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DISCIPLINA – CONTABILIDADE AVANÇADA I
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO
A Demonstração do Valor Adicionado tem a função de divulgar e identificar o valor da
riqueza gerada pela entidade, e como essa riqueza foi distribuída entre os diversos setores que
contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração.
O Valor Adicionado constitui-se da receita de venda deduzida dos custos dos
recursos adquiridos de terceiros. É, portanto, o quanto a entidade contribuiu para a formação do
Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Características básicas da DVA:
1. Fornecer informações que demonstre a geração de riqueza da empresa e seus efeitos
sobre a sociedade que está inserida.
2. Demonstra o valor adicionado em cada um dos fatores de produção e seu destino,
conforme abaixo:
- dispêndio na remuneração dos empregados;
- geração de tributos ao governo (municipal, estadual e federal);
- remuneração do capital de terceiros através de juros;
- remuneração dos acionistas através da distribuição de lucros.
3. O somatório dos valores obtidos nas Demonstrações de Valor Adicionado apresentados
pelas unidades produtivas dos mais variados níveis de atividades econômicas que são
classificados pelo IBGE, excluídas as duplas contagens, pode ser considerado como o
próprio PIB do país.
4. Pode-se efetuar análise vertical/horizontal dessa demonstração, com a comparação da
participação de cada item da demonstração em sucessivos exercícios sociais, enfatizando
sua evolução.
A partir do exercício social de 2008 (Lei 11638) essa demonstração tornou-se obrigatória
para as sociedades anônimas de capital aberto e também para as empresas de grande porte. A
DVA é elaborada a partir da Demonstração do Resultado de Exercício. A instrução CVM 469 de
02.05.2008 regulamentou este demonstrativo determinado que a DVA poderá ser elaborada de
acordo com o Oficio Circular CVM/SNC/SEP 01/2007. O modelo do Oficio Circular que apresenta a
DVA e a forma de preenchimento (ítem por ítem) para a sua elaboração:
OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007
Demonstração do Valor Adicionado
em R$ mil 20X1 20X2
DESCRIÇÃO
1-RECEITAS
1.1) Vendas de mercadoria, produtos e serviços
1.2) Provisão p/devedores duvidosos – Reversão/(Constituição)
1.3) Não operacionais
2-INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI)
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2.1) Matérias-Primas consumidas
2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos
2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
2.4) Perda/Recuperação de valores ativos
3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)
4 – RETENÇÕES
4.1) Depreciação, amortização e exaustão
5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-
4)
6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
6.1) Resultado de equivalência patrimonial
6.2) Receitas financeiras
7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)
8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
8.1) Pessoal e encargos
8.2) Impostos, taxas e contribuições
8.3) Juros e aluguéis
8.4) Juros s/ capital próprio e dividendos
8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício
* O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7.
Instruções para preenchimento:
As informações são extraídas da contabilidade e, portanto, deverão ter como base o princípio
contábil do regime de competência de exercícios.
1 – RECEITAS (soma dos itens 1.1 a 1.3)
1.1 – Vendas de mercadorias, produtos e serviço - Inclui os valores do ICMS e IPI incidentes sobre
essas receitas, ou seja, corresponde à receita bruta ou faturamento bruto.
1.2 – Provisão para devedores duvidosos – Reversão/Constituição - Inclui os valores relativos à
constituição/baixa de provisão para devedores duvidosos.
1.3 – Não operacionais - Inclui valores considerados fora das atividades principais da empresa, tais
como: ganhos ou perdas na baixa de imobilizados, ganhos ou perdas na baixa de investimentos
etc.
2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (soma dos itens 2.1 a 2.4)
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2.1 - Matérias-primas consumidas (incluídas no custo do produto vendido).
2.2 - Custos das mercadorias e serviços vendidos (não inclui gastos com pessoal próprio).
2.3 - Materiais, energia, serviços de terceiros e outros (inclui valores relativos às aquisições e
pagamentos a terceiros). Nos valores dos custos dos produtos e mercadorias vendidos, materiais,
serviços, energia, etc. consumidos deverão ser considerados os impostos (ICMS e IPI) incluídos no
momento das compras, recuperáveis ou não.
