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UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE ECONOMIA E GESTÃO
LICENCIATURA EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
2 ° ANO PÓS-LABORAL
1º Grupo
ANIFA EDUARDO LINO
AMÉLIA FABIÃO COTE
QUENITO JOÃO CHOHORO
VIGARIA DE SOUSA
VILMA VITORINO FIJAMO
FEITIÇARIA EM MOÇAMBIQUE
QUELIMANE
2024
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1º Grupo
ANIFA EDUARDO LINO
AMÉLIA FABIÃO LUÍS
QUENITO JOÃO CHOHORO
NAIRA JONAS ROFINO
VIGARIA DE SOUSA
VILMA VITORINO FIJAMO
FEITIÇARIA EM MOÇAMBIQUE
Trabalho de carácter avaliativo da disciplina de
Antropologia Cultural a ser apresentado ao Curso de
Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos na
disciplina de Gestão Financeira.
Orientador: Doutor: Jorge Carlos Jorge.
QUELIMANE
2024
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Sumário
1. Introdução ...................................................................................................................4
1.1 Objectivos ...............................................................................................................4
1.1.1 Geral:...................................................................................................................4
1.1.2 Específicos ..........................................................................................................4
1.1.3 Metodologias .......................................................................................................4
2. Feitiçaria em Moçambique .........................................................................................5
2.1 Conceito de Feitiçaria .............................................................................................5
2.2 Forma de fazer feitiçaria em Moçambique .............................................................6
2.3 Importância da feitiçaria .........................................................................................7
2.4 Feitiçaria e Modernidade em Moçambique ............................................................8
2.5 O impacto da feitiçaria nas relações sociais e estruturas de poder no contexto
Moçambicano.....................................................................................................................9
2.6 As formas de resistência e contestação em relação à feitiçaria e suas implicações
param a sociedade Moçambicana ....................................................................................10
Conclusão ........................................................................................................................11
Referências Bibliográficas ...............................................................................................12
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1. Introdução
A prática da feitiçaria em Moçambique é um tema de grande relevância e
complexidade na disciplina de Antropologia. Ao longo dos anos, as crenças e rituais
relacionados à feitiçaria têm desempenhado um papel significativo na sociedade
moçambicana, influenciando aspectos culturais, sociais e até mesmo políticos. A
compreensão dessas práticas requer uma abordagem interdisciplinar, que leve em
consideração não apenas os aspectos locais e tradicionais, mas também as dinâmicas
contemporâneas que envolvem o fenómeno da feitiçaria em Moçambique. Nesse contexto, a
Antropologia desempenha um papel fundamental ao analisar e interpretar as diferentes
manifestações e significados atribuídos à feitiçaria, contribuindo para uma compreensão
mais profunda e contextualizada desse fenómeno na sociedade moçambicana.
1.1 Objectivos
1.1.1 Geral:
Compreender o papel e a influência da feitiçaria na sociedade moçambicana.
1.1.2 Específicos:
Compreender as crenças e práticas associadas à feitiçaria em Moçambique.
Identificar a importância da feitiçaria na sociedade Moçambicana.
Analisar o impacto da feitiçaria nas relações sociais e estruturas de poder no contexto
moçambicana
Explorar as formas de resistência e contestação em relação à feitiçaria e suas
implicações para a sociedade moçambicana.
1.1.3 Metodologias
Para a elaboração deste trabalho, foi possível através de uso de pesquisa qualitativa quanto a
sua abordagem. O estudo bibliográfico ajudou na obtenção de informações com base nas
leituras de diferentes obras bibliográficas e material disponibilizado pelo docente da
disciplina e artigos científicos disponíveis em várias plataformas electrónicas para sustentar
o teor do trabalho.
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2. Feitiçaria em Moçambique
2.1 Conceito de Feitiçaria
Feitiçaria designa a prática ou celebração de rituais, orações ou cultos com ou sem
uso de amuletos ou talismãs (objectos ao qual são atribuídos poderes mágicos), por parte de
adeptos do ocultismo com vista à obtenção de resultados, favores ou objectivos que, regra
geral, não são da vontade de terceiros.
