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Revisão da NTS 215: Filmagem de Esgoto

A Norma Técnica Sabesp-NTS 215, revisada em 2018, padroniza a filmagem de sistemas coletores de esgoto, melhorando a especificação e recebimento dos serviços de inspeção. A nova versão inclui atualizações tecnológicas, um relatório de inspeção mais detalhado e um modelo matemático para gestão de manutenção, permitindo priorização de ações com base na criticidade das anomalias. A norma é essencial para garantir a operação eficiente e a manutenção dos sistemas de esgoto da Sabesp.

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Revisão da NTS 215: Filmagem de Esgoto

A Norma Técnica Sabesp-NTS 215, revisada em 2018, padroniza a filmagem de sistemas coletores de esgoto, melhorando a especificação e recebimento dos serviços de inspeção. A nova versão inclui atualizações tecnológicas, um relatório de inspeção mais detalhado e um modelo matemático para gestão de manutenção, permitindo priorização de ações com base na criticidade das anomalias. A norma é essencial para garantir a operação eficiente e a manutenção dos sistemas de esgoto da Sabesp.

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NORMA TÉCNICA SABESP- NTS 215

FILMAGEM DE SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO


UMA FERRAMENTA PARA GESTÃO DA MANUTENÇÃO

Marco Aurélio Lima Barbosa


Engenheiro Civil, 60 anos, com ampla experiência em recuperação de concreto e normatização.
Atualmente na Sabesp em São Paulo, atuando na área de normatização interna da Sabesp.
Endereço: Rua Costa Carvalho, 300 – Pinheiros – São Paulo –SP – CEP 05429-900
Tel.:+ 55 (11) 3388 8096 – email: marcoabarbosa@[Link]

Guilherme Akio Sakuma


Tecnólogo Civil, 45 anos, graduado pela FATEC – São Paulo, com experiência de 22 anos em
inspeção e recuperação de estruturas e tecnologia do concreto. Atualmente na Sabesp em São Paulo,
no Departamento de Engenharia de Manutenção, atuando na área de inspeções civis.
Endereço: Rua José Rafaelli, 284 – Bairro Socorro – São Paulo –SP – CEP 04763-280
Tel.:+ 55 (11) 5683 3281 – email: gsakuma@[Link]

Juliana Marques dos Anjos


Técnica em Sistemas de Saneamento. Atuando na Sabesp em São Paulo na área especializada em
gestão e manutenção de redes de esgoto.
Endereço: Avenida do Estado, 561 – Bom Retiro - São Paulo –SP – CEP 01107-000
Tel.:+ 55 (11) 3388 6028 – email: jmanjos@[Link]

AESABESP - Associação dos Engenheiros da Sabesp 1


RESUMO
A coordenação da elaboração e revisão das Normas Técnicas da Sabesp é função do Departamento de Acervo
e Normalização-TXA. A Norma Técnica Sabesp- NTS 215: Filmagem de sistemas coletores de esgoto foi
elaborada em 2005 com o objetivo de padronizar a especificação e recebimento dos serviços de inspeção por
televisionamentos nos sistemas lineares de esgoto da Sabesp. Em 2017 a Unidade de Negócio de Tratamento
de Esgotos da Metropolitana-MT solicitou ao TXA a revisão dessa norma que se encontra em fase final de
conclusão e conta com a participação dos empregados da Sabesp: Fernando Cesar Gomes Pereira, Juliana
Marques dos Anjos, Jaime Tsai, Marco Aurélio S. Chakur, Tardo Feliz, Márcio Antônio Milhoratti, Guilherme
Akio Sakuma e Marco Aurélio Lima Barbosa. A nova versão apresenta diversas melhorias como:
1. Atualização das tecnologias de filmagem e gravação.
2. Incremento no relatório de inspeção para que o prestador do serviço forneça à Sabesp informações mais
completas e adequadas para conhecimento detalhado do estado do sistema.
3. Atualização da descrição das anomalias e seus códigos.
4. Planilha para lançamento das anomalias, com classificação de intensidade e sua composição (soma).
5. Modelo matemático para atribuições de tolerâncias para anomalias e hierarquização final de trechos
vistoriados que permite ao gestor definir um grau de criticidade, para priorização das ações de manutenção.

