UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS
MARIA FERNANDA CORREIA ROMANELLI
MARIA IZABELA MARQUES DO NASCIMENTO
PRÊMIO NOBEL DE FISIOLOGIA E MEDICINA DE 1943:A DESCOBERTA DA
VITAMINA K
ALFENAS/MG
2024
MARIA FERNANDA CORREIA ROMANELLI
MARIA IZABELA MARQUES DO NASCIMENTO
PRÊMIO NOBEL DE FISIOLOGIA E MEDICINA DE 1943:A DESCOBERTA DA
VITAMINA K
Trabalho de pesquisa sobre o Prêmio Nobel
de 1943 apresentado ao curso de Medicina,
como parte dos requisitos necessários à
obtenção de nota na matéria Humanidades
em Medicina.
ALFENAS/MG
2024
SUMÁRIO
1. RESUMO .............................................................................................................................1
2. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 2
3. BIOGRAFIA ........................................................................................................................3
3.1 Biografia de Henrik Carl Peter Dam ............................................................. 3
3.2 Biografia de Edward Adelbert Doisy ............................................................ 3
4. DESENVOLVIMENTO ......................................................................................................5
4.1 Implicações da descoberta da vitamina k na medicina atual .................... 5
5. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 9
6. REFERÊNCIAS................................................................................................................ 10
1. RESUMO
O Prêmio Nobel, instituído por Alfred Nobel, é uma premiação que visa
reconhecer as contribuições mais significativas para o bem da humanidade nas
áreas de física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz. Em 1943, o Prêmio
Nobel de Fisiologia ou Medicina foi concedido a Henrik Carl Peter Dam e Edward
Adelbert Doisy, cujas descobertas revolucionaram a compreensão da vitamina K.
Dam identificou a vitamina K e seu papel vital na coagulação sanguínea,
descobrindo que sua ausência pode levar a hemorragias fatais. Doisy, por sua vez,
desvendou a estrutura química da vitamina K, permitindo sua síntese e utilização
terapêutica. Essas descobertas não apenas transformaram a medicina ao fornecer
uma nova abordagem para o tratamento de doenças hemorrágicas, mas também
abriram caminhos para avanços na pesquisa de saúde pública e nutrição. O
reconhecimento de 1943 simboliza o impacto duradouro dessas descobertas na
promoção da saúde global e no aprofundamento do conhecimento científico.
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2. INTRODUÇÃO
A vitamina K é conhecida como um fator essencial na coagulação do sangue
ou também como fator anti-hemorrágico, capaz de restabelecer perturbações
sanguíneas. É um grupo de compostos lipossolúveis essenciais para diversos
processos biológicos no corpo humano. Em 1939, Herink na Dinamarca e Edward
em Saint Louis isolaram a vitamina K1 e determinaram sua estrutura: 2-metil-3-
phytyl-1,4 naftoquinona. As formas naturais de vitamina K são a filoquinona e as
menaquinonas. A vitamina K1, hoje chamada de filoquinona, é o único análogo da
vitamina presente em plantas, que são encontradas em hortaliças e óleos vegetais,
os quais representam a fonte predominante da vitamina. A forma sintetizada por
bactérias, as menaquinonas, originalmente chamadas de K2, foram
subsequentemente caracterizadas (Dowd et al., 1995).
A vitamina K1 ou Filoquinona é o único composto encontrado em vegetais
verdes, como espinafre, brócolis e couve. Ela é vital para a fotossíntese das plantas
e para coagulação sanguínea nos humanos. A sua função nas plantas é mais bem
vista nos cloroplastos, onde está ligada à membrana interna. Em quantidades total,
a vitamina K1 constitui aproximadamente 75% a 90% de toda a vitamina K no
organismo. Já a vitamina K2 ou Menaquinonas é produzida por bactérias no trato
intestinal e podem ser encontradas em alimentos fermentados, carnes e queijos. Os
queijos são uma fonte particularmente rica, devido à fermentação bacteriana que
ocorre quando são produzidos, cerca de metade de toda vitamina K2 ingerida por
humanos vem do queijo. A K2 possui vários subtipos, que variam e são importantes
tanto para saúde óssea e cardiovascular.
