectiva e como esta é criativa, há mobilização de recursos. Este cartão reenvia
para a relação com o imago (representação inconsciente) materno todo-poderoso, podendo
ter respostas a um nível mais evoluído, mais relacional, mais lúdico, ou menos evoluído, mais
perturbado, mais ameaçador.
De acordo com o que o sujeito disser podem-se levantar hipóteses quanto à relação com
esse imago interiorizado. Essas hipóteses, essas pistas, têm que ser trabalhadas e têm que
encontrar sentido na relação com o sujeito.
As duas respostas mais comuns são “animal alado” G e “personagem feminino” D central.
A ausência das mesmas levanta um problema, cuja solução só será possível considerando-se
o restante do protocolo.
O “Animal alado” ilustra como o sujeito reage de imediato às situações novas. Neste
sentido, foi possível situar um choque inicial e uma dificuldade de dar início. Uma resposta
banal é a defesa mais comum contra este tipo de choque.
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O Rorschach
A diversidade de tais hipóteses é explicada por um fenómeno mais básico: o sujeito entra
em contacto com o examinador, começando a desenvolver, em relação ao mesmo e à prova,
um processo dinâmico de transferência, no sentido psicanalítico do termo.
Cartão II
Este cartão é composto por uma mancha que inclui a cor negra e vermelha, de estrutura
simétrica, que engloba um grande espaço vazio – o branco. A resposta global G, quando é
dada, é sempre como resultado da mistura das cores (ex. pintura rupestre G impreciso). É
raramente adequada se o determinante for formal, sendo assim, será um F-. Há uma
estrutura bilateral em volta da parte central vazia, onde se insere o vermelho. Este é
importante na medida em que reaviva as pulsões libidinais e agressivas do sujeito.
Exemplo da boa integração destas pulsões através de dois elementos que lutam: “São dois
palhaços que lutam”; ou “Dois elefantes jogando à bola”. Se o sujeito lida mal com as pulsões
agressivas, evita o vermelho interpretando só o preto.
Do ponto de vista emocional, os sujeitos reagem a esta cartão porque é a primeira a incluir
a cor vermelha. A resposta global G mais frequente é: “Dois homens” ou “Dois animais” em
interacção, no entanto, a cinestesia pode ser bloqueada pela perturbação devida à cor. O
branco pode ser interpretado como um buraco, uma falha (ex. entrada para uma gruta).
Também pode ser vista como um objecto, sendo muitas vezes visto como “Um foguetão a
levantar voo num céu cheio de nuvens”. A um nível mais evoluído de respostas estas
remetem para situações de luta, de competição, e a um nível mais primário, menos
evoluído, estas remetem para situações com temáticas destrutivas, ligadas por exemplo, a
explosões e rebentamentos. A problemática da castração é claramente visível, bem como a
angústia que lhe está directamente ligada e os processos defensivos que o sujeito utiliza para
fazer face a essa angústia.
Quando o sujeito em D cinza centr sup indica “Falo” ou em D vermelho inf indica
“Vagina”, o grau de perturbação do sujeito por problemas sexuais vai ser determinado pelo
conteúdo e pelo estilo destas respostas; a perturbação é nítida, se a resposta sexual for
deslocada para o Dbl central, ou se a cartão lhe parecer suja (lama, sangue, menstruação).
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O Rorschach
Cartão III
Este cartão tem os mesmos componentes do cartão II, nomeadamente a cor vermelha, no
entanto, difere desta numa maior abertura ao branco. O modo de apreensão em G refere-se
normalmente à relação que o sujeito estabelece entre as partes negras. A resposta global
neste cartão é tida em reacção aos negros, e ainda que o sujeito não interprete os
vermelhos cota-se G; há uma articulação das duas partes. Trata-se de uma excepção. Não
só é raro surgir uma resposta G que englobe os vermelhos, como também costuma ser
desadequada. Quando o sujeito força a resposta, o estímulo vermelho provoca muitas vezes
respostas delirantes, principalmente com o cartão invertida (ex. “É um monstro de braços
levantados, vê-se o coração”. O sujeito reduz os personagens a imagens internas do
interior do corpo, em vez de projectar uma vivência relacional. Isto significa que a barreira
entre o que é externo e interno não está claramente estabelecida.)