PALAVRAS-CHAVE:
Televisionamento; Sistemas de esgoto; Manutenção.
1. INTRODUÇÃO
Os empreendimentos de sistema lineares de esgoto, coletores e interceptores, quando de sua conclusão requerem
inspeção interna para verificação de eventuais falhas de execução como, por exemplo: declividades incompatíveis
com as prescritas em projetos, vazamento nas juntas, fissuras nas paredes etc. A verificação dessas anomalias obriga o
empreiteiro ao refazimento do trabalho para o aceite recebimento da obra.
Na fase de operação do sistema a inspeção interna também é fundamental para verificar falhas semelhantes às
descritas na fase de construção, acrescidas de outras anomalias como, por exemplo: lançamento clandestino,
obstruções, desgastes da estrutura, corrosão, deformações etc.
[
Essas inspeções internas são realizadas por meio de equipamentos de inspeção por meio de circuito fechado de
televisão, cujos serviços devem resultar em relatório de inspeção que indica o tipo e localização da anomalia e permite
ao gestor do sistema conhecer as condições estruturais e hidráulicas do sistema.
Na Sabesp esses serviços são disciplinados pela NTS 215 Filmagem de sistemas coletores de esgoto, norma que se
encontra em fase final de revisão apresentando diversas melhorias em relação a versão original datada de 2005.
2. OBJETIVO
O objetivo desse trabalho é relatar as diferenças no conteúdo da revisão da NTS 215 em relação à edição
original, com ênfase ao item de modelo matemático como ferramenta para gestão de manutenção dos sistemas
lineares de esgoto.
3. METODOLOGIA
A metodologia adotada como diretriz para a revisão da norma foi a de adequar os equipamentos aos padrões
tecnológicos disponíveis atualmente, considerando que a versão original foi elaborada há 13 anos e definir
mecanismos para atender as necessidades dos gestores responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas
de esgoto.
3.1 Anomalias
Foram definidas as principais anomalias encontradas nos sistema de coleta e afastamento de esgoto, com
respectiva codificação e descrição.

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Anomalia Código Descrição

Junta de dilatação deslocada/desalinhada JDD Junta de dilatação com formação de dente/degrau/desalinhamento


Junta de dilatação com falha em material JDM Material de preenchimento em não conformidade: deteriorado, desplacando, rompido, etc
Junta de dilatação com infiltração JDI Presença de gotejamento ou fluxo contínuo de água de origem diversa
Junta de dilatação com presença de raiz JDR Presença de raízes traspassando o material de preenchimento da junta
Deformação DEF Presença deformação da tubulação
Infiltração localizada ILO Infiltração pontual e localizada
Infiltração generalizada IGE Infiltração de múltiplos pontos

Lançamento/contribuição por via clandestina LAC Lançamento ou contribuição oriundos de fonte diversa das águas servidas comuns

Alteração de diâmetro/dimensões internas ADI Mudança geométrica na seção da tubulação


Acúmulo de detritos ADE Presença de detritos volumosos tais como lixo, pedras, galhos, com formação de banco
Banco de sedimentos BSE Presença de material granular tais como areia, pedrisco, terra, com formação de banco
Obstrução por objeto OBO Presença de objetos obstruindo a linha
Gordura GOR Presença de depósitos de gordura
Fissura radial FRA Fissura transversal ao longo ou orientado segundo a seção da tubulação
Fissura longitudinal FLO Fissura longitudinal ao longo da tubulação (cadastrar início e fim)
Fissura genérica FGE Fissura sem direção
Corrosão de armadura ASA Corrosão de armaduras constituintes da estrutura da tubulação
Reparo REP Reparo com algum nível de falha de execução
Defeito construtivo DEC Defeito ou falha originários da construção do elemento ou da fase executiva
Ruptura/Colapso RCT Descontinuidade no material
Desgaste DES Material superficial em processo de deterioração
Tabela 1 - Anomalias, código e descrição
3.2 Tecnologia dos equipamentos
A tabela 2 apresenta as diferenças entre a especificação adotada na NTS 215 (2005) e a proposta na NTS 215
(2018). [
NTS 215
Característica Edição 2005 Edição 2018
Iluminação Lâmpadas halogênicas Lâmpadas halogênicas ou LED
(Light Emitting Diode)
Capacidade linear de filmagem 120 metros 150 metros
(até)
Resolução da imagem Compatível ao sistema nacional VGA
Registro fotográfico da anomalia não sim
Sistema de localização Triangulação (amarração) Preferencialmente
georeferenciado
Disponibilização da filmagem CD (compact disk) Mídia digital
Tabela 2 - Diferenças de especificação entre as edições da NTS 215
3.3 Relatório de Inspeção Técnica
O objetivo da definição de um relatório padrão é permitir que a Sabesp receba, após o serviço de inspeção,
informações detalhadas que permitam avaliar de maneira adequada a situação estrutural e hidráulica do
sistema, além de dados que alimentem o ferramenta de gestão. São partes importantes do relatório:
3.3.1 Característica do trecho
Objetiva detalhar as características do trecho a ser inspecionado, principalmente no que tange ao seu entorno.
A tabela 3 exemplifica o tipo de informação a ser verificada para esse fim.

