Definição da Flor
A flor é um ramo altamente modificado presente exclusivamente nas angiospermas e que
apresenta estruturas nas quais as gametas masculinas e femininas do vegetal são produzidas
(Santos, 2022).
Características das Flores
Segundo FERRI (1976), as flores podem ser solitárias nos ramos ou estar agrupadas de várias
formas em agregados chamados inflorescências. A haste de uma flor isolada é chamada de
pedúnculo e a parte onde os demais elementos florais estão fixados é o receptáculo.
A maioria das flores possui dois tipos de apêndices protetores, as sépalas e as pétalas que
estão presos ao receptáculo floral logo abaixo das peças férteis. Assim sendo, cada conjunto
de apêndices pode ser definido por:
Cálice
O verticilo mais externo, formado pelo conjunto das sépalas, que são apêndices de estrutura
foliar, comumente verdes e relativamente espessos. As sépalas são responsáveis pela proteção
do botão floral jovem, e podem cair assim que a flor amadurece ou ser mantidas, podendo
estar presentes inclusive nos frutos. Como exemplo temos o tomate e a laranja, em cuja
porção superior podemos ver, muitas vezes, as sépalas verdes, resquícios do cálice original.
Corola
É formada pelo conjunto das pétalas que são apêndices, em geral, vivamente coloridos e de
estrutura mais delgada, pouco lembrando as folhas. As pétalas são as responsáveis, na maioria
das vezes, pela beleza das flores e toda essa exposição tem uma única função: a atração de
polinizadores. As pétalas podem ser livres ou estar unidas entre si, formando corolas
tubulares. Esse é o caso, por exemplo, da corola da trombeteira, da flor-batom e da sete-
léguas.
Androceu
É formado pelo conjunto de estames (ou microesporófilos) que são as estruturas responsáveis
pela porção reprodutiva masculina da flor. Os estames podem apresentar estrutura muito
variável, mas geralmente são constituídos por um filamento (filete), em cujo ápice está presa
uma antera bilobada. Cada “lobo” é denominado teca, e possui no seu interior dois sacos
polínicos (ou microesporângios), responsáveis pela produção dos grãos de pólen (que
carregam os gametas masculinos).
Gineceu
É o conjunto de carpelos da flor que são como folhas modificadas, dobradas e soldadas
longitudinalmente, abrigando em seu interior os óvulos (que portam os gametas femininos). A
fusão pode ocorrer em cada folha (ou megasporofilo inicial), ficando os carpelos livres, ou
várias folhas podem se fusionar pelas margens, formando um carpelo composto. A porção
onde ficam abrigados os óvulos denomina-se ovário e o espaço central deste chama-se lóculo.
O número de lóculos pode ser comum a todos os carpelos ou cada carpelo pode manter o seu
lóculo individualizado. Segue-se ao ovário uma parte mediana (o estilete) e uma parte
superior (o estigma) que recepciona os grãos de pólen.
Classificação da flor
Segundo LORENZI e GONÇALVES (2007) uma Flor pode ser classificada na presença de
diferentes verticilos:
Completa – quando possui os quatro verticilos (cálice, corola, androceu e gineceu).
Ex.: flor do hibisco;
Incompleta – quando algum dos verticilos está faltando. Ex.: cheflera, cuja flor não
possui pétalas.
Se considerarmos apenas os verticilos férteis, teremos uma flor:
Perfeita – se o androceu e o gineceu estiverem presentes;
Imperfeitas – se os estames ou carpelos estiverem faltando. Podemos distinguir ainda
entre as estaminadas (apenas com estames) e carpeladas ou pistiladas (apenas com
carpelos).
O cálice e a corola são geralmente chamados de envelope floral e, em conjunto, formam o
perianto da flor. As flores também podem ser classificadas de acordo com o perianto:
Diclamídea: possui os dois verticilos protetores (se as sépalas e pétalas são fácil
mente distinguíveis, como na rosa, sendo então a flor denominada heteroclamídea.
Caso as peças sejam muito parecidas morfologicamente, a flor é denominada
homoclamídea, e o conjunto de cálice e corola, perigônio);
Monoclamídea: possui apenas um verticilo protetor;
Aclamídea: não possui verticilos protetores.
Podemos ainda classificar as plantas de acordo com o número de peças em cada verticilo, que
costuma ser constante em cada espécie:
Trímeras: prevalece o número de três (ou seus múltiplos) para sépalas, pétalas,
estames e carpelos. Ex.: flores das monocotiledôneas, como os lírios e agapantos;
Tetrâmeras: prevalece o número de quatro (ou seus múltiplos). Ex.: ixora e hortênsia;
Pentâmeras: prevalece o número de cinco (ou seus múltiplos). Ex.: vinca e alamanda;
Mais peças: como na magnólia e ninfeia.
A simetria do cálice e da corola, outro fator de classificação, é estabelecida considerando-se
quantos planos de divisão podem ser traçados para que resultem em partes iguais:
Bilateral ou zigomorfa: podemos traçar apenas um plano, de modo que divida a flor
em duas partes iguais. Esse é o caso, por exemplo, das flores da maioria das orquídeas,
onde encontramos um lado direito e um esquerdo iguais.
Radial ou actinomorfa: podemos traçar mais de um plano, separando 3, 4, 5 ou mais
partes iguais. Ex.: flor do hibisco e da quaresmeira.
Assi métrica: a corola organiza-se de tal maneira que é impossível traçar qualquer
plano de divisão. Ex.: bananeirinha-de-jardim.
Estrutura de uma Flor