Direitos Humanos e Trabalho Justo
Direitos Humanos e Trabalho Justo
DIREITO AO TRABALHO
“[…] só se pode fundar uma paz universal e duradoura com base na justiça social […].”
Constituição da Organização Internacional do Trabalho. 1919.
354 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
HISTÓRIA ILUSTRATIVA
Horríveis Condições de Trabalho em por isso a fábrica estava montada como
“Zonas Francas” se fosse uma prisão, onde os trabalhado-
res viviam 24 horas por dia. Todas as ja-
Xiao Shen, uma jovem que vivia numa nelas estavam gradeadas e todas as saídas
pequena povoação rural chamada Zhon- de emergência estavam bloqueadas. Os
gyuan, no centro da China, tinha uma fiscais do Estado eram subornados para
existência árdua. Tinha pouco ou quase fazerem vista grossa relativamente a estas
nenhum arroz para comer, nem perspeti- condições.
vas de um futuro melhor. Dia após dia, ti- Dia após dia, Xiao Shen vivia atrás de
nha de andar de joelhos, em águas fundas, grades, sem possibilidades de deixar o
a ajudar o pai na cultura do arroz. edifício, incapaz de levar uma vida nor-
Finalmente, um dia decidiu partir. Tinha ou- mal, sem o seu espaço próprio. Na tarde
vido falar de uma terra estrangeira melhor, de 19 de novembro de 1993, deflagrou um
bastante distante, algures por detrás das incêndio que se espalhou, com rapidez in-
montanhas proibidas. E, então, uma manhã, controlável, a todo o edifício.
antes do sol nascer, ela e mais alguns amigos Armazenados por todo o edifício, havia
que partilhavam dos seus sonhos de uma produtos químicos altamente inflamáveis,
vida melhor, saíram de casa. Após dois mil causando um inferno com proporções de
quilómetros e dias intermináveis de esforço, pesadelo. Xiao Shen e os outros tentaram,
ansiedade e lágrimas incontáveis, chegaram desesperadamente, fugir do fogo – mas
ao destino, uma cidade chamada Shenzhen, como? Todas as janelas estavam barradas
uma zona de comércio livre, no sul da China e todas as portas estavam fechadas. Du-
perto da fronteira de Hong Kong. Lá, espera- zentos homens e mulheres, muitos deles
vam encontrar trabalho, ganhar dinheiro e nem sequer tinham mais de dezasseis
realizar os seus sonhos. anos, foram literalmente cercados pelas
Xiao Shen conheceu dois homens de ne- chamas, gritando pelas próprias vidas.
gócios chamados Huang Guoguang e Lao Xiao Shen conseguiu arrombar uma das
Zhaoquan que andavam a contratar tra- janelas barradas, no segundo piso e viu-
balhadores para a sua “Fábrica de Arte- se perante a escolha de saltar ou morrer
sanato Zhili”, uma empresa que produzia queimada. Decidiu saltar, partindo os dois
brinquedos. Xiao Shen era uma dos 472 tornozelos – mas sobreviveu. No total, 87
empregados e, em pouco tempo, aper- pessoas perderam a vida, naquela tarde,
cebeu-se de que estava muito pior agora e mais de 47 ficaram gravemente feridas.
do que quando estava na sua pequena (Fonte: Adaptado de Klaus Werner and
aldeia. Desde o crepúsculo até ao nascer Hans Weiss, 2001. Schwarzbuch Marken-
do dia, ela trabalhava penosamente na fá- firmen.)
brica Zhili por um ordenado de miséria,
apenas o suficiente para sobreviver (32-
49 dólares americanos por mês!). Ambos Questões para debate
os empresários tinham medo de que os 1. Quais os direitos humanos (relaciona-
empregados roubassem as mercadorias, dos com o trabalho) que foram violados
K. DIREITO AO TRABALHO 355
nas condições em que Xiao Shen tinha ção (ZFE) e reduzem ou removem as
de trabalhar? normas sociais e laborais?
2. Que medidas podiam ser tomadas à 4. Qual a responsabilidade das empresas
escala internacional para melhorar as multinacionais que produzem bens em
perspetivas ou, pelo menos, as condi- zonas de comércio livre?
