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SECRETARIA DE ESTADO DA ENERGIA
DIRECÇÃO-GERAL DE GEOLOGIA E MINAS
SERVIÇOS GEOLÓGICOS DE PORTUGAL
Rua da Academia das Ciências, 19, 2. o
1200 LISBOA- PORTUGAL
NOTÍCIA EXPLICATIVA
DA FOLHA 52-B
ALBUFEIRA
ROGÉRIO B. ROCHA*
BEATRIZ L. MARQUES*
MIGUEL T. ANTUNES*
J. PAIS*
SERVIÇOS GEOLÓGICOS
DE
PORTUGAL
LISBOA 1989
• Centro de Estratigrafia e Paieobioiogia da Universidade Nova de Lisboa
COLABORADORES:
G. MANUPPELLA (Serviços Geológicos de Portugal)- Recursos Geológicos
F. ESTEVES COSTA (Serviços Geológicos de Portugal) - Hidrogeologia
O. VE IGA FERREIRA (Serviços Geológicos de Portugal)- Arqueologia.
ÍNDICE
I- INTRODUÇÃO . 5
l i - TRABALHOS ANTER IORES 5
III- ESTRATIGRAFIA ... 6
IV- ESBOÇO ESTRUTURAL . 19
V- PALEOGEOGRAFIA . . ............. . 21
VI -RECURSOS GEOLÓGICOS 25
VIl- HIDROGEOLOGIA 28
VIII- ARQUEOLOGIA 31
Bibliografia ......... . 32
I. INTRODUÇÃO
A carta geológica de Albufeira na escala de 1/50 000 abrange
a área da folha 52·8 da Carta Corográfica de Portugal do ICG; foi
obtida a partir de reduções de levantamentos realizados em cartas
à escala de 1/25 000 da Carta Militar de Portugal (folhas 604 e 605).
A região de Albufeira é constituída por formações de idade
meso-cenozóica pertencentes a um mesmo domínio de sedimenta-
ção («sub-bacia Este», in Manuppel la, Marques & Rocha, 1988).
O levantamento de folha 52-B foi executado no âmbito de pro-
jecto de investigação do Centro de Estratigrafia e Paleobiologia da
UNL pe los geólogos R. B. Rocha e B. Marques e pelo técnico ex·
perimentador J. C. L. Lopes, com a colaboração posterior do geó-
logo G. Man uppella e do auxiliar técnico A. Rodrigues, dos Servi·
ços Geológicos de Portugal. Na definição da biostratigrafia de
unidades jurássicas colaborou M. Ramalho; nas unidades cenozoi·
c as , M. T. Antunes.
Devido à circ unstância de ter passado longo período entre a con·
clusão desta fo lha e a da sua Notícia Exp licativa , esta apresenta
algumas modificações importantes no que respeita à evidenciação
de novos afl oramentos de idade não considerada na legenda da fo·
lha, como também quanto à posição estratigráfica de diversas uni·
dades cartografadas.
11. TRABALHOS ANTERIORES
São já em grande número os traba lhos pub licados , quer abran·
gendo directamenta a região em causa, quer de ordem mais geral,
mas com referências directas ou indirectas à região de Albufeira.
A geomorfologia da bacia algarvia foi tratada por M. Feio (1951 ),
que refere particu larmente a grande importância da tectónica plio·
cénica.
A estratigrafia das unidades jurássicas que afloram na área da
carta foi descrita por P. Choffat (1887). Posteriormente, J. Pratsch
(1958) publicou estudo essencialmente dedicado ao Jurássico do AI·
-5-
garve; o seu trabalho marca uma boa actualização de conhecimen-
tos da litostrat igrafia destas fo rmações , o que não acontece no que
se refere aos aspectos cronostratigráficos , onde os seus resulta-
dos foram completamente modificados por autores posteriores .
A partir do início dos anos 70 , a estratigrafia das formaçõe s ju-
rássicas foi objecto de estudos mais desenvolvidos que permitiram
melhor definição das escalas lito e cronostratigráfica , das associa-
ções faunísticas aí presentes , da paleogeografia e da paleobiogeo-
grafia destas unidades (Ramalho, 1972-1973, 1985; Rocha, 1976; Ro-
cha & Marques , 1979; Mouterde , Rocha , Ruget & Tintant , 1979;
Ma rques & Rocha, 1981 , 1986; Marques , 1983, 1984, 1985; Oliveira
et a/., 1984; Rosendahl , 1985; Ramalho & Ribeiro , 1985; Termier ,
Termier & Ramalho, 1985; Manuppella, Marques & Rocha , 1988).
A estratigrafia das formações cretácicas foi particularmente de-
senvolvida durante os anos 70 (Rey & Ramalho, 1973-197 4 ; Rama-
lho & Rey , 1975; Rey, 1983). Trabalhos sobre as formações terc iá-
rias da região de Albufeira têm sido realizados por vários autores
(Antunes, 1979-1980; Antunes , Jonet & Nascimento, 1981 ; Antunes ,
Bizon, Nascimento & Pais, 1981 ; Pais , 1982).
As primeiras referências sobre a hidrogeologia da região
encontram-se no livro-guia da excursão do 1. o CHI LAGE (Paradela
& Zbyszewski, 1971 ); trabalhos de hidrogeologia foram partícula-
mente desenvolvidos a partir dos anos 80 (Costa, Brites & Ped rosa ,
1981 ; Costa , 1982, 1983, 1984; Costa , Brites , Pedrosa & Silva, 1985;
Kleinendorst et ai. , 1986).
A inventariação dos recu rsos não metálicos da região foi ele-
borada por V. Pereira (1970) e G. Zbyszewski & J. Faria (1971).
III. ESTRATIGRAFIA
JURÁSSICO(*)
J 1ab- Complexo margo-carbonatado de Silves
HETAN GIANO - 40 m-50(?) m (Rocha, 1976)
Um pequeno afloramento de pelitos avermelhados e evaporitos
azóicos, que devem atingir 40 a 50 m de espessu ra , encontra-se
localizado na escarpa que limita a oeste a Praia da Baleeira , a SW
de Albufeira .
Esta unidade corresponde a um conjunto de sedimentos de na-
tureza plástica , pertencentes ao núcleo do diapiro de Albufeira , que
(*) Por R. B. Rocha e B. Marques (CEPUN L).
- 6-
aparecem à supe rfície ao longo da falha que lim ita a sul o diapiro.
Trata-se , sem dúvida , de uma unidade correlativa do topo do Com-
plexo margo-carbonatado de Silves , portanto de idade Liásico infe-
rior (Hetangiano - Sinemuriano?) .
J 2a - Calcários com nódulos de sílex e conglomerados monogénicos do
Malhão (*)
BAJOCIANO - 20 m-30 m
A formação do Malhão (Manuppella et a/., 1987) foi definida a
NW de Tavira e é constituída por calcários dolomíticos na base, que
passam a calcários oolíticos, a que se sobrepõem calcários pelbio-
micríticos com nódulos de sílex, terminando com conglomerados mo-
nogénicos e margas com amonóides.
Esta unidade, que não foi cartografada , aflora, limitadamente à
sua parte superior (calcários com nódulos da sílex e conglomera-
dos monogénicos), no flanco sul da estrutura diapírica de Albufeira.
Para a base , os calcários estão dolomitizados e apresentam-se for-
temente catac lásticos, visto serem atingidos pela falha Vale Rabelho-
-Praia da Baleeira, que controla o flanco sul da extrusão salífera
de Albufeira . Na parte mais alta da série aflorante foram encontra-
dos restos de amonóides não determináveis , pelo que a unidade foi
datada do Bajociano através da sua identidade faciológica com a
Formação do Malhão.
J 2c - Calcários margosos e margas da Praia de Ma reta
CALOVIANO - 50 m
Esta unidade não foi cartografada , tendo sido apenas assina-
lada posteriormente em dois afloramentos de dimensões re lativa-
mente pequenas nos flancos sul e norte da estrutura salífera de Al-
bufeira. Os dois afloramentos apresentam direcção semelhante W-E
e dispõem-se , respectivamente , entre as Sesmarias e a Praia da
Baleeira e entre o V. G. Terras Novas e o V. G. Cerro de Águia.
A série caloviana ocorre por baixo da cobertura terciária e só
foi posta em evidência aquando da execução de sanjas de direc-
ção N-S para obras de infra-estruturas de um aldeamento turístico .
Esta série, com fortes pendores para sul e para norte , corres-
ponde a alternância de calcários margosos e margas de cor ama-
relada , com raros lamelibrânquios [Bositra buchi (Roem .)] e peque-
nas amonites piritosas e calcárias [Hecticoceras (Brightia) sp.,
Parapatoceras sp., Sowerbyceras gr. protortisulcatum (Pomp .)].
(*) Por G. Manuppella (SG P).
