Material complementar ao livro
TRATANDO TDAH EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
O QUE TODO CLÍNICO DEVE SABER
RUSSEL A. BARKLEY
FOLHETO 3 O QUE É O TDAH?
TDAH é uma condição neurodesenvolvimental: ocorre em grande parte por causas neuro-
lógicas e genéticas que resultam em um atraso no desenvolvimento de habilidades mentais
específicas.
Os problemas com essas habilidades mentais se situam em duas dimensões:
Desatenção
Sintomas hiperativos-impulsivos
O seguinte se aplica ao TDAH:
Não é uma escolha do seu filho ou uma criação dele.
Faz parte da natureza psicológica e física da criança.
Torna-se evidente durante a infância (antes dos 16 anos, em 98% dos casos).
É provável que afete seu filho em muitas situações e ambientes diferentes, mas não em
todos.
É provável que persista durante a infância e a adolescência e frequentemente na idade
adulta.
Os sintomas do TDAH representam o ponto extremo de um continuum da habilidade huma-
na normal ou típica nas dimensões da desatenção e da hiperatividade-impulsividade. Para
ser diagnosticados com TDAH, crianças e adolescentes precisam experienciar sintomas co-
mo a seguir:
mais frequentemente e mais gravemente do que é típico para outros da sua idade;
por pelo menos 6 meses;
em dois ou mais contextos (casa, escola, trabalho, comunidade);
que levem a funcionamento prejudicado em atividades importantes na vida, como ativi-
dades sociais (família, pares, comunidade), acadêmicas ou ocupacionais.
O TDAH é considerado um transtorno porque prejudica habilidades universais aos seres hu-
manos e causa prejuízos, afetando negativamente a saúde, o ciclo de vida e o funcionamen-
to diário em muitos domínios da vida.
De Treating ADHD in Children and Adolescents, Russell A. Barkley. Copyright © 2022 The Guilford Press. É
permitida a cópia deste material aos consumidores deste livro unicamente para uso pessoal (veja a pági-
na sobre direitos autorais para mais detalhes). Estes também podem fazer download de cópias adicionais
deste material (veja o quadro no final do sumário).
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O QUE TODO CLÍNICO DEVE SABER
RUSSEL A. BARKLEY
FOLHETO 4 OS SINTOMAS DO TDAH
Estes são os sintomas que você mais provavelmente verá no seu filho com TDAH:
DESATENÇÃO
Não presta atenção especial aos detalhes
Comete erros descuidados
Não consegue sustentar a atenção a tarefas ou atividades
Parece não ouvir bem
Não segue instruções
Não termina o trabalho
Não consegue organizar bem as atividades
Evita ou parece relutante em fazer coisas que requerem esforço sustentado
Perde coisas necessárias para concluir tarefas ou atividades
É facilmente distraído
Esquece as coisas
HIPERATIVIDADE-IMPULSIVIDADE
Agita as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira
Sai do seu lugar quando é esperado que permaneça sentado
Corre ou sobe nas coisas em momentos inapropriados
Não consegue brincar calmamente
Com frequência parece estar "a mil por hora" ou “movido a motor”
Fala demais
Deixa escapar as respostas prematuramente
Não consegue esperar
Interrompe ou se intromete em atividades de outras pessoas
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O QUE TODO CLÍNICO DEVE SABER
RUSSEL A. BARKLEY
FOLHETO 5 QUEM TEM TDAH?
3-8% das crianças (média 5,3% no mundo todo) e 4-7% dos adolescentes têm TDAH. Isto
significa que 3,7-5,9 milhões de crianças em idade escolar apenas nos Estados Unidos têm
TDAH. Facilmente pode haver uma ou duas crianças na sala de aula do seu filho nos Esta-
dos Unidos que têm TDAH.
A proporção de homens e mulheres com TDAH é de 3-4 para 1 em crianças em 2-2,5 para 1
em adolescentes (e aproximadamente 1,5 para 1 em adultos).
O transtorno foi identificado em todos os países, grupos étnicos e culturas em que foi es-
tudado.
Não há evidências de diferenças significativas ou relevantes na prevalência ou na natureza
do transtorno entre os grupos étnicos.
10-34% daqueles diagnosticados quando crianças ou adolescentes não satisfazem mais os
critérios (sobretudo na dimensão da hiperatividade) para o diagnóstico quando adultos.
