Laudo
Audiológico
Adulto e
Infantil
A elaboração desta cartilha contou com a colaboração das
fonoaudiólogas Cíntia Santos Silva Machado, Cristiane Bueno Sales,
Deborah Lorentz Pinto, Ivna Pereira Penna Vieira e Thaise Martins Campos.
Contribuição:
Comissão de Audiologia do Conselho Regional de Fonoaudiologia
6ª Região:
Presidente: Conselheiro Fabio Heleno Lopes.
Membros da Comissão de Audiologia: Conselheira Najlla Lopes de Oliveira
Burle
Conselheira Thais Moura Abreu e Silva.
Revisores:
Membros da Diretoria do Conselho Regional de Fonoaudiologia
6ª Região:
Presidente: Conselheira Isabella Carolina Santos Bicalho.
Vice-presidente: Conselheira Joana Isabel Drummond de Camargo
Penayo.
Diretora Tesoureira: Conselheira Rafaela Linhares Taboada Gorza.
Diretora Secretária: Conselheira Thais Moura Abreu e Silva.
Assessoria Jurídica do Conselho Regional de Fonoaudiologia 6ª Região:
Dr. Frederico (OAB-MG100.477).
Organização, diagramação e distribuição: Ascom Crefono 6; Tiragem: 3000
exemplares; Distribuição: Gratuita; Ascom Crefono 6: Isadora Dantas
(assessora de comunicação); Letícia Heringer (estagiária).
Conselho Regional de Fonoaudiologia 6ª Região
Av. do Contorno 9787/2° andar
Prado Belo Horizonte | CEP: 30110-943 | [Link]
Índice
Considerações
Laudo Audiológico Infantil
pág 1 Avaliação infantil
pág 3 Importante
pág 5 Considerações para
a avaliação infantil
pág 9 Diagnóstico audiológico
pág 10 Observações
pág 11 O que não fazerr
pág 12 Logoaudiometria
Laudo Audiológico Adulto
pág 13 Aspectos importantes
ao realizar o laudo
O que podemos considerar em
laudos
pág 14 Alguns modelos de laudos
inadequados
Resultado quanto ao tipo
pág 15 Resultado quanto
ao grau da perda
pág 16 Resultado quanto
à configuração audiométrica
Resultado laudo audiológico
pág 17 Considerações acerca
da audiometria na saúde do
trabalhador
Para exames de referência ou para
exames analisados de maneira isolada
Para exames sequencias ou para
exames analisados como conjunto
Referências e Instituições referência
e s
çõ
era
s i d Com o
n
objetivo de
Co
orientar os fonoau-
diólogos na elaboração de
laudos das audiometrias tonais e
vocais em adultos e crianças, dentro
dos princípios técnicos científicos legais
e éticos, este documento foi baseado
no volume 1 do Guia de Orientação na
Avaliação Audiológica do Conselho
Federal de Fonoaudiologia, de
2023, e em referenciais
teóricos.
LEI No 6.965, DE 9 DE
DEZEMBRO DE 1981:
Dispõe sobre a regulamentação da
profissão
de Fonoaudiólogo, e determina outras pro-
vidências.
Art. 4º É da competência do Fonoaudiólogo e de
profissionais habilitados na forma da
legislação específica:
a) desenvolver trabalho de prevenção no que se
refere à área dacomunicação escrita e oral, voz e
audição.
b) participar de equipes de diagnóstico,
realizando a avaliação da comunicação oral e
escrita, voz e audição.
CÓDIGO DE ÉTICA DA FONOAUDIOLOGIA CAPÍTULO III -
DOS DIREITOS GERAIS:
Art. 5º Constituem direitos gerais do fonoaudiólogo, nos limites de sua
competência e atribuições:
III – avaliar, solicitar e realizar exame, diagnóstico, tratamento e
pesquisa; emitir declaração, parecer, atestado, laudo e relatório;
exercer docência, responsabilidade técnica, assessoramento,
consultoria, coordenação, administração, orientação; realizar perícia,
auditoria e demais procedimentos necessários ao
exercício pleno da atividade, observando as práticas
reconhecidas e as legislações vigentes no país.