-7-
J 3 ' 4 - Margas e calcários arenosos de Albufeira, lateralmente e no topo com
calcários reclfais
OXFORDIANO MÉD IO- KIMERIDGIANO INFER IOR-100m
( =Calcári os margosos e Margas do Pe ral, in Marques , 1983)
Esta formação , particularmente bem desenvolvida a Norte da Serra
de Monte de Figo , está representada nesta carta apenas por dois gru-
pos de af loramentos; um descontínuo, a Oeste e a Norte de Albufeira,
outro na Quinta do Escarpão, entre o Cotovio e Boliqueime .
Correspondem aos primeiros depósitos do ciclo sedimentar do
Jurássico superior (Marques & Olo riz , 1988). Com efeito, após o fi-
nal do cic lo sedimentar do Jurássico médio, em contexto nitidamente
regressivo , assiste-se à instalação de uma sedimentação carbona-
tada com influência terrígena. Trata-se de alternância de ca lcários
argilosos micríticos, compactos, acinzentados, e de margas igual-
mente acinzentadas com cefalópodes . No interior das margas são
visíveis pequenos corpos recitais (patch-reefs) , que , segundo S. Ro-
sendahl (1985), são constituídos maioritariamente por estromatopo-
rídeos e chaetetídeos, a que se associam cora li ários e rodofíceas .
Na parte superior da formação (passagem Oxfordiano/Kimeri-
·dgiano) regista-se a ocorrência de sedimentação detrítica argilo-
·margo-gresosa (Memb ro do Grés do Cotovia).
No interior da formação foi possível individualizar duas descon-
tinuidades particularmente bem representadas no perfil do Moinho
do Cotovia (02 e 03; Marques & Oloriz, 1988). Estão loca lizadas
na parte superior de uma camada de calcário argiloso e são mate-
rializadas por um hard-ground ferruginoso (02) e por uma superfí-
cie irreg ular de carácter noduloso com alguma glauconite (03) .
A base da Formação do Peral é atribuída ao Oxfordiano, zona
de Plicatilis , subzona de Antecedens, devido à presença de: Campy-
!ites (Neoprionoceras) henrici henrici (d'Orb.), G!ochiceras (G.) sub-
c/ausum (Op.), Taramelliceras (T.) argoviense (Jean.) Perisphinctes
(Oichotomosphinctes) buckmani Ark., P. (0.) dobrogensis Sim ., P. (O.)
antecedens Salf. e P. (0.) rotoides Ronch. Foram ainda individuali-
zadas nesta formação :
1) A zona de Transversarium, subzona de Parandieri, devido à
presença de: Ochetoceras cana!icu!atum (Buch) hispidum (Op.), Ta-
ramelliceras anar (Op.), Perisphinctes (Oichotomosphintes) wartae
Buck , P. (0.) e!isabethae Riaz, P. (0 .) luciaeformis Enay. e S. (Sub-
discosphinctes) aff . mindowe (Siem.);
2) A zona de Bimammatum com as formas de: G. (G!ochiceras)
tectum Zieg. , T. (Tara mel!iceras) costatum (Ouenst .), Orthosphinc-
tes (Praeataxioceras) virgulatus (Quenst.) , O. (P.) /aufenensis Siem. ,
Microbip!ices sp., Epipe!toceras sp. e Euaspidoceras (Ciambites) sp.;
-8-
3) A zona de Planula, devido à presença de: ldoceras aff. p ia·
nula Heh l (Zieten).
A parte superior da formação é atribuída ao Kimeridgiano, zona
de Hypse locyclum devido à presença de A. (Ataxioceras) discoida le
Schneid, A. (A.) hypselocyclum Font. e Orthosphinctes (Ardescia) in·
conditus (Font.).
J 4 ' 5 - Calcários com V. stria ta e C. ju rassica do Escarpá o, Calcários com
A. jaccard i e Calcários recitais da Ribeira da Quarteira pas sa ndo la·
teralmente a calcá rios dolom iticos (J 4o)
KIMERIDGIANO-PORTLANDIANO- 500 m-600 m
[=Calcários de transição de Escarpão (Ramalho, 1985) +Calcários com V.
striata e C. jurassica de Escarpão (Ramalho et ai., in Oliveira et ai.,
1984) +Calcários com A. jaccardi de Escarpão (Ramalho et a/., in Olivei ra
et ai., 1984) +Calcários dolomíticos e dolomitos de Santa Bárbara de Nexe
(Marques, 1983) +Calcários bioérmicos de Cerro da Cabeça (Marques ,
1985) +Calcários com nódulos de sílex da Jordana (Marques, 1983)]
Aos Calcários margosos e margas do Pera l seguem-se os Ca l·
cários com nódu los de sílex da Jordana e os Calcários bioérmicos
de Cerro da Cabeça. A Formação da Jordana, apenas representada
a Norte do Convento da Ourada, Pátio e a Sul do Vale de Santa
Maria, é constituída por calcários compactos que contêm nódulos
de sílex estrat ificados ou dispersos e raros nódulos carbonatados
e grãos de quartzo detrítica.
Os Ca lcários bioérmicos de Cerro da Cabeça correspondem à
instalação, a níve l de toda a bacia de sedimentação algarvia, de
fácies recital. São visíveis na região de Albufeira, Moinho do Coto-
via, Quinta do Escarpão, Boliqueime , ao longo da estrada Albu·
feira- Guia e em pequenos afloramentos situados entre as estra·
das da Guia e de Ferreiras .
Trata-se de calcários biomicríticos e intrabiomicríticos que con·
têm uma fauna muito abundante. Segundo S. Rosendahl (1985), na
base da formação abundam os espongiários siliciosos, para o topo
dominam os coraliários, estromatoporídeos, chaetetídeos, deixando
os espongiários quase de estar presentes. Como fauna associada
citam-se as algas (rodofíceas, clorofíceas e cianofíceas) , foraminí·
feros (mi liolídeos, lituolídeos e também sésseis) , serpulídeos, brio·
zoários, braquiópodes (raríssimos), lamelibrânquios , gasterópodes e
equinodermes .
Os Ca lcários com Alveosepta jaccardi do Escarpão , os Calcá·
rios com Vagine/la striata e Clypeina jurassica do Escarpão e os
Calcários de transição parecem corresponder a um a.umento da sub·
sidência em domínio de plataforma interna de pequena profundidade
e de energia fraca a moderada. Este conjunto de sedimentos, que
2
-9-
corresponde quase ao final do ciclo sedimentar do Jurássico supe-
rior, marca o máximo de uniformização litológica , a nível da bacia
de sedimentação algarvia. São visíveis na região de Albufeira, Quinta
do Escarpão e ao longo da estrada que liga Boliqueime a Loulé.
Trata-se de calcários biomicríticos , mais ou menos argilosos, por
vezes oncolíticos, com intercalações margosas e esporádicos grãos
de quartzo detrítica. O conjunto pode-se apresentar parcialmente
dolomitizado. A fauna está representada fundamentalmente por al-
gas e foraminíferos . Na base dos Calcários com Alveosepta jaccardi
ocorrem abundantes coraliários , estromatoporídeos e equinodermes
(Ramalho, 1985).
J 4·5 - Calcários com Anchlspirocyclina lusitanlca das Fontainhas
PORTLANDIANO- o 120 m
Os Calcários com Anchíspírocyclína lusítaníca das Fontainhas
representam , conjuntamente com os Calcários de transição , os úl-
timos sedimentos atribuídos ao Jurássico superior (Portlandiano A
e B, sensu Ramalho, 1971) depositados em domínio de plataforma
interna muito confinada (Ramalho, 1985). São visíveis ao longo da
estrada nacional que liga Albufeira a Faro, na estrutura sinclinal das
Fontainhas e nas pedreiras da Quinta do Escarpão.
Os Calcários com Anchíspírocyclína lusítaníca, por vezes dolo-
mitizados , são constituídos por calcários compactos frequentemente
intraclásticos e oolíticos , com alguns níveis de calhaus negros e
abundante fauna de gasterópodes e ostreídeos .
CRETÁCICO(*)
As unidades cretácicas distribuem-se por quatro grupos de aflo-
ramentos , a saber:
a) O afloramento do monoclinal de Porches , onde se localiza
o corte mais completo do Cretácico inferior da folha de Albufeira
(Rey, 1983) e que é dominado , a Norte , pelo relevo de Sobrai;
b) O afloramento do sinclinal da Guia- Ferreiras , a que per-
tencem outros afloramentos de pequenas dimensões em Brejos e
Vale da Ursa e que é constituídQ apenas pelas unidades situadas
abaixo dos Grés de Sobrai (bem como os dois grupos seguintes);
(*) Por R. 8 . Rocha .
-10-
c) O afloramento do Poço de Boliqueime ;
d) O af lo ramento de Arrifão, situado na costa, a SW de Albu-
feira, entre a Praia da Baleeira e a Praia Grande e onde é bem vi-
sível a discordância angular entre o Cretácico, vertical , e o Miocé-
nico, horizontal.
