Portugal
Características-chave do sistema de ensino
Governança
A educação em Portugal é organizada de acordo com os princípios democráticos
estabelecidos pela Constituição da República, aprovada em 1976,
especialmente no que respeita à liberdade de ensinar e aprender (art. n.º 43), aos
direitos dos cidadãos e aos deveres do estado no plano educativo (artigos 73-77).
Estes princípios foram basilares para a elaboração da Lei de Bases do Sistema
Educativo, aprovada em 1986, onde se definem os objetivos, estruturas e modos
de organização da educação.
A Educação pré-escolar, os ensinos básico, secundário e superior e a educação
extraescolar são da responsabilidade do Ministério da Educação, Ciência e
Inovação (MECI) que, na prossecução da sua missão, é responsável pela
definição, coordenação, execução e avaliação da política nacional relativa ao
sistema educativo, bem como pela articulação da política de educação com as
políticas de qualificação e formação profissional.
O MECI tem ainda como atribuições, entre outras, a conceção e formulação de
medidas de política nas áreas da ciência e do ensino superior e a inovação de
base científica e tecnológica, bem como os respetivos modos de organização,
financiamento, execução e avaliação.
O Ensino e Formação Profissional e a Educação de Adultos têm dupla tutela do
MECI e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS). As
atribuições destes ministérios são prosseguidas através de serviços integrados na
administração direta do Estado, de organismos integrados na administração
indireta do Estado, de órgãos consultivos, e de outras estruturas e entidades.
A rede escolar está organizada em agrupamentos de escolas e em escolas não
agrupadas, unidades organizacionais do sistema educativo, com órgãos próprios
de administração e gestão, constituídas por estabelecimentos de educação pré-
escolar e de um ou mais níveis/ciclos de ensino, a partir de um projeto
pedagógico comum.
O MECI é responsável pela gestão da rede de estabelecimentos de educação pré-
escolar e dos ensinos básico e secundário. No entanto, os agrupamentos de
escola gozam de alguma autonomia, nomeadamente ao nível pedagógico e
na gestão dos horários letivos e do pessoal não docente. Reformas
recentes alargaram a autonomia dos agrupamentos de escola à gestão curricular
(Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho) e promoveram a descentralização,
atribuindo responsabilidades aos municípios no âmbito do investimento,
equipamento e manutenção de edifícios escolares, fornecimento de refeições
escolares e gestão de pessoal não docente (Decreto-Lei n.º 21/2019, de 30 de
janeiro).
As instituições de ensino superior gozam de autonomia científica, pedagógica,
cultural e disciplinar (Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro).
Nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, a administração da educação é
da responsabilidade dos Governos Regionais, através das respetivas Secretarias
Regionais de Educação, as quais adaptam a política educativa nacional a um
plano regional e aos recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis.
Organização e estruturas
De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo, aprovada pela Lei n.º 46/86,
de 14 de outubro, o sistema educativo português está dividido em três níveis de
ensino: a Educação Pré-Escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário.
O sistema educativo português tem, assim, início na Educação Pré-Escolar,
com um ciclo de frequência opcional dos 3 aos 6 anos de idade, continuando com
o Ensino Básico, que compreende três ciclos sequenciais:
o 1.º ciclo de 4 anos e início da escolaridade obrigatória (grupo etário
esperado 6 - 10 anos);
o 2.º ciclo de 2 anos (grupo etário esperado 10 - 12 anos);
o 3.º ciclo com uma duração de 3 anos (grupo etário esperado 12 - 15 anos).
O Ensino Básico tem uma via única para todos os alunos. Porém, em algumas
escolas existe uma oferta de ensino artístico, que acrescenta ao currículo geral
uma formação complementar numa área artística (cursos artísticos
especializados (CAE)).
O Ensino Secundário corresponde a um ciclo de três anos de escolaridade [10.º,
11.º e 12.º anos, grupo etário esperado 15 - 18 anos de idade] e visa
proporcionar aos alunos uma formação e aprendizagens diversificadas, de acordo
com os seus interesses, com vista ao prosseguimento de estudos e ou à inserção
no mercado de trabalho. Neste âmbito, existem os seguintes cursos:
1. Cursos Científico-Humanísticos;
2. Cursos Profissionais;
3. Cursos Artísticos Especializados;
4. Cursos com planos próprios (Cursos Científico-Tecnológicos).
A escolaridade obrigatória tem a duração de 12 anos, começando aos 6 anos de
idade e terminando aos 18 anos ou com a conclusão do ensino secundário (CITE
3). O ensino público é gratuito e universal a partir dos 4 anos de idade, incluindo
a etapa final do pré-escolar, sendo que, atualmente, está em curso uma medida
educativa que procura estabelecer o equilíbrio, ainda não alcançado, entre a
procura e a oferta de vagas neste nível de ensino, para as crianças de 3 anos,
nomeadamente aquelas que residem em zonas do país com maior densidade
populacional.
