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QUEIXA CRIME
A denúncia é elaborada pelo promotor de justiça (Ministério Público) e inicia a ação penal pública, enquan-
to a queixa crime inicia a ação penal privada.
A legitimidade é da vítima ou de seu sucessor (nos casos em que é possível a sucessão processual). No
entanto, é necessário que ela seja elaborada por quem tem capacidade postulatória (advogado). Trata-se de uma
peça processual de estrutura simples. É necessário mencionar que existe procuração com poderes especiais, na
forma do artigo 44 do CPP.
Alguns princípios regem ambas as modalidades de ação penal. São eles o princípio da indivisibilidade
(não se pode escolher contra quem iniciar a ação penal. Se houver mais de um autor, todos devem responder à
ação penal) e princípio da intranscendência.
Embora a maioria da doutrina aponte que vigora o princípio da divisibilidade na ação penal pública, é im-
portante entender que isso significa que o MP é livre para formar sua opinião quanto ao delito. No entanto, forma-
da sua opinião, ele em relação a mais de um agente ter cometido o fato, ele não pode simplesmente deixar de
oferecer a denúncia. Por isso, alguns defendem que o princípio da indivisibilidade também se aplica na ação penal
pública.
A ação penal privada é regida pelo princípio da conveniência e oportunidade e da disponibilidade. Com is-
so, o querelante (ofendido no crime) pode ou não oferecer a queixa (é possível a renúncia expressa ou tácita),
assim como pode perdoar o ofensor. Já na ação penal pública, vigoram os princípios da obrigatoriedade e da in-
disponibilidade.
PRAZO PARA OFERECIMENTO DA QUEIXA
O prazo é decadencial e por isso é contado de acordo com o artigo 10 do Código Penal, incluindo-se o dia
do começo e não de acordo com o artigo 798 do CPP.
Desta forma, iniciado o prazo, por exemplo, no dia 10/01/2019, o último dia do prazo será 09/07/2019. Ca-
so esse dia caia em sábado, domingo ou feriado, antecipa-se para o dia útil imediatamente anterior.
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ARTIGOS IMPORTANTES
Renúncia expressa e tácita
Arts. 49, 50 caput e parágrafo único, e 57 do CPP.
Art. 104 do CP.
Decadência arts. 103 do CP e 38 do CPP
Perempção – Artigo 60 do CPP
COMPETÊNCIA
A competência será do Juizado especial criminal nos casos de infrações penais de menor potencial ofen-
sivo. Será do juizado de violência doméstica e familiar nos casos que envolverem violência doméstica contra a
mulher. Será do Tribunal do Júri em caso de ação penal privada subsidiária da pública em crimes contra a vida.
Será da vara criminal nos demais casos.
Vejamos alguns modelos de qualificação na queixa-crime:
Caso seja a própria vítima a oferecer a queixa:
NOME DA VÍTIMA, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da carteira de identidade nº ____, ins-
crito no CPF sob o nº ___, residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com
poderes especiais em anexo, em conformidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Exce-
lência oferecer...
Em caso de vítima menor ou por outro motivo incapaz:
NOME DA VÍTIMA, menor ou incapaz, neste ato representada por NOME DO REPRESENTANTE LEGAL,
nacionalidade, estado civil, portador da carteira de identidade nº ___, inscrito no CPF sob o nº ___, residência e
domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com poderes especiais em anexo, em con-
formidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Excelência, oferecer...
Caso seja um dos sucessores (CADI) a oferecer a queixa:
NOME DO SUCESSOR, nacionalidade, estado civil, portador da carteira de identidade nº ___, inscrito no
CPF sob o nº ___, residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com poderes
especiais em anexo, em conformidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Excelência, na
forma do art. 31 do Código de Processo Penal, oferecer....
OU
NOME DO SUCESSOR, nacionalidade, estado civil, portador da carteira de identidade nº ___, inscrito no CPF sob
o nº ___, residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com poderes especiais
em anexo, em conformidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Excelência, oferecer....
No caso de sucessão processual, deve ser incluída uma preliminar antes dos fatos, mencionando a morte
da vítima e que a queixa-crime está sendo oferecida nos termos do artigo 31 do CPP.