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3. BIOGRAFIA
3.1 Biografia de Henrik Carl Peter Dam
Henrik Carl Peter Dam nasceu em Copenhague, Dinamarca, em 21 de
fevereiro de 1895. Ele era filho de Emil Dam, um farmacêutico, e da professora
Emilie Peterson. Henrik Carl iniciou sua educação no Instituto Politécnico de
Copenhague, onde se formou em química. Posteriormente, ele se especializou em
bioquímica, recebendo seu doutorado em 1923. Sua tese de doutorado focou-se em
esteróis, substâncias importantes na fisiologia animal. O químico começou sua
carreira como assistente no Laboratório de Fisiologia do Instituto Politécnico em
Copenhague. Ele também trabalhou no Departamento de Bioquímica na
Universidade de Copenhague. Em 1929, durante suas pesquisas sobre a
alimentação de galinhas com uma dieta livre de gordura, ele observou problemas
hemorrágicos nas aves, levando à descoberta de uma substância presente em
folhas verdes, essencial para a coagulação sanguínea, que ele denominou vitamina
K. Posteriormente, ainda pesquisou sobre as doenças advindas da deficiência da
vitamina E. Ele continuou a sua pesquisa nos Estados Unidos durante a Segunda
Guerra Mundial, onde colaborou com várias instituições de pesquisa. Em 1943,
Henrik foi premiado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por suas
descobertas sobre a vitamina K. Seu trabalho foi fundamental para a compreensão
da coagulação sanguínea e teve um impacto duradouro na medicina e na nutrição.
Após a guerra, Henrik retornou à Dinamarca, onde continuou suas pesquisas na
Universidade de Copenhague até sua aposentadoria. Aposentado, morreu em
Copenhague no ano de 1976.
3.2 Biografia de Edward Adelbert Doisy
Edward Adelbert Doisy, bioquímico americano, nasceu em 13 de novembro
de 1893, em Hume, Illinois, EUA. Ele era filho de Edward Perez e Ada Doisy.
Edward é bacharelado em química pela Universidade de Illinois em 1914. Ele
continuou seus estudos em Harvard, onde recebeu seu doutorado em bioquímica
em 1920. Sua dissertação foi sobre a química de esteróides, um campo emergente
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na época. Após concluir seus estudos, ele começou a trabalhar na Universidade de
Washington em Saint Louis como instrutor de bioquímica. Em 1923, ele foi
contratado pela Universidade de Saint Louis, onde se tornou chefe do Departamento
de Bioquímica. Durante a década de 1930, Edward realizou pesquisas cruciais
sobre hormônios esteróides e vitaminas. Ele conseguiu isolar a vitamina K em 1939
e elucidou sua estrutura química. Edward compartilhou o Prêmio Nobel de Fisiologia
ou Medicina em 1943 com Henrik Carl Peter Dam por suas descobertas
relacionadas à vitamina K. Ele foi um dos pioneiros no campo da endocrinologia,
com contribuições significativas para a química dos hormônios sexuais femininos,
incluindo a descoberta da Esterona. Morreu em Saint Louis, Missouri, no ano de
1986.
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4. DESENVOLVIMENTO
4.1 Implicações da descoberta da vitamina k na medicina atual
A variabilidade na atividade das diferentes formas de vitamina K e a sua
importância na carboxilação de proteínas tornam esta vitamina um foco significativo
para a pesquisa e desenvolvimento de novas terapias médicas. “A vitamina K é uma
coenzima crucial para a c-carboxilação pós-traducional de resíduos de ácido
glutâmico no lado luminal do retículo endoplasmático rugoso” (MLADĚNKA, 2021, p.
681). Esta função é mediada pelo complexo enzimático da c-glutamil carboxilase e
pela vitamina K epóxido redutase (VKORC1), e envolve a transformação da vitamina
K quinona em sua forma hidroxiquinona ativa, facilitando a carboxilação das
proteínas alvo, que é essencial para a coagulação sanguínea e outras funções
fisiológicas críticas.
“Atualmente, existem pelo menos 18 ou 19 proteínas fisiológicas humanas e
1 proteína patológica para as quais a maturação pós-traducional é possibilitada pela
c-glutamil carboxilação dependente de vitamina K.” (MLADĚNKA, 2021, p. 684).
Essas proteínas, conhecidas como proteínas Gla (derivadas do ácido c-
carboxiglutâmico), desempenham papéis fundamentais em diversas funções
biológicas, incluindo a coagulação sanguínea e a mineralização do tecido conjuntivo.
