210
ISSN 1678-0892
Dezembro, 2012
Boas Práticas Agrícolas Recomendadas para o
Cultivo de Banana na Comunidade do Faraó em
Cachoeiras de Macacu, RJ
ISSN 1678-0892
Dezembro, 2012
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Solos
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Boletim de Pesquisa
e Desenvolvimento 210
Boas Práticas Agrícolas
Recomendadas para o
Cultivo de Banana na
Comunidade do Faraó em
Cachoeiras de Macacu, RJ
Mariana Ortman Cavalin
Joyce Maria Guimarães Monteiro
Embrapa Solos
Rio de Janeiro, RJ
2012
Embrapa Solos
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Embrapa Solos
C376b Cavalin, Mariana Ortman.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na
comunidade do Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ. / Mariana
Ortman Cavalin e Joyce Maria Guimarães Monteiro. — Dados
eletrônicos. — Rio de Janeiro : Embrapa Solos, 2012.
38 p. - (Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento / Embrapa Solos,
ISSN 1678-0892 ; 210).
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Título da página da Web (acesso em 21 dez. 2012).
1. Musa spp. 2. Agricultura familiar. 3. Diagnóstico produtivo. I.
Monteiro, Joyce Maria Guimarães. II. Título. III. Série.
CDD ([Link].) 630.81
© Embrapa 2012
Sumário
Resumo .................................................................... 5
Abstract ................................................................... 7
Introdução ................................................................. 9
Metodologia ............................................................ 11
Material e Métodos ................................................................. 11
Caracterização da Área de Estudo .............................................. 14
Resultados e Discussão ............................................ 16
Perfil Demográfico .................................................................. 16
Uso e Ocupação do Solo ........................................................... 17
Produção Agrícola Municipal ..................................................... 18
Comunidade Rural de Faraó ....................................................... 21
Boas Práticas Agrícolas (BPA) recomendadas para o cultivo da banana
na localidade de Faraó ............................................................. 24
Conclusão ............................................................... 33
Agradecimentos ....................................................... 34
Referências ............................................................. 35
Boas Práticas Agrícolas
Recomendadas para o Cultivo
de Banana na Comunidade do
Faraó em Cachoeiras de
Macacu, RJ
Mariana Ortman Cavalin1
Joyce Maria Guimarães Monteiro2
Resumo
A banana (Musa spp.) é atualmente um dos produtos agrícola mais importan-
te do município de Cachoeiras de Macacu, RJ. Nesse município, a localidade
de Faraó, situada na microbacia do rio Batatal, figura entre as principais
produtoras de banana. O objetivo do presente documento é apresentar os
resultados do diagnóstico realizado na localidade de Faraó a fim de identificar
as Boas Práticas Agrícolas (BPA) necessárias para a produção local de bana-
na. Foi utilizada uma metodologia participativa para a identificação das princi-
pais práticas agrícolas, das fraquezas e das potencialidades dos sistemas de
produção adotados. Como resultado, foi possível indicar as melhores práticas
agrícolas passíveis de serem adotadas pelos agricultores, dentre as quais se
destacam o plantio em nível, a análise de solos, o maior aporte de nutrientes
e matéria orgânica no solo, os cuidados fitossanitários e os cuidados especiais
no momento da colheita e pós-colheita.
Palavras Chave: Musa spp., agricultura familiar, diagnóstico produtivo,
recomendações técnicas.
1
Estagiária da Embrapa Solos, Universidade Federal Fluminense - UFF, Dep. Geografia, Av. Litorânea, s/n -
Campus da Praia Vermelha, 5º andar - Boa Viagem Niterói - RJ. E-mail: [Link]@[Link],br
2
Pesquisadora da Embrapa Solos, DSc. Planejamento Ambiental. Rua Jardim Botânico, 1024. Rio de
Janeiro, RJ. E-mail: [Link]@[Link]
Good Agricultural Practice for
the Cultivation of Banana in the
Faraó Community, Cachoeiras
de Macacu, RJ
Abstract
The banana (Musa spp.) is currently one of the most important agricultural
products in the municipality of Cachoeiras de Macacu, RJ. In this
municipality, the locality of Faraó, situated sub-watershed of the Batatal, is a
main producer of Banana. The aim of this document is to present the results
of the diagnostics in the locality of Faraó in order to identify the Good
Agricultural Practice (GAP) for the local production of banana. To do so,
participatory methodology was used to identify the main agricultural
practices and the weakness and the potentiality production systems adopted.
As a result, it was possible to indicate good agricultural practices to be
adopted by farmers, among which we can highlight the planting in the level,
the soil analysis, greater port of nutrients and organic matter in the soil,
phytosanitary care and special care at harvest and post-harvest to reduce
damage to the fruits.
Key words: Musa spp., family farms, productive diagnostic, technical
recommendations.
Introdução
O vale do rio Macacu é uma das áreas agrícolas mais importantes do entorno
da Baía de Guanabara. O município de Cachoeiras de Macacu possui impor-
tância estratégica para o abastecimento de gêneros agrícolas para a cidade
do Rio de Janeiro (DANTON et al., 2011).
Entre os gêneros produzidos pelo município, a banana apresenta posição de
destaque. O município vem se mantendo como um dos cinco maiores produ-
tores de banana do estado do Rio de Janeiro, com uma área média colhida de
aproximadamente 3 mil hectares/ano nos últimos 20 anos com uma produção
média equivalente a 5 mil toneladas/ano. Ainda hoje, a região do Faraó,
localizada na microbacia do rio Batatal, no 2° distrito do município, se man-
tém como uma das principais responsáveis pela produção de banana (Musa
spp.) no Estado do Rio de Janeiro. No entanto, a bananicultura em Faraó tem
apresentado algumas fragilidades que colocam em risco a manutenção da
posição de destaque tanto na qualidade, quanto na quantidade de produção
desses frutos, gerando uma situação de insegurança aos produtores rurais
que sobrevivem deste cultivo.
No que se refere à qualidade dos produtos diante do consumidor, alguns fatores
são fundamentais para sua definição, como a aparência visual, a textura, o
aroma, o sabor, seu valor nutricional e a segurança de que o alimento consumi-
do está livre de contaminantes (CENCI, 2006). Para o produtor rural é muito
importante garantir a produtividade e a rentabilidade da produção. Nessa linha,
é fundamental o alcance e manutenção da produtividade e da qualidade dos
frutos, com menores custos e menor impacto ambiental.
Uma alternativa para alcançar aumento da produção agrícola integral, consi-
derando o contexto sociocultural local e a sustentabilidade ambiental, é a
adoção das Boas Práticas Agrícolas (BPA). As Boas Práticas Agrícolas po-
dem ser entendidas como um conjunto de normas e recomendações técnicas
cuja aplicação nas diferentes etapas de produção pretende garantir um ma-
nejo ecologicamente equilibrado do meio ambiente, condições
socioeconômicas e segurança de trabalho para os agricultores, buscando
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
10 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
uma produção de alimentos mais responsável para os consumidores finais
(FAO, 2011).
