🧾 Capítulo 1 – Nomenclatura e Classificação das Cavidades
📌 Conceito
A nomenclatura em Dentística é o conjunto de termos técnicos utilizados para descrever as
diferentes partes das cavidades preparadas nos dentes, permitindo uma comunicação precisa
entre os profissionais da Odontologia.
Esses termos incluem: paredes, ângulos, formas de cavidades, profundidade, número de faces
envolvidas, localização anatômica, finalidade do preparo e tipo de material restaurador indicado.
🦷 Classificação das Cavidades segundo o número de faces envolvidas
• Cavidade simples: envolve apenas uma superfície do dente (exemplo: cavidade
oclusal).
• Cavidade composta: envolve duas superfícies (exemplo: cavidade mésio-oclusal -
MO).
• Cavidade complexa: envolve três ou mais superfícies (exemplo: MOD, MOP, MOL).
📍 Classificação segundo a localização anatômica – Classes de Black (modificada)
Black classificou as cavidades de acordo com a localização das lesões cariosas. Esta
classificação ainda é amplamente usada na prática clínica e no ensino da Dentística Operatória.
Classe Localização
Cavidades em fossas e fissuras: face oclusal de pré-molares e molares, 2/3
I oclusais da face vestibular de molares inferiores, e face palatina (lingual) de
incisivos superiores.
II Cavidades nas faces proximais (mesial e distal) de pré-molares e molares.
Cavidades nas faces proximais de incisivos e caninos, sem envolver o
III
ângulo incisal.
Cavidades nas mesmas faces da Classe III, com envolvimento do ângulo
IV
incisal.
Cavidades no terço cervical das faces vestibulares ou linguais, de
V
qualquer dente.
Cavidades em pontas de cúspides de pré-molares e molares ou em bordas
VI *
incisais de dentes anteriores.
🔎 Obs.: A Classe VI não foi incluída originalmente por Black, sendo posteriormente adicionada
por Simon para contemplar lesões específicas.
🧪 Classificação segundo a finalidade do preparo
• Terapêutica: destinada ao tratamento de lesões provocadas por:
• Cárie dentária;
• Fraturas;
• Agenesia de estrutura dentária;
• Abrasão, erosão ou atrição.
• Protética: cavidades preparadas como parte da estrutura de retenção ou apoio para
dispositivos protéticos:
• Núcleos metálicos fundidos;
• Pinos intrarradiculares;
• Retentores intracoronários;
• Apoios de próteses parciais removíveis (PPF);
• Estrutura para coroa total ou parcial.
📏 Classificação quanto à profundidade do preparo cavitário
A profundidade é definida de acordo com a espessura da dentina remanescente entre o
assoalho da cavidade e a polpa dentária:
• Rasa: quando há espessa camada de dentina (>2 mm).
• Média: dentina remanescente entre 1–2 mm.
• Profunda: dentina remanescente menor que 1 mm, exigindo cuidado especial para
proteção pulpar.
🧱 Nomenclatura das paredes da cavidade
As cavidades possuem paredes denominadas conforme a orientação anatômica da coroa do
dente:
• Paredes laterais:
• Vestibular: voltada para o lado da bochecha ou lábio.
• Lingual ou palatina: voltada para a língua ou palato.
• Mesial: voltada para a linha média da arcada.
• Distal: voltada para longe da linha média.
• Paredes de fundo:
• Pulpar: fundo da cavidade em cavidades oclusais.
• Axial: fundo da cavidade nas cavidades proximais.
🔺 Nomenclatura dos ângulos
• Ângulos diedros: união de duas paredes (ex: axiopulpar, axiolingual, pulpalvestibular).
• Ângulos triedros: união de três paredes (ex: axiolinguopulpar).
• Ângulo cavossuperficial: junção entre a cavidade interna e a superfície externa do
dente. Em cavidades para amálgama, esse ângulo deve ser de 90°, sem bisel.
🧰 Designação segundo o material restaurador
• Cavidades para amálgama: exigem retenção mecânica, com paredes convergentes
para oclusal e sem bisel nas margens.
