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Quarta Posição do Integralismo

O documento discute a natureza do Integralismo, esclarecendo que não é fascismo ou nazismo, mas uma doutrina nacional brasileira que busca uma síntese entre valores sociais e espirituais. O Integralismo defende a liberdade religiosa e se opõe ao materialismo, propondo uma 'Democracia Orgânica' sem partidos políticos, representando as classes profissionais. A obra também aborda a posição do Integralismo em relação ao nacional-socialismo e ao comunismo, destacando suas diferenças e semelhanças.

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Rod Tigre
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Quarta Posição do Integralismo

O documento discute a natureza do Integralismo, esclarecendo que não é fascismo ou nazismo, mas uma doutrina nacional brasileira que busca uma síntese entre valores sociais e espirituais. O Integralismo defende a liberdade religiosa e se opõe ao materialismo, propondo uma 'Democracia Orgânica' sem partidos políticos, representando as classes profissionais. A obra também aborda a posição do Integralismo em relação ao nacional-socialismo e ao comunismo, destacando suas diferenças e semelhanças.

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INTEGRALISMO – FASCISMO - NAZISMO – RELIGIÃO - POSIÇÃO DO INTEGRALISMO

Muita polêmica gira em torno dos seguintes questionamentos: é o Integralismo fascismo? É


nazismo? O Integralismo quer inteira liberdade de confissão religiosa? Como o Integralismo se
posiciona diante dos partidos políticos? Qual a posição política do Integralismo? É de Terceira ou
de Quarta Posição?

Ao longo do texto, essas e outras perguntas serão respondidas. O texto será prático e didático,
sem atacar pessoas ou movimentos. O texto seguirá a máxima: “para conhecer uma doutrina, leia
essa doutrina”.

A fim de tornar a questão de mais fácil compreensão, o texto será feito em forma de perguntas
e respostas com a colusão ao final. Pois bem, vamos a ele.

ΣΣΣ

I – O INTEGRALISMO É FASCISMO OU NAZISMO?

De cara e como é óbvio, a reposta é não!

1
O Integralismo, lançado oficialmente através do Manifesto de 07 de Outubro de 1932, que fez
nascer a Ação Integralista Brasileira (AIB), é uma doutrina 100% nacional e foi pensada e criada
exclusivamente para o Brasil. Isso é um fato. Por outro lado, indiscutível que essa doutrina surge
num contexto de questionamentos das doutrinas materialistas – liberalismo e marxismo –, que
gerou as diversas formas de nacionalismos surgidas na primeira metade do Século XX. Mas, o que
os principais doutrinadores Integralistas diziam sobre o fascismo e o nazismo? Atendendo à
máxima dita acima (“para conhecer uma doutrina, leia essa doutrina”), seguem as opiniões dos
próprios Integralistas sobre a questão. Vejamos.

- "Só os bárbaros, os que não conhecem as últimas fases da civilização que agora agoniza,
podem submeter-se a governos meramente ditatoriais.
Na Itália não ha ditadura: ha um regime. [...] Na Alemanha a literatura do nacional-
socialismo é abundante, demonstrando ao povo alemão que ele não está sendo
escravizado, porém realizando uma era nova, norteada por princípios novos.
O número de revistas filosóficas, jurídicas, econômicas e técnicas da Itália e da
Alemanha, mostram que esses países não caíram em meras ditaduras sem finalidades, pelo
contrário, passaram a uma fase de renovação espiritual.
O contato com as massas populares é uma preocupação constante dos dirigentes. Ha
uma íntima comunhão entre o povo e o governo." (Plínio Salgado, então Chefe Nacional
do Integralismo, em “Doutrina do Sigma”, páginas 62/63)

Contudo, mais à frente da mesma obra, assinala Plínio:

"O Integralismo, se fosse uma cópia do Fascismo, adotaria o ‘fascio littorio’, e se


fosse uma cópia do Hitlerismo adotaria a cruz ‘suástica’; entretanto, sua bandeira é azul e
branca e seu símbolo, é o ‘Sigma’, que indica uma nova filosofia de vida." (página 153)

Gustavo Barroso, assim se manifestou sobre o tema:

- “O liberalismo isolou o homem no individualismo e somente o considerou cidadão-


eleitor. O comunismo submerge-o no oceano da massa e o transforma em parafuso com
estômago e libido dum maquinismo social. O mundo inteiro sente a necessidade duma
síntese que combata essas análises unilaterais.