Aquando da execução da legenda da carta, a sene cretácica
da região estava ainda em estudo, pelo que se utilizou , na altura,
a esca la utilizada por R. Rocha (1976) no Mapa Geológico do Al-
garve Ocidental (folh a 2), ligeiramente modificada por novos elemen-
tos disponíve is (Ramalho & Rey, 1975; Rey , informações ora is). A
série litostratigráfica do corte de Porches foi posteriormente publi-
cada (Rey , 1983), pelo que é agora feita a correlação entre as uni-
dades apresentadas na legenda da carta, que figuram no títu lo en-
tre parênteses, e as definidas por J. Rey (op. cit.) e reconsideradas
as datações então apresentadas.
C 1· 2 - Margo-calcários upurbequianos"
BERRIASIANO INFERIOR- 65 m
(=Margas, calcários margosos , c. dolomíticos e c. criptocristalinos com
«calhaus negros•• da Ponta de Almadena +Margas gipsíferas e arenitos
micáceos da Ponta de Almadena +Margas, dolomitos areníticos e calcá-
rios com A. lusitanica da Ponta de Almadena)
Segundo J. Rey (1963, p. 92) esta unidade compreende três
membros de espessura sensivelmente igual , a saber, de baixo para
cima:
- Margas , ca lcários margosos, ca lcários dolomíticos e micri-
tes com fenestrae e calhaus negros, com Nodosocla vator bradleyi
(Harris) , Oictyoclavator cf. fieri Donze e Perimneste horrida Gramb;
- Margas gipsíferas cinzento-escuras e grés finos micáceos
amarelados, ricos de fragmentos lignitosas, em lentilhas com es-
tratificação entrecruzada;
- Margas amareladas e esverdeadas, alternando com dolomi-
crites e dolosparites amareladas, e com finos leitos de calcário gre-
soso. A associação micropaleontológica (Rey, 1983, fig. 3) com-
preende Anchispirocyc/ina lusitanica Egge r, Feurtillia frequens
Maync, Pseudocyc/ammina lituus Yok ., Trocholina gr . elongata-
·alpina, Nautiloculina oolithica Mohler, C!ypeina(?) solkani Conrad &
Rad ., Sa!pingoporella annulata Carozzi e Actinoporella podo/ica {Aith).
-11-
C 1' 2 - Calcários intraclásticos e margas com Trocholinas
BERRIASIANO INFERIOR A MÉDIO-22m
(=Margas, arenitos e calcários margosos com Trocholina e/ongata e Nau-
tiloculina cretacea de Porches - Valanginiano)
Correspondem a sequências elementares de margas acinzenta-
das ou esverdeadas, de calcários margosos, micríticos e nodulo-
sos , de calcários maciços, brancos ou de cor amarelo-pálida, es-
paríticos, com oólitos, int raclastos e de dolomitos cristalinos de cor
ocre. Além de todas as espécies assinaladas no topo da unidade
precedente, a associação micropaleontológica inclui também Ever-
ticyclammina gr. virguliana Koechlin, Freixialina planispiralis Rama-
lho, Cayeuxia piae Frollo e Permocalcu/us inopinatus Elliott.
c 1· 2 - Grés de Sobra I
BERRIASIANO MÉDIO A SUPER IOR -30m
[=Arenito quartzoso com cimento silicioso de Sobrai (Rocha , 1976)]
Trata-se de grés silicioso com calhaus de quartzo, associado,
em sequências positivas, a siltes de cor ocre ou violeta, com es-
tratificação oblíqua , e a argilas de cor violeta ou esverdeada .
C 1-2 - Calcários com Choffatella pyrenaica
BERRIA.SIANO SUPERIOR A VALANGINIANO BASAL- 1 m
[=Calcário com Palorbito!ina lenticularis (base)]
Correspondem a três bancadas de calcário cinzento-claro mi-
crítico e gresoso, bem visível ao longo da estrada de Porches para
Fontes de Matosa. A associação micropaleontológica compreende :
Choffatella pyrenaica Peyb. & Rey, C. decipiens Schlumb., Feurtillia
frequens Maync , Nautiloculina sp. , N. bronnimanni Arn. & Peyb. ,
Pseudotextularie/la sp. , Pseudocypleina(?) iailensis Maslov, Likanella
cf. campanensis Azema & Jafr., Clypeina(?) solkani Conrad & Rad .
e Salpingoporella annulata Carozzi.
c1·2 - Margas com Choffatella decipiens
BARREMIANO- 18m
[=Calcário com Palorbitolina lenticularis (pars)]
Correspondem a margas acinzentadas , esverdeadas ou de cor
violeta , acompanhadas por grés finos esbranquiçados , com lamina-
ção horizontal, por dolomitos gresosos de cor ocre e por calcários
margosos, nodulosos, micríticos ou esparíticos com estruturas fe-
nestradas . Além de ExQgyra boussingaulti (d'Orb.) identificaram-se
C. decipiens Schlumb ., Nautiloculina bronnimanni Arn. & Peyb. e
Mayncina bu/garica Laug ., Peyb. & Rey.
-12-
c 1· 2 - Camadas com Palorbitolina
BEDOULIANO- 41 m
[=Calcário com P. lenticularis (pars)]
Correspo ndem à alternância, em sequências elementares posi -
tivas, de margas amareladas e acastanhadas , com nódulos ca lcá-
rios , e de ca lcári os esparíticos , com intraclastos e oólitos , a que
se associ am alguns bancos dolomíticos ou fi namente gresosos. Al ém
de P. /enticularis (Bium.) , assina lam-se Choffatella decipiens
Schlumb., Sabaudia minuta Hoffker, Tamarella tamarindus Sow. , Am-
pullina sp. e Nautiloculina bronnimanni Arn . & Peyb .
C 1·2 - Margas da Luz
BEDOULIANO- GARGASlANO(?)- 30m
[ = Margas e calcários margosos da Luz (pars)]
Trata-se de argilas versicolores com intercalações de grés fi-
nos de cor averme lhada ou rosa. No corte de Porches não foi iden-
tificada qualquer associação micropa lentológica nesta unidade , ao
contrário do que aconteceu nos cortes de Alfandanga - Pão Branco
e de Bu rga u - Porto de Mós, onde esta unidade se revelou fossilí-
fera (Rey, 1983, figs. 2, 4).
C 1·2 - Margo-calcários de Porto de Mós
- GARGASlANO - 20 m visfveis
[=Margas e calcários margosos da Luz (pars)]
Correspondem à alternância de margas verdes e de pequenos
bancos de cal cá ri o margoso , micrítico, com estruturas fenestradas
e intraclastos, associados a leitos de dolomitos com laminações ho-
rizontais. A uma macrofauna de ostréideos e serpulídeos associam-
-se Mayncina bulgarica Laug ., Peyb. & Rey, Everticyclammina gr .
virgu/iana Koechlin , Nautiloculina bronnimanni Arn . & Peyb., Cuneo-
lina gr. pavonia- parva, Sabaudia minuta Hoffker e Terquemella sp.
CENOZÓICO (*)
A impressão da folha remonta a 1981 . Porém , os levantamen·
tos processa ram-se muito antes, em contexto diferente dos que cor·
respon dem aos de outras folhas (Tavira e Faro , por exemplo).
• Exec utou-os fundamentalmente o então técnico do CEPUNL Joaquim
César Lopes , sob a direcção de R. Rocha , que se dedicava sobre·
(*) Por M. T. Antunes & J. Pais .
-1 3 -
tudo ao Ju rássico ; não houve qua lquer intervenção da equipa que
tem desenvolvido pesquisas no Cenozóico do Algarve (M. T. Antu-
nes e J. Pais , também do CEPUNL).
Entenda-se, portanto , que a carta em causa está longe de sa-
tisfaze r quanto ao Cenozóico; corresponde a um estádio de conhe-
cimentos há muito ultrapassado. No texto que segue tentaremos dar
ideia da correspo ndênc ia entre o que consta do mapa e as unida-
des cenozóicas, ta l como as entendemos actualmente.
PALEOGÉNICO (possível)
Conglomerados da Guia
Na região da Guia há afloramentos significativos de conglome-
rados poligénicos sobrepostos a arg ilitos verme lhos, claramente pós-
-Cretác ico inferior, co m espessu ra máxima da ordem de 50 m. No
mapa aparecem confundidos quer com unidades cretácicas, quer
com jurássicas .
Pela posição re lati vamente às assentadas da Formação carbo-
natada de Lagos-Portimão , do Miocénico inferior (talvez atingindo
os prime iros tempos do Miocénico médio), é de admitir como hipó-
tese, ainda que sem prova directa, idade paleogénica. Não é de ex-
c luir que possam ser ainda cretácicos , apesar de em parte alguma
do Algarve serem con hecidos depósitos com tais características no
Sistema Cretácico.