ções de trabalho dos empregados como 5. Que ações podem os consumidores de-
Xiao Shen? senvolver para mudar situações como a
3. Por que razão estabelecem os Estados que foi descrita?
Zonas Francas Industriais de Exporta-
A SABER
1. O MUNDO DO TRABALHO NO SÉCU- integrada e aqueles que não as têm. Estas
LO XXI novas desigualdades e inseguranças estão a
conduzir a tensões entre os diferentes seto-
As novas tecnologias e a autoestrada da res da sociedade.
informação global têm o potencial de A competição elevada, como resultado
transformar o mundo do trabalho mais do da liberalização do comércio e dos re-
que a Revolução Industrial. gimes financeiros, exerce forte pressão
Devido à industrialização em curso, o nas empresas para reduzirem o custo de
séc. XX presenciou o declínio do setor agrí- produção. Para atingir estes objetivos, as
cola e a importância crescente do setor de empresas podem reduzir o custo-intensi-
serviços. Com a liberalização do mundo vo do “trabalho” através da automatiza-
do trabalho e com a “revolução cibernéti- ção, tornando a mão de obra redundan-
ca”, as oportunidades na economia global te, ou transferir a produção para países
tornaram-se muito mais vastas. com salários baixos, onde os níveis de
Esta nova economia global exige trabalha- vida são muito mais baixos. Os Estados
dores especializados que têm de ser bem podem também exercer pressão sobre o
treinados, flexíveis e altamente motivados, pagamento e as condições de trabalho, de
assim como terão de estar dispostos a se modo a fazê-las baixar, para estimular o
adaptar rapidamente às atuais exigências crescimento económico, atraindo o inves-
do mercado. Os trabalhadores têm de saber timento estrangeiro uma vez que uma es-
lidar com a pressão crescente e se adaptar tratégia de crescimento orientada para as
às alterações das condições de trabalho, à exportações é frequentemente vista como
luz de uma mudança estrutural e tecnológi- a única possibilidade de aumentar o cres-
ca acelerada. Cada vez mais, as pessoas tra- cimento económico. Muitas vezes, a ex-
balham a tempo parcial, por conta própria ploração, o trabalho forçado e o trabalho
ou enfrentam condições de instabilidade no infantil são consequências de tudo isto.
trabalho. Neste ponto de vista, a globaliza- Muitos países do mundo criaram Zonas
ção abre brechas sociais entre aqueles que Económicas Francas ou Zonas Francas In-
têm formação, competências e mobilidade dustriais de Exportação (ZFE), nas quais
para prosperarem numa economia global não só são reduzidos ou removidos os im-
356 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
necessário fazer uma retrospetiva histórica. Século XIX: A Revolução Industrial levou
Justiça social e condições de trabalho jus- ao surgimento da classe trabalhadora, um
tas são componentes indispensáveis na grupo social dependente do trabalho assa-
promoção da paz e do desenvolvimen- lariado, devido à falta de meios de produ-
to. As injustiças relacionadas com o tra- ção. Os trabalhadores eram explorados e
balho, bem como as dificuldades finan- sujeitos a condições de trabalho perigosas
ceiras e o desemprego são consideradas em fábricas, em tecelagens ou em minas.
como estando diretamente relacionadas O empobrecimento dos trabalhadores ge-
com a instabilidade social e com revol- rou um sentimento de solidariedade en-
tas do proletariado, em determinados tre estes, que começaram a organizar-se
momentos históricos. O reconhecimento (Karl Marx em “Trabalhadores do mundo,
de que um trabalho adequado é condição uni-vos”).
prévia da dignidade humana é, predomi- Passo a passo, a voz dos trabalhadores fa-
nantemente, o resultado de tais revoltas zia-se ouvir mais alto e a sua situação era
em que os trabalhadores lutaram pelo cada vez mais divulgada. Devido à pressão
reconhecimento estatal desses direitos exercida pelos primeiros sindicatos, foram
que consideram ser inalteráveis e inalie- aprovadas, em vários países, leis de refor-
náveis. A nível internacional, os direitos ma relativas à melhoria do número de ho-
dos trabalhadores foram incorporados na ras e das condições de trabalho. Todavia,
legislação do trabalho da OIT, desde 1919, a contínua agitação laboral pressionou os
e no processo de elaboração de normas industriais e os governos a considerarem a
empreendido pela ONU, após a Segunda criação de outras medidas.
Guerra Mundial.