Art. 10. Constituem deveres do fonoaudiólogo na relação com o
cliente:
VIII – elaborar relatórios, resultados de exames, pareceres e
laudos fonoaudiológicos para o cliente ou seu(s) representante(s)
legal(is), inclusive nos casos de encaminhamento ou
transferência com fins de continuidade do tratamento ou
serviço, na alta ou por simples desistência;
IX – fornecer sempre os resultados de exames, pareceres e laudos
fonoaudiológicos para o cliente ou seu(s) representante(s) legal(is) e,
quando solicitado, relatórios.
Art. 11. Constituem infrações éticas do fonoaudiólogo na
relação com o cliente:
IX – emitir parecer, laudo, atestado, relatório ou declaração que não cor-
respondam à veracidade dos fatos ou dos quais não tenha
participado.
Laudo Audiológico
Infantil
Sabe-se que a avaliação audiológica é sempre um desafio e, por ve-
zes, pode gerar dúvidas no profissional executor do exame. Portanto,
a finalidade destas recomendações é orientar o fonoaudiólogo em
condutas que auxiliem na assertividade do diagnóstico.
A avaliação infantil deve conter anamnese, meatoscopia e os
exames necessários, considerando a queixa e a faixa etária:
Anamnese:
Entender o histórico e
os riscos para a defici-
ência auditiva, com a
finalidade de definir a
técnica certa, sem deixar de lado
os marcos de desenvolvimento
de fala e de linguagem. Além de
observar, criar um vínculo e
conversar com a criança
primeiro, antes de iniciar
a técnica.
Meatoscopia:
A Inspeção do meato acústico externo
é fundamental para verificar se há obstrução nesta
região, o que pode interferir no resultado
correto dos exames.
1
Realização de exames
por faixa etária:
Sugerimos a realização
dos seguintes exames, por
faixa etária:
6 a 24 meses
Imitanciometria,
observação do comportamento
auditivo, audiometria de reforço
0 a 5 meses visual, logoaudiometria (e, se
Imitanciometria, necessário, complementar com
observação do comportamento EOAT, EOAPD, PEATE Click,
auditivo, EOAT, EOAPD, PEATE PEATE FE *ou* PEAEE)
Click, PEATE FE (*ou* PEAEE)
24 a 48 meses
Imitanciometria, acima de 48 meses
audiometria condicionada (ou
audiometria de reforço visual), Imitanciometria,
logoaudiometria (e, se necessário, audiometria, logoaudiometria
complementar com EOAT, EOAPD, (e, se necessário, complementar
PEATE Click, PEATE FE *ou* PEAEE) com EOAT, EOAPD,
PEATE Click, PEATE FE *ou* PEAEE)
2
Importante!
1 O laudo deverá ser o mais claro e objetivo
possível, levando em consideração a coerência com
a fisiologia, os aspectos clínicos, comportamentais, e
a faixa etária da criança.
2 Uma nova avaliação é fundamental caso o laudo não
esteja coerente.
3 Se após a avaliação, ainda houver incoerências, ela
deverá ser remarcada.
4 Se após a remarcação, ainda houver incoerência, é
fundamental realizar avaliação complementar.
3
Vale a pena ressaltar que a confirmação do diagnóstico audiológico
é baseado no Princípio do Cross-Check. O Princípio Cross-Check
norteia a avaliação audiológica infantil e determinando que o resul-
tado de um teste deve ser aceito após confirmação por meio de outro
teste independente. Desta forma, na rotina clínica, faz-se necessária
a definição de um protocolo a ser utilizado, analisando quais as in-
formações adicionais que estão sendo obtidas a cada procedimento
realizado. A realização do exame auditivo de forma isolada, não traz
nenhum dado possível capaz de afirmar ou excluir alguma hipótese
diagnóstica.
4
Considerações para a
avaliação infantil
Exames complementares
Objetivos:: Subjetivos:
Imitanciometria Observação do
comportamento auditivo
EOA
Audiometria de reforço
Potenciais visual/condicionada/
Evocados Auditivos convencional
Logoaudiometria
5
Em relação aos exames objetivos, esses são geralmente realizados
com a criança em estado de repouso, sem muita movimentação,
para que não ocorra interferência no exame. Além disso, o ambiente
deve ser adequado para a realização dos exames, sendo necessário
que este seja silencioso, calmo, sem ruídos externos excessivos e
com a garantia de um bom funcionamento da parte elétrica e
aterramento.