ENDEREÇAMENTO:
Verificar se o crime é infração de menor potencial ofensivo.
Em caso positivo, endereçar ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ___ JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA CO-
MARCA _____
Em caso negativo, endereçar ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ______
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Observação IMPORTANTE: Em caso de concurso material de duas ou mais infrações de menor potencial ofensi-
vo, verificar o somatório das penas máximas dos crimes e, caso o total ultrapasse DOIS anos, a competência será
da Vara Criminal.
PEDIDO:
Se a queixa foi oferecida perante o JECrim, o procedimento será o da Lei 9.099/95.
Consequentemente, devemos observar se já ocorreu ou não a audiência preliminar.
Caso a audiência preliminar já tenha ocorrido, e não tenha havido conciliação, o pedido a ser formulado é o tradi-
cional, ou seja:
DIANTE DO EXPOSTO, requer o querelante seja recebida a presente, citado o querelado para responder
aos termos da ação penal e, ao final, julgado procedente o pedido para condenar o querelado como incurso nas
penas do art. ….
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas abaixo arroladas.
Caso a audiência preliminar ainda não tenha ocorrido:
DIANTE DO EXPOSTO, requer o querelante seja designada audiência preliminar, na forma do artigo 72
da Lei 9.099/95, e, em caso de impossibilidade de conciliação, requer seja recebida a presente, citado o querelado
para responder aos termos da ação penal e, ao final, julgado procedente o pedido para condenar o querelado
como incurso nas penas do art. ….
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas abaixo arroladas.
TRATANDO-SE DE CRIME CONTRA A HONRA, a queixa poderá ser oferecida tanto no JECrim como na
Vara Criminal ou no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, dependendo da pena da conduta
imputada.
Contudo, crimes contra a honra dependem sempre de uma audiência de conciliação prévia, prevista no
art. 520 do CPP.
Como nos Juizados o próprio procedimento contempla um momento para conciliação, esta necessidade já
é, de certa forma, suprida.
Mas, se a queixa por crime contra a honra está sendo oferecida perante uma Vara Criminal ou Juizado de
Violência Doméstica ou Familiar contra a mulher, onde será adotado o rito sumário, deve-se formular o pedido da
seguinte forma:
DIANTE DO EXPOSTO, requer o querelante seja designada audiência de conciliação, na forma do artigo
520 do Código de Processo Penal, e, em caso de impossibilidade de conciliação, requer seja recebida a presente,
citado o querelado para responder aos termos da ação penal e, ao final, julgado procedente o pedido para con-
denar o querelado como incurso nas penas do art. ….
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas abaixo arroladas.
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Queixa oferecida pela própria vítima perante os Juizados Especiais Criminais, após a audiência preliminar
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ___ JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA CO-
MARCA _____
NOME DA VÍTIMA, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da carteira de identidade nº ____, inscrito no
CPF sob o nº ___, residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com poderes
especiais em anexo, em conformidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Excelência, na
forma dos artigos 30 e 41 do Código de Processo Penal, e art. 100, § 2º do Código Penal, oferecer
QUEIXA CRIME
em face de ______, nacionalidade, estado civil _____, profissão ________, identidade número ___, inscrito no
CPF sob o nº __, residência e domicílio, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos.
DOS FATOS
(Apresentar os fatos indicados no enunciado da questão, motivadores da ação penal privada.)
DO DIREITO
(Indicar as razões jurídicas que justificam a tipificação da conduta.)
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DO PEDIDO
DIANTE DO EXPOSTO, requer o querelante seja recebida a presente, citado o querelado para responder
aos termos da ação penal e, ao final, julgado procedente o pedido para condenar o querelado como incurso nas
penas do art. ….
Requer também sejam fixados os valores de que trata o art. 387, IV do CPP.
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas abaixo arroladas.
Nestes termos
Espera deferimento.
Comarca, data.
Advogado, OAB.