Século XX: Alguns industriais propuse-
Século XVIII: A ideia de que o trabalho ram o estabelecimento de normas interna-
é um direito fundamental de todos os cionais comuns a fim de evitar vantagens
membros da sociedade foi uma pretensão comparativas das nações que não respei-
inicialmente avançada na Revolução Fran- tavam as normas laborais e, em 1905 e
cesa. Charles Fourier, um filósofo social 1906, foram adotadas as primeiras duas
utópico, foi o primeiro a utilizar a expres- convenções sobre o trabalho. Contudo, as
são “direito ao trabalho” e enfatizou a im- iniciativas para elaborar e adotar outras
portância do trabalho, não só para o bem- convenções foram interrompidas pela I
estar social como também psicológico do Guerra Mundial.
indivíduo. Ele considerava que os Estados O Tratado de Versalhes, que pôs fim à I
tinham a obrigação de fornecer oportuni- Guerra Mundial, reconheceu, formalmen-
dades equivalentes e concluiu que a reali- te, a interdependência entre as condições
zação deste direito iria requerer uma com- de trabalho, a justiça social e a paz mun-
pleta reorganização da sociedade. dial à escala universal, dando origem à
Esta perspetiva sobre o direito ao trabalho OIT como um mecanismo para a fixação
emergiu, de novo, nas teorias socialistas; de normas internacionais no âmbito do
mais tarde, os governos comunistas tam- trabalho e dos trabalhadores.
bém a promoveram. Assim, pode ser dito Entre 1919 e 1933, a OIT elaborou quarenta
que o direito ao trabalho tem uma certa convenções relativas a inúmeras questões
“tradição socialista”. no âmbito do trabalho. Porém, a quebra
358 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
quer parte, a OIT tem como objetivo me- x Estabelece normas internacionais
lhorar as condições dos trabalhadores em (convenções e recomendações) nestas
todo o mundo sem discriminação de etnia, áreas e monitoriza a sua implementa-
género ou origem social. ção nacional;
Em 1947, a OIT tornou-se uma agência
especializada das Nações Unidas e, em x Desenvolve um extenso programa de
1969, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da cooperação técnica para ajudar os
Paz pelo seu trabalho. Entre as agências da países a tornar eficazes as suas po-
ONU, a OIT é única porque goza de uma líticas.
estrutura tripartida, pela qual as decisões
dos seus órgãos representam os pontos de A OIT elaborou cerca de 190 convenções,
vista dos empregadores, dos trabalhado- estabelecendo padrões em matérias como
res, assim como dos governos. as condições de trabalho, segurança e saú-
de ocupacionais, segurança social, política
de emprego e formação vocacional e pro-
A OIT porcionando a proteção das mulheres, dos
migrantes e das pessoas indígenas. Con-
x Formula políticas e programas para tudo, apenas algumas das convenções da
promover os direitos humanos bási- OIT são usualmente referidas como con-
cos, para promover as condições de venções fundamentais de direitos huma-
trabalho e de vida e melhorar as opor- nos. Estas oito convenções e as respetivas
tunidades de emprego; ratificações estão listadas infra:
Número
Princípio Convenções de Ratificações
(janeiro de 2012)
Liberdade sindical e a proteção do direi- Convenção 87 (1948) 150
to de organização e negociação coletiva Convenção 98 (1949) 160
Idade mínima de admissão ao emprego e
Convenção 138 (1973) 161
proibição das piores formas de trabalho
Convenção 182 (1999) 174
infantil
Convenção 29 (1930) 175
Proibição do trabalho forçado
Convenção 105 (1957) 169
Direito à igualdade de remuneração e
Convenção 100 (1951) 168
proibição da discriminação em matéria
Convenção 111 (1958) 169
de emprego e profissão
(Fonte: ILO: [Link])
360 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
Como resposta aos novos desafios coloca- Apenas três Estados (República das Mal-
dos pela globalização, no dia 18 de junho divas, as Ilhas Marshall e Tuvalu) não ti-
de 1998, a OIT adotou a Declaração re- nham ratificado nenhuma convenção fun-
lativa aos Princípios e Direitos Funda- damental.
mentais no Trabalho e respetivo Acom- A OIT também emite, anualmente, rela-
panhamento. Define, com precisão, que tórios globais sobre o progresso feito, por
princípios e direitos dos trabalhadores são todos os Estados Partes, na implementação
fundamentais, nomeadamente, as princi- dos princípios fundamentais, de quatro em
pais convenções da OIT acima referidas. quatro anos, e que servem como base de
Este é um primeiro passo para uma imple- avaliação da eficácia das medidas tomadas
mentação prática correta para a adesão às durante o período precedente.