A feitiçaria pode ser descrita como uma acção maliciosa, levada a cabo através do
recurso a forças místicas ou mesmo pela violência, resultante de ódios e tensões intensas
presentes na sociedade, e que as pessoas interpretam como actuam sobre si
independentemente da sua vontade, (ASHFORTH, 2005: 87).
Durante o auge da intervenção colonial portuguesa, a feitiçaria foi considerada de
modos diferentes: como um conjunto de crenças, muitas vezes incluindo modelos de
comportamento inversos, como modelos de acusação e como um julgamento da pesada
tensão social. Apesar de muitos assumirem que, com o início da modernidade, vista como
produto da intervenção colonial, a feitiçaria iria desaparecer, em muitas partes do mundo é
visível uma forte presença de bruxas e práticas de feitiçaria, com o número de acusações a
aumentar (Geschiere, 2003; Caplan, 2004; Stewart e Strathern, 2004).
Em Moçambique, a estrutura social tem sofrido profundas transformações fruto das
tensões e conflitos sociais, políticas e económicas que o país tem atravessado. Os
deslocamentos de populações geradas pelas guerras especialmente para contextos urbanos, o
agravamento da situação económica desde meados da década de 1980 e os mecanismos de
marcantes da exclusão social reflectem estas tensões, muitas das quais encontram escape em
acusações e suspeitas de feitiçaria.
Uma forma de explicar o infortúnio como uma consequência da malevolência
humana Evans-Pritchard, (1937), a feitiçaria usa a linguagem das relações interpessoais para
falar sobre catástrofes, conflitos e problemas importantes, quer imediatos, quer com
profundas raízes.
Sendo a feitiçaria uma linguagem de poder Kapferer, (1997), os supostos feiticeiros,
como a maioria dos médicos tradicionais em Moçambique, operam de acordo com normas
que assentam em pilares referenciais que não foram integrados nas políticas do estado, que
emprega termos de análise e instrumentos políticos na resolução de problemas e conflitos
gerados pelo oculto que não têm ligação alguma com estes sistemas epistémicas.
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Os supostos feiticeiros, tal como acontece com a maioria dos médicos tradicionais
em Moçambique, funcionam de acordo com as sua normas, existindo para além do alcance
da lógica formalista do Estado, que emprega termos de análise e instrumentos políticos que
não permitem uma ligação directa com o mundo do oculto.
As acusações de feitiçaria são uma forma de controlo social face à turbulência das
relações sociais provocadas pelo aumento da mobilidade, o êxodo rural, o colapso das
expectativas no papel facilitador do Estado e na estabilidade do emprego, com o
consequente aumento da insegurança, a desestruturação das relações familiares, a exclusão
social, o enriquecimento e o empobrecimento rápidos, a emergência dos valores do
individualismo e da autonomia em conflito com os valores da família e da comunidade (um
conflito que é muitas vezes geracional), o aumento da concorrência na luta pela ascensão
social ou pela promoção no interior dos aparelhos de Estado,etc. (2003: 85).
Se a crença na feitiçaria actua como uma válvula de pressão ao permitir libertar as
pressões sentidas na comunidade, muitos aspectos negativos são também detectados. Como
este estudo revela, muitas consequências negativas surgem fruto destas acusações. Os actos
de feitiçaria são vistos como causando uma forte perturbação social e as pessoas suspeitas
de serem as responsáveis por essas perturbações vistas como merecedoras de severos
castigos, incluindo agressões verbais, e mesmo a morte. Consequentemente, a feitiçaria
continua a provocar vários comportamentos que surgem perante a justiça sob várias formas.
2.2 Forma de fazer feitiçaria em Moçambique
No seu livro Kupilikula, WEST (2009) traça-nos um cenário relativo ao planalto de
Mueda em que a feitiçaria se desenrola num mundo invisível que está em interacção com o
nosso, e no qual os feiticeiros nefastos se projectam para praticarem as suas malfeitorias.
Estas só poderão ser neutralizadas ou revertidas por uma projecção semelhante por parte de
feiticeiros benéficos que, nesse mundo, actuem sobre aquilo que os malvados provocaram.