2.4 - Perda/Recuperação de valores ativos - Inclui valores relativos a valor de mercado de
estoques e investimentos, etc. (se no período o valor líquido for positivo deverá ser somado).
3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (diferença entre itens 1 e 2)
4 – RETENÇÕES
4.1 – Depreciação, amortização e exaustão - Deverá incluir a despesa contabilizada no período.
5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (item 3 menos 4)
6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA (soma dos itens 6.1 e 6.2)
6.1 - Resultado de equivalência patrimonial (inclui os valores recebidos como dividendos relativos a
investimentos avaliados ao custo) O resultado de equivalência poderá representar receita ou
despesa; se despesa deverá ser informado entre parênteses.
6.2 - Receitas financeiras (incluir todas as receitas financeiras independentemente de sua origem)
7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (soma dos itens 5 e 6)
8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO (soma dos itens 8.1 a 8.5)
8.1 – Pessoal e encargos - Nesse item deverão ser incluídos os encargos com férias, 13º salário,
FGTS, alimentação, transporte, etc., apropriados ao custo do produto ou resultado do período (não
incluir encargos com o INSS – veja tratamento a ser dado no item seguinte).
8.2 – Impostos, taxas e contribuições - Além das contribuições devidas ao INSS, imposto de renda,
contribuição social, todos os demais impostos, taxas e contribuições deverão ser incluídos neste
item. Os valores relativos ao ICMS e IPI deverão ser considerados como os valores devidos ou já
recolhidos aos cofres públicos, representando a diferença entre os impostos incidentes sobre as
vendas e os valores considerados dentro do item 2 – Insumos adquiridos de terceiros.
8.3 – Juros e aluguéis - Devem ser consideradas as despesas financeiras e as de juros relativas a
quaisquer tipos de empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras, empresas do
grupo ou outras e os aluguéis (incluindo-se as despesas com leasing) pagos ou creditados a
terceiros.
8.4 – Juros sobre o capital próprio e dividendos - Inclui os valores pagos ou creditados aos
acionistas. Os juros sobre o capital próprio contabilizados como reserva deverão constar do item
"lucros retidos".
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8.5 – Lucros retidos/prejuízo do exercício - Devem ser incluídos os lucros do período destinados às
reservas de lucros e eventuais parcelas ainda sem destinação específica.
EXEMPLO:
CIA. LEPPER
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO EM 21/12/2010
VENDAS 500.000,00
(-) CMV:
Materiais e Suprimentos (100.000,00)
Mão-de-obra (100.000,00)
Depreciação (30.000,00)
LUCRO BRUTO 270.000,00
(-) DESPESAS
Administrativas (40.000,00)
Financeiras-juros (20.000,00)
LUCRO ANTES DOS IMPOSTOS 210.000,00
IMPOSTOS S/LUCRO (100.000,00)
LUCRO LÍQUIDO 110.000,00
Destinação:
Dividendos (50.000,00)
LUCRO RETIDO 60.000,00
CIA. LEPPER
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO
VENDAS ..................................
(-) MATERIAIS E SERVIÇOS ..................................
= VALOR ADICIONADO ..................................
DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO %
PARA EMPREGADOS .................................... ......
PARA ACIONISTAS ................................... ......
PARA FINANCIADORES .................................... ......
PARA O GOVERNO .................................... ......
PARA EXPANSÃO NEGÓCIO .................................... ......
Exercícios referente DVA
Empresa comercial:
Durante o exercício social de 20X1, realizou as seguintes operações:
1. Aquisição à vista de mercadorias no valor de R$ 6.000 com incidência de 18% de ICMS.
Assim, o valor do ICMS é de R$ 1.080 e o das compras líquidas é de R$ 4.920.
2. Venda total das mercadorias por R$ 14.000, destacando-se, o ICMS (alíquota de 18%) de
R$ 2.520, ou seja, o valor das vendas líquidas ´de R$ 11.480.
3. Gastos com pessoal no valor de R$ 2,400.
4. Sendo R$ 390 referente a contribuições devidas ao INSS, e R$ 2.010 referente a salários,
férias, 13o. Salário, FGTS, etc.