O clima emocional é positivo e este cartão agrada normalmente aos sujeitos. É
frequentemente escolhida como a cartão preferida. O próprio estímulo, por estar próximo da
realidade objectiva, isto é, por evocar facilmente as silhuetas humanas, também pode
levantar problemas por isso, podendo rapidamente adquirir uma tonalidade negativa se o
sujeito se vê confrontado com um outro e esse outro tem dificuldades relacionais. O indivíduo
pode arranjar uma série de estratégias para evitar esse mal-estar, podendo passar pela
encenação de génios, de duplos, de imagens especulares, um eu e um duplo (“Está a ver-se
ao espelho”), podendo ainda passar pela coisificação, numa encenação de figuras humanas
(bonecos, manequins). Os personagens são desvitalizados, o que representa uma relação
complicada com o outro.
Este cartão permite uma identificação (uma identidade sexual) quer masculina (através do
pénis) quer feminina (através dos seios). O resultado simbólico resulta da disposição destas
silhuetas que estão muito próximas da realidade e o sujeito vai poder exprimir a necessidade
de representação de si por um lado, e a representação de si face ao outro, e ainda a
descoberta desse outro e o tipo de relação que é procurada com esse outro, uma relação de
apoio (representação de si e representação da relação).
Este cartão testa muito bem as dificuldades identificatórias (registo do ser – que sou eu? a
que comunidade pertenço? animal, vegetal?) e as dificuldades mais primárias (registo do ter –
quem sou eu?). A ausência da percepção de seres humanos, confirmada pelo inquérito de
limites, faz supor uma incapacidade de identificação com outros seres humanos, que muito
provavelmente é psicótica.
A figura humana percebida sem cinestesia, a incerteza quanto ao sexo, ou o choque a este
cartão, denotam inibição referente à virilidade: o homem teme a sua virilidade, a mulher
teme o contacto com o parceiro sexual.
Os dois personagens são muitas vezes vividos inconscientemente como o par parental e,
nesse caso, o sujeito revela nas suas respostas a sua relação edipiana com os pais.
Dd centr inf (maxilares que se fecham, draga mecânica) tendências paranóides, fobia de
lugares fechados.
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O Rorschach
Cartão IV
Este cartão é composto por uma mancha escura e densa, mais compacta, que se espalha
bastante no cartão. Este cartão é mais próximo do cartão I e é mais sombrio.
O modo de apreensão habitual é global G.
Exemplos:
“Pele de animal (de urso) ” (neste caso não tem esbatimento/textura, pelo que não é E)
No entanto, há sujeitos que, devido ao impacto fantasmático e doloroso que o cartão lhes
provoca, põem em funcionamento o mecanismo de defesa – isolamento. Este é um
mecanismo da série neurótica e mais especificamente das personalidades obsessivas. Ex. o
sujeito em vez de dizer que é um gigante ou um urso, diz que é um pé ou um sapato. Isola
para não ter de se confrontar com a angústia provocada pelo aspecto fantasmático do
estímulo, que reenvia, do ponto de vista simbólico, para a força, para o poder.
Sendo este cartão simbolicamente representativo dessa autoridade, vamos ter reacções
quer positivas quer negativas, na forma como os sujeitos se vão posicionar face a essa
autoridade. Vão haver sujeitos que ou se identificam com essa autoridade ou a ela se
submetem.
Perante este simbolismo, os sujeitos vão dar basicamente dois tipos de resposta:
Isto significa que há sujeitos que dão respostas que valorizam o aspecto da força e outros
que se refugiam numa atitude contrária à da força, dando respostas que dão conta dessa
inconsistência, dessa passividade e do receio à figura de autoridade (ex. resposta “pele” é
uma imagem adaptativa).
Há também um carácter de bipolaridade sexual, mas a dimensão mais explorada é a fálica
(ex. cartão virado ao contrário, D médio central “Um castelo”; “A coroa de um rei” – retrata
a autoridade, a força, o prestígio). Nas respostas a este cartão espera-se esta identificação
com esse símbolo fálico, duma forma valorizada. Uma criança pode identificar-se com o pai e
sentir-se penetrado pela força paterna.
Quando existe um pai violento, o filho ou se submete masoquistamente (porque não tem
autonomia psicológica ou de outra natureza), ou se identifica com ele e vai ser um adulto
sádico, quer com os amigos, quer com as mulheres, os filhos, etc. A crueldade de muitas
crianças que se identificam com o agressor é quase psicótica. Normalmente os violadores
foram muitas vezes maltratados e até violados.