MIOCÉNICO
No mapa são atribuídos ao Miocénico dois conjuntos de depó-
sitos, o mais antigo (M 1) essencialmente carbonatado, o outro (M 2) ,
arenoso. As manchas de M 1 e M2 correspondem a várias unidades
litostratigráficas, como segue:
Equivalênc ia entre as un idades litostratigráfi cas reconhecidas
e as rubricas da carta
Folha
de Unidades actualmente reconhecidas e sua idade
Albufeira
Areias de Fa ro-Quarte ira (Plistocénico) .
Areias dos Olhos de Água [Serravaliano (?)].
Siltes glauconíticos da Campina de Faro (Tortoniano superior).
Arenitos ca lcários e Calcários com seixos (Serravaliano- Langh iano).
Formação carbonatada de Lagos-Portimão (Burdigaliano-Aquitaniano,
essencialmente).
-14-
A caracter ização daquelas unidades foi feita , nomeadamente ,
nas Notícias Explicativas das folhas 52-A (Portimão), 53-A (Faro) e
53-B (Tavira).
Passamos a apresentar as unidades ta l como são actualmente
reconhec idas.
M1 - MIOCÉNICO
Formação carbonatada de Lagos-Portimão; Arenitos calcários e Calcários
com seixos
A rubrica Ml, na ca rta, corresponde às duas unidades litostratigráficas em epí-
grafe , cuj os símbol os, nout ras folhas en tretanto levan tadas , são, respect ivamente,
M 1·2 e M 3·4
Estas duas unidades são de difícil separação cartográfica , por am-
bas serem constituídas por rochas carbonatadas . Nas arribas litorais
é possíve l distinguir dois conjuntos ; um inferior, mais espesso , enci-
mado por uma superfície de descontinu idade que o separa dos Areni·
tos calcários e Calcários com sei xos . Esta descontinuidade está bem
exposta , por exemplo , nas arribas de Arrifão (Oeste de Albufeira).
Neste local, o Mi océnico contacta com o Cretácico por depósi-
tos cong lomeráticos com ostras , pectinídeos e out ros lamelibrân·
quios , coral iários e briozoários, além de calhaus rolados de quartzo ,
calcário e calcários dolomíticos. Este prim eiro nível passa a argi la
de cor amarelo-torrada , ravinada por conglomerado fino com ele-
mentos de ca lcário e quartzo , fragmen tos de grandes gastrópodes ,
lame librânquios e equinodermes . Para o topo, este nível passa a
silte amarelo-torrado, bastante bioturbado.
Inicia-se então nova sequência positiva por nível grosseiro , es-
sencialmente carbonatado, com abundantes fragmentos de fósseis
(pectinídeos , briozoários , ouriços , dentes de pei xes- Odontaspis,
Sparidae). Passa , superiormente , a si lte fino com bioturbação .
Daqui para cima afloram várias sequências do mesmo tipo. Pre·
dominam as fácies carbonatadas características de toda a forma·
ção. Al guns níveis forneceram fo raminíferos planctónicos e ostra·
codos. A meio do corte aparece um bom nível de referência , um
biocalcarenito (2 ,8 m) fortemente bioturbado , extremamente rico de
heterosteginas de tamanho pequeno a médio . Contém numerosos
ouriços (Ciypeaster) , alguns pectinídeos, escassos fragmentos de os-
treídeos e Balanus.
Cerca de 2 m acima surge o melhor níve l de referência de toda
a Formação carbonatada . É um biocalcarenito (1 ,55 m) amarelo-
-esbranquiçado, com tons rosados . A parte in ferior é uma massa
-15 -
de briozoários , algas , fragmentos de grandes ostras e pectinídeos .
Para os dois terços superiores , os briozoários tornam-se menos
abundantes; predominam concreções algares, às vezes com 4·5 cm
de diâmetro. Aparecem alguns ouriços {Ciypeaster), pectinídeos e
outros lamelibrânquios com concha conservada .
Na parte alta do corte há importante descontinuidade por ravi·
namento. O último nível observado é um banco de grandes ostras
(às vezes com as valvas em conexão) com alguns Chlamys. Ravina
fortemente a camada infrajacente, que chega a desaparecer. A ca·
mada ravinada é um biocalcarenito rico de heterosteginas que atin·
gem 5 mm de diâmetro. São frequentes os equinodermes {Ciypeas·
ter, Scutella) e Ba/anus.
O corte é encimado pelas Areias de Faro·Ouarteira.
O espesso nível de ostras (mais de 3 m) de Arrifão é paralelizá·
vel com bancos semelhantes a Norte de Albufeira , e com os con·
glomerados _com ostras do corte do Hotel Auramar (Pais, 1982).
As duas unidade carbonatadas afloram ao longo do litoral , cons·
tituindo as magníficas arribas desde o bordo Oeste da carta até Ar·
mação de Pêra, e de um pouco aquém da Ponta do Castelo até
Olhos de Água.
Em Armação de Pêra e na Praia da Galé aflora um banco de
calcário rico de magníficas concreções algares .
Nalguns locais (Praia da Galé , Ponta do Castelo) podem
observar-se sobre este conjunto, assentando por importante super·
fície de descontinuidade, os Siltes glauconíticos da Campina de Faro.
Na região de Olhos de Água afloram arenitos grosseiros, ricos
de moluscos e equinodermes, com estruturas sedimentares do tipo
sand waves, atribuídos aos Arenitos calcários e Calcários com
seixos .
Na Praia de Albufeira , no flanco N do diapiro , a unidade está
representada por uma brecha sinsedimentar, espessa , devida a mo·
vimentos do diapiro (na carta foi representada , em parte, sob a ru·
brica J 4).
As duas unidades estão profundamente carsificadas . As cavi·
dades cársicas estão preenchidas por um siltito margoso que , no
Arrifão e Praia Grande , é muito rico de dentes, essencialmente de
pei xes , provenientes dos calcários. A fauna é rica . Foram identifi·
cados um crocodilo e cerca de 40 espécies de peixes (Antunes et
a/. , 1981 a). Estão representados elasmobrânquios e teleósteos ,
quase todos da família Sparidae . São, em geral, formas litorais , es·
tenotérmicas de águas quentes (Negaprion, Galeocerdo, Hemipris-
tis) e, mais raramente , formas próprias de águas particularmente
quentes, como Ging/ymostoma.
-16-
----------- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
A maior parte dos vertebrados provém das camadas médias e
superiores das unidades. A fauna ictiológica corresponde às do Bur-
digaliano e Langhiano de Lisboa .
Do ponto de vista da datação, os foraminíferos planotónicos re-
colhidos em Arrifão e na Praia Grande indicam para a Formação
carbonatada de Lagos-Portimão uma idade burdigaliana, podendo,
no topo, atingir o Langhiano. Indicações do mesmo tipo são dadas
pelos ostracodos (Antunes et a/., 1981 b) . Quanto aos Arenitos cal-
cários e Calcários com seixos, são mais modernos do que a For-
mação carbonatada e anteriores aos Siltes glauconíticos da Cam-
pina de Faro, cuja idade, próximo da base, na Praia da Galé, é de
1O, 1 Ma+ 0,25 Ma, o que corresponde ao Tortoniano. Assim, só po-
dem corresponder ao Miocénico médio.
M2 - MIOCÉNICO
Na rubrica M2 da folha incluem-se, na realidade, unidades estratigráficas mio-
cénicas e plistocénicas: «Are ias de Olhos de Águ a», M4 noutras folhas , atribuídas
sem grande precisão ao Serravaliano; «Siltes glauconíticos da Campina de Faro»,
certamente tortonianos, M5 noutras folhas ; e «Areias de Faro-Quarteira», plistocé-
nicas.
Areias de Olhos de Água
Constituem um conjunto relativamente espesso (30-50 m) de
areias incoerentes, assentes por superfície de descontinuida.de so-
bre os Arenitos calcários e Calcários com seixos , imediatamente
a Este de Olhos de Água.
Na base aparecem areias castanhas, às vezes com fácies fia-
ser, a que se seguem areias igualmente acastanhadas, com estra-
tificação oblíqua, profundamente erosionadas . Nalguns locais estãp
cobertas por argilas. Noutros são encimadas por areias brancas ,
feldspáticas, fluviais . A estas sobrepõe-se um conglomerado gros-
seiro, marin , litoral , rico de restos de vertebrados marinhos,
destacando-::; : lsurus hasta/is, Carcharocles megalodon, Tomistoma
lusitanica, Metaxytherium medium, fragmentos de ossos de cetá-
ceos, etc . Estes conglomerados passam a areias finàs esbranqui-
çadas e a biocalcarenitos com ostras , pectinídeos [entre os quais
a rara, mas curiosa, ocorrência de Palliolum (Lissochlamys) exci-
sum] e gastrópodes. O conjunto marinho, com cerca de 2m de es-
pessura, passa a siltes e areias finas amarelo-avermelhados, ero-
sionados e sobrepostos pelas areias argilosas, arcósicas, vermelhas,
de Faro-Quartei ra.
