Plano de Ação na Educação Infantil SP
Plano de Ação na Educação Infantil SP
Indicadores de Qualidade
da Educação Infantil Paulistana
O PAPEL DO
PLANO DE AÇÃO
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO
Fernando Padula
CHEFE DE GABINETE
Ronaldo Tenório
Indicadores de Qualidade
da Educação Infantil Paulistana
O PAPEL DO
PLANO DE AÇÃO
VOLUME 4
VERSÃO PRELIMINAR
ELABORAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
Bruna Ribeiro
Juliana Manso Presto
Tathiana Augusta Rodrigues Lourenço Martinez
Thiago Pacheco
GRUPO DE TRABALHO
LEITURA CRÍTICA
Bruna Galluccio Ferreira
Cristiane Aparecida Domingos de Oliveira
Fabiana Lopes Laurito
Lilith Neiman
Mariana Cuisse Lopes Suller
Monica da Silva Valadão
Priscila Aparecida Santos de Oliveira
Sandra Nogueira Viana
Avaliação da qualidade
na Educação Infantil 1
Fins e princípios
da autoavaliação 2
Aspectos metodológicos
da autoavaliação 3
O papel do
plano de ação 4
O fortalecimento
da gestão democrática 5
4
6
A escuta e a participação
de bebês e crianças em
autoavaliações
7 Relações étnico-raciais
e de gênero
8
A dimensão do cuidado
na educação de bebês
e crianças
9 O desemparedamento
de bebês e crianças e o brincar
na e com a natureza
10 Porque a história
tem que continuar...
5
Temas abordados
Avaliação da qualidade na Educação Infantil
1
• O que significa avaliar
• Avaliação informal e formal
• O que significa avaliar a qualidade
• Quais os tipos de avaliação na Educação Infantil
• Critérios de qualidade
2
• O que é uma avaliação institucional participativa
• Princípios da autoavaliação institucional participativa
• Antecedentes do documento paulistano
• Linha do tempo histórica: 10 anos de construção de uma cultura da autoavaliação participativa
• As dimensões de qualidade almejadas para a(s) infância(s) paulistana(s)
3
• A construção da qualidade em participação
• Proposta metodológica
• A metodologia do uso das cores
• A participação de familiares/responsáveis
• O fortalecimento de uma cultura da autoavaliação institucional participativa
4
• Avaliei, e agora?
• A autoavaliação e sua capacidade de produzir evidências do cotidiano
• O plano de ação e sua capacidade de produzir consequências para o cotidiano
• Consequências da autoavaliação para as políticas públicas
• Consequências da autoavaliação para as Unidades Educacionais
5
• A construção da qualidade por meio da gestão democrática
• A autoavaliação e o fortalecimento da gestão democrática
• A autoavaliação e a produção de insumos para a construção do PPP
• Gestão democrática na prática: relatos de experiência
• Gestão democrática e Indicadores todos os dias
6
A escuta e a participação de bebês e crianças em autoavaliações
• participação dos bebês e das crianças como princípio inerente à qualidade na/da Educação Infantil
A
• Participação, escuta e autoria de bebês e crianças: afinal, do que estamos falando?
• A escuta de bebês e crianças em avaliações
• Desafios ético-metodológicos na escuta de bebês e crianças em autoavaliações
• Construindo a participação cotidiana e permanente de bebês e crianças
7
• Educação étnico-racial, não xenofóbica para a equidade de gênero e o compromisso social da escola pública
• Educação antirracista e equidade de gênero perpassando todas as dimensões
• A dimensão 5 como dispositivo de luta em direção às práticas antirracistas e não sexistas
• Educação antirracista de janeiro a janeiro
• O fortalecimento do planejamento e da intencionalidade docente
8
• Cuidado: a essência do ser humano
• A ética do cuidado
• A dimensão do cuidado na Educação Infantil
• A dimensão do cuidado nos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana
• A dimensão cotidiana do cuidado na educação de bebês e crianças: relatos de experiência
9
O desemparedamento de bebês e crianças e o brincar na e com a natureza
• Um mundo em colapso: o que a Educação Infantil tem a ver com isso?