Rol de testemunhas:
1)
2)
3)
QUEIXA NA AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA
Lembre-se que, neste caso, estamos diante de um crime de ação penal pública no qual o Ministério Públi-
co descumpriu o prazo do art. 46 do CPP, permanecendo inerte. Assim, surge para a vítima a oportunidade de
oferecer a queixa-crime subsidiária.
Referida queixa-crime subsidiária poderá ser oferecida perante a Vara Criminal, o Tribunal do Júri, os Jui-
zados Especiais Criminais, ou mesmo o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, dependendo
do crime praticado e da competência para o seu processo e julgamento.
Assim, você deve utilizar as mesmas dicas referidas à competência já apresentadas.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ______
NOME DA VÍTIMA, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da carteira de identidade nº ____, ins-
crito no CPF sob o nº ___, residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração com
poderes especiais em anexo, em conformidade com o art. 44 do Código de Processo Penal, vem a Vossa Exce-
lência, na forma artigos 29 e 41 do Código de Processo Penal, e art. 100, § 3º do Código Penal, oferecer
QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA
em face de ______, nacionalidade, estado civil, profissão, identidade número ___, inscrito no CPF sob o n°__,
residência e domicílio, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos.
PRELIMINARMENTE
Embora a conduta ora imputada ao querelante se caracterize como infração de ação penal pública verifi-
ca-se que o Ministério Público recebeu as peças de informação em ___/___/___, sendo certo que permanece
inerte até a presente data.
Assim, possui o ora querelante legitimidade para o oferecimento da presente queixa subsidiária, conforme
o o
arts. 5 ., LIX, da Constituição Federal, 100, § 3 ., do Código Penal e 29, do Código de Processo Penal.
DOS FATOS
Apresentar os fatos indicados no enunciado da questão, motivadores da ação penal privada.
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DO DIREITO
Indicar as razões jurídicas que justificam a tipificação da conduta.
DO PEDIDO
Diante do exposto, requer seja recebida a presente queixa-crime subsidiária, citado o querelado para res-
ponder aos termos da ação penal e ao final julgado procedente o pedido para condenar o querelado nas penas do
art. ..... do Código Penal (ou lei aplicável).
Requer também sejam fixados os valores de que tratam o art. 387, IV do CPP.
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas abaixo arroladas.
Nestes termos
Espera deferimento.
Comarca, data.
Advogado, OAB.
Rol de testemunhas:
1)
2)
3)
XV EXAME OAB: ENUNCIADO:
Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das redes so-
ciais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus amigos, parentes e colegas de
trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet para contatos profissionais e lazer, como o fa-
zem milhares de pessoas no mundo contemporâneo.
No dia 19/04/2014, sábado, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite
com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói, no estado do Rio
de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por meio da rede social, publicando
postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para todos os seus contatos.
Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está adicio-
nada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então, de seu computador
pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em Niterói, publicou na rede social uma men-
sagem no perfil pessoal de Enrico.
Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte comentário: “não
sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha!”, e,
com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas de trabalho e denegrir sua reputação acrescentou,
ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio,
inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma am-
bulância para socorrê-lo!”.
Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de seu tablet,
recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de Helena em seu perfil pessoal.
Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez, que estavam ao
seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o constrangimento sofrido, mas perdeu
todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Dele-
gacia de Polícia Especializada em Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial,
entregando o conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia
ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de advocacia e narrou os
fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo. Informa-se que a cidade de Niterói, no
Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e Juizados Especiais Criminais.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto
acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de habeas corpus, sustentando, para tanto,
as teses jurídicas pertinentes.
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PADRÃO DE RESPOSTA:
O examinando deve redigir uma queixa-crime (ação penal de iniciativa privada, exclusiva ou propriamente
dita), com fundamento no Art. 41 do CPP ou no Art. 100, § 2º, do CP, c/c o Art. 30 do CPP, dirigida ao Juizado
Especial Criminal de Niterói.
Os crimes contra a honra narrados no enunciado são de menor potencial ofensivo (Art. 61 da Lei n.º
9.099/95). Não obstante a incidência de causa especial de aumento de pena e do concurso formal, a resposta
penal não ultrapassa o patamar de 2 anos.
