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Revista 43

A carta aos leitores reflete sobre a transformação do Brasil com a nova administração após a contra-revolução de 1964, destacando as falhas do governo anterior e as esperanças depositadas no novo governo. O discurso de posse do Presidente Arthur da Costa e Silva enfatiza a importância da coragem, competência e humanidade na liderança, além de um compromisso com o progresso do país. A cerimônia de investidura é marcada por um forte simbolismo e a presença de representantes de diversas nações, reforçando a expectativa de um novo começo para o Brasil.

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Revista 43

A carta aos leitores reflete sobre a transformação do Brasil com a nova administração após a contra-revolução de 1964, destacando as falhas do governo anterior e as esperanças depositadas no novo governo. O discurso de posse do Presidente Arthur da Costa e Silva enfatiza a importância da coragem, competência e humanidade na liderança, além de um compromisso com o progresso do país. A cerimônia de investidura é marcada por um forte simbolismo e a presença de representantes de diversas nações, reforçando a expectativa de um novo começo para o Brasil.

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Carta a nosios Leitores

Prezados leitores :

Sem nenhum objetivo político, pois nossa Revista não


pode, não deve e não quer tratar dêsses assuntos, pedimos
aos nossos leitores que meditem na transformação pro-
funda pela qual vai passar o Brasil com o advento· do nôvo
Govêrno decorrente da contra-revolução de 1964.

O Govêrno anterior falhou em alguns pontos, pois foi


envolvido por certos elementos habituados a servir a
quaisquer governos, bem como se afastou dos mais dedi-
cados e sinceros líderes revolucionários, talvez com receio
de seu radicalismo, como se fôsse possível fazer uma boa
omeleta sem quebrar ovos e muito menos fazê-la com
ovos podres.

O nôvo Govêrno, apenas empossado, já está sendo cha-


mado "d:as esperanças nacionais"; dos anseios de um povo
que não quer parar; que não quer ser proibido de repro-
duzir-se e multiplicar-se; e quer desenvolver-se técnica,
econômica, financeira e socialmente, através de uma in-
tensiva industrialização pela exploração brasileira e pa-
triótica das nossas imensas riquezas nacionais, desde que
elas sirvam para C! importação dos bens de produção que
wm dia nos farão maiorés que as nações mais prósperas
do mundo.
Não se pode expandir uma nação do tamanho do
Brasil restringindo o crédito ou encarecendo o custo do
dinheiro a ser empregado no seu desenvolvimento indus-
trial e agrícola.
Uma nação também só pode crescer apoiando-se na
coragem, agressividade, espírito inventiva, competência e
cuLtura de seus líderes, que só serão realmente cultos
quando profundamente htLmanos.

Além disso, a frieza de homens públicos, em face do


próprio homem e dos seus sofrimentos, sempre caracteri-
wu o materialismo dos regimes bolchevistas ou similares.
Êsse risco d·esapareceu de nossa Terra com o advento
de um Govêrno em cuja direção suprema está um soldado
de fibra que é compreensivo e humano, por isso pode
wrrir, mas diante das angústias do Brasil também sabe
chorar.
do Vice-Presidente eleito, Se-
PRESIDENTE nhor .Pedro Aleixo, que disse: . ·.
"Prometo exercer o cargo de
Vice-Presidente da República
COSTA E SILVA com dedicação e lealdade, cum-
prindo as leis do Brasil, e tudo
fazer pelas suas instituições e
O Marechal Costa e Silva eleito foi recebido pelos dire- pelo seu progresso".
prestou compromisso de posse t ores-gerais da Câmara, Sr. Lu-
perante o Congresso N acionai, ciano Alves de Sousa, e do Se- Investidura
precisamente às 11,15 horas do nado, Sr. Evandro Mendes Vi-
dia 15 de março, fazendo o se- anna, que o conduziram ao Sa- Exercendo a presidência do
guinte juramento: "Prometo lão Nobre, onde aguardaram a Congresso N acionai, o Senador
manter, defender e cumprir a chegada da comissão de parla- Auro Soares de Moura Andra-
Constituição, observar as leis, mentares especialmente desig- de, declarando empossado os no-
promover o bem geral e susten- nada pelo Senador Moura An- vos Presidente e Vice-Presiden-
tar a União, a integridade e a drade, que presidiu a sessão do te da República, pronunciou as
independência do Brasil". Congresso Nacional, para intro- seguintes palavras :
duzi-los no plenário. "A Nação, pelos seus repre-
Todo o plenário do Congr esso
N acionai estava literalmente to- No instante preciso em que o sentantes · do Poder Legislativo,
mado, com vários Governadores nôvo Presidente da RepúbLica pelas altas autoridades presen-
de Estado, oficiais-generais das prestava seu juramento, era tes, pelo povo que acorreu às
três Fôrças Armadas e repre- disparada, defronte ao prédio galerias e através do rádio e da
sentantes de assembléias legisla- do Congresso N acionai, uma televisão em todo o Território
tivas estaduais. salva de tiros de canhão. Após N acionai está, neste instante,
o juramento do Presidente Cos- reunida para testemunhar, com
A entrada principal do Con- ta e Silva, o Senador Moura emoção e profundas esperan-
gresso N acionai, o Presidente Andrade anunciou o juramento ças, o ato de juramento e de