• A natureza como local de (re)encontro conosco
• Desemparedar é preciso para retomada da importância do corpo e da experiência na aprendizagem
• Brincadeiras arriscadas e perigosas: a necessária distinção
• Materialidades e suas potencialidades
10
Porque a história tem que continuar...
• O leito de Procusto e os perigos das avaliações de tamanho único
• Superando o discurso da “qualidade de antigamente”
• Construindo a qualidade social na Educação Infantil
As 9 Dimensões de Qualidade
da Educação Infantil Paulistana
Dimensão 3 – M
ultiplicidade de experiências e linguagens
em contextos lúdicos para as infâncias.
Dimensão 4 – Interações.
Dimensão 8 – F
ormação e condições de trabalho das educadoras
e dos educadores.
Dimensão 9 – R
ede de proteção sociocultural: Unidade Educacional
família, comunidade e cidade.
Fonte: Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana. São Paulo: SME/DOT, 2016.
Sumário
Consequências da autoavaliação
para as políticas públicas......................................................... 17
Consequências da autoavaliação
para as Unidades Educacionais...............................................22
Referências .............................................................................44
Anexo....................................................................................... 47
Criança correndo. Arthur, 5 anos.
“Plano é quando
você tem uma ideia
e fica correndo atrás dela”.
(Heitor, 5 anos)
Escuta e coleta do desenho e fala realizadas pelas Prof.as Marcia Carozzi, Alana Silva Brito e pela
assessora Bruna Ribeiro.
10
Avaliei, e agora? A autoavaliação
e sua capacidade de produzir
evidências do cotidiano
11
de diretora, explicita o quanto o processo de produzir evidências
convida todos os atores a um estado de abertura e questionamen-
tos com vistas à produção de consensos possíveis. Neste ato em
que diferentes culturas se encontram e confrontam (no sentido
construtivo da palavra) é como se a “escola fosse colocada em
uma espécie de raio x”, em que suas estruturas são esmiuçadas e
ficam à mostra para todas e todos:
12
transformação de ideias, de práticas, do cotidiano, de pessoas e/
ou de políticas.
Isso significa que a avaliação, necessariamente, precisa gerar
consequências e ações em diferentes âmbitos.
Historicamente, os resultados das avaliações, muitas vezes,
eram apenas utilizados por terceiros, ou seja, as(os) informan-
tes da avaliação não participavam do processo de análise e uso
dos resultados.
A autoavaliação institucional participativa, entretanto, bus-
ca subverter essa lógica a partir da construção de uma cultura
da avaliação em que todos os sujeitos envolvidos no processo
educativo se vejam como parte do processo de mudança e com
governabilidade para, em algum nível, realizar transformações vi-
sando à melhoria da qualidade na educação.
Não se trata, obviamente, de defender que a instituição edu-
cacional deve sozinha ser a única responsável pela garantia da
qualidade, o que não seria possível, uma vez que a qualidade para
ser alcançada precisa ser fruto de “uma série de ações e esfor-
ços conjuntos entre diferentes instâncias de atuação e decisão”
(Ribeiro, 2018, p.66), ou seja, a qualidade precisa ser fruto de um
processo de corresponsabilização.
No documento “Avaliação no contexto escolar: vicissitudes
e desafios para (res)significação de concepções e práticas”, pu-
blicado pela SME, em 2020, sob a coordenação da professora
Sandra Zákia Sousa, o capítulo que discorre sobre as principais
características da avaliação institucional destaca, com base nos
estudos de Sordi (2012), que esta modalidade avaliativa “deve
demandar de todos os atores, inclusive do poder público, a
13
implementação de ações que venham solucioná-los ou minimi-
zá-los”, o que significa que “a demanda deve recair sobre todos
e cada um, pois os processos de avaliação institucional pressu-
põem relações compartilhadas, cabendo responsabilidade a cada
um” (São Paulo, 2020, p.107).
