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Classificação e Cuidados com Feridas

O documento classifica feridas em cirúrgicas, traumáticas e ulcerativas, detalhando suas características e estágios de cicatrização. Discute também fatores que interferem no processo de cicatrização, complicações e cuidados gerais com feridas, além de técnicas e tipos de curativos. A morfologia das feridas é abordada, incluindo localização, dimensões e profundidade, e a importância da hemostasia e das fases de cicatrização é enfatizada.

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Classificação e Cuidados com Feridas

O documento classifica feridas em cirúrgicas, traumáticas e ulcerativas, detalhando suas características e estágios de cicatrização. Discute também fatores que interferem no processo de cicatrização, complicações e cuidados gerais com feridas, além de técnicas e tipos de curativos. A morfologia das feridas é abordada, incluindo localização, dimensões e profundidade, e a importância da hemostasia e das fases de cicatrização é enfatizada.

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CLASSIFICAÇÃO

• CIRÚRGICAS – provocadas por instrumentos


cirúrgicos, com finalidade terapêutica, podem ser:
● Incisivas: perda mínima de tecido; ● Excisivas:
remoção de áreas de pele.
• TRAUMÁTICAS – feridas provocadas
acidentalmente por agentes: ● Mecânicos: como
um prego, espinho ou por pancadas; ● Físicos:
como temperatura, pressão, eletricidade; ●
Químicos: ácidos ou soda cáustica, por exemplo;
● Biológicos: contato com animais ou penetração
de parasitas.
CLASSIFICAÇÃO
• ULCERATIVAS – lesões escavadas, circunscritas,
com profundidade variável, podendo atingir desde
camadas superficiais da pele até músculos. As
úlceras são classificadas conforme as camadas de
tecido atingido:
● Estágio I: pele avermelhada, não rompida, mácula eritematosa bem
delimitada, atingindo epiderme;
● Estágio II: pequenas erosões na epiderme ou ulcerações na derme.
Apresenta-se normalmente com abrasão ou bolha;
● Estágio III: afeta derme e tecido subcutâneo;
● Estágio IV: perda total da pele atingindo músculos, tendões e
exposição óssea.
A ferida aguda é quando há ruptura da vascularização com
desencadeamento imediato do processo de hemostasia. Na reação
inflamatória aguda, as modificações anatômicas dominantes 16 são
vasculares e exsudativas, e podem determinar manifestações
localizadas no ponto de agressão ou ser acompanhada de
modificações sistêmicas. A contração das margens inicia em cerca
de 5 dias após a lesão e tem seu pico em 2 semanas.

Se a ferida não fechar até 3 semanas após a ruptura da pele, a


contração cessa, caracterizando então a ferida como crônica.
Ferida crônica é quando há desvio na seqüência do processo
cicatricial fisiológico. A inflamação crônica pode resultar em um
longo processo de cura e evoluir com resposta muito diferente das
manifestações clássicas da inflamação aguda.
MORFOLOGIA
A morfologia descreve e detalha a localização, dimensões, números e
profundidade das feridas.
1. Quanto à localização: as feridas ulcerativas frequentemente
acometem usuários que apresentam dificuldades de deambulação. Áreas de risco
para pessoas que passam longos períodos sentados: ● Tuberosidades isquiáticas;
Pés; ● Espinha dorsal torácica; Calcanhares. Áreas de risco para quem passa
longos períodos acamado: ● Região sacrococcígea; Tornozelos ● Região
trocantérica, Calcanhares; isquiática espinha ilíaca; Cotovelos ● Joelhos (face
anterior, Espinha dorsal; medial e lateral); ● Cabeça (região occipital e orelhas).

2. Quanto às dimensões: Extensão da ferida em área = cm². ●


Pequena: menor que 50cm² ● Média: maior que 50cm² e menor que 150cm² ●
Grande: maior que 150cm² e menor que 250cm² ● Extensa: maior que 250cm².

