ECONOMIA CRIATIVA ATRAVÉS DA ARTE SUSTENTÁVEL
Fernanda Dos Santos Isa 1
Ana Julia Teixeira Senna Sarmento Barata 2
Resumo:
Em 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) buscou reestruturar a produção desenfreada e
insustentável ambientalmente, com a intenção de desacelerar o processo de produtos com o ciclo de vida
curto e, assim, evitar o desperdício e o descarte. Neste contexto, a arte pode ser inserida como uma
ferramenta que contribui para o desenvolvimento sustentável (DIELEMAN, 2006). O acúmulo de
resíduos, rejeitos ou lixos nos centros urbanos manifesta-se como uma problemática ambiental da
atualidade. Essa poluição, muitas vezes, de forma direta ou indireta, pode vir a ser decorrente do
crescimento populacional, desemprego, má gestão administrativa, êxodo rural, má distribuição de
riquezas, dentre outros. O ser humano, em média, produz 1 kg de lixo diário. Há diferentes maneiras de
destinação que o lixo pode ter. A reciclagem é o destino que materiais, sem utilidade, tornam-se matéria
prima para outros produtos. Além disso, o resíduo pode-se transformar e ser reutilizado (ALENCAR,
2005). Transformar o lixo em arte é o resultado da mudança das atitudes dos indivíduos conscientes. A
sociedade atual necessita dessa mudança de paradigma para impedir o acúmulo de resíduos que é gerado
(CUNHA, 2011). Portanto, resgatar o lixo, transformá-lo e reorganizá-lo como obra de arte consiste
numa economia criativa através da arte sustentável. O objetivo desse trabalho é divulgar aos artesãos do
município de São Gabriel (RS) informações sobre arte sustentável e as matérias primas que podem ser
recicladas. O trabalho obteve como arcabouço um referencial teórico sobre consumismo e utilização de
resíduos como matéria prima para confecção de peças artesanais. Na sequência entrou-se em contato
com a Secretaria Municipal de Indústria e Comercio de São Gabriel, que é o agente responsável pelos
artesãos, objetivando obter informações como o número de artesãos e a localização de trabalho deles no
município. A partir dessas informações passou-se a organizar um evento direcionado aos artesãos. Esse
evento ocorreu em setembro, no Centro de Informação e Qualificação Profissional, e consistiu numa
palestra para divulgação do uso de resíduos como matéria prima criativa para arte sustentável. O evento
realizado possibilitou reunir agentes e artesãos criativos e transformadores de resíduo em arte.
Claramente o projeto resultou em interesse dos presentes, pois ocorreram sugestões de repetir a palestra
em outros ambientes. Durante as discussões geradas após a palestra houveram reivindicações quanto a
dificuldade do indivíduo em obter a carteira de artesão. Este documento viabiliza o incentivo a
profissionalização dos trabalhadores. A Carteira de Artesão identifica o profissional de artesanato
devidamente registrado e reconhecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego para fins de benefícios. Os
anseios destes profissionais, tanto de interesse pelo assunto quanto por reivindicar melhorias, contribuem
para que o projeto de extensão cumpra seu papel de promover a mobilização dos indivíduos.
Palavras-chave: Consumismo; Educação Ambiental; Resíduo;Sustentabilidade; Artesanato
Modalidade de Participação: Iniciação Científica
ECONOMIA CRIATIVA ATRAVÉS DA ARTE SUSTENTÁVEL
1 Aluno de graduação.
[email protected]. Autor principal
Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE
Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017
ECONOMIA CRIATIVA ATRAVÉS DA ARTE SUSTENTÁVEL
1. INTRODUÇÃO
Em 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) buscou reestruturar a
produção desenfreada e insustentável ambientalmente, com a intenção de
desacelerar o processo de produtos com o ciclo de vida curto e, assim, evitar o
desperdício e o descarte. Neste contexto, a arte pode ser inserida como uma
ferramenta que contribui para o desenvolvimento sustentável (DIELEMAN, 2006).