Convenções da OIT, a nível nacional, as-
sim como para adicionar ao diálogo inter- A Declaração Universal
nacional os direitos humanos relacionados dos Direitos Humanos (DUDH)
com o trabalho. Reflete o compromisso A Declaração Universal dos Direitos Hu-
dos Estados perante um conjunto comum manos contém um vasto leque de direitos
de valores expressos num certo número humanos relacionados com o trabalho. To-
de regras que constituem um “mínimo so- dos estes direitos são desenvolvidos, com
cial”. mais detalhe, nos dois Pactos da ONU,
que os tornam vinculativos para os seus
Hoje em dia, o trabalho adequado é uma Estados Partes. Infra, encontra-se um ex-
exigência global, com a qual se depara a trato da DUDH com a lista dos direitos em
liderança política e empresarial, em todo o questão.
mundo. Muito do nosso futuro comum de-
pende da forma como respondemos a este
“Ninguém será mantido em escravatura
desafio.”
ou em servidão […]. Toda a pessoa tem
Organização Internacional do Trabalho. 1999.
direito à liberdade de reunião e de asso-
ciação pacíficas […]. Toda a pessoa tem
A Declaração afirma que todos os mem-
direito ao trabalho, à livre escolha do tra-
bros da OIT, independentemente da rati-
balho, a condições equitativas e satisfa-
ficação das convenções em questão, são
tórias de trabalho e à proteção contra o
obrigados a respeitar, promover e pôr em
desemprego. Todos têm direito, sem dis-
prática os direitos fundamentais previstos
criminação alguma, a salário igual por
nas convenções. Os Estados que não te-
trabalho igual. Quem trabalha tem direi-
nham ratificado as convenções principais
to a uma remuneração equitativa e satis-
têm de apresentar relatórios anuais sobre
fatória, que lhe permita e à sua família
o progresso feito na implementação dos
uma existência conforme com a dignida-
princípios inscritos na Declaração. Como
de humana, e completada, se possível,
resultado desta iniciativa, a Declaração
por todos os outros meios de proteção so-
contribuiu para um aumento significativo
cial. Toda a pessoa tem o direito de fun-
de ratificações das convenções fundamen-
dar com outras pessoas sindicatos e de
tais dos direitos humanos. A 3 de janeiro
se filiar em sindicatos para a defesa dos
de 2012, 135 dos 183 membros da OIT ti-
seus interesses. Toda a pessoa tem direito
nham ratificado todas as oito convenções.
K. DIREITO AO TRABALHO 361
mente mulheres e crianças, para ganhos para efeitos de exploração laboral e sexual
económicos, através do uso da força ou e também a adoção de planos nacionais
do engano. Muitas vezes, as mulheres de ação em muitos países. Vários países
migrantes são enganadas e forçadas ao foram ao ponto de criar e formar unida-
trabalho doméstico ou à prostituição. des especiais para identificação de casos
x As piores formas de trabalho infantil de trabalho forçado e libertar as vítimas.
referem-se a crianças que trabalham em
condições de exploração ou de perigo. O Pacto Internacional sobre
Milhões de crianças em todo o mundo os Direitos Económicos,
trabalham a tempo inteiro, privadas de Sociais e Culturais (PIDESC)
educação e de diversão cruciais para o
seu desenvolvimento pessoal e social. O Direito ao Trabalho
(Fonte: Anti-Slavery International. What is “Os Estados Partes no presente Pacto
Modern Slavery?) reconhecem o direito ao trabalho, que
compreende o direito que têm todas as
De acordo com o Relatório Global de 2005 pessoas de assegurar a possibilidade de
da OIT, “Uma Aliança contra o Trabalho ganhar a sua vida por meio de um tra-
Forçado”, pelo menos 12.3 milhões de pes- balho livremente escolhido ou aceite […]
soas são vítimas de trabalho forçado em As medidas que cada um dos Estados
todo o mundo. Destes, 9.8 milhões são ex- Partes […] tomará com vista a assegurar
plorados por agentes privados, incluindo o pleno exercício deste direito devem in-
mais de 2.4 milhões em trabalho forçado, cluir programas de orientação técnica e
como resultado do tráfico humano. Outros profissional […]”
2.5 milhões são forçados a trabalhar, obri-
gados pelos Estados ou por grupos milita- PIDESC, artº 6º
res rebeldes. O Relatório Global sobre Tra-
balho Forçado da OIT, de 2009, intitulado O Trabalho: Direito ou Obrigação?
