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Relatório Seminário Rastreamento

O documento apresenta um modelo de relato para um seminário sobre rastreamento em saúde, destacando sua importância na Atenção Primária para a detecção precoce de doenças. Os objetivos incluem capacitar médicos de família a realizar rastreamentos baseados em evidências, considerando fatores individuais dos pacientes. Além disso, aborda as dúvidas comuns dos pacientes sobre rastreamento e a necessidade de um entendimento crítico sobre os benefícios e riscos envolvidos.

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Luma Negris
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Relatório Seminário Rastreamento

O documento apresenta um modelo de relato para um seminário sobre rastreamento em saúde, destacando sua importância na Atenção Primária para a detecção precoce de doenças. Os objetivos incluem capacitar médicos de família a realizar rastreamentos baseados em evidências, considerando fatores individuais dos pacientes. Além disso, aborda as dúvidas comuns dos pacientes sobre rastreamento e a necessidade de um entendimento crítico sobre os benefícios e riscos envolvidos.

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CENTRO UNIVERSITARIO FAMINAS

CURSO DE MEDICINA ANEXO III


NÚCLEO DE ATENÇÃO PRIMÁRIA

Estágio Curricular Obrigatório em Atenção à Saúde


Modelo de Relato do Seminário para discussão de Caso Clínico nos Encontros Teóricos

Internos: Julia Correia Lemos e Luma Duarte Negris Matrícula: 1-20-12040 e 1-20-11655

Preceptor responsável: Mylena Moraes Carneiro Unidade de ESF: Dornelas II

1) Tema da apresentação.

Rastreamento.

2) Objetivos: Quais são os objetivos deste estudo realizado sobre o tema escolhido, o que um
médico de família qualificado deverá ser capaz de realizar após a sua apresentação?

Por meio deste estudo, é possível compreender que apesar de o rastreamento em saúde é uma
estratégia fundamental na Atenção Primária para a detecção precoce de doenças em indivíduos
assintomáticos, com o objetivo de reduzir a morbimortalidade associada a essas condições, ele deve ser
baseado em evidências científicas sólidas, avaliando o equilíbrio entre benefícios e riscos. Também se
destaca a importância da abordagem individualizada, considerando fatores como idade, histórico familiar
e preferências do paciente, além da necessidade de evitar rastreamentos excessivos, que podem levar a
sobrediagnóstico e intervenções desnecessárias.

Além disso, pode-se compreender melhor os níveis e possibilidades de Prevenção em Saúde,


fundamentais no dia a dia da Atenção Primária. Assim, o estudo desse tema é fundamental para que o
médico de família e comunidade saiba quando e em qual paciente é importante realizar um trabalho de
rastreamento, além de avaliar criticamente qual tipo de prevenção em saúde deve ser utilizado.

3) Qual ou quais as dúvidas mais frequentes em um atendimento médico sobre este tema? O que
você conseguiu pesquisar sobre isto que pode contribuir para o grupo? Neste quesito espera-
se que a dupla possa trazer uma contribuição pertinente para o grupo, numa abordagem
diferenciada para a atenção primária.

Algumas das principais dúvidas relacionadas ao rastreamento são: “Quais exames eu preciso fazer
regularmente e com qual frequência?”; “Se eu não sinto nada, preciso mesmo fazer exames?”;
“Determinado exame realmente previne doenças?”; “Há riscos em fazer exames de rotina?” e “Se meu
exame der alterado, quer dizer que tenho uma doença grave?”.

Por isso, é tão importante que o médico de família e comunidade esteja informado e atualizado
quanto esse tema, para que ele possa responder esse paciente com clareza e evitar preocupação
exagerada e realização de exames de forma desnecessária.

Assim, deve informar sobre os grupos e faixa etária adequada para determinado exame de rastreio,
além da frequência que este deve ser realizado, orientar sobre a eficácia e necessidade de determinado
exame e sobre o resultado esperado.
4) Conteúdo teórico apresentado.