REVISTA AERONÁUTICA -2- MARÇO - ABRIL - 1967


investidura de seu Chefe de E "- aos que aqui acorreram apre- TRANSMISSÃO NO
tado. Nos têrmos da Constitui- sento, em nome do Congresso, PALACIO DO PLANALTO
ção e em nome do Congresso os melhores agradecimentos, e
N acionai, declaro empossados na as escusas de não ter sido poP- - Terminado o ato realizado
Presidência da República do sível a todos acolher no recin- no Congresso com a presença
Brasil Sua Excelência, o Senhor to dêste Parlamento. de grande massa popular, diri-
Marechal Arthur da Costa e giram-se o Presidente Arthur
Silva, e na Vice-Presidência, Sua Esta presidência dirige uma da Costa e Silva e o Vice-Presi-
Excelência o Senhor Doutor Pe- saudação especial à primeira dente Pedro Aleixo para o Pa-
dro Aleixo". dama do País, Dona Iolanda lácio do Planalto.
Costa e Silva, em momento da
Como primeiro secretário do mais alta expressão histórica, Encontram-se os dois
Senado, o Senador Dinarte Ma- em que o Brasil investe o seu presidentes
riz leu, a seguir, ·os têrmos de nôvo Chefe de Estado.
posse do Presidente e do Vice- Ao pé da rampa que dá aces-
Presidente da República, que os A partir de agora, sob a pro- so ao Palácio, aguardavam-nos
assinaram. A Banda do QG da teção de Deus, para manter, de- o Chefe do Cerimonal e o Co-
6.a Zona Aérea, colocada nas ga- fender e cumprir a Constitui- mandante Passos, ajudante-de-
lerias, executou, após, o Hino ção, observar as leis, promover ordens do Presidente Castello
N acionai, ouvido de pé por to- o bem geral, e sustentar a união, Branco, conduzindo-os até a
dos os presentes. a integridade e a independên- porta, onde, acompanhados de
cia do Brasil, o Presidente todo o seu Ministério, dos Gabi-
Palavras do Senador Arthur da Costa e Silva inicia, netes Militar e Civil, o Presi-
Moura Andrade na sua plenitude, a m agistratura dente Castello Branco e o Vice-
presidencial e recebe, com a President e cumprimentaram
Na presidência do Congresso chefia do Govêrno, o comando Presidente e o Vice~President e
N acionai, o Senador Moura An- supremo das Fôrças Armadas e empossados.
drade fêz uso da palavra, encer- a representação do Brasil junto
rando a cerimônia com as se- aos Estados estrangeiros." O Presidente Costa e Silva
guintes palavras: recebe a faixa
Encerrando a solenidade, o
"Aos que aqui acorreram Presidente da República passou Após êsse primeiro encontro
para participar desta solenida- em revista as tropas do Bata- dos dois presidentes, ambos se
de, na qual o Brasil se reencon- lhão da Guarda Presidencial, retiraram para o gabinete pre-
tra com o Estado de Dir:eito e formadas em sua honra, defron- sidencial, acompanhados pelos
retorna à ordem constitucional, te ao Congresso N acionai. dois vice-presidentes e pelos

