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Aula 3

O documento descreve a anatomia e o desenvolvimento do cérebro, focando no telencéfalo e diencéfalo, suas estruturas, funções e conexões. Destaca a importância dos sulcos e giros na acomodação de neurônios e a organização dos lobos cerebrais, além de mencionar o circuito de Papez relacionado à memória e emoções. Também aborda a disposição dos ventrículos cerebrais e a relação do telencéfalo com o sistema límbico.

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Aula 3

O documento descreve a anatomia e o desenvolvimento do cérebro, focando no telencéfalo e diencéfalo, suas estruturas, funções e conexões. Destaca a importância dos sulcos e giros na acomodação de neurônios e a organização dos lobos cerebrais, além de mencionar o circuito de Papez relacionado à memória e emoções. Também aborda a disposição dos ventrículos cerebrais e a relação do telencéfalo com o sistema límbico.

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Cérebro, cerebelo e sistema límbico

Cérebro:​
Origem embriológica a partir do desenvolvimento das duas vesículas telencefálicas e do
diencéfalo.

O telencéfalo é que mais se desenvolve e forma os hemisférios cerebrais. Suas cavidades


formam os ventrículos laterais.
O diencéfalo cresce menos, se expande menos, fica como uma vesícula única e sua cavidade
forma o terceiro ventrículo.
Como o telencéfalo se desenvolve mais ele encobre o diencéfalo. A maior parte do cérebro é
o telencéfalo e o diencéfalo se restringe a uma parte mediana central.

No início da formação o telencéfalo tem sua superfície lisa e a medida que vai se expandindo,
ele começa a encontrar uma barreira ao seu desenvolvimento com a ossificação dos ossos do
crânio e com isso ele vai invaginando e forma os sulcos e giros do cérebro.

Em um corte transversal vemos que toda a parte superficial do telencéfalo, mesmo aquela que
invaginou, possui substância cinzenta que é o que chamamos de córtex cerebral. Nela que se
localizam os corpos de neurônios no nosso cérebro, principalmente.

A vantagem dos sulcos e giros foi poder abrigar um maior número de corpos de neurônio em
uma cabeça não tão grande.

Internamente encontramos uma substância branca chamada de centro branco medular do


cérebro. Nela temos fibras de associação (unem áreas diferentes dentro do mesmo órgão) ou
fibras de projeção (saem do telencéfalo para outra área).
Internamente a essa substância branca existem massas de substância cinzenta com funções
específicas que vamos chamar de núcleos, especificamente no telencéfalo, chamamos de
núcleos da base.

Telencéfalo: ​formado por dois hemisférios um direito e um esquerdo.


Esses dois são separados pela ​fissura longitudinal do cérebro que começa na parte frontal e
vai até occipital. Ela é parcialmente ocupada por uma dobra da dura máter, a ​foice do
cérebro​.
A medida que entramos na fissura encontramos um assoalho que é formado pelo ​corpo
caloso​, caracterizado por ser formado por fibras mielínicas (esbranquiçado) é a principal
comissura do telencéfalo e a maior do nosso SNC. Então o corpo caloso é formado por fibras
comissurais que conectam áreas simétricas dos dois hemisférios cerebrais.
Ao seccionar o corpo caloso, as informações que chegam no hemisfério direito não passam
para o esquerdo então a pessoa pode aprender um movimento de um lado e não saber fazer do
outro, tendo que aprender de novo do outro lado.

Obs: comissura - fibras de neurônios que cruzam na linha mediana.

A diferença dessa comissura para a decussação das pirâmides é que na decussação as fibras
são oblíquas, saem no sentido longitudinal e cruzam obliquamente na linha mediana,
passando do lado direito para o esquerdo. Na comissura elas são perpendiculares ao plano
mediano e vão para áreas simétricas.

Então temos a fissura longitudinal do cérebro está separando os dois hemisférios


incompletamente, pois existem estruturas medianas que formam o “fundo” para essa fissura,
sendo o corpo caloso o principal.

Além disso, o cérebro possui faces que copia a morfologia da nossa calota craniana, então
tem uma face súpero lateral, por ser convexa é considerada uma só, que mantêm relação com
os ossos da calota craniana e dependendo do osso essa parte recebe um nome (lobo frontal,
lobo parietal, lobo occipital e lobo temporal).
Como existem extremidades nessa estrutura dizemos que tem polos: polo frontal
(extremidade anterior), polo occipital (extremidade posterior), polo temporal (extremidade
anterolateral).
Nessa face súpero lateral temos que a principal característica é que ela é toda marcada por
sulcos e giros.