2
No duelo travado entre burgueses e operários, os verdadeiros intelectuais entram com
uma terceira forma de justiça social. Sua doutrina coordena os valores sociais dispersos e
os canaliza para alto fim humano. Suas primeiras manifestações chamaram-se Fascismo e
Nacional-Socialismo.
Sua expressão mais completa chama-se Integralismo.” (Gustavo Barroso, “O Integralismo
de Norte a Sul”, 1934, p.45)

Já Miguel Reale, com a clareza que lhe é peculiar, nos fala o que é compatível no fascismo e
no nazismo com o Integralismo e o que não é:

- “O nacionalismo fascista foi uma afirmação violenta, reação natural contra esse
Tratado de Versailles que satisfez o orgulho da França e a nunca saciada ambição
britânica. Marcou, além do mais, a vitória do espírito nacional contra a traiçoeira
fraternidade internacionalista dos centros maçônicos e o seu irmão gêmeo, o
internacionalismo socialista.
O nacionalismo na pátria de Dante foi síntese dialética superadora da velha antinomia
entre Burguesia e Proletariado, as duas classes antagônicas que olvidaram os ódios e as
lutas ásperas, marchando juntas para o fogo das trincheiras, no instante trágico da ameaça
às fronteiras.
[…]
Do Hitlerismo podemos tirar algumas lições em matéria de organização política e
financeira, mas não sabemos em que nos poderia ser útil a tese da superioridade racial,
tese que consulta uma situação local.
Nós brasileiros devemos nos libertar do jugo do capitalismo financeiro e do
agiotarismo internacional, sem que para isso abandonemos os princípios éticos para
descambarmos até aos preconceitos racistas. A moral não permite que se distinga entre o
agiota judeu e o agiota que diz ser cristão; entre o açambarcador que frequenta a Cúria e o
que frequenta a Sinagoga. O combate ao banqueirismo internacional e aos processos
indecorosos dos capitalistas sem pátria, justifica-se no plano moral. E quando a pureza da
norma ética está conosco, não se compreende bem qual a necessidade de outras
justificações, que podem ser de efeito, mas que certamente são discutíveis.
Assim como repudiamos o racismo hitlerista, nós nos afastamos do cesarismo italiano,
o qual tem a grande virtude de possibilitar gigantescos empreendimentos, mas tem

3
também o defeito de deixar tudo em função de um só homem. O que se ganha em
velocidade, compromete-se em durabilidade…
Somos, por assim dizer, mais democratas que os fascistas da Europa. Preferimos a
colaboração popular a uma compressão de ordem física ou psíquica. Reconhecemos mais
autonomia aos indivíduos e aos grupos. Tememos que a disciplina militarizada habitue os
homens a esperar a iniciativa ou o auxílio do Estado, em todas as condições sociais. Para
nós, o Estado deveria repetir a grande advertência: ‘ajuda-te que te ajudarei’.” (Publicado
originalmente na Revista Panorama, Ano I, Abril-Maio de 1936, nº 6, página 11 e
seguintes)

Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale em manifestação Integralista

Outro importante autor é Olbiano de Mello, eis que o mesmo estava articulado com Plínio
Salgado antes mesmo do lançamento oficial do Integralismo (que, como dito, se deu com o
Manifesto de Outubro de 1932). Em sua obra “Razões do Integralismo”, de 1935, às páginas 135 e
136, o autor menciona:

- “Estão enganados, porém, os homens que se enfeitam de políticos neste País. Eles e
os seus partidinhos. Nós moços, geração de pós-guerra, geração que em cada pátria de
origem, encara, com supervisão finalista, as realidades da vida, não mais pelo prisma de
estreitos personalismos, nós já começamos, pela força e uma ‘Ideia Nova”, a escrever
mais uma página gloriosa para a história da Humanidade. Fascismo na Itália, nazismo na
Alemanha, nacional-sindicalismo em Portugal, francismo na França e Integralismo no
Brasil.
Eis a ‘Ideia Nova’ em marcha, em nome de Deus, Pátria e Família, contra a exploração
supercapitalista […], a politicalha demo-liberal e o comunismo.”

4
Dando fim ao já estendido tópico, citamos a obra “Pela Revolução Integralista”, de 1935, de
Ferdinando Martinho, às páginas 23 e 24, uma vez que a mesma foi prefaciada por Miguel Reale,
um dos três maiores líderes do Integralismo. Veja:

- “Se não é possível uma unidade étnica, para o fim de ser uma grande unidade
nacional, basta, então, uma unidade de cultura pela língua, pela religião, pela educação,
pelo interesse, pelo Direito, pela tradição histórica.
Nesse ponto a Itália nos oferece um exemplo incontestável: de província para
província, de distrito para distrito, de município para município os contrastes se
avolumam, quer pelos costumes, quer pelos dialetos, quer pelas etnias, e no entanto o país
é um conjunto de energias cívicas e morais que, mesmo dentro dessa complexidade, dá-
nos o exemplo de uma das mais belas unidades nacionais.

Achamos que Hitler tem, até certo ponto, razão em fortalecer o espírito da raça em seu
país. Um povo, uma nação é como um exército, onde o estímulo, o espírito de corpo só
podem elevar o nível moral do cidadão. É justo que cada um, nesse sentido, se julgue o
melhor e o mais inteligente. Cada um defende e ama muito mais o que é seu. A mãe acha
sempre o seu filho mais belo do que o dos outros. Isso tudo é humano, mas a verdade é
uma só e esta nos diz cristãmente que não há raças superiores.”

Eis aí o pensamento do Integralismo sobre o fascismo e o nazismo, no que os aproxima e no


que os diferencia, de forma técnica e sem a necessidade de se recorrer a estereótipos e exageros
contemporâneos.

I. 1 – Nacional-Socialismo e Comunismo

Por ser óbvio que o Integralismo é oposto ao comunismo e, como restou claro acima, não ser
nazismo, vale responder a seguinte pergunta: o nazismo, ou seja, o nacional-socialismo, se
aproxima do comunismo, do socialismo marxista?

Antes, é bom informar que o foco aqui, ou em qualquer outro lugar, não é o nacional-
socialismo, doutrina alemã, mas sim doutrinas nacionais e adequadas à realidade brasileira. Outro

5
ponto que vale destacar e trazer de volta é o que foi dito logo no primeiro parágrafo deste texto, ou
seja, “para conhecer uma doutrina, leia essa doutrina”. Partindo desse pressuposto, seguem citações
do próprio Adolf Hitler sobre o tema:

- “A luta contra o marxismo tem, pela primeira vez, evoluído para uma luta unida. Pela
primeira vez eu me vejo como um homem desconhecido que irá iniciar uma guerra sem
descanso até que essa praga seja removido do estilo de vida alemão.”

- “Socialismo é a ciência de lidar com o bem comum. Comunismo não é socialismo.


Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu
significado. Eu irei tomar o socialismo dos socialistas”.
- “Meu socialismo nada tem a ver com marxismo. Marxismo é anti-propriedade. O
Socialismo verdadeiro não é”.
- “Eu insisto absolutamente em proteger a propriedade privada… precisamos encorajar
a iniciativa privada!”.

Poderiam ser mencionadas diversas outras citações de Hitler, bem como os fatos históricos
(que todos já conhecem) que separam, em muito, o nacional-socialismo do socialismo marxista,
mas isso fugiria do enfoque deste texto.