REVISTA AERONAUTICA -3- MARÇO - ABRIL ---,, 1~.67


quatro chefes dos gabinetes Mi- Arthur da Costa e Silva, sô- cumprimento dos deveres mais
litar e Civil, ali permanecendo bre o paletó, do ombro direito ásperos, que jamais pesaram
em palestra durante algum para o esquerdo. O Presidente sôbre o espírito e o coração de
tempo. Arthur da Costa e Silva pro- um homem de Estado, em tem-
nunciou, então, o seguinte dis- po dos mais tormentosos da vid
Pouco depois, o Ch~fe do ce- curso de posse: nacional; deixa, também, como
rimonial do Ministério das Re- sinal de sua passagem, traço
lações Exteriores, Embaixador "É com grave emoção que re- luminoso e vivo, que é diretriz,
Roberto Guimarães Bastos, con- cebo das mãos honradas de é lição, é exemplo.
vidou os dois presidentes a di- V. Ex a. as insígnias simbólicas
da Magistratura Suprema da "Em verdade, o Govêrno de
rigirem-se ao ··estrado armado Vossa Excelência constituiu-se
no Sal~o de Honra. O Chefe do República.
em diretriz e decisão de firmeza
Cerimonial . do Presidente Cas- ''Tenho consciência nítida e e de constância numa hora es-
tello Branco, Ministro Paulo profunda da significação dêste pêssa, de inquietudes, incert~­
Paranaguá, e o <:lo Presidente ato e dêste momento. Para êles zas e vacilações; lição de auste-
Costa e Silva, Conselheiro Mar- vêm confluir as esperanças e as ridade .~ espírito público; exem-
cos Coimbra, perma:t;1eceram incertezas, as aspirações e as plo de coragem e de honradez.
também no est}'ado, por trás realidades de uni povo simples
dos dois presidentes. A esquer- !'Eis aí virtudes que me pa-
e bom, sofredor e paciente, to- recem pertencer à própria es-
da do Presidente Arthur da Q!ldQ dQ l?~ntiroe:ntQ çalorosq <ia
Costa e Silva colocou-se a famJ., sência do exercício do cargo que
terra ~m, quE! nasceu, e da sua Vossa Exc~lência ilustrou tão
lia do Presidente Castello ·Bran~ vocação pára a grandeza.
co, e à direita do Presidénte vivamente,
Castello Br:!!nco ficou a .família "Quem qeixa um, cargo desta "A Presidência da República
do Presidente Costa e Silva. altitude, nas condições em que não é apenàs uma forma de
Pronunciou em seguida seu dis- Vossa Excelência o faz, não exercício administrativo. É mui-
curso o Presidente Castello leva, apenas, a tranqüilidade de to mais do que um cargo exe-
Branco, findo o qual colocou a uma consciência alta ~.. límpida, cutivo. É, acima de tudo, um
faixa presidencial no Marechal que empenhou, dia por ;dia'" no pôsto de comando moral. Assim