As BPA buscam o diagnóstico das melhores práticas agrícolas, que podem
ser implantadas e mantidas em um contexto produtivo local. Nesse processo
é importante considerar o bem estar das pessoas envolvidas direta e indireta-
mente com a produção, visando melhorar as condições de trabalho dos produ-
tores e a segurança alimentar de suas famílias, pela produção de alimentos
saudáveis em todos os aspectos produtivos. O entorno do local da produção é
levado em consideração nesse processo, pelos cuidados com a conservação
de solos, corpos hídricos e biodiversidade. Basicamente, as etapas necessári-
as são: conhecer o que tem sido feito, buscar o que pode ser melhorado,
registrar as melhores práticas adotadas e procurar os caminhos para garantir
a manutenção das boas práticas agrícolas. Em geral, as boas práticas agríco-
las possibilitam um aumento da produtividade e/ou no preço do produto, uma
vez que incorporam melhorias aos processos produtivos.
O objetivo desse documento é apresentar os resultados preliminares sobre a
identificação das Boas Práticas Agrícolas no sistema de produção da banana
na localidade de Faraó, município de Cachoeiras de Macacu, Rio de Janeiro,
RJ. Para tanto, é apresentada uma breve caracterização socioeconômica do
município de Cachoeiras de Macacu e da comunidade do Faraó, identificando
as práticas produtivas que podem resultar em impactos negativos para manu-
tenção do sistema de cultivo da banana em Faraó e as boas práticas que
podem minimizar esses impactos.
Esse trabalho faz parte do Macroprograma 2 – Dinâmica da paisagem associ-
ada aos indicadores para subsidiar o planejamento de uso da terra e a carac-
terização de serviços ambientais, especificamente da atividade 5.6 – Boas
Práticas Agrícolas e potenciais Serviços Ambientais, que compôs o Plano de
Ação 5 – Avaliação participativa de indicadores para subsidiar o planejamen-
to do uso e manejo das terras.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 11
Metodologia
Material e Métodos
1. Levantamento de informações socioeconômicas e ambientais
Para atingir o objetivo do trabalho primeiramente foi realizada a caracteriza-
ção e contextualização do município de Cachoeiras de Macacu e da localida-
de de Faraó pelo levantamento bibliográfico, feito a partir de literatura espe-
cializada. O levantamento de dados e informações socioeconômicos e
ambientais foram obtidos pela consulta realizada as publicações de trabalhos
de pesquisas desenvolvidos na região, como as seguintes publicações: CIDE
(2000), Fidalgo et al. (2008), Benavides et al. (2009), Moreira et al. (2009),
Pedreira et al. (2010), Lima (2010), Lima e Mansur (2010), IBGE (2010 e
2012) e CEPERJ (2012).
2. Visita de reconhecimento
A primeira campanha de campo ocorreu em novembro de 2010 e foi denomi-
nada visita de reconhecimento. Foram realizadas visitas técnicas à EMATER
local, às Secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente da Prefeitura de
Cachoeiras de Macacu e à comunidade de Faraó, com objetivo de conhecer a
governança local, acumular informações sobre os recursos produtivos,
ambientais e as experiências produtivas da comunidade local. Nessas visitas
não foram utilizados nenhum instrumento formal de entrevistas e, sim, con-
versas informais, quando um grupo de pesquisadores da Embrapa Solos ano-
tou suas percepções e as informações obtidas durante as visitas. Participa-
ram da primeira campanha um grupo técnico composto de pesquisadores da
Embrapa Solos, técnicos do Programa Rio-Rural da Secretaria de Agricultura
e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro, técnicos da Emater do Estado do Rio
de Janeiro (escritório estadual) e professores do departamento de Geografia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na oportunidade, foram apresentados aos técnicos da Emater (escritório
local) e da Prefeitura os principais projetos desenvolvidos na região e os
mapas de localização. A visita de reconhecimento e exploratória teve como
objetivo apresentar o projeto aos líderes comunitários locais e efetuar o
reconhecimento ambiental.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
12 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Posteriormente, foram organizados todos os contatos e materiais levantados
durante a primeira campanha e realizada uma reunião técnica interna na
Embrapa Solos, para troca de percepções e levantamento de dados e infor-
mações existentes em outros projetos desenvolvidos na região de
abrangência deste projeto. Nesta etapa, foram levantadas as principais ca-
racterísticas socioeconômicas e ambientais do município, sua inserção no
contexto econômico estadual, com ênfase no setor agrícola e na localidade
do Faraó.
3. Análise dos dados
Nos meses seguintes ocorreram reuniões internas, sistematização e análise
das informações relativas à produção agropecuária, distribuição da produção,
participação das atividades econômicas e situação fundiária que resultaram
na confecção de gráficos e tabelas e do desenvolvimento de um texto cientí-
fico que apresenta o diagnóstico da situação da realidade rural do município
de Cachoeiras de Macacu e da comunidade de Faraó.
4. Apresentação do projeto e discussão das ações planejadas
Em outubro de 2011, foi realizada uma apresentação para os líderes da
comunidade de Faraó do projeto “Dinâmica da paisagem associada aos indica-
dores para subsidiar o planejamento de uso da terra e a caracterização de
serviços ambientais” (Macroprograma 2 – MP2) e da atividade 5.6 “Boas
práticas agrícolas e potenciais serviços ambientais”. Foram, também, apre-
sentados o histórico de atuação da Embrapa Solos na região, incluindo as
ações desenvolvidas em parceria com o Projeto DINARIO (Mudanças climáti-
cas, dinâmica da paisagem, uso da terra e recursos naturais na Mata Atlânti-
ca, liderado pelo Instituto de Tecnologia nos Trópicos e Subtropicos (ITT) da
Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, pela Universidade de Leipzig e
pela Universidade de Jena. O Projeto DINARIO foi objeto de um termo de
cooperação técnico-científica Brasil Alemanha, firmado entre a Embrapa
Solos e as universidades alemãs e vem desenvolvendo pesquisa na região. Na
ocasião, ficou acertado que seriam realizadas atividades na comunidade,
como entrevistas, dia de campo e elaboração de material divulgação sobre as
boas práticas agrícolas. As apresentações ocorreram no Colégio Municipal
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 13
Professor Carlos Brandão, localizado na comunidade de Faraó, e contou com
a presença de pesquisadores da Embrapa Solos, da aluna de doutorado do
Projeto DINARIO1, de técnicos da EMATER e representantes das Secretarias
Municipais de Agricultura e de Meio Ambiente de Cachoeiras de Macacu,
além de membros da comunidade. Na oportunidade, foi ajustado com agricul-
tores que ocorreriam visitas em algumas propriedades rurais para aplicação
de um breve formulário visando coletar informações, visando caracterizar as
praticas agrícolas adotadas.