D central superior: “Barco que fende a água, bomba caindo” medo à penetração;
tendências homossexuais;
Cartão V
Este cartão é composto por uma mancha compacta negra, relativamente pequena, com
mais unilateralidade. A regra quase sempre é um modo de apreensão global G, por causa do
carácter maciço e unitário deste estímulo (ex. “Animal alado”, “Morcego”, “Borboleta”, “Uma
dama com uma grande capa aberta”).
No entanto, ainda que não seja muito frequente, existem excepções que podem ser por
exemplo o indivíduo dividir a cartão em duas metades, direita e esquerda (muitas vezes
vistas em oposição), e uma terceira, destacando o D central (um animal, um coelho ou lebre,
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O Rorschach
ou uma pessoa). É muito raro quando existe inversão da relação figura-fundo (“Isto é um
buraco negro”; “A mancha tem um buraco!”).
A tonalidade emotiva é neutra, adaptativa. Este não é um estímulo que levante grandes
questões, pois está muito próximo da realidade objectiva (tal como no cartão III), surgindo
com frequência respostas banais de animais voadores. Algumas vezes este estímulo mostra-
se disfórico, mas só se apresenta como tal, quando a representação de si é difícil.
Devido ao seu carácter unitário, apela também à unidade do sujeito, pelo que quando a
unidade está posta em causa, o estímulo torna-se difícil. Há casos em que isto acontece
quando há um arrastamento da ansiedade que foi gerada pela mancha anterior.
Sempre que se verificam dificuldades no cartão V é preciso ver o que se passou no cartão
anterior.
Quanto ao valor simbólico, pelas características maciças e unitárias deste estímulo, este
cartão apela sobretudo ao sentimento de integridade física e psicológica. É chamada a
cartão da identidade, a representação de si (ego ideal), onde o sujeito expressa a ideia
que faz de si próprio, o que nos remete para uma integridade ao mesmo tempo psíquica e
somática.
G (reduzida ao contorno): “Boca desencarnada, nada mais do que uma boca” signo capital
de esquizofrenia.
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O Rorschach
Cartão VI
Este cartão é composto por uma mancha cinzenta onde predomina o esbatimento
(textura); atravessada por um eixo vertical, que se destaca facilmente do resto daquela
massa inferior compacta, vêem-se duas partes distintas: uma massa compacta em baixo,
atravessada por uma parte saliente.
É uma mancha que pode ser percepcionada quer na sua totalidade (respostas G “pele de
animal”), quer na relação entre o D superior e o D inferior.
Por vezes o eixo central que trespassa a massa compacta é interpretado de acordo com
uma resposta que é mobilizadora de energia natural (“uma erupção vulcânica” kob).
Do ponto de vista simbólico, é uma cartão muita saturada em factores com implicações
sexuais e/ou enérgicas-dinâmicas. Mas nesta cartão, tal como na 4, o que está mais
facilmente implicado na análise do estímulo é muito mais a dimensão fálica, do que a
representação do corpo feminino (o D superior evoca um símbolo fálico, e o Dd central
inferior, um símbolo vaginal).
Dada ser esta dimensão fálica a mais interpretada, pode surgir uma temática ligada a essa
questão, por exemplo “um totem”, que é uma temática mística, ligada ao poder e de
característica paterna. Há também a resposta “foguetão”.
Apesar de serem respostas dinâmicas, estes kob podem também ter um valor agressivo e
destrutivo, pois por vezes os indivíduos defendem-se dessa agressividade através de
respostas que têm o determinante sensorial E, isto é textura. Outras vezes ainda, essa
agressividade manifesta-se com piores características e o sujeito dá respostas residuais
(“lama”; “pano sujo”), de conotação passiva.
Este cartão pode testar a angústia de castração, devido a esta conotação masculina e
feminina. Podemos aperceber-nos disto:
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O Rorschach
Esta alternância constante de movimentos pulsionais que são recusados logo a seguir e
substituídos por outros que os desclassificam, dá-nos conta da problemática da castração.
No que diz respeito à questão da dimensão actividade/passividade, este conflito está ligado
à castração: ter ou não ter. Verifica-se através da sucessão de respostas e da associação que
o sujeito faz, quer intra-cartão, quer inter-cartão. Devemos analisar qual foi o encadeamento
das respostas dadas, ou seja, como é que o sujeito associa uma resposta a outra. E como é
que se vê esta sucessão? O sujeito pode dar uma resposta mais activa e logo a seguir uma
resposta passiva. Assim, face ao estímulo, o conflito joga-se entre actividade e passividade.
