UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Engenharia
Licenciatura em Direito
Regulamento da Lei de Terras (decreto 66/98, de 8 de Dezembro)
Chimoio, Abril de 2024
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Engenharia
Licenciatura em Direito
Regulamento da Lei de Terras (decreto 66/98, de 8 de Dezembro)
Discentes:
• Ana Francisco Tocha;
• Claudina Afonso;
• Lourenço Elias Catete;
• Muhammad Samir Laher;
• Silávia Fulede;
• Vaida Manuel Gove.
Docente: Me. Helga Facitela
Chimoio, Abril de 2024
ÍNDICE
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO........................................................................................ 1
1. Introdução ..................................................................................................................... 1
2. Objectivos ..................................................................................................................... 1
3. Metodologia de Pesquisa .............................................................................................. 1
CAPÍTULO II: REVISÃO DE LITERATURA ............................................................... 2
Regulamento da Lei de Terras (decreto 66/98, de 8 de Dezembro) ................................. 2
1. Noção ............................................................................................................................ 2
2. Domínio público ........................................................................................................... 2
3. A terra como um bem comum ...................................................................................... 3
4. A teoria dos direitos de propriedade e sua variante evolucionista ................................ 3
5. O direito de uso e aproveitamento da terra (DUAT) .................................................... 4
5.1. Sujeitos do DUAT...................................................................................................... 5
5.2. Aquisição do DUAT .................................................................................................. 5
5.3. Extinção do Direito de uso e Aproveitamento da terra .............................................. 6
CAPÍTULO III: CONCLUSÃO ....................................................................................... 8
1. Conclusão ..................................................................................................................... 8
2. Referências bibliográficas ............................................................................................ 9
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1. Introdução
O trabalho em apreço pertence a cadeira de Direito de Terras e dos Recursos Naturais,
este que é definido como um ramo de Direito Público que é constituído por um conjunto
de normas e princípios jurídicos que regulam e disciplinam relações económicas e sociais
emergentes das actividades da terra.
Serão abordados matérias reguladas pelo decreto 66/98, de 8 de Dezembro, neste caso
as matérias do domínio público, a terra como um bem comum, a teoria da propriedade e
a sua evolução e por fim a matéria do direito de uso e aproveitamento da terra.
O trabalho encontra-se estruturado em 3 capítulos, sendo o primeiro capítulo inerente
a introdução, fazendo a apresentação do trabalho, mencionando os objectivos e a
metodologia a ser aplicada, o segundo capítulo diz respeito ao desenvolvimento da
matéria do Decreto 66/98 de 8 de Dezembro ( o regulamento da Lei de Terras) apresentada
ainda na introdução do trabalho e por fim as devidas conclusões que se encontram
patentes no terceiro e último capítulo.
2. Objectivos
2.1. Objectivo Geral
• Compreender a matéria do Regulamento da Lei de Terras.
2.2. Objectivos específicos
• Dar a noção do Domínio Público;
• Apresentar o conceito da terra como um bem comum;
• Ilustrar o entendimento sobre o Direito de uso e aproveitamento da terra.
3. Metodologia de Pesquisa
Para a elaboração deste trabalho, utilizou-se como metodologia de investigação a
pesquisa bibliográfica dado que o mesmo é baseado na revisão de literatura. A técnica
usada é a leitura de manuais e pesquisa em legislação e artigos científicos que abordam a
matéria do trabalho.
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CAPÍTULO II: REVISÃO DE LITERATURA
Regulamento da Lei de Terras (decreto 66/98, de 8 de Dezembro)
1. Noção
O Regulamento da Lei de terras (decreto 66/98, de 8 de Dezembro) no ordenamento
jurídico moçambicano é um dos instrumentos fundamentais do Direito de Terras que traz
normas e princípios que regem as relações económicas e sócias emergentes das
actividades da terra, este decreto introduziu várias inovações que importam regulamentar,
nomeadamente o reconhecimento dos direitos adquiridos por ocupação pelas
comunidades locais e pelas pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, ocupam terra há
pelo menos dez anos.