Ainda assim, com as citações acima, já se é possível concluir que associações do nazismo, por
este ter “socialismo” em seu nome, ou por quaisquer outros fatores, com o comunismo, são
desarrazoadas, imprecisas e anti-históricas e só trazem mais confusão à busca pela compreensão dos
fenômenos político-doutrinários.

II – QUAL A POSTURA DO INTEGRALISMO DIANTE DAS RELIGIÕES?

É o Integralismo uma frente ampla espiritualista contra a avalanche materialista. Nesse


sentido:

- "Enquanto os governos estaduais dividem os brasileiros, nós os unimos numa


prodigiosa comunhão, que realiza o milagre estupendo de uma única aspiração nacional. É
isso o que se chama "ordem espiritual e moral", confraternização de "todos os que,

6
acreditando em Deus, fazem dele um fundamento indestrutível de toda a ordem social",
conforme diz a Encíclica de Pio XI, cujo texto foi compreendido pelos Integralistas tanto
católicos como luteranos, presbiterianos ou espiritistas, pois hoje formamos a frente única
espiritual, arrebatada pela bandeira de Deus, da Pátria e da Família, dispostos a todos os
sacrifícios para salva a Nação das garras do materialismo do século."
- Plínio Salgado, em “Doutrina do Sigma”.

- "O Estado Integral não é agnóstico como o Estado Liberal Democrático, mas
também não é sectário. O Integralismo exige que todo camisa-verde seja espiritualista e
fundamente no princípio de Deus todo o sistema da ordem social. Sob a bandeira azul e
branca do Sigma reúnem-se, na mais íntima solidariedade, todos os brasileiros, que
estejam dispostos a defender as suas crenças, ameaçadas pela onda materialista, tanto do
utilitarismo burguês, como do socialismo revolucionário."
- Miguel Reale, em “ABC do Integralismo”.

- "O Integralismo quer inteira liberdade de confissão religiosa. Afirmando Deus e o


Espírito, não pode o Estado Integral ser exclusividade em matéria de crença. (...) A luta
contra a invasão materialista no mundo não pode tolerar, neste momento, divisões entre os
filhos de uma mesma pátria, nem de partidos políticos, nem de classes sociais, nem de
credos religiosos."
- Gustavo Barroso, em “O que o Integralista deve saber”.

- “O Estado (Integralista), que não é agnóstico, e não é também sectário, afirma sua
finalidade espiritualista, mantendo na ordem moral a cooperação espiritual de todas as
forças que defendem as ideias de DEUS, Pátria e Família, e na ordem intelectual, a
participação de todas as forças culturais e artísticas do país.”
- Ferdinando Martinho, em “Pela Revolução Integralista”, página 15.

- “Destarte, ainda, o regime integralista não ficará em posição indiferente diante do


problema religioso. Porquanto, não tendo uma teologia própria – terá a própria moral.”
(Olbiano de Mello, em “Razões do Integralismo”, 1935, página 32.

Mais à frente, afirma Olbiano de Mello:

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- “Somos também contra todos os fatores de desagregação da Pátria. Por isso,
defendemos a Família, cellula mater da Nação que desejamos ver estruturada em puro
sentimento moral. Donde, conquanto o Estado Integral não eleger uma religião como
própria, defende, porém, todas, porque todas elas esposam princípios morais. O admitimos
o Estado leigo. O agnóstico. Consequentemente combatemos, por todos os meios
possíveis, as concepções socialistas que andam pelo mundo, no fundo formas variáveis do
materialismo, sejam: o marxismo, o leninismo, o positivismo e o comunismo. Deus, Pátria
e Família – esse é o nosso lema.” (página 119)

O mesmo autor, na mesma obra, aduz: “Nova síntese que há de informar o novo Brasil,
banhando sadia e harmoniosamente sua futura Constituição com pura ideologia cristã.” (página
43).