5. Despesas administrativas correspondem ao consumo de energia elétrica no valor de R$
600. O Imposto de Renda e a Contribuição Social são calculados à alíquota de 33% sobre
o lucro líquido.
Monte a DRE e após a DVA.
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Nas questões abaixo escreve se as afirmativas são verdadeiras ou falsas
1) A DVA é destinada a evidenciar, no âmbito da empresa e em termos macroeconômicos, o valor
por ela agregado e sua distribuição aos beneficiários da renda nacional. .......................................
2) Na elaboração da DVA, as informações devem ser obtidas fora da contabilidade da empresa, e
os valores informados devem ter como base o conceito de caixa, e não o de
competência. ......................................
3) O valor dos insumos adquiridos de terceiros, tais como materiais, energia e água, deve ser
apresentado na DVA pelo valor total, sem dedução de PIS, COFINS e outros
tributos. ....................................................
4) O valor adicionado bruto, um dos itens de totalização da DVA, deve contemplar a depreciação, a
amortização e a exaustão do período. .....................................
5) O resultado de equivalência patrimonial apresentado na DVA desconsidera os valores recebidos
como dividendos dos investimentos avaliados pelo método de custo. Tal fato ocorre porque o valor
recebido a título de dividendos aumenta o ativo circulante e não aumenta o ativo permanente
correspondente a investimentos.............................
6) A Demonstração do Valor Adicionado fornece uma visão abrangente sobre a real capacidade de
uma empresa produzir riqueza e sobre a forma como distribui essa riqueza entre os diversos
fatores de produção (trabalho, capital próprio, capital de terceiros e
governo). ........................................
7) As despesas com funcionários fazem parte da distribuição do valor agregado, e o valor da
receita considerado para a elaboração da DVA deve ser idêntico ao do faturamento bruto divulgado
na DRE. ...........................................
8) Os juros sobre capital próprio contabilizados como reserva devem ser evidenciados na DVA no
item relativo a lucros retidos. .......................................
RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO E NOTAS EXPLICATIVAS
1 Relatório da Administração
Não faz parte das demonstrações contábeis propriamente ditas, mas a lei exige a apresentação do
relatório, que deve evidenciar os principais fatos administrativos e financeiros ocorridos no período
(exercício). Os relatórios podem ser simples ou abrangentes. Devem entre outras coisas evidenciar os
seguintes fatos:
Cenário econômico no qual se insere a atividade empresarial;
Indicadores de qualidade e produtividade;
Desenvolvimento tecnológico;
Políticas social, ambiental, etc;
Eventos subseqüentes e expectativas com relação ao futuro;
Planos de expansão;
Desempenho em relação aos concorrentes, responsabilidade social, etc.
Dados estatísticos em geral;
Exemplos de relatório da administração: Grupo Eucatex
Cenário Econômico
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Nos primeiros meses deste ano foi possível constatar, com uma maior nitidez, a recuperação do
nível de atividade econômica no País, iniciada nos últimos meses de 1999. O cenário econômico
mostra-se mais positivo, com os índices apontando para uma produção industrial crescente, contas
públicas com melhores resultados, câmbio menos volátil e taxas de inflação declinantes.
Entretanto, há que se registrar que o recuo da taxa cambial, ocorrido nesse primeiro trimestre,
ainda que não tendo comprometido, significativamente, a competitividade das exportações,
certamente contribui, de uma forma geral, para redução da margem líquida resultante.