• Cavidades para resina composta: seguem princípios de adesão química e exigem
biséis nas margens para melhor estética e adesividade.
• Cavidades para ionômero de vidro: utilizadas especialmente em cavidades cervicais e
para proteção pulpar em preparos profundos.
🛠️ Capítulo 2 – Instrumentais em Dentística Operatória
📌 Conceito
Os instrumentais operató rios sã o ferramentas utilizadas durante o preparo e restauraçã o das
cavidades. Sã o divididos em:
• Instrumentos manuais;
• Instrumentos rotató rios;
• Instrumentaçã o auxiliar (aspiradores, afastadores, etc.);
• Instrumentais modernos (laser, ultrassom).
A escolha adequada do instrumental influencia diretamente na precisã o do preparo cavitá rio,
qualidade marginal, longevidade da restauraçã o e conforto do paciente.
🔧 Instrumentos Manuais
Classificados conforme sua funçã o:
1. Instrumentos cortantes ativos
• Usados para cortar, remover tecido cariado e dar forma à cavidade.
• Ex: enxadas (chisel), machados (hatchet), formadores de â ngulo (angle former).
2. Instrumentos para inserção e condensação
• Inserem e adaptam o material restaurador dentro da cavidade.
• Ex: espá tulas para resina, porta-amá lgama, condensadores de Ward.
3. Instrumentos de acabamento
• Realizam acabamento das margens, polimento e brunidura.
• Ex: bruñ idores, recortadores de margem gengival (Marginal Trimmers), escavadores de
Black.
4. Instrumentos auxiliares
• Espelho bucal: iluminaçã o, retraçã o e visualizaçã o.
• Pinça clínica: manipulaçã o de materiais.
• Sonda exploradora: verificaçã o de integridade de restauraçõ es e presença de cá rie.
🌀 Instrumentais Rotatórios
Alta rotação (turbina)
• Utilizada para desgastes rá pidos e corte do esmalte.
• Acoplada a brocas diamantadas ou multilaminadas.
• Alta velocidade (~300.000 rpm) com baixo torque.
Baixa rotação (contra-ângulo)
• Usada para remoçã o de dentina cariada, acabamento e polimento.
• Brocas de aço carbono ou tungstênio.
• Menor velocidade (~40.000 rpm) com maior torque.
Tipos de brocas
• Carbide (n° 245, 330): corte eficiente, ideal para amá lgama.
• Diamantadas (ex: 1151): utilizadas para preparos em esmalte e acabamento de resina.
• Multilaminadas: para acabamento e polimento fino.
🔬 Instrumentação moderna
Laser
• Utilizado para remoçã o seletiva de tecido cariado.
• Vantagens: menor dor, menor necessidade de anestesia.
• Tipos: Er:YAG, CO₂, Nd:YAG.
Ultrassom
• Utilizado para remoçõ es delicadas e minimamente invasivas.
• Eficaz em cavidades cervicais, canais e acabamento proximal.
🧼 Cuidados com instrumentação
• Instrumentos manuais devem estar afiados, limpos e esterilizados.
• A afiaçã o melhora a eficiência de corte e reduz o trauma ao dente.
• O desgaste ou má afiaçã o pode gerar esmalte fraturado, dentina desgastada ou cavidades
irregulares, comprometendo a retençã o e selamento da restauraçã o.
🧪 Considerações práticas
• A seleçã o dos instrumentos depende da classe da cavidade, do material restaurador e da
abordagem técnica adotada (ex: preparo convencional ou minimamente invasivo).
• Um bom domínio dos instrumentos manuais e rotató rios permite preparos mais
conservadores e restauraçõ es com melhor longevidade.
💦 Capítulo 3 – Isolamento do Campo Operatório
📌 Conceito
O isolamento do campo operató rio visa criar um ambiente seco, limpo e visível, essencial
para a realizaçã o de procedimentos restauradores com segurança, qualidade e
previsibilidade. Ele previne a contaminaçã o da cavidade, protege o paciente e facilita a
manipulaçã o dos materiais restauradores, principalmente aqueles que sã o sensíveis à
umidade, como resinas compostas e cimentos adesivos.
