INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS DE SAÚDE
- Na sociedade temos diversas formas de atendimento ligadas à saúde, e dependendo de sua disponibilidade e
valor, as pessoas podem optar por algum tratamento. Por isso, o sistema de cuidados com a saúde não pode
ser dissociado de uma questão cultural e social.
❖ SETORES DOS SISTEMAS DE SAÚDE
O setor informal
- Domínio leigo e não profissional, onde a má saúde é reconhecida pela primeira vez, e é iniciado o
tratamento. Ele engloba todos os tratamentos que não são de curandeiros ou médicos como: automedicação,
conselhos, grupos de igreja/autoajuda, consulta com outra pessoa leiga.
- A principal arena de cuidados desse setor é a família, a mulher sendo a principal responsável. Crenças sobre
como evitar a má saúde são muito presentes.
- Pode ter interferência na vida das pessoas com efeito negativo em sua saúde; uma família, por exemplo, que
atrapalha/facilita um tratamento médico.
O setor popular (folk)
- Grande em sociedade não industrializadas, com formas de cura sagradas e seculares. Grupo heterogêneo,
com parteiras, xamãs, curandeiros = pessoas que não estão no sistema médico oficial.
- São, muitas vezes, utilizados junto com um tratamento formal. Espírito e corpo. Sem um diagnóstico
específico; busca confortar o paciente. Número real de curandeiros tradicionais está diminuindo,
principalmente nas grandes cidades.
- Em locais como China e Índia a medicina não tradicional é aceita como profissional.
- Vantagens: presença da família, informalidade e aproximação da pessoa, influência na sociedade, cura
domiciliar, mais fácil de tratar as perturbações psicológicas da doença.
- Desvantagens: podem não identificar uma doença, confundir diagnósticos, resoluções que podem causar mal
a seus pacientes, falta de cuidado com higiene, exploração financeira e emocional.
O setor profissional
- Profissões de cura institucionalizadas, como: medicina científica ocidental moderna, alopatia, biomedicina,
parteiras, enfermeiras e fisioterapeutas.
- Mente e corpo. Recursos são escassos, distribuição não uniforme.
- Rótulos econômicos e sociais que os distanciam dos pacientes.
❖ ITINERÁRIO TERAPÊUTICO
- Atividades desenvolvidas pelos indivíduos na busca de tratamento para a doença ou aflição. Há uma
influência dos fatores sócio-culturais na formação desses itinerários.
DETERMINANTES DO PROCESSO SAÚDE
DOENÇA
Doença
- É uma construção que tem relação com sofrimento e mal, não necessariamente os correspondendo
integralmente. Há uma série de fatores que determinam a importância de certo evento na vida, o que mostra
como a doença será vivenciada.
Saúde
- “Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou
enfermidade” - OMS
- Ela é a soma de três planos:
1. Subindividual: nível biológico/orgânico definido pelo equilíbrio dinâmico de normalidade-anormalidade →
pendendo para anormalidade temos a doença (diagnosticada por profissional de saúde e
classificação)/enfermidade (dor, perda de ânimo)
2. Individual: seres biológicos e sociais, saúde variando de melhor bem estar à morte
3. Coletivo: “Saúde é o fenômeno clínico e sociológico vivido culturalmente” → amplo processo social
- Direito de saúde é muito mais abrangente que direito ao acesso aos serviços de saúde.
- Saúde é silenciosa; não percebemos ela na plenitude.
Histórico
- Esse processo ocorre de formas diferentes na mesma sociedade pois depende de muitos fatores. O ser
humano precisa se conhecer para ditar o que está certo ou errado em si.
- ANTIGUIDADE: doença como castigo de Deus
- 400 a.C: Concepção fisiológica (Hipócrates) → centra-se no paciente como um todo e seu ambiente.
- Séc. XVI: teoria dos miasmas (gases que causavam doenças)
- Séc. XIX: Koch e Pasteur → paradigma bacteriológico
- Foram criadas muitas explicações para saúde ao longo do tempo, que aproximavam e distanciavam a doença
do ambiente e todo → Concepção ontológica (modelo unicausal): trata a doença como uma entidade
própria sem relação com o modo de vida do paciente.