Mercado e vendas
O crescimento no faturamento, apresentado pelo Grupo Eucatex, nesse 1º trimestre com relação a
igual período do ano anterior, foi de 10%, ou seja, R$ 80,6 milhões contra R$ 73,3 milhões. Esse
resultado foi afetado pelos investimentos em andamento e ainda não concluídos nas fábricas de
Salto e Botucatu, que prejudicaram o abastecimento normal ao mercado, impedindo um
crescimento de vendas mais vigoroso nesse 1o [Link] vendas líquidas, no mercado nacional
totalizaram R$ 70,7 milhões, equivalentes a 87,6% das vendas totais, e as exportações atingiram a
quantia de R$ 9,9 milhões, equivalentes a US$ 5,6 milhões FOB. A Companhia estará lançando,
nos próximos meses, o produto MDP (Mediun Density Particleboard), o qual terá aplicação e
desempenho semelhante ao do MDF (Mediun Density Fiberboard), nos processos de usinagem e
pintura, devendo, entretanto ser comercializado a preços mais competitivos. A Companhia passou
a produzir e comercializar, nesse trimestre, a partir de sua planta de tintas em Salto, tintas voltadas
para o segmento industrial moveleiro
Investimentos
A Companhia investiu no 1º trimestre R$ 9,6 milhões, tendo por principais objetivos: ampliar a
capacidade de produção das instalações fabris localizadas em Salto e Botucatu, propiciar
significativa melhoria nos índices de qualidade, além da produção de novos produtos com maior
valor agregado. Ao término dos investimentos programados para esse ano, a capacidade instalada
da fábrica de aglomerados em Botucatu deverá ser ampliada em mais de 40%, ou seja uma
produção anual da ordem de 330 mil m³.
Recursos humanos
Até o final de março de 2000, a Companhia investiu cerca de R$ 4,0 milhões em programas de
assistência médico-odontológica, transportes, alimentação, treinamento e segurança no trabalho,
para seus 3.272 funcionários e respectivos dependentes.
2 Notas Explicativas
As demonstrações contábeis devem ser complementadas por notas explicativas, quadros
analíticos e outras demonstrações contábeis necessárias para uma plena avaliação da situação e
da evolução patrimonial de uma empresa. As notas devem conter no mínimo a descrição dos
critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e das práticas contábeis adotadas, dos ajustes
dos exercícios anteriores, reavaliações, ônus sobre ativos, detalhamento das dívidas de longo
prazo, do capital e dos investimentos relevantes em outras empresas etc. As Notas explicativas
tem por objetivo complementar as demonstrações contábeis mostrando os critérios contábeis
utilizados pelas organizações, inclusive a composição do saldo de determinadas contas, os
métodos de depreciação e critérios de avaliação dos elementos patrimoniais. Devem contemplar:
1. Informações sobre o Contexto Operacional no qual a empresa está inserida
2. os critérios de avaliação dos elementos patrimoniais (ativos e passivos);
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3. as participações relevantes em controladas e coligadas;
4. os investimentos de capital: investimentos de caráter permanente, imobilizado e diferido;
5. as obrigações contraídas, especificando-as pela espécie de obrigação, garantia, valor, amortização,
juros, rendimento, etc.;
6. a composição do Capital Social;
7. eventos passados e futuros que influenciaram ou influenciarão os negócios e resultados da
companhia;
8. outras informações importante sobre as demonstrações que devam ser apresentadas aos agentes
interessados na empresa.
Com a edição da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que altera, revoga e introduz
novos dispositivos à Lei das Sociedades por Ações (Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976),
foram criadas as condições para que as normas e práticas contábeis brasileiras, aplicáveis às
demonstrações financeiras individuais das sociedades por ações, sejam convergentes com as
práticas contábeis internacionais.
A nova lei impôs à Comissão de Valores Mobiliários – CVM a necessidade de iniciar
processo de regulação com vistas à edição de normas mais detalhadas quanto à aplicação
daquelas mudanças. Nesse sentido, a CVM irá emitir, em 2008 e 2009, um conjunto de normas
referendando os pronunciamentos a serem elaborados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis
– CPC alinhados com as normas internacionais de contabilidade.
3 NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE – DO CONTEÚDO DAS NOTAS EXPLICATIVAS
DISPOSIÇÕES GERAIS
1 – Esta norma trata das informações mínimas que devem constar das notas explicativas.
Informações adicionais poderão ser requeridas em decorrência da legislação e outros dispositivos
regulamentares específicos em função das características da Entidade.
2.2 – DEFINIÇÃO E CONTEÚDO DAS NOTAS EXPLICATIVAS
2.2.1 – As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis.
2.2.2 – As informações contidas nas notas explicativas devem ser relevantes, complementares
e/ou suplementares àquelas não suficientemente evidenciadas ou não constantes nas
demonstrações contábeis propriamente ditas.
