ELEMENTOS
COMPRIMIDOS
Prof. Eng. Msc. Caio Cesar Veloso Acosta
INTRODUÇÃO
Ao contrário dos esforços de tração, que tende a retificar as peças
reduzindo o efeito de curvaturas iniciais existentes, o esforço de
compressão tende a acentuar esse efeito. Os deslocamentos
laterais produzidos compõem o processo conhecido como
flambagem por flexão que, em geral, reduz a capacidade de carga
da peça em relação ao caso da peça tracionada.
Nas estruturas metálicas, as chapas que compõem um perfil podem
estar sujeitas à efeitos locais, conhecidos como flambagem local,
que é caracterizada pelo aparecimento de deslocamentos
transversais às chapas, na forma de ondulações.
INTRODUÇÃO
Flambagem global Flambagem local
RESISTÊNCIA DE CÁLCULO (NBR
8800)
Para determinação da resistência de cálculo para a força normal de
compressão resistida pelo perfil, a norma considera as
possibilidades de flambagem local (𝑄) e flambagem global (χ).
χ ∙ 𝑄 ∙ 𝐴𝑔 ∙ 𝑓𝑦
𝑁𝑐,𝑅𝑑 =
𝛾𝑎1
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
Os primeiros resultados teóricos sobre a instabilidade foram obtidos
por Euler, que investigou o equilíbrio de uma coluna comprimida na
posição deformada com deslocamentos laterais. O resultado obtido
por Euler é válido para as seguintes condições:
- Coluna isenta de imperfeições geométricas
- Material de comportamento elástico linear
- Carga perfeitamente centrada
Nestas condições, a coluna permanece com um deslocamento
lateral nulo até atingir a carga crítica de Euler, dada por:
𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝐼
𝑃𝑐𝑟 =
𝐿𝑓𝑙 2
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
Dividindo-se a carga pela área da seção teremos a tensão crítica
𝑃𝑐𝑟 𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝐼 𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝑖² 𝜋² ∙ 𝐸 𝜋² ∙ 𝐸
𝜎𝑐𝑟 = = 2 = 2 = 2
= 2
𝐴 𝐴 ∙ 𝐿𝑓𝑙 𝐿𝑓𝑙 (𝐿𝑓𝑙 /𝑖) λ
𝐿𝑓𝑙
Sendo λ = = índice de esbeltez
𝑖
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
Devido aos efeitos da imperfeição geométrica, associado às
tensões residuais do aço, os resultados de ensaio seguem um
padrão diferente da curva de Euler, se limitarmos 𝜎𝑐𝑟 = 𝑓𝑦
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
A transição da curva de Euler do patamar plástico se dá na tensão
𝑓𝑐𝑟 = 𝑓𝑦 , resultando na esbeltez limite elástica.
𝜋² ∙ 𝐸
λ𝑒𝑙𝑎 =
𝑓𝑦
A NBR adota o valor da esbelte reduzida λ0 , que é obtida pela
divisão entre λ/λ𝑒𝑙𝑎 .
λ λ 𝑓𝑦 ∙ λ²
λ0 = = → λ0 =
λ𝑒𝑙𝑎 𝜋² ∙ 𝐸
𝜋² ∙ 𝐸
𝑓𝑦
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
𝑓𝑦 ∙ 𝐿𝑓𝑙 2 𝑓𝑦 ∙ 𝐿𝑓𝑙 2 ∙ 𝐴𝑔
λ0 = ∴ λ0 =
𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝑖² 𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝐼
𝜋²∙𝐸∙𝐼
Como 𝑃𝑐𝑟 = , temos:
𝐿𝑓𝑙 2
𝑓𝑦 ∙ 𝐴𝑔
λ0 =
𝑃𝑐𝑟
O valor de 𝑃𝑐𝑟 pode ser extrapolado para atender os diversos modos de
ruptura, sendo adotado com 𝑁𝑒 , e incluindo os efeitos locais temos:
𝑄 ∙ 𝑓𝑦 ∙ 𝐴𝑔
λ0 =
𝑁𝑒
FATOR DE REDUÇÃO 𝜒
A curva de valores de 𝜒 é dada e, função da esbeltez reduzida λ0 ,
sendo definidas por uma curva única na NBR 8800 e AISC (2005).