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Tabela 3 - Planilha de cadastramento de anomalias. Note atribuição quanto à sua frequência e
gravidade.
3.3.2 Grau de criticidade do trecho
[
Grau de criticidade do trecho baseado em controle de níveis de tolerâncias pré-configuradas segundo o gestor
da estrutura. Assim, não haverá uma escala padrão de gravidade, mas um limite de tolerância para certa
quantidade e qualidade de anomalias cadastradas. Verificando a aproximação ou o atingimento deste limite, o
gestor poderá tomar suas decisões de intervenção.
PLANILHA DE REGISTRO DE ANOMALIAS DO CONDUTOR
PODERAÇÃO Soma de LOCALIZAÇÃO Dim ensões
Registro Fator de Equivalência Valor de QUANTI anomalias POSIÇÃO DISTÂNCIA FOTO CROQUI
ANOMALIA ATRIBUÍDA largura compr. OBSERVAÇÕES
nº (selecionar o nível) Fe
DADE Nº Nº
(Pa) equivalentes (h) (m )

1 jdd 2,00 Avançado (A) 3,00 1 6,00


2 jdi 2,50 Avançado (A) 3,75 5 46,88
3 rct 2,50 Incipiente (I) 1,25 1 3,13
4 jdr 2,00 Média Intensidade (Pa) 2,00 2 8,00
5 jdm 1,50 Incipiente (I) 0,75 1 1,13
6 jdd 2,00 Incipiente (I) 1,00 1 2,00
7 jdm 1,50 Média Intensidade (Pa) 1,50 1 2,25
8 def 1,00 Incipiente (I) 0,50 4 2,00
9 def 1,00 Avançado (A) 1,50 1 1,50
10 ilo 2,00 Incipiente (I) 1,00 3 6,00
11 ilo 2,00 Média Intensidade (Pa) 2,00 2 8,00
12 ige 2,50 Avançado (A) 3,75 2 18,75
13 ige 2,50 Incipiente (I) 1,25 9 28,13
14 jdi 2,50 Avançado (A) 3,75 7 65,63
15 ige 2,50 Média Intensidade (Pa) 2,50 2 12,50

Tabela 4 - Planilha de cadastramento de anomalias. Note atribuição quanto à sua frequência e


gravidade.
3.3.3 Gráficos das anomalias
Gráficos comparativos de ocorrências reais e equivalentes que objetivam melhor controle do gestor na
evolução do quadro patológico da estrutura.

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[

Figura 1 - Gráficos para visualização das anomalias reais e as anomalias equivalentes


3.3.4 Demonstrativo do trecho
É composto por um croqui do trecho inspecionado com a posição, tipo e intensidade das anomalias
encontradas, conforme exemplo apresentado na figura 2.

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I
v
A

A
[
Figura 2 - Exemplo de demonstrativo de trecho
4. FERRAMENTA PARA GESTÃO DE MANUTENÇÃO
4.1 Desafio e Proposta
Visando oferecer uma ferramenta de gestão à NTS 215, elaboramos modelo matemático baseado nos aspectos
qualitativos e quantitativos das anomalias registradas nas inspeções das linhas de esgoto.
A proposta pretende processar uma grande quantidade de registros em um índice relativamente simplificado,
para percepção da condição geral da linha inspecionada, com vistas a auxiliar o gestor na hierarquização dos
trechos inspecionados, proporcionando uma forma eficiente de priorização e direcionamento dos recursos.
A diversidade de materiais das linhas de esgoto abarcada pela NTS 215 se constitui em um fator de extrema
dificuldade, visto que, para um bom modelo de criticidade, é imprescindível que se conheça detalhadamente o
quadro patológico característico de cada um dos materiais existentes. A elaboração de um índice que forneça
uma referência sólida e realista deve refletir, de maneira confiável, sua real carga patológica relativamente ao
material considerado.
Diante de tal desafio, foi criado um modelo não fundado em uma escala fixa de criticidade, haja vista que
materiais diferentes implicam em comportamentos diferentes para um mesmo tipo de anomalia, bem como
possui durabilidades e graus de deterioração variáveis para dado tipo de anomalia.
A criação de uma escala de criticidade que abrangesse todos os materiais, diâmetros e metodologias de
assentamento, geraria enormes incompatibilidades e incongruências na classificação final.
Pela conjuntura apresentada, optou-se por um modelo onde seria o próprio gestor da linha que aplicaria suas
tolerâncias e determinaria as peculiaridades dos materiais segundo as suas anomalias típicas. Assim, não
haveria escala classificatória fixa, mas sim uma espécie de “alarme” que indicaria, segundo os parâmetros por
ele mesmo definido, bem como sua equipe técnica, se a tolerância adotada estaria sendo respeitada ou se já
fora suplantada.