2.2.3 – As notas explicativas incluem informações de natureza patrimonial, econômica, financeira,
legal, física e social, bem como os critérios utilizados na elaboração das demonstrações contábeis
e eventos subseqüentes ao balanço.
2.3 – ASPECTOS A OBSERVAR NA ELABORAÇÃO DAS NOTAS EXPLICATIVAS
2.3.1 – Os seguintes aspectos devem ser observados na elaboração das notas explicativas:
a) as informações devem contemplar os fatores de integridade, autenticidade, precisão,
sinceridade e relevância;
b) os textos devem ser simples, objetivos, claros e concisos;
8
c) os assuntos devem ser ordenados obedecendo a ordem observada nas
demonstrações contábeis, tanto para os agrupamentos como para as contas que os compõem;
d) os assuntos relacionados devem ser agrupados segundo seus atributos comuns;
e) os dados devem permitir comparações com os de datas de períodos anteriores;
f) as referências a leis, decretos, regulamentos, normas brasileiras de contabilidade e
outros atos normativos devem ser fundamentadas e restritas aos casos em que tais citações
contribuam para o entendimento do assunto tratado na nota explicativa.
EXEMPLO DE NOTAS EXPLICATIVAS
(01) NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
As demonstrações financeiras da Financeira Alfa S.A. – Crédito, Financiamento e
Investimentos foram elaboradas em conformidade com a Lei das Sociedades por Ações e
normas e instruções do Banco Central do Brasil (BACEN) e da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM ).
(02) PRINCIPAIS PRÁTICAS CONTÁBEIS
(a) Apuração do Resultado: As receitas e despesas foram apropriadas pelo regime de
competência.
(b) Ativos Circulante: Demonstrados pelos valores de realização e, quando aplicável,
acrescidos dos rendimentos auferidos até a data do balanço, deduzidos de provisão para
perdas e ajustados pelos seus valores de mercado, especificamente em relação ao registro e
a avaliação contábil dos títulos e valores mobiliários e instrumentos financeiros derivativos
estabelecidos pelas Circulares Bacen nºs 3068 e 3082. A Provisão para Créditos de
Liquidação Duvidosa foi constituída considerando a atual conjuntura econômica, a experiência
de anos anteriores e a expectativa de realização da carteira, de forma que apure a adequada
provisão em montante suficiente para cobrir riscos específicos e globais, associada à provisão
calculada de acordo com os níveis de risco e os respectivos percentuais mínimos
estabelecidos pela Resolução Bacen.
(c) Ativo Não-Circulante: Demonstrado ao custo corrigido monetariamente até 31 de
dezembro de 1995, combinado com os seguintes aspectos: (c.1) Depreciação do Imobilizado
de Uso, calculada pelo método linear, às seguintes taxas anuais: Veículos, Sistemas de
Comunicação e de Processamento de Dados 20% e demais itens 10% e (c.2). Amortização,
basicamente, de despesas com benfeitorias em imóveis de terceiros e com programas de
processamento de dados, calculada pelo método linear, pelo prazo máximo de 05 anos.
(d) Passivos Circulante: São demonstrados por valores conhecidos ou calculáveis, incluindo
os encargos e as variações monetárias incorridos, deduzidos das correspondentes despesas
a apropriar.
1- Impostos e Contribuições: As provisões para Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS
e COFINS são calculadas às alíquotas de 15% mais adicional, 9%, 0,65% e 4%,
respectivamente, considerando para efeito das respectivas bases de cálculo, a legislação
pertinente a cada encargo. Também é observada pela Companhia a prática contábil de
constituição de créditos tributários de imposto de renda e contribuição social sobre diferenças
temporárias, às mesmas alíquotas vigentes utilizadas para a constituição das provisões
fiscais.
(e) Estimativas contábeis: As demonstrações financeiras, de acordo com as práticas
contábeis brasileiras, incluem algumas contas cujos valores são determinados por estimativas
baseadas na experiência passada, ambiente legal e de negócios, probabilidade de ocorrência
de eventos sujeitos ou não ao controle da Administração, etc. Essas estimativas são revistas
pelo menos anualmente, buscando-se determinar valores que mais se aproximem dos futuros
valores de liquidação dos ativos ou passivos considerados.