“O Custo da Coerção”, não atualiza estes A correlação entre o conceito de trabalho
dados que se baseavam em extrapolações enquanto dever que requer esforço físico
de casos reais de trabalho forçado relata- ou mental e o conceito do direito ao traba-
dos durante um período de 10 anos. Ao in- lho, por vezes, provoca confusão quanto à
vés, o relatório analisou de um modo mais utilidade prática de tal direito. O trabalho,
aprofundado o custo financeiro que repre- contudo, está intimamente relacionado
sentava para os trabalhadores, afetados com a dignidade humana e com a partici-
em termos de salários não pagos, horas ex- pação da pessoa na sociedade, enquanto o
traordinárias não remuneradas, deduções desemprego pode conduzir a uma severa
a salários e taxas, uma estimativa de cerca frustração e, mesmo, depressão. O traba-
de 20 biliões de dólares americanos. A OIT lho também pode ser um meio de reali-
está atualmente a tentar reunir fundamen- zação pessoal e contribuir positivamente
tos para estimativas por países, mais fiá- para o desenvolvimento pessoal.
veis. Apesar dos vários hiatos e desafios, O direito ao trabalho pretende garantir que
o relatório de 2009 apresenta algumas ten- ninguém é excluído do mundo do trabalho,
dências positivas: novas leis, particular- ao tratar predominantemente do acesso ao
mente, contra o tráfico de seres humanos trabalho, mas também incluindo proteção
K. DIREITO AO TRABALHO 363
relativa a despedimentos injustos. O direito sua escolha […], com vista a favorecer e
ao trabalho, contudo, não inclui a garantia proteger os seus interesses económicos e
de que cada pessoa tenha emprego; de fac- sociais; […]; o direito de greve […]”
to, o desemprego existe em todos os Esta-
dos. Os governos, porém, têm de agir, por PIDESC, artº 8º
todos os meios apropriados, de modo a as-
segurar progressivamente o pleno exercício Unir-se em organizações foi sempre uma
deste direito (artº 2º PIDESC), principal- forma de as pessoas melhorarem a sua se-
mente, através da adoção e implementação gurança, quer no local de trabalho, quer
de políticas nacionais de emprego. dentro das respetivas comunidades e na-
ções.
O Direito a Condições de Trabalho Justas O artº 8º do PIDESC está estreitamente li-
e Favoráveis gado à liberdade de associação. O direito
à negociação coletiva torna a liberdade de
“Os Estados Partes […] reconhecem o associação efetiva no mundo do trabalho.
direito de todas as pessoas de gozar de Estes direitos são considerados importan-
condições de trabalho justas e favoráveis, tes porque através deles se abre, muitas
que assegurem […] um salário equitativo vezes, o caminho para a concretização
e uma remuneração igual para um tra- de outros direitos fundamentais e direitos
balho de valor igual, sem nenhuma dis- no trabalho. Contudo, nem sempre têm o
tinção […]; uma existência decente […]; mesmo reconhecimento ou compromisso
condições de trabalho seguras e higiéni- públicos, como por exemplo, o combate
cas; iguais oportunidades para todos de ao trabalho infantil.
promoção […]; repouso, lazer e limitação
razoável das horas de trabalho[…]” Direitos Relativos à Igualdade
PIDESC, artº 7º de Tratamento
e à Não Discriminação
Este artigo, inter alia, estabelece a exis- Quando se discutem direitos no âmbito do
tência de uma remuneração mínima, ga- trabalho, não se pode deixar de considerar
rantindo uma vida decente, assim como as normas relativas aos princípios da não
condições de trabalho justas e favoráveis. discriminação e da igualdade de tratamen-
Está intimamente ligado a um vasto núme- to. No seu Relatório Global de 2011, inti-
ro de convenções adotadas pela OIT e que tulado “Igualdade no Trabalho: o Desafio
também são utilizadas pelo Comité dos Contínuo” (Equality at Work: The conti-
Direitos Económicos, Sociais e Culturais nuing Challenge), a OIT debateu uma sé-
para que os Estados ponham em prática as rie de tendências positivas, já que são im-
obrigações decorrentes desta disposição. plementadas em todo o mundo cada vez
mais leis e iniciativas institucionais e há
O Direito de Formar Sindicados e de Se uma crescente consciencialização sobre a
Sindicalizar necessidade de superar a discriminação no
trabalho. Contudo, novos desafios emergi-
“Os Estados Partes (reconhecem) o direi- ram com a recente crise global financei-
to de todas as pessoas de formarem sin- ra. O relatório adverte para a tendência,
dicatos e de se filiarem no sindicato da durante recessões económicas, de mar-
364 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
mas é-lhes requerido que prossigam po- O pescador olhou para cima, sorriu e
líticas que levem a um constante desen- respondeu, “E qual será a minha recom-
volvimento económico, social e cultural pensa?”
e a um emprego produtivo e a tempo
inteiro (ex. políticas de pleno emprego). “Bom, pode conseguir redes maiores e
apanhar mais peixe!”, foi a resposta do
turista.