Nesta perspectiva, não só o processo de definição da qualida-
de é compartilhado, mas a responsabilidade também. No entan-
to, mudar todo um imaginário arraigado em uma cultura de avalia-
ção baseada no controle e construir a cultura da participação nem
sempre é fácil. O processo exige disponibilidade e persistência
de todas(os) as(os) envolvidas(os) e exige ações no âmbito da
gestão municipal e das Unidades Educacionais para fomentar o
diálogo e a gestão democrática.
Diversos estudos, como os de Ribeiro e Gusmão (2011) eviden-
ciam que há uma tendência inicial em processos participativos de
se atribuir a responsabilização pelas mudanças apenas a terceiros,
ou seja, a atores e instâncias fora da instituição educacional, o que
resultaria em um Plano de Ação em que as demandas externas
(exógenas) são avaliadas com a cor vermelha, e as demandas in-
ternas (endógenas) com a cor verde.
Mudar esse cenário, fazendo com que todas(os) possam as-
sumir sua parcela de responsabilidade, por meio de uma cultura
da participação autêntica e legítima, exige tempo e precisa ser
compreendido como algo processual em que, quanto mais se
participa, mais se aprende a participar, quanto mais se partici-
pa de processos de tomada de decisão, mais se amadurece a
corresponsabilização.
14
Esse processo que começa internamente e vai se expandindo,
ultrapassando os muros da escola, é alvo das reflexões e relato da
Assistente de Direção Fernanda Diz, conforme expresso, a seguir:
15
atores locais, convidando-os a serem protagonistas no processo
de transformação (para melhor) do cotidiano.
Nesse sentido, podemos considerar, juntamente com o que
defendem Machado e Formosinho (2016), que o processo de
planejar e buscar a mudança já é, por si só, um processo peda-
gógico e de aprendizagem para todas(os) as(os) envolvidas(os),
pois propicia que uma organização busque se tornar uma comu-
nidade de aprendizagem.
Reconhecer que a realização da autoavaliação gera proces-
sos formativos e de aprendizagens não significa, porém, mini-
mizar a importância dos usos das evidências produzidas durante
o processo, pois tão importante quanto avaliar é garantir que a
avaliação se reflita no planejamento de ações, tanto no âmbito
da Unidade Educacional, colaborando para a revisão do Projeto
Político-Pedagógico da Unidade e para o planejamento cotidiano
das(dos) profissionais, como subsidiando o planejamento de polí-
ticas públicas da cidade.
Em outras palavras, podemos dizer que tanto o processo
como os resultados da autoavaliação têm um potencial formati-
vo importante para todas(os) as(os) envolvidas(os), uma vez que
geram o fortalecimento de diferentes atores e um pacto coletivo
para a transformação do cotidiano pedagógico e das políticas
públicas, contribuindo assim para a gestão democrática em di-
ferentes instâncias.
A seguir, discorremos sobre a necessidade de a autoavaliação
e suas evidências serem transformadas em planos concretos e
objetivos, tanto do ponto de vista da gestão municipal como no
âmbito das Unidades Educacionais.
16
Consequências da autoavaliação
para as políticas públicas
17
Figura 1 – Fluxo percorrido pelas demandas exógenas
18
Como podemos observar pela figura anterior, não é tarefa
simples e banal buscar construir uma política com base na par-
ticipação de distintos segmentos, ainda mais, se levarmos em
consideração o tamanho da rede de Educação Infantil paulistana
e sua complexa organização.
A título de ilustração do processo, apresentamos, a seguir, um
exemplo da etapa 4 descrita anteriormente, ou seja, a sistemati-
zação das demandas enviadas à SME pelas 13 DREs que, por sua
vez, foram enviadas às DREs por todas as Unidades de Educação
Infantil da Rede. A figura, a seguir, expressa as demandas gerais de
todas as DREs provenientes da autoavaliação realizada em 2022.