REVISJ'A AERONAUTICA -4- l'/J:ARÇO - ABRIL - 1967


a compreendo, e assim quero de ~xperiência piopiciad~ Setenta Países se fizeram re-
exercê-la, com a suprema aspi- pela ação direta, pela observa- presentar, durante a solenidade,
ração de ser útil ao meu País, ção e pela reflexão do trato da dos quais os Estados Unidos, o
na medida humilde do que sou. coisa política, que requer paci- Japão, o Vietnã do Sul, a Espa-
ência e tolerância contínua, e do nha, a Inglaterra e a Argentina
"Não me iludo com as prova- trato da coisa pública, que im- entregaram presentes e conde-
ções e tropeços que me espe- põe esfôrço constante de inteli- corações ao nôvo Chefe do Es-
ram; os fluxos e refluxos da gência, coragem e tenacidade. tado brasileiro, por delegação
opinião pública; a desconexão
de seus governos.
dos esforços; os emperramentos "Acima de tudo trago prepa-
da máquina administrativa; as rados espírito e coração. Con-
incertezas políticas; os choques fio em que não decairei, jamais, Estiveram presentes, além do
de ambições; os desacordos, as ,da confiança dos meus conéida- ministro Magalhães Pinto, das
divergências e as discórdias, dãos e da rica herança que re- Relações Exteriores, os chefes
que caracterizam a vida públi~ cebo das mãos honradas de V. dos Gabinetes Civil e Militar da
ca. Conheci intimamente as vi- Exa. E peço a Deus que me Presidência da República, mi-
cissitudes que a paciência e a conceda a graça de ser sempre nistro Rondon Pacheco e gene-
tolerância têm de afrontar para justo e isento, firme na palavra ral Jayme Porte la, todos os no-
.atingir o têrmo de cada dia de empenhada e inflexível na ação vos ministros, subchefes dos Ga-
Govêrno. Sei como se tentou e necessária, e consagrar a minha binetes Civil e Militar e a im-
se continuará tentando associar esperança de fazer pelo Brasil prensa nacional e estrangeira.
·os inconciliáveis - infração e J que êle espera e merece".

prosperidade - e dissociar os Em seguida ao seu discurso, o Foram os seguintes os Países


que só se consegue marchar Pre3idente Arthur da Costa e que apresentaram cumprimen-
juntos - desenvolvimento e Silva cumprimentou os mem- tos ao Presidente Costa e Silva,
educação. :.r:. bros da família do Presidente pela ordem de precedência :
"Senti, acima de tudo; as · di- Castello Branco e êste os da fa - Santa Fé, Nicarágua, Austria,
ficuldades ingentes que as di- mília do Presidente eleito. Japão, Coréia, Peru, Espanha,
mensões extraordinárias do nos- Chile, Turquia, Canadá, Haiti,
so País levantam a qualquer Retira-se o Itália, Tcheco-Eslováquia, Se-
ação do administrador. Marechal Castello Branco negal, El Salvador, Finlândia,
Terminada esta simples ceri- Uruguai, Panamá, Grécia, Re-
"Posso afirmar que assisti ao
mônia, o Presidente Costa e Sil- pública Arabe Unida, Polônia,
desdobrar-se dos atos mais pe-
va acompanhou o Marechal Cas- China, México, Máli, Austrália,
nosos de um Govêrno que, sen-
tello Branco, que re retirou , Trinidad-Tobago, União Sovi-
do inicialmente de preparação,
realizando-se as despedidas na ética, França, Suécia, Irã, Suí-
conseguiu ser muito mais do
porta do Palácio do Planalto, no ça, Países Baixos, Islândia, Bo-
que isso e muito realizou. Nêle
alto da rampa. lívia, Alemanha, Noruega, Dina-
tomei parte ao lado de Vossa
marca, Filipinas, Colômbia, Es-
Excelência. Foi uma das fases
SETENTA NAÇõES tados Unidos da América, Dao-
mais dificultosas do regime re-
PRESENTES A POSSE DO mé, Gana, índia, Chipre, Ar-
publicano, em que o Govêrno
NôVO PRESIDENTE DA gentina, República Dominicana,
teve de desdobrar-se entre as
REPúBLICA Bélgica, Vietnã do Sul, Para-
imposições imperativas da or-
guai, Líbano, Grã-Bretanha, Is-
dem e da autoridade, sem dei-
O Presidente Costa e Silva rael, Paquistão, Malta, Malásia,
xar de acudir aos anseios de li-
recebeu, no salão de honra do Portugal, Africa do Sul, Bulgá-
berdade e, de mistura com êles,
P~lácio do Planalto, os cumpri- ria, Rumânia, Hungria, Costa
enfrentar as incompreensões, a
mentos das Delegações que re- Rica, Equador, Ceilão, Iugoslá-
má fé e a cobiça do poder.
presentaram seus Países nos via, República Arabe da Síria,
"Trago, pois, para o exercício festejos de posse do nôvo Chefe Turquia, Indonésia, Tailândia,
da Presidência, uma larga lição do Govêrno. Venezuela e Marrocos.
REVISTA AERONAUTICA -5- MARÇO -ABRIL - 1967

- - - -·· - -..- ·- - - ....·- - -- ·


D~s mais concorridas foi a
posse do Ministro Márcio de
Souza e Mello no Salão Nobre
do . Ministério da Aeronáutica,
onde o nôvo titular recebeu
cumprimentos de oficiais das
três Fôrças Armadas, além de
'amigos, funcionários e parentes.