-17-
Não é fáci! determinar a idade deste conjunto. São ulteriores
a, pelo menos , parte dos Arenitos calcários e Calcários com seixos
do Miocénico médios. 1. ; são anteriores às Areias de Faro-Quarteira,
de idade quaternária. A fauna recolhida no nível conglomerático não
é muito significativa. Todavia , a abundância de lsurus hasta/is de
grande porte, a presença de C. megalodon sem Carcharodon car-
charías, a de Hemíprístís e de alguns outros fazem excluir clara-
mente idade pliocénica; a fauna ictiológica parece mais compatível
com o Miocéni.co médio (parte superior) do que com o superior (Tor-
toniano e Messiniano) (Antunes, 1979; Romariz et a/., 1979-1980;
Antunes , 1979; Antunes, et a/., 1981 b).
Siltes glau~oníticos da Campina de Faro
Trata-se de siltes, de modo geral glauconíticos , amarelo-ocres .
Estão mal representados na área da carta. Todavia, formam estreita
e pouco espe.ssa banda entre a Praia da Galé e Albufeira, assen-
tando, por superfície de descontinuidade , sobre a Formação carbo-
natada ou sobre os Arenitos calcários e Calcários com sei xos.
Na Praia da Galé forneceram glaucon ite datada K-Ar de
1O, 1 MA+ 0,25 Ma (datação efectuada no Departamento de Geo-
ciências da Universidade de Coimbra por M. Portugal Ferreira e C.
Regência Macedo).
PLISTOCÉNICO E HOLOCÉNICO
Areias de Faro-Quartelra
Trata-se d\3 conjunto, com cerca de 50 m de espessura máxima,
de areias argilosas, às vezes arcósicas, e arg ilas arenosas, de cor
dominante vermelho-escura. Assentam sobre todas as unidades me-
sozóicas e c~nozóicas. Contêm níveis de calhaus, sobretudo na
parte mais alta. Foram recolhidas algumas indústrias paleolíticas ,
por exemplo na região de Vila Real de Santo António e Tavira, atri-
buídas ao Mustierense (Cardoso et a/., 1985).
Na Guia (i;. g. , Cova da Areia), na parte somital do conjunto,
afloram areias esbranquiçadas com laivos avermelhados, que for-
neceram fauna de anfíbios , répteis e mamíferos (incluindo 8os cf.
prímígeníus e pequenos mamíferos).
Em Algoz foi recolhida , aquando da abertura de um poço , im-
portante fauna de mamíferos , incluindo Híppopotamus antíquus, Cer-
vus sp. (talvez da linha de rhenanus-peyrol/ensís), Euc/adoceros sp .
(dícraníos ou cf . dícraníos) e Oryctolagus lacostí. Indica idade do
início do Plistocénico médio , Bihariano (Antunes et a/. , 1986a).
-18-
Este conjunto arenoso parece posterior à jazida de vertebrados
de Algoz, ante-Günz (Antunes et a/., 1986a). É seguramente poste-
rior aos depósitos de Morgadinho (Luz de Tavira), que forneceram
fauna de pequenos mamíferos de idade Villaniano a Bihariano, in-
clusivé (Antunes et a/. , 1986b).
Q - Depósitos de praias antigas e de terraços fluviais
Localizam-se essencialmente nas margens da Ribeira de Quar-
teira.
de- Duna consolidada
Existe uma duna consolidada, estreita e alongada, entre Arma-
ção de Pêra e Praia da Galé , na área de Morgado das Relvas , junto
ao mar.
Ad- Areias de duna
Entre Armação de Pêra e Praia da Galé têm certo desenvolvi-
mento dunas, embora bastante degradadas.
A- Areias de praia
São assinaladas em diversas praias , nomeadamente Armação
de Pêra, Galé, Albufeira , Oura, Santa Eulália e Quarteira.
a- Aluviões
Áreas significativas são ocupadas por aluviões. Destacam-se os
afloramentos de Lagoa, Ribeira de Alcantarilha , Ribeira de Espiche
(junto de Morgado das Relvas) e Ribeira de Quarteira . Também a
área deprimida, correspondente ao diapiro de Albufeira, se encon-
tra preenchida por aluviões modernos.
IV. ESBOÇO ESTRUTURAL(*)
Do ponto de vista estrutural , a carta é dominada pela estrutura
diapírica de Albufeira e pela bacia de afundimento da Guia .
A estrutura diapírica de Albufeira corresponde a anticlinal fa-
lhado, com dois compartimentos distintos, separados por sistema
de desligamento direito NNW-SSE.
(* ) Por R. B. Rocha e 8. Marques.
-19-
O compartimento ocidental é essencialmente formado por série
do Kimeridgiano-Portlandiano (J6 e J4•5), dobrada em anticlinal , cujo
eixo, de orientação ENE-WSW, passa pela Praia da Baleeira, a Sul
de Albu feira .
O flanco norte é cortado por diversas falhas inversas de orien-
tação ENE-WSW, cujo pendor vai diminuindo à medida que se afas-
tam do eixo da estrutura ; também o pendor da série kime ridgiano-
-portlandiana evolui desde valores de 65° nos Calcários dolomíticos
de Cerro de Águia até 20°/25° nos Calcários sublitográficos , crip-
tocristalinos e calciclást icos com A. jaccardí de Galvana.
Se bem que não tenha sido assinalado na carta nenhum aci-
dente correspondente ao eixo da estrutura, é, sem dúvida, ao longo
dele que se dá a subida das massas de gesso do Liásico inferior,
apenas visíveis na Praia da Baleeira . Este eixo corresponde , al iás,
grosso modo, à falha F3 de B. Parant (1963).
O flanco sul é formado por calcários com nódulos de sílex do
Bajociano (?) e por calcários dolom íticos do Kime ridgiano-
-Portlandiano(?), a que se sucede série margo-ca lcária berriasiana,
apresentando este conjunto inclinações da ordem dos 85°/90° para
Sul. Espessa série terciária assenta em discordância angular sobre
as formações mesozóicas; esta série inicia-se por formação essen-
cialmente carbonata do Miocénico inferior, fortemente carsificada
no topo e com enchimento de margas com dentes de peixes.
Variações bruscas e importantes da inclinação da série terciá-
ria , acima da formação carbonatada, foram interpretadas como sim-
ples escorregamentos na plataforma estrutu ral de sedimentação
(slumpíng), que corresponderia a paleorrelevo mesozóico fortemente
carsificado ; a sua situação, na vizinhança de acidente possível de
ser facilmente reactivado aquando de qualquer movimento da crosta,
faz pensar que aqueles escorregamentos também poderão ter si-
dos induzidos por instabilidade de origem tectón ica.
O compartimento oriental da estrutura de Albufeira mostra , no
conjunto, o flanco setentrional de estrutura em anticlinal , menos evi-
dente que a do compartimento ocidental; esta estrutura corresponde
à ejecção das Margas e calcários arenosos de Albufeira, que se
situam abaixo dos calcários dolomíticos kimeridgianos. A Norte deste
compartimento, a compreensão das relações geométricas entre as
diferentes unidades litológicas do Jurássico superior é dificultada
pela presença do afloramento miocénico de Vale de Santa Maria.
A pequena bacia de afundimento cretácica da Guia , com orien-
tação W-E, deve ter sido induzida pela migração lateral dos evapo-
ritos hetangianos para o núcleo do diapiro de Albufeira.
- 20 -
V. PALEOGEOGRAFIA
(*) As fácies do Caloviano inferior, idênticas desde Sagres até
para além de Tavira , comprovam a uniformidade das condições de
sedimentação ; esta , inicialmente margosa , vai-se enriquecendo em
calcário , tornando-se margo-calcária durante o Caloviano médio e
unicamente calcária durante o Caloviano supe rior.
A presença de Macrocephalitidae , Oppeliidae, Perisphinctidae e
Reineckeiidae, associada à ausência de faunas boreais e à abundân-
cia de Phylloceratidae, permite atribuir o Algarve à província subme-
diterrânica do domínio mesogeiano (**)durante o Caloviano inferior
e médio. Na mesma altura, a Norte do Tejo, associação idêntica , mas
à qual fa ltam quase completamente os Phylloceratidae, permite atri-
buir a bacia à província sub-boreal do domínio boreal.
Pelo menos a partir do Caloviano médio é evidente , a nível de
toda a Península (Norte do Tejo, Algarve , Astúrias , Navarra , Cadeia
Ibérica, Cadeia Bética) , o esboço de importante regressão , que vai
originar uma descontinuidade maior entre as formações do Dogger
e do Malm ; os depósitos do Jurássico médio, francamente marinhos ,
vão por isso, terminar a diversos níveis do Caloviano .