3. PERSPETIVAS
INTERCULTURAIS “E depois, qual será a minha recompen-
E QUESTÕES CONTROVERSAS sa?”, perguntou o pescador, continuando
a sorrir.
Neste enquadramento jurídico internacio- O turista respondeu, “Ganhará dinhei-
nal, as atividades de implementação têm ro e poderá comprar um barco, o que
de ter em consideração as mais variadas resultará numa maior quantidade de
formas segundo as quais pessoas oriundas pescado!”
de contextos étnicos e culturais diferentes “E depois, qual será a minha recompen-
abordam e experienciam o mundo do tra- sa?” perguntou, novamente, o pescador.
balho. A bem conhecida parábola do pes-
cador é uma boa ilustração para o facto O turista começava a ficar um pouco irri-
de que o “trabalho” tem valor diferente tado com as perguntas do pescador.
em contextos culturais diferentes e, assim, “Pode comprar um barco maior e con-
as medidas que vão alterar os modelos de tratar pessoas que trabalhem para si!”,
trabalho têm de ser ponderadas com as ex- disse ele.
pectativas e afinidades culturais.
“E depois, qual será a minha recom-
pensa?”
Uma Parábola: O Pescador O turista começava a ficar zangado.
“Será que não percebe? Pode construir
Ao fim de uma manhã, um pescador es-
uma frota de barcos de pesca, velejar por
tava estendido numa linda praia, com as
todo o mundo e deixar que os seus em-
suas redes espalhadas pela areia, estava
pregados apanhem peixe por si.”
a desfrutar do calor do sol, mirando, de
vez em quando, as resplandecentes on- Mais uma vez o pescador perguntou, “E
das azuis. depois, qual será a minha recompensa?”
Por essa altura, um turista caminhava O turista estava vermelho de fúria e gri-
pela praia. Reparou no pescador sentado tou ao pescador, “Será que não percebe
na praia e decidiu descobrir por que ra- que pode ficar tão rico que nunca mais
zão estava este pescador a relaxar em vez terá de trabalhar na vida! Pode passar
de estar a trabalhar duro para ganhar o resto dos seus dias sentado na praia,
sustento para si e para a sua família. olhando o pôr do sol. Não terá uma preo-
“Dessa forma não apanhará muito pei- cupação no mundo!”
xe”, disse o turista, “devia estar a traba- O pescador, continuando a sorrir, olhou
lhar mais arduamente, em vez de estar para cima e disse, “E o que pensa que
estendido na praia!” estou a fazer neste momento?”
K. DIREITO AO TRABALHO 367
ção. Uma vez que o direito ao trabalho se siões, o Comité identificou violações do
encontra associado ao direito a não ser Pacto e, consequentemente, pressionou
discriminado, outros Comentários Ge- os Estados a cessar a violação dos direitos
rais estão relacionados com assuntos no em questão.
âmbito do trabalho. Por exemplo, o Co- No entanto, ainda não é possível aos in-
mentário Geral sobre o direito igual de divíduos ou grupos submeterem queixas
homens e mulheres a gozar de todos os formais ao Comité sobre a violação dos
direitos económicos, sociais e culturais seus direitos. A Assembleia-Geral da ONU
inclui a obrigação de uma realização pro- adotou, a 10 de dezembro de 2008, um
gressiva de pagamento igual. Protocolo Facultativo ao Pacto. Em janeiro
Os Estados Partes do Pacto têm de apre- de 2012, apenas cinco Estados tinham ra-
sentar relatórios a cada 5 anos, especifi- tificado o Protocolo Facultativo, que ainda
cando as medidas legislativas, políticas não entrou em vigor8.
e outras, tomadas para garantir os direi-
tos económicos, sociais e culturais. Após
a análise dos relatórios pelo Comité e o 8
Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo
debate com os delegados dos Estados em Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos
Económicos, Sociais e Culturais entrou em vigor no
questão, o Comité emite considerações
dia 5 de Maio de 2013 tendo, nessa data, 10 Estados
nas “observações finais”. Em várias oca- Partes
CONVÉM SABER
Programa conseguiu alargar as suas ativi-
1. BOAS PRÁTICAS dades operacionais dos iniciais 6 para os
atuais 88 países, sendo que as despesas
Programa Internacional para a Elimina- anuais em projetos de cooperação técnica
ção do Trabalho Infantil (PIETI) atingiram, em 2008, mais de 61 milhões
Em 1992, a OIT desenvolveu o Programa de dólares americanos. Isto faz do PIETI o
Internacional para a Eliminação do Tra- maior programa do género no mundo.