D lat inf: “Cabeça de rei” problemas com a autoridade; nível de aspiração elevado
Linha central: “Projéctil (ou navio) cortando a terra, a água ou o ar” tendências
paranóides ou homossexuais
Dd cinza claro: “Ninho, ovo” ou regressão a nível infantil problemas referentes à
procriação.
Para facilitar a análise deve fazer-se a comparação da produtividade dos cartões IV e VI, II
e III, VIII, IX e X com as restantes, e ainda os cartões bilaterais (onde mais facilmente um
sujeito pode encenar uma relação) com as outras.
Cartão VII
A tonalidade emocional reflecte o carácter frágil, ou não, do estímulo, pelo que pode ser
sentido como alguma coisa inacabada, instável (“A entrada de uma gruta em ruínas”), ou,
num sentido positivo, a reacção ao estímulo é de figuras que estão em relação, imagens
lúdicas, de pessoas que gostam de competir (forma saudável de agressividade, que tem a ver
com o prazer dessa relação).
Quanto ao valor simbólico, trata-se de uma cartão feminina, materna, onde o sujeito é
confrontado com a sua primeira relação; o vazio central é vivenciado como colo materno.
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O Rorschach
Cartão VIII
Cartão em cor pastel que se desenha em torno de um eixo médio, com muito branco. Não são
vulgares as respostas em G, e, quando aparecem, integram todas as cores (“Brasão” ou
“Pintura impressionista” F+).
Os D rosas laterais são as partes do cartão mais interpretadas e é aqui que aparecem as
respostas banais “mamíferos”, que são determinadas quase sempre pela forma. Estes
detalhes estão muito próximo da realidade e isso permite ao sujeito evitar a integração da
cor, ou seja, evitar lidar com os afectos. Excepção de cotação: ainda que o sujeito diga que os
animais que vê nestes rosas laterais estão em movimento não se cota kan, e sim DF+ uma
vez que o estímulo já induz resposta movimento. Só se cota kan quando a cartão não está
direita.
A reacção emocional é geralmente positiva, mas a introdução da cor pode ser perturbadora
para o sujeito, daí que, a tonalidade emocional também possa ser negativa. Neste caso as
cores remetem para imagens do interior do corpo através de anatomias, mesmo que sejam
intelectualizadas; se não for esse o caso temos imagens de corpos devorados, danificados,
destruídos. As cores também podem ser utilizadas com o branco no seu carácter esbatido.
Uma resposta típica é “Mármore” ou “Pôr-do-sol no gelo”.
Quando não é vista a resposta animal, vulgar, tem-se um problema análogo ao do cartão V
(sinal de debilidade patológica da ligação do sujeito à realidade).
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O Rorschach
Cartão IX
A estrutura deste cartão faz lembrar os cartões II e VII. É constituída por 3 terços de cores
largamente repartidas sobre um fundo esverdeado.
É um cartão considerado dos mais difíceis e a tonalidade emocional é variável, dependendo
da capacidade do sujeito aceitar ou não a regressão. Este cartão apela à regressão e nem
todos os indivíduos se podem permitir tal coisa. Tem um grande impacto emocional no sujeito
e não há resposta banal para este cartão. A solicitação para esta regressão traduz-se numa
sequência de imagens de conteúdos naturais, frequentemente ligadas ao meio aquático, que
tem a ver com a imagem materna (“Um repuxo de água” kob resposta muito positiva; “Um
vulcão a explodir” resposta sem contornos, mais pulsional, mais vigorosa e regressiva).
Este cartão remete para uma simbologia pré-genital, ou seja, uma temática ligada ao
nascimento e nem todos os indivíduos têm muita facilidade em lidar com esta simbólica, pelo
que muitas vezes o que aparecem são fantasias pré genitais ligadas à gravidez/parto (“ São
dois gémeos a nascerem, a sair do ventre materno” esta é uma resposta muito funcional).
Para chegar a organizá-la como G, é necessário integrar a maior parte dos dados, supondo-
se, (segundo a Psicanálise, estádio genital) uma inteligência superior à média e maturidade
afectiva.
A resposta explosão passou a ser comum neste cartão.
