Transtorno de
Déficit de
Atenção e
Hiperatividade
Prof. Luciana Quevedo
Critérios diagnósticos
A característica essencial do TDAH é um padrão persistente de
desatenção (Critério A1) e/ou hiperatividade-impulsividade
(Critério A2) suficientemente grave para interferir no
funcionamento ou no desenvolvimento
•A desatenção: manter-se na tarefa, ser persistente, focar-se, ser
organizado, ter planejamento e cumprir as tarefas
•A hiperatividade: atividade motora excessiva, como correr ou
escalar objetos ou remexer-se, batucar ou contorcer-se em
excesso em situações em que isso não é apropriado
Critérios diagnósticos
• A. Um padrão persistente de DESATENÇÃO e/ou
HIPERATIVIDADE-IMPULSIVIDADE que interfere no
funcionamento e no desenvolvimento, conforme caracterizado
por (1) e/ou (2):
• 1. DESATENÇÃO: seis (ou mais) dos seguintes sintomas
persistem pelo período mínimo de 6 meses, em grau
inconsistente com o nível de desenvolvimento e tem impacto
negativo nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais
Critérios diagnósticos
Nota: a partir dos 17 anos pelo menos cinco sintomas são necessários
• a. Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido
em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades (p. ex., faz uma prova
de matemática e responde corretamente a operação, mas esquece de colocar o sinal de
adição, subtração, etc. porque não revisou antes de enviar)
• b. Frequentemente tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades
lúdicas (p. ex., dificuldade de manter o foco durante aulas, conversas ou leituras
prolongadas, brincadeiras/ reunião online e mexer no celular )
• c. Frequentemente parece não ouvir quando lhe dirigem a palavra diretamente (p.
ex., parece estar com a cabeça longe, mesmo na ausência de qualquer distração
óbvia)
Critérios diagnósticos
d. Frequentemente não segue instruções e não termina seus deveres
escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (p. ex., começa as
tarefas, mas rapidamente perde o foco e facilmente perde o rumo)
e. Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades (p. ex.,
dificuldade em gerenciar tarefas sequenciais; dificuldade em manter materiais
e objetos pessoais em ordem; trabalho desorganizado e desleixado; mau
gerenciamento do tempo; dificuldade em cumprir prazos)
f. Frequentemente evita, não gosta ou reluta em envolver-se em tarefas que
exijam esforço mental constante (foco/como tarefas escolares ou deveres de
casa)
Critérios diagnósticos
g. Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades
(por exemplo, brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros
materiais)
h. É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa
i. Com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias (p. ex.,
realizar tarefas, obrigações; para adolescentes mais velhos e adultos,
retornar ligações, pagar contas, manter horários agendados)
Critérios diagnósticos
2. HIPERATIVIDADE E IMPULSIVIDADE: seis (ou mais) dos seguintes
sintomas persistem pelo período mínimo de seis meses, em grau
inconsistente com o nível de desenvolvimento e tem impacto negativo
diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais:
a. Frequentemente agita as mãos ou os pés ou se mexe na cadeira
b. Frequentemente abandona sua cadeira na sala de aula ou outras
situações nas quais se espera que permaneça sentado
Critérios diagnósticos
c. Frequentemente corre ou escala em demasia, em situações impróprias (em
adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação)
d. Com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver em atividades de
lazer calmamente (brinca com blocos de montar, mas não consegue ficar sentada
por muito tempo e logo larga para fazer outra coisa)
e. Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado” (p.
ex., não consegue ou se sente desconfortável em ficar parado por muito tempo,
como em restaurantes, reuniões; outros podem ver o indivíduo como inquieto ou
difícil de acompanhar)
Critérios diagnósticos
f. Frequentemente fala em demasia
g. Frequentemente dá respostas precipitadas antes que as perguntas
terem sido completamente formuladas
h. Com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez
i. Frequentemente interrompe ou se intromete em assuntos alheios (por
exemplo, em conversas ou brincadeiras)
Critérios diagnósticos
B. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-
impulsividade estavam presentes antes dos 12 anos de
idade
(Para adolescentes ou adultos jovens, uma perspectiva longitudinal deve
indicar que a condição teve suas raízes na infância e que não é de início
recente)
Critérios diagnósticos
C. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-
impulsividade estão presentes em dois ou mais
contextos (por exemplo, na escola [ou trabalho] e em
casa; com amigos e com parentes)
Recomenda-se a consulta a informantes (p. ex., pais, professores,
empregadores) que tiveram contato com o individuo em diferentes situações.