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4.2 Metodologia básica
A metodologia básica se funda na análise qualitativa e quantitativa das manifestações patológicas.
Qualitativamente, se baseia em dois fatores básicos: a Ponderação Atribuída (Pa) e o Fator de Equivalência
(Fe).
Quantitativamente, utiliza uma contagem ponderada gerando um valor montante de anomalias equivalentes, ou
seja, como se todas estivessem no mesmo nível de deterioração e gravidade, evitando, assim, desvios devido à
contagem pura e simples de anomalias diversas e em vários graus de evolução existentes.
4.2.1 Análise Qualitativa
A análise qualitativa se baseia na Ponderação Atribuída (Pa).
[Link] Ponderação Atribuída (Pa)
A Ponderação Atribuída é o fator que considera o impacto e relevância potencial de uma dada anomalia (tipo)
em determinado material. O impacto potencial seria entendido como o nível de dano que um tipo de anomalia
poderia infringir, potencialmente, ao elemento estrutural. Por exemplo, o potencial de dano de uma fissura é
maior do que de uma eflorescência em um tubo de concreto.
Material: Concreto

Ponderação
Anomalia tipo Legenda
Atribuída (Pa)
Junta de dilatação deslocada/desalinhada JDD 2,00
Junta de dilatação com falha em material JDM 1,50
Junta de dilatação com infiltração JDI 2,50
Junta de dilatação com presença de raiz JDR 2,00
Deformação DEF 1,00
Infiltração localizada ILO 2,00
Infiltração generalizada IGE 2,50
Lançamento/contribuição por via clandestina LAC 0,50
1,00
[
Alteração de diâmetro/dimensões internas ADI

Tabela 5 - Planilha para lançamento da Ponderação Atribuída. O lançamento se dá no espaço em


amarelo após análise do potencial de dano de um tipo de anomalia frente um dado material. Na terceira
coluna da tabela constam valores hipotéticos de PA.
Assim, seriam analisadas todas as anomalias típicas previamente, de forma a se atribuir a cada tipo de anomalia
seu comportamento e impacto em um dado material.
Ainda que com certa subjetividade, aqui podem ser considerados quais anomalias têm maior poder de
degradação, fundada na experiência dos próprios gestores da linha e seu conhecimento do material com as suas
vicissitudes típicas.
A amplitude da Pa, a princípio seria livre, contudo, é sugerido considerar uma amplitude de, no máximo, cinco
gradações, sendo recomendado três, visando a redução de subjetividade. Por exemplo, pode ser adotado os
valores 1; 1.5; 2; 2.5 e 3. Sendo 1 as anomalias que gerariam baixo impacto para dado material e 3 as
anomalias que gerariam alto impacto na integridade e conservação do referido material. Os níveis
intermediários seriam as anomalias entre estes dois extremos de potencial de dano.
Observe que tanto a amplitude quanto o número de gradações podem ser adotados pelo próprio gestor, visto
que a melhor pessoa para analisar o impacto dano/material é o seu próprio usuário, baseado em sua experiência
e conhecimento.
Uma vez atribuído o Pa para uma dada anomalia e seu respectivo material, não é recomendável que esta
ponderação seja alterada nas inspeções posteriores, sob pena de prejudicar o potencial comparativo do modelo,
entre as vistorias. Obviamente que correções e calibrações do modelo são bem vindas independentes do tempo
de implantação. Cabe salientar que, considerando que a quantidade de graduações e valores da PA são
definidos por cada gestor, não se pode estabelecer comparações quanto ao grau de deterioração entre
empreendimentos sob gestão de profissionais que utilizaram critérios diferentes para o PA.