Portanto, embora defenda a liberdade religiosa, como é notável, os princípios Cristãos estão
enraizados na doutrina Integralista.

III – COMO O INTEGRALISMO SE POSICIONA PERANTE OS PARTIDOS POLÍTICOS?

O Integralismo defendia a extinção de todos os partidos políticos. Em vez de partidos, a


representação popular seria feita pelas classes profissionais, o que o Integralismo chamou de
Democracia Orgânica.

Olbiano de Mello, na mesma obra antes citada, às páginas 68/69, nós traz uma boa síntese de
como funcionária a Democracia Orgânica proposta pelo Integralismo:

8
- "Câmaras Municipais compostas de vereadores eleitos e em número igual, por cada
classe sindicalizada. Esses vereadores elegerão o prefeito do município.
Câmaras Províncias, igualmente eleitas, número igual de deputados, pelos sindicatos
de cada zona eleitoral. Esses deputados elegerão o Presidente de cada Província.
Câmara Nacional, igualmente eleita, número de deputados, pelos sindicatos de cada
zona eleitoral do País. Esses deputados elegerão o Presidente da República."

Importa retomar aqui a distinção do Integralismo para o fascismo. No Integralismo, mesmo


que se defenda o Princípio da Autoridade, a ordem, a disciplina e a hierarquia, as escolhas dos
dirigentes da Nação se dão de baixo pra cima, como visto no trecho logo acima, já no fascismo,
talvez pela tradição romana cesarista, se dão de cima pra baixo.

Olbiano de Mello, na mesma obra antes citada, à página 103, explica que no Estado Fascista,
"elegendo as associações profissionais as câmaras políticas (municipais e nacional), detém-se aí o
seu direito de sufrágio - intervindo discricionariamente, em seguida, a vontade pessoal do Rei e do
Primeiro-Ministro - nomeando os prefeitos, os governadores de província, etc.”

Com isso, e no que importa no presente capítulo, deseja o Integralismo a extinção de todos os
partidos políticos. O Manifesto de 07 de Outubro de 1932, em seu Capítulo V, assim dispõe;

“Enquanto não virmos o Brasil organizado, sem o mal dos partidarismos egoístas, o
Estado Brasileiro exprimindo classes, dirigindo a Nação pelo cérebro das suas elites, não
descansaremos, na propaganda que nos impomos.

A nossa Pátria não pode continuar a ser retalhada pelos governadores de Estados,
pelos partidos, pelas classes em luta, pelos caudilhos. A nossa Pátria precisa de estar unida
e forte, solidamente construída, de modo a escapar ao domínio estrangeiro, que a ameaça
dia a dia, e salvar-se do comunismo internacionalista que esta entrando no seu corpo,
como um cancro. Por isso, não colaboramos com nenhuma organização partidária, que
vise dividir os brasileiros. Repetimos a frase do lendário Osório, quando escrevia dos
campos do Paraguai, dizendo que não reconhecia partidos, porque eles dividiam a Nação e
esta deve estar coesa na hora do perigo.”

9
O próprio Plínio, em “O que é Integralismo”, 1933, afirma: “[…] o Integralismo substituirá a
representação partidária pela verdadeira representação, que é a representação corporativa.”

O que veio no pós-guerra, embora possa ter influência do que antes fora o Integralismo, não é
mais o que se defendia na AIB. Mas isso será analisado no tópico abaixo.

IV – QUAL A POSIÇÃO POLÍTICA DO INTEGRALISMO?

O documento oficial da AIB denominado “A Posição do Integralismo” se inicia com a


seguinte frase de Alberto Torres:

- "Entre o individualismo que assenta sobre institutos jurídicos derivados da


solidariedade entre argentários e o socialismo que pretende esquecer as desigualdades
naturais, há uma terceira fórmula de justiça".

Como já citado antes, Gustavo Barroso também falava em “uma terceira forma de justiça
social”.