Para crianças, as escalas classificatórias dos professores podem fornecer
informações valiosas e úteis quanto a expectativas de padrões normais de
comportamento
Critérios diagnósticos
D. Há evidências de um comprometimento clinicamente
importante no funcionamento social, acadêmico ou
profissional ou de que reduzem sua qualidade
• Em adultos, são comuns pior desempenho e assiduidade ocupacionais, maior
desemprego, conflitos interpessoais e autoestima reduzida
• Crianças com TDAH 2 vezes mais probabilidade de ferirem-se a ponto de precisarem
de atenção médica, por sua impulsividade e desatenção
• Comportamento interpretado como preguiça, irresponsabilidade ou
comportamento opositivo. As relações familiares costumam ser marcadas pelo
ressentimento e antagonismo, porque leva a crer, que o comportamento
problemático é proposital
Critérios diagnósticos
E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de
esquizofrenia ou outro transtorno psicótico, nem são melhor
explicados por outro transtorno mental (p. ex., transtorno do
humor, transtornos de ansiedade, transtorno dissociativo,
transtorno da personalidade, intoxicação ou abstinência de
substância)
Critérios diagnósticos
Subtipos:
Apresentação combinada: se tanto o Critério A1 quanto o Critério A2 são
satisfeitos durante os últimos 6 meses
Apresentação predominantemente desatenta: se o Critério A1 é satisfeito, mas
o Critério A2 não é satisfeito durante os últimos 6 meses
Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva: se o Critério A2 é
satisfeito, mas o Critério A1 não é preenchido durante os últimos 6 meses
Critérios diagnósticos
Especificar se:
Em remissão parcial: quando todos os critérios foram
preenchidos no passado, nem todos os critérios foram
preenchidos nos últimos seis meses, e os sintomas ainda
resultam em prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou
profissional
“os sintomas diminuíram, mas ainda há impactos”
“Um adulto diagnosticado com TDAH na infância pode adotar estratégias para
gerenciar melhor a desatenção e a impulsividade”
Critérios diagnósticos
1. Ex Leve→ Se distrai às vezes na escola, demora um pouco para começar as tarefas, mas
consegue acompanhar as atividades com pequenos lembretes dos professores/ lembretes
celular (adolescentes)
2. Ex. Moderado→ Dificuldade em terminar atividades escolares, precisa de lembretes
constantes dos pais e professores, mas consegue se sair bem quando tem apoio estruturado
3. Ex Grave→ Não consegue ficar sentada na sala de aula, interrompe a professora
constantemente, perde materiais diariamente e tem dificuldade extrema para terminar tarefas
Características associadas
• Pode estar acompanhado de atrasos leves no desenvolvimento
da linguagem, motor ou social
• Baixa tolerância a frustração
• Irritabilidade
• Desempenho acadêmico ou profissional pode estar prejudicado
• Adultos: risco aumentado de tentativa de suicídio
(comorbidades)
Prevalência
Prevalência Global do TDAH: cerca de 7,2% das
crianças mundialmente
Varia entre 0,1% e 10,2% dependendo do país
Cerca de 2,5% dos adultos apresentam o transtorno,
segundo metanálises internacionais
Desenvolvimento e curso
• Bebês – excesso de atividade motora ainda quando estão
engatinhando (início da locomoção independente)
• Antes dos 4 anos, é difícil distinguir o TDAH do comportamento
normal
• Diagnóstico mais comum durante as primeiras séries→ desatenção
• TDAH é estável até e durante o início da adolescência
Desenvolvimento e curso
• Pré-escola: hiperatividade mais evidente
• Ensino fundamental: desatenção mais evidente
• Adolescência: sinais de hiperatividade são menos comuns, há
comportamento mais irrequieto ou sensação interna de nervosismo,
inquietude ou impaciência
• Adulto: além da desatenção e inquietude, a impulsividade pode
permanecer problemática, mesmo ocorrendo redução da hiperatividade
Desenvolvimento e curso
• Cerca de 75% das crianças com TDAH → adolescentes com TDAH e,
destes adolescentes, cerca de 50% → adultos que seguem
apresentando sintomas de TDAH
• TDAH é um transtorno que persiste ao longo da vida dos pacientes
• Sem qualquer tratamento, cerca de 10 – 20% remissão funcional
Fatores de risco e prognóstico
• Temperamentais- Baixos níveis de inibição comportamental e maior
busca por novidades
• Ambientais- (menos de 1.500 gramas ao nascer, prematuridade,
exposição pré-natal ao fumo, exposição a neurotoxina (p. ex.,
chumbo), infecções (p. ex., encefalite) ou exposição ao álcool na
gestação
• Genéticos e fisiológicos- Herdabilidade de 74%, não há um único gene
responsável pelo TDAH
Fatores de risco e prognóstico
• Modificadores do curso- Padrões de interação familiar no começo da
infância não causam TDAH, embora possam influenciar seu curso ou
contribuir para o desenvolvimento secundário de problemas de
conduta
Questões Diagnosticas Relativas ao Gênero
• Meninos 2:1 (crianças)
• Adultos 1,6:1
• Meninas→ desatenção
Marcadores Diagnósticos
• Apesar de alguns estudos de neuroimagem mostrarem diferenças em
crianças com TDAH se comparadas com a amostra de controle, uma
metanálise envolvendo todos os estudos de neuroimagem demonstrou que
não há diferenças entre indivíduos com TDAH e a amostra de controle
nesse aspecto. Isso provavelmente se deve a diferenças em critérios
diagnósticos, tamanho da amostra, tarefas empregadas e aspectos
técnicos da técnica de produção de neuroimagem
• Até que essas questões sejam resolvidas, nenhuma técnica de
neuroimagem deve ser usada para diagnosticar TDAH
Associação com Pensamentos ou Comportamentos
Suicidas
• Aumenta o risco de ideação e comportamento suicida em crianças
• Em adultos, há maior risco de tentativas de suicídio, especialmente
quando há comorbidades (transtornos do humor, conduta ou uso
de substâncias)
• Pensamentos suicidas são mais comuns em pessoas com TDAH
do que na população sem o transtorno
Consequências Funcionais
Impacto Acadêmico
• Desempenho escolar abaixo da média
• Rejeição por colegas e maior risco de lesões em casos de
hiperatividade/impulsividade
• Comportamento mal interpretado como preguiça ou
irresponsabilidade
Consequências Funcionais
Impacto Profissional
• Maior probabilidade de desemprego e conflitos interpessoais
Relações Sociais e Familiares conturbadas
Risco de Problemas Psiquiátricos e Legais
• Maior probabilidade de transtornos por uso de substâncias
Saúde e Segurança
• Maior propensão a sofrer lesões
• Mais acidentes de trânsito e infrações
COMORBIDADES
• Transtorno de oposição desafiante
• Transtorno da conduta
• Transtorno específico da aprendizagem
• Transtornos de ansiedade e depressivos
• TOC, tique e espectro autista