2. Domínio público
Segundo Bruna (2017), o domínio público corresponde á soma de bens pertences às
entidades jurídicas de Direito Público como Estados e Municípios, que se destinam ao
uso comum do povo ou o uso especial más considerados improdutivos. Constitui-se
assim, do acervo de bens particularmente indispensáveis á utilidade e necessidade
pública, pelo que se consideram subordinados a um regime jurídico excecional,
decorrentes do uso que se destinam, reputados de utilidade colectiva. Os bens do domínio
público são inalienáveis e imprestáveis
Todavia, entende-se por domínio público um conjunto de bens naturais ou um conjunto
de bens construídos através da acção do homem, onde os primeiros formam o domínio
público natural, e os segundo formam o domínio público artificial.
• Domínio público natural: agrupa-se segundo a sua constituição material domínio
público hídrico, aéreo e mineiro;
• Dominio público artificial:os que resultam da acção do homem,ou seja quando
falamos de bens do domínio público artificial refere-se aos bens onde houve a
intervenção da mão humana para que esses bens fossem possíveis por exemplo
em Moçambique podemos ter como exemplo a praça dos heróis de Moçambique
e entre outros.
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Não obstante, os artigos 4 e 5 do regulamento dispõem que são do domínio público as
zonas de total ou parcial.
a) Zonas de proteção total: as zonas de proteção total são áreas destinadas a
actividade de conservação ou preservação da natureza e de segurança do Estado
conforne o artigo 7 da LT;
b) Zonas de protecção parcial: nestas zonas não podem ser adquiridos direitos de uso
e aproveitamento da terra, podendo , no entanto, ser emitidas licenças especiais
de actividades determinadas conforme o artigo 9° da LT.
Segundo o artigo 8 da LT, consideram-se zonas de protecção parcial as seguintes:
• O leito das águas interiores, do mar territorial e da zona económica
exclusiva;
• A plataforma continental;
• A faixa da orla marítima e no contorno de ilhas, baias e estuários, medida
da linha das máximas prea- mares até 100 metros para o interior e entre
outros.
3. A terra como um bem comum
Segundo Chiziane (2017), várias são as acepções que a expressão” bem comum” pode
nos proporcionar, pode ser considerado como um conjunto de elementos oferecidos
naturalmente á todos os seres humanos, ou seja, a terra, a água, os minerais, mares, rios,
vento, sol, clima, atmosfera, biodiversidade entre outros, às simples relações sociais
sejam elas materiais ou imateriais que estabelecem aqueles recursos.
No entanto, no nosso ordenamento jurídico a terra é propriedade de Estado conforme
o artigo 109 n° 1 e ela não pode ser vendida, penhorada muito menos hipotecada conforme
o n° 2 do mesmo artigo, Ou seja, o único proprietário da terra é o Estado,e as pessoas
singulares e colectivas sejam elas nacional ou estrangeiros apenas adquirem o direito de
uso e aproveitamento desta.
4. A teoria dos direitos de propriedade e sua variante evolucionista
Segundo Mandamule (2015), para a teoria dos direitos da propriedade, de fundamento
neoclássico, o crescimento demográfico e a crescente comercialização da agricultura
levam a escassez de terra, passando esta a ter um valor econômico e transformando-se
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progressivamente em um bem comercializável e apropriável individualmente. Nestas
circunstâncias, a ausência de propriedade privada é prejudicial pois as explorações não
são feitas de maneira ecologicamente sustentável e, por sua vez, os investimentos não
conservam nem melhoram a qualidade do solos e da produção, provocando desta forma
importantes efeitos colaterais.
Todavia, na sua variante evolucionista, Mandamule (2015) afirma que a teoria dos
direitos de propriedade salienta que, sujeitos ao crescimento demográfico e do mercado,
as sociedades humanas tendem a evoluir espontaneamente em direção a uma
generalização da propriedade privada, individual e familiar, da terra, ao mesmo tempo em
que assistimos ao enfraquecimento e desaparecimento do papel das autoridades
tradicionais.