Rastreamento consiste na aplicação de testes/exames em pessoas assintomáticas (em população


definida) com o objetivo de selecionar indivíduos para intervenções cujo benefício potencial seja maior
do que o dano potencial, visando reduzir a morbimortalidade atribuída à condição a ser rastreada. É uma
intervenção que oferece risco potencial à saúde das pessoas sem respectivo benefício. Assim, a Atenção
primária à saúde (APS) é fundamental na construção de programas de rastreamento, já que potencializa
o seguimento das pessoas que participaram do rastreamento.

É importante conhecer o conceito de Prevenção, medidas que visam evitar o desenvolvimento de um


estado patológico, incluindo as que limitam a progressão desse estado. Pode ser dividida pelos níveis de
prevenção de Leavell e Clark (configuração cronológica da prevenção, centrada no saber clínico-
epidemiológico):

• Prevenção primária (P1): ação previa ao adoecimento que impede a ocorrência da doença:
o Promoção da saúde;
o Proteção inespecífica (nutrição, água potável, saneamento...);
o Proteção específica (dirigida a uma determinada doença – vacinação, por ex.).
• Prevenção secundária (P2): detectar o adoecimento precocemente para trata-lo com mais
efetividade, maior brevidade, menor sofrimento e menores danos – rastreamento e diagnóstico
precoce/oportuno → maior chance de cura, sobrevida e/ou qualidade de vida.
• Prevenção terciária (P3): reabilitação em casos de doença ou lesão já estabelecida.

A Prevenção Quaternária (P4) extrapola a configuração prévia e se torna centrada na relação médico-
paciente. Diz respeito a necessária autocontenção criteriosa da ação profissional e institucional, para
evitar danos. Exemplo: desencorajamento do rastreamento do câncer de próstata na população
masculina geral por meio da dosagem de antígeno prostático específico (PSA) e/ou toque retal.

Devemos atentar para os incidentalomas (diagnósticos derivados dos achados casuais,


principalmente em exames de imagem de alta resolução, que na maioria dos casos não tem repercussão
clínica) e sobrediagnóstico (diagnósticos corretos de doenças que não teriam repercussão na vida da
pessoa, mas que geram tratamentos e maiores investigações), uma vez que ambos são potenciais
geradores de danos iatrogênicos significativos e de medicalização excessiva, devido às suas múltiplas
cascatas de intervenções.

O conceito de prevenção redutiva e aditiva também é fundamental nesse contexto.

A prevenção redutiva consiste em diminuir riscos e exposições decorrentes dos modos de vida
modernos, urbanos e industrializados, coletivos e/ou individuais. Portanto, são intervenções que buscam
o restabelecimento das condições e modos de vida considerados “normais”, salutogênicos, sustentáveis
e ecológicos. Entre seus exemplos, destacam-se reduzir a exposição aos produtos químicos e tóxicos na
alimentação, reduzir o multiprocessamento dos alimentos, reduzir o sedentarismo da vida urbana, reduzir
os riscos e a contaminação química tóxica ambiental e ocupacional, diminuir a privação e a iniquidade
socioeconômica (hoje, um risco para a saúde), reduzir o estresse, a privação do sono, o cansaço excessivo,
etc.

Já a prevenção aditiva consiste na introdução de um fator ou produto biotecnológico (físico ou


químico) produzido artificialmente e aplicado nas pessoas ou no ambiente, visando proteger de algum
evento mórbido futuro, como vacinas, rastreamentos e tratamentos preventivos farmacológicos de
fatores de risco (ex: estatina para reduzir colesterol).
Além disso, destacam-se as estratégias de alto risco e de abordagem populacional.

Estratégia de alto risco:

• Identificar e convidar pessoas pertencentes ao grupo de alto risco para intervenções preventivas,
não incluindo o restante da população considerada “normal”;
• Mais custo-efetiva – os recursos são alocados apenas para aqueles que necessitam;
• Pessoas mais facialmente convencidas a adotarem as medidas;
• Entretanto tende a medicalizar as pessoas.