🔹 Tipos de isolamento
1. Isolamento absoluto
Utiliza dique de borracha e acessó rios para vedar completamente a á rea operada. É o
método mais eficaz e seguro.
2. Isolamento relativo
Utiliza rolos de algodã o, sugadores e afastadores. Aplicado quando o absoluto é inviá vel ou
desnecessá rio.
🟢 Isolamento absoluto – Materiais necessários
• Lençol de borracha: natural ou sintético, espessura de 0,15 a 0,35 mm.
• Arco porta-dique: pode ser Young (metá lico), Ostby (plá stico), Woodbury
(flexível).
• Pinça porta-grampo: usada para posicionar o grampo (ex: tipo Palmer).
• Perfurador de borracha: tipo Ainsworth, com 5 orifícios para diferentes diâ metros
de dentes.
• Grampos: com ou sem asas, selecionados conforme o grupo dental.
• Fio dental: para amarrilhas, vedaçã o interdental e recuperaçã o de grampo
deslocado.
• Lubrificantes (vaselina, creme de barbear): facilitam a inserçã o do lençol nos
espaços interproximais.
• Espátulas, godiva, pinça clínica e tesouras: auxiliares no ajuste e remoçã o.
🧷 Grampos – Tabela de referência
Grampo Indicação
200–205 Molares
206–209 Pré-molares
210–211 Anteriores (incisivos/caninos)
Grampos especiais:
• W8A: molares com retençã o difícil (sem asas).
• 14A: versá til, adaptá vel a diversos molares.
• 212 (de Ferrier): retraçã o gengival em Classe V.
• 26: molares inferiores, técnica de Ingraham (sem asas).
⚙️ Técnicas de colocação do isolamento
1. Técnica convencional
• Primeiro se posiciona o grampo no dente;
• Depois o lençol de borracha;
• Por fim, o arco.
• Ideal para grampos com asas.
2. Técnica de Ingraham
• O grampo é previamente acoplado ao lençol;
• O conjunto grampo + lençol é levado ao dente;
• Utilizada com grampos sem asas, como o 26.
3. Técnica do conjunto completo
• Grampo, borracha e arco sã o montados juntos;
• Indicado para isolamento mú ltiplo ou clareamento.
4. Técnica para dentes unidos (ex: PPF)
• Fio dental é usado para adaptaçã o entre dentes unidos;
• Pode ser colado com cianoacrilato ou fixado com nó cirú rgico.
🧵 Amarrilhas
Usadas em dentes com coroa clínica curta ou ausência de retenção para o grampo.
• Confeccionadas com fio dental encerado.
• Feitas com nó cirúrgico + nó simples;
• Introduzidas subgengivalmente com espá tula romba.
🟡 Isolamento relativo
Alternativa ao absoluto quando este for contra-indicado.
• Utiliza: rolos de algodã o, gaze, sugadores, dispositivos como Rolo-Plast.
• Grampos especiais com ganchos e afastadores labiais também auxiliam.
💊 Sialopressores (uso complementar)
• Reduzem o fluxo salivar, auxiliando o controle de umidade:
• Atropina, escopolamina, presentes em medicamentos como:
• Atroveran®;
• Dramamine®;
• Buscopan®.
• Efeitos colaterais: taquicardia, boca seca, retençã o uriná ria, dilataçã o pupilar,
aumento da pressã o intraocular.
🧼 Cuidados e remoção do isolamento
• Apó s o procedimento, o lençol deve ser cortado entre os dentes com tesoura;
• O fio dental deve ser passado entre os contatos para garantir que nã o haja
fragmentos de borracha remanescentes;
• Massagear a gengiva com gaze embebida em soro fisioló gico ajuda a restabelecer a
circulação apó s uso prolongado de grampo.
🧱 Capítulo 4 – Princípios Gerais do Preparo Cavitário
📌 Conceito
O preparo cavitá rio é o procedimento clínico que consiste na remoção de tecidos
comprometidos por lesõ es (como a cá rie) e na modelagem da cavidade com formas
geométricas que garantam retençã o, resistência, adaptaçã o marginal e proteçã o pulpar,
além de restabelecer a funçã o e a estética.