Ainda em relação à competência, o entendimento da 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no sentido
de que, no caso de crime contra a honra praticado por meio da Internet, em redes sociais, ausentes as hipóteses
do Art. 109, IV e V, da CRFB/88, sendo as ofensas de caráter exclusivamente pessoal, e a conduta, dirigida a
pessoa determinada e não a uma coletividade, afastam-se as hipóteses do dispositivo constitucional e, via de
consequência, a competência da Justiça Federal.
No campo do processo penal, como é cediço, o direito de punir pertence ao Estado, que o exerce ordina-
riamente por meio do Ministério Público. Extraordinariamente, porém, a lei autoriza que o ofendido proponha a
ação penal (ação penal privada); nesse caso, o direito de punir não deixa de ser do Estado, que apenas transfere
ao particular o exercício do direito de ação, como no caso dos crimes contra a honra (Art. 145, do CP). Nesse
sentido, entende-se que a queixa-crime deve apresentar as condições para o regular exercício do direito de ação.
A queixa-crime, como petição inicial de uma ação penal, assim como o é a denúncia, deve conter os mesmos
requisitos que esta (Art. 41, do CPP). Como principal diferença, destaca-se que, enquanto a denúncia é subscrita
por membro do Ministério Público, a queixa-crime será proposta pelo ofendido ou seu representante legal (quere-
lante), patrocinado por advogado, sendo exigida para esse ato processual capacidade postulatória, de tal sorte
que, da procuração, devem constar poderes especiais (Art. 44 do CPP).
O examinando, deveria, assim, redigir a queixa-crime de acordo com o Art. 41 do Código de Processo Pe-
nal, observando, necessariamente, os requisitos ali estabelecidos, a saber: “a exposição do fato criminoso, com
todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas”.
Quanto à qualificação, deveria o examinando propor a queixa-crime em face da querelada, Helena.
Em relação à estrutura, deveria o examinando, ainda, apresentar breve relato dos fatos descritos no enun-
ciado, com exposição dos fatos criminosos (injúria e difamação) e todas as suas circunstâncias (causa de aumen-
to de pena), bem como a tipificação dos delitos, praticados em concurso formal (artigos 139 e 140, c/c o Art. 141,
III, n/f Art. 70, todos do CP). Além disso, também é observado na estrutura da peça o respeito às formalidades
técnico-jurídicas pertinentes, tais como: existência de endereçamento, divisão das partes, aposição de local, data
e assinatura, dentre outros.
Acerca da ocorrência de concurso formal de delitos, cumpre destacar que o enunciado da questão, de
modo expresso, indicou que Helena publicou, em sua rede social “uma mensagem no perfil pessoal de Enrico”.
Com efeito, a questão narra a existência de desígnios autônomos (dolo de injúria e dolo de difamação), razão pela
qual trata-se de concurso formal imperfeito. Apenas para ratificar a existência de uma única mensagem publicada
por Helena, o próprio enunciado, mais uma vez de modo expresso, indica que Enrico “recebeu a mensagem e
visualizou a publicação” e mais a frente acrescenta: “Enrico procurou a delegacia de polícia (...) entregando o con-
teúdo impresso da mensagem ofensiva”. Sendo assim, percebe-se que houve uma única conduta de Helena, qual
seja, uma única publicação, sendo certo que em tal publicação, com desígnios autônomos, Helena praticou dois
crimes, a saber: injúria e difamação.
Pedidos a serem formulados ao final:
a) a designação de audiência preliminar ou de conciliação;
b) a citação da querelada;
c) o recebimento da queixa-crime;
d) a oitiva das testemunhas arroladas;
e) a procedência do pedido, com a consequente condenação da querelada nas penas dos artigos 139 e 140 c/c o
Art. 141, III, n/f com o Art. 70, todos do CP; f) a fixação de valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387,
IV, do CPP.
Deveria, ainda, apresentar o rol de testemunhas, indicando expressamente os nomes das testemunhas
apontadas no próprio enunciado, a saber: Carlos, Miguel e Ramirez. Levando em conta o enunciado da prova, que
não exigia data determinada, não se fazia necessário que o examinando datasse sua peça com o último dia do
prazo decadencial de seis meses.
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