No Algarve, esta regressão está bem marcada pela superfície
de erosão que corta oblíquamente os níveis do Caloviano superior
(Praias da Mareta, da Baleeira e da Cilheta, forte de Beli xe) , médio
(Benaçoitão) e inferior (Telheiro). A ausência completa de sedimen-
tos continentais ou litorais entre as duas formações marinhas que
se encontram de um e outro lado da superfície de descontinuidade
não é a favor da emersão ; a existência de depósitos fosfatados ou
ferruginosos apoia, sim , a ideia de persistência do regime marinho.
Este conjunto de depósitos é característico da plataforma ex-
terna de mar aberto, temperado , onde devia reinar regime de cor-
rentes . A abundância de calhaus por vezes rolados , de fósseis par-
tidos ou só conservados numa das faces , de grãos de glauconite ,
de amonóides frequentemente recobertos por ostreídeos , de pecti-
nídeos e serpu lídeos , corroboram esta hipótese .
Com o Oxfordiano médio inicia-se o cic lo sedimentar do Jurás-
sico superior, representado na região entre Lagoa e Tavira por uma
sedimentação de plataforma carbonatada terrígena (Marques & Olo-
riz, 1988b). Depositam-se inicialmente calcários argilosos micríticos
(*) Por R. B. Rocha e B. Marques.
(* *) O domínio mesogeiano é ti do, no âmbito deste trabalho, com a acepção
de A. Haliam (1971 ), R. Enay (1972) , R. Rocha (1976) e B. Marques (1983) , corres·
pendendo ao domínio tetisiano de E. Cariou (1973) e S. Elmi et ai. (1974).
- 2 1-
e margas, organizados em sequências sobrepostas de diferentes or-
dens de grandeza (Formação dos Calcários margosos e margas do
Peral). No interior desta formação, limite Oxfordiano/Kimeridgiano ,
pode observar-se, na região do Cotovia e Terras Novas, uma im-
portante intercalação detrítico-a rgilo-marno-gresosa conhecida como
o membro do Grés do Cotovia (Marques, 1983). Esta intercalação
sugere , por um lado, a existência de terras emersas a Norte e a
Sul, sujeitas a intensa erosão, e, por outro, o desmantelamento par-
cial de bioconstruções implantadas em áreas de reduzida subsidên-
cia (Marques & Oloriz , 1988b). As condições do meio permitiram
também o desenvolvimento nesta formação de pequenas biocons-
truções de espongiários, a que se associaram corais, braquiópodes ,
briozoários e amonóides. Os cefalópodes dominam o conjunto da
macrofauna dos Calcários margosos e margas do Peral, cujo con-
texto sedimentar se insere em regime de plataforma carbonatada
terrígena, pouco profunda, com boa circulação superficial e ligação
às águas oce ânicas .
Posteriormente depositam-se calcários argilosos com nódulos de
sílex (Formação dos Calcários com nódulos de sílex da Jordana) e
calcários argilosos bioérmicos (Formação dos Calcários bioérmicos
de Cerro da Cabeça), que marcam a uniformização litológica e a
implantação de regime de sedimentação de plataforma carbonatada
a nível de todo o Algarve .
Os Calcários com Alveosepta jaccardi do Escarpão e os Calcá-
rios com Vaginella striata e C/ypeina jurassica do Escarpão corres-
pondem ao aumento de subsidência num regime de plataforma in-
terna de pequena profundidade e de energia fraca a moderada .
Estas formações correspondem ao máximo de uniformização litoló-
gica de toda a bacia de sedimentação algarvia .
Finalmente , os Calcários de transição do Escarpão e os Calcá-
rios com Anchispirocyclina lusitanica representam os sedimentos de
idade portlandiana depositados em regime de plataforma interna
muito confinada (Ramalho, 1985).
De acordo com Rey (1986), o Cretácico do Algarve central pode
ser decomposto em quatro megassequências :
A 1. a , iniciada no Jurássico superior, termina na descontinuidade
que separa os Calcários com Trocholina dos Grés do Sobrai. Os
margo-ca lcários «purbequianos», depositados em meio laguno-
·lacustre, representam o termo mais regressivo da 1. a megassequên-
cia, ao qual se sobrepõem os Calcários com Trocholina, marinhos ,
de alta energia.
A 2. a megassequência é transgressiva e inicia-se com os Grés
do Sobrai , fluviais e estuarinos, aos quais se seguem os níveis com
-22-
Choffatella pyrenaica, de ambiente lagunar. A lacuna do Valangi-
niano-Hauteriviano é a mais importante e verifica-se em todo o Al-
garve, sendo mais significativa a Oeste, diminuindo para Este , onde
é limitada ao Valangi niano superior .
A 3. a megassequência , de carácter regressivo para o topo, cor-
responde às Camadas com Palorbitolina , que se depositaram em
plataforma interna e correspondem a uma transgressão marinha ge-
neralizada em todo o Algarve .
A última megassequência , novamente transgressiva, é represen-
tada pelas Margas da Luz , depositadas em ambiente lagunar, às
quais se seguem as primeiras assentadas dos Margo-Calcários de
Porto de Mós, de meio margino-litoral , hipo a hipersal ino .
Segundo aquele autor, as formações cretácicas algarvias
depositaram-se numa plataforma levemente inclinada para o oceano,
tendo sido afectada pelas oscilações do nível do mar, as quais
acompanham bastante bem os ciclos eustáticos de Vail et a/. (1979).
Mantendo-se o mesmo no Berrisiano inferior a médio, o nível do mar
desceu no Valanginiano basal , subiu gradualmente no Hauteriviano-
·Barremiano e mais rapidamente no Bedouliano basal. Para a parte
superior deste subandar, o nível do mar torna a descer de forma
rápida .
(*) Com a excepção dos conglomerados da Gu ia, de idade in-
certa (e , como foi dito , cartografados como Jurássico e Cretácico) ,
não afloram depósitos atribuíveis ao Paleogénico. Esta situação é
a de todo o Algarve , embora noutros locai s ocorram vestígios de
unidades do Eocénico (aflorantes na Andaluzia) sob a forma de na-
noplâncton calcário ressedimentado e de carófitas .
Deste modo, é de concluir que, durante o Paleogénico , a sedi-
mentação não terá sido importante , a ponto de a erosão ter elimi-
nado praticamente todos os vestígios . A reg ião onde hoje é o Al-
garve deve ter permanecido emersa, ainda que haja depósitos
marinhos oligocénicos na plataforma ao largo de Albufe ira (sonda-
gem Ruivo 1); mais ao largo, na sondagem Imperador, o Miocénico
assenta directamente no Cretácico. Mas a Este , também na plata-
forma , há Eocénico marinho, conforme revelaram as sondagens Al-
garve 1 (também com Oligocénico) e Algarve 2 (elementos amavel-
mente ced idos pelo GPEP).
A situação modificou-se no Miocénico inferior, Aqu itaniano (?)
e Burdigaliano , conforme o documenta a Formação de Lagos-
-Portimão . Estes depósitos estão relacionados com uma transgres-
(* ) Po r M. T. Ant unes & J. Pais.
-23-
são marinha (com oscilações ainda insuficientemente caracterizadas)
que se desenvolveu bastante para o interior. Disso dão testemu-
nho, por exemplo, os pequenos retalhos de Bensafrim , no Algarve
ocidental; regime marinho estabeleceu-se tanto sobre o substrato
mesozóico como sobre os terrenos carboníferos da zona sul-por-
tuguesa .
A paleogeografia foi decerto afectada pe la co lisão do Maciço
Bética com o Maciço Hespérico, no Miocénico inferior. Podem ser
consequências de acontecimentos como este as modificações do
regime de sedimentação (ainda que, ao menos de início, também
marinho, mas com muito maior contributo de detritos terrígenos) e
a nítida descontinuidade evidenciada por superfície de erosão bem
patente na Praia da Rocha, Albufeira, etc. A maior proporção de
sedimentos continentais traduz uma tendência regressiva bastante
generalizada durante parte do Miocénico médio, culminando com
o depósito de espessas assentadas de areias fluviais (Olhos de
Água) . Não somente a área em causa ficou emersa mas, ao me-
nos localmente, foi teatro de activa sedimentação devida ao esta-
belecimento de um grande rio. Enfim , o final do Miocénico médio
é marcado por limitadas oscilações transgressivas nas proximida-
des de Olhos de Água .
O que foi exposto é, nas linhas gerais , aplicável à área da folha
de Albufeira, não obstante as perturbações locais devidas ao diapiro.