5. Levantamento de informações sobre Arranjos Produtivos Locais
Nessa etapa houve o levantamento de informações mais específicas sobre os
arranjos produtivos na comunidade de Faraó. Basicamente, foram realizadas
campanhas de campo para o levantamento de informações, entrevistas e
participação em reuniões com atores locais. Esta etapa ocorreu nos meses de
outubro e novembro de 2011 e de abril e agosto de 2012. Foram adotados os
seguintes procedimentos:
- inserção de perguntas sobre as práticas agrícolas adotadas no formulário de
entrevistas aplicado pela aluna de doutorado do Projeto de Cooperação Brasil
Alemanha. A aplicação dos formulários de entrevista foi acompanhada por
pesquisadores da Embrapa Solos. A metodologia utilizada constou da aplica-
ção de entrevistas em duas fases. A primeira fase foi exploratória, com
perguntas mais gerais para identificar quais eram os sistemas produtivos
típicos; uma vez identificados esses sistemas, um segundo levantamento
objetivou conhecer os sistemas de produção adotados com maior frequência,
bem como as práticas agrícolas utilizadas. Na segunda fase, foram seleciona-
dos alguns produtores, reconhecidos como “produtores típicos” para aplica-
ção de formulários de entrevista mais detalhado.
- acesso aos dados e informações do Levantamento da Realidade da Comuni-
dade Rural, cuja metodologia foi desenvolvida pelo Programa Estadual de
Microbacias Hidrográficas – Programa Rio-Rural e levantamento da realidade
da comunidade rural.
1
Projeto DINARIO - Aluna Vanesa Rodriguez Osuna Institute for Technologies and Resource Management in
the Tropics and Subtropics, University of Applied Sciences, Cologne- Germany:
[Link]@[Link]; [Link]@[Link]; [Link]@[Link]
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
14 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
- acompanhamento de reuniões do Conselho Municipal de Desenvolvimento
Rural, na sede da Prefeitura.
Além do contato com os moradores e produtores da comunidade de Faraó,
houve interação com outros importantes atores locais, como técnicos da
EMATER e representantes das Secretarias Municipais de Agricultura e do
Meio Ambiente.
A partir da análise das informações e dados levantados, foi possível selecio-
nar os sistemas produtivos mais importantes, conhecer a estrutura típica de
uma unidade produção agropecuária local, como tamanho, intensidade
tecnológica, tipo de mão de obra e a rentabilidade. Como também levantar
informações gerais sobre categorias de renda, instituições de crédito, a aces-
sibilidade ao crédito. Desse conjunto de informações resultou o diagnóstico
das atividades produtivas adotadas pela comunidade de Faraó e a identifica-
ção dos principais gargalos produtivos.
As campanhas de campo para a realização das etapas de levantamento de
informações, acompanhamento das entrevistas e participação em reuniões
com atores locais ocorreram em outubro e novembro de 2011, abril e agosto
de 2012.
Caracterização da Área de Estudo
O município de Cachoeiras de Macacu está localizado a 22º27’45" de latitu-
de sul e 42º39’11" de longitude oeste, possuindo área territorial de 956 km².
O município faz parte da região metropolitana do Rio de Janeiro e está
localizado a 75 km da capital do estado, fazendo limites com os municípios da
própria Baixada Litorânea e da região Serrana (BENAVIDES et al., 2009). A
Figura 1 apresenta as principais rodovias da bacia hidrográfica dos rios Guapi-
Macacu, onde está inserido o município de Cachoeiras de Macacu.
O rio Macacu é o maior do município, sendo também o mais expressivo da
região, compreendido a leste da baía de Guanabara, onde ele deságua depois
de se associar ao rio Guapimirim. Sua nascente principal está a aproximada-
mente 1.700 m de altitude, localizada no interior do parque estadual Três
Picos, e sua foz é na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim. A
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 15
maior parte de seu leito é contígua às áreas rurais do município e se une ao rio
Guapimirim a partir do desvio de seu curso natural, com a construção do
canal Imunana, obra cujo objetivo visava à drenagem de áreas da baixada da
bacia (PEDREIRA et al., 2010). A bacia do rio Macacu é caracterizada por
uma paisagem contrastante ao longo da transição entre as terras baixas e as
mais altas da bacia em direção à serra dos Órgãos, onde os topos das colinas
se tornam mais conectados aos fragmentos florestais bem preservados
(MOREIRA et al., 2009).
O município conta com aproximadamente 40% de sua área total coberta
com florestas, sendo a vegetação dominante correspondente à Floresta
Ombrófila Densa, que se encontra bastante fragmentada, sobretudo nas
cotas de menores altitudes (LIMA; MANSUR, 2010). Esse cenário de remo-
ção da cobertura vegetal gera impactos ambientais consideráveis aos corpos
hídricos da região, acarretando processos de assoreamento dos rios, piora da
qualidade da água e diminuição da capacidade de armazenamento das bacias
hidrográficas do município, fatores esses que influenciam diretamente as
condições para a produção agrícola municipal.
Figura 1. Principais rodovias da bacia hidrográfica dos rios Guapi-Macacu.
Fonte: Projeto “Dinâmica espaço-temporal do uso da terra nas bacias hidrográficas dos rios Guapi-Macacu e
Caceribu, RJ: subsídios ao planejamento ambiental” (BENAVIDES et al., 2009).
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
16 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
O município apresenta clima tropical úmido, com médias entre 2.000 mm a
2.500 mm de pluviosidade anual, sendo a estação chuvosa de setembro a
abril, com estiagem moderada de maio a agosto. As temperaturas médias
variam entre 19ºC e 26ºC ao longo do ano (LIMA, 2010). Essas característi-
cas são, todavia, influenciadas pela disposição do relevo, já que o município
possui uma diversidade de ambientes de acordo com a sua localização, como
as planícies costeiras, tabuleiros, colinas, maciços e escarpas serranas (FUN-
DAÇÃO CIDE, 2000). Em áreas de baixada, as médias térmicas são ligeira-
mente mais elevadas ao longo do ano, apresentando no inverno uma estação
menos chuvosa. Nas áreas dominadas por terrenos mais elevados, as tempe-
raturas são mais amenas e o índice de pluviosidade é mais acentuado (LIMA;
MANSUR, 2010).
Resultados e Discussão
Perfil Demográfico
A população residente em Cachoeiras de Macacu apresentou crescimento de
mais de 40% no período compreendido entre 1970 e 2010, atingindo a
marca de mais de 54.000 mil habitantes em 2010 (IBGE, 2010). Apesar
disso, pôde-se notar uma expressiva redução de sua população rural nesse
intervalo de tempo, que sofreu decréscimo de quase 70% em 2010, em
relação ao valor contabilizado na década de 70. A população urbana, no
entanto, se comportou de maneira bastante diferente, pois mais que quadru-
plicou no mesmo período de 30 anos, passando de pouco mais de 10.000
para 46.994 habitantes (Figura 2).