- Séc. XX: modelo epidemiológico (agente, hospedeiro e meio), modelo ciências da saúde → modelos
multicausais
Processo saúde-doença
- Representa o conjunto de relações e variáveis que produzem e condicionam o estado de saúde e doença de
uma população, que variam em diversos momentos históricos e do desenvolvimento científico da
humanidade.
- Menores rendas ou status social estão associados a uma pior condição em termos de saúde. Tal evidência
constitui-se em um indicativo de que os determinantes da saúde estão localizados fora do sistema de
assistência à saúde.
- Inclusão social, promoção de equidade ou de visibilidade e cidadania são consideradas ações de saúde.
- Saúde não é um bem de troca, mas um bem comum. Saúde e o adoecer são experiências subjetivas e
individuais.
- A área da saúde sozinha não consegue assegurar qualidade de vida e, consequentemente, de saúde. É na
esfera da ética que compreenderemos a necessidade do empenho de parte significativa da sociedade para
assegurar a dignidade da vida humana.
Determinação social da saúde
1. Situação e tendências da evolução demográfica, social e econômica do país
2. A estratificação socioeconômica
3. Condições de vida, ambiente e trabalho
4. Redes sociais, comunitárias
5. Comportamentos, estilos de vida
6. Saúde materno-infantil e saúde indígena
● Idade, sexo e fatores hereditários não podem ser diretamente influenciados por políticas, mas são
importantes para estabelecer políticas para grupos de risco
O papel da equipe na atuação no processo saúde doença
- Percepção sensorial: onde focar a atenção e como modificar e ampliar os filtros para poder observar coisas
que não eram percebidas anteriormente.
- Relacionar a pessoa, seu ambiente, saúde ou doença, e ações preventivas e curativas de saúde.
Classificação de políticas públicas
1. Correspondente aos macrodeterminantes → redução da pobreza, de riscos ambientais, economia afetando a
saúde
2. Determinantes estruturais → acesso a cultura, cuidados em saúde, comida, moradia
3. Determinantes de suporte social e comunitário → rede ativa para aproximar as pessoas, suporte e contatos
sociais
4. Enfocam o estilo de vida → não culpar o indivíduo e sofrem influências de fatores socioeconômicos
REFORMA SANITÁRIA NO BRASIL
❖ A CRIAÇÃO DO SUS COMO POLÍTICA PÚBLICA:AVANÇOS E IMPASSES
1923: Caixas de aposentadorias e pensões (CAP)
- Industrialização e urbanização forçam a formação de uma organização
- Surge o vínculo do SUS com a rede privada
1932: Institutos de aposentadoria e pensões (IAPs)
- Estado Novo; o novo CAP
- Compra de serviços do setor privado
1965: Instituto nacional de previdência social (INPS)
- Unificação dos IAPs (órgãos previdenciários)
- Consolida o componente assistencial, com marcada opção de compra de serviços assistenciais do setor
privado, concretizando o modelo assistencial hospitalocêntrico, curativista e médico-centrado
1977: SIMPAS e INAMPS (Sistema Nacional de Assistência e Previdência Social e Instituto Nacional
de Assistência Médica da Previdência Social)
- À custa de compra de serviços médico hospitalares e especializados do setor privado (lógica que ainda se
reproduz)
- INAMPS: extinto com a criação do SUS
1982: PAIS (Programa de Ações Integradas de Saúde)
- Ênfase na atenção primária; integração das instituições públicas da saúde mantidas pelas diferentes esferas
de governo, em rede regionalizada e hierarquizada
- Criação de sistemas de referência e contra-referência, priorizando rede pública e privada como complemento
- Previa a descentralização da administração dos recursos
- Convênios trilaterais entre o Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência Social e
Secretarias de Estado de Saúde
- Principais pontos pragmáticos do SUS criados aqui
1986: VIII Conferência Nacional de Saúde
- Intensa participação popular; consagrou uma concepção ampliada de saúde e o princípio da saúde como
direito universal e como dever do Estado; princípios estes que seriam plenamente incorporados na
Constituição de 1988
1987: SUDS (Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde)
- Principais diretrizes: universalização e equidade no acesso aos serviços de saúde; integralidade dos cuidados
assistenciais; descentralização das ações de saúde; implementação de distritos sanitários
- Governo federal, pela primeira vez, passa recurso para os municípios, prevendo a municipalização
1988: Constituição cidadã
- Estabelece a saúde como: Art. 196 “Direito de todos e dever do Estado - as necessidades individuais e
coletivas são consideradas de interesse público e o atendimento um dever do Estado; a assistência médico
sanitária integral passa a ter caráter universal e destina-se a assegurar a todos o acesso aos serviços; estes
serviços devem ser hierarquizados segundo parâmetros técnicos e a sua gestão deve ser descentralizada.”
