INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO DO HUAMBO
ISCED – HUAMBO
==================================================================
MATERIAL DE APOIO ÀS AULAS DE MATEMÁTICA II / 2024-2025
UNIDADE TEMÁTICA I: NÚMEROS COMPLEXOS
SUMÁRIO: Estudo dos Números Complexos
PARTE I
Introdução;
Conceitos Básicos;
• Número Complexo.
• Estrutura do Número Complexo;
• Número imaginário/Unidade imaginária;
• Classificação do Número Complexo
• Conjugado do Número Complexo;
Representação Gráfica;
Módulo de um Número Complexo;
Operações algébricas com Números Complexos;
• Igualdade, adição, subtracção, multiplicação e divisão.
Exercícios propostos.
PARTE II
Formas de um Número Complexo:
• Forma Padrão/Algébrica ou Cartesiana;
• Forma Trigonométrica ou Polar;
• Forma Exponencial;
• Potência de um Número Complexo;
Exercícios propostos;
Página 1 de 11
TEXTO DE APOIO SOBRE O ESTUDO DOS NÚMEROS COMPLEXOS
PARTE I
1. Introdução
Em aulas anteriores (quando estudamos as equações e inequações quadráticas) vimos
que nem todas as equações permitiam raízes reais. Isto se justificava pelo facto do
discriminante ser negativo (∆< 0) e pelo desconhecimento de procedimentos
matemáticos adequados para resolver esta grande limitação que, por muitos anos,
obrigava os estudantes a se acomodarem com à famosa notação “n/s” (não tem
solução). A final, quem nunca utilizou essa alternativa?
Realmente, isto não significa que todos os exercícios resolvidos daquela forma estavam
errados. Era apenas uma forma de respeitar as limitações do conjunto numérico no qual
estavam definidas as soluções daquelas equações quadráticas. Portanto, nesta nova
Unidade Temática vamos explorar um novo conjunto numérico chamado “Números
Complexos” e denotado por C que, certamente, poderá resolver as lacunas do conjunto
dos números reais (IR) mencionadas no parágrafo anterior.
2. Conceitos Básicos;
2.1. Número Complexo:
Um número complexo z é a soma algébrica da forma z= x+iy (com x, y pertencentes
aos reais e i, aos imaginários).
2.2. Estrutura do Número Complexo:
O número complexo consta de duas partes que são: Parte real (x) denotada por Re(z) =
x e Parte imaginária (y), Im(z) = y
2.3. Número imaginário:
Também conhecido por unidade imaginária (i) é a parte essencial do número complexo
que o distingue de um número real. Nota: 𝒊𝟐 = −1 e
Página 2 de 11
(𝒊𝟑 = 𝑖2. 𝑖 = (−1). 𝑖 = −𝑖 𝑒 𝒊𝟒 = 𝑖2. 𝑖2 = (−1). (−1) = 1)
2.4. Classificação do Número Complexo:
Um número complexo com parte imaginária nula é chamado complexo real puro e um
número complexo com parte real nula é chamado complexo imaginário puro. Note que
um número complexo real puro é sempre um número real. Decorre disso que o conjunto
dos números reais R é um subconjunto de C.
2.5. Conjugado do Número Complexo:
Dados 𝒛𝟏 e 𝒛𝟐, dois números complexos não nulos, diz-se:
a) Conjugado de 𝒛𝟏 = 𝑎 + 𝑏𝑖 ao número ̅𝒛̅𝟏̅ = 𝑎 − 𝑏𝑖
b) Conjugado de 𝒛𝟐 = 𝑥 − 𝑦𝑖 ao número ̅𝒛̅𝟐̅ = 𝑥 + 𝑦𝑖
2.6. Representação Gráfica:
Os números complexos podem ser representados através de pontos em um plano
cartesiano. Este plano é denominado Plano Complexo, ou diagrama de Argand1. OBS:
No plano complexo grafamos a parte imaginária do número complexo sobre o eixo
vertical (eixo imaginário) e a parte real sobre o eixo horizontal (eixo real), conforme
segue:
1
Jean Robert Argand (1768-1822), Matemático francês. Seu artigo sobre o plano complexo apareceu em 1806.
Página 3 de 11
2.7. Módulo ou Valor Absoluto de um Número Complexo:
2.8. Operações algébricas com Números Complexos:
Observa-se que nas operações envolvendo números complexos devemos colocar
sempre o resultado na forma padrão (𝒛 = 𝒙 + 𝒚𝒊), visto que em aplicações práticas é
sempre útil identificar as partes real e imaginária de um número complexo. Nas
operações devemos aplicar os critérios da álgebra regular e agrupar os termos com
partes reais e aqueles com partes imaginárias.