Estratégia de abordagem populacional:

• Visa reduzir o risco de adoecimento em toda a população;


• Ações que, após incorporadas na sociedade e na cultura, tornam-se sustentáveis;
• Exemplos:
o Introduzir uma lei ou norma sanitária como proibir o fumo em locais fechados e públicos;
o Aumentar os impostos sobre o tabaco;
o Tornar o uso de cinto de segurança obrigatório;
o Instituir lei seca no trânsito;
o Proibir agrotóxicos e transgênicos;
o Incentivar o cultivo e disseminação de alimentos orgânicos.

Podem ser combinados tipos e estratégias diferentes de ações preventivas, visam melhores
resultados.

Exemplo: tabagismo associado a cânceres e doenças cardiovasculares:

➢ Estratégia de alto risco:


o Prevenção redutiva: convidar fumantes a pararem de fumar e oferecer aconselhamento
e grupos de apoio aos que sejam parar;
o Prevenção aditiva: tratar fumantes com nicotina e/ou psicofármacos para reduzir a
vontade de fumar e auxiliar na abstenção;
➢ Abordagem populacional (redutiva):
o Sobretaxar tabaco;
o Proibir população de fumar em locais públicos e fechados;
o Proibir propaganda de cigarro em mídias;
o Educar, a partir das escolas, sobre os prejuízos do tabaco e sobre o mau hábito de fumar.

Existem critérios para a implementação de um programa de rastreamento, sendo eles:

1. Características da doença:

➢ Impacto significativo na saúde pública;


➢ Período assintomático durante o qual a detecção é possível;
➢ Melhora nos desfechos pelo tratamento durante o período assintomático.

2. Características do teste:

➢ Sensibilidade suficiente para detectar a doença no período assintomático;


➢ Especificidade suficiente para minimizar os resultados falso-positivos;
➢ Aceitável para as pessoas.

3. Características da população rastreada:

➢ Prevalência suficientemente alta da doença que justifique o rastreamento;


➢ Cuidado médico acessível;
➢ Pessoas dispostas a aderir à sequência de investigação e tratamento.

Máximo benefício (sensibilidade):

• Alta captação;
• Alta sensibilidade/baixa taxa de falso-negativos/alta taxa de detecção, tanto no rastreamento
como no diagnóstico;
• Alta taxa de aceitação da intervenção.

Mínimo de danos (especificidade):

• Não inclusão de pessoas que estão fora dos critérios de risco e da faixa etária;
• Alta especificidade/baixa taxa de falso-positivos tanto no rastreamento como no diagnóstico;
• Necessidade de entendimento por parte dos indivíduos do que está sendo oferecido, para que
eles possam pensar cuidadosamente se querem ou não participar.

É importante conhecer alguns dos vieses relacionados ao rastreamento, para assim, avaliar a
necessidade de sua implementação ou não:

• Viés de tempo de antecipação: o profissional de saúde é iludido pela percepção temporal de que
a pessoa que tem seu diagnóstico precoce vive mais;
• Viés de tempo de duração: os programas de rastreamento tendem a selecionar casos menos
agressivos e de melhor prognóstico;
• Viés de sobrediagnóstico: produzir novas doenças que, caso seguissem um curso natural, não
viriam a se desenvolver em entidades clínicas e amplifica ilusoriamente os supostos efeitos
benéficos da intervenção;
• Viés de seleção: orastreamento tende a selecionar pessoas de maior esclarecimento e
preocupadas com a saúde (the worried well), produzindo um viés de seleção (como viés do
voluntário saudável).

A APS tem papel fundamental na construção de programas de rastreamento, pois pode potencializar
o seguimento das pessoas convidadas a participar do programa de forma longitudinal.