Tal actuação através de viagem espiritual, xamânica, é contrastante com as visões
dominantes no sul e centro do país. Aí, são os espíritos que possuem os indivíduos vivos, ou
que estes últimos conseguem dominar, quem actua sobre a realidade perceptível através de
formas a que chamaríamos mágicas, não o fazendo num outro mundo invisível mas, embora
sejam eles próprios invisíveis, no nosso mundo, que também habitam.
A acusação de feitiçaria está, no entanto, continuamente presente no quotidiano, em
casos bem menos espectaculares do que estes exemplos de grande efervescência pública.
Conforme referimos, os infortúnios inesperados e, particularmente, as sucessões anormais
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de mortes e doenças, requerem uma explicação que lhes dê sentido e permita controlá-los,
superá-los e reinstaurar a normalidade.
A feitiçaria não é mais do que uma das várias explicações possíveis nessas ocasiões.
No entanto, na ausência de faltas sociais conspícuas por parte das vítimas ou de alguém
próximo delas (que justificassem a suspeita de uma suspensão de protecção dos
antepassados) e na presença de conflitos e tensões sociais, ou de comportamentos
considerados estranhos ou invejosos (o que é sempre muito provável), o feitiço é uma
hipótese que pode facilmente recolher consenso, alargáveis à identificação do seu provável
autor.
Uma pessoa acusada de ser feiticeira representa uma ameaça à solidariedade
comunitária, devendo ser descoberta e combatida através de todos os meios de que a
comunidade dispõe. É esta ideia de traição ao próprio grupo, um ataque à verdadeira base da
estrutura social que transforma a suspeita da prática de feitiçaria num crime odioso (Evans,
1992: 50).
2.3 Importância da feitiçaria
O primeiro aspecto a ter em conta, quando equacionamos o papel social da feitiçaria
em Moçambique, é que ela não constitui uma crença isolada, mas um elemento integrante
dum sistema mais vasto (e largamente partilhado) de interpretação e de acção sobre os
infortúnios e outros acontecimentos incertos.
Conforme George Murdock (1945) salientava em meados do século passado, sem
ter sido desde então desmentido, em todas as culturas conhecidas pela história ou a
etnografia existem sistemas de adivinhação.
No entanto, acrescenta se, os sistemas divinatórios não existem isolados, antes
pressupondo o seu suporte lógico em sistemas de interpretação que pretendem dar sentido à
casualidade e, a partir desse sentido, guiar a intervenção humana sobre o que é incerto e
desconhecido. Existindo também eles em todas as culturas, é plausível que tais sistemas de
interpretação correspondam a uma necessidade humana de carácter universal,
demonstrando-nos a importância transcultural do combate humano contra a humilhação da
incerteza, contra a sua falta de sentido e contra a dependência humana em relação a ela.
Os boatos que circulam no espaço público retratam a feitiçaria como a forma mais
comum de, em tempos de crise económica e de declínio social de oportunidades, se
conseguir sucesso pessoal, riqueza e prestígio. Os líderes políticos são amplamente
referenciados por recorrerem à feitiçaria a fim de assegurarem poder e sucesso eleitoral, e
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muitos usam engenhosamente este conhecimento para ganhar visibilidade e mesmo
deferência.
Na esfera doméstica, conflitos sociais e familiares em torno de acusações de
feitiçaria materializam-se repetidamente, especialmente quando ocorrem mortes súbitas ou
infortúnios pessoais. Permeando todo o espectro social e cultural, a feitiçaria permanece
hoje como uma força ambivalente que ajuda a promover a acumulação individual e
colectiva e a controlar a diferenciação social.
Esta dimensão mágica do político, no contexto africano, tem sido frequentemente
ignorada pelos estudos históricos e políticos clássicos (Santos, 2006). Mas, como
argumentou-se, a dimensão mágica da política não é marginal, mas uma dimensão central
da natureza da autoridade pública, da liderança e das identidades populares em
Moçambique.
A feitiçaria fornece, assim, um meio para dar sentido à incerteza e ao aleatório,
tornando-os explicáveis e permitindo reintegrar os infortúnios não apenas como coisas
cognoscíveis, mas também como resultados da acção humana e, portanto, passíveis de
serem manipulados por ela.