4,8%
9,19% Formação
8,17% Tecnologia
Divulgação/programação CEUs
Ações CEFAI
Fonte: SME/COPED/DIEI-2024
1.1 DIEI
1.3 DA
2. COPLAN
1.4 DC
3. COGED
1.5 DF
4. COMPS
1.6 CM
5. COTIC
6. CODAE
7. COMPRE
8. COSERV
SME 9. COGEP
10. COCEU
11. CME
12. CAE
13. CRECE
16. SAÚDE
17. CULTURA
20
Figura 4 – Demandas DRE
FORMAÇÃO
CEFAI/PAAI
DIPED
NAAPA
DIAF
DRE TECNOLOGIA
SUPERVISÃO
DICEU
OUTROS
21
• Verificar setores que estão mais distantes das Unidades e
propor ações que melhorem a comunicação e a integração.
• Mapear as necessidades de reforma e adequação dos pré-
dios, incluindo-as no Plano das DREs e da SME.
• Identificar necessidade de adequação de mobiliários que
atendam às especificidades dos bebês e das crianças pe-
quenas, planejando as compras.
• Identificar demandas de recursos humanos nas Unidades,
promovendo ações para supri-las.
• Implementar ações que promovam integração entre
Unidades e rede de apoio, e maior articulação entre os dis-
tintos setores da SME.
• Implementar ações que promovam a integração entre SME
e outras Secretarias do município, a fim de consolidar um
projeto de cidade educadora.
Em suma, podemos dizer que a análise dos dados provenien-
tes das demandas exógenas permite a identificação de importan-
tes elementos que podem fomentar ações, políticas e planeja-
mento no âmbito da Cidade de São Paulo.
Consequências da autoavaliação
para as Unidades Educacionais
A autoavaliação é um processo importante para que toda a comu-
nidade educativa reflita sobre o trabalho educativo e planeje
ações e estratégias em direção à qualidade almejada.
O diagnóstico proporcionado pela autoavaliação tem potencial
para auxiliar na elaboração de planejamentos ricos e significati-
vos, pois nasce do diálogo e da percepção dos sujeitos que vivem
22
diariamente os desafios identificados. O Plano de Ação é uma pe-
ça-chave para engendrar os processos de transformação no coti-
diano, mas, para que esse processo ocorra de forma satisfatória,
alguns cuidados precisam ser levados em consideração. Em espe-
cial, destacamos três pontos-chave:
23
saber o destino. Isso porque o Plano de Ação atua como uma es-
pécie de bússola para que o coletivo se guie e não se perca ante
as inúmeras demandas que surgem no dia a dia, uma vez que
explicita as prioridades do coletivo em consonância ao Projeto
Político-Pedagógico da Unidade.
E como podemos elaborá-lo de uma forma eficiente para que
reflita o cotidiano da Unidade Educacional?
Nos volumes anteriores, já refletimos sobre aspectos que podem
ser levados em consideração previamente à etapa de elaboração do
Plano de Ação (discussão das cores, da metodologia, dos fins da
avaliação). Esses cuidados metodológicos auxiliam para que as co-
res expressem, o mais fielmente possível, a realidade de cada con-
texto. Importante lembrar que a cor nada mais é do que a avaliação
de dada situação, ação e/ou atitude, por isso, na hora de situá-la no
Plano de Ação, é essencial que ela seja descrita de forma concreta
e objetiva, se atendo a fatos e dados e não a menções genéricas. A
seguir, elencamos alguns pontos1 de atenção e sugestões a serem
levadas em consideração na etapa de elaboração do Plano de Ação:
Pontos de atenção
• Evite o uso de adjetivos e procure descrever o fato, a situação,
com o maior detalhamento e objetividade possível. Ex.: em
vez de apenas sinalizar como problema “Falta de bons recur-
sos pedagógicos” (Plano de Ação de um CEI), busque situar
com exemplos práticos o que seria um “bom” recurso (livros,
materialidades, mobiliário, outros), para que fins esse recurso
será utilizado etc. Quanto melhor for a descrição do problema,
mais fácil será o encaminhamento da ação/solução.
1 Os itens foram construídos com base na análise de Planos de Ação (Campos, Ribeiro, 2013 -
2017) e relatos de experiência (2022 - 2023) de profissionais da rede paulistana.