Diferente paleogeografia corresponde aos siltes do Tortoniano
(Ponta do Castelo , Praia da Galé) . Os depósitos tortonianos , mari-
nhos , dão prova de nova transgressão, melhor representada no Al-
garve oriental (Que lfes , na folha 53-A, Faro; arre dores de Pedras
de EI-Rei , folha 53-8 , Tavira ; Cacela , corte clássico sito na folha
50-D , Vila Real de Santo António). Veio a saber-se que, a Este de
Faro, a série começava no Tortoniano superior, com os termos mais
elevados provavelmente do Messiniano ; e que depósitos correlati-
vas (às vezes confundidos com unidades muito mais antigas) aflo-
ram próximo de Lagos . Porém , não são frequentes pequenos aflo-
ramentos no interior que permitiriam , como os da Formação de
Lagos-Portimão (Miocénico inferior), de algum modo, reconstituir a
paleogeografia, ao tem po. O mar tortoniano abrangeu, que saiba-
mos, uma faixa litoral com cerca de 15 km , no máximo.
Caso particular é o dos espongolitos de Mem Moniz , também
de idade tortoniana . A notória diferença de fácies parece explicá-
vel por via de fenómenos de upwel/ing, trazendo à superfície águas
frias, profundas , numa área submarina deprimida.
Enfim, na área da folha de Albufeira desconhecem-se assenta-
das messinianas (representadas em Cacela).
- 24 -
Oscilações transgressivas e regressivas podem ter sido contro-
ladas pela tectónica e, sobretudo, pelos acontecimentos princi-
pais - a co li são do Maciço Bélico e a fase intratortoniana. Local-
mente , terá havido perturbação de natureza diapírica, como em
Albufeira e Faro.
Após o Tortoniano superior é nítida, no Algarve , a regressão .
Assim o indicam os depósitos superiores de Cacela (membros in-
termédio e superior), com fácies relacionada com meio confinado
e salinidade presumivelmente mais baixa do que a do mar do Tor-
toniano superior. Deste modo, durante o final do Miocénico, a ten-
dência é a de a região algarvia, tal como hoje, ficar emersa.
A emersão manteve-se no Pliocénico. Sabemo-lo pela negativa ,
já que nenhuns depósitos foram até hoje reconhecidos com segu-
rança como pliocénicos . Único caso que poderia constituir excep-
ção é o de Morgadinho (folha de Tavira) , se a idade se situar no
limiar do intervalo reconhecido, do Pliocénico superior ao Plistocé-
nico médio . Também se trata de fácies continentais.
Quanto ao Plistocénico e Holocénico, as variações do nível mé-
dio do mar originaram terraços marinhos, principalmente na perife-
ria marítima do Algarve . A paleogeografia sofre retoques - evolução
das zonas costeiras, incluíndo ilhas-barreira, mas nem por isso se
verificaram alterações profundas. A geografia actual não será muito
diferente.
VI. RECURSOS GEOLÓGICOS
AREIAS DE DUNAS
Fazendo parte este tipo de areias , na região em causa, de ecos-
sistemas muito sensíveis , qual cordões dunares costeiros, é de ex-
cluír qualquer exploração que venha a pôr em causa o seu equiíli-
brio.
AREIAS (AREIAS DE FARO)
Existem pequenas explorações de areias quartzosas mais ou me-
nos rubeficadas, em particular na região de Alcantarilha-Pêra.
O Quaternário aflorante na região Lagoa-Boliqueim e apresenta-
-se, em geral, arenoso e na sua base é possível encontrar, por ve-
zes , areias de boa qualidade não atingidas pela rubeficação. Níveis
arenosos (f luviais?) englobados no Quarternário aflorante entre Bo-
liqueime e Aldeia das Açoteias são susceptíveis de serem explora-
dos como areias para construção civil.
-25-
ARGILAS
Existem boas potenc ialidades em argilas no concelho de Albu-
feira (Manuppella et ai., 1985). Os depósitos argilosos mais utiliza-
dos são os de idade cretácica, aflorantes no Vale de Silves, a oeste
de Paderne, já fora da carta. Estas argilas voltam a aflorar a este
de Lagoa, junto de Porches (J. Rey, 1985). Trata-se de argilas ilíti-
cas marinhas com boa atitude para a utilização no sector da cons-
trução pesada.
GESSO
São conhecidos depósitos de gesso aflorantes na região abran-
gida pelo mapa. Estamo-nos a referir aos afloramentos da Praia da
Balieira , ligados ao pólo extrusivo da estrutura central do Vale da
Ourada. Não se conhecem explorações desta matéria-prima , nem
se antevê qualquer hipótese de exploração , tendo em conta a pres-
são urbanística a que o Vale da Ourada é sujeito.
CALCÁRIOS E DOLOMITOS
Toda a megassequência mesozóica da bacia sedimentar algar-
via é dominantemente carbonatada . Na região Lagoa-Aibufeira-
-Boliqueime, as unidades carbonatadas susceptíveis de fornecerem
matéria-prima com boas características afloram na zona a norte de
Albufeira, nomeadamente entre Assomadas e Quinta do Escarpão.
Não dispondo de dados sobre a ca racterização química dos calcá-
rios , não podemos fornecer uma adequada qualificação da matéria-
-prima .
FORMAÇÕES JURÁSSICAS
Formação do Peral (Margas e calcários margosos)
É formada essencialmente por margas e ca lcários margosos
silto-arenosos. As suas características litológicas limitam fortemente
qualquer aplicação.
Formação do Grés do Cotovío (grés e conglomerados quartzosos)
Não se vislumbra nenhuma aplicação para esta unidade, tendo
em conta a sua constituição lítica.
Formação Cabeça (Calcário bioconstruido)
Esta unidade, que na região de Faro e Tavira fornece a apre-
ciada rocha ornamental Brecha de Tavira, também na região de Bo-
-26-
liqueime, onde aflora , pode fornecer matéria-prima para rocha or-
namental, apresentando , à vista, protencialidades suficientes.
A formação Cabeça apresenta-se, por vezes, dolomitizada, como
acontece a notre de Boliqueime . Não se tendo realizado traba lhos
de pormenor no que diz respeito aos teores de MgO, mesmo se
à primeira vista os afloramentos parecem apresentar algum inte-
resse , não podemos fornecer a qual ificação e aplicabilidade dos di-
tos dolomitos.
Formação Escarpão (Calcários com A jaccardi; calcários com V. striata
e C. jurassica e Calcário de transição)
É nesta unidade que se situam todas as grandes pedreiras que
abastecem a construção civil em todo o Alg arve central e oriental.
Trata-se de ca lcá rios com elevado grau de pureza (Manuppella ,
1987), atingindo os 53 % -54 % de CaO e baixo teor em sílica. Admi-
timos que possam ser utilizados na siderurgia (algumas áreas), vi-
dro (algumas áreas), indústria cimente ira , agricultura e alimentação
animal, tratamento de águas , construção civil e obras públicas.
Calcários com A. /usitanica
Formados por calcários oolítico-calciclásticos , em geral esparí-
ticos, poderiam ser utilizados em todos os sectores em que as es-
pecificações relativas a Si02 e PP 3 não sejam excessivamente pe-
nalizantes.
FORMAÇÃO CRETÁCICA
A megassequência cretácica, em geral poluída por sílica e óxi-
dos metálicos , não é aplicável , a não ser naqueles sectores em que
os óxidos metálicos e as areias são pretendidos como melhorantes
da matéria-prima, caso das argilas para construção pesada , de que
atrás já se fa lou.
FORMAÇÕES TERCIÁRIAS
Constata-se que as formações pertencentes a este período es-
tão fortemente penalizadas por altos teores de quartzo e óxidos me-
tálicos , que inviabilizam qualquer utilização, em particular no que
se refere às rochas carbonatadas . Pelo que diz respeito às fácies
arenosas, desconhecendo-se a sua composição química, não po-
demos emitir nenhum parecer sobre a sua aplicabil idade.
-27-
VIl. HIDROGEOLOGIA
CONDIÇÕES HIDROGEOMORFOLÓGICAS
A área coberta pela folha é drenada por pequenas linhas de
água de regime efémero que se distribuem em toda a sua exten-
são, e pelos sectores terminais das ribeiras de Quarteira , Alcanta-
rilha e Arade , respectivamente nas zonas oriental , central e ociden-
tal , após percorrerem superfícies significativas da bacia sedimentar
algarvia.
Da geomorfologia, relativamente suava e monótona , destaca-se
o «planalto» do Escarpão à cota 160 m e as zonas deprimidas dos
vales fluviais das ribeiras de Quarteira, Espiche e Alcantarilha , bem
como a área de Lagoa-Algoz , onde se forma uma bacia de recep-
ção interior .
A região , de características semi-áridas, regista precipitações
médias anuais de 450 mm , com cerca de 20 dias de chuva e eva-
potranspirações reais que devem rondar os 400 mm . Aceitando a
representatividade destes valores , os excedentes hídricos resultan-
tes serão modestos, designadamente , no que se refere ao escoa-
mento superficial , limitado a um curto período de tempo e logo após
precipitações elevadas .