Conhecer as condições de orelha média é fundamental e, para isso,
o exame a ser realizado é a imitanciometria. Sugere-se sempre usar
sonda de 1000 Hz para bebês até 9 meses e, para os demais, pode
ser utilizada sonda de 226 Hz.
Z
Z Z
Z
6
Quanto aos exames subjetivos, em relação
à audiometria, deve-se colocar grau, tipo de perda,
configuração e se a perda é unilateral ou bilateral.
A escolha da classificação quanto ao grau da perda auditiva
fica a critério do profissional. Entretanto, é imprescindí-
vel que o fonoaudiólogo indique qual foi a classifica-
ção adotada, desde que reconhecida e validada
cientificamente. (É importante sempre citar os
autores nos quais se baseou para descrever o
resultado. Lembre-se que o grau da perda
auditiva poderá mudar de acordo com
a referência científica escolhida).
Para a classificação do
tipo da perda, é necessário
sempre considerar limiares
de via óssea. Descrever
como foi realizado o exa-
me e o comportamento
da criança durante a sua
execução.
Quanto ao tipo de
estímulo, podem ser
utilizados estímulos de
tom puro, warble e tom
modulado. É ideal que,
em crianças, seja fone de
inserção, porém, caso não
seja possível, o fone supra
aural pode ser
utilizado.
7
Quando não for possível obter os limiares auditivos da criança, a ava-
liação desta pode ser realizada por meio do PEATE Frequêcia Especí-
fica (exame indicado pelo Joint Committed, 2019) ou pelo Potencial
Evocado Auditivo Estado Estável (PEAEE). É importante ressaltar
que é fundamental saber o limiar auditivo da criança para
definições de condutas a serem adotadas.
Deve-se lembrar que é necessário utilizar técnicas que testem as
orelhas separadamente. Os exames realizados em campo livre, tal
como a Audiometria de Reforço Visual (VRA), são frágeis. A resposta
será da melhor orelha e não verificará o limiar de audibilidade e, sim,
o nível mínimo de resposta.
Deve-se aplicar a técnica adequada à idade, porém, atente-se para o
desenvolvimento neuropsicomotor e de linguagem.
Dependendo do condicionamento e do comprometimento da crian-
ça, outros tipos de resposta podem ser aceitos, mas devem ser
descritos, tais como, expressões faciais e movimentos oculares.
8
Diagnóstico audiológico
Em virtude das especificidades encontradas na avaliação infantil, o
resultado do exame na criança deve ser detalhado em formato de
parecer, contemplando tanto dados qualitativos, quanto quantita-
tivos da avaliação: número de sessões necessárias à finalização da
avaliação; descrição do comportamento e qualidade da interação da
criança com o avaliador; análise da qualidade da fala; exposição dos
resultados obtidos por avaliação realizada; resultado quanto ao tipo
de perda auditiva e possível grau desta; orientações e encaminha-
mentos necessários à equipe multiprofissional; além de outras
informações que o fonoaudiólogo julgar relevantes.
Não colocar o tipo de perda se não conseguir fazer a VO - descrever
somente o grau, informando, também, a importância de realizar ava-
liação objetiva.
A Organização Mundial de Saúde recomenda que junto ao Laudo
audiológico, constem, também, as informações da CIF (Classifica-
ção Internacional de Funcionalidade).
No laudo, deve constar, quando algum procedimento não é realiza-
do, sugestão de retorno posterior ou avaliação objetiva comple-
mentar.
9
Observações
5 a 30 meses
1 quanto ao tipo de resposta:
a) Localização da fonte, respostas
de procura da fonte, apontar,
imitar o som, expressões faciais.
2 quanto ao estímulo:
a) Tom puro, tom puro modulado,
ruídos.