24
• Tenha em mãos o Plano de Ação do ano anterior para con-
sulta, ele poderá ajudar e guiar o grupo, que poderá iden-
tificar as ações que surtiram efeito ou não, possibilitando
ações mais assertivas com base na experiência adquirida.
• Busque utilizar o princípio da corresponsabilidade na hora
do encaminhamento das ações, por exemplo, ao discutirem
a qualificação do momento das refeições, convide para que
cada um(a), individualmente, pense como pode colaborar
para a melhora da situação. Que contribuição cada segmen-
to pode dar? É importante que todas(os) percebam que
podem se implicar no processo de busca e execução das
ações em prol da melhoria da qualidade.
• Se estiver muito difícil encontrar uma solução, busque reto-
mar o problema, de forma a dar exemplos práticos do desafio
e/ou situação que querem melhorar. Busque levantar as dife-
rentes etapas necessárias para resolução de um problema. O
que significa dizer que, às vezes, um mesmo problema exigirá
um conjunto de ações que precisam ser planejadas individu-
almente com seus respectivos prazos, em etapas definidas.
• Experimente convidar as crianças para contribuir com suas
ideias e opiniões a respeito dos desafios levantados. As
Unidades Educacionais que assim já fizeram, confirmam
as pesquisas de que as crianças têm capacidade para se
expressarem sobre assuntos que lhes afetam, propondo
soluções pertinentes e criativas.
• Convide familiares/responsáveis a ajudarem a pensar em
soluções para além do dia da autoavaliação e Plano de
Ação. Inclusive as(os) familiares e/ou responsáveis que
não puderam comparecer em nenhum dos dois dias po-
dem contribuir com soluções. Para tal, será preciso que
o diagnóstico esteja disponibilizado para todas(os), de
25
preferência, em lugares visíveis na escola, como painéis,
murais, ou por meio do envio de síntese via grupos de
WhatsApp e demais canais de comunicação já existentes
na Unidade, além de aproveitar os espaços de encontros
com familiares e reuniões do Conselho de Escola/de CEI,
previstos em Calendário de Atividades.
• Chame convidadas(os) para determinados problemas.
Convidadas(os) especiais podem ser chamados para auxiliar
no encaminhamento de soluções específicas, por exemplo,
um(a) supervisor(a) escolar, um(a) conselheiro(a) tutelar.
• Avalie se não seria o caso de elencar problemas especí-
ficos para uma grande mobilização de todos os atores da
Unidade na busca de soluções, em momentos distintos.
• Experimente projetar o quadro de ações em telão, por exem-
plo, para o grupo ir discutindo e preenchendo-o coletivamente.
• E lembre-se que a metodologia é um possível caminho e
não uma “camisa de força”, experimente novas formas de
organização para elaboração do Plano de Ação.
26
enquanto promotores de uma Educação de Qualidade.
O próprio Instrumento Indicadores de Qualidade da
Educação Infantil Paulistana tem que ser adequado
ao território de modo a contemplar cada vez mais as
famílias no processo de Escuta.
2 Na ocasião da escrita desse documento, a educadora relata sobre sua experiência na EMEI
Elis Regina DRE-SM no ano de 2013, quando era Professora da Unidade Educacional.
27
“Quando pensamos nas contribuições dos Indicadores para as
práticas pedagógicas na Educação Infantil em nosso CEI, reconhe-
ço o quanto avançamos na participação de todos os atores, desde
familiares, as equipes, as crianças e os bebês. Todos que transitam
no chão do CEI têm muito a aprender e a contribuir com o coleti-
vo. Com as famílias, a oportunidade de participar, refletir e propor
foi um exercício para olhar as práticas, e o quanto foi importante
trazer as dimensões para o diálogo. As contribuições ajudam a pen-
sar nos diferentes espaços, na organização, na reflexão do próprio
currículo, possibilitando que todos possam se sentir parte deste lu-
gar. Poder organizar, escutar de forma respeitosa, para incentivar
e estudar junto, seja com os educadores, grupo de apoio, famílias,
bebês e crianças tem apontado para um crescimento importante da
participação no CEI. Além disso, as famílias foram convidadas a co-
nhecer e sugerir. Este exercício propiciou que os envolvidos se apai-
xonassem pelo trabalho desenvolvido em nossa Unidade, percebe-
mos que a participação das famílias foi intensificada a cada ano.”