Existe ainda uma face inferior do cérebro que fica apoiada nos “andares” do crânio (fossa
anterior, média e posterior) e na tenda do cerebelo na parte posterior.
E a face medial do cérebro, que coincide com a fissura longitudinal do cérebro.

Face súpero lateral:​


Inicialmente, é preciso observar que a extremidade do lobo temporal aponta para anterior,
como uma luva de box e com isso conseguimos determinar o que é lobo frontal e o que é
occipital.

Quando olhamos a região do lobo frontal vemos que os giros do telencéfalo seguem no
sentido ântero posterior, mas em um momento surge um giro totalmente transversal, esse giro
é o ​giro pré-central​, ou seja, ele é um giro do lobo frontal com direção transversal.
Após esse giro existe um segundo que é paralelo a ele, que é o ​giro pós-central​. Esse já é um
giro transversal do lobo parietal.
Eles são nomeados assim pois o sulco que os separa e, consequentemente, marca a divisão do
lobo frontal com o parietal é o ​sulco central​.
Ou seja, na face súpero lateral existe um sulco central que separa o lobo frontal do lobo
parietal. o giro que está imediatamente anterior ao sulco é o giro pré central e o que está
posterior é o pós central.

Existe ainda um ​sulco pré central ​e um ​sulco pós central​.

Falamos desses giros porque o giro pré central é uma área motora primária e em linhas gerais,
toda informação motora que vai levar a uma contração muscular voluntária, deve partir do
giro pré central.

Exemplo: antes de pegar uma caneta existe uma etapa de planejamento no meu cérebro, mas
depois existe uma etapa de execução que é o neurônio que sai do córtex cerebral, manda a
informação para a medula, faz sinapse com o neurônio motor que vai contrair o m. necessário
para fazer o movimento.
Então a área motora primária é a área de execução do movimento voluntário.

Obs: no eferente somático temos um neurônio entre o SNC e o periférico e o controle dele é
no córtex cerebral, e quem controla então? o giro pré central.

Então eu tenho um neurônio no córtex que desce ou para o tronco encefálico ou para a
medula, faz sinapse com um neurônio motor e esse segundo segue para o m. estriado que
quero mover.
Os neurônios que saem do giro pré central são neurônios motores de execução do movimento
que vão estimular neurônios motores ou endo cranianos (no tronco) ou espinais. Se for para
um nervo espinal o corpo do segundo neurônio está no corno anterior da medula espinal (e aí
ele sai pela raiz ventral, forma o nervo espinal e inerva o músculo).

Então na via motora, temos 2 neurônios no eferente somático, um com corpo no giro pré
central e outro com corpo no corno anterior da medula. Lembrando que essa via pode parar
no tronco encefálico, então o corpo do segundo neurônio está nos núcleos dos nervos
cranianos (ex: trigêmeo - núcleo motor do trigêmeo que controla mm. da mastigação). O
nome do trato quando vai para o tronco é corticonuclear (comum para todos, pois terminam
em núcleos)

A via que executa o movimento forma um trajeto, o neurônio quando desce do córtex entra
no tronco encefálico e forma a pirâmide no bulbo (é um trato) essas fibras cruzam na
decussação das pirâmides e continuam descendo para terminar no neurônio motor que está no
corno anterior da medula, no segmento do m. que vai ser inervado. (mesma origem
embriológica - somito e segmento de medula correspondente)

Esse trato que desce é chamado de corticoespinal. Depois que cruza temos o corticoespinal
lateral e as fibras que não cruzaram na decussação das pirâmides forma o trato corticoespinal
anterior. Esse trato vem pela substância branca por ser fibra, depois ele entra na substância
cinzenta e faz sinapse com o neurônio motor.

Obs: os neurônios do giro pré central formam tratos corticonucleares que vão para núcleos do
tronco encefálico ou trato corticoespinal que vai para a medula.

Na face súpero lateral existe ainda o ​sulco lateral ​que possui 3 ramos (posterior, ascendente e
anterior) e separa o lobo temporal do frontal e parcialmente do parietal, isolando o temporal.

Já a separação do lobo occipital não é visível nessa face súpero lateral, apenas na medial.

Obs 2: o giro pós central é a área somestésica principal.