- Estabelece, ainda, que o custeio será de recursos da União, estados e municípios, e as ações governamentais
submetidas a órgãos colegiados oficiais, os Conselhos de Saúde, com representação paritária entre usuários e
prestadores de serviços
1990: A criação do SUS
- Lei nº 8.080: detalha os objetivos e atribuições; os princípios e diretrizes; a organização, direção e gestão...
(dispõe sobre as condições para a prevenção, proteção e tratamento da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços de saúde)
- Lei nº 8.142: dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências
intergovernamentais de recursos financeiros. Institui os Conselhos/Conferências de Saúde e confere
legitimidade aos organismos de representação de governos estaduais e municipais → estava criado o
arcabouço jurídico do SUS
1991: Comissão de Intergestores Tripartite (CIT)
- Ministério da Saúde, secretarias estaduais de saúde e secretarias municipais de saúde → acompanhamento da
implantação e operacionalização da implantação do SUS
- Os recursos geridos pelo Ministério da Saúde, são divididos em duas partes: uma é retida para o
investimento e custeio das ações federais; e a outra é repassada às secretarias de saúde estaduais e
municipais.
1993: NOB-SUS 93
- Restaurar o compromisso da implantação do SUS e estabelecer o princípio da municipalização
- A participação popular trouxe a incorporação dos usuários do sistema ao processo decisório, com a
disseminação dos conselhos municipais de saúde
1996: NOB 96
- Incentivos aos programas dirigidos às populações mais carentes, como o Programa de Agentes Comunitários
de Saúde (PACS) e às práticas fundadas numa nova lógica assistencial, como Programa de Saúde da Família
(PSF)
2002: Norma Operacional de Assistência à Saúde/NOAS-SUS
- Processo de regionalização do SUS
❖ OS IMPASSES OU DIFICULDADES DO SUS
O subfinanciamento
- Grande a ponto de impedir não somente a implementação progressiva/incremental do sistema, como e
principalmente de avançar na reestruturação do modelo e procedimentos de gestão em função do
cumprimento dos princípios Constitucionais
As insuficiências da gestão local do SUS
- Dificuldade de produção de alternativas de cuidado ao modelo biomédico → desnecessários procedimentos
que aumentam as filas de espera
- A baixa resolutividade da rede básica de serviços
- Deficiência na formação dos profissionais de saúde
- Deficiência na gestão dos sistemas loco regionais de saúde: produtividade, planejamento, pouca/nenhuma
gestão de casos
- Judicialização do acesso: garantir o acesso a medicamentos e procedimentos de alto custo → porém,
pessoas pobres não conseguem facilmente entrar na justiça e lutar por isso
Histórico
- No início → Santas casas de misericórdia eram as soluções para os pobres; curandeiros; ervas medicinais
brasileiras
- 1953: ministério da saúde, políticas de atendimento nas zonas rurais, e nas cidades acesso era privilégio aos
que tinham carteira assinada
- Na ditadura o foco está em segurança e desenvolvimento → malária, dengue e meningite se intensificam
SUS
- Além da saúde, abrange previdência, assistência social e a seguridade social como um todo em redes
regionalizadas e hierarquizadas.
Responsabilidade das três esferas do governo
- I. no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde;
- II. no âmbito dos estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente;
- III. no âmbito dos municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente.