A moderna Dentística Operató ria preconiza uma abordagem conservadora e
minimamente invasiva, substituindo a filosofia de “extensã o preventiva” de Black pela de
“prevençã o da extensã o”.
🔢 Etapas do preparo cavitário segundo Black (adaptadas)
1. Forma de contorno
• Delimita os limites externos da cavidade;
• Determina a área de esmalte e dentina a ser incluída no preparo;
• Baseia-se na extensão da lesão, acesso visual e instrumental;
• Deve respeitar as cristas marginais, cúspides e sulcos secundários sadios;
• O preparo deve manter o má ximo de estrutura hígida possível;
• A parede gengival da caixa proximal, se possível, deve estar supragengival,
preservando o espaço bioló gico.
2. Remoção da dentina cariada remanescente
• A dentina infectada (amolecida, contaminada) deve ser removida;
• A dentina afetada (potencialmente remineralizá vel) pode ser preservada,
especialmente nas proximidades da polpa;
• Pode deixar depressões localizadas no fundo da cavidade, que devem ser
compensadas com material de forramento ou base (ex: hidró xido de cá lcio,
ionô mero de vidro modificado por resina);
• Essa etapa pode vir antes ou depois da forma de contorno, dependendo da extensã o
e profundidade da lesã o.
3. Forma de resistência
• Garante que o remanescente dentário e o material restaurador resistam à s
forças mastigatórias sem fraturas;
• Regras fundamentais:
• Paredes planas (pulpar, gengival) e perpendiculares ao longo eixo do
dente;
• Evitar á reas finas ou fracas de esmalte sem suporte dentiná rio;
• Â ngulos internos arredondados (especialmente o axiopulpar);
• Evitar paredes paralelas em excesso, pois causam enfraquecimento das
cú spides;
• Cú spides enfraquecidas em dentes tratados endodonticamente devem ser
reduzidas e cobertas com material resistente (onlay, coroa parcial).
4. Forma de retenção
• Impede o deslocamento da restauração por forças mastigató rias, expansã o
térmica ou traçã o de alimentos;
• Tipos:
• Mecânica geométrica: paredes vestibular e lingual convergentes para
oclusal (principal em amá lgama);
• Retenções auxiliares: sulcos, canaletas, orifícios retentivos;
• Pinos retentores: em cavidades amplas ou dentes com pouca estrutura;
• Retenção adesiva/micromecânica: em materiais adesivos como resina
composta ou ionô mero.
5. Forma de conveniência
• Adapta o formato da cavidade para permitir:
• Acesso visual adequado;
• Instrumentaçã o correta;
• Inserçã o e condensaçã o do material;
• Pode exigir remoção de estrutura adicional, como uma crista marginal ou
abertura oclusal em dentes aparentemente hígidos;
• Deve ser utilizada com critério para minimizar desgaste desnecessário.
6. Acabamento das paredes e margens do esmalte
• Realizado com instrumentos manuais (enxadas, machados, formadores de â ngulo);
• Visa:
• Remoção de prismas fragilizados ou sem suporte dentinário;
• Regularização das paredes internas;
• Criaçã o de bordas definidas, especialmente em cavidades para amá lgama;
• O acabamento adequado melhora a adaptabilidade marginal e reduz o risco de
infiltraçã o.
7. Limpeza da cavidade
• Etapa final antes da inserçã o do material restaurador;
• Remove resíduos (limalhas, poeira dentiná ria, saliva, detritos);
• Pode ser feita com:
• Jato de ar e á gua;
• Soro fisioló gico;
• Soluçõ es químicas como clorexidina 2% (que também possui açã o
antimicrobiana);
• É especialmente importante em cavidades que receberã o materiais adesivos.
📝 Observações complementares
• A sequência das etapas pode variar conforme a condiçã o clínica;
• Em lesõ es extensas, é comum iniciar pela remoção do tecido cariado antes da
forma de contorno;
• A filosofia atual preconiza o preparo cavitário conservador, baseado em
evidências científicas e uso de materiais bioativos;
• A escolha dos materiais restauradores deve estar em harmonia com o desenho
cavitário.