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RUSSEL A. BARKLEY
O TDAH É UM TRANSTORNO DA FUNÇÃO
FOLHETO 6
EXECUTIVA E DA AUTORREGULAÇÃO
Para fins de diagnóstico, o TDAH é considerado um transtorno que envolve desatenção e hi-
peratividade-impulsividade. Estes dois problemas descrevem o que você pode ver em seu
filho – incapacidade de se concentrar e se manter nas tarefas, dificuldade de se sentar quieto
na sala de aula e muita ação sem refletir, mas essas duas dimensões não capturam o que está
na raiz do TDAH. Este é mais precisamente definido como problemas com a autorregulação (o
que você pode pensar como autocontrole) por meio do uso das funções executivas do cérebro.
Quando você entende que o desenvolvimento de certas habilidades mentais que nos permitem
funcionar com êxito em casa, na escola, com amigos e no trabalho – frequentemente chamadas
de funções executivas – foi retardado na sua infância, fica muito mais fácil entender por que os
comportamentos do seu filho podem levá-lo a perguntar: “No que você estava pensando?” ou
“Por que você simplesmente não consegue se ater à tarefa e terminar seu dever de casa?”. Sa-
ber que seu filho tem dificuldade para planejar e executar para atingir objetivos que os outros
esperam que ele alcance, além daqueles que ele mesmo estabeleceu, pode ajudá-lo a predizer
onde surgirão problemas que requerem seu apoio e sua compaixão para um transtorno que o
seu filho não pediu para ter. E pode ajudá-lo a auxiliar seu filho a ultrapassar os déficits nestas
funções executivas.
Persistência voltada para os objetivos (desatenção) e resistência à distração: crianças e
adolescentes com TDAH têm dificuldade para fazer as coisas ao longo do tempo e em tempo
que envolve eventos tardios ou futuros. Eles prestam atenção ao que está acontecendo neste
momento, mas não ao que precisam fazer para estarem prontos para o que está vindo a seguir
ou que lhes foi designado para fazer. Mesmo que tentem persistir na direção das tarefas e
objetivos, eles têm mais probabilidade que outros de reagir a distrações – não apenas a coisas
irrelevantes que ocorrem à sua volta mas também a ideias irrelevantes em suas mentes.
Memória de trabalho: uma grande parte da desatenção que você pode ver em seu filho pro-
vém da incapacidade de ter em mente o objetivo que a criança escolheu ou lhe foi designado,
o que isso envolve e monitorar quando foi atingido. Isto reflete uma deficiência na memória de
trabalho, que é lembrar-se do que fazer. A memória para fatos, conhecimento ou informação
não é um problema tanto quanto lembrar o que deve ser feito e persistir nisto até que esteja
feito. Mesmo que aqueles com TDAH tentem manter essas informações na mente para guiar
seu comportamento na direção de um objetivo ou tarefa, como instruções ou tarefas, qualquer
distração vai perturbar e degradar este tipo especial de memória. O quadro negro mental da
memória de trabalho é apagado pela distração, e então a criança agora vai fazer outra coisa
que não era o que deveria fazer. Depois de reagir a uma distração, a criança agora tem menos
probabilidade de retornar à tarefa original e concluí-la. Lembre-se, crianças ou adolescentes
com TDAH têm menos probabilidade do que as outras de lembrar o que deveriam estar fazendo.
Inibição: ser capaz de inibir ações que são inapropriadas para um certo tempo ou lugar é
parte importante da autorregulação. Crianças e adolescentes com TDAH parecem fazer ou
dizer impulsivamente o que vem à sua cabeça sem primeiro pensar “Esta é uma boa ideia?” e
não agir segundo o pensamento se a resposta for não. Eles também vão optar por recompen-
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sas imediatas quando estas estiverem disponíveis, ignorando o maior valor de recompensas
maiores que poderiam ser recebidas mais tarde. Além da sua tomada de decisão impulsiva,
eles tendem a se agitar, tocar nas coisas e apresentar de outras formas uma atividade motora
excessiva (a hiperatividade). Eles também tendem a falar demais. Por fim, eles têm muito mais
chance de exibir suas reações emocionais e muito mais rapidamente do que outros da sua
idade. Depois que a emoção é desencadeada, têm muita dificuldade com a tarefa de autorre-
gulação para moderá-la.
Planejamento e solução de problemas: todos os dias, enfrentamos obstáculos e precisamos
encontrar opções para superá-los; então temos que criar um plano para chegar lá. Planejamento
e solução de problemas estão entre as funções executivas que se desenvolvem mais lentamen-
te naqueles com TDAH. Seu filho pode ter dificuldades com aritmética mental e relatos orais e
escritos na escola, além da resolução de conflitos com amigos e de se adequar a tarefas domés-
ticas, dever de casa e diversão quando o tempo é curto. Consciência e gerenciamento do tempo
é, na verdade, um problema importante para crianças e adolescentes com TDAH.