O Ministro Eduardo Gomes,


ao passar a função ao nôvo Mi-
nistro, pronunciou as seguintes
palavras: "É com o preito deve-
lha amizade e de renovada ad-
miração que transmito a Vossa
Excelência o cargo de Ministro
da Aeronáutica~ Coube-me exer-
cê-lo, honrad<? pela co:ri:fiança do /'..

ínclito Presiçlente Marechal Cas-


tello Branco, durante pouco
NOVO MINISTRO DA
/
mais de dois anos e dois meses,
contando sempre com a valiosa AERONAUTICA
cooperação de meus colegas de
Ministério, notadamente do Sr.
Ministro da Fa;?:enda, Dr. Otá- Excelência, na hora da decisão para o progresso do País, sob o
vio Gouvêia de Bulhõ.es, e dos e da luta, contribuiu com sua signo da paz e da liberdade."
Ministros ·das pastas militares autoridade, tôdas as vêzes que
ou sejam: da Marinha os Senho- assim o exigiram o culto da Pá- Em seguida, o Ministro Már-
res Almirantes Paulo Bosisio tria e o amor da República. Sin- cio de Souza e Mello, assumin-
e Zilmar Campos de Araripe gulariza-se êste ato pela cir- do a pasta da Aeronáutica, pro-
Macêdo; e da Guerra os Se- cunstância, que me é particu- nunciou o seguinte discurso:
nhores Marechais Arthur da larmente grata, de restituir as
Costa e Silva e Adernar de responsabilidades dêste cargo ao "O sentimento inequívoco que
Queiroz, aos quais, de públi- eminente Ministro, de cujas domina todos os quadrantes do
co, neste ensejo, apresento os mãos o recebi, a fim de conti- País, a poderosa fôrça da mais
meus mais vivos agradeci- nuar a obra comum de servir à generalizada esperança no Go-
mentos. Velha amizade, disse, nossa gloriosa Arma .e aos su- vêrno que se inicia, em sendo
robustecida em mais de trinta premos interêsses da Nação. Au- multiplicada responsabilidade
anos, desde que, em 1931, pude guro a Vossa Excelência todo o para seus auxiliares imediatos
contar com a sua prestimosa e êxito no desempenho de suas é, por igual, poderoso estí-
competente coldboração, como funções, certo de que a coesão mulo. Honramo-nos em integrar
Secretário do Grupo Misto de militar, alicerçada na lealdade um conjunto ciente e conscien-
Aviação, recém-criado. Admira- revolucionária e fortalecida pela te da tarefa que nos cabe, pré-
ção renovada em três decênios, consciência de dignificar a vida via e h : 1 rmônica!llente homoge-
não só em razão dos atributos pública, produzirá no futuro go,- neizada num amplo programa
pessoais que distinguem Vossa vêrno, como produziu no govêr- de govêrno, visando a não de-
Excelência em nossa classe, se- no que finda, os benefícios que cepcionar os anelos de quantos
não, ainda, pelo co.nstante devo- o povo espera da união das Fôr- verdadeiramente amam ao Bra-
tamento às grandes causas na- ças Armadas, garantia das insti- sil. Convictos estamos de que a
cionais, para cuja vitória Vossa tuições democráticas e condição Revolução redentora de 31 de