Princípios e diretrizes do SUS
I. Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;
II. Integralidade de assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços
preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade
do sistema;
III. Preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;
IV. Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; equidade
V. Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua
saúde;
VI. Divulgação de informações quanto ao potencial dos
serviços de saúde e sua utilização pelo usuário;
VII. Utilização da epidemiologia para o estabelecimento de
prioridades, a alocação de recursos e a orientação
programática;
VIII. Participação da comunidade;
IX. Descentralização político-administrativa, com direção
única em cada esfera de governo:
a) ênfase na descentralização dos serviços para os
municípios;
b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de
saúde;
X. Integração, em nível executivo, das ações de saúde,
meio ambiente e saneamento básico;
XI. Conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, na prestação de serviços de assistência à saúde da população;
XII. Capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e
XIII. Organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos.
● O QUE FOI RESSALTADO NA AULA:
- EQUIDADE: tratar diferente pessoas diferentes para que tenham direitos iguais, já que alguns precisam de
mais apoio para garantir esse direito
- UNIVERSALIDADE: todos os brasileiros têm direito à saúde independente de tudo
- INTEGRALIDADE: serviços estarão integrados em rede (logo, desde como lavar a mão até cirurgia). A
saúde é um todo, SERES BIOPSICOSSOCIAIS
- Descentralização: próximo de todas as pessoas, lugares
- Controle social: participação social no processo de construção do sus e decidir o funcionamento
dele/conselhos e conferências de saúde
- Hierarquização: o paciente é atendido nas unidades de saúde de um ou outro nível, conforme a necessidade
e a complexidade de seu quadro clínico
OBS: atenção primária (UBS) / atenção secundária (especialistas) / atenção terciária (cirurgias e
transplantes)
● QUEM DEVE CONTROLAR SE O SUS ESTÁ FUNCIONANDO BEM? Quem deve controlar é a
população; o poder legislativo; e cada gestor das três esferas de governo.
● Hoje, a maior parte dos recursos aplicados em Saúde tem origem na Previdência Social. Esta tendência
deverá alterar-se até que se chegue a um equilíbrio das três esferas de governo em relação ao financiamento
da saúde.
Ações de promoção e proteção da saúde
- PROMOÇÃO: educação em saúde, bons padrões de alimentação e nutrição, adoção de estilos de vida
saudáveis → exercícios físicos, hábitos de higiene pessoal, domiciliar e ambiental.
- PROTEÇÃO: vigilância epidemiológica, vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária → conhecer e
acompanhar, a todo momento, o estado de saúde da comunidade.
- VIGILÂNCIA SANITÁRIA: busca garantir a qualidade de serviços, meio ambiente de trabalho e produtos
(alimentos, medicamentos cosméticos, saneantes domissanitários, agrotóxicos e outros), mediante a
identificação, o controle ou a eliminação de fatores de risco à saúde, neles eventualmente presentes.
Ações de recuperação
- Consultas médicas e odontológicas, a vacinação, o atendimento de enfermagem, exames diagnósticos e o
tratamento → necessidades básicas
- REABILITAÇÃO: recuperação parcial ou total das capacidades no processo de doença e na reintegração do
indivíduo ao seu ambiente social e a sua atividade profissional.
Programas de saúde
- São eficientes para a população-alvo, somente quando as normas nacionais e estaduais respeitam as
condições sociais, epidemiológicas. institucionais e culturais existentes ao nível regional ou microrregional,
passando por adaptações e até recriações nestes níveis.
SISTEMAS DE SAÚDE NO MUNDO
Modelo universalista
- Este modelo é caracterizado por financiamento público com recursos dos impostos e acesso universal aos
serviços que são prestados por fornecedores públicos
- Os trabalhadores profissionais e não profissionais dependem do Estado
- Podem existir outras fontes de financiamento além dos impostos, tais como pagamentos diretos de usuários e
outros insumos, porém, a maior parte do financiamento e gestão FALTA
Modelo do seguro social
- O conceito de seguro social implica num seguro no qual a participação é obrigatória
- O financiamento é por aporte e contribuições FALTA
- FALTA
Modelo dos seguros privados
- Este modelo tem uma organização tipicamente fragmentada, descentralizada e com escassa regulação
pública, tendência que está sendo mudada
- Situação que mais se aproxima neste modelo FALTA
- FALTA
Modelo assistencialista
- De forma inversa ao modelo Universalista a saúde não é um direito do povo, mas sim uma obrigação dos
cidadãos
- Es FALTA
- FALTA
- FALTA
COLOCAR NO CANVAS A COISA SOBRE O PAIS
Como é a forma de oferta de trabalho médico no setor público? Assalariado? Prestação de serviços? Pagamento por
procedimentos e consultas? k