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4.2.2 Análise quantitativa
Esta análise leva em conta não apenas o número de anomalias presente na estrutura, mas também pondera a
equivalência de anomalias menos graves perante as mais graves, de forma a não fornecer apenas uma
estimativa numérica, mas uma quantidade equivalente ao potencial de dano do conglomerado de anomalias.
Deve ser notado que mesmo que se somem apenas anomalias de um tipo específico – fissuras, por exemplo – a
somatória não representaria um valor fidedigno com a condição estrutural, isso porque ainda que do mesmo
tipo, não necessariamente estas anomalias estariam em mesmo grau de evolução. É compreensível que não
seria coerente a somatória pura e simples das anomalias de evoluções patológicas diversas, visto que tal ato
geraria enorme desvio da situação real de conservação da estrutura.
Para que se efetive esta soma, um fator de equivalência deve ser considerado de forma que se tenda a corrigir
este desvio fornecendo um montante que, ainda que virtual, seja a que melhor represente a realidade estrutural.
[Link] Fator de Equivalência (Fe)
O Fator de Equivalência está correlacionado com a evolução patológica da anomalia, ou seja, em que nível de
deterioração determinada anomalia se encontra. Para o presente modelo, visando reduzir a subjetividade,
optamos por dividir a evolução patológica em apenas três níveis de gravidade.
São eles:
Avançado – Estado em que a anomalia está com o seu nível de agressividade pleno, afetando, inclusive, a
segurança operacional e a integridade estrutural;
Média Intensidade - Estado intermediário de deterioração, geralmente, produzindo danos à durabilidade da
estrutura com prejuízos à conservação, contudo, ainda sem produzir danos estruturais ou pouco colaborando
neste quesito;
Incipiente – Estado inicial de deterioração da anomalia; pouco afetando, inclusive, a conservação, mas com
tendências a evolução.
JUNTA DEFORMAÇÃO INFILTRAÇÃO

Fator de Equivalência (Fe) JDD JDM JDI JDR DEF ILO IGE
Avançado (A) 3 2,25 3,75 3 1,5 3 3,75
Média Intensidade (Pa) 2,00 1,50 2,50 2,00 1,00 2,00 2,50
Incipiente (I) 1 0,75 1,25 1 0,5 1 1,25
[
Tabela 6 - Valores do Fator de Equivalência resultantes da calibração automática de intensidade. Os
valores são gerados a partir da planilha de Pa, ilustrada na tabela 5.

Percentual de acréscimo/redução
relativo ao nível de intensidade médio
(Pa)
Legenda Anomalia tipo Avançado (A) Incipiente (I)
JDD Junta de dilatação deslocada/desalinhada 0,50 0,50
JDM Junta de dilatação com falha em material 0,50 0,50
JDI Junta de dilatação com infiltração 0,50 0,50
JDR Junta de dilatação com presença de raiz 0,50 0,50
DEF Deformação 0,50 0,50
Tabela 7 - Planilha para lançamento opcional do Fator de Equivalência. O lançamento se dá nos espaços
em amarelo, e adotam 50% de aumento e redução padrão segundo o nível médio. Este percentual segue
padronizado, mas pode ser alterado segundo a experiência do inspetor.
4.2.3 Tolerância de Danos
A tolerância de danos está relacionada ao valor de anomalias-tipo que o gestor considerará aceitável para um
dado material em determinada inspeção de um trecho específico.

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Incidência de Anomalias
Anomalias toleradas Anomalias toleradas Nível da tolerância
Anomalia tipo Cod. Equivalentes por área
por 10 m² em 10 metros lineares alcançado do tipo
total(A. Virtual/m²)
Junta de dilatação deslocada/desalinhada JDD 0,300 0,19 0,013 0,0424
Junta de dilatação com falha em material JDM 0,500 0,31 0,008 0,0155
Junta de dilatação com infiltração JDI 0,400 0,25 0,433 1,0818
Junta de dilatação com presença de raiz JDR 0,300 0,19 0,016 0,0531
Deformação DEF 1,000 0,63 0,006 0,0056
Infiltração localizada ILO 0,800 0,50 0,041 0,0517
Infiltração generalizada IGE 0,400 0,25 0,124 0,3108