balho Infantil (PIETI). Trabalhando em Contrariamente às tendências positivas
conjunto com governos nacionais, parcei- registadas no estudo prévio completado
ros sociais, bem como ONG, o PIETI de- em 2006, intitulado “O Fim do Trabalho
senvolve programas especiais, tendo em Infantil: um Objetivo ao Nosso Alcance”
consideração a complexidade do assunto (The End of Child Labour: Within Reach),
e a necessidade de métodos ponderados e o Relatório da OIT de 2010 “Acelerar a Ação
consistentes para solucionar o problema. contra o Trabalho Infantil”, demonstra pre-
Por exemplo, de modo a encontrar alter- ocupações crescentes relativas aos esforços
nativas ao trabalho infantil, o PIETI lan- de eliminação do (das piores formas do)
çou programas para retirar as crianças do trabalho infantil. O relatório menciona que
mundo do trabalho e dar-lhes alternativas o número global de crianças trabalhadoras
educacionais, bem como arranjar para as tem continuado a sua tendência decrescen-
famílias fontes alternativas de rendimen- te, tendo diminuído, no total, de 222 mi-
to e segurança. Desde que foi fundado, o lhões para 215 milhões entre 2004 e 2008
K. DIREITO AO TRABALHO 369
voluntárias aplicam-se apenas aos que as ção certa para o aumento da responsabi-
aceitam”. Todavia, são um passo na dire- lidade social.
Tabela 1.5. Tendências globais relativas à atividade económica das crianças por re-
gião, 2004 e 2008 (grupo etário 5-14)
Taxa de atividade
População infantil Crianças no emprego
Região (%)
2004 2008 2004 2008 2004 2008
Ásia e Pacífico 660 000 651815 122300 96397 18.8 14.8
América Latina e
111000 110566 11047 10002 10.0 9.0
Caraíbas
África Subsaaria-
186800 205319 49300 58212 26.4 28.4
na
Outras regiões 258800 249154 13400 10700 5.2 4.3
Mundo 1206500 1216854 196047 176452 16.2 14.5
(Fonte: OIT. 2010. Accelerating Action against Child Labour.)
Um outro exemplo conhecido de iniciativas de produtos inclui agora café, cacau, cho-
com vários intervenientes é a Iniciativa so- colate, sumo de laranja, chá, mel, açúcar
bre Comércio Ético (Ethical Trading Initia- e bananas. A Good Weave, anteriormente
tive-ETI). A iniciativa é diferente de outras conhecida como RugMark, é o exemplo de
como a CCC, uma vez que, além de sindi- uma organização global sem fins lucrati-
catos e organizações dos direitos laborais, vos que trabalha para acabar com o traba-
também algumas empresas privadas (mais lho infantil na indústria das carpetes e dos
de 70, em 2010) fazem parte desta aliança. tapetes na Ásia do Sul. A etiqueta Good
Para além de adotarem o Código Base da Weave assegura que nenhum trabalho in-
ETI, um código modelo de prática labo- fantil ilegal foi empregado na manufatura
ral derivado das Convenções da OIT, e de da carpete ou do tapete. A Good Weave uti-
subscreverem os Princípios de Implemen- liza as vendas dos tapetes e das carpetes,
tação da ETI, as empresas membros devem bem como doações, para fornecer apoio e
desempenhar um papel ativo nos projetos educação a anteriores vítimas de práticas
da ETI, trabalhando conjuntamente com de trabalho infantil. Desde a fundação da
sindicatos e ONG. Ademais, devem sub- RugMark International, em 1995, o núme-
meter relatórios anuais à Direção da ETI, ro de crianças trabalhadoras na indústria
sendo que 20% destes resultam de visitas das carpetes e dos tapetes, diminuiu de 1
de validação aleatórias. As tendências re- milhão para 250.000.