Ao ter um receptor na pele e espetar ela, essa informação vai seguir por um neurônio
sensitivo que possui dois prolongamentos e seu corpo está no gânglio, ele chega na raiz
dorsal, penetra e faz sinapse na coluna posterior, que por sua vez, possui corpos de neurônio
que podem ser internunciais (fazem sinapse no mesmo nível), neurônios de associação
(fazem sinapse entre níveis diferentes da medula) ou ainda neurônios de projeção que são
parte dos três tipos de neurônios fundamentais do sistema nervoso (sensitivo, de associação e
motor).
Quando o neurônio é de projeção ele vai pegar essa informação, passa para a substância
branca e vai ser projetar para o cérebro pelo trato espinotalâmico, pois para no tálamo e nele
ocorre uma sinapse e o terceiro neurônio sai do tálamo e vai para o giro pós central.
Então todas as nossas informações sensitivas vão para o giro pós central que é a área
somestésica principal e (com exceção do olfato) essas informações sensitivas passam pelo
Tálamo antes de chegar no giro pós central.
Então tudo o que sentimos termina no giro pós central que recolhe dor, tato, temperatura,
pressão e propriocepção conscientes; Se alguma parte dessa via se perder é possível arrancar
o dedo da pessoa que ela não vai sentir nada.

O sulco lateral separa o temporal do frontal e do parietal, porém a região posterior onde
encontramos o limite do lobo occipital e a separação do temporal e do parietal é arbitrária,
são linhas imaginárias.

Lobo da ínsula:
Abrindo o sulco lateral, afastando suas margens encontramos um quinto lobo que fica
escondido e não mantém nenhuma relação óssea e por isso recebe um nome diferente: o lobo
da ínsula.

Face medial: p​ ara estudá-la é preciso fazer um corte passando pela fissura
longitudinal do cérebro. Nessa face medial ainda existem sulcos e giros.
Podemos ainda ver o corpo caloso que é uma estrutura mediana que conecta os dois
hemisférios e é seccionado ao separar os hemisférios. Ele é dividido em partes: esplênio,
tronco, joelho e rostro.

Logo abaixo do corpo caloso está o ​fórnix ​que é um outro feixe de substância branca que são
fibras de projeção que vão para os corpos mamilares, ligando-o ao hipocampo. A direção das
fibras do fórnix não cruzam na linha mediana e sim, formam uma letra C indo de anterior
para posterior.
Entre o fórnix e o corpo caloso existe uma membrana de substância branca que é o ​septo
pelúcido​, que forma a parede medial do ventrículo lateral (o que significa que ao remover o
septo eu vejo o ventrículo).

Tudo o que está abaixo do fórnix é considerado como sendo do diencéfalo, mas fórnix, septo
pelúcido e corpo caloso ainda são do telencéfalo.

Outra estrutura importante do telencéfalo é a ​comissura anterior​, que também faz conexões
entre áreas simétricas do cérebro.

Superior ao corpo caloso temos um giro que o acompanha que é o ​giro do cíngulo​, ele ao
chegar na parte posterior do corpo, vai em uma direção mais lateral e se continua
inferiormente e vai em direção ao lobo temporal, sendo contínuo com outro giro que é o giro
para-hipocampal​. Esses dois giros
são estruturas do sistema límbico.

Obs: o fórnix é composto por


fibras de projeção que saem do
corpo mamilar, contornam, passam
próximo do corpo caloso em forma
de letra C e terminam no
hipocampo. Então ele tem essa
relação superior com o corpo caloso e dá a conformação do septo pelúcido.

Obs: o giro para-hipocampal só é visto quando o tronco encefálico for removido da peça.

Temos ainda o ​sulco parietooccipital que vai desde a face superior até a face inferior
possuindo uma direção vertical e separa o lobo parietal do lobo occipital.
Dentro do lobo occipital existe outro sulco de direção posterior que é o ​sulco calcarino​. Ele é
importante pois a área cortical em volta dele (os neurônios que estão na área cortical próxima
a esse sulco) correspondem à área visual primária, ou seja, se pagamos um objeto e
apresentamos a alguém, a visualização do objeto se dá nessa área, é onde projetamos a
imagem captada na retina, mas a interpretação do que ele está vendo não ocorre alí, precisa
fazer a conexão das informações que chegaram nessa área visual primária com outras áreas
do cérebro inclusive a da memória.

Circuito de Papez: e​ xistem duas estruturas localizadas no telencéfalo, o fórnix e o hipocampo


que são importantes principalmente porque formam um circuito descrito muito antigamente,
relacionado às nossas emoções e principalmente à memória, que é o circuito de Papez.
Relacionado ao sistema límbico.

O fórnix tem partes, mas o que interessa mais é que ele conecta o corpo mamilar ao
hipocampo, que está medial ao giro para hipocampal. Ao olhar na profundidade do giro em
um corte coronal vemos que tem uma estrutura diferente no córtex, pois ele ficou envolvido
por substância branca (o que não ocorre normalmente nos sulcos e giros). Essa parte onde a
substância branca sobrepõe a cinzenta é o hipocampo, que é um importante centro da
memória, principalmente a memória recente.
Nesse corte vemos a fissura longitudinal do cérebro e seu assoalho sendo formado pelo corpo
caloso, inferior e lateralmente a ele temos o ventrículo lateral então o teto do ventrículo
lateral é o corpo caloso e quando removemos ele vemos duas cavidades e no fundo o fórnix e
o hipocampo.