As respostas de cor não ocorrem em grande número, ou são fortemente carregadas de
emoções em geral desagradáveis. Os sujeitos que gostam deste cartão apresentam respostas
de cor elaboradas, isto porque vêem, na relação afectiva com o ambiente social, uma
estimulação fecunda e propícia.
Ao interpretar esta mancha, fica-se frente a frente consigo mesmo, na medida em que a
personalidade esteja mais ou menos bem integrada.
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O Rorschach
R. Schaffer mostrou que a relação transferencial do sujeito para com o examinador atinge o
seu máximo no cartão IX e que as recusas da mesma, muitas vezes, representam uma
reacção à atitude interior hostil do examinador.
Cartão X
Neste cartão predomina, para além da cor, a dispersão. Dadas estas características de
dispersão, remete o sujeito para fantasmas de fragmentação. Solicita o indivíduo para essa
angústia de fragmentação, testa os limites. Se o sujeito é sensível a esta problemática, tem
dificuldade em unir, tornando-se mais fácil detalhar a mancha sem sentir incómodo com isso.
Podem aparecer imagens mórbidas (representações de vísceras; fragmentação ao nível do
corpo).
Através do mecanismo de isolamento, o sujeito pode apreender e interpretar imagens
numa perspectiva mais agressiva, entre animais, ou entre animais e pessoas. Constitui-se a
ruptura da transferência com o examinador: alívio por ter terminado a prova e alegria infantil,
manifesta numa multiplicidade de respostas animais, ou então, cansaço neurótico e reacção
depressiva frente à perda de objecto.
Estimula quase sempre respostas em D.
Este cartão favorece o maior número de respostas vulgares, por exemplo: “A paleta de um
pintor”, “Uma festa”, “Foguetes de Carnaval”, ou “Mancha de óleo que brilha ao sol”. A sua
ausência representa, por isso, um problema.
Limitados até ao momento quanto ao emprego de seus recursos, pela complexidade e
variedade do material, a maioria dos sujeitos pode então mostrar aquilo de que é capaz,
revelarem-se mais espontâneos e adaptados nas suas respostas. Interpretam os cortes uns
após outros, seja integrando bem a cor (lagarta verde, pássaro azul, veado castanho,
cachorros amarelos), seja com cinestesias adequadas (touro avançando, insectos lutando,
aranha correndo sobre a teia, etc.).
Outros, no entanto, perturbam-se com o cartão, devido à cor (reagindo, nesse caso, como
aos cartões já interpretadas), ou devido à extrema dispersão das manchas (sentindo
verdadeiro choque ao despedaçamento). Tal é a reacção dos sujeitos de nível intelectual
baixo, ou daqueles cuja inteligência sofre um sério bloqueio emocional, ou de esquizóides,
mal adaptados em termos profissionais e sociais, vagabundos, afectivamente indiferentes.
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O Cartão X seria ainda uma imagem difusa materna (é interpretada muitas vezes como
“paisagem submarina”. Outros, consideram-na como o cartão do simbolismo familiar, devido
ao grande número de pequenos animais. Merei vê nela a cartão do espaço.
Os sujeitos com uma polaridade histérica tendem a achar este cartão muito bonito,
muito bela, onde tudo é inofensivo, onde só há coisas boas. Dominam os afectos para evitar a
representação e os afectos.
Os sujeitos com uma polaridade obsessiva fazem uma exploração minuciosa, têm
tendência a delimitar, a isolar os perceptos, interpretando com frequência os detalhes.
Privilegiam sempre o modo de apreensão em D ou Dd e até mesmo Do. Está presente uma
temática agressiva que faz com que os sujeitos privilegiem o mecanismo de defesa
isolamento.
Os sujeitos com uma polaridade psicótica têm grandes dificuldades em a interpretar.
Dão respostas muito primárias e mórbidas, dado que a cartão remete para a falta de unidade.
Fragmentação da unidade do Eu, projecção de um Self fragmentado, que não tem unidade
entre as diferentes partes: Self “ilhificado”.
Os sujeitos com uma polaridade fóbica vão invocar (à semelhança das organizações
obsessivas), uma multiplicidade de detalhes animais (D e Dd: insectos, animais, flores, etc.),
um bestiário que provoca a repulsa do sujeito.
Nos sujeitos psicossomáticos, as respostas são dadas através de substantivos (e não de
adjectivos), dado que não têm capacidade de embelezar as coisas.
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