Na década de 80, deu-se a inversão entre população rural e população urba-
na. Até essa década, a população rural era mais representativa que a urbana,
a partir de então a taxa de urbanização foi crescendo e a população urbana
passou a representar a maioria dos habitantes do município (Figura 2).
O crescimento demográfico ocorrido nos últimos anos em Cachoeiras de
Macacu também é reflexo da forte expansão urbana ocorrida na região
metropolitana do Rio de Janeiro, devido à localização próxima desses municí-
pios. As consequências dessa dinâmica são a utilização, muitas vezes inade-
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 17
quada, das terras onde a supressão vegetal associada às atividades humanas
das mais variadas ordens causam impactos dificilmente reversíveis sobre o
meio ambiente local, imprimindo significativas alterações na paisagem. A
ocupação humana ocorreu de maneira mais acentuada nas regiões baixas e
não nas áreas mais altas, cuja altitude e relevo mais acidentado se apresen-
tam como obstáculo. Por isso, as escarpas serranas se configuram como as
áreas mais preservadas do município.
Figura 2. Histórico da população residente em Cachoeiras de Macacu entre 1970 e 2010.
Fonte: IBGE, 2010.
Uso e Ocupação do Solo
Segundo dados do Censo Agropecuário 1996 e 2006 (IBGE, 2012), o municí-
pio apresentou uma significativa diminuição em áreas caracterizadas como
floresta nas últimas décadas (Figura 3). Foi possível notar, também, a manu-
tenção das áreas utilizadas para lavouras e um discreto aumento das áreas
utilizadas para lavouras em descanso e produtivas não utilizadas.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
18 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
60%
50%
40%
30% 1994
2001
20%
10%
0%
vegetação secundária pastagem
floresta ombrófila densa área agrícola urbanização
Figura 3. Uso do solo, por tipo de utilização, em Cachoeiras de Macacu.
Fonte: CEPERJ, 2012.
Cabe ressaltar que no conjunto as classes de utilização das terras do Censo
Agropecuário de 2006 totalizam uma área de 30.455 hectares, das quais
11.003 hectares são de matas plantadas, naturais e de sistemas
agroflorestais, representando 36% da cobertura vegetal dos estabelecimen-
tos agrícolas no município. Ainda há uma considerável área do município que
abriga remanescentes florestais, muitas desses resguardados por unidades
de conservação, como a Estação Ecológica do Paraíso, que ocupa 3.729 ha,
a APA do São João Mico Leão Dourado de 6.183 ha, a APA da Bacia do Rio
Macacu, cuja extensão é de 10.226 ha e o Parque Estadual dos Três Picos
com seus 22.500 ha (FIDALGO et al, 2008).
Produção Agrícola Municipal
A produção agrícola de base familiar assume grande importância no municí-
pio, contrastando com os dados da agricultura não familiar em números de
estabelecimentos, representado por apenas um terço do número de estabele-
cimentos rurais (IBGE, 2012). O fortalecimento da agricultura familiar, por
meio da assistência técnica e de políticas públicas efetivas, foi fundamental
para a manutenção dessas unidades de produção, o que contribuiu para o
abastecimento de alimentos diversificados e de qualidade, tanto dentro como
fora do município.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 19
Em termos de quantidade produzida, o principal produto comercializado na
CEASA em 2010 foi o aipim, seguido de milho verde, inhame, goiaba e jiló,
nessa ordem. Merece destaque também a banana prata, cuja quantidade
comercializada foi de 350 toneladas em 2010.
No que se refere à produção orgânica no município, considerando tanto a
agricultura familiar como a não familiar, em 2006, apenas dois estabeleci-
mentos agropecuários possuem certificação para a produção orgânica de um
total de 1.142 unidades produtivas, respondendo por apenas 0,2%. Entretan-
to, a parcela dos que desenvolve algum tipo de produção orgânica, mas não
apresenta certificação, alcança os 1,3% (15 estabelecimentos) (IBGE,
2012).
Segundo DANTON et al. (2011), a banana passou a ser cultivada nas encos-
tas do município de Cachoeiras de Macacu na década de 1920. No início dos
anos 50, o município cultivava cerca de 2.400 ha e sua produção era
comercializada para outros municípios do estado do RJ. Sua importância
econômica era de tal ordem que os bananais expandiram-se sobre cultivos de
frutas cítricas (a partir de 1920) e de cereais (de 1930 a 1940), chegando a
exportar para o Rio de Janeiro 16.000 toneladas no ano de 1951. O municí-
pio já apresentava em meados do século XX estrutura para o escoamento da
produção de banana. Havia um total de 16 casas exportadoras de produtos
agropecuários, das quais 12 eram exclusivas para a banana.
Atualmente, 90% da produção agrícola do município é destinada à CEASA
Grande Rio, principal central de abastecimento da região metropolitana do
Rio de Janeiro. Em 2010, a produção de banana do município de Cachoeiras
de Macacu representou 2,2% do total produzido no Rio de Janeiro (EMATER,
2012). A produção de banana de Cachoeiras de Macacu entre 2001 e 2010
é apresentada na Tabela 1.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
20 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Tabela 1. Produção da banana (t) em Cachoeiras de Macacu, RJ – Abaste-
cimento da unidade Grande Rio CEASA/RJ, de 2001 a 2010.
Cultura 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Banana 0 1 - 8 35 9 4 0
’Figo’
- -
Banana 1
’Maçã’
Banana 53 57 45 25 13 16 14 8
‘Nanica’
67- 139-
- - - - - - -
Banana 1.049 1.228 1.210 1.326 1.117 1.294 956 974 760 305
‘Prata’ - - - - - - -
Banana
‘São - - - - - - - - - -
Tomé’
Banana 0 - - - - - 0 0 - 1
‘Terra’ - - - - - - - - - -
Total 1.102 1.295 1.349 1.384 1.162 1.327 1.004 999 778 314
Em 2010, a produção total de banana que chegou à CEASA Grande Rio foi de
314.264 kg (Tabela 1). Na Tabela 2 é apresentada a evolução da produção
de banana em Cachoeiras de Macacu no período de 2001 a 2010. Note-se na
Tabela 2 que a banana ‘Prata’ representa a variedade mais produzida no
município, respondendo por cerca de 96% do total da banana comercializada
no ano 2010. Isso devido principalmente às condições edafoclimáticas propí-
cias ao seu cultivo e a boa aceitação no mercado.