Plínio Salgado deixa claro a posição do Integralismo no trecho abaixo:

- “Nós, Integralistas, tomamos o homem na sua realidade material, intelectual e moral,


e por isso, repudiamos tanto a utopia liberalista como a utopia socialista. A liberal-
democracia pretende criar o monstro, sem estômago. O socialismo marxista pretende criar
o monstro que só possui o estômago e o sexo. Em contraposição ao místico liberal e ao
molusco marxista, nós afirmamos o homem-integral.” (“O que é Integralismo”, 1933)

Mas, para além dos conceitos exatos e das palavras claras, é o Integralismo, como dissemos
acima, surgido na mesma conjuntura e no mesmo espírito dos diversos nacionalismos e doutrinas
políticas que brotaram no início/meio do Século XX como reação ao materialismo. Nas palavras e
ideias antes mencionadas de Olbiano de Mello, está o Integralismo inserido na visão de uma “Ideia

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Nova” que marcha em nome de Deus, Pátria e Família, contra a exploração supercapitalista, a
politicalha demo-liberal e o marxismo. Uma ideia totalmente inovadora.

Nesse sentido, sim, está o Integralismo no mesmo campo político dos vários nacionalismos
que surgiram pelo mundo na primeira metade do Século XX.

Afirmar isso não é demérito para o Integralismo. Ora, estar no mesmo campo político de
outras doutrinas não significa apoiar ou “assinar em baixo” de tudo o que todas essas doutrinas
fizeram. Se fosse assim, todo direitista seria conivente com o genocídio planejado pelo comando
inglês à cidade-hospital e sem instalações militares de Dresden, na Alemanha, em 1945, quando
foram chacinadas milhares de pessoas indefesas, dentre elas mulheres e crianças. Seriam todos os
que se dizem “de direita” corresponsáveis pela exploração da África do Sul e dos povos nativos
pelo capitalismo avassalador de Cecil Rhodes em conluio com a família Rothschild? Seriam os que
se consideram “de direita” cúmplices pela destruição feita pelos EUA no Iraque, na Síria, na Líbia
(nesta, até com cenas de escravidão), tudo por dinheiro, petróleo e poder, dentre outros diversos
(muitos mesmos) exemplos?

Na mesma linha de pensamento, seria toda pessoa que se considera “de esquerda” cúmplice
dos milhões de estupros praticados pelos soviéticos quando estes adentraram na já destruída
Alemanha Nazista? Seriam os que se consideram “de esquerda” corresponsáveis pelos vários
assassinatos em massa, prisões, massacres, ditaduras, mortes etc. praticados pelos seguidores do
marxismo? Seriam todos os “de esquerda” comparsas dos inacreditáveis números de mortes
realizados pelo Khmer Vermelho - seguidores do Partido Comunista da Kampuchea – partido
governante no Camboja de 1975 a 1979, liderado por Pol Pot, onde se estima que cerca de 2
milhões de cambojanos tenham morrido em ondas de assassinatos direcionadas particularmente
contra a elite intelectual e educada?

Portanto, gostem alguns ou não, está o Integralismo inserido naquilo que se convencionou
chamar de Terceira Posição Política e ele não deve ser corresponsabilizado pelos tão alardeados
crimes cometidos pelas outras doutrinas de Terceira Posição que se viram derrotadas e tiveram suas
imagens divulgadas ao bel prazer daqueles “bons moços” que as venceram militarmente.

11
Nem se diga que pelo fato de o Integralismo ser algo diferente do fascismo e do nazismo
seria, então, uma Quarta Posição Política.

Ora, além do que citei acima, o fato de o Integralismo ser diferente do fascismo e do nazismo
– e, de fato, é – não faz dele uma Quarta Posição Política, pois, caso assim fosse, seria o nazismo
uma Quarta Posição, uma vez que o mesmo é bem diferente do fascismo; a Guarda de Ferro
romena também seria uma outra posição política, pois difere do fascismo e do nazismo e, assim,
teríamos incontáveis posições políticas.