28
e, enfim, para colocar em prática o Currículo da Cidade: Educação
Infantil (São Paulo, 2019).
Importante lembrar que as nove dimensões, ao estarem ali-
nhadas aos documentos nacionais e demais documentos orienta-
dores da Cidade de São Paulo, contribuem para o fortalecimento
de uma dada noção de bebê, criança e Educação Infantil.
E se, por um lado, as dimensões trazem grandes enunciados
e direitos dos bebês e das crianças (ver anexo), por outro, as
dimensões não são elementos distantes e apenas teóricos; elas
dizem respeito a ações e práticas cotidianas: a forma como orga-
nizamos nosso tempo, espaço, as materialidades que escolhe-
mos, as músicas que escutamos, as histórias que lemos, as ex-
periências que propiciamos, as interações e relações vivenciadas
cotidianamente por bebês, crianças e adultas(os).
Nesse sentido, o esforço de transformar um item vermelho
e amarelo do Plano de Ação em verde não é uma atividade me-
ramente burocrática, mas se alinha à busca pelo zelo e garantia
da oferta de um atendimento de qualidade a todos os bebês e
crianças, sem distinção.
Sempre bom lembrar, ainda, que não somente os indicadores
amarelos e vermelhos precisam de evidências, é preciso se per-
guntar também: quais as evidências do verde? O que propiciou
que ele fosse assim avaliado? E ainda, o que é necessário para
garantir que esse “verde” se mantenha no cotidiano?
Muitos podem achar, diante de todo o discutido no decor-
rer destes três volumes, que esta é uma avaliação muito exi-
gente, com muitos pontos a serem considerados no cotidiano.
De fato, a qualidade entendida, não como a busca por “condi-
ções mínimas”, mas sim por condições adequadas, salutares
29
e dignas para todas e todos é um processo intenso, às vezes
tenso, mas indispensável.
Desta forma, talvez não seja a avaliação que é complexa, pois ela
só sistematiza, na forma de indicadores, todo um acúmulo da área
da Educação Infantil, os conhecimentos especializados da área e o
conjunto de direitos conquistados. Talvez, o grande desafio seja a
efetivação e a tradução destes direitos e saberes no cotidiano.
A temática de como as dimensões podem ser traduzidas em
práticas cotidianas é tão importante e vital para a proposta auto-
avaliativa dos Indicadores que será alvo de nossas reflexões e
exemplos práticos em outros volumes desta Coleção.
Interessa-nos aqui apenas pontuar que todo o esforço da au-
toavaliação só faz sentido se todas(os) tiverem compreendi-
do o que move a proposta autoavaliativa da Rede paulista-
na, se todas e todos estiverem imbuídos desse mesmo desejo
de mudança, do desejo do fortalecimento da especificidade da
Educação Infantil e da noção de bebê e criança capaz, competen-
te, sujeito de direitos e dotada de voz e saberes.
Lembrando que, neste item, estamos focando especificamente
nas demandas endógenas (demandas internas) e nas consequên-
cias da autoavaliação para as Unidades Educacionais, ou seja, na
qualificação do cotidiano. Para que o Plano de Ação possa ser tra-
duzido em práticas, as dimensões e indicadores de qualidade pre-
cisarão ser alvo de reflexão e discussão no decorrer do ano todo e
não somente nas duas datas previstas no calendário de atividades.
Só assim, podemos transformar um evento avaliativo em um
processo de melhoria da qualidade por meio da participação.