REVISTA AERONáUTICA . -6- ' MARÇO -ABRIL """:: 1967

-··-- -------- ~
nistrativa . .É imprescindível as-
sinalar que a busca da maior efi-
ciência operacional, escopo de
predominância basilar, está na
depe,ndência implícita dos de-
mais objetivos, todos êles, por
sua vez, sofrendo a influência
fundamental e decisiva da solu-
ção dos correlatos problemas
humanos, quer em qualidade,
quer em quantidade. Não há,
pois, como fugir da verd(lde do
conceito de que "é indispensável
governar voltado para as neces-
sidades fundamentais do ho-
mem". Cabe-nos, portanto, afir-
mar que será permanente nossa
preocupação com o elemento
humano, em todos os escalões,
não apenas para a obrigação li-
o Brigadeiro Eduardo Gomes, quando transmitia o cargo de Ministro da minar de satisfazer as suas reais
Aeronáutica ao Marechal Márcio de Souza e Mello.
necessidades, mas também para
o dever construtivo de atender
Março, ora encetando a segunda pecífica da Aeronáutica no pla- às suas justas aspirações. A ta-
fase de sua ação, há-de pros- no global do nôvo Govêrno, obe- refa exige o empenho conscien-
seguir na sua trajetória, com a decendo às metas básicas que o te de quantos, servindo à Aero-
tranqüilidade que lhe asseguram caracterizam. Não pormenoriza- náutica, concorrem para o pro-
a união indissolúvel das Fôrças remos todos os ângulos abrangi- gresso do Brasil e sabem que a
Armadas e o apoio esclarecido dos no plano de trabalho, hoje, união desinteressada e a sadia
do povo brasileiro, legitimamen- como ontem, visando a "assegu- conjugação dos esforços é a obri-
te traduzido na indispensável rar as condições indispensáveis gação precípua de todos os que
cooperação do poder legislativo. a dotar a Fôrça Aérea Brasileira têm na religião do trabalho e na
Dêsse modo, no setor a que nos dos meios capazes a bem cum- obediência às impostergáveis
alçou a cativante escolha do Ex- prir, com eficiência crescente, a normas de dignidade e lealdade
celentíssimo Senhor Presidente missão que lhe cabe". o credo sublime que mobilizará
Costa e Silva, empenharemos o Em síntese, objetivamos: - tôdas as energias vivas do nosso
melhor do nosso esfôrço e a to- m a i o r eficiência operacional; País, para impulsioná-la na es-
talidade da nossa capacidade, se- aprimoramento da ação logísti- calada vitoriosa do destino com
dimentados no transcurso de ca; desenvolvimento "pari-pas- que sonharam nossos antepas-
mais de quarenta anos de vida su" às conquistas científicas e sados e que, mercê de Deus, ga-
militar, tôda ela alicerçada no tecnológicas; rigoroso emprêgo lardoará a terra abençoada que
trabalho operativo e no empe- dos recursos; sistemático plane- há de ser o berço invejado dos
nho incessante em ampliár e jamento; racionalização admi- nossos netos.
aperfeiçoar os conhecimentos
profissionais. Apenas poucos me- Os Ministros Eduardo Gomes e Márcio
ses decorreram do nosso afasta- cumprimentam-se após a passagem do cargo
mento da última Comissão que
nos coube exercer e nela, como
Inspetor-Geral da Aeronáutica,
durante quase dois anos de acu-
ràda atuação e adequada refor-
mulação, colhemos pormenori-
zado conhecimento da situacãci
real da Fôrça Aérea Brasileira.
Esta nossa privilegiada posição
e a inestimável colaboracão de
:valiosos compa~heiros ~nseja­
ram-nos a apresentar ao Exce-
lentíssimo Senhor · Presidente
Costa e Silva a contribuição es-