1.300
1.200
O valor de 𝜒 é calculado
1.100 a partir das equações:
1.000
Fator X
0.900
Euler
λ0 2
0.800
0.700
𝜒 = 0,658 𝑝/ λ0 ≤ 1,5
0.600 0,877
0.500 𝜒= 2 𝑝/ λ0 > 1,5
0.400 λ0
0.300
0.200
0.100 Em todo caso, o limite de
0.000
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2 2.2 2.4 2.6 2.8 3 esbeltez λ ≤ 200 deve
ser respeitado
COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM 𝒍𝒇𝒍
O comprimento de flambagem de uma haste é dado pela distância
entre dois pontos de momento nulo, dado por 𝑙𝑓𝑙 = 𝑘 ∙ 𝑙.
COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM 𝒍𝒇𝒍
Indicações práticas
MODOS DE FLAMBAGEM GLOBAL
Além da flambagem por flexão, estudada por Euler, em barras de
seção aberta podem ocorrer também a flambagem por torção e
flexo-torção.
Em seções duplamente simétricas há a predominância da
flambagem por flexão, no entanto, em seções monossimétricas e
assimétricas os outros modos de flambagem podem ser críticos e,
portanto, devem ser considerados no dimensionamento.
MODOS DE FLAMBAGEM GLOBAL
A flambagem pode ocorrer de três maneiras
Flexão (em 𝑥 ou 𝑦) Flexo-torção Torção
MODOS DE FLAMBAGEM GLOBAL
Considerando o caso geral de instabilidade de uma barra com seção
assimétrica conforme apresentado:
A equação obtida estudando-se o equilíbrio da barra em uma posição
deslocada é dada por:
2 𝑥0 2 2 𝑦0 2
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 − 𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 − 𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 =0
𝑟0 𝑟0
MODOS DE FLAMBAGEM GLOBAL
𝑁𝑒 = Normal de flambagem elástica
𝑁𝑒𝑥 = Normal de flambagem elástica por flexão em 𝑥
𝑁𝑒𝑦 = Normal de flambagem elástica por flexão em 𝑦
𝑁𝑒𝑧 = Normal de flambagem elástica por torção
𝑥0 e 𝑦0 são as coordenadas do centro de torção
𝑟0 é o raio de giração polar dado por: 𝑟0 = 𝑥0 2 + 𝑦0 2 + 𝑟𝑥 2 + 𝑟𝑦 2
𝑟𝑥 e 𝑟𝑦 são os raios de giração em torno de 𝑥 e 𝑦
MODOS DE FLAMBAGEM GLOBAL
No caso geral, a carga crítica de flambagem será a menor entre as
raízes da equação.
No anexo E da NBR 8800 são apresentados os valores de 𝑁𝑒
possíveis para cada tipo de seção, sendo divididas em duplamente
simétricas, monossimétricas e assimétricas.
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
a) Seções com dupla simetria ou simetria em relação à um ponto (𝑥0 = 𝑦0 = 0)
0 0
2 2
𝑥0 𝑦0
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 − 𝑁𝑒 2 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 − 𝑁𝑒 2 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 =0
𝑟0 𝑟0
Portanto, para essa equação as soluções são dadas por:
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 = 0 ∴ 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 = 0 ∴ 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 = 0
𝜋²∙𝐸∙𝐼𝑥 𝜋²∙𝐸∙𝐼𝑦 1 𝜋²∙𝐸∙𝐶𝑤
𝑁𝑒𝑥 = (𝐾 2 ; 𝑁𝑒𝑦 = (𝐾 2 ; 𝑁𝑒𝑧 = 𝑟 2 (𝐾 𝐿 )2 + 𝐺 ∙ 𝐼𝑡
𝑥 𝐿𝑥 ) 𝑦 𝐿𝑦 ) 0 𝑧 𝑧
O valor de 𝑘𝑧 será igual a 1,0 para estruturas com contenção ao giro nas duas
extremidades e 2,0 para estruturas engastadas e livres
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
b) Seções monossimétricas exceto cantoneiras simples previstas em E.1.4.