3 quanto ao local:
a) Descrever se o exame foi realizado
com fones (supra-aural ou inserção)
e se foi realizada a via óssea. Caso te-
nha sido realizado em campo livre, é
importante deixar claro se o exame
foi realizado com ou sem o uso de
dispositivos auditivos. Caso o objeti-
vo do exame seja realizar a pesquisa
do Ganho Funcional, citar o disposi-
tivo auditivo utilizado no momento
da avaliação (aparelhos auditivos,
implante coclear e prótese auditiva
ancorada no osso).
10
O que não fazer
1 Colocar tipo sem fazer VO para as duas orelhas,
separadamente. Escrever os valores encontrados em dB, com fone
para limiares tonais e NMR para campo livre, por frequência.
Recomendação: “Foram encontrados, na VRA, limiares auditivos to-
nais de 10 dB ( 500 Hz), 10 dB(1000 Hz), 10 dB( 2000Hz) e 15 dB( 4000
Hz)” sem uso de mascaramento, assim as respostas são da melhor
orelha.
2 Escrever apenas o grau: perda de grau moderado.
Recomendação: “Perda auditiva de grau moderado”, é necessária a
complementação diagnóstica objetiva.
3 Escrever: não foi possível realizar o exame de VRA.
Recomendação: Na data, submetemos a criança à VRA, mas não
conseguimos, neste momento, obter respostas consistentes, e suge-
rimos avaliação complementar.
11
Logoaudiometria
Contribui para a obtenção de informações sobre as habilidades de
detecção e reconhecimento de fala e é uma avaliação qualitativa
da audição. O ideal na avaliação auditiva infantil é que se trabalhe
com um questionário fechado, ou seja, já tendo um parâmetro prévio
das respostas possíveis. Este trabalho deve ser realizado e passado
à família no primeiro encontro, onde deve-se fazer uma pesquisa do
universo da criança (buscar sempre no concreto, tais como, animais/
alimentos/ partes do corpo, etc).
12
Laudo Audiológico
Adulto
Aspectos importantes
ao realizar o laudo
• O laudo está claro e objetivo?
• O laudo descreve bem os achados do audiograma?
• Em relação à fisiologia, o resultado é coerente?
• Os aspectos clínicos e comportamentais do exame foram
transmitidos?
• O laudo está referenciado?
SEMPRE avaliar o exame como um todo e, sempre que possível,
fazer o CROSSCHECK:
Anamnese + Comportamento auditivo do paciente + Audiometria
Tonal + Logoaudiometria + Timpanometria + Reflexos acústicos +
Teste de Weber + o que mais for necessário!
O profissional deve basear-se em uma bateria de exames, levando
sempre em consideração a singularidade de cada caso, a história
clínica do sujeito, o seu comportamento auditivo (inicia-se desde o
momento que chamamos o paciente na recepção) e a linearidade
entre os resultados obtidos.
O que podemos
considerar em laudos
Avaliação Audiológica normal: Limiares auditivos dentro dos
padrões de normalidade (Referência, ano).
Em caso de perda auditiva, considerar as classificações de tipo,
grau e configuração, sempre que aplicáveis.
13
Alguns modelos
de laudos inadequados
Perda auditiva do tipo sensorioneural de grau leve a severo;
Perda auditiva do tipo sensorioneural de grau moderado a
profundo;
Rebaixamento auditivo na(s) frequência(s) de laudos audiológicos;
Perda auditiva sensorioneural, de grau normal, com
configuração xxx;
Audição normal para média tritonal, com perda auditiva
a partir de xxx;
Limiares auditivos normais, exceto em xxx.
Existe um conceito utilizado frequentemente nos laudos, porém
erroneamente! Alguns profissionais descrevem “Audição normal”
nos laudos audiológicos.
Entendemos como “Audição normal” toda a via auditiva periférica e
central. Portanto, ao realizar a Audiometria Tonal, avaliamos apenas
orelha externa, média e interna, ou seja, somente uma parte desse
sistema auditivo (sistema auditivo periférico). Recomendamos que
este termo não seja utilizado nos laudos audiológicos da Audiome-
tria Tonal.
Notas importantes:
As classificações de grau de perda auditiva padronizadas e validadas,
utilizam a média de três a quatro frequências, sempre de acordo
com a referência e o ano utilizados.