Face inferior:​
Nessa face se destacam principalmente os lobos temporais e os frontais.

A região mediana que aparece é o mesencéfalo. Vemos ainda os corpos mamilares, a pineal e
o quiasma óptico que são do diencéfalo, mas as demais estruturas são do telencéfalo.
Do telencéfalo o que é mais importante de observar é o ​bulbo olfatório ​que é uma dilatação
do telencéfalo de onde partem os filamentos nervosos que formam o nervo olfatório para a
mucosa da parte superior da cavidade nasal. Então o primeiro par de nervo craniano termina
no telencéfalo e não no tronco. Esse primeiro par recebe a informação pelo bulbo e leva ao
restante do telencéfalo pelo ​trato olfatório​ que faz parte da via olfatória.
Ventrículos:
Temos 4 ventrículos no cérebro: 2 laterais, um esquerdo e um direito, 1 terceiro ventrículo no
diencéfalo e 1 quarto ventrículo entre a ponte e o cerebelo.
Como o telencéfalo se expande muito e ainda se dobra na formação embriológica, o
ventrículo lateral tem o formato de uma letra C. O ventrículo lateral se projeta para os três
pólos (frontal, occipital e temporal) e a posição da letra C não é vertical e sim oblíqua pois
tem que chegar no pólo temporal, ou seja, a parte superior do ventrículo é mais medial o que
a inferior que está mais lateral dentro do lobo temporal.
Ou seja, tem a forma de C, mas ele tem uma inclinação lateral e inferior tornando-o oblíquo e
isso às vezes dificulta a identificação do VL.
Ele é dividido em parte e vemos ainda que ele se comunica com o terceiro ventrículo que
marca a posição do diencéfalo.
O líquido que é produzido no VL passa para o 3ºventrículo pelo ​forame interventricular​.

O terceiro ventrículo se continua com o quarto ventrículo pelo ​aqueduto cerebral (aqueduto
mesencefálico, nome mais recente).
Obs: ao fazer um corte coronal no cérebro, vemos o ventrículo tanto na parte superior ao lado
e abaixo do corpo caloso, mas também vemos ele na parte inferior do corte, pois ele tem a
forma de C e se estende também para o lobo temporal (a menos que o corte seja muito
anterior, aí não vemos o VL duas vezes).

Obs: temos o epitélio ependimário e quando a pia máter chega ela invade o epitélio
ependimário levando vasos sanguíneos e isso forma o plexo coróide.

Núcleos da base: ​além do córtex, encontramos corpos de neurônios formando núcleos dentro
do telencéfalo. Eles agem principalmente no controle e no planejamento motor (e quem
executa a atividade motora é o giro pré central).

Na parede lateral do ventrículo


lateral, encontramos uma massa de
substância cinzenta que é o ​núcleo
caudado ​que possui um formato
semelhante a um cometa, com uma
parte mais dilatada que seria sua
cabeça e uma cauda na outra
extremidade. Esse núcleo acompanha
a morfologia do ventrículo lateral o
que significa que sempre que
encontrarmos ele vemos o núcleo caudado em sua parede lateral.

Temos ainda uma substância branca chamada de ​cápsula interna ​que apesar o nome ser
cápsula não tem nada a ver com tecido fibroso e sim, é por ela que passam todos os neurônio
que sobem ou descem do córtex cerebral (aferentes ou eferente).

O outro núcleo é o que no corte se assemelha a uma pizza, mas tridimensionalmente é uma
castanha do pará que é o ​núcleo lentiforme​. O núcleo lentiforme está separado do núcleo
caudado pela cápsula interna, que são feixes de fibras que sobem e descem do córtex.

O lentiforme pode ser subdividido em núcleos específicos: o ​putâmen ​(com uma coloração
mais escura) e o ​globo pálido ​(que tem uma coloração mais clara)​, ​que por sua vez também é
dividido em dois.

Apesar da proximidade morfológica entre putâmen e globo pálido, o putâmen tem mais
conexões estruturalmente ou funcionalmente é mais ligado ao núcleo caudado. Juntos eles
são chamados de ​estriadum. ​E o globo pálido é o ​pallidum.

O quarto núcleo que podemos ver é o ​claustrum​, que vem de enclausurado.


Ele está entre a cápsula externa (camada de substância branca entre o putâmen e o claustrum)
e a cápsula extrema (camada de substância branca entre o claustrum e a ínsula).
A sequência é: ventrículo lateral, núcleo caudado, cápsula interna, putamen e globo pálido,
cápsula externa, claustrum, cápsula extrema e córtex da ínsula.