A qualidade da Educação Infantil não será conquistada apenas
pelo ato de se realizar a autoavaliação de forma pontual, uma vez
30
ao ano, mas pode colaborar para o processo de busca da qualida-
de se for entendida como um processo permanente e cotidiano
de reflexão-ação sistemática de um coletivo. Nesse processo, as
dimensões e indicadores devem ser assumidos como base para
discussões e processos formativos engendrados na Unidade
Educacional no decorrer de todo o ano, propiciando assim a inci-
dência positiva em diferentes aspectos, tais como:
31
Assim, é preciso lembrar que a discussão sobre avaliação é in-
dissociável da discussão sobre currículo, por isso, se almejamos
construir currículos embasados em “abordagens participativas”
(Ribeiro, 2023), é preciso construir, concomitantemente, outras
formas de avaliar também baseadas na premissa de que todos
os sujeitos podem contribuir com o processo educativo, sendo
protagonistas e sujeitos ativos na transformação da realidade.
A construção das abordagens participativas na Educação Infantil
requer uma profunda mudança de paradigmas, que pressupõe a
recuperação e a assunção do protagonismo e o lugar de fala dos
bebês, das crianças e das(os) adultas(os) profissionais (Ribeiro,
2022; 2023), bem como de toda a comunidade educacional.
A reflexão constante e permanente acerca das dimensões de
qualidade nos auxilia a ir constituindo o que Ribeiro (2022) deno-
mina de uma “pedagogia da cotidianidade”, em que, ao “situar o
cotidiano como um professor especial nos provoca a indagar o que
está petrificado na cultura pedagógica da Unidade Educacional, no
currículo, na ação cotidiana e dentro de nós, tendo clareza, ain-
da, sobre onde se almeja chegar. Questões densas e profundas e
que nos remetem a uma busca pela identificação dos mecanismos
conscientes e inconscientes que sustentam e dão continuidade
à determinada cultura pedagógica, bem como, à necessária ex-
plicitação de nossas intenções e gramática pedagógica” (Ribeiro,
2022, p. 99).
Em suma, podemos afirmar que as dimensões e indicadores
podem ser potentes instrumentos que nos auxiliam na investiga-
ção do cotidiano e na identificação da cultura pedagógica instalada.
Gostaríamos de finalizar a discussão desse item propondo o seguin-
te exercício a ser realizado coletivamente nos horários de formação.
32
Vamos refletir?
Dimensão
Indicador
33
Garantimos esses direitos quando:
34
O acompanhamento sistemático
do Plano de Ação
Em um processo autoavaliativo, é esperado que todos os sujeitos se
impliquem, tanto no processo de organização como na realização da
autoavaliação e, posteriormente, no acompanhamento e usos dos re-
sultados, ou seja, no acompanhamento do Plano de Ação.
No entanto, falar que esse acompanhamento deve ser feito
coletivamente não significa que não possa existir pessoas e/ou
grupo responsáveis para realizar esse acompanhamento mais de
perto e de forma sistemática.
Há uma linha muito tênue para que o “todos acompanham” vire
“ninguém acompanha”, por isso é preciso estabelecer momentos
de pausa reflexiva, ou seja, momentos planejados intencionalmen-
te, no decorrer do ano, para que o Plano de Ação não se perca e
possa, de fato, ser avaliado em relação ao seu progresso ou não.
Assim, rotas podem ser ajustadas, inclusive o próprio Plano de
Ação pode ser revisto, reajustado e atualizado, quando necessário.
As (Os) mais de 15 mil professoras(es), coordenadoras(es) pe-
dagógicas(os) e diretoras(es) escutadas(os) para o processo de es-
crita destes volumes indicaram que, na atualidade, são utilizadas,
sobretudo, quatro principais formas de acompanhamento do Plano
de Ação, na respectiva ordem de incidência das respostas:
35
IV. Formação de Comissão de acompanhamento das ações
previstas no Plano de Ação composta exclusivamente
por profissionais da Unidade Educacional.
“Quando a gente quer muito uma coisa, tem que ter paciência...
a ‘prô’ fala, o pai e a mãe “fala”: tem que esperar, tem que ter pa-
ciência! Que nem quando planta... não tem que ‘botá’ a semente,
“cuidá” e “esperá”,?
Então, quando a gente quer muito uma coisa, é assim!”