REVISTA AERONAUTICA
Meus senhores, ao iniciar- cançar nossos altos destinos". É ve ser o agente impulsionador
mos o exercício das funções êste, senhoras e senhores, o pen- do esfôrço, do sacrifício, da ab-
de Ministro da Aeronáutica re- samento-diretriz com que, de negação e do desprendimento
novamos os nossos mais sin- coração, convocamos todos os de quantos lhe estão subordina-
~eros agradecimentos à expres- companheiros a trabalhar, lado dos. Reconhecemos e buscamos
siva confiança do Excelentís- a lado, no incessante aprimora- obedecer ao percuciente concei-
simo Senhor Presidente Costa e mento da Aeronáutica, em con- to de Curtois de que "o homem
Silva e manifestamos a Vossa sonância com a grandeza cres- mais se interessa por uma mis-
Excelência Senhor Marechal cente do Brasil. Ao reiterar a são, mais se sente apto a desem-
Eduardo Gomes o quanto nos convicção de absoluta confian- penhá-la, quanto melhor com-
enaltece receber êste cargo das ça no porvir de nossa Pátria, preende sua atividade e quanto
mãos honradas de Vossa E~ce­ com a crença nas bênções de mais possa ter ocasião de aplicar
lência, cuja figura singular de Deus ao seu povo generoso, sua inteligência e seu espírito
patriota e cuja vida de ímpar apresentamos os mais sinceros de iniciativa". Diretamente e
dedicação aos mais puros ideais agradecimentos às ilustres au- em ação coordenada, principal-
democráticos de há muito lhe toridades, aos distinguidos ca- mente com o Estado-Maior da
asseguraram o respeito e a ad- maradas de armas, às pessoas Aeronáutica e com a Inspetoria··
miração da gente brasileira, que gradas, aos colaboradores de on- Geral da Aeronáutica, almeja-
não esquece a bravura do herói tem e de hoje, civis e militares, mos levar a todos os escalões o
de Copacabana, então aquêle te- - aos amigos, aos parentes queri- perfeito e oportuno conhecimen-
nente corajoso e impávido, hoje dos, a quantos, enfim, exalçaram to de todos os empreendimentos,
o líder audaz do pioneirismo do esta solenidade com a sua desva- a fim de estimular o interêsse
Correio Aéreo Nacional, o cria- necedora presença. Muito obri- individual e obter o integral
dor dêsse agente relevante de gado. empenho coletivo _para alcançar
união espiritual e concreta dos o êxito que só pode ser ati:p.gido
ORDEM DO DIA
nossos patrícios. Todos os seus pela adequada incentivação do
companheiros da F AB, Mare- O Ministro Márcio de Souza esfôrço comum. Cabe, portanto,
chal Eduardo Gomes, aplaudem e Mello baixou a seguinte Or- repetir que "a tarefa exige o
sua a t u a ç ã o à frente do dem do Dia, dirigida a tôdas as empenho consciente de quantos,
Ministério da A e r o n á u t i c a, unidades e repartições do Mi- servindo à Aeronáutica, concor-
cujo êxito é fator imperativo na nistério da Aeronáutica: "No rem para o progresso do Brasil
potencialização das responsabi- momento em que assumimos a e sabem que a união desinteres-
lidades que ora assumimos e, dignificante responsabilidade de sada e a sadia conjugação dos
concomitantemente, exemplo e Ministro da Aeronáutica, ple- esforços é a obrigação precípua
incentivo a que guardaremos namente cônscios do vulto do de todos os que têm na religião
consciente fidelidade. Delibera- trabalho que nos cabe, quere- do trabalho e na obediência às
damente desejamos, neste mo- mos dirigir a todos e a cada um impostergáveis normas de dig-
mento, fazer nosso um dos con- dos integrantes dêste Ministério, nidade e lealdade o credo su-
ceitos lapidares com que Vossa civis e militares, uma palavra blime que mobilizará tôdas as
Excelência, Marechal Eduardo muito cordial de sincera sauda- energias vivas do nosso País,
Gomes, comemorou o dia 23 de ção e um apêlo direto canela- para impulsioná-lo na escalad:-
outubro de 1966: "é indispensá- mando-os a prosseguir, com re- vitoriosa do destino com que so-
vel a existência de sólida com- dobrado empenho, no trabalho nharam nossos antepassados e
preensão, de perfeita comunhão construtivo que vem sendo uma que, mercê de beus, galardoará
de ideais e, principalmente, de constante da nossa coletividade. a terra abençoada que há de ser
elevado sentimento patriótico, É oportuno, reafirmamos, enten- o berço invejado dos nossos
sem o que não lograremos ai- der que o verdadeiro chefe de- netos".
REVISTA AERONAUTICA -8- MARÇO - ABRIL - 1967
POSSE DO NÔVO
CHEFE DO EM
DA