Os dados apresentados na Tabela 2 apontam para diminuição da área colhida
entre 2001 e 2011, correspondente a uma queda de mais de um terço no
período. Entretanto, a produtividade esteve praticamente estagnada. Essa
estagnação pode indicar que alguns fatores isolados ou em conjunto, afeta-
ram o sistema produtivo, tais como manejo inadequado, pragas e doenças ou
mesmo queda do preço de venda no mercado no período, o que justificaria
redução de investimentos no sistema produtivo. A título de comparação, em
2011, a produtividade média nacional foi de 14,6 t/ha, ou seja, bastante
superior a do município, entretanto, a produtividade média do estado do Rio
de Janeiro foi de 6,6 t/ha, portanto inferior ao do município (IBGE, 2012).
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 21
Tabela 2. Área colhida (ha), produção (t) e produtividade (t/ha) de banana
no município de Cachoeiras de Macacu, RJ - 2001 a 2011.
BANANA (cacho) 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Área colhida
1.800 1.800 1.800 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 550 550 550
(ha)
Quantidade
15.000 15.000 6.720 8.600 8.600 8.600 8.600 8.600 4.730 4.730 4.730
produzida (t)
Produtividade
8,3 8,3 3,7 8,6 8,6 8,6 8,6 8,6 8,6 8,6 8,6
(t/ha)
Comunidade Rural de Faraó
A localidade rural do Faraó encontra-se no 2º distrito de Cachoeiras de
Macacu, localizada a 10 km de distância da sede do município. O principal rio
da região é o Batatal, tendo relevante importância para as comunidades locais
juntamente com seus afluentes Bata, Xixá e Maratuã, já que se configura como
a única fonte de recursos hídricos para o consumo local, servindo também
como depositário das águas servidas. A estrada existente na região faz ligação
apenas com o centro, não havendo conexões com outras comunidades. A
região de Faraó é subdividida em três localidades, a saber, Faraó de Cima,
localizada na cabeceira da bacia, Bom Jardim de Faraó, na parte intermediária
e Faraó de Baixo. A Figura 4 mostra a localização de Faraó, ressaltando a
posição de Bom Jardim do Faraó e Faraó de Cima, em relação à estrada.
Atualmente, há duas escolas em funcionamento na localidade rural de Faraó,
além de uma que se encontra desativada, um posto de saúde e uma linha regular
de transporte público. As residências da comunidade possuem energia elétrica,
mas não há serviço de telefonia fixa (RIO-RURAL, 2011).
Faraó é uma das regiões produtoras mais significativas dentro do município,
apresentando um mosaico de fragmentos florestais, pastagens e agricultura
extensiva e intensiva. Essa região tem como principais atividades econômicas
a produção agrícola e a criação de animais, a saber: em Faraó de Cima, o
cultivo predominante é a banana, em Bom Jardim de Faraó, a olericultura
predomina na paisagem, muito embora se possam ver alguns bananais e
áreas de pastagem nas encostas e, em Faraó de Baixo, o principal uso do solo
é com pastagens, tanto para rebanhos bovinos quanto para equinos2.
2
Comunicação pessoal Pablo Azevedo Ferraz, Secretaria de Agricultura do Município de Cachoeiras de
Macacu, RJ.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
22 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Figura 4. Localização de Faraó e Faraó de Cima.
Fonte: Cachoeiras de Macacu (2006).
Os produtores de Faraó de Cima estão organizados na Associação dos produ-
tores, lavradores e amigos de Faraó – ALAF desde a década de 80, com a
finalidade de buscar maior autonomia para a comercialização de seus produ-
tos, principalmente da banana. Atualmente possuem um caminhão utilizado
para transportar a produção de banana até a unidade da CEASA do município
do Rio de Janeiro.
De acordo com o levantamento do Rio-Rural3, há 136 famílias residentes em
Faraó, cuja situação fundiária está apresentada na Tabela 3.
Na Tabela 3, pode-se observar a situação fundiária nas propriedades rurais de
Faraó em que somente 15% dos entrevistados se declaram proprietários de
suas terras, coincidindo com uma preocupação dos agricultores, levantada em
3
Levantamento da Realidade da Comunidade Rural (CENSO) – Metodologia de Planejamento Participativo
em Microbacias Hidrográficas. Rio Rural - Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável em
Microbacias Hidrográficas.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 23
conversas informais, quanto à legalização da posse das terras nas localidades
visitadas (Tabela 3). Das 136 famílias entrevistadas pelo Programa Rio-Rural,
somente 45 responderam sobre o tamanho de suas propriedades. Em média, as
propriedades amostradas possuem 18 ha, sendo o máximo de 100 ha.
Ainda de acordo como dados do Rio-Rural, do total de 136 entrevistados, 54
(40%) trabalham exclusivamente na terra, sendo que a maioria trabalha na
propriedade da família. Os demais 60% não trabalham exclusivamente em
suas propriedades, ou seja, prestam também serviços em outras proprieda-
des (24%) e/ou deslocam-se para o centro para trabalhar (16%).
Quanto às mulheres, de um total de 109, 26% (28 mulheres) realizam ativi-
dades na roça da família, das quais apenas 4 declaram desenvolver outra
função além dessa. Entre as demais, cerca de 28% (31 mulheres) declaram-
se como sendo do lar e as restantes desenvolvem atividades em outros locais,
na grande maioria acumulando tarefas domésticas. Esses dados indicam que
o perfil socioeconômico da comunidade de Faraó é composto principalmente
por agricultores familiares.
Entre os jovens, do total de 66 entrevistados, apenas 4% trabalham na
propriedade da família. Esse dado indica que o fortalecimento da agricultura
familiar pode contribuir para o aumento da fixação do jovem no campo.
Tabela 3. Situação fundiária na comunidade Faraó – Cachoeiras de Macacu,
RJ, ano de 2011.
Falta o cabeçalho da tabela
Proprietários 21
Arrendatários 3
Parceiros 5
Ocupante 50
Sem enquadramento 57
Total 136
Fonte: Rio-Rural, 2011.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
24 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Boas Práticas Agrícolas (BPA) recomendadas para o
cultivo da banana na localidade de Faraó
Para se pensar em BPA na comunidade do Faraó é imprescindível considerar
o cultivo tradicional da banana. A bananicultura faz parte da cultura local,
sendo um dos principais gêneros produzidos na região, havendo registros de
bananais manejados há 80 anos pela mesma família no Faraó.
Algumas características definem a produção de banana na comunidade de
Faraó. A maioria delas relacionada com a falta de recursos, parcerias e
assessoria técnica e o baixo preço da banana no mercado. Segundo os agri-
cultores, a qualidade da terra na região é boa, mas não há registro de análise
de fertilidade do solo para a implantação dos bananais.
Como esbarram em dificuldades financeiras e não dispõem de auxílio técnico,
os produtores fazem uso de fertilizantes e herbicidas por conta própria, o que
nem sempre implica em melhora efetiva na produtividade, podendo ainda
representar riscos à saúde da população local, sobretudo às pessoas que
lidam diretamente com os agroquímicos. Além disso, pode promover conta-
minações ao solo, água e outras culturas – o que contraria os princípios de
Boas Práticas Agrícolas.