O acúmulo de resíduos, rejeitos ou lixos nos centros urbanos manifesta-se
como uma problemática ambiental da atualidade. Essa poluição, muitas vezes, de
forma direta ou indireta, pode vir a ser decorrente do crescimento populacional,
desemprego, má gestão administrativa, êxodo rural, má distribuição de riquezas,
dentre outros. O ser humano, em média, produz 1 kg de lixo diário. Há diferentes
maneiras de destinação que o lixo pode ter. A reciclagem é o destino que materiais,
sem utilidade, tornam-se matéria prima para outros produtos. Além disso, o resíduo
pode-se transformar e ser reutilizado (ALENCAR, 2005).
A reciclagem, conforme Alencar (2005), é utilizada para desenvolver novos
produtos, iguais ou distintos ao que lhe deu origem, podendo ser feito de forma
industrial ou artesanal.
O livro ³Do nicho ao lixo´ trata de questões ecológicas e econômicas e
salienta que a reciclagem contribui para diminuir a poluição depositada diretamente
na natureza, reserva os recursos naturais não renováveis e gera empregos para os
catadores e artesãos (Scarlat e Pontin, 1992 apud Alencar, 2005).
A reciclagem, o artesanato e a constante busca pela sustentabilidade são
elementos da sociedade contemporânea. A arte, atua como minimizadora dos
materiais descartados e pode ser manifestada também como forma de expressão,
atuando nas diferentes percepções de mundo, pois aflora no campo das emoções e
sentimentos dos indivíduos, podendo instigar as mudanças de comportamento
(DIELEMAN, 2006).
Um aspecto presente na atividade do artesanato é o apelo turístico. Em
diferentes países, é identificado como produto de luxo e autêntico, por se tratar de
sua peculiaridade ao ser confeccionado manualmente (NERY, 2012).
Transformar o lixo em arte é o resultado da mudança das atitudes dos
indivíduos conscientes. A sociedade atual necessita dessa mudança de paradigma
para impedir o acúmulo de resíduos que é gerado (CUNHA, 2011). Portanto,
resgatar o lixo, transformá-lo e reorganizá-lo como obra de arte consiste numa
economia criativa através da arte sustentável.
O objetivo desse trabalho é divulgar aos artesãos do município de São
Gabriel (RS) informações sobre arte sustentável e as matérias primas que podem
ser recicladas.
2. METODOLOGIA
Inicialmente, elaborou-se um referencial teórico sobre consumismo e
utilização de resíduos como matéria prima para confecção de peças artesanais. Na
sequência entrou-se em contato com a Secretaria Municipal de Indústria e Comercio
de São Gabriel, que é o agente responsável pelos artesãos, objetivando obter
informações como o número de artesãos e a localização de trabalho deles no
município.
A partir dessas informações passou-se a organizar um evento direcionado
aos artesãos. Esse evento ocorreu em setembro, no Centro de Informação e
Qualificação Profissional, e consistiu numa palestra para divulgação do uso de
resíduos como matéria prima criativa para arte sustentável.
Confeccionou-se folhetos que foram distribuídos previamente como
divulgação do evento a ser realizado (Figura 1). A palestra abordou temáticas como
consumismo, vida útil de produtos, resíduo, descarte inadequado, matéria prima e
artesanato.
Figura 1. Folder de divulgação da palestra (frente e verso).
3. RESULTADOS e DISCUSSÃO
A realização da palestra serviu para orientar o público presente sobre o
consumismo desenfreado e suas consequências, o ciclo de vida dos produtos (que
ainda é insustentável e ações que viabilizem a sustentabilidade social, econômica e
ambiental. A palestra buscou também divulgar materiais recicláveis, tais como:
vidros, garrafas pet, tecidos, material de demolição, ferro velho e demais materiais,
que servirão como elemento de arte.