Página 4 de 11
a) Igualdade
Dados dois números complexos 𝒛𝟏 = 𝑥1 + 𝑖𝑦1 e 𝒛𝟐 = 𝑥2 + 𝑖𝑦2, diz-se que 𝒛𝟏 =
𝒛𝟐, se suas respectivas parte real e imaginária são iguais, ou seja, 𝒙𝟏 = 𝒙𝟐 e
𝒚𝟏 = 𝒚𝟐. Exemplo: dada a expressão (𝟒 + 𝒊)𝒙 + (𝟐 − 𝟑𝒊)𝒚 = 𝟐 + 𝟏𝟏𝒊, efectue as
operações aplicando o conceito de complexos iguais.
Resolvendo:
4𝑥 + 2𝑦 + (𝑥 − 3𝑦)𝑖 = 𝟐 + 𝟏𝟏𝒊
Igualando as partes reais e imaginárias, temos:
4x + 2y = 𝟐
{ x − 3y
= 𝟏𝟏
Resolvendo o
sistema
formado,
tem-se x = 2
e y = -3.
Verificando:
(4.2 + 2(−3) + [2 − 3(−3)]i = 2 + 11i
(8 − 6) + (2 + 9)i = 2 + 11i ; 2 + 11i = 2 + 11i
Logo, colocando o resultado na forma padrão, temos 𝐳 = 2 − 3i
b) Adição: A adição de 𝒛𝟏 + 𝒛𝟐 resulta na soma das respectivas partes real e
imaginária, ou seja, 𝒛𝟏 + 𝒛𝟐 = (𝑥1 + 𝑥2) + (𝑦1 + 𝑦2)𝑖
Exemplo: Supondo 𝒛𝟏 = 3 + 2𝑖 e 𝒛𝟐 = 4 − 𝑖, então, temos que:
c) Subtracção: De modo análogo à adição, temos que:
𝒛𝟏 − 𝒛𝟐 = (𝑥1 − 𝑥2) + (𝑦1 − 𝑦2)𝑖
Página 5 de 11
Exemplo: Supondo 𝒛𝟏 = 3 + 2𝑖 e 𝒛𝟐 = 4 − 𝑖, então, temos que:
d) Multiplicação: Na multiplicação, aplicamos a propriedade distributiva e
agrupamos as partes real e imaginária. Porém, há que lembrar que 𝒊𝟐 = −𝟏.
𝒛𝟏𝒛𝟐 = (𝑥1 + 𝑖𝑦1)(𝑥2 + 𝑖𝑦2)
𝒛𝟏𝒛𝟐 = 𝑥1(𝑥2 + 𝑖𝑦2) + 𝑖𝑦1(𝑥2 + 𝑖𝑦2) = 𝑥1𝑥2 + 𝑖𝑥1𝑦2 + 𝑖𝑦1𝑥2 + 𝑖2𝑦1𝑦2
𝒛𝟏𝒛𝟐 = (𝑥1𝑥2 − 𝑦1𝑦2) + (𝑥1𝑦2 + 𝑦1𝑥2)𝑖
Exemplo: Supondo 𝒛𝟏 = 3 + 2𝑖 e 𝒛𝟐 = 4 − 𝑖, então, temos que:
e) Divisão: A razão é obtida multiplicando-se o numerador e denominador pelo
𝒛𝟐
conjugado do denominador.
Exemplo: Supondo 𝒛𝟏 = 3 + 2𝑖 e 𝒛𝟐 = 4 − 𝑖, então, temos que:
3. EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1 – Represente graficamente os complexos:
Z1=(3+2i); Z2=(4+3i); Z3=(-5+3i) ; Z4=(0+i); Z5=(4i-5); Z6=(-5i-3) ; Z7=(3-0).
Página 6 de 11
2 – Calcule o módulo dos complexos seguintes:
a) 21-20i ; b) 16+63i ; c) 3-4i
3 – Resolva aplicando a propriedade de complexos iguais:
a) 2x+3xi-3y+yi = i+19
b) 2xi+yi-x+y-8i+1 = 0
4 – Calcule aplicando as propriedades operatórias da soma, subtracção,
multiplicação e divisão
a) (5𝑖 − 4) + (4𝑖 − 5)
b) (3 − 5𝑖) − (7 − 2𝑖)
c) (3 + 2𝑖)(2 + 3𝑖)
d) (2 + 3𝑖): (2 − 3𝑖)
PARTE II
4. Formas de um Número Complexo:
Um número complexo pode apresentar-se na forma: padrão/algébrica/cartesiana,
trigonométrica/polar e na forma exponencial.