Os déficits cognitivos mencionados vão, então, perturbar o funcionamento executivo em ativi-
dades escolares diárias. Assim sendo, o funcionamento executivo deficiente na vida diária será
evidente em problemas com:
Autocontrole – inibição comportamental deficiente, autocontrole limitado, pouco adiamen-
to da gratificação e dificuldades para subordinar seus interesses e desejos imediatos aos
dos outros.
Autogerenciamento do tempo – fraco gerenciamento do tempo e organização ao longo do
tempo para atingir seus objetivos e realizar as tarefas designadas.
Automotivação – uma incapacidade de ativar e manter a motivação para tarefas relativa-
mente enfadonhas, tediosas, que requerem esforço ou demoradas em que não há interesse
intrínseco ou recompensa imediata.
Auto-organização e solução de problemas – dificuldade com a organização do espaço pes-
soal, escrivaninha, armário, materiais acadêmicos, etc., de modo a realizar o trabalho mais
eficiente e efetivamente. O esquecimento do que deve ser feito ou do que foi designado será
algo rotineiro. Conforme observado anteriormente, também haverá déficits evidentes nas
tarefas que requerem memória de trabalho e solução de problemas ponderada.
Autorregulação das emoções – dificuldade com a inibição da expressão de emoções impul-
sivas em reação a eventos emocionalmente provocativos. Isto fica evidente no aluno que é
facilmente excitável, propenso a explosões emocionas positivas e negativas, e na maior im-
paciência que tipicamente, frustração, raiva, hostilidade e agressão reativa.
A vasta maioria das crianças e adolescentes com TDAH se enquadra nos 7% da população
com os resultados mais baixos em cada área importante do funcionamento executivo na vida
diária. Isto se deve em parte ao fato de que pesquisas mostraram que sua idade executiva está
20-45% abaixo da sua idade cronológica. Em média, você deve presumir que seu filho é, em
termos de funções executivas, 30% mais novo do que a sua idade cronológica. Isso significa,
por exemplo, que se pode esperar que uma criança de 10 anos com TDAH tenha as habilidades
mentais descritas aqui para uma criança típica de 7 anos. Se o mundo à volta destas crianças e
adolescentes espera que eles tenham desempenho semelhante a outros da sua idade cronoló-
gica, é claro que elas vão decepcionar – e acabar desmoralizadas. Embora os sintomas (sobre-
tudo hiperatividade) possam diminuir com a aproximação da idade adulta, o prejuízo causado
pelo TDAH na vida diária pode até mesmo aumentar com a idade. Isso porque adolescentes
e adultos jovens estão gradualmente participando de mais domínios do que participavam du-
rante a infância (sexo, condução de veículos, gerenciamento do dinheiro, coabitação com um
parceiro, criar filhos, etc.), todos os quais requerem um funcionamento executivo forte.
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O QUE TODO CLÍNICO DEVE SABER
RUSSEL A. BARKLEY
FOLHETO 7 O QUE PIORA OS SINTOMAS DO SEU FILHO?
Em geral, os sintomas do TDAH podem frequentemente ser piores em contextos ou tarefas que
demandam funcionamento executivo e autorregulação, incluindo aqueles com as seguintes
características:
São tediosos e desinteressantes
Envolvem consequências significativamente adiadas ou feedback infrequente
Requerem trabalhar independentemente dos outros
Não têm supervisão
Envolvem grupos de crianças
São altamente familiares (e por isso em geral menos interessantes)
Envolvem os pais em vez de estranhos ou adultos menos familiares
Incluem os pais ou os supervisores que falam e argumentam demais, mas raramente agem
para controlar o mau comportamento
Requerem espera
Ocorrem no fim da tarde ou à noite (devido à fadiga no autocontrole)
Impõem restrições substanciais ao movimento (como a mesa de trabalho na sala de aula)
O inverso também é verdadeiro: seu filho pode funcionar melhor em situações que envolvem
atividades divertidas, tarefas altamente estimulantes ou interessantes (como videogames),
muito movimento, ginástica, recreio, esportes, etc.), recompensas ou feedback frequente, su-
pervisão atenta, trabalho em pequenos grupos com os pares em vez de independentemente,
trabalho individual com um adulto, ambientes praticamente inéditos e situações em que os
supervisores falam brevemente, mas apoiam suas regras em consequências e nas quais há
pouca ou nenhuma pressão para esperar pelas coisas.