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(03) – TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS
DERIVATIVOS
a) Composição de Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros
Derivativos
Composta por: 2007 2006
. Carteira Própria 56.386 20.982
. Vinculados a Prestação de Garantias 170.787 109.039
TOTAL - Títulos e Valores Mobiliários(1) 227.173 130.021
. Swaps – Diferencial a Receber (nota 09) 21.573 932
TOTAL – Instrumentos Financeiros Derivativos 21.573 932
TOTAL GERAL 248.746 130.953
b) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa
O saldo da provisão atingiu o montante de R$ 50.418, correspondente a 2,10% do total da
carteira, acima do mínimo requerido pela Resolução BACEN nº 2.682. No exercício, os
créditos amortizados para prejuízo totalizaram R$ 31.060, sendo recuperados no mesmo
período R$ 8.468. O saldo das operações renegociadas era de R$ 32.805 na data do balanço.
OUTRAS INFORMAÇÕES
(a) Outros Créditos – Diversos: incluem, basicamente, Tributos Antecipados R$ 564,
Depósitos Judiciais R$ 39.309, Opções por Incentivos Fiscais R$ 1.507, Créditos Tributários
de Contribuição Social e Imposto de Renda R$ 43.389 e Devedores Diversos R$ 21.445.
(b) Despesas Antecipadas: refere-se substancialmente a valores pagos a título de
intermediação de negócios às revendas de veículos e às lojas de departamento. Essas
despesas são apropriadas ao resultado com base no prazo contratual da operação de crédito.
(c) Outros Investimentos: composto basicamente por ações de companhias de capital
fechado.
(d) Outras Obrigações - Diversas: composta por provisões para despesas de pessoal e
administrativa R$ 7.706, provisões para contingências cível e trabalhista R$ 2.345 e credores
diversos R$ 33.763.
(e) Os honorários da Administração totalizaram R$ 3.330 no exercício.
(f) Outras Receitas Operacionais: composta basicamente por reversão de provisões
operacionais R$ 240, dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos e declarados de
investimentos avaliados pelo método de custo R$ 3.657, receitas de recuperação de encargos
e receitas de garantias prestadas R$ 923, processos operacionais R$ zero e variações
monetárias ativas sobre tributos a compensar e depósitos judiciais R$ 145.
(g) Outras Despesas Operacionais: composta principalmente por complemento e
atualização de provisão para riscos fiscais e de tributos a recolher R$ 16.792, contingências
trabalhistas e cíveis R$ 1.641, despesas com a cobrança de créditos vencidos R$ 2.049, e
perdas com processos operacionais R$ 3.207.
(h) Resultado não Operacional: refere-se a lucros obtidos na venda de investimentos
avaliados pelo método de custo e na alienação de valores e bens.
(i) A Companhia tem como política segurar seus valores e bens a valores considerados
adequados para coberturas de eventuais perdas.
(j) Em atendimento à Deliberação CVM nº. 371 informamos que a Companhia não mantém
planos de remuneração em ações e outros benefícios a seus empregados.
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(k) O resumo do relatório elaborado pelo Comitê de Auditoria, único instituído pelo
Conglomerado Financeiro Alfa por intermédio da instituição líder Banco Alfa de Investimento
S.A., está sendo publicado em conjunto com as demonstrações financeiras do Banco.
Questões:
1) A quem compete elaborar as normas das notas explicativas em face a Lei 11.638/07?
2) Qual o objetivo das notas explicativas?
3) As notas explicativas devem conter no mínimo o que?
4) Nas questões abaixo escreva RA para (relatório da administração) e NE (notas
explicativas)
( ) as participações relevantes em controladas e coligadas;
( ) Eventos subseqüentes e expectativas com relação ao futuro;
( ) os textos devem ser concisos, simples, claros e objetivos;
( ) as obrigações contraídas, especificando-as pela espécie de obrigação, garantia, valor,
amortização, juros, rendimento, etc.;
( ) Desenvolvimento tecnológico;
( ) eventos passados e futuros que influenciaram ou influenciarão os negócios e resultados da
companhia;
5) Quais aspectos devem ser observados na elaboração das notas explicativas?
REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PROPRIO
O capital investido em uma entidade gera perspectiva ao investidor, quer ele seja em forma
de aquisições de ações em companhias e/ou em participações societárias como cotistas. A
entidade, por sua vez, ao receber investimentos de seus acionistas e sócios, tem obrigações
estatutárias e/ou legais para com eles.
Além da distribuição de dividendos, existe ainda a remuneração através dos JCP, que
representa uma opção de remuneração aos sócios e acionistas concedida pela legislação tributária
para as entidades tributadas pelo lucro real.
DIVIDENDOS
Os dividendos são direito do acionista de receber obrigatoriamente, em cada exercício,
uma parcela de lucros estabelecida no estatuto, ou, na omissão deste, conforme critério definido na
lei societária.
O dividendo obrigatório deve ser distribuído a todas as ações, sejam elas ordinárias ou
preferenciais e, de acordo com Santos e Schmidt (2002, p.177), foi instituído pela Lei 6.404/76 com
o objetivo de evitar que os acionistas minoritários continuassem sendo prejudicados com a
retenção indiscriminada dos lucros pelas companhias.
JUROS SOBRE CAPITAL PROPRIO
Os juros remuneratórios do capital próprio foram inseridos na legislação brasileira através
do art. 9º do Projeto de Lei nº 913/95 do poder executivo, que após diversas alterações ocorridas
durante a tramitação legislativa, foi convertido na Lei nº 9.249/95 (posteriormente alterada pela Lei
nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996),
A pessoa jurídica poderá deduzir na determinação do lucro real, observado o regime de
competência, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a
título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e
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limitados à variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP (Lei n o 9.249, de 1995,
alterada pela Lei 9.430/96, art. 9o; RIR/1999, art. 347; e IN SRF no 93, de 1997, art. 29).
O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução como despesa operacional
limita-se ao maior dos seguintes valores (RIR/1999, art. 347, § 1o):
a. cinqüenta por cento do lucro líquido do período de apuração a que corresponder o
pagamento ou crédito dos juros, após a dedução da contribuição social sobre o lucro
líquido e antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou
b. cinqüenta por cento do saldo reservas de lucros de períodos anteriores (as reservas de
lucros somente foram incluídas para efeito do limite da dedutibilidade dos juros a partir de
1o/01/1997, pela Lei no 9.430, de 1996, art. 78).
TRIBUTAÇÃO SOBRE JSCP
Os juros sobre o capital social estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota
de 15%, na data do pagamento ou crédito, os quais terão o seguinte tratamento no beneficiário
(RIR/1999, art. 347):
a. no caso de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o valor dos juros deverá
ser considerado como receita financeira e o imposto retido pela fonte pagadora será
considerado como antecipação do devido no encerramento do período de apuração ou,
ainda, poderá ser compensado com aquele que houver retido, por ocasião do pagamento
ou crédito de juros a título de remuneração do capital próprio, ao seu titular, sócios ou
acionistas;
b. em se tratando de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou lucro arbitrado, a
partir de 1o/1/1997, os juros recebidos integram a base de cálculo do imposto de renda e o
valor do imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido no período de
apuração (Lei no 9.430, de 1996, art. 51). No ano-calendário de 1996 a tributação era
considerada definitiva; o valor dos juros não integrava a base de cálculo e somente era
computado para efeito de determinação do adicional do imposto (Lei no 9.249, de 1995, art.
9o, § 3o, inciso II, e § 4o);
c. no caso de pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real, lucro presumido ou
arbitrado, inclusive isentas, e de pessoas físicas, os juros são considerados como
rendimento de tributação definitiva, ou seja, os respectivos valores não serão incluídos nas
declarações de rendimentos nem o imposto de renda que for retido na fonte poderá ser
objeto de qualquer compensação.
Contabilização dos Juros sobre o Capital Próprio
Segundo o parágrafo único do art. 30 da Instrução Normativa nº 11 de 1996, os juros
sobre o capital próprio, para efeito de dedutibilidade fiscal, deverão ser registrados em
contrapartida de despesas financeiras, ainda quando forem imputados aos dividendos ou quando
creditados à conta de reserva específica.