4.1. Forma Padrão/Algébrica/Cartesiana.
Exemplo do número complexo na forma algébrica ou cartesiana: 𝒛 = 𝑥 + 𝑦𝑖
4.2. Forma Trigonométrica/Polar.
Partindo da forma padrão (𝒛 = 𝑥 + 𝑦𝑖), qualquer número complexo pode-se escrever
também na forma trigonométrica ou polar, envolvendo medidas trigonométricas. Assim,
introduzindo as coordenadas polares 𝒓 𝑒 𝜽 no plano complexo de modo que 𝒙
= 𝑟𝑐𝑜𝑠(𝜃) e 𝒚 = 𝑟𝑠𝑒𝑛(𝜃), então, o número complexo 𝒛 = 𝒙 + 𝒚𝒊 pode ser escrito:
𝒛 = 𝑟𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 𝑖𝑟𝑠𝑒𝑛(𝜃) = 𝒓[𝒄𝒐𝒔(𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝜽)], chamada forma trigonométrica ou
polar.
Página 7 de 11
Vale lembrar que é módulo ou valor absoluto de , enquanto o ângulo é argumento
de , denotado por [𝐚𝐫𝐠 (𝒛) = 𝜽]. Geometricamente, o argumento é o ângulo formado
pelo semi-eixo real positivo e pelo segmento de recta que representa , e pode ser obtido
pela expressão . Portanto, a fase (ângulo) de um
número complexo calcula-se da seguinte forma:
NOTA: cabe observar que nem sempre o cálculo do ângulo dependerá da fórmula da
tangente , excepto quando a parte real (x) e a imaginária (y) de z = x + yi
são números reiais não nulos, ou seja, 𝒙 ≠ 0; 𝒚 ≠ 0. Portanto, sempre que x ou y for
nulo, então, o ângulo será calculado com base aos valores de x ou y nos eixos real e
imaginário, respectivamente, e o valor de corresponderá a um dos ângulos axiais
, conforme se mostra na figura seguinte.
Página 8 de 11
Exemplo: Dado 𝒛 = 1 + 𝑖, determinar a forma trigonométrica.
Resoluções:
Partindo da fórmula trigonométrica, temos que:
𝒛 = 𝑟𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 𝑖𝑟𝑠𝑒𝑛(𝜃) = 𝒓[𝒄𝒐𝒔(𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝜽)]
O argumento 𝒂𝒓𝒈 (𝒛) será calculado a partir da tangente do ângulo formado entre x e
y, conforme segue:
4.3. Forma Exponencial.
A forma polar também pode ser escrita como 𝒛 = |𝒛|𝒆𝒊𝜽, chamada por forma
exponencial, em que 𝒆𝒊𝜽 é dado pela fórmula de Euler:
Página 9 de 11
𝒆𝒊𝜽 = 𝒄𝒐𝒔(𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝜽), sendo 𝒆 (𝑒𝑢𝑙𝑒𝑟), a constante que é base dos logaritmos
naturais.
Exemplo. Dando sequência aos dados do exemplo anterior, escrever a forma
exponencial de z.
Resoluções:
4.4. Potência de um Número Complexo.
A partir da forma polar, também podemos determinar a potência de um número
complexo, ou seja, de 𝒛 = 𝒓[𝒄𝒐𝒔(𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝜽)] teremos:
𝒛𝒏 = 𝒓𝒏[𝒄𝒐𝒔(𝒏𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝒏𝜽)],𝑐𝑜𝑚 𝑛 ∈ 𝑍
{𝑟[𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 𝑖𝑠𝑒𝑛(𝜃)]}𝑛 = 𝒓𝒏[𝒄𝒐𝒔(𝒏𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝒏𝜽)], tal que, fazendo 𝒓 = 𝟏,
obtém-se a expressão,
𝑟[𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 𝑖𝑠𝑒𝑛(𝜃)]𝑛 = [𝒄𝒐𝒔(𝜽) + 𝒊𝒔𝒆𝒏(𝜽)], conhecida por fórmula de Moivre.
Exemplo. Dando sequência aos dados de 𝒛 = 1 + 𝑖, determine 𝒛𝟐.
Resoluções:
5. EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1. Determine a forma trigonométrica dos seguintes números complexos: a)
Z= 2
Página 10 de 11
b) Z= -5
c) Z= i
d) Z= - 4i
e) Z=1+𝑖√3
2. Determine a forma algébrica dos seguintes números complexos:
a)
b)
c)
3. Obtenha a forma trigonométrica do número complexo