Ledo engano. A principal característica da Terceira Posição e o que a difere das duas posições
anteriores (liberalismo e marxismo) é o Nacionalismo e é justamente por isso que cada um,
atendendo às peculiaridades de cada Nação, é diferente dos outros. O próprio Plínio Salgado deixa
essa ideia clara na passagem abaixo:

- “Se, para argumentar, dermos que a concepção do Estado segundo o Integralismo é a


mesma da Itália, da Alemanha, da Áustria, de Portugal, ainda aí seria leviandade dizer que
o Integralismo é uma copia. Basta raciocinar um pouco. Que concepção de Estado seria
essa? A do Estado Nacionalista, autoritário, interventor, diretor da Economia.
Perguntamos: será possível constituir esse Estado Nacional, copiando um Estado
estrangeiro? Então não seria nacional e o princípio doutrinário teria caído por terra. Isso
quer dizer que, mesmo dada a hipótese de que a concepção doutrinaria do Estado fosse
absolutamente idêntica entre Fascismo, Hitlerismo, Salazarismo, Dolffismo, Integralismo,
isso só demonstraria que cada uma dessas manifesta ações politicas são absolutamente
originais. Por que? Porque o “princípio” sendo o nacionalismo, não haveria mais
nacionalismo no dia em que umas copiassem as outras.

O mesmo não se dá com o liberalismo democrático nem com o comunismo russo.”


(Doutrina do Sigma, página 155)

É o Integralismo, desse modo, uma genuína Terceira Posição Política.

12
IV.1 – A Quarta Posição de Plínio Salgado

Em sua obra “Mensagem às Pedras do Deserto”, edição de 1956 (a primeira edição é de 1954
smj), in Obras Completas, Vol. 15, pág. 235, Plínio Salgado fala em uma “Quarta Posição
Política1”, o que faz com que muitos integralistas de hoje afirmem que o Integralismo é de Quarta
Posição, e não de Terceira. Veja a síntese do que ali foi dito:

- "Fala-se hoje muito numa primeira, numa segunda e numa terceira posição em face
dos conflitos internacionais. Eu proporia uma quarta posição, que procure nas três
primeiras o que há de certo e que acrescente o que falta a qualquer das três orientações em
choque.
A primeira posição é a do socialismo - direi mesmo do comunismo.

A segunda é a do capitalismo.
A terceira é a do nacionalismo, que pretende reagir tanto contra o comunismo como
contra o capitalismo.
Primeira Posição

Na posição do socialismo existe uma verdade assentada sobre uma base de erro, base
que é a concepção materialista do mundo. (…) Mas há, ainda um outro pedaço de verdade
contido no socialismo marxista: é o que se refere à crítica do sistema capitalista, ao estudo
do desenvolvimento do capitalismo, até à sua própria auto-destruição.
..................................…
Segunda Posição

Começaremos dizendo que, se o socialismo contém aquelas duas verdades no meio de


centenas de mentiras, também o capitalismo contém pedaços de verdade autêntica, no
meio de outras tantas mentiras.
A verdade contida no capitalismo é a relativa ao respeito em que toma a iniciativa
individual, a liberdade dos indivíduos (não direi pessoas) a qual se consagra nos
postulados liberais democráticos. Esse respeito envolve o direito de propriedade, o da livre
manifestação do pensamento e das convicções políticas, em suma os direitos humanos
fundamentais, embora tomados numa acepção agnóstica. Os erros do capitalismo

1 Como se vê, a “Quarta Posição” levantada por Plínio Salgado é da década de 50. Portanto, muito antes da “Quarta
Teoria Política” de Aleksandr Dugin. Esta, não está em debate aqui.