A fonte pagadora dos juros sobre o capital próprio deve contabilizá-lo como despesas
financeiras para efeito de dedutibilidade fiscal. Deste modo, deve-se debitar a despesa pelo valor
bruto dos juros sobre o capital próprio calculado e creditar, em contas específicas do passivo
circulante, o valor dos juros (líquido do IRRF) e o correspondente IRRF a recolher sobre ele. Na
fonte beneficiária dos rendimentos, os juros devem ser considerados como receitas financeiras,
tanto para beneficiárias tributadas pelo lucro real, como para aquelas tributadas pelo lucro
presumido ou arbitrado (a partir de 1997).
Em relação aos juros recebidos pelas companhias abertas, a título de remuneração sobre
o capital próprio, segundo deliberação, devem ser contabilizados da seguinte forma:
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a) como crédito da conta de investimentos, desde que estes sejam avaliados pelo método da
equivalência patrimonial e os juros sobre o capital próprio estejam ainda compondo o patrimônio
líquido da empresa investida, ou nos casos em que os juros recebidos já estejam compreendidos
no valor pago pela aquisição do investimento; e
b) como receita, nos demais casos.
Cálculo dos Juros Sobre o Capital Próprio
No cálculo dos juros sobre o capital próprio, deverão ser observados os seguintes itens:
Base de Cálculo - Os juros sobre o capital próprio serão calculados sobre as contas do
Patrimônio Líquido, sendo limitados à variação pro rata dia da TJLP. Conforme a Lei 6.404/96 e
alterada pela 11.638/07, o Patrimônio Líquido compõe-se das seguintes contas: a) Capital Social;
b) Reservas de Capital; c) Reservas de Lucros; d) Ajustes de Avaliação Patrimonial; e) Prejuízos
Acumulados e f) Ações em Tesouraria. Todavia, estarão excluídos da composição do Patrimônio
Líquido, para fins de apuração dos juros sobre o capital próprio, os valores do Ajuste de Avaliação
Patrimonial e Ações em Tesouraria.
TJLP - A Taxa de Juros de Longo Prazo divulgada pelo Banco Central é anual, porém ela é fixada
trimestralmente.
Exemplo de apuração dos Juros sobre o Capital
Supondo uma empresa que obteve no exercício de 2009 um lucro líquido de R$
60.500.000,00 (antes do cálculo dos juros sobre o capital próprio, da Provisão para o Imposto de
Renda e após a CSLL) e tenha a composição do Patrimônio Líquido:
Patrimônio Líquido - Exercício 2009
Capital R$ 10.000.000,00
Reservas de Capital R$ 100.000,00
Ajuste de Avaliação Patrim. R$ 345.150,00
Reservas de Lucros R$ 81.375.000,00
= Patrimônio Líquido R$ 91.820.150,00
Base de Cálculo = $ 91.475.000,00 ( 91.820.150,00 – 345.150,00)
CÁLCULO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JSCP)
Limites para dedução:
- 50% do lucro do exercício antes de sua capitalização: R$ 60.500.000,00(50%) = 30.250.000,00
- 50% do saldo de lucros acumulados e das reservas de lucros:R$ 81.375.000,00 = 40.687.500,00
O valor dos juros sobre o capital próprio a ser deduzido da base de cálculo do IR e CSLL
no exercício de 2009 é R$ 7.199.082,50. (TJLP – 7,87%)
Poderá ser utilizado como limite para dedução dos JCP o maior dos valores obtidos
acima. Sendo assim, a empresa poderá contabilizar como despesa financeira dedutível em
31.12.2009 o valor de R$ 7.199.082,50 referente aos JCP, uma vez que não foi excedido o maior
entre os dois limites estabelecidos pela lei, que, nesse caso, é de R$ 40.687.500,00. Retenção do
Imposto de Renda na Fonte (IRRF): Alíquota 15% = 1.079.862,37
Valor líquido do JCP para distribuição aos sócios ou acionistas = R$
6.119.220,13Tributação dos Juros sobre o Capital Próprio
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