Em um corte transversal quase nada muda, continuamos vendo os núcleos da base e a ínsula.
o que complica é identificar qual é o caudado, mas é só ver o ventrículo lateral. O outro que
está mais inferior é o diencéfalo, na linha mediana e lateral ao terceiro ventrículo.
Como os núcleos da base funcionam? ele participa do planejamento motor e do controle da
execução do movimento, mas não faz a execução.
Quando pensamos em nos mover, algumas áreas mandam informações para os núcleos da
base. Inicialmente para o Estriadum (caudado + putâmen) e ele passa fibra para o globo
pálido que devolve a informação para o córtex cerebral. Todas as informações sensitivas vão
passar pelo tálamos que é um relé do cérebro e recebe as informações e distribui, mandando
essa informação para a área motora do córtex para que ele decida que músculo deve contrair.
Esses núcleos recebem ainda informações de outras áreas, por exemplo, da substância negra
que possui fibras dopaminérgicas e a dopamina é um neurotransmissor que modula a
atividade dos núcleos da base.
Então o estriadum manda informações para a substância negra e recebe de volta com
neurotransmissor dopamina.
Quando temos a degeneração desses neurônios ou quando eles perdem a capacidade de
produzir dopamina gera uma deficiência de dopamina que causa o mal de Parkinson, que tem
como sintomas os tremores em repouso e gera rigidez da musculatura fazendo com que a
pessoa tenha mais dificuldade em se movimentar e iniciar os movimentos.

Obs: ao tomar dopamina, a substância não atravessa a barreira hematoencefálica então esses
pacientes ingerem o composto levógiro da dopamina que consegue atravessar e depois é
convertido em dopamina para poder ser usada.
Outra estrutura que temos é o subtálamo que é um área do diencéfalo com quem os núcleo da
base se comunicam, mais especificamente o pallidum. Então o globo pálido troca
informações com o subtálamo e ele libera substâncias no pallidum para participar do
planejamento e controle da execução do movimento motor. A deficiência ou a perda dessa
comunicação com o subtálamo, forma o hemibalismo, que também é uma perda do controle
motor. O hemibalismo é caracterizado por movimentos involuntários, a pessoa não consegue
coordenar e executar movimentos. É parecido com a Coreia de Huntington mas ela está
relacionada mais com o cerebelo e é uma deambulação semelhante a uma dança.

Outros núcleos da base são:


- Núcleo basal de Meynert​: está relacionado ao núcleo caudado e tem relação com a
doença de Alzheimer.
- Claustro
- Corpo amigdalóide​: relacionado ao sistema límbico, estando envolvido no
comportamento sexual e na agressividade.

Centro branco medular:​ substância branca


- Fibras de projeção​:
- fórnix: conecta o corpo mamilar ao hipocampo, une diencéfalo e telencéfalo
- cápsula interna: tudo o que entra e sai do cérebro passa por ela, vai para outro
órgão. Um feixe dessas fibras forma, por exemplo, as pirâmides.
- Fibras de associação​:
- comissura anterior
- corpo caloso
- comissura do fórnix

Classificação funcional do córtex​: dividimos funcionalmente o córtex em três áreas, uma


primária são de projeção e é onde ela recebe ou emite uma resposta para outro órgão. Se
conectam com receptores e efetuadores do nosso corpo e se projetam para fora do SNC.
Já as áreas secundárias são chamadas de áreas de associação e elas conectam regiões do
próprio cérebro para interpretar uma ação ou uma resposta.
E existem ainda áreas terciárias que estão mais relacionadas com funções cognitivas.

Vemos o sulco central e o giro pré e pós central. O ​giro pré central é a ​área motora
primária​, ou seja, possui o corpo do neurônio que vai mandar executar a ação no neurônio
motor que está na medula ou no tronco, mas para ele executar essa informação é preciso ter
uma área secundária do córtex que está relacionada ao planejamento motor que é a área pré
motora​. Ela é onde o córtex cerebral planeja os movimentos a serem executados, como ela é
uma área de associação, e se conecta com diversas outras áreas do nosso corpo, inclusive com
os núcleos da base, recebe informações dos núcleos da base via tálamo, e também recebe
conexões do cerebelo e então outras regiões do corpo se associam a essa área pré motora para
o planejamento motor.
Uma vez que o movimento foi planejado na área pré motora manda-se a informação para o
giro pré central e executa a ação.