Simetria em 𝑦 (𝑥0 = 0)
0
2 𝑥0 2 2 𝑦0 2
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 − 𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 − 𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 =0
𝑟0 𝑟0
Portanto, a equação será satisfeita quando:
2
𝑦0
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 = 0 ∴ 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 − 𝑁𝑒 2 =0
𝑟0
𝑦 2
𝜋²∙𝐸∙𝐼𝑥 𝑁𝑒𝑦 +𝑁𝑒𝑧 4∙𝑁𝑒𝑦 ∙𝑁𝑒𝑧 ∙ 1− 0ൗ𝑟0
𝑁𝑒 = 𝑁𝑒𝑥 = (𝐾 2 ; 𝑁𝑒 = 𝑁𝑒𝑦𝑧 = 𝑦0 2 ∙ 1− 1− 2
𝑥 𝐿𝑥 ) 2 1− ൗ𝑟0 𝑁𝑒𝑦 +𝑁𝑒𝑧
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
c) Seções assimétricas exceto cantoneira simples previstas em E.1.4
2 2
𝑥0 𝑦0
𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑧 − 𝑁𝑒 2 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑦 − 𝑁𝑒 2 𝑁𝑒 − 𝑁𝑒𝑥 =0
𝑟0 𝑟0
CARGA CRíTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
E.1.4. Cantoneiras simples conectadas por uma aba.
Nas cantoneiras conectadas por apenas uma aba, existe na região
das ligações uma excentricidade. Tais efeitos podem ser
considerados pela NBR 8800 por meio de um comprimento de
flambagem equivalente desde que:
a) Seja carregada nas extremidades através da mesma aba
b) Seja conectada por solda ou pelo menos 2 parafusos na direção
da força
c) Não esteja solicitada por ações transversais intermediárias.
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
Neste caso, 𝑁𝑒 é dado por:
𝜋² ∙ 𝐸 ∙ 𝐼𝑥1
𝑁𝑒𝑥 =
𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 2
Onde 𝐼𝑥1 é o momento de inércia da seção transversal em relação
ao eixo que passa pelo centro geométrico e é paralelo à aba
conectada.
𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 é o comprimento de flambagem dado por E.1.4.2 e E.1.4.3
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
E.1.4.2 Para cantoneiras de abas iguais ou desiguais conectadas
pela aba de maior largura, que são barras individuais ou diagonais
ou montantes de treliças planas com as barras adjacentes
conectadas do mesmo lado das chapas de nó ou das cordas.
𝐿𝑥1
a) Quando 0 ≤ ≤ 80 ∶ 𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 = 72𝑟𝑥1 + 0,75𝐿𝑥1
𝑟𝑥1
𝐿𝑥1
b) Quando > 80 ∶ 𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 = 32𝑟𝑥1 + 1,25𝐿𝑥1 ≤ 200𝑟𝑥1
𝑟𝑥1
CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM 𝑵𝒆
E.1.4.3 Para cantoneiras de abas iguais ou desiguais conectadas
pela aba de maior largura, que são diagonais ou montantes de
treliças espaciais com as barras adjacentes conectadas do mesmo
lado das chapas de nó ou das cordas.
𝐿𝑥1
a) Quando 0 ≤ ≤ 80 ∶ 𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 = 60𝑟𝑥1 + 0,85𝐿𝑥1
𝑟𝑥1
𝐿𝑥1
b) Quando > 80 ∶ 𝐾𝑥1 𝐿𝑥1 = 45𝑟𝑥1 + 𝐿𝑥1 ≤ 200𝑟𝑥1
𝑟𝑥1
FLAMBAGEM LOCAL
A flambagem local ocorre quando as placas que compõem um perfil
comprimido sofrem efeitos localizados de flambagem. Neste caso
surgem ondulações nas placas que compõem o perfil, que
apresentam deslocamentos laterais. No caso de barras esbeltas
compostas por placas esbeltas os fenômenos de flambagem local e
global ocorrem simultaneamente, reduzindo a carga última da
coluna.
FLAMBAGEM LOCAL
Considerando-se uma placa isolada sob carga crescente de
compressão uniforme e biapoiada em seus bordos laterais, se esta
placa é compacta, com uma baixa relação 𝑏/𝑡, o encurtamento ∆
ocorre linearmente com a carga 𝑃 até a plastificação. No caso de a
placa ser esbelta, com valor 𝑏/𝑡 elevado, ocorre a flambagem local,
caracterizada pelo aparecimento de deflexões laterais, e redução
da rigidez da placa.