Entre as proteínas dependentes de vitamina K, sete estão diretamente envolvidas
na coagulação sanguínea: fatores de coagulação II, VII, IX e X, e as proteínas
anticoagulantes C, S e Z. “Essa grande variedade de proteínas dependentes mostra
que os efeitos pleiotrópicos da vitamina K vão muito além de garantir o bom
funcionamento dos processos de coagulação.” (KAŹMIERCZAK-BARAŃSKA;
KARWOWSKI, 2022). Antagonistas da vitamina K (AVKs) estão associados a danos
cardiovasculares, enquanto a suplementação com vitamina K pode retardar doenças
vasculares. A vitamina K tem efeitos protetores sobre os vasos sanguíneos,
reduzindo a inflamação e o estresse oxidativo, além de proteger oligodendrócitos e
neurônios contra danos oxidativos. Ela impede a ativação da 12-lipoxigenase,
prevenindo a acumulação de mediadores pró-oxidativos. A vitamina K também age
como antioxidante, neutralizando radicais livres e prevenindo a morte celular
induzida pela depleção de GSH. Estudos em animais e linhagens celulares indicam
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que a vitamina K inibe a inflamação e possui efeitos neuroprotetores, anti-
inflamatórios e antiapoptóticos.
“Além disso, o tratamento com K1 demonstrou reduzir a expressão do
mRNA da interleucina-6 (IL-6) em células THP-1 (macrófagos
humanos) tratadas com LPS [33]. A IL-6 tem sido implicada na
patologia de uma ampla gama de doenças, incluindo doença arterial
coronariana (DAC) [37], que contribui para o diabetes [38],
envelhecimento [39,40] e progressão do câncer. (KAŹMIERCZAK-
BARAŃSKA; KARWOWSKI, 2022)
Além disso, estudos destacam a interação entre a vitamina K (VK) e a
microbiota intestinal, abordando o papel crucial que as bactérias intestinais
desempenham na síntese de menaquinonas (K2), influenciando diretamente a
saúde intestinal. Em casos de supercrescimento bacteriano no intestino delgado
(SIBO), há uma associação com baixos níveis circulantes de K2, o que afeta
negativamente o metabolismo desta vitamina. A suplementação com VK pode
alterar a composição da microbiota, aumentando a presença de bactérias benéficas,
como Lactobacillus, e reduzindo as patogênicas, como Aeromonas e E. coli. Além
disso, a VK pode regular a produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFA),
importantes para a função de barreira intestinal e resposta imune. Estudos sugerem
que a VK também possui propriedades antioxidantes e pode melhorar a saúde
intestinal ao regular enzimas pró e antioxidantes. Em resumo, a VK tem um papel
potencialmente terapêutico na modulação da microbiota intestinal, alívio da
inflamação e estresse oxidativo em doenças intestinais.
Além de seus benefícios intestinais, a vitamina K1 é administrada a recém-
nascidos para prevenir a doença hemorrágica por deficiência de vitamina K (VKDB),
potencialmente letal. VKDB pode ocorrer nas primeiras 24 horas de vida devido a
medicamentos maternos que interferem no metabolismo fetal da vitamina K. “Sem
profilaxia, a DVKDB pode ocorrer na primeira semana após o nascimento devido à
deficiência de vitamina K causada pela transferência placentária insuficiente e
baixas concentrações de vitamina K no leite materno.” (HALDER et al., 2019). Além
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disso, a vitamina K1 é utilizada em pacientes sob tratamento com antagonista da
vitamina K (AVK) antes de cirurgias eletivas ou quando há sangramento prolongado.
Estudos recentes sobre o efeito modulador da redox da vitamina K têm
revelado uma ação anticancerígena exercida por essa coenzima.
Vários estudos demonstraram uma citotoxicidade da vitamina K para
células cancerosas. Vários mecanismos, responsáveis pela parada do
crescimento celular e supressão da proliferação da vitamina K, têm
sido descritos. No entanto, quase todos eles estão focados na
modulação do balanço redox e indução de estresse oxidativo em
células cancerosas devido à estrutura quinona da vitamina K.
(IVANOVA et al., 2018)
A vitamina K demonstra citotoxicidade para células cancerosas por diversos
mecanismos. Um dos principais é a modulação do balanço redox, onde a vitamina K
reduz os níveis de superóxido, um radical livre que promove a sobrevivência celular
cancerosa, e aumenta a produção de peróxido de hidrogênio, que induz à apoptose.