O grau da classificação da perda auditiva é justamente para PERDA
AUDITIVA, ou seja, para o grau de deficiência.
Na ausência de médias tritonais ou quadritonais que atinjam valores
mínimos para a classificação de grau de perda auditiva leve, nortea-
mos a omissão da classificação de grau, no laudo audiológico.
14
No caso de limiares alterados em frequências onde não se realiza via
óssea (250Hz, 6kHz, 8kHz), não se deve colocar o tipo da perda
auditiva. Colocar somente perda auditiva na(s) frequência(s) XXX.
O resultado audiológico deve conter tipo, grau, configuração e late-
ralidade da perda auditiva (sempre que aplicável), de acordo com a
literatura adotada.
Resultado quanto ao tipo
da perda
A classificação do tipo de perda auditiva tem por objetivo realizar o
topodiagnóstico da alteração.
Sugere-se a descrição com base nos autores Silman e Silverman
(1997).
Resultado quanto ao grau
da perda
Para a classificação da perda auditiva, quanto ao grau, são encontra-
das na literatura diversas recomendações.
A escolha da classificação, quanto ao grau de perda auditiva, fica a
critério do profissional. Entretanto, é imprescindível que o fonoau-
diólogo indique qual foi a classificação adotada, desde que reco-
nhecida e validada cientificamente.
É importante ressaltar que não é possível estabelecer grau de perda
auditiva por frequência isolada.
15
A Organização Mundial de Saúde
(2021) publicou material intitulado
World Report on Hearing, no qual
utilizou a classificação dos
graus de perda auditiva, consi-
derando a média quadritonal
de 20 dB como sendo uma per-
da auditiva de grau leve. E, recomen-
dou, ainda, que seja vista juntamen-
te com a Classificação Internacional
de Funcionalidade (CIF). Importan-
te ressaltar a necessidade de se ter
mais estudos nacionais utilizando
esta classificação associada à CIF.
Resultado
quanto à configuração
audiométrica
Esta classificação leva em consideração a
configuração dos limiares de via aérea de
cada orelha.
Esta classificação é de suma importância,
uma vez que a configuração da curva audio-
métrica pode, muitas vezes, sugerir uma pro-
vável etiologia.
Sugere-se a classificação da configuração
com base na tabela final dos autores Silman
e Silverman (1997), adaptada de Carhart
(1945) e Lloyd e Kaplan (1978).
16
Coles, Lutman e Buffin (2000) elucidaram algumas diretrizes com o
objetivo de auxiliar o diagnóstico de PAINPSE. Neste estudo, os au-
tores definem entalhe audiométrico quando os limiares auditivos em
3 kHz, 4 kHz ou 6 kHz são maiores que 10 dB, se comparados com os
limiares de 1 kHz ou 2 kHz e 6 kHz ou 8 kHz.
No caso de curvas audiométricas que realmente não se enquadram
nas configurações descritas pelos autores citados acima, sugere-se
utilizar o termo “traçado irregular” e citar o autor Carhart (1945).
Resultado do
laudo audiológico
O resultado audiológico deve ser esclarecedor. Para isso, deve
descrever a normalidade ou a perda auditiva.
Nos casos em que for identificada qualquer alteração auditiva,
apenas os dados referentes à perda auditiva devem constar no re-
sultado.
O laudo audiológico não se baseia apenas em médias tritonais ou
quadritonais. Deve levar em consideração a análise completa de to-
dos os limiares de via aérea e de via óssea.
O tipo de perda deve ser descrito se tiverem frequências, em que se
realiza a via óssea, alteradas.
O grau deve ser descrito apenas se a média tritonal ou a média qua-
dritonal estiverem alteradas, conforme o autor escolhido.
A configuração deve ser descrita sempre que possível.
É imprescindível citar na ficha audiológica os autores nos quais
se baseou para descrever o resultado audiológico, podendo ser em
17
nota de rodapé ou em formato de quadros pré impressos.