FLAMBAGEM LOCAL
FLAMBAGEM LOCAL
A tensão crítica de flambagem local de uma placa perfeita foi obtida
por Timoshenko em 1959
𝑃𝑐𝑟 𝜋² ∙ 𝐸
𝜎𝑐𝑟 = =𝑘
𝑏𝑡 12(1 − ν2 )(𝑏Τ𝑡)²
Onde 𝑘 é um coeficiente que depende das condições de apoio da
placa e da relação 𝑏/𝑎 largura/altura.
Considerando-se o caso de um placa isolada perfeita, o valor limite de
𝑏/𝑡 para impedir que a flambagem local ocorra antes da plastificação
é obtido adotando 𝜎𝑐𝑟 = 𝑓𝑦
𝑏 𝑘 ∙ 𝜋² ∙ 𝐸 𝐸
= = 0,95 𝑘
𝑡 𝑟
12 − (1 − ν2 )𝑓𝑦 𝑓𝑦
FLAMBAGEM LOCAL
Os valores de 𝑘 variam, sendo 4 para bordos apoiados e 0,425 para
um bordo apoiado e outro livre.
A NBR trás no anexo F os critérios de cálculo do fator de redução 𝑄
e os valores de 𝑏Τ𝑡 𝑙𝑖𝑚 para desconsideração dos efeitos de
instabilidade local de acordo com as vinculações de cada placa do
perfil. Estes valores são apresentados na tabela F.1
FLAMBAGEM LOCAL
Para o cálculo do valor do fator de redução 𝑄, a NBR 8800 divide a
seção dos perfis em chapas 𝐴𝐴 (apoiado-apoiado) e 𝐴𝐿 (apoiado-
livre), e apresenta coeficientes 𝑄𝑎 e 𝑄𝑠 para esses casos. O valor
final de 𝑄 é dado pelo produto dos menores valores de 𝑄𝑎 e 𝑄𝑠 .
𝑄 = 𝑄𝑎 ∙ 𝑄𝑠
Para os casos em que 𝑏/𝑡 é inferior à (𝑏Τ𝑡)𝑙𝑖𝑚 , os valores de 𝑄𝑎 e
𝑄𝑠 é admitido como 1.
Para os casos em que a esbeltez da placa supera os valores limites
da tabela, são apresentados cálculos para determinação de 𝑄𝑎 e 𝑄𝑠
CÁLCULO DOS VALORES DE 𝑸𝒂
Para elementos comprimidos 𝐴𝐴, com 𝑏Τ𝑡 > (𝑏Τ𝑡)𝑙𝑖𝑚 .
𝐴𝑒𝑓
𝑄𝑎 =
𝐴𝑔
Onde 𝐴𝑔 é a área bruta e 𝐴𝑒𝑓 a área efetiva da seção transversal, dada por:
𝐴𝑒𝑓 = 𝐴𝑔 − σ 𝑏 − 𝑏𝑒𝑓 𝑡
A largura efetiva 𝑏𝑒𝑓 é dada por:
𝐸 𝐶𝑎 𝐸
𝑏𝑒𝑓 = 1,92 𝑡 1− ≤𝑏
𝜎 𝑏/𝑡 𝜎
𝐶𝑎 é um coeficiente, igual a 0,38 para mesas u almas de seções tubulares
retangulares e 0,34 para os demais casos.
A tensão 𝜎 é dada por: 𝜎 = χ ∙ 𝑓𝑦 , com χ calculado adotando 𝑄 igual a 1.
Opcionalmente, de forma conservadora, pode-se tomar 𝜎 = 𝑓𝑦 .
CÁLCULO DOS VALORES DE 𝑸𝒔
O cálculo dos fatores 𝑄𝑠 depende do grupo que está incluído o elemento 𝐴𝐿, de
acordo com a tabela F.1 da NBR 8800.