2.4 Feitiçaria e Modernidade em Moçambique
A complexidade do relacionamento entre a modernidade e a globalização apontam
para a relevância do estudo da feitiçaria em África. No Moçambique pós-colonial, suspeitas
e acusações de práticas de feitiçaria surgem constantemente demonstrando que a aplicação
de vários modelos de desenvolvimento e modernização não conduziram à libertação em
relação a práticas obscurantistas. Assim se explica como a religião e a feitiçaria se mantêm
como uma das mais poderosas retóricas da cultura política africana. Nos boatos a feitiçaria é
apresentada como o modo mais comum de alcançar sucesso, riqueza e prestígio em épocas
de declínio económico e escassas oportunidades de promoção social.
Nos boatos a feitiçaria é apresentada como o modo mais comum de alcançar
sucesso, riqueza e prestígio em épocas de declínio económico e escassas oportunidades de
promoção social. No espaço doméstico, os conflitos familiares e sociais cristalizam-se
constantemente em torno de acusações de feitiçaria, sobretudo quando ocorrem mortes
inexplicáveis ou desastres pessoais. Permeando todo o espectro social e cultural, a feitiçaria
sobressai hoje como uma força ambivalente que ajuda a promover a acumulação individual
e colectiva, actuando simultaneamente como mecanismo de controlo das diferenças sociais.
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No Moçambique contemporâneo, a feitiçaria persiste como um conceito e uma
realidade, tanto em ambientes rurais como urbanos (Meneses, 2007; West, 2005); esta
constatação remete-nos, de um modo doloroso, para o facto de a feitiçaria não ser apenas
uma assombração do passado mas fazer parte do discurso e da experiência da modernidade
presente.
Ao longo dos últimos quinze anos, as acusações e suspeitas de práticas de feitiçaria
têm conhecido uma renovada importância. Com a emergência do moderno sistema colonial,
a feitiçaria transformou-se no símbolo do mundo selvagem, numa prática a ser abolida com
a introdução de uma racionalidade moderna.
2.5 O impacto da feitiçaria nas relações sociais e estruturas de poder no contexto
Moçambicano
A feitiçaria tem um impacto significativo nas relações sociais e nas estruturas de
poder em Moçambique. Em diversas comunidades moçambicanas, crenças e práticas
ligadas à feitiçaria desempenham um papel central na forma como as pessoas interagem
umas com as outras. A identificação de supostos feiticeiros ou pessoas possuídas por
espíritos malignos pode levar a exclusão social, violência e até mesmo linchamentos. Em
termos de poder, a acusação de práticas de feitiçaria pode ser utilizada como uma forma de
subjugar ou controlar indivíduos ou grupos, reforçando desigualdades sociais e de poder já
existentes. Além disso, o medo da feitiçaria pode influenciar decisões e acções de
indivíduos e comunidades, moldando assim dinâmicas sociais e estruturas de poder em
Moçambique. A compreensão desse fenómeno é essencial para abordar questões de justiça,
direitos humanos e desenvolvimento social no país. Granjo, Paulo. (2004).
.Assim sendo, o autor apresenta os seguintes impactos da feitiçaria nas relações sociais e
estruturas de poder no contexto moçambicana:
A feitiçaria pode ser usada para manipular e subjugar pessoas, criando desequilíbrios
de poder dentro das comunidades moçambicanas.
Acusações de feitiçaria podem levar a exclusão social e isolamento de indivíduos,
afectando suas relações pessoais e sua posição na sociedade.
A crença na feitiçaria pode influenciar a tomada de decisões e as interacções entre
pessoas, moldando as dinâmicas sociais de Moçambique.
Práticas ligadas à feitiçaria muitas vezes reforçam hierarquias existentes, ampliando as
desigualdades de poder entre diferentes grupos na sociedade moçambicana.
O medo da feitiçaria pode ser usado como uma forma de controle social e subjugação,
contribuindo para a manutenção de estruturas de poder opressivas.