13
originam-se da concepção utilitária da vida, sem nenhuma consideração pelos fins
transcendentais do Homem.
...................................…

Terceira Posição
Reagindo contra as duas posições - do Socialismo-Comunismo e do Capitalismo -,
surge a terceira: o Nacionalismo. Também, como as duas outras correntes, contém
verdades. Para se defender do Comunismo, procura realizar a justiça social executando
uma política do tipo trabalhista, ao mesmo tempo ampliando a ação do Estado pela
intervenção na livre concorrência. Para se defender do Capitalismo, exacerba o
patriotismo e deturpa essa nobre virtude, transformando-a em puro jacobinismo
isolacionista, numa época em que os problemas econômicos dos povos se entrosam numa
correlação inevitável.
..........................................…

A Quarta E Perfeita Posição


A nossa obra, no Ocidente, deve ser a de verdadeira catequese cristã no mundo
capitalista e no mundo nacionalista. Expungir-lhe os erros, fundi-los numa só expressão de
defesa dos valores morais oriundos de Cristo e que ainda sobrevivem apesar do paganismo
em que nos temos afundado.
Precisamos de missionários para esta obra pela construção da Unidade Cristã do
Ocidente. União Cristã contra o materialismo: eis o nosso brado angustioso. É a quarta
posição, em que deverão juntar-se os fragmentos de verdade das três primeiras, nesta hora
grave do mundo. (…)"

Como se vê, independentemente da confusão na ordem das posições políticas – o liberalismo


é a primeira posição e o marxismo é a segunda -, forçoso reconhecer que a Quarta Posição proposta
aí por Plínio é bem diferente do que ele propunha na década de 30 com a Ação Integralista
Brasileira, ou seja, a Terceira Posição brasileira. Essa Quarta Posição de Plínio é um catolicismo
militante, como ele mesmo escreve, a “verdadeira catequese do mundo”. Importante destacar que
não me oponho a essa ideia e não pretendo desmerecê-la, mas apenas gostaria de deixar claro que
ela se difere da ideia anterior proposta por ele nas obras “Doutrina do Sigma” e “O que é
Integralismo”, antes citadas, dentre outras que ele escreveu naquele tempo.

14
Por conseguinte, a obra de Plínio Salgado e sua atuação no pós-guerra pode ser tida por algo
influenciado pelo Integralismo da AIB, mas é diferente daquilo que havia sido antes e que nos foi
deixado como herança.

Nesse ponto e com todo respeito à vida e às ações de Plínio Salgado, um homem que dedicou
toda a sua vida ao Brasil, fico com aquilo que foi escrito e ensinado por ele – e por outros
integralistas - na década de 30, afinal de contas, foi o próprio que escreveu: “Cristalizando, dia a
dia, uma unidade de pensamento, o Integralismo não se baseia num homem, porém num sistema de
ideias. Seus alicerces, pois, são os mais sólidos possíveis. O Chefe não passa de um simples
soldado, que eventualmente exprime o princípio da autoridade.” (“Doutrina do Sigma”, página 30)

V – CONCLUSÃO

I – O Integralismo é uma doutrina brasileira e criada de acordo com as realidades do Brasil, por
isso, não é fascismo e/ou nazismo.

II - Embora não seja o foco do presente texto, afirmar que o nazismo tem muita semelhança com
comunismo e que o socialismo do nazismo é próximo ao socialismo marxista é algo impreciso e
desconexo da realidade histórica.

III – O Integralismo é uma frente ampla espiritualista, mas que tem fortíssima influência do
Catolicismo. Os valores e princípios cristãos são pilares do Integralismo.

IV - O Integralismo defendia a extinção de todos os partidos políticos e, em vez de partidos, a


representação popular seria feita pelas classes profissionais, o que, no Integralismo, se chamou de
Democracia Orgânica.

V – O Integralismo é uma autêntica Terceira Posição Política. A Quarta Posição proposta por Plínio
Salgado no pós-guerra não é mais o Integralismo da década de 30.
-------------------

15
- “No fundo da alma de qualquer povo dormem, ignoradas, forças infinitas. Quem as souber
despertar, moverá montanhas.” - Gustavo Barroso

- Por Rafael Paredes, membro do Conselho Diretivo da ACCALE – Associação Cívica e Cultural
Arcy Lopes Estrella

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