A escassez de mão de obra para atuação nas atividades agrícolas é outra
questão que se apresenta no Faraó. Esse fato pode ser notado, inclusive,
dentro dos próprios núcleos familiares, conforme já comentado. Apenas 4%
dos jovens entrevistados trabalham na propriedade da família (Programa Rio-
Rural, 2011), refletindo a falta de incentivo para a manutenção da agricultura
familiar.
É altamente recomendada à adoção de práticas que visem à conservação do
solo e da água como Boas Práticas Agrícolas no Faraó, conhecidas como
práticas conservacionistas, já que a produção de banana na comunidade em
geral é feita em encostas, no sentido morro abaixo (Figura 5).
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 25
Foto: Federico Werner.
Figura 5. Cultivo de banana em encosta, sem curva de nível.
As práticas conservacionistas podem ser entendidas como as tecnologias
utilizadas no controle da erosão que visam reduzir e/ou impedir o impacto
direto das gotas da chuva sobre a superfície do solo, conservando sua fertili-
dade e suas características físicas, químicas e biológicas e auxiliando no
aumento da infiltração da água da chuva e da irrigação (CAPECHE, 2005).
As práticas conservacionistas podem ser chamadas de vegetativas, edáficas
e mecânicas. As vegetativas visam manter a cobertura vegetal dos solos.
Alguns exemplos são: o reflorestamento das terras de relevo acidentados e/
ou declividade elevada, a rotação de culturas e o plantio sobre os restos da
cultura anterior. As práticas edáficas estão relacionadas às atividades de
preparo do solo para receber as culturas agrícolas, como, por exemplo, o
plantio na palha da cultura anterior, sem revolvimento do solo (plantio direto)
e o plantio em nível. No plantio em nível (curva de nível), não se deve plantar
no sentido da declividade do terreno, pois quando o terreno é cortado morro
abaixo, a água da chuva ganha velocidade e arrasta sedimentos, adubos,
sementes e mudas, favorecendo a erosão. Já as práticas conservacionistas
mecânicas visam evitar e ou minimizar o escorrimento superficial da água da
chuva, conduzindo o excesso de água para locais protegidos com vegetação,
onde a água será armazenada até sua infiltração, evaporação, ou ainda, ser
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
26 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
armazenada para ser utilizada por animais. Como exemplo dessa última,
pode-se citar a construção de barreiras físicas para desviar a enxurrada, a
construção de terraços (murundus com valas) ou apenas valas, ou mesmo o
plantio em contorno (seguindo as curvas de nível e não morro abaixo), deixan-
do pequenos sulcos e camalhões na superfície dos solos.
A maioria dos plantios de banana em Faraó é realizada nas encostas e áreas
com declive acentuado com a presença de árvores ao redor. Ressalta-se que,
quanto ao uso do solo, as áreas onde estão instaladas a bananicultura no Faraó,
em geral, não podem ser desmatadas, pelo fato de que se tratam de Áreas de
Proteção Permanentes (APP) ou devido à Lei da Mata Atlântica4, ou ainda
porque são áreas de amortecimento das áreas de proteção e unidades de
conservação. Dessa forma, para a renovação desses bananais não são permiti-
dos supressão da vegetação primária ou secundária, em estágio médio e avan-
çado de regeneração, sendo nesse caso a banana plantada em sistemas
agroflorestais. O corte ou a supressão da vegetação secundária em estágio
inicial de recomposição é permitido apenas para pequenos agricultores que
comprovem que necessitam desmatar para sua manutenção e de suas famílias,
sendo necessária autorização específica de órgão ambiental competente5, no
caso do Faraó, o Instituto Estadual de Meio Ambiente - INEA.
Deve-se salientar a importância de programas de governo que incentivam a
produção familiar na região. É o caso do Programa Nacional de Alimentação
Escolar (PNAE), que através da Lei n° 11.947/2009 determina a utilização
de pelo menos 30% de recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desen-
volvimento da Educação (FNDE) para a compra de produtos provenientes da
agricultura familiar, a fim de fornecer alimentos para as escolas públicas. Os
agricultores do Faraó participam do PNAE com a venda de banana, por meio
da associação local (ALAF). Conforme relato dos agricultores, a venda da
banana para merenda escolar compensa financeiramente, justificando inclu-
4
Lei n° 11.428, 2006. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata
Atlântica, e dá outras providências. [Link]
[Link]
5
Decreto n° 6.660, 2008. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata
Atlântica, e dá outras providências. [Link]
decreto/[Link]
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 27
sive, o retorno de investimentos no aumento da produtividade e no aumento
da qualidade dos frutos.
Na Tabela 4, pode-se observar o resumo das principais Boas Práticas Agríco-
las recomendadas para o cultivo da banana na localidade de Faraó, as
metodologias utilizadas para o levantamento e os resultados esperados.
Tabela 4. Boas Práticas Agrícolas recomendadas, metodologias utilizadas
para o levantamento e resultados esperados na produção agrícola.
N. BPA Metodologia Resultados esperados
Levantamento
1 Escolha da área para o plantio
2. Análises química e física do solo antes da implantação Entrevistas Aumento produtividade
(se for o caso) e análise química anualmente
3 Preparo área e conservação do solo
3.1 Fertilização e correção da acidez com base na análise Visitas técnicas Aumento produtividade
química do solo.
3.2 Manejo e conservação do solo – plantas de cobertura, Entrevistas e visitas Aumento produtividade e
renques de vegetação e manejo da biomassa da técnicas da qualidade frutos
bananeira
4 Origem e qualidade das mudas: Visitas técnicas Aumento produtividade e
Escolha variedades (resistentes a pragas e doenças e da qualidade frutos
aceitas no mercado).
5 Plantio: Covas e sulcos: Época de plantio e Visitas técnicas Aumento produtividade
espaçamento entre plantas
6 Tratos culturais (desbaste, desfolhas, adubações de Entrevistas e visitas Aumento produtividade e
manutenção, capinas) técnicas da qualidade frutos
7 Controle fitosanitário com base no monitoramento de Entrevistas e visitas Aumento produtividade e
pragas (moleque da bananeira) e doenças (Sigatoka- técnicas da qualidade frutos
amarela)
8 Colheita Entrevistas e visitas Aumento qualidade dos
técnicas frutos e redução perdas
9 Pós-colheita (classificação e embalagem e Entrevistas e visitas Aumento qualidade dos
armazenamento frutos) técnicas frutos e redução perdas
10 Comercialização Cuidados acondicionamento dos Entrevistas e visitas Aumento qualidade dos
frutos técnicas frutos e redução perdas
As Boas Práticas Agrícolas recomendadas para o cultivo da banana na comu-
nidade de Faraó são detalhadas a seguir:
1) Escolha da área para o plantio. Escolha a área deve levar em conta que as
áreas preferenciais são as mais planas ou pouco onduladas, com boa capaci-
dade de retenção de água e drenagem, com solos profundos, de textura
média e ricos em matéria orgânica. Evitar áreas sujeitas a ventos fortes
(BORGES et al., 2011)
2) A análise química do solo é uma demanda dos agricultores. Ela deve ser
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
28 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
realizada antes da instalação do bananal e também a cada ano (BORGES;
SOUZA, 2004), sendo esta última a prática mais recomendada para a região,
tendo em vista que os bananais já estão implantados e que o que se almeja é
o aumento da produtividade sem que, para isso, necessariamente seja reque-
rido aumento da área cultivada.