O Sistema Nacional de Qualificações (SNQ) integra estruturas, instrumentos e
modalidades de ensino e formação profissional (EFP) que, em articulação com
Quadro Europeu de Qualificações (QEQ), visam a promoção da generalização do
nível secundário como qualificação mínima da população, quer através do
aumento e generalização da oferta de EFP, quer através do reconhecimento,
validação e certificação de competências de aprendizagens formais, informais e
não formais. No caso da educação de adultos, pretende alargar os níveis
educativos e de qualificação, a partir da rede de Centros Qualifica.
A avaliação no sistema educativo português compreende as dimensões
formativa e sumativa, bem como as modalidades interna e externa. Existe
avaliação externa das aprendizagens em todos os níveis CITE: provas de aferição
(avaliação diagnóstica a nível nacional, sem classificação quantitativa, para aferir
conhecimentos e agir atempadamente na melhoria das aprendizagens) nos anos
intermédios (2.º, 5.º e 8.º) do 1.º e 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (CITE 1) e
ainda exames finais nacionais no final do ensino básico (CITE 2), no 9.º ano
(Despacho normativo n.º 1-F/2016, de 5 de abril e Despacho normativo n.º 4-
A/2018, de 14 de fevereiro). No ensino secundário (CITE 3) os alunos dos Cursos
Científico Humanísticos realizam quatro exames nacionais de conclusão,
distribuídos pelos dois últimos anos de formação (11.º e 12.º anos), mas algumas
alterações foram introduzidas neste nível de ensino.
Para mais informação, consulte os subcapítulos 6.3 Sistema de avaliação do
ensino secundário geral e 14.2 Reformas na educação escolar.
A avaliação externa das escolas é realizada por um serviço público de inspeção
educativa. Os resultados desses processos de aferição e de avaliação são
tornados públicos.
Desafios importantes
Nas últimas décadas, Portugal tem feito um enorme esforço de promoção da
qualificação da sua população, o que se traduziu em progressos substanciais em
matéria de educação: garantia de acesso universal, redução do abandono
escolar, atingindo as metas definidas pela UE e qualificação do sucesso
educativo, melhorando significativamente o desempenho dos alunos portugueses
nos testes comparativos internacionais. Contudo, o país enfrenta alguns desafios
demográficos, relacionados com o envelhecimento da população e níveis baixos
de natalidade, com movimentos migratórios, tal como todos os outros países da
União Europeia, ficando com a missão de conceber e desenvolver políticas
públicas que permitam o combate a essa escassez e à integração das crianças e
dos jovens imigrantes, garantindo que todos os alunos estrangeiros que não
dominam a língua portuguesa a possam aprender através da frequência da
disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM).
Portugal continua a apresentar um défice estrutural das qualificações da
população adulta.
À semelhança do que acontece noutras sociedades, surge uma nova reflexão que
levanta questões de natureza ética, pedagógica, tecnológica e educativa, sobre
os desenvolvimentos das novas formas de ensinar e aprender com recurso à
inteligência artificial (IA). A IA tem um enorme potencial para interferir e melhorar
as formas como as crianças e os jovens aprendem e como os professores
ensinam e avaliam.
Profissão docente
Existe uma única carreira profissional para os docentes dos níveis de ensino não
superior, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário. O ingresso
na carreira implica a titularidade de um diploma de segundo ciclo (CITE 7 –
Mestrado).
Etapas do sistema de ensino
O sistema de ensino português está dividido em educação pré-escolar (desde os
3 anos de idade até à entrada no ensino básico), ensino básico (dos 6 aos 15 anos
de idade) e ensino secundário (dos 15 aos 18 anos de idade).
Educação pré-escolar (CITE 0)
A educação pré-escolar abrange crianças dos 3 anos até à idade da escolaridade
obrigatória (6 anos). A sua frequência é opcional, reconhecendo-se à família o
primeiro papel na educação dos filhos. No âmbito de uma política de
universalização deste ciclo educativo, tornou-se a educação pré-escolar universal
para crianças a partir dos 3 anos de idade e tem vindo a ser alargada a rede de
estabelecimentos.
A oferta para crianças com menos de 3 anos, com um foco especial no
acolhimento e cuidados infantis (CITE 010) (resposta creche), não faz parte do
sistema educativo e está sob a responsabilidade do Ministério do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).
Ensino básico (CITE 1 e 2)
O ensino básico é universal, obrigatório e gratuito e tem a duração de nove anos.
Organiza-se em três ciclos sequenciais, cabendo a cada um completar e
aprofundar o anterior, numa perspetiva de unidade global:
1.º ciclo (CITE 1) corresponde aos primeiros 4 anos da escolaridade (1.º ao
4.º ano);
2.º ciclo (CITE 1) corresponde aos 2 anos seguintes (5.º e 6.º anos);
3.º ciclo (CITE 2) que tem a duração de 3 anos (7.º ao 9.º ano).
A organização e gestão do currículo para o ensino básico visa assegurar a todos
os cidadãos uma educação de base, geral e comum, através da aquisição de
conhecimentos e aptidões que permitam o prosseguimento dos estudos.