Para elementos do Grupo 3:
𝑏 𝑓𝑦 𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 1,340 − 0,76 , 𝑝𝑎𝑟𝑎 0,45 < ≤ 0,91
𝑡 𝐸 𝑓𝑦 𝑡 𝑓𝑦
0,53𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 2 , 𝑝𝑎𝑟𝑎 > 0,91
𝑓𝑦 𝑡
𝑏 𝑡 𝑓𝑦
Para elementos do Grupo 4:
𝑏 𝑓𝑦 𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 1,415 − 0,74 𝑡 , 𝑝𝑎𝑟𝑎 0,56 < ≤ 1,03
𝐸 𝑓𝑦 𝑡 𝑓𝑦
0,69𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 𝑏 2
, 𝑝𝑎𝑟𝑎 > 1,03
𝑓𝑦 𝑡 𝑓𝑦
𝑡
CÁLCULO DOS VALORES DE 𝑸𝒔
Para elementos do Grupo 5:
𝑏 𝑓𝑦 𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 1,415 − 0,65 𝑡 , 𝑝𝑎𝑟𝑎 0,64 < ≤ 1,17
𝑘𝑐 𝐸 (𝑓𝑦 Τ𝑘𝑐 ) 𝑡 (𝑓𝑦 Τ𝑘𝑐 )
0,90𝐸𝑘𝑐 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 𝑏 2
, 𝑝𝑎𝑟𝑎 > 1,17
𝑓𝑦 𝑡 𝑡 (𝑓𝑦 Τ𝑘𝑐 )
4
Com 𝑘𝑐 = , sendo 0,35 ≤ 𝑘𝑐 ≤ 0,76
ℎΤ𝑡𝑤
Para elementos do Grupo 6:
𝑏 𝑓𝑦 𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 1,908 − 1,22 𝑡 , 𝑝𝑎𝑟𝑎 0,75 < ≤ 1,03
𝐸 𝑓𝑦 𝑡 𝑓𝑦
0,69𝐸 𝑏 𝐸
𝑄𝑠 = 𝑏 2
, 𝑝𝑎𝑟𝑎 > 1,03
𝑓𝑦 𝑡 𝑡 𝑓𝑦
EXEMPLO 1
Para o perfil 𝑊 150 × 37,1 em aço ASTM A36 com comprimento de
3𝑚. Sabendo-se que suas extremidades são rotuladas e que há
contenção lateral impedindo a flambagem em torno do eixo 𝑦.
Comparar o resultado com uma peça sem a contenção lateral.
SOLUÇÃO
a) Fator de Redução 𝑄 (Flambagem Local)
Elementos 𝐴𝐴
Num perfil I, há apenas um elemento 𝐴𝐴, sendo este a alma do
perfil (Grupo 2).
𝑏 𝑑′ 119
= = = 14,69
𝑡 𝑡𝑤 8,1
𝑏 200.000
= 1,49 = 42,14
𝑡 𝑙𝑖𝑚 250
𝑏 𝑏
Como < → 𝑄𝑎 = 1,0
𝑡 𝑡 𝑙𝑖𝑚
SOLUÇÃO
Elementos 𝐴𝐿
Os elementos 𝐴𝐿 da seção I serão as mesas.
𝑏 𝑏𝑓 154
= = = 6,64
𝑡 2 𝑡𝑓 2∙11,6
𝑏 200.000
= 0,56 = 15,84
𝑡 𝑙𝑖𝑚 250
𝑏 𝑏
Como < → 𝑄𝑠 = 1,0
𝑡 𝑡 𝑙𝑖𝑚
Sendo assim, 𝑄 = 1,0 × 1,0 = 1,0, ou seja, não haverá flambagem
local até a plastificação do perfil
SOLUÇÃO
b) Fator de redução χ (Flabagem global)
A fim de determinar o valor de χ, primeiramente precisamos definir
o valor de λ0 e, para isto, iremos precisar do valor da carga crítica
de flambagem 𝑁𝑒 entre os possíveis modos de flambagem.
Para o perfil I, duplamente simétrico, podem ocorrer:
Flambagem por flexão em torno do eixo 𝑥;
Flambagem por flexão em trono do eixo 𝑦, e;
Flambagem por torção.
SOLUÇÃO
Para a primeira parte do problema, temos o perfil totalmente
travado lateralmente em torno do eixo 𝑦, impossibilitando a flexão
em torno deste eixo.