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A feitiçaria pode ser explorada por indivíduos ou grupos em busca de ganho pessoal
ou político, afectando as relações sociais e as estruturas de poder em Moçambique.
2.6 As formas de resistência e contestação em relação à feitiçaria e suas implicações
param a sociedade Moçambicana
Em Moçambique, a resistência e contestação à feitiçaria manifestam-se de diversas
formas, reflectindo uma busca por mudanças e transformações sociais. Indivíduos e grupos
têm se mobilizado para enfrentar as práticas de feitiçaria e suas implicações na sociedade
moçambicana. Farré, Albert. (2008.)
Assim sendo, o mesmo autor faz menção de algumas formas de resistência e contestação em
relação à feitiçaria e suas implicações param a sociedade Moçambicana:
I. Educação e Conscientização: Iniciativas educacionais têm sido implementadas para
desmistificar crenças em feitiçaria e promover uma compreensão mais racional e crítica
sobre eventos sobrenaturais. Isso contribui para reduzir o medo e a propagação de
acusações infundadas.
II. Organização Comunitária: Grupos locais e organizações da sociedade civil têm
trabalhado para combater a feitiçaria, promover a solidariedade e fortalecer laços
sociais dentro das comunidades. Essas iniciativas visam criar redes de apoio e
resistência contra práticas abusivas relacionadas à feitiçaria.
III. Legislação e Políticas Públicas: O governo moçambicano tem implementado leis e
políticas que visam proteger os direitos das pessoas acusadas de feitiçaria e combater a
violência e discriminação associadas a essas acusações. Essas medidas ajudam a criar
um ambiente mais justo e igualitário para todos os cidadãos.
IV. Diálogo Intercomunitário: Promover o diálogo entre diferentes grupos é fundamental
para superar mal-entendidos, preconceitos e conflitos relacionados à feitiçaria. A
comunicação aberta e respeitosa pode ajudar a construir pontes e promover a
reconciliação entre pessoas com diferentes crenças e práticas culturais.
V. Empoderamento e Resiliência: Fortalecer indivíduos e comunidades, capacitando-os
a resistir a pressões e ameaças relacionadas à feitiçaria, é essencial para promover
mudanças positivas. Isso inclui a promoção de habilidades de resolução de conflitos,
autoconfiança e solidariedade mútua.
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Conclusão
Concluímos que a prática da feitiçaria em Moçambique é um tema de pesquisa
complexo e multifacetado. Ao longo dos anos, essa forma de crença e ritual tem
desempenhado um papel significativo na sociedade moçambicana, influenciando as
relações sociais, políticas e culturais. A feitiçaria muitas vezes está ligada a questões de
poder, controle e justiça, afectando a vida das pessoas em várias esferas. A compreensão
desse fenómeno requer uma análise aprofundada da história, das crenças locais e das
dinâmicas sociais em jogo.
No contexto da importância da feitiçaria, destaca-se o facto de a feitiçaria servir
como a forma mais comum de, em tempos de crise económica e de declínio social de
oportunidades, se conseguir sucesso pessoal, riqueza e prestígio.
É crucial abordar essa questão com sensibilidade cultural e considerar o impacto
que a feitiçaria tem sobre as comunidades locais, bem como explorar as possíveis
maneiras de lidar com suas implicações. Em suma, o estudo da feitiçaria em
Moçambique revela camadas de significados e desafios que merecem atenção e reflexão
cuidadosa.
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Referências Bibliográficas
Farré, Albert. (2008). “Vínculos de sangue e estruturas de papel: ritos e
território na história do Quême (Inhambane) ”, Análise Social, 187: 393-418
Geschiere, Caplan, Stewart e Strathern, (2004). Feitiçaria em África, (ed.2) ,
porto Editor.
Granjo, Paulo. (2004). «Trabalhamos sobre um barril de pólvora» – homens e
perigo na refinaria de Sines. Lisboa, ICS: 153-174.
West, Harry. (2008). “ «Governem-se vocês mesmos!» Democracia e
carnificina no norte de Moçambique”, Análise Social, 187: 347-368.
West, Harry. (2009). Kupilikula: O poder e o invisível em Mueda, Moçambique.
Lisboa, ICS.