APTIDÃO AQU[FERA DAS FORMAÇÕES
A ocorrência de conjuntos litológicos permeáveis em toda a me-
gassequência , como sugere a ocorrência de dolomitos , calcários
dolomíticos , calcários , calcarenitos e areias , pressupõe a existên-
cia de sistemas aquíferos relativamente importantes, que as condi-
ções estruturais e geomorfolóigicas tornaram interdependentes.
De acordo com a extensão superficial , a espessura e as carac-
terísticas hidrogeológicas dos afloramentos, os reservatórios de água
subterrânea apresentam produtividades diversificadas, que incluire-
mos nos seguintes grupos :
Produtividade elevada (superior aos 1 O 1/s): Dolomitos e cal-
cários dolomít icos do Jó e calcarenitos do M 1 .
Produtividade variável (compreendida entre os 5 e os 1O 1/s):
Fácies calcária do J 4 - 5 e do C 1 - 2 .
Produtividade bai xa (inf erior aos 5 1/s): Cobertura miocénica
(M 2) , pliocénica (Q) e Aluviões (a) e a fácies carbonatada
do J 3 - 4.
-28-
FUNCIONAMENTO HIDRÁULICO
As principais fontes de realimentação do sistema hidrogeológico
originado na região são constituídas pela precipitação directa , os
excedentes de irrigação e as transferências de escoamento, super-
ficial e subterrâneo , de outras regiões da bacia sedimentar .
O sistema aquífero miocénico , ocupa a maior parte da folha e
situa-se ao longo de toda a zona costeira , com excepção da área
de Albufeira, onde os afloramentos mesozóicos, que se alargam para
norte , o individualizam em dois blocos: O Bloco ocidental onde o
Cretácio , aflorante na área de Lameiras/Porches, parece constituir
o substracto aquífero e o bloco oriental , bastante mais limitado dado
o desenvolvimento dos afloramentos mesozóicos para norte e nor-
deste das regiões de Albufe ira , Guia , Escarpão, Pinhal e Bol iqueime.
Os ca lcarenitos miocénicos (M 1) encontram-se cobertos por de-
pósitos detríticas (M 2) , em grandes extensões e, em algumas zo-
nas, por terraços fluviais e aluviões de permeabilidade variável , mas
sempre baixa , podendo formar , ou não, pequenos aqu íferos suspen-
sos , que determinarão condições livres e/ou semi -livres do reserva-
tório regiona l.
O facto do aquífero miocénico se localizar na zona costeira ,
onde a indústria turística tomou maior desenvolvimento , provocou
depressões piezométricas com cotas abaixo do nível do mar, dando
origem a diversas digitações de intrusão marinha ; os efeitos são
visíveis nos terrenos tradicionalmente cultivados, nomeadamente na
área da Quinta da Balaia , entre Branqueira e Santa Eulália , onde
as explorações intensas de água subterrânea cond uziram à salin i-
zação dos solos, levando os agricultores a abandonar extensas
áreas .
O fluxo subterrâneo faz-se , geralmente , para S e SW através
de recargas procedentes dos afloramentos mesozóicos, dos depó-
sitos detríticas mais modernos e de transferências subterrâneas dos
aquíferos Jurássicos e cretácicos situados a norte e que os aflora-
mentos miocénicos confinaram , dotando-os de cargas hidráulicas
capazes de fazer ascende r a água através das zonas tectonizadas
e dos aquitardos ocorrentes , até aos reservatórios sub-superficiais.
O modelo hidrogeológ ico regional apresenta as áreas preferen-
ciais de recarga nas zonas setentrional e central , onde são alimen-
tados os aquíferos sub-superficiais ante-miocénicos , normalmente
dotados de boas permeabilidades , altos gradientes hidráulicos e,
consequentemente , elevadas velocidades de escoamento.
- 29 -
Na zona oriental, onde o Jurássico superior está mais desen-
volvido, o «planalto» do Escarpão apresenta-se muito carsificado,
formando uma superfície de aplanação a cerca de 3 km do mar ,
tendo sido intersectados aquíferos com caudais superiores aos 1O 1/s
e a profundidades que aumentam significativamente para SW. Junto
ao contacto com o Miocénico o afloramento J4 - 5 sofre um estrei-
tamento , ao mesmo tempo que é ladeado por materiais calcários
e margosos do o- 2 e materiais margosos do J3 - 4 , que orientam
o fluxo para Olhos de Água, onde se originam nascentes dissemi-
nadas pe la praia e fluxos concentrados em pleno mar.
Na extremidade NE da folha, na área de Boliqueime os aflora-
mentos margo-carbonatados do J3 - 4 e C1 - 2 condicionam os es-
coamentos subterrâneos das camadas aquíferas mais superficiais
do J4 - 5 e J ~. localizadas entre aque las formações e a falha de
Betumes-Carcavai , para o aquífero miocénico Ribeira de Quar-
teira/Ouarteira , em detrimento do bloco de Albufeira/Olhos de Água .
CARACTERISTICAS HI DROOUIMICAS
De acordo com a Carta Hidrogeoquímica Pontual da Orla Algar-
via existem na área da folha dois grupos de água subterrânea bem
diferenciados, com as características químicas e di stribuição espa-
cial seguintes:
Águas típicas de aquíferos carbonatados;
Ág uas influenc iadas por fenómenos modificadores.
O primeiro grupo eng loba águas residentes em aquíferos car-
bonatados submetidos a fenómenos normais de dissolução; distribui-
-se por toda a região e apresenta fácies bicarbonatada/cálcica, com
mineralizações compreendidas entre 500 e os 1000 mg/1 e durezas
inferiores aos 45 o franceses.
O segundo, mais localizado, engloba águas com teores de sóli-
dos dissolvidos superiores a 1 g/1, durezas superiores a 45° france-
ses e fácies do tipo cloretado/sódico, ou mistas de predominância
cloretada/sul fatada -sódico/cálcico. A mudança de fácies hidroquí-
mica deve-se, fundamentalmente, à int rusão marinha, à ocorrência
de sal, ou de rochas salíferas na bacia sedimentar e, eventualmente,
ao movimento induzido de águas congénitas. Em qualquer dos ca-
sos produziu-se um aumento de mineralização das águas subterrâ-
neas que, frequentemente, as tornam impróprias para consumo, de-
signadamente para a agricultura e abastecimento doméstico.
-30-
O conhecimento que se possui da região leva-nos a concluir que
as águas subterrâneas ocorrentes, à excepção da zona nordeste
da folha, não são de boa qualidade físico-química , em especial nas
áreas limitadas por Armação de Pera/Aibufeira/Gramacho/Sesmarias ,
até Armação de Pera e, ainda , nas proximidades da Ribeira da Quar-
teira.
A presença de teores elevados de nitrato nos dois grupos , de-
vido à actividade agrícola ao longo dos tempos e em algumas áreas
da bacia sedim entar, constitui motivo de preocupação , pelas impli -
cações que este composto pode ter sobre a Saúde Pública.
VI II. ARQUEOLOGIA
No âmbito desta folha podemos assinalar as seguintes antigui-
dades:
Paleolítico
Nesta ru bri ca podemos apontar a Praia Quaternária de Oura ,
com indústrias do Paleolítico antigo e médio , assim como as jazi-
das de Albufe ira e Boliqueime (Ribeira da Asseca).
Pós·Paleolitico
Do Neolítico ou Neo-Eneolítico citamos as seguintes estações
ou objectos isolados: Castro de Porches Velho, na base do Caste lo
Rouqueiro e Gruta do Castelo de Porches . Em Crastos, além do ve-
lho castro pré-h istórico , foram encontrados objectos isolados. Tam-
bém em Benface , Alcantarilha , Senhora da Rocha e Albufeira se
encontraram objectos isolados do Neo-Eneolítico . Em Albufeira há
grutas pré-históricas desta época , como a da Gralheira, Porto da
Ba lee ira e Fu rna da Praia. Em Vale de EI -Rei (Porches) foram en-
contrados grandes menires fálicos insculturados .
Em Estômbar e Porches Velho são conhecidos cemitérios do
Bronze merid ional português , assim como em Vale de Carro, em
Albufeira, e em Crastos . Também objectos isolados da Idade do
Bronze foram descobertos em Porches Velho.
Da época lusitano-romana são conhecidas as seguintes esta-
ções: Lagoa, Porches Velho, Crastos , Armação de Pêra , Poço dos
Mouros, Ponte de Quarteira ou do Barão , Retorta, Cerros Altos, Poço
do Barnabé , Patroves , Albufeira , Quinta da Orada e Senhora da
Rocha.
Nos Cerras Altos foram localizadas antigas fundições pré e prato-
-históricas com escórias de cobre e de ferro e silos arábicos.
-31-
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Composto e impresso
na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, E. P.
com uma tiragem de 3000 ex.
Março de 1990
Depósito legal n. • 34 279190
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DIRECÇÃO-GERAL DE GEOLOGIA E MINAS
SERVIÇOS GEOLÓGICOS DE PORTUGAL