Carga crítica de flambagem por flexão em 𝑥
𝜋²∙20.000∙2244
𝑁𝑒𝑥 = = 4921,64𝑘𝑁
1,0∙300 ²
Carga crítica de flambagem por torção
𝑟0 = 6, 852 + 3,84² = 7,85𝑐𝑚
1 𝜋²∙20.000∙39.930
𝑁𝑒𝑧 = + 7.700 ∙ 20,58 = 3992,73𝑘𝑁
7,85² 1,0∙300 ²
SOLUÇÃO
Portanto, 𝑁𝑒 = 𝑁𝑒𝑧 = 3992,73𝑘𝑁
1,0∙47,8∙25
λ0 = = 0,547
3992,73
Como λ0 < 1,5, têm-se:
2
𝜒 = 0,6580,547 = 0,882
Portanto,
0,882∙1,0∙47,8∙25
𝑁𝑐,𝑅𝑑 = = 958,17𝑘𝑁
1,1
SOLUÇÃO
Para a segunda parte do problema, não temos travamento em torno
do eixo 𝑦, permitindo que a flambagem ocorra neste eixo, portanto:
𝜋²∙20.000∙707
𝑁𝑒𝑦 = = 1550,62𝑘𝑁
1,0∙300 ²
Os valores de 𝑁𝑒𝑥 e 𝑁𝑒𝑧 continuam iguais, portanto o novo valor de
𝑁𝑒 = 𝑁𝑒𝑦 = 1550,62𝑘𝑁
1,0∙47,8∙25
λ0 = = 0,878
1550,62
0,8782
𝜒 = 0,658 = 0,724
0,724∙1,0∙47,8∙25
𝑁𝑐,𝑅𝑑 =
1,1
= 786,53𝑘𝑁
EXEMPLO 2
Calcular o esforço de compressão resistente de projeto de duas
cantoneiras 203 × 102 × 55,66 com espessura de 25,4𝑚𝑚
trabalhando isoladamente e comparar o resultado obtido para os
perfis ligados por solda formando um tubo retangular. Admitira 𝑙𝑓𝑙 =
300𝑐𝑚 nos dois planos de flambagem e aço MR250
SOLUÇÃO
Verificando a possibilidade de flambagem local, teremos apenas
elementos 𝐴𝐿, portanto 𝑄 = 𝑄𝑠
𝑏 203
= = 7,99
𝑡 25,4
𝑏 200.000
= 0,45 = 12,73
𝑡 𝑙𝑖𝑚 250
Portanto, 𝑄 = 1,0
SOLUÇÃO
Para o primeiro caso, como este perfil não é tabelado, precisamos calcular as
propriedades geométricas do mesmo.
25,4∙2033 2 (102−25,4)∙25,43
𝐼𝑥 = + 25,4 ∙ 203 ∙ 101,5 − 77,5 + ቂ + (102 − 25,4) ∙ 25,4 ∙
12 12
(12,7 − 77,5)²ቃ = 28.951.216𝑚𝑚4 = 2.895,12𝑐𝑚 4
25,4³∙(203−25,4) 2 102³∙25,4
𝐼𝑦 = + 25,4 ∙ (203 − 25,4) ∙ 12,7 − 26,7 +ቂ + 102 ∙ 25,4 ∙
12 12
(51 − 26,7)²ቃ = 4.902.757𝑚𝑚4 = 490,28𝑐𝑚4
𝐼𝑥𝑦 = 25,4 ∙ 203 ∙ (101,5 − 77,5)(12,7 − 26,7) + ቂ(102 − 25,4) ∙ 25,4 ∙ (12,7 −
102−25,4
77,5) 25,4 + − 26,7 ቃ = −6.397.414𝑚𝑚4 = −639,73𝑐𝑚4
2
1
𝐼𝑡 = 3 203 ∙ 25,43 + (102 − 25,4) ∙ 25,4³ = 1.527,274𝑚𝑚4 = 152,73𝑐𝑚4
2895,12 490,28
𝑟𝑥 = = 6,38𝑐𝑚 ; 𝑟𝑦 = = 2,63𝑐𝑚
71,02 71,02
SOLUÇÃO
Com as Inércias nos planos 𝑥 e 𝑦 e o produto de inércia podemos