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FOLHETO 8 PROBLEMAS NA ESCOLA ASSOCIADOS AO TDAH
Os sintomas do TDAH, juntamente com seus inúmeros déficits associados à fraca autorregu-
lação e ao fraco funcionamento executivo, praticamente garantem que uma criança ou um
adolescente com TDAH terá problemas na escola. Esses problemas podem parecer tão di-
versificados que é difícil imaginar que todos eles possam ser resultantes do fato de seu filho
ter TDAH. Mas a maioria deles é. Alguns problemas escolares também são resultado de uma
dificuldade específica da aprendizagem, mas boa parte do tempo, os problemas dos quais os
professores do seu filho podem estar se queixando são resultado do TDAH:
Devaneios excessivos durante o trabalho na sala de aula ou no dever de casa
Distrair-se repetidamente com o que os colegas estão fazendo
Ter dificuldade para fazer o trabalho em uma mesa
Problemas com projetos em grupo
Problemas de comportamento durante reuniões e saídas de campo
Esquecer as normas da escola e da sala de aula
Interferir no desempenho escolar dos colegas
Procrastinar nos projetos em aula e nas tarefas do dever de casa
Entregar as tarefas com atraso
Fraco desempenho nas provas
Deixar até o último minuto para realizar as tarefas, quando então são feitas de maneira
apressada e normalmente malfeitas
Perder o dever de casa ou esquecer de trazer para a escola as tarefas concluídas no dia
seguinte
Perturbar a aula com hiperatividade ou impulsividade
Andar excessivamente ou correr pela sala de aula
Maneirismos e outros movimentos inquietos quando sentado
Tocar ou interagir inapropriadamente com os materiais da sala de aula
Falar excessivamente ou interromper os outros e falar alto demais
Provocar ou mesmo praticar bullying com os colegas
Ser intimidado (sobretudo crianças que são menores do que o normal para sua idade ou
mais ansiosas e retraídas que a maioria dos alunos)
Impaciência para esperar por eventos programados
Problemas para compartilhar brinquedos e materiais
Baixa tolerância à frustração
Reações de raiva e possivelmente agressivas à provocação dos colegas
Caligrafia ruim e trabalho escrito descuidado
Falta de coordenação que pode resultar em destruição de propriedade ou lesões aciden-
tais, além de dificuldades na educação física
Mesas, armários, materiais e mochilas altamente desorganizados
Pouca compreensão da leitura
Pouca lembrança das aulas do professor ou dos vídeos
Pouca consciência dos seus problemas com assuntos acadêmicos, comportamento na sala
de aula e relações com os outros alunos
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FOLHETO 9 O QUE CAUSA O TDAH?
O TDAH não é causado por fatores sociais como parentalidade. Ele é conhecido como um
transtorno do neurodesenvolvimento porque suas causas principais se encontram na genética
e na neurologia. Estes são fatos rápidos sobre as causas do TDAH.
GENÉTICA
O TDAH é um transtorno altamente herdado:
Ter um dos pais com TDAH aumenta em 6 a 8 vezes a chance de uma criança ter o transtor-
no (35-54%) quando comparada com outras crianças.
Os irmãos biológicos de uma criança com TDAH têm 3 a 5 vezes mais chance de ter a con-
dição (25-35%).
A mãe biológica de uma criança com TDAH tem 3 a 4 vezes mais chance de ter TDAH. O pai
biológico tem 5 a 6 vezes mais chance de ter o transtorno.
O gêmeo idêntico de uma criança com TDAH tem 75 a 90% mais chance de ter também. Es-
tas estatísticas mostram claramente a natureza genética (hereditária) do TDAH.
Cerca de 80% das diferenças entre as pessoas em seu grau de sintomas de TDAH se deve a
diferenças na sua constituição genética.
Entre 25 e 44 genes podem estar envolvidos na causa do TDAH. Mas quantos e quais desses
genes de risco estão envolvidos na causa de um caso individual de TDAH varia.
A genética também pode explicar por que algumas crianças e adolescentes têm TDAH as-
sociado a outro transtorno psiquiátrico: alguns dos genes de risco para TDAH foram encon-
trados em crianças com transtornos da leitura, TEA e TB, ao passo que outros genes são
evidentes naqueles com TOD, TC e mesmo dependência de nicotina e alcoolismo.