3. Quanto ao número: existindo mais de uma ferida no mesmo


membro ou área corporal com distância mínima de 2cm entre elas, faça a
somatória.
MORFOLOGIA
1. Quanto à profundidade: ● Feridas planas ou
superficiais: envolvem a epiderme, derme e tecido subcutâneo; ●
Feridas profundas: envolvem tecidos moles profundos, tais como
músculos e fáscia; ● Feridas cavitárias: caracterizam-se por perda de
tecido e formação de uma cavidade com envolvimento de órgãos ou
espaços. Podem ser traumáticas, infecciosas, por pressão ou
complicações pós-cirúrgica.
2. Mensuração: avalia comprimento x largura x profundidade. ●
Medida simples: mensurar uma ferida medindo-a em seu maior
comprimento e largura, utilizando uma régua em centímetros (cm). É
aconselhável associá-la à fotografia. ● Medida cavitária: após a
limpeza da ferida, preencher a cavidade com SF 0.9%, aspirar o
conteúdo com seringa estéril e observar o valor preenchido em
milímetros. Outra técnica utilizada é através da introdução de uma
espátula ou seringa estéril na cavidade da ferida, para que seja
marcada a profundidade. Após, verificar o tamanho com uma régua.
CARACTERÍSTICAS DO LEITO
DA FERIDA
Os tecidos viáveis compreendem:
● Granulação: de aspecto vermelho vivo, brilhante, úmido,
ricamente vascularizado;
● Epitelização: revestimento novo, rosado e frágil. Os tecidos
inviáveis compreendem:
● Necrose de coagulação (escara): caracterizada pela presença de
crosta preta e/ou bem escura; ● Necrose de liquefação
(amolecida): tecido amarelo-esverdeado e/ou quando a lesão
apresenta infecção, secreção purulenta; ● Desvitalizado ou
Fibrinoso: tecido de coloração amarela ou branca, que adere ao
leito da ferida e se apresenta como cordões ou crostas grossas,
podendo ainda ser mucinoso.
Hemostasia é a resposta fisiológica normal do corpo para a prevenção e
interrupção de sangramento e hemorragias. A Hemostasia resulta no
bloqueio de qualquer lesão vascular. De maneira geral, a Hemostasia garante
a fluidez do sangue e a integridade dos vasos sanguíneos.

FASE DE INFLAMAÇÃO OU EXSUDATIVA (limpeza) – a inflamação


iniciam-se com a ruptura de vasos sanguíneos e o extravasamento de sangue.
Durante este processo ocorre o recrutamento de macrófagos e neutrófilos, ou
seja, ocorre reação completa do tecido conjuntivo vascularizado em resposta à
agressão do tecido, cujo objetivo é interromper a causa inicial (dor, calor rubor e
edema).

FASE PROLIFERATIVA (granulação e reepitelização) – caracteriza-se


pela neovascularização e proliferação de fibroblastos, com formação de
tecido róseo, mole e granular na superfície da ferida (3 a 4 dias).