Ensino secundário (CITE 3)
O ensino secundário tem a duração de três anos, equivalente aos 10.º, 11.º e 12.º
anos de escolaridade. As ofertas educativas e formativas do ensino secundário
visam proporcionar aos alunos uma formação e aprendizagens diversificadas,
com vista ao prosseguimento de estudos e ou à inserção no mercado do trabalho.
As ofertas educativas e formativas estão orientadas para o prosseguimento de
estudos e para a dupla certificação (escolar e profissional), combinando formação
geral, técnica e em contexto de trabalho. A permeabilidade entre as várias
modalidades é assegurada, assim como a possibilidade de acesso ao ensino
superior, mediante a realização de exames nacionais.
Ensino pós-secundário não superior (CITE 4)
O ensino pós-secundário não superior permite a obtenção de uma qualificação de
nível 5 do QNQ e caracteriza-se por uma formação técnica altamente qualificada,
vocacionada para a inserção no mundo do trabalho ou prosseguimento dos
estudos de nível superior. Tem normalmente a duração de 1 ano e destina-se a
jovens com mais de 18 anos e que completaram a escolaridade obrigatória de 12
anos.
Este nível é ministrado através de Cursos de Especialização Tecnológica (CET),
Cursos de Aprendizagem+, Formações Modulares Certificadas e/ou processos de
RVCC.
Ensino superior (CITE 5 – 8)
O ensino superior está estruturado segundo os princípios de Bolonha e visa
assegurar uma sólida preparação científica e cultural, proporcionar uma formação
técnica que habilite para o exercício de atividades profissionais e culturais e
fomente o desenvolvimento das capacidades de conceção, inovação e análise
crítica.
O ensino superior organiza-se num sistema binário, constituído pelo ensino
universitário e ensino politécnico. O ensino universitário deve orientar-se
para a oferta de formações científicas sólidas, juntando esforços e competências
de unidades de ensino e investigação, enquanto o ensino politécnico concentra-se
especialmente em formações vocacionais e em formações técnicas avançadas,
orientadas profissionalmente.
Educação e formação de adultos
Existem várias modalidades no âmbito da educação e formação de adultos, com
finalidades, níveis e públicos-alvo específicos, incluindo um Sistema de
Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências adquiridas ao longo
da vida. A maioria das ofertas nesta área insere-se no Sistema/Catálogo Nacional
de Qualificações e é organizada por uma rede nacional de centros “Qualifica”,
cobrindo todo o território nacional. Esta rede providencia um sistema de
orientação dos adultos, articulando um vasto conjunto de entidades formadoras.
Desta forma, estas ofertas estão orientadas para a obtenção simultânea de um
grau de escolaridade e de uma certificação profissional, ainda que, em alguns
casos, só atribuam um destes diplomas.
O ensino recorrente dirige-se a adultos que não completaram o ensino básico
ou secundário na idade normal de frequência. Obedece a um plano de estudos
baseado no currículo oficial e conduz à obtenção de um grau e à atribuição de um
diploma ou certificado, equivalentes aos conferidos pelo ensino diurno.
Para uma descrição mais aprofundada destes e de outros tópicos relativos ao
sistema educativo nacional, consulte:
Capítulo 1: Enquadramento e Tendências Políticas, Sociais e Económicas
Capítulo 2: Organização e Governança
Capítulo 3: Financiamento da Educação
Capítulo 4: Educação Pré-escola e Cuidados de Infância
Capítulo 5: Ensino Básico
Capítulo 6: Ensino Secundário
Capítulo 7: Ensino Superior
Capítulo 8: Educação e Formação de Adultos
Capítulo 9: Professores e Formadores
Capítulo 10: Profissionais Responsáveis pela Gestão e outros Profissionais no
Quadro da Educação
Capítulo 11: Garantia da Qualidade
Capítulo 12: Apoio Educativo e Orientação
Capítulo 13: Mobilidade e Internacionalização
Para mais informação acerca das reformas correntes e planeadas, assim como
sobre medidas políticas, consulte o Capítulo 14. Reformas em curso e
Desenvolvimentos Políticos.
Estrutura do sistema nacional de educação
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Ligações úteis
Instrumentos de referência europeus comuns disponibilizados
pela Rede Eurydice
National Student Fee and Support Systems (os sistemas nacionais de
propinas e de apoio (bolsas e empréstimos) aos estudantes do ensino
superior na Europa)
Organisation of the Academic Year in Higher Education (organização do ano
académico no ensino superior)
Organisation of School Time in Europe (ensino primário e secundário geral)
Recommended Annual Instruction Time in Full-Time Compulsory Education in
Europe (organizado por níveis/etapas para o ensino obrigatório a tempo
inteiro assim como por disciplina e por país)
Teachers and School Heads Salaries and Allowances in Europe (salários e
subsídios dos professores e diretores escolares nos níveis pré-escolar,
primário, secundário inferior e secundário superior).
Outras ligações úteis
Ministério da Educação, Ciência e Inovação
Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
Ministério da Economia
Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência
Unidade Portuguesa da Rede Eurydice
Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional
Conselho Nacional da Educação
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