O grau da perda auditiva poderá mudar de acor-
do com a referência
18
Considerações acerca da
audiometria na saúde do
trabalhador
A audiometria tonal liminar com finalidade ocupacio-
nal deve ser realizada utilizando-se os mesmos critérios
técnicos e metodologia da audiometria tonal liminar com fi-
nalidade clínica. Toda audiometria, independentemente de
sua finalidade, deve contemplar um laudo indicando se
os resultados estão dentro dos padrões de normali-
dade ou se existe uma perda auditiva. Em caso de
perda auditiva, deve-se caracterizar os achados
quanto ao tipo, grau, configuração, simetria e
lateralidade, sempre que aplicável.
Para o laudo da audiometria com finalidade
ocupacional, deve-se utilizar como padrões de
normalidade a referência legal do Anexo II da
NR-7, que considera dentro dos limites
aceitáveis os casos cujos audiogramas
mostram limiares auditivos menores ou
iguais a 25 (vinte e cinco) dB (NA), em
todas as frequências examinadas.
Destaca-se ainda que é direito do trabalhador o acesso aos seus exa-
mes audiométricos conforme o Código de Ética da Fonoaudiologia.
Além dos critérios reconhecidos e publicados para caraterização do
laudo de perdas auditivas, identificadas por meio da audiometria
tonal limiar (tipo, grau, configuração, simetria e lateralidade), a análise
do resultado da audiometria tonal limiar com finalidade ocupacional
deve ser realizada dentro do contexto do Programa de Conservação
19
Auditiva (PCA). E para este objetivo, deve-se considerar obrigatoria-
mente os parâmetros preconizados pelo Anexo II da NR 7 do
Ministério do Trabalho e Emprego - CONTROLE MÉDICO
OCUPACIONAL DA EXPOSIÇÃO A NÍVEIS DE PRESSÃO
SONORA ELEVADOS, publicado pela Portaria SEPRT
n.º 6.734, de 09 de março de 2020.
De acordo com o Anexo II da NR 7, para
organização dos indicadores de saúde auditiva
(prevalência e incidência) do PCA, os exames
audiométricos devem ser interpretados
conforme os seguintes
critérios:
20
Para exames de referência
ou para exames analisados
de maneira isolada
• Item 5.1 do Anexo II da NR 7: São considerados dentro dos limites
aceitáveis, para efeito deste Anexo, os casos cujos audiogramas
mostram limiares auditivos menores ou iguais a 25 (vinte e cinco)
dB (NA) em todas as frequências examinadas.
• Item 5.2 do Anexo II da NR 7: São considerados sugestivos de
Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados
(PAINPSE) os casos cujos audiogramas, nas frequências de 3.000
e/ou 4.000 e/ou 6.000 Hz, apresentem limiares auditivos acima
de 25 (vinte e cinco) dB (NA) e mais elevados do que nas outras
frequências testadas, estando estas comprometidas ou não, tanto
no teste da via aérea quanto da via óssea, em um ou em ambos os
lados.
• Item 5.2.1 do Anexo II da NR 7: Não são consideradas alterações
sugestivas de PAINPSE aquelas que não se enquadrem nos crité-
rios definidos no item 5.2 acima.
Para exames sequencias
ou para exames analisados
como conjunto
21
• Item 5.3 do Anexo II da NR 7: São considerados sugestivos de
desencadeamento de PAINPSE os casos em que os limiares au-
ditivos em todas as frequências testadas no exame audiométrico
de referência e no sequencial permaneçam menores ou iguais a
25 (vinte e cinco) dB (NA), mas a comparação do audiograma se-
quencial com o de referência mostra evolução que preencha um
dos critérios abaixo:
a) a diferença entre as médias aritméticas dos limiares auditivos no
grupo de frequências de 3.000,
4.000 e 6.000 Hz iguala ou ultrapassa 10 (dez) dB (NA);
b) a piora em pelo menos uma das frequências de 3.000, 4.000 ou
6.000 Hz iguala ou ultrapassa 15
(quinze) dB (NA).