gistadas no desempenho da empresa são
monitorizadas por um órgão independente A Fairtrade Labelling Organizations In-
e a qualidade de membro pode perder-se ternational (FLO) existe para assegurar
caso o desempenho da empresa decaia. melhores transações para produtores mar-
Uma avaliação abrangente conduzida entre ginalizados e em desvantagem de países
2004 e 2006 confirmou que as atividades em vias de desenvolvimento. A FLO atri-
dos membros da ETI contribuíram para que bui uma etiqueta, a FAIRTRADE Mark, a
os locais de trabalho fossem mais seguros, produtos que cumprem as normas inter-
para eliminar o trabalho infantil e encorajar nacionalmente reconhecidas relativas ao
os fornecedores a pagar aos empregados o comércio justo. Esta etiqueta pode ser
montante a que estes tinham direito. Con- encontrada na maioria das cadeias de su-
tudo, muitos problemas persistem. permercados europeias e substituiu as eti-
quetas individuais nacionais. Apenas nos
Etiquetagem de Artigos Estados Unidos, um dos membros da FLO
A etiquetagem de artigos produzidos em ainda usa a sua etiqueta original, sendo
conformidade com as boas práticas sociais as etiquetas “Fair Trade Certified” indica-
é um passo recente no sentido de contri- tivas do cumprimento dos parâmetros da
buir para melhores práticas sociais e para Fairtrade. A Fairtrade cresceu significativa-
a proteção dos direitos humanos. Permite mente, devido ao apoio crescente dos con-
que os consumidores influenciem práticas sumidores. Os produtos da Fairtrade são
de produção, usando o seu poder como vendidos em 70 países. Em alguns mer-
compradores para apoiar as boas práticas. cados nacionais, os produtos da Fairtrade
Hoje, existem iniciativas relativas à etique- correspondem a uma quota de mercado
tagem em muitos países, principalmente, entre os 20% e os 50%, em determinados
na Europa e na América do Norte e a gama setores.
K. DIREITO AO TRABALHO 373
boral, como parte do plano de ação para das à procura de trabalho durante 12
os trabalhadores migrantes, adotado em meses ou mais é muito superior para
2004, pela Conferência Internacional do os jovens do que para os adultos. Na
Trabalho. Grécia, Itália, Eslováquia e no Reino
Unido, a probabilidade de os jovens
Desemprego dos Jovens ficarem desempregados durante um
Um dos problemas mais preocupantes longo período de tempo era duas a três
com que se deparam, tanto os países de- vezes superior à percentagem relativa
senvolvidos como os países em vias de aos adultos;
desenvolvimento, é o largo e crescente x Entre 2007 e 2010, as taxas de trabalho a
número de jovens desempregados. O ní- tempo parcial para os jovens cresceram
vel de incerteza entre jovens, homens em todas as economias desenvolvidas,
e mulheres, relativamente à procura de exceto na Alemanha.
um trabalho decente é alto, tendo a crise
económica exposto ainda mais a fragi- “Os jovens perfazem mais de 40% do total
lidade da juventude no mundo do tra- mundial de desempregados. Estima-se que
balho, tal como apontou o Relatório da existam, atualmente, 66 milhões de jovens
OIT de 2010 “Tendências Globais sobre desempregados no mundo – o que repre-
Emprego para a Juventude: edição espe- senta um acréscimo de, aproximadamen-
cial sobre o impacto da crise económica te, 10 milhões desde 1965. O subemprego
global na juventude”. A atualização des- é, também, outra crescente preocupação.
te estudo, em 2011, apresenta a infeliz A maioria dos novos empregos são mal
conclusão de que, no contexto atual de remunerados e instáveis. Cada vez mais,
instabilidade económica, a situação não os jovens estão a recorrer ao setor informal
tende a melhorar e as perspetivas futuras para conseguirem subsistir, com pouca ou
não são muito boas. De acordo com este nenhuma proteção laboral, benefícios ou
relatório: perspetivas para o futuro.”
x 75.1 milhões de jovens em todo o mun- Kofi Annan. 2001
do estavam desempregados, mais 4.6
milhões do que em 2007; O desemprego de longa duração, em
x Entre 2008 e 2009, o número global de determinados setores da população, sabe-
jovens desempregados cresceu 4.5 mi- se, afeta a coesão e estabilidade sociais,
lhões [a média de crescimento durante assim como contribui para acentuar as
o período anterior à crise (1997-2007) disparidades económicas e sociais nas
era inferior a 100.000 pessoas por ano]; sociedades. O desemprego dos jovens está,
x A taxa de desemprego jovem cresceu muitas vezes, relacionado com problemas
drasticamente durante a crise, de 11.6% sociais sérios, como a violência, a
a 12.7%; criminalidade, o suicídio e o abuso de
x Por exemplo, no final de 2011, a taxa de drogas e álcool e, dessa forma, o círculo
desemprego jovem, na UE, era de 21%, vicioso perpetua-se.
sendo que, em Espanha, era de quase Quaisquer políticas ou programas dirigidos
50%; ao combate efetivo do desemprego
x Na maioria das economias desenvolvi- jovem devem dirigir-se às causas sociais,
das, a parcela de pessoas desemprega- culturais e económicas desta questão e
376 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS
ATIVIDADES SELECIONADAS
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