3) A aplicação de fertilizantes e a correção da acidez dos solos são variáveis
de acordo com o resultado da análise química do solo em cada área, porém é
muito importante que o solo seja rico em nutrientes e matéria orgânica para o
cultivo da bananeira e sua acidez esteja de entre 6,0 e 6,5 (MANICA, 1997).
De modo a melhorar as condições química, física e biológica dos solos, reco-
menda-se a adubação orgânica, como, por exemplo, o plantio de leguminosas
nas entrelinhas, com o cuidado de deixá-las sobre o solo após o corte, além de
outras práticas, como o aproveitamento de estercos, resíduos
agroindustriais, palhadas, compostos orgânicos, resíduos da bananeira e mes-
mo de vegetação espontâneas previamente roçadas (BORGES et al., 2006).
Em áreas mais declivosas é fundamental que o adubo selecionado seja aplica-
do na parte mais elevada do terreno (MANICA, 1997). O autor recomenda
ainda que o adubo seja distribuído em semi-coroa no lado mais elevado de
cada planta, porque com a ocorrência de chuvas a água favorece sua distri-
buição no solo. Em geral, recomenda-se a abertura de covas de cerca de 30
cm x 30 cm x 30 cm ou 40 cm x 40 cm x 40 cm de dimensão, variando de
acordo com o tamanho da muda e o volume de matéria orgânica a ser
utilizada (BORGES et al., 2011).
4) À ocasião do pré-plantio, é importante que se dê preferência às variedades
resistentes a pragas e doenças, porém com aceitação no mercado. É uma
demanda dos agricultores que se trabalhe com novas variedades de banana
que sejam mais resistentes, pois a produção sofre com doenças e pragas que
comprometem sua qualidade, dentre as quais se destacam a Sigatoka-amare-
la, o Mal-do-Panamá e os nematóides. Entretanto, não se pode esquecer que
estas variedades também tenham qualidade aceita pelo consumidor.
5) A época correta para o plantio é muito importante para a comunidade
Faraó, por se tratar de uma região úmida e com grande ocorrência de pragas
e doenças relacionadas à alta umidade. Os períodos mais recomendáveis para
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 29
o plantio das mudas da banana são no final da época seca, pois sua necessida-
de de água nos três primeiros meses após o plantio é menor. A época de
maior pluviosidade deve ser evitada para o plantio para que se minimizem as
possibilidades de apodrecimento das mudas devido a um possível
encharcamento do solo (LIMA, 2005).
6) A fim de se favorecer o controle de pragas e doenças e manter uma boa
produção, recomenda-se o desbaste nos bananais, sendo realizado preferen-
cialmente três vezes por ano, eliminando-se o excesso de filhotes entre 20
cm a 30 cm de modo que seja mantida uma família com mãe, filho e neto ou
mãe e dois filhos. Indica-se, também, a desfolha e o corte do pseudocaule
após a colheita.
7) Para o controle fitossanitário é importante destacar as principais doenças
e pragas incidentes no cultura da banana na localidade de Faraó e suas
respectivas medidas profiláticas:
- A Sigatoka Amarela é causada pelo fungo Mycosphaerella musicola
(Pseudocercospora musae (Zimm) Deighton) e, em condições de infecção
moderada, é comum à perda de metade da produção de um bananal,
podendo chegar a dizimá-lo completamente em apenas dois anos, em
condições muito favoráveis ao desenvolvimento do fungo (BORGES et al.,
2006). As condições climáticas são fatores que exercem forte influência
para infecção e disseminação da doença, principalmente temperatura e
umidade. Há indícios de focos de disseminação da doença principalmente
em bananais abandonados ou com pouco manejo. Para seu controle é
importante que diversas práticas sejam realizadas, como a utilização de
mudas sadias e resistentes, a drenagem do solo para controle de umidade,
o combate às plantas daninhas, a desfolha e desbaste do bananal (DIAS,
2008). A aplicação de óleos minerais e vegetais tem ação protegendo as
folhas do agente causal da Sigatoka e pode ser usada durante o período
chuvoso em combinação com práticas culturais. Na Figura 6, pode-se
observar um bananal com sintomas da Sigatoka Amarela no Faraó. Neste
caso, os sintomas externos se apresentam com grande área foliar com-
prometida em estádio avançado da doença. A remoção dos restos florais
também deve ser feita, evitando possíveis fontes de inóculo de fungos
(BORGES et al., 2006).
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
30 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Foto: Federico Werner.
Figura 6. Bananal com sintomas da doença Sigatoka Amarela.
- O mal do panamá é causado pelo fungo de solo Fusarium oxysporum f.
sp. Cubense e é considerado um dos mais graves problemas sanitários da
produção de banana, chegando praticamente a dizimar as variedades mais
suscetíveis à doença, principalmente a ‘Maçã’. Presente em todos os
estados brasileiros, a doença se manifesta pelo progressivo
amarelecimento e murcha das folhas, fazendo com que a bananeira apre-
sente um aspecto de guarda chuva fechado. Deve-se ter especial atenção
ao uso de materiais de plantio contaminados e utilização de água para
irrigação que possam transmitir o fungo. No que se refere às medidas de
controle, é recomendável que se utilizem variedades resistentes ou tole-
rantes, se evitem áreas onde a doença já tenha sido relatada, se controle
o pH do solo mantendo-o próximo à neutralidade e se cuide da nutrição das
plantas, de forma a minimizar a propagação do fungo (DIAS, 2008).
- As nematoses são causadas por várias espécies de nematóides parasitas
que comprometem a fisiologia da planta, pois alteram o fluxo de nutrien-
tes em seu interior. Como é muito difícil erradicar os nematóides, uma vez
que o bananal tenha sido contaminado, deve-se dar preferência às mudas
sadias na reforma dos bananais do Faraó e a rotação das áreas de plantio.
Recomenda-se conforme preconizado por Ribeiro et al. (2008) estimular o
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 31
consórcio entre banana e plantas antagonistas, como crotalária
(Crotalaria juncea), alfafa (Medicago sativa), coentro (Coriandrum
sativum), rabanete (Raphanus sativus), quiabo (Abelmoschus esculentus),
visando o controle das nematoses na localidade do Faraó
- A broca do rizoma (Cosmopolites sordidus (Germ.)) é considerada a princi-
pal praga da bananeira. Além do uso de mudas sadias, recomenda-se o
monitoramento dessa praga com iscas e o controle biológico com Beauveria
bassiana. Pode-se utilizar ainda, principalmente em pequenas plantações,
como o caso do Faraó, o sistema de catação semanal dos insetos nas iscas.