Procedimentos de rastreamento oportunístico, por mais que estejam fundamentados nas melhores
evidências, se não estiverem atrelados a serviços organizados – que garantam critério, racionalidade,
sistematização, avaliação na etapa de rastreamento e no seguimento do processo diagnóstico e
terapêutico –, provavelmente são mais iatrogênicos do que benéficos.

Recomendações de rastreamento:

• A = deve implementar;
• B = evidência de implementar tende a ser favorável, mas a qualidade do estudo é mista;
• C = estudos conflitantes e impedem um posicionamento claro quanto a recomendação, devendo-
se individualizar cada caso;
• D = não deve implementar;
• I = não existem estudos de qualidade disponíveis para orientar a recomendação.

Como a intervenção preventiva ocorre sobre pessoas assintomáticas em que a primazia da não
maleficência deve prevalecer sobre a beneficência, em princípio deve-se dar preferência às intervenções
com grau de recomendação “A”. O grau de recomendação “B” deve ser ponderado quanto aos impactos
iatrogênicos e custos atribuídos de sua implementação.

5) Fonte de pesquisa: atualizada e de boa qualidade.


GUSSO, Gustavo; LOPES, José M C.; DIAS, Lêda C. Tratado de medicina de família e comunidade - 2
volumes: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E-book. [Link]. ISBN
9788582715369. Disponível em:
[Link] Acesso em: 03 mar. 2025.

Brasil. Ministério da Saúde. Rastreamento: caderno de atenção primária, n. 29 [Internet]. Brasilia: MS;
2010 [capturado em 28 out. 2017]. Disponível em:
[Link]

6) Relato Reflexivo: Qual foi a sua impressão sobre o seu conhecimento antes da realização do
estudo e o que você mudou? Você acha que sua apresentação acrescentará conhecimento aos
colegas de turma? Este aprendizado foi relevante para você? Quais as dificuldades um médico
de família e Comunidade poderá encontrar nos atendimentos sobre o tema apresentado,
dentro da nossa realidade? Alguma conduta é feita de forma diferente do que você estudou na
sua UBS, por qual motivo?

Antes da realização desse estudo, sabíamos muito pouco sobre os aspectos envolvidos no processo
de implementação de uma política de rastreamento, muitas vezes somente repetindo pedidos de exames
solicitados por outros profissionais, sem pensar sobre o motivo de realizar esse rastreio.

Agora, compreendemos mais sobre o extenso estudo que deve ser realizado previamente a aplicação
de um método de rastreio, além de conhecer melhor o conceito de prevenção em saúde e suas diversas
facetas e objetivos. Destacando-se a importância do método clínico centrado no paciente como
ferramenta de investigação e prevenção em saúde.

É fundamental que o médico de família e comunidade (MFC) e a estratégia de saúde da família (ESF)
estejam muito bem informados sobre esse tema, visando potencializar os benefícios do rastreamento,
uma vez que assim poderão selecionar os pacientes adequados para realizar os exames corretos para que,
dessa forma, seja possível chegar há um diagnóstico oportuno, objetivo final do rastreamento, se
realizado da forma adequada.

Como estudantes e futuros médicos, esse tema é essencial para aprimorar nossas habilidades em
promoção de saúde e prevenção de doenças (identificação precoce/oportuna de doenças, reduzindo suas
complicações e mortalidade), tomada de decisões baseadas em evidências (análise crítica dos benefícios,
evitando exames desnecessários ou potencialmente prejudiciais), redução de sobrediagnóstico,
incidentalomas e supertratamento (maior entendimento dos riscos de rastreamento excessivo, exames
invasivos e tratamentos desnecessários), uso racional dos recursos em saúde (evitar desperdício de
recursos públicos), aprimoramento da relação médico-paciente (esclarecimento de dúvidas dos
pacientes, além do envolvimento destes na decisão do seu processo de saúde) e adaptação às diretrizes
e protocolos atualizados.

Evento realizado em: 10/03/2025


(Data da apresentação do caso no Encontro Teórico)

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