• Item 5.3.1 do Anexo II da NR 7: São considerados também suges-
tivos de desencadeamento de PAINPSE os casos em que apenas
o exame audiométrico de referência apresente limiares auditivos
em todas as frequências testadas menores ou iguais a 25 (vinte e
cinco) dB (NA), e a comparação do audiograma seqüencial com o
de referência preencha um dos critérios abaixo:
a) a diferença entre as médias aritméticas dos limiares auditivos no
grupo de frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz iguala ou ultrapassa
10 (dez) dB (NA);
b) a piora em pelo menos uma das frequências de 3.000, 4.000 ou
6.000 Hz iguala ou ultrapassa 15 dB (NA).
• Item 5.4 do Anexo II da NR 7: São considerados sugestivos de
agravamento da PAINPSE os casos já confirmados em exame au-
diométrico de referência e nos quais a comparação de exame au-
diométrico seqüencial com o de referência mostra evolução que
preenche um dos critérios abaixo:
a) a diferença entre as médias aritméticas dos limiares auditivos no
grupo de frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz, ou no grupo de fre-
quências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz iguala ou ultrapassa 10 (dez) dB
(NA);
b) a piora em uma freqüência isolada iguala ou ultrapassa 15 (quinze)
dB (NA).
22
Exames estáveis: São considerados exames estáveis, aqueles exa-
mes audiométricos sequenciais que, em comparação com o exame
audiométrico de referência, não apresentam evoluções que preen-
cham os critérios anteriores.
Por fim, é importante deixar claro que a utilização dos parâmetros
preconizados pelo Anexo II da NR 7 não substitui os critérios usados
para laudo do exame audiométrico (tipo, configuração, grau, simetria
e lateralidade). São classificações complementares que se aplicam à
objetivos diferentes, dentro da análise da saúde auditiva do trabalha-
dor.
Resumo esquemático dos critérios:
23
24
Referências
1 AMERICAN SPEECH-LANGUAGE ASSOCIATION (ASHA).
Guidelines for audiometric symbols. Suppl 2, p. 25-30, 1990.
2 ______. Audiometric symbols [Guidelines]. 1990. Disponível em
[Link] [Link]/policy/GL1990-00006/. Acesso em 22/04/2023
3 ______. Configuration of Hearing Loss. 2015. Disponível em: ht-
tps://www. [Link]/public/hearing/Configuration-of-Hearing-Loss/.
Acesso em 22/04/2023.
4 NORTHERN, J. L.; DOWNS, M. P. Hearing in children. 5 ed.
Philadelphia: Lippincott, Williams e Wilkins. 2002.
5 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). World report on
hearing, 2021. Disponível em: [Link]
item/9789240020481. Acesso em 22/04/2023.
6 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevention of blind-
ness and deafness. 2014. Disponível em: [Link]
afness/hearing_ impairment_grades/en. Acesso em 22/04/2023.
7 JERGER, J; SPEACKS, C.; TRAMMELL, J. A new approach to speech
audiometry. J Speech Hear Disord, v. 33, p. 318, 1968.
8 JERGER, J. Clinical experience with impedance audiometry. Arch
Otolaryngol. v. 92, n. 4, p. 311-24, out, 1970.
9 JERGER, J.; JERGER, S.; MAULDIN, L. Studies in impedance
audiometry. Normal and sensorineural ears. Arch. Otolaringol., v. 96,
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10 JERGER, S.; JERGER, J. Alterações auditivas: um manual para
avaliação clínica. São Paulo: Atheneu. 1989.
11 AMERICAN Speech-Language-Hearing Association. Guidelines
for competencies in auditory evoked potential measurement and
clinical applications [Knowledge and Skills], 2003. Disponível em:
[Link]/policy.
12 CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA (CFFa). Guia de
Orientação na Avaliação Audiológica. 2023. Disponível em: https://
[Link]/comunicacao/guia-de-orientacao-na-a-
valiacao audiologica-2/. Acesso em: 06/07/2024.
25
Instituições referência
Referências Internacionais:
1 AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION
(ASHA). American Speech-Language-Hearing Association.
Disponível em: [Link] . Acesso em: 06 set. 2024.
2 JEHDI 2019. Year 2019 Position Statement: Principles and
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Journal of Early Hearing Detection and Intervention: Volume 9 Issue 1,
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Federal de Fonoaudiologia. Disponível em: [Link]
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2 ACADEMIA BRASILEIRA DE AUDIOLOGIA (ABA). Portal da
Academia Brasileira de Audiologia. Disponível em: [Link]
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