Além disso, a fim de se favorecer o controle dessa e de outras pragas
recomenda-se o desbaste nos bananais, sendo realizado preferencialmente
três vezes por ano, eliminando-se o excesso de filhotes entre 20 cm a 30
cm de modo que seja mantida uma família com mãe, filho e neto ou mãe e
dois filhos. Indica-se, também, a desfolha e o corte do pseudocaule após a
colheita.
8) O manejo do cacho deve ser feito com bastante atenção, pois algumas
práticas são fundamentais para o desenvolvimento dos frutos, além de terem
seu período de realização bem definidos, como por exemplo, a eliminação do
coração da bananeira que deve ser realizada duas semanas após a emissão do
cacho. Na mesma ocasião, deve-se eliminar a última penca, visando à colhei-
ta de cachos mais homogêneos e o ensacamento do cacho, caso seja possí-
vel, levando-se em conta os custos e a pouca mão de obra para lidar no
bananal.
9) Recomenda-se no momento da colheita evitar danos causados aos frutos
no transporte, sendo feita a colheita com proteção de ombros e berços
almofadados para sua retirada do bananal. Vale ressaltar que a banana apre-
senta um rápido amadurecimento quando retirada do cacho e amassa com
facilidade por ter uma casca pouco resistente. Diagnosticou-se essa etapa
como uma forte fragilidade da qualidade da produção na localidade do Faraó,
pois os produtores contam apenas com um animal de carga (burro) para
realizar esse transporte da produção das encostas, quase sempre sem cuida-
dos ou proteção, o que habitualmente causa danos aos frutos. Neste tipo de
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
32 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
manejo após a colheita, os cachos sofrem compressão no lombo do burro
para que a carga não se desfaça. Os efeitos desta prática vão se manifestar
quando os frutos amadurecerem, revelando os danos físicos recebidos.
10) Para o período pós-colheita é importante que a manutenção da higiene de
instalações e equipamentos ocorra com frequência, a fim de que se evitem
contaminações cruzadas de origens microbiológicas, físicas ou químicas. É
recomendável haver uma casa de embalagem muito próxima ao bananal,
onde se possa contar com um tanque de lavagem das pencas, área de
embalagem e balança.
11) O acondicionamento em caixas deve ser feito com cuidado para que os
frutos não sejam machucados. É recomendável ainda não forçar seu arranjo
nas embalagens evitando que sofram outros danos físicos por compressão,
impacto ou abrasão. Além disso, deve-se evitar o contato direto de produtos
já embalados com superfícies possivelmente contaminadas e assegurar as
condições sanitárias de caixas e demais recipientes em seus locais de
armazenamento (CENCI, 2006). Na localidade do Faraó, esta é uma fragilida-
de, uma vez que os frutos são acondicionados sem cuidados nas caixas,
sendo pressionados e danificados, conforme se pode observar na Figura 7.
12) Os frutos podem ser conservados mediante resfriamento como a
frigoconservação, por períodos de uma a três semanas, ou em atmosfera
controlada, por até quatro meses (BORGES; SOUZA, 2004). Mas a prática
observada em Faraó é somente a climatização, utilizando-se de câmaras com
os controles da temperatura do ambiente interno, da umidade relativa e da
liberação do gás etileno utilizado para o amadurecimento. Na região de Faraó,
para essa prática há duas câmaras de climatização disponíveis, sendo que o
maior cuidado que se deve ter é relativo ao empilhamento das caixas em seu
interior. Se essa etapa não for devidamente realizada, corre-se o risco de a
circulação do ar ficar comprometida e com isso a uniformização da
maturação dos frutos não ocorra (BORGES; SOUZA, 2004).
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 33
Foto: Federico Werner.
Figura 8. Bananas apresentando danos físicos.
Conclusão
A região de Faraó é predominantemente agrícola com potencial de fornecer
alimentos para a região metropolitana do Rio de Janeiro devido à sua proximi-
dade. Em Faraó, é grande a importância do cultivo de banana, entretanto os
agricultores se queixam que algumas questões práticas que têm sido entra-
ves para a produção de banana. Foram diagnosticadas algumas fragilidades e
potencialidades da produção de banana na comunidade em questão, e acredi-
ta-se ser possível fazer recomendações técnicas de acordo com o que é
viável de ser realizado, com fins de incrementar o desenvolvimento de uma
agricultura sustentável social e ambientalmente. Para isso, recomendam-se
algumas práticas agrícolas que, sugeridas a partir do diagnóstico local, visem
a incrementar a qualidade e a produção da banana na localidade do Faraó.
As etapas produtivas que inspiram maiores cuidados e suas respectivas justi-
ficativas para a adoção de BPA visando o desenvolvimento de uma produção
sadia são: (a) o pré-plantio, plantio e o manejo dos cachos que são de suma
importância para se evitar as pragas, doenças e nematoses. (b) a colheita e
pós-colheita devido à detecção da ocorrência de danos físicos, químicos e
microbiológicos nos frutos que abastecerão o mercado consumidor.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
34 Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ
Futuramente o que se espera é que a comunidade de Faraó possa alcançar
mercados alternativos por meio, por exemplo, de um processo de
certificação orgânica e que os serviços ambientais inerentes à
implementação de Boas Práticas Agrícolas possam ser reconhecidos e valori-
zados pelo mercado consumidor.
Agradecimentos
Ao Ricardo Trippia dos Guimarães Peixoto, líder do MP2 Dinâmica da paisa-
gem associada a indicadores para subsidiar o planejamento de uso da terra e
a caracterização de serviços ambientais.
Ao Cláudio Lucas Capeche, responsável pelo PA5 Avaliação participativa de
indicadores para subsidiar o planejamento do uso e manejo das terras.
Ao Pablo Azevedo Ferraz, da Secretaria de Agricultura do Município de
Cachoeiras de Macacu, e Thabta Matos da Mata, da Secretaria de Meio
Ambiente do Município de Cachoeiras de Macacu; Jocemir José da Silva e
toda a equipe do escritório da Emater de Cachoeiras de Macacu.
À Pesquisadora Rachel Bardy Prado e sua aluna de Doutorado Vanesa
Rodríguez Osuna.
Ao Programa Rio-Rural, principalmente à Helga Hissa (Diretora Técnica) e
Marcelo Monteiro (Coordenador do Monitoramento).
Ao Senhor Valzinho, presidente da ALAF.
Boas práticas agrícolas recomendadas para o cultivo de banana na comunidade do
Faraó em Cachoeiras de Macacu, RJ 35
Referências
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