🦷 Capítulo 5 – Preparo Cavitário Classe I (Apenas o Preparo, sem aplicação do
amálgama)
📍 Localização anatômica
As cavidades Classe I sã o indicadas para o tratamento de lesõ es em cicatrículas e fissuras
nas seguintes regiõ es:
• Face oclusal de pré-molares e molares (regiã o de sulcos principais);
• Dois terços oclusais da face vestibular de molares inferiores;
• Face palatina (lingual) de incisivos superiores.
⚙️ Técnica de preparo – Etapas detalhadas
1. Isolamento
• Preferencialmente absoluto, com dique de borracha;
• Deve incluir, no mínimo, dois dentes posteriores ao dente a ser tratado e até o
canino do lado oposto, sempre que possível;
• Proporciona campo seco, visibilidade e segurança.
2. Instrumentação
• A broca carbide n° 245 é a mais utilizada;
• Permite delimitaçã o precisa do istmo;
• Cria paredes internas levemente convergentes para oclusal e fundo plano.
3. Forma de contorno
• Abertura inicia-se no centro do sulco principal;
• A largura do istmo deve ser equivalente a 1/4 da distância intercúspidea;
• Deve-se incluir todas as fissuras comprometidas ou de má coalescência;
• Abertura não deve se estender até cristas marginais sadias ou sulcos secundá rios
nã o comprometidos;
• Deve-se evitar desgaste desnecessá rio de esmalte hígido.
4. Forma de resistência
• Parede pulpar: deve ser plana e perpendicular ao eixo longitudinal do dente;
• A profundidade média varia entre 1,5 a 2 mm em esmalte e dentina;
• Paredes vestibular e lingual: devem convergir discretamente para oclusal,
garantindo espessura mínima do material restaurador e resistência contra fraturas;
• Ângulos internos: devem ser arredondados, especialmente o axiopulpar, para
dissipar tensõ es e evitar concentraçã o de estresse;
• Ângulo cavossuperficial: deve ter 90°, sem bisel (em restauraçõ es com amá lgama);
• Evitar deixar cú spides isoladas e frá geis.
5. Forma de retenção
• Proporcionada pela convergência das paredes laterais para oclusal;
• A profundidade uniforme da parede pulpar contribui para retençã o por atrito;
• Nã o sã o necessá rios sulcos ou pinos em cavidades de Classe I convencionais.
6. Forma de conveniência
• O acesso deve permitir a visualização completa da cavidade, liberdade para
instrumentação e futura inserçã o do material restaurador;
• A largura da abertura deve respeitar a anatomia do dente, evitando desgaste
excessivo.
7. Acabamento das paredes e margens
• Deve-se remover prismas de esmalte sem suporte dentinário com machado ou
enxada monoangulada;
• As margens devem ser regulares, contínuas e sem microfraturas;
• As paredes internas (pulpar, vestibular, lingual) devem ser lisas e bem definidas.
8. Limpeza da cavidade
• Remover completamente resíduos dentiná rios e poeira com:
• Jato de ar/á gua;
• Soro fisioló gico;
• Ou soluçã o de clorexidina a 2% (se aplicá vel);
• Garante superfície limpa e livre de contaminantes para futura restauraçã o.
🦷 Capítulo 6 – Preparo Cavitário Classe II (Apenas o Preparo, sem aplicação do
amálgama)
📍 Localização anatômica
As cavidades de Classe II sã o indicadas para o tratamento de lesõ es cariosas nas faces
proximais (mesial ou distal) de pré-molares e molares.
Essas cavidades nã o podem ser acessadas diretamente, exigindo abertura oclusal para
acesso e adequada visualizaçã o da lesã o.
⚙️ Técnica operatória – Etapas detalhadas
1. Isolamento
• Isolamento absoluto é preferencial, abrangendo desde um dente posterior ao
dente tratado até o canino contralateral, sempre que possível;
• Garante campo seco, segurança e facilita a instrumentaçã o, especialmente durante
o acabamento da parede gengival.