3 Relato coletado, em 2019, pelo GT Achadouros das Infâncias, formado por profissionais da
Rede Municipal de Ensino de São Paulo.
36
É preciso saber cultivar a cultura da participação na nossa, ain-
da jovem, democracia brasileira e esperar (como verbo ativo) para
colher os frutos de uma educação e uma sociedade mais for-
temente ancorada em valores democráticos, pois, como afirma
Silva (2021, p.210):
37
Uma história que virou muitas histórias...
Os 10 anos de vivências relativas ao processo autoavaliativo se
refletiram em muitas aprendizagens, muitas delas, inclusive, fo-
ram pesquisadas de forma sistemática dando origem a teses e dis-
sertações escritas por profissionais da rede paulistana como pro-
fessoras(es), gestoras(es), supervisoras(es) e pesquisadoras(es),
propiciando, assim, que a história fosse investigada e contada por
diferentes prismas.
O conjunto de teses e dissertações apresentado, a seguir, não
esgota os trabalhos existentes em relação à temática, eles são fruto
de um recorte de pesquisa feito com base na palavras-chave indi-
cadores de qualidade da Educação Infantil paulistana, constando no
título e/ou resumo. A ampliação do universo de palavras certamente
permitirá a localização de muitos outros trabalhos relevantes.
Ficam aqui as indicações para leitura, mas também o convite
para que mais narrativas sejam produzidas para que possamos
contar essa história por diferentes prismas e olhares.
Que a história possa continuar sendo narrada por uma polifo-
nia de vozes.
Natureza
Ano Título Autor(a)
da pesquisa
Avaliação na/da
Milena
Educação Infantil
Pedroso
2023 paulistana: uma tese
Ruella
análise de narrativas
Martins
de professoras
38
Avaliação institucional
na Educação Infantil:
Tássio José
2021 processos de construção tese
da Silva
de qualidade em uma
creche paulistana
Autoavaliação
Institucional Participativa:
experiência de um Centro Daiane
2020 de Educação Infantil (CEI) Aparecida dissertação
com os Indicadores de Borges
Qualidade da Educação
Infantil Paulistana (IQEIP)
Entrelaçando gênero
e políticas públicas:
a participação de
Carolina
mulheres-professoras na
2020 Faria tese
configuração de gênero
Alvarenga
dos Indicadores de
Qualidade da Educação
Infantil Paulistana
Autoavaliação
Institucional Participativa
da Educação Infantil da
2019 Meire Festa tese
Cidade de São Paulo: o
processo sob a ótica dos
participantes
39
Apropriação e uso dos Eduardo
indicadores de qualidade Paiva
2019 da Educação Infantil Oliveira dissertação
paulistana: uma proposta
de autoavaliação
Autoavaliação
institucional participativa:
Aline Dias
2016 uma experiência em dissertação
Nascimento
duas creches da Rede
Municipal de São Paulo
A autoavaliação Marcia
institucional participativa Gomes
2016 Martins dissertação
na Educação Infantil do
município de São Paulo.
A qualidade na Educação
Infantil: uma experiência
2010 de autoavaliação em Bruna Ribeiro dissertação
creches da cidade de
São Paulo
40
41
Para Saber Mais
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Vídeo Autoavaliação participativa: Indicadores da
Qualidade na Educação Infantil em Santos
Traz aspectos importantes identificados no processo de
autoavaliação realizado na Cidade de Santos, como o desafio de
maior participação da comunidade e da inserção das vozes das
crianças. Duração: 9m46. Disponível: https://www.youtube.
com/watch?v=06rVtKz_tec
Até lá!
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Referências
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SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Educação.
Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade: Educação Infantil. São
Paulo: SME/COPED, 2019.
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46
Anexo
https://drive.google.com/drive/folders/15K57XOKwno_
HnGIxAazlbUKUMiQrjzkj?usp=sharing. Acesso em: 26 fev. 2025.
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PROJETO GRÁFICO - CENTRO DE MULTIMEIOS
Ana Rita da Costa - Diretora
Revisão Textual
Roberta Cristina Torres da Silva
CC S
BY NC SA