Não obstante, para essas situações, Mandamule (2015) supõe que os governos devem
responder através de uma inovação institucional sob forma de títulos de propriedade e
direitos registrados junto a uma agência central especializada. Tal inovação, embora de
carácter não obrigatório, é necessária na medida em que flexibiliza a determinação dos
preços de venda e compra de terras.
5. O direito de uso e aproveitamento da terra (DUAT)
Segundo Chiziane (2017), Em sociedades rurais, como a moçambicana, além de
constituir a fonte primeira de subsistência dos familiares, a terra tem um valor e
significados sagrados determinados, por um lado, pela ligação que esta cria com os
ancestrais e por outro lado, pelo poder que ela confere a quem é, legal ou
tradicionalmente, o legítimo responsável pela sua gestão.
Todavia, no nosso ordenamento jurídico, a terra é propriedade do Estado e não pode
ser vendida, ou por qualquer outra forma alienada, hipotecada ou penhorada conforme o
previsto no artigo 109° n° 1 e 2 da CRM e como meio universal de criação da riqueza e
do bem-estar social, o uso e aproveitamento desta é direito de todo povo moçambicano
conforme o n° 3 do mesmo artigo da CRM.
As condições de uso e aproveitamento da terra são determinadas pelo Estado. O direito
de uso e aproveitamento da terra é conferido às pessoas singulares ou colectivas tendo em
conta o seu fim social e na titularização deste direito, o Estado protege e reconhece os
direitos adquiridos por herança ou ocupação, salvo havendo reserva legal ou se a terra
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tiver sido legalmente atribuída a outra pessoa ou utilidade conforme o previsto no artigo
111 da CRM.
Não obstante, a aprovação do pedido do DUAT não dispensa a obtenção de licenças ou
outras autorizações exigidas por legislação aplicável ao exercício de actividades
económicas pretendidas(agropecuária ou agro indústrias, indústrias turísticas, comerciais,
pesqueiras e mineiras e a proteção do meio ambiente). Contudo, o direito de uso e
aproveitamento para fins de actividades económicas está sujeito ao prazo máximo de 50
anos, renovável por igual período á pedido do interessado. Após o período de renovação,
um pedido deve ser apresentado.
5.1. Sujeitos do DUAT
Segundo o artigo 10 e 11 da Lei de Terras, os sujeitos do DUAT podem ser:
a) Sujeitos nacionais: as pessoas nacionais podem ser singulares ou colectivas,
homens e mulheres, bem como as comunidades locais. As pessoas singulares
desde que residam há pelo menos 5 anos na República de Moçambique; e
b) Sujeitos estrangeiros: as pessoas singulares ou colectivas estrangeiros podem ser
sujeitos do DUAT desde que tenham projecto de investimento devidamente
aprovado e que observem as seguintes condições conforme o artigo 11 alínea a) e
b) da LT:
• Sendo pessoas singulares, desde que residam há pelo menos 5 anos na
República de Moçambique;
• Sendo pessoas colectivas, desde que estejam constituídas ou registadas na
República de Moçambique.
5.2. Aquisição do DUAT
O artigo 12 da LT estabelece as seguintes formas de aquisição:
a) Ocupação por pessoas singulares e pelas comunidades locais, segundo as normas
costumeiras no que não contrariem á constituição.
Para esta forma. O artigo do decreto 66/98 n° 1 e 2 dispõe que estás adquirem o
direito de uso e aproveitamento da terra, excepto os casos em que a ocupação
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recaia sobre as áreas reservadas legalmente para qualquer fim ou seja exercida nas
zonas de proteção parcial.
b) Ocupação por pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, estejam a utilizar a
terra há pelo menos dez anos.