2. Instrumentação
• Broca recomendada: carbide n° 245, devido ao seu formato com extremidades
arredondadas e corpo paralelo;
• Permite realizar a maior parte do preparo, incluindo a abertura oclusal e o desgaste
proximal;
• Broca 699 pode ser utilizada para sulcos retentivos adicionais.
3. Forma de contorno – Abertura oclusal
• Abertura inicia no centro do sulco principal da superfície oclusal;
• A largura do istmo deve corresponder a 1/4 a 1/3 da distância intercúspidea;
• O acesso oclusal é feito mesmo que não haja lesão nessa face, por conveniência
operató ria (visualizaçã o, acesso e instrumentaçã o);
• Paredes laterais (vestibular e lingual) devem ser levemente convergentes para
oclusal;
• A parede pulpar deve ser plana e perpendicular ao longo eixo do dente.
4. Forma de contorno – Caixa proximal
• Acesso realizado apó s abertura oclusal, estendendo-se até a face proximal
comprometida (mesial ou distal);
• Separação do dente adjacente: deve-se eliminar o ponto de contato com o vizinho,
com uma folga de 0,5 a 0,8 mm, permitindo inserçã o da matriz;
• Parede gengival:
• Plana, lisa e perpendicular ao eixo do dente;
• Se possível, localizada supragengival para facilitar o acabamento e evitar
invasã o do espaço bioló gico;
• Paredes vestibular e lingual da caixa proximal:
• Em dentina: paralelas ou levemente expulsivas;
• Em esmalte: devem terminar com ângulo cavossuperficial de 90°, sem
bisel (para amá lgama);
• Contorno externo da caixa proximal (visã o oclusal): formato sino, gota ou
ovoide, respeitando a anatomia do dente.
5. Forma de resistência
• Parede axial:
• Deve ser plana no sentido vestíbulo-lingual e suavemente convexa em
profundidade;
• A profundidade deve ser suficiente para eliminar a lesã o e permitir
espessura mínima do material restaurador (1,2–1,5 mm);
• Ângulos internos: arredondados, especialmente o axiopulpar;
• A parede gengival plana ajuda a distribuir uniformemente as forças mastigató rias
e evita fraturas marginais;
• Nã o devem existir prismas de esmalte sem suporte dentiná rio nas margens.
6. Forma de retenção
• Proporcionada principalmente por:
• Convergência leve das paredes vestibular e lingual da caixa oclusal;
• Paredes paralelas ou levemente expulsivas da caixa proximal;
• Sulcos retentivos adicionais podem ser feitos com broca 699 nos ângulos
diedros vestíbuloaxial e linguoaxial, quando necessá rio;
• Eles se iniciam levemente acima da parede gengival e nã o devem alcançar a
parede pulpar.
7. Forma de conveniência
• A abertura oclusal e o afastamento da parede proximal devem permitir:
• Inserçã o de instrumentais;
• Acomodaçã o de matriz e cunha;
• Visibilidade durante o acabamento e a futura condensaçã o do material.
8. Acabamento das paredes e margens
• Instrumentos manuais utilizados:
• Machado para esmalte: acabamento das paredes vestibular e lingual;
• Recortadores de margem gengival (ex: n° 28 e 29): acabamento da
parede gengival;
• Formadores de ângulo ou enxadas monoanguladas: acabamento da
parede pulpar;
• A parede gengival deve estar lisa, contínua, sem degraus ou prismas frágeis;
• O acabamento deve garantir uma interface precisa entre o dente e a futura
restauraçã o.
9. Limpeza da cavidade
• Remoçã o de detritos com:
• Jato de ar/á gua;
• Soro fisioló gico;
• Clorexidina 2% (opcional);
• Necessá ria para permitir boa adaptaçã o do material restaurador e reduzir o risco de
falhas adesivas.
📌 Considerações finais
• Em cavidades amplas ou profundas, pode-se utilizar materiais de proteção pulpar
(ex: ionô mero de vidro, hidró xido de cá lcio);
• A execuçã o correta das formas geométricas internas e externas da cavidade é
essencial para o sucesso da restauraçã o com amá lgama;
• A técnica exige atençã o à anatomia do dente, preservaçã o de estrutura sadia e
eliminaçã o total da lesã o cariada.