As palestras têm como finalidade conscientizar os indivíduos que podem vir a
ser agentes transformadores da problemática.
O número de artesãos cadastrados no município é de aproximadamente 100
trabalhadores cadastrados com identificação, alocados na casa municipal do
artesanato, no centro de formação e capacitação profissional (CFQP), em empresas
distribuídas em diferentes pontos da cidade e em suas moradias. Parte dos
trabalhadores artesãos ainda não possuem identificação (carteira de artesão).
Foram convidados também os integrantes do Projeto Minuano, projeto que faz a
reciclagem no município. Pretende-se alcançar o censo de artesãos municipais.
Essa ação de extensão serve para mobilizar os artesãos e estimular a troca
de materiais de interesse mútuo e o engajamento em ações que minimizem esta
problemática ambiental.
A palestra ocorreu nas dependências do CFQP a partir das 15h com duração
de aproximadamente uma hora. Estavam presentes artesãos, representantes de
artesãos no município e um representante de bairro. Foi sugerido, ao final da
palestra, que fosse realizada a mesma palestra em outra data, para que pudesse ser
acolhido um número maior de artesãos. A próxima palestra ocorrerá no mês de
outubro, com a finalidade de alcançar mais artesãos que não conseguiram
comparecer.
No evento também ilustrou-se através de fotos exemplos de trabalhos
confeccionados com diferentes resíduos. Os participantes dialogaram sobre a pouca
consciência do ser humano associada ao consumo e sobre educação ambiental,
considerando o fato de que este fator deve ser trabalhado.
O projeto foi convidado, pelo representante de bairro, a palestrar em uma
reunião de associação de moradores de diferentes bairros do município, pois seria a
oportunidade de atingir outro público.
Por fim, durante o debate surgiu-se a ideia de organizar um outro evento, com
a finalidade de atingir um número maior de artesãos e levar o projeto para as
escolas em séries iniciais.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O evento realizado possibilitou reunir agentes e artesãos criativos e
transformadores de resíduo em arte. Claramente o projeto resultou em interesse dos
presentes, pois ocorreram sugestões de repetir a palestra em outros ambientes.
Durante as discussões geradas após a palestra houveram reivindicações
quanto a dificuldade do indivíduo em obter a carteira de artesão. Este documento
viabiliza o incentivo a profissionalização dos trabalhadores. A Carteira de Artesão
identifica o profissional de artesanato devidamente registrado e reconhecido pelo
Ministério do Trabalho e Emprego para fins de benefícios.
Os anseios destes profissionais, tanto de interesse pelo assunto quanto por
reivindicar melhorias, contribuem para que o projeto de extensão cumpra seu papel
de promover a mobilização dos indivíduos.
5. REFERÊNCIAS
ALENCAR, M.M.M. Reciclagem de lixo numa escola pública do município de
Salvador. Candombá ± Revista Virtual, Salvador, v.1, n. 2, p.9 6 ±1 13, 2005.
ARTESANATO GAÚCHO. Manual de orientação. Disponível em:
<http://www.fgtas.rs.gov.br/programa-gaucho-do-artesanato> Acesso em 29
setembro 217.
CUNHA, R.R. Transformação e ressignificação de objetos comuns incorporados a
arte. 29 f. (Trabalho de Conclusão de Curso de Artes Visuais), Universidade aberta
do Brasil Universidade de Brasília, Xapuri ± Acre, 2011.
DIELEMAN, Hans. Sustentabilidade como inspiração para a arte: um pouco de teoria
e uma galeria de exemplos. In: Helio Hara. Caderno Videobrasil 02: Arte Mobilidade
e Sustentabilidade. Associação Cultural Videobrasil, nº2, São Paulo, 2006.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. 8. ed. Rio de Janeiro, Record, 1997.
NERY, S. Economia criativa: entre a moda e o artesanato. Latitude, vol. 6, n°2,
p.221-239, 2012.