calcular os planos principais de inércias por:
𝑚á𝑥 2895,12+490,28 2895,12−490,28 2
𝐼𝑚í𝑛 = ± + (−639,73)²
2 2
𝐼𝑚á𝑥 = 3054,71𝑐𝑚4
𝐼𝑚í𝑛 = 330,69𝑐𝑚4
Portanto,
𝐼𝑚í𝑛 330,69
𝑟𝑧,𝑚í𝑛 = = = 2,158𝑐𝑚
𝐴 71,02
300
λ= = 64,43 < 139 → 𝑂𝐾
2,158
SOLUÇÃO
Para o cálculo da carga de flambagem, 𝑁𝑒 , precisamos definir os valores de
𝑁𝑒𝑥 , 𝑁𝑒𝑦 e 𝑁𝑒𝑧
𝜋²∙20.000∙2895,12
𝑁𝑒𝑥 = = 6349,71𝑘𝑁
300²
𝜋²∙20.000∙490,28
𝑁𝑒𝑦 = = 1075,30𝑘𝑁
300²
𝑟0 = 6,382 + 2,632 + 1,382 + 6,48² = 9,57𝑐𝑚
1 𝜋²∙20.000∙0
𝑁𝑒𝑧 = 9,57² + 7.700 ∙ 152,73 = 12.840,77𝑘𝑁
300²
Para o cálculo de 𝑁𝑒 , teremos:
2 1,38 2
𝑁𝑒 − 6349,71 𝑁𝑒 − 1075,30 𝑁𝑒 − 12840,77 − 𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 1075,30 −
9,57
2 6,48 2
𝑁𝑒 𝑁𝑒 − 6349,71 9,57
=0
SOLUÇÃO
A equação de terceiro grau resultante é:
0,5207𝑁𝑒 3 − 17332,2𝑁𝑒 2 + 102.170.689𝑁𝑒 − [Link] = 0
Resolvendo esta equação teremos:
𝑁𝑒1 = 1033,79𝑘𝑁 ; 𝑁𝑒2 = 6268,01𝑘𝑁 ; 𝑁𝑒3 = 25984,33𝑘𝑁
Sendo assim,
1,0∙71,02∙25
λ0 = = 1,31
1033,79
2
χ = 0,6581,31 = 0,488
0,488∙1,0∙71,02∙25
𝑁𝑐,𝑅𝑑 = = 787,68𝑘𝑁
1,1
Portanto, duas cantoneiras resistem à carga de 1575,36𝑘𝑁
SOLUÇÃO
Para a segunda situação, considerando a solda e a formação de
um perfil tubular, teremos:
102∙203³ 51,2∙152,23
𝐼𝑥 = − = 56.121.953𝑚𝑚4 = 5612,20𝑐𝑚4
12 12
102³∙203 51,23 ∙152,2
𝐼𝑦 = − = 27.529.672𝑚𝑚4 = 2752,97𝑐𝑚4
12 12
4∙(203−25,4)(102−25,4)
𝐼𝑡 = 177,6 177,6 76,6 76,6 = 175.675.416𝑚𝑚4 = 17.567,54𝑐𝑚4
+ + +
25,4 25,4 25,4 25,4
SOLUÇÃO
De início podemos ver o grande aumento da inércia à torção do
perfil devido à seção fechada. O coeficiente de empenamento é
uma propriedade das seções abertas apenas.
Para o cálculo dos efeitos locais, temos agora apenas elementos
𝐴𝐴:
𝑏 203
= = 7,99
𝑡 25,4
𝑏 200.000
= 1,40 = 39,60
𝑡 𝑙𝑖𝑚 250
Portanto, 𝑄 = 1,0
SOLUÇÃO
Cálculo de 𝑁𝑒
𝜋²∙20.000∙5612,20
𝑁𝑒𝑥 = = 12.308,93𝑘𝑁
300²
𝜋²∙20.000∙2752,97
𝑁𝑒𝑦 = = 6.037,94𝑘𝑁
300²
𝑟0 = 9,312 + 6,52² = 11,37𝑐𝑚
1
𝑁𝑒𝑧 = 11,37² 7.700 ∙ 17.567,54 = 1.046.359,08𝑘𝑁
Portanto,
1,0∙142,04∙25
λ0 = = 0,77
6037,94
2
χ = 0,6580,77 = 0,78
0,78∙1,0∙142,04∙25
𝑁𝑐,𝑅𝑑 = = 2517,98𝑘𝑁, um ganho de 60%
1,1