Pais e irmãos de uma criança com TDAH podem ter mais chance de ter formas mais leves
dos sintomas ou traços do transtorno, mesmo que não atendam a todos os requisitos para
receber um diagnóstico de TDAH.
NEUROLOGIA
Centenas de estudos de pesquisa mostram que o TDAH é, em grande parte, um transtorno
neurologicamente causado:
Pelo menos cinco ou seis regiões cerebrais seguramente estão associadas ao transtorno, in-
cluindo as regiões em que as funções executivas se desenvolvem e residem.
Em geral, o cérebro de crianças e adolescentes com TDAH é aproximadamente 3-10% me-
nor globalmente na substância cinza da superfície (o material na camada externa do cére-
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bro), mas as cinco regiões cerebrais específicas envolvidas no TDAH parecem ser ainda me-
nores – cerca de 15-30% menores do que o normal para a idade.
Pesquisas desenvolvimentais identificam que o cérebro tem 2 a 3 anos de atraso em seu de-
senvolvimento nestas regiões, sobretudo os lobos frontais, e é 10-30% menos ativo do que
em casos de comparação típicos.
Outros fatores, como tabagismo e consumo de álcool pela mãe durante a gravidez, expo-
sição a chumbo e outras toxinas, bem como prematuridade/baixo peso ao nascer, também
podem estar envolvidos na causa do TDAH, interferindo no crescimento e no funcionamento
do cérebro, especialmente nas regiões cerebrais relacionadas ao TDAH.
O QUE NÃO CAUSA TDAH
Apesar das inúmeras alegações opostas, nenhuma pesquisa científica encontrou que algum
dos seguintes fatores cause TDAH:
Fatores sociais, como parentalidade ou ambiente educacional
Substâncias na dieta, como açúcar ou conservantes e aditivos alimentares
Assistir à TV em excesso, uso do computador ou jogar videogame
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FOLHETO 10 TRATAMENTOS PARA TDAH
O TDAH é semelhante ao diabetes: requer uma combinação de tratamentos usados cotidiana-
mente para manejar os sintomas. Como o diabetes, o TDAH não pode ser curado, mas trata-
mentos efetivos podem conter os sintomas, o que pode reduzir os riscos para seu filho com
TDAH e aumentar a habilidade da criança de funcionar de maneira efetiva e viver uma vida
praticamente normal.
Estes são os cinco componentes do pacote de tratamento ideal para manejar o TDAH:
1 Aconselhamento dos pacientes e de suas famílias para criar melhor compreensão do TDAH.
2 Aceitação do transtorno, compaixão pela pessoa afetada, disposição para ajudar e o per-
dão da pessoa afetada pelos problemas que o transtorno pode criar para os outros.
3 Esforços para modificar o comportamento, tanto da pessoa afetada quanto dos cuidadores.
4 Fazer mudanças no ambiente para reduzir os prejuízos (acomodações).
5 Uso de medicamento(s) para manejo do TDAH e algum transtorno comórbido, quando ne-
cessário.
Os seguintes tratamentos têm evidências substanciais de que são eficazes no manejo do TDAH
e/ou seus problemas associados:
Aconselhamento dos pais sobre a natureza do transtorno do seu filho e a gama de trata-
mentos para isto.
Treinamento dos pais em métodos de manejo do comportamento do filho.
Ajuda aos pais e adolescentes com a organização e a execução do dever de casa.
Medicações para TDAH aprovadas pela FDA: estimulantes, não estimulantes e medicamen-
tos anti-hipertensivos reformulados para uso com TDAH. Estes são apresentados em ver-
sões de curta duração (3-5 horas) e ação prolongada (8-12 ou mais horas).
Métodos de manejo do comportamento para uso na escola pelos professores.
Serviços de educação especial, quando necessário.
Exercícios físicos de rotina e frequentes para ajudar as crianças a lidar com o estresse e a
reduzir temporariamente os sintomas do TDAH.
Possivelmente, estratégias baseadas em meditação mindfulness para redução do estresse
e melhora no funcionamento diário.
Faltam evidências de pesquisas ou não são apoiados por pesquisas os seguintes tratamentos:
Suplementos alimentares.
Dietas de eliminação restritivas.
Medicamentos alternativos ou soluções de alimentação saudável.
Psicoterapia de longa duração ou psicanálise.
Ludoterapia, treinamento de habilidades sociais para crianças.
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Neurofeedback com EEG.
Jogos para treinamento cognitivo.
Treinamento de integração sensorial.
Tratamentos de quiropraxia, como massagem no couro cabeludo.
Acupuntura.
Ioga.
Estimulação magnética transcraniana.