FASE DE MATURAÇÃO OU REMODELAGEM DO COLÁGENO: é a


fase final de cicatrização de uma ferida, caracterizada pela redução e pelo
fortalecimento da cicatriz. Durante esta fase, a cicatriz se contrai e torna-se
pálida e a cicatriz madura se forma 3 semanas a 1 ano a mais.
FATORES QUE INTERFEREM NO
PROCESSO
O processo de cicatrização pode ser afetado por
fatores locais e sistêmicos, ou também por
tratamento tópico inadequado.
● Fatores locais: localização e infecção local (bacteriana) e
profundidade da ferida; edema, grau de contaminação e presença
de secreções; trauma, ambiente seco, corpo estranho, hematoma e
necrose tecidual;
● Fatores sistêmicos: fatores relacionados ao cliente, como idade,
faixa etária, nutrição, doenças crônicas associadas, insuficiências
vasculares úlceras ou pelo uso de medicamentos sistêmicos (anti-
inflamatórios, antibióticos, esteróides e agentes quimioterápicos);
FATORES QUE INTERFEREM NO
PROCESSO
● Tratamento tópico inadequado: a utilização de
sabão tensoativo na lesão cutânea aberta pode ter
ação citolítica, afetando a permeabilidade da
membrana celular. A utilização de soluções anti-
sépticas também pode ter ação citolítica. Quanto
maior for à concentração do produto maior será
sua citotoxicidade, afetando o processo
cicatricial. Essa solução em contato com
secreções da ferida tem a sua ação
comprometida.
COMPLICAÇÕES DA
CICATRIZAÇÃO
As complicações mais comuns associadas à cicatrização de feridas são:
● Hemorragia interna (hematoma) e externa podendo ser arterial
ou venosa;
● Deiscência: separação das camadas da pele e tecidos, comum
entre 3º e 11º dias após o surgimento da lesão;
● Evisceração: protrusão dos órgãos viscerais, através da abertura
da ferida;
● Infecção: drenagem de material purulento ou inflamação das
bordas da ferida; quanto não tratada de forma adequada, pode
gerar osteomielite, bacteremia e speticemia;
● Fístulas: comunicação anormal entre dois órgãos ou entre um
órgão e a superfície do corpo.
CONDIÇÕES IDEAIS
PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO
* Temperatura:
* pH do tecido lesional:
* Níveis bacterianos na ferida: ▶ Contaminadas: presença
de microrganismos, porém, sem proliferação. ▶ Colonizadas: presença
e proliferação de microrganismos, sem provocar reação no hospedeiro.
▶ Infectadas: bactérias invadem o tecido sadio e desencadeiam
resposta imunológica do hospedeiro. O controle da colonização nas
feridas depende da limpeza adequada, uso de técnica asséptica na troca
do curativo, uso de curativos que promovam barreira e que ajudem no
controle microbiano.
● Umidade no leito da lesão:
CUIDADOS GERAIS COM
FERIDAS
● Limpe suavemente com soro fisiológico aquecido ou
solução de Limpeza com PHMB. Evite esfregar;
● Remova o tecido desvitalizado. Se possível, efetue a
remoção no momento da limpeza da lesão;
● Prepare a pele na área ao redor da lesão (peri-lesional)
para promover a aderência do curativo e proteger a pele
saudável (se necessário, faça uso do protetor cutâneo);
Selecione os curativos primários e secundários adequados: faça as seleções de
curativos com base na profundidade da ferida (parcial x espessura total),
condição da pele ao redor do leito da ferida, grau de colonização, quantidade
de exsudato e o tamanho da ferida. Para para feridas grandes ou de espessura
total, preencha o espaço morto com curativo antimicrobiano.
TÉCNICAS DE CURATIVOS
UTILIZADOS
*ESTÉRIL: Curativo realizado na unidade de
saúde, com material estéril (pinças ou luvas),
solução fisiológica 0,9% aquecida e cobertura
estéril.

*LIMPA: Curativo realizado no domicílio, pelo


usuário e/ou familiar. Realizado com material
limpo, água corrente ou soro fisiológico 0,9% e
cobertura estéril.
TIPOS DE COBERTURAS DE
CURATIVO
PASSIVO: Somente protegem e cobrem as
feridas.
INTERATIVOS: Proporcionam um micro-
ambiente ótimo para a cura da ferida.
BIOATIVOS: Resgatam ou estimulam a
liberação de substâncias durante o processo de
cura.
TIPOS DE CURATIVOS
● Incisões cirúrgicas com bordos
aproximados, cicatrização por primeira
intenção – após 24hs já podem ficar abertas.
● Feridas abertas: Irrigação com solução
fisiológica 0,9%, morna (em torno de 37°C) ,
utilizando seringa de 20ml e agulha 40X12 (a
pressão exercida no leito da lesão não deve
ultrapassar 15 psi, a fim de preservar os
neotecidos formados).
TIPOS DE CURATIVOS
● Lesões fechadas: Consiste no curativo
tradicional, com uso de pinças.
● Drenos: É considerado um curativo
complexo. O dreno tem como objetivo:
proporcionar a drenagem de sangue,
exsudato, bile e outros fluidos corpóreos,
evitando acúmulo destes na cavidade.
CURATIVOS TRADICIONAIS
MATERIAL
● EPI,S
● Pacote de curativo (normalmente tem 1 pinça hemostática e/ou
Kocher, 1 anatômica e 1 dente de rato);
● Pacote de compressa cirúrgica 7,5x7,5 cm estéreis;
● Saco de lixo hospitalar (se necessário);
● Chumaço (gazes) ESTÉRIL;
● Cuba rim;
● Atadura (s/n);
● Tesoura, lâmina e bisturi e régua;
● Luvas de procedimento / Luva estéril;
● Solução fisiológica a 0,9% aquecida (37°C) ou com solução Phmb
0,2%;
● Micropore ou esparadrapo (s/n).

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