Mormente a esta forma, o artigo 10 n° 1 e 2 dispõe que estas adquirem o direito
de uso e aproveitamento de terra, excepto os casos em que a ocupação recaia sobre
áreas reservadas legalmente para qualquer fim ou seja exercida nas zonas de
proteção parcial é quando necessário o pedido dos interessados, as áreas onde
recaia o direito de uso e aproveitamento de terra adquirido por ocupação de boa-
fé, poderão ser identificados e lançados no cadastro Nacional de Terras, de acordo
com os requisitos a serem definidos num Anexo Técnico.
c) Autorização de pedido apresentado por pessoas singulares ou colectivas na forma
estabelecida por lei.
Para esta forma, o decreto 66/98 de 8 de Dezembro através do artigo 11 dispõe
que a autorização definitiva de um pedido de aquisição do direito de uso e
aproveitamento da terra apresentado por pessoas singulares ou colectivas,
nacionais ou estrangeiras, é dada nos termos do artigo 31° do decreto 66/98 que
dispõe que dispõe que após o fim do período da autorização provisória, ou mesmo
antes desse periodo, se o interessado assim o requerer, será feita uma vistoria para
a verificação.
5.3. Extinção do Direito de uso e Aproveitamento da terra
De acordo com o artigo 18 da LT, O direito de uso e aproveitamento de terra extingue:
a) Pelo não cumprimento do plano de exploração ou do projecto de investimento,
sem motivo justificado, no calendário estabelecido na aprovação do pedido,
mesmo que as obrigações físicas estejam a ser cumpridas;
b) Por revogação do direito de uso e aproveitamento da terra por motivos de interesse
público, precedida do pagamento de justa indemnização e/ou compensação;
c) No termo do prazo ou de sua renovação;
d) Pela renúncia do titular.
Todavia, o artigo 19 do decreto 66/98 também aborda acerca da extinção do DUAT
onde este dispõe que no caso de aquisição do DUAT para exercício de actividades
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económicas, o incumprimento do plano de exploração, sem motivo justificado, implica a
extinção do DUAT, e é constatado pelos serviços que superintendem a respectiva
actividade económica.
Não obstante, quando a terra não se define ao exercício de actividades económicas, a
não realização do empreendedorismo proposto, sem motivo justificado, implica a
extinção do DUAT e é constatado pelos serviços de cadastro.
Contudo, o processo de extinção do DUAT, por motivo de interesse público, será
paralelo, ao processo de expropriação e é precedido do pagamento de justa indemnização
e/ou compensação. No entanto, a declaração da extinção do DUAT é feita pela entidade
que autorizou o pedido de emissão do título ou reconheceu o direito de uso e
aproveitamento.
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CAPÍTULO III: CONCLUSÃO
1. Conclusão
Levando em consideração todos os aspectos apresentados neste trabalho, fica claro que
a terra é propriedade do Estado, ou seja, na República de Moçambique, o único
proprietário da terra é o Estado e o povo só possui o direito de uso e aproveitamento desta.
O decreto 66/98,de 8 de Dezembro aplica-se às zonas não abrangidas pela sob jurisdição
dos municípios que possuam serviços municipais de cadastro.
Podemos concluir também que existem algumas restrições mormente às zonas para a
aquisição do DUAT, neste caso as zonas de proteção total e parcial justamente por se tratar
de zonas do domínio público e por estás áreas serem destinadas a actividade de
conservação e preservação da natureza e de defesa e segurança do Estado.
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2. Referências bibliográficas
A. Doutrina:
Bruna, N. (2017). O processo de acesso á terra e os direitos das comunidades locais.
Maputo, Moçambique.
Chiziane, E. (2017). Implicações jurídicas do Debate sobre a implementação da
legislação de Terra. UEM. Maputo, Moçambique.
Mandamule, U (2015). Discursos á volta do regime de Propriedade da terra em
Moçambique. Observatório do Meio Rural. Maputo, Moçambique.
B. Legislação:
Lei n° 1/2018, de 12 de Junho- Constituição da República de Moçambique (CRM).
Lei n° 19/97, de 1 de Outubro- Lei de Terras (LT)
Lei 66/98, de 8 de Dezembro- Regulamento da Lei de Terras.