Além disso, a vitamina K pode gerar radicais hidroxila e hidroperoxil altamente
reativos e citotóxicos por meio de reações de Fenton. A vitamina K também altera a
homeostase intracelular de cálcio e ativa fatores pró-apoptóticos, como JNKs e NF-
κB. Combinada com a vitamina C, a vitamina K potencia o efeito anticancerígeno,
promovendo a apoptose e melhorando a eficiência da fosforilação oxidativa nas
células cancerosas.
A vitamina K, essencialmente investigada como um adjuvante potencial na
terapia contra o câncer, demonstrou efeitos promissores em cânceres femininos
como mama, colo do útero e ovário em estudos in vitro e em animais. A vitamina K2
e K3 mostraram-se especialmente eficazes, enquanto estudos sobre a vitamina K1
são mais limitados. Observações sugerem que a suplementação dietética pode
reduzir riscos associados à carcinogênese, incluindo progressão e mortalidade. A
combinação de vitamina K com quimioterapia padrão também pode melhorar
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resultados clínicos com menor toxicidade. No entanto, são necessários mais
ensaios clínicos para validar esses achados e explorar melhorias terapêuticas.
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5. CONCLUSÃO
As descobertas de Henrik Carl Peter Dam e Edward Adelbert Doisy sobre a
vitamina K, que lhes renderam o Prêmio Nobel de 1943, ressaltam sua importância
histórica e médica. A vitamina K é essencial para o corpo humano, desempenhando
um papel vital para a coagulação sanguínea e atuando em diversos processos
biológicos.
Recentes avanços científicos destacam a relevância da vitamina K na
carboxilação de proteínas, essenciais tanto para a coagulação quanto para a
mineralização de tecidos. Suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias
sugerem potenciais terapias para doenças vasculares e neurodegenerativas. Além
disso, a interação da vitamina K com a microbiota intestinal revela um papel
significativo na saúde digestiva e imune. Estudos recentes ainda sugerem que a
vitamina K pode ter efeitos anticancerígenos promissores, especialmente em
relação aos cânceres femininos. Além disso, administração profilática de vitamina
K1 a recém-nascidos é indispensável para a prevenção da doença hemorrágica.
No entanto, apesar de suas inúmeras aplicabilidades, é necessário a
realização de mais pesquisas clínicas para validar esses benefícios, além de
explorar novas aplicações terapêuticas dessa vitamina. Essa investigação contínua
é essencial para aprofundar a compreensão sobre as funções da vitamina K no
organismo e ampliar seu potencial na promoção da saúde e no tratamento de
diversas doenças.
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6. REFERÊNCIAS
HALDER, M. et al. Vitamin K: Double Bonds beyond Coagulation Insights into
Differences between Vitamin K1 and K2 in Health and Disease. International Journal of
Molecular Sciences, v. 20, n. 4, p. 896, 19 fev. 2019.
IVANOVA, D. et al. Vitamin K: Redox-modulation, prevention of mitochondrial
dysfunction and anticancer effect. Redox Biology, v. 16, p. 352–358, jun. 2018.
KAŹMIERCZAK-BARAŃSKA, J.; KARWOWSKI, B. T. Vitamin K Contribution to DNA
Damage—Advantage or Disadvantage? A Human Health Response. Nutrients, v. 14, n.
20, p. 4219, 11 out. 2022.
LAI, Y. et al. Role of Vitamin K in Intestinal Health. Frontiers in Immunology, v. 12, p.
791565, 2021.
MARKOWSKA, A. et al. Role of Vitamin K in Selected Malignant Neoplasms in Women.
Nutrients, v. 14, n. 16, p. 3401, 18 ago. 2022.
MLADĚNKA, P. et al. Vitamin K – sources, physiological role, kinetics, deficiency,
detection, therapeutic use, and toxicity. Nutrition Reviews, v. 80, n. 4, 2 set. 2021.
OWS. Salton Cursos - Prêmios Nobel e Outros Destaques - 1943:EDWARD DOISY e
CARL HENRIK DAM . Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 11 jun. 2024.
The Nobel Prize in Physiology or Medicine 1943. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 11 jun. 2024.
The official website of the Nobel Prize. Disponível em: <[Link] Acesso em:
11 jun. 2024.
RAJU, T. N. K. The Nobel chronicles. Lancet, v. 353, n. 9154, p. 761, 1999.
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