Temos ainda a ​área sensitiva somestésica principal ​é para onde toda a informação sensitiva
que vai para o cérebro segue, primeiro passando no tálamo e depois indo para lá, a exceção é
o olfato já que o nervo olfatório já está no telencéfalo (bulbo olfatório) enquanto todos os
outros nervos estão do diencéfalo para baixo e como o tálamo é do diencéfalo, vão passar por
ele antes de chegar no córtex. Então essas informações sensitivas quando chegam no tálamo
são redistribuídas no giro pós central.
Com isso ao espetar o dedo, um neurônio pseudounipolar, cujo corpo está no gânglio, vai
receber a informação, fazer sinapse com a coluna posterior, sai o segundo neurônio formando
o trato espinotalâmico que termina no tálamo, faz sinapse e esse neurônio do tálamo projeta
no giro pós central. Ao chegar no giro consigo sentir a ponta do dedo doendo, mas a decisão
de qual medida eu vou tomar vai precisar de áreas de associação somestésica, que vão
interpretar aquela sensibilidade.

Nos sentidos especiais temos:


O centro cortical da audição, ou seja, o que é captado pelo nervo vestibulococlear
principalmente o coclear e leva essa informação para o córtex cerebral a área auditiva
primária dizemos que está na margem do sulco lateral no lobo temporal, ela que vai fazer
com que eu escute o som. Entender o som e saber interpretá-lo exige a área auditiva
secundária, ela está em volta da área auditiva primária e tem como função interpretar o som.

Temos ainda a área visual primária que fica nas margens do sulco calcarino na vista medial,
então é o ponto onde a imagem que vemos se forma, já a interpretação que temos daquela
imagem acontece na área visual secundária, que é uma área de associação.

Existem duas outras áreas que também são de associação mas são diferenciadas que são as
áreas relacionadas à linguagem, uma é a área de Broca e a outra de Wernicke. A de Broca é
mais anterior e fica perto da área motora, enquanto a de Wernicke está mais próxima da área
sensitiva e da auditiva. Ambas são relacionadas com a linguagem, mas a de Wernicke
também é chamada de área de interpretação da linguagem, ou seja, é quando ouvimos e
entendemos o que a pessoa está falando. Então escutamos na área auditiva primária, mas se é
uma linguagem ela vai ser interpretada na área de Wernicke, que fica no lobo parietal. Caso a
pessoa sofra uma lesão nessa área, ela vai continuar ouvindo, mas não entende a linguagem
assim como eu não entendo o que um japonês fala, embora eu consigo ouvi-lo.

Já a de Broca, fica no lobo frontal é a área da expressão da linguagem, ela que determina
como que nós respondemos usando a linguagem. Então o ato de falar e se expressar, envolve
um planejamento motor e a área de broca participa desse planejamento motor, produzindo a
linguagem.

Obs: as lesões dessas áreas recebem o nome de afasias de linguagem, então uma pessoa com
lesão na área de broca entende a linguagem escrita e falada, mas não consegue se expressar.
Já se a pessoa tem uma lesão na área de Wernicke ela não consegue entender e nem consegue
se expressar pois a sensibilidade não entra mais.
Existem feixes de substância branca que conectam uma área com a outra, formando lemnisco
longitudinais.
Homúnculo sensitivo: e​ squema que r​ epresenta no giro pós central onde chegam as
informações sensitivas no córtex e o tamanho da estrutura desenhada corresponde a
quantidade de neurônio necessária para aquela área.
Ex: Se compararmos a área dos lábios com o do antebraço, vemos que precisamos de muito
mais neurônios para receber a sensibilidade dos lábios do que para receber a sensibilidade do
antebraço e então anatomicamente o antebraço é muito maior do que o lábio, mas a
quantidade de neurônio sensitivo que chega no lábio é muito maior pois o antebraço apenas
serve para sentir dor, um tato grosseiro e a temperatura, já o lábio conseguimos descrever a
textura e a temperatura do alimento com muito mais precisão. Então quanto mais se trabalha
com o tato discriminativo, precisa de mais neurônio e uma resposta mais elaborada.

Existe também o homúnculo motor que é bem parecido, mas a parte da cavidade nasal e o
tamanho dos órgãos genitais são menores pois não tem tanta motricidade e sim, mais
sensibilidade nessas áreas.

Área terciária temporoparietal: e​ ntre o lobo temporal e o parietal.


Uma lesão nessa área está associada com a síndrome de negligência unilateral, em que o
paciente negligencia todo um lado do corpo como se ele não existisse.
Em alguns casos a pessoa só come a metade do prato, só veste a camisa de um lado, só
amarra um cadarço ou ainda não passa pela porta direita que está aberta pois não reconhece
esse lado.