Tabela 8 - Planilha de tolerâncias. O gestor deverá preencher o espaço em amarelo com a quantidade de
anomalias que será admitida a cada 10 m² de tubulação de determinado material.
É desejável que esta tolerância esteja relacionada não apenas ao aspecto do material em si, mas também seja
ponderada segundo as condições extrínsecas (aspectos do entorno) e operacionais características do trecho.
Assim, na definição das tolerâncias o gestor deverá levar em conta fatores além do material, por exemplo: a
dificuldade de intervenção, a durabilidade do material, o faturamento, a importância estratégica, a idade, o
histórico de ocorrências, dentre outros fatores que considere significativos para a composição de características
que resultem no melhor nível de alerta final. Todavia, vale reforçar que este rol é exemplificativo; desta forma,
desde que não intrínseco, não há nenhum item obrigatório, podendo o gestor inclusive acrescentar outros que
considere importante.
A tolerância de danos deve ser entendida como um alarme que soa ao se atingir ou exceder o valor
previamente configurado como aceitável. Observar na tabela 8 que o item JDI está em vermelho na coluna
“nível de tolerância alcançado do tipo”, significando que a tolerância configurada pelo gestor, no caso 0,40
ocorrências a cada 10 m², já foi excedida em cerca de 8% (1,0818).
Em suma, este quadro retrata, depois de lançadas as anomalias de uma vistoria, quais anomalias-tipo
excederam a tolerância. Valores abaixo de 1,0, em verde, indicam tolerâncias não excedidas.
Esta frequência deve ser entendida como número de ocorrências por unidade de área. Assim, o modelo
matemático calcula a área interna total da tubulação do trecho.

Concreto
Material
Armado

Diâmetro (mm): 1000 [


Comprimento (m): 200
Área Superficial Total (m²): 628,32

Tabela 9 - Planilha onde é feito o cálculo da área total do trecho inspecionado, relativo ao seu diâmetro
e material da tubulação. Toda análise de tolerância é baseada na área total da superfície da tubulação.
4.2.4 Resultados
Além da apresentação das tolerâncias individuais que facilita o controle de determinadas ocorrências de
anomalias com maiores gravidades em determinado material, o modelo matemático também calcula a
Tolerância Média.
Tolerância Média 1,15 anomalias por 10 m²

Ocorrências Virtuais 1,84 anomalias por 10 m²


Ocorrências Virtuais 115,5 anomalias equivalentes
Ocorrências Reais 28 anomalias no trecho

NÍVEL DE ALERTA 1,60

Tabela 10 - Planilha onde é feito o cálculo da tolerância média, bem como contabiliza e compara com as
ocorrências reais e virtuais, gerando o nível de alerta.
A tolerância média compila a série de tolerâncias individuais de cada anomalia-tipo registradas. Na célula
“Nível de Alerta” o modelo efetua uma comparação do nível de tolerância adquirido pelo levantamento, ou
seja, abarcando todas as anomalias registradas e a tolerância média. Assim, valores acima de 1,0 indicariam
tolerância média excedida e abaixo disso, tolerância não excedida.

AESABESP - Associação dos Engenheiros da Sabesp 9


5. CONCLUSÕES
A revisão da NTS 215 além de considerar as atuais tecnologias dos equipamentos e a experiência dos técnicos da
empresa que atuam nos serviços de inspeção por televisionamento propõe uma ferramenta de avaliação do estado
hidráulico e estrutural do sistema. A ferramenta permite ao gestor classificar as estruturas por ordem de criticidade,
fato fundamental para aperfeiçoar os recursos destinados à manutenção.
A metodologia proposta não é “engessada”, pois permite ao gestor, que conhece as características e peculiaridades
operacionais de seus sistemas, atribuir valores da PA e de tolerância das anomalias, tornando a ferramenta mais
eficiente.
A metodologia pode e deve ser revisada posteriormente com incremento de melhorias, que podem ser construídas
pela experiência de sua utilização. Assim, por exemplo, o conhecimento mais apurado das anomalias de materiais
como PEAD e seus impactos no sistema, poderá ser considerado em futuras revisões.
6. REFERÊNCIAS TÉCNICAS
NTS 215 – Filmagem de Sistemas Coletores de Esgoto – Edição 2005
PACP – Pipeline Assessment Certification Program da NASSCO – National Association of Sewer Service
Plano de Manutenção Preventiva em Estruturas Civis – Sabesp – Superintendência de Manutenção – MME

AESABESP - Associação dos Engenheiros da Sabesp 10

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