Diencéfalo: ​área mediana no cérebro que menos se desenvolveu e nela encontramos 4 partes:
o tálamo, hipotálamo, epitálamo e o subtálamo. Além disso, ele é caracterizado pela abertura
do terceiro ventrículo.
Obs: a cápsula interna também ajuda a delimitar o diencéfalo, pois separa-o dos núcleos da
base, putâmen e globo pálido.
Além disso, fazendo um corte na linha mediana observamos a parede lateral do terceiro
ventrículo. Lembrando que para ver o terceiro ventrículo apropriadamente é preciso ter um
corte frontal.
O que se destaca no corte é a presença do ​sulco hipotalâmico ​na parede lateral do terceiro
ventrículo. Ele se estende do forame interventricular (que une o ventrículo lateral com o
terceiro ventrículo) até próximo ao aqueduto cerebral. O sulco recebe esse nome por estar
abaixo do tálamo e acima do hipotálamo, então ele separa os dois.

Tálamo​: possui um formato mais ovóide semelhante a um capacete de bicicleta, mais


arredondado na parte anterior e pontiagudo na parte posterior. Nele se destaca uma estrutura
anatômica mais lisa, dentro do terceiro ventrículo é como se existisse uma ponte, uma união
das duas partes do diencéfalo, que é a ​aderência intertalâmica e ela é visível no corte como
uma parte mais esbranquiçada.
Suas funções são:
- sensibilidade (todas as informações sensitivas, com exceção do olfato, passam pelo
tálamo antes de chegar ao córtex cerebral). No tálamo, faz sinapse e vai para o giro
pós central. Muitas das informações sensitivas já se tornam conscientes no tálamo,
mas elas só serão precisas quando chegam no córtex.
Obs: essa via sensitiva pode ser bloqueadas em vários níveis, exemplo, no nervo bloqueamos
com anestésico, no trajeto com analgélsicos que podem ser no estímulo do nervo ou
bloqueando algumas sinapses.
- controle da motricidade (os núcleos da bases participam do planejamento motor, mas
quando tem que devolver a resposta para o córtex essa informação passa pelo tálamo)
- comportamento emocional pois o tálamo faz parte do sistema límbico
- ativação do córtex cerebral (formação reticular e SARA)

Obs: morte cerebral e morte encefálica.


Exemplo: ao viajar de ônibus, nem sempre é o barulho que nos faz acordar, às vezes é o
silêncio do ônibus parando e desligando o motor. Então o sono e vigília depende desse
sistema ativador do córtex cerebral, então o nosso tronco encefálico possui uma estrutura (o
SARA) que recebe informações o tempo inteiro e ele é o responsável por ativar o nosso
córtex cerebral para que nós despertemos do coma. Por isso que quando a pessoa tem morte
cerebral ela tem chance de voltar, pois se o tronco encefálico não foi afetado o sistema
ativador do córtex ainda pode em determinado momento voltar a ativar a atividade cortical. Já
quando a pessoa tem morte encefálica, há envolvimento do tronco encefálico e com isso só
resta doação de órgão como alternativa, pois ele não vai acordar.

Obs: pessoas que fazem treino de elite, miram na face no triângulo próximo do nariz pois ali
atravessa a parte basilar do occipital e vai direto na ponte e bulbo e morre na hora, sem
nenhum reflexo de atirar de volta, caso a pessoa esteja armada.

Hipotálamo​: abaixo do sulco hipotalâmico. Encontramos nele vários núcleos (que não precisa
saber) e algumas estruturas macroscópicas como o ​quiasma óptico ​(o que está na periferia é
o nervo óptico que forma o quiasma e depois temos o trato óptico) e a ​hipófise ​que fica na
sela turca do crânio. A parte onde a hipófise está presa parece um funil e recebe o nome de
infundíbulo da hipófise​. Temos ainda os ​corpos mamilares que estão relacionados com o
fórnix. Temos ainda uma parte que recebe o nome de ​túber cinéreo​, que é a região entre
corpos mamilares, infundíbulo e hipófise.

Suas funções são:


- divisão autônoma do sistema nervoso (DASN) então ele é a principal região do
cérebro relacionada às nossas atividades viscerais. Coordenando todo o SNA.
- participa da regulação da temperatura corporal (até mesmo ativando o SNA para fazer
vasodilatação ou constrição periférica)
- participa do comportamento por fazer parte do sistema límbico
- sono e vigília, atuando junto com o sistema de ativação do córtex cerebral
- possui centros relacionados a fome e a saciedade
- centros relacionados com o controle da sede
- controlar a diurese (controlado pelo ADH)
- ritmo circadiano (ciclo de claro e escuro)
Obs: precisamos dormir no escuro pois essa informação de dormir no escuro que chega ao
sistema nervoso central controla algumas atividades junto com a glândula pineal que produz a
melatonina.
Epitálamo:​ sua principal estrutura é a glândula pineal, responsável pela produção do
hormônio chamado de melatonina que tem uma ação antigonadotrófica (inibe o
desenvolvimento da gônada, ou testículo ou ovário).
Quando estamos no escuro isso estimula a produção da melatonina e ao fazer isso, inibimos o
desenvolvimento das gônadas. Então é preciso ter o ciclo claro escuro para ter um
desenvolvimento gonadotrófico adequado, e isso pode ser uma explicação para a puberdade
precoce, já que se a criança fica muito no claro acaba não produzindo melatonina e as
gônadas não são inibidas.

Além disso, a glândula pineal com a melatonina controla o ciclo circadiano de claro e escuro.

Subtálamo: ​faz parte do circuito de Papez se liga a um dos núcleos da base (pallidum) e a
ausência dessa comunicação gera o hemibalismo (lesão no subtálamo que deixa de agir nos
núcleos da base, mais especificamente o pallidum, modulando os movimentos).

Metatálamo​: região dos corpos geniculados medial e lateral, estão na lateral entre o
mesencéfalo e o tálamo. Essa parte por alguns é considerado parte do tálamo, mas alguns
autores contam como parte separada do diencéfalo que é o metencéfalo.

Obs: corpo geniculado medial se comunica com o colículo inferior e está relacionado à
audição (MIA) enquanto o lateral se comunica com o colículo superior e está relacionado à
visão (LSV).

Sistema límbico​:
Componentes corticais:
- giro do cíngulo
- giro parahipocampal
- hipocampo
- fórnix
Componentes subcorticais:
- corpo amigdalóide: relacionado ao comportamento sexual e agressividade
- área septal
- núcleos mamilares
- núcleos anteriores do tálamo
- núcleos habenulares
Hipotálamo
Área pré frontal: é uma área terciária

Funções:
- regulação de processos emocionais e motivacionais (é sua principal função)
- participação nos mecanismos de memória (algumas memórias quando associadas com
alguma questão emocional parecem ser mais permanentes)

Cerebelo​:
Origem embriológica a partir do metencéfalo que também forma a ponte.
É sistema nervoso supra segmentar, por não ter segmentação como a medula tem.
Se comunica com outras regiões do SNC pelos pedúnculos superior, médio e inferior.
O superior vai para o mesencéfalo, o inferior vai para o bulbo e o médio vai para a ponte.
Ele possui dois hemisférios, um esquerdo e um direito e separando-os está uma estrutura
elevada mediana chamada de vermis cerebelar (verme do cerebelo).
A organização dele não é mais em giros e sulcos e sim, em folhas e sulcos, sendo que alguns
sulcos mais profundos recebem o nome de fissuras. Por que folha? pois quando olhamos a
estrutura dele numa secção vemos que tem uma substância branca interna de onde partem
lâminas de substância branca e revestindo cada uma dessas lâminas está o córtex cerebelar
(substância cinzenta).

Tonsilas cerebelares: “pontinhas do cerebelo”

Obs: o hematoma extradural é formado pela artéria meníngea média no ptério e ao ter esse
hematoma aumenta-se a pressão intracraniana, comprime o cérebro e parte do encéfalo se
projeta pelo forame magno que é a tonsila cerebelar, que podem acabar comprimindo o bulbo
e levar a pessoa a morte.

Além disso, o cerebelo também possui uma organização de núcleos, que são os núcleos
centrais do cerebelo.
Ele possui ainda o corpo medular do cerebelo e folha e sulcos formando o córtex cerebelar.

Funções do cerebelo:
- manutenção do equilíbrio e controle do tônus muscular - através da ação da
propriocepção inconsciente.
Obs: fusos neuromusculares, órgãos neurotendinosos, receptores nas cápsulas das
articulações e nas fibras musculares, recolhem informações que vão em direção ao cerebelo,
pelos tratos espinocerebelares, dando nossa propriocepção inconsciente.
- controle do movimento voluntário - participa do planejamento junto com os núcleo da
base e também da correção do movimento ex: quando começamos a desenhar e vemos
que o movimento está sendo errado começamos a corrigir e essa correção tem
participação do cerebelo, ativando outras áreas do córtex para ver o que tem que ser
contraído para fazer corretamente. Então durante a execução o cerebelo fica
monitorando o movimento e se detecta que precisa de correção ele devolve ao córtex
cerebral para que o movimento seja corrigido.
- aprendizagem motora - junto com a oliva. A repetição dessas correções do movimento
conduzem a aprendizagem motora, quanto mais se repete o movimento, mais sinapses
vão se formando e mais o nosso cérebro vai aprendendo como deve ser feito.

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