AERONÁUTICA

Lembrando os ensinamentos
da Escola Superior de Guerra
e com o pensamento voltado
para o reaparelhamento das uni-
dades aéreas de combate da Fôr-
ça Aérea Brasileira, o Maj Brig
Carlos Alberto Huet de _Oliveira
Sampaio tomou posse, dia 2? de
março, no cargo de Chefe do Es-
tado-Maior da Aeronáutica, em o Maior Brigadeiro Carlos Alberto Huet de Oliveira .Sa-mpaio, nôvo Chefe
solenidade presidida pelo Minis- d'J EM da Aero:1áutica. quando fazia, perante · o l\linistrq Márcio, o seu
tro Márcio de Souza e Mello e discurso de posse.
que contou com a presença de
autoridades civis e militares e do ,deyei- cumprido, devo em corporação. Darei maior ênfase
dos brigadeiros em comando de grande parte o · êxito alcançado a tudo que, ,estiver relacionado
unidades sediadas na Guana- a dedicados comandados e ao com o ressurgimento do ~'elan"
bara apoio do eminente brasileiro, .o profissional dos aeronavegantes,
íntegro Brigadeiro Eduardo Go- razão de ser da F AB, procuran-
Ao receber o cargo do Ten mes, símbo-lo da Fôrça Aérea do reacender a chama do espí-
Brig Clóvis Monteiro Travassos, Brasileira. Constituir~a grande rito combatente nas jovens
o Maj Brig Carlos Alberto Huet injustiça omitir referência aos guarnições, para o que emp e~
de' Oliveira Sampaio pronunciou auxílios de real valia consegui- nharei tôda a equipe de traba-
o seguinte discurso: dos do amplo círculo de relações lho do Estado-Maior no estudo
e amizades conquistadas na so- de reformulá-las, aproveitando
"Assumindo a Chefia do Esta- ciedade ta nto do Estado de Ma- de imediato as disponibilidades
do-Maior da Aeronáutica, que- to Grosso · como de São Paulo, atuais. Planejamentos a curto e
ro deixar bem claro que não o muito particularmente dêste úl- longo prazo estarão em cogita-
faço pór ambição ou vaidade. A timo, dada a sua potencialidade ção. Dar-lhes-ei continuidade,
perda de um filho inesquecível, e por estar nêle a sede do Co- visando a elevar o poder da Fôr-
vítima de trágico acidente, bas- mando. ça Aérea Brasileira ao nível
taria para justificar meu desa- indispensável ao policiamento
pêgo a qualquer função em que Assim é que, atendendo a pon- e à defesa do t e r r i t ó r i o
me possa destacar. Além disso, deráveis é irrespondíveis argu- pátrio qu~ guarda riquíssimas
tenho-me como já realizado na mentos, acedi à. insistência do jazidas das mais variadas e
carreira que abracei por idea- meu amigo- o Marechal-do-Ar cobiçadas espécies. Por sua na-
li::m.o, p odendo ainda afirmar Márcio de Souza e Mello - e tureza e extensão, êsse território
que . minha maior aspiração ti- aceitei o honroso convite p ara VPm sendo impunemente rouba-
ve-a concretizada no comando . cooperar na difícil ocasião em do e devastado por org-anizações
que exerci, embora pelo curto que, no exercício do alto cargo estrangeiras ilegais e contraban-
pr::- zo de 7 meses, da Escola de de Ministro da Aeronáutica, en- distas auxiliados por m'lUS bra-
Aeronáutica dos Afonsos onde frenta as mais sérias responsa- sileiros, à falta da adequada e
antes de tudo, tentei piasma; bilidades. Apolítico por princí- jp dispensá,tel proteção e vigi-
nos "Meus Cadetes" a.:; quali- pio, não tolerarei ingerências po- 1.'\ ncia aérea.
dadf's morais básicas de caráter. lítico-partidárias em assuntos
honra e dignidade militar. · atinentes à natureza típica da Faz-se mister, portanto, cui-
carreira militar, por considerá- dar do pronto reaparelhamento
Do meu último comando o da las altamente nocivas, levando a d ,. . s unidades aéreas de combate.
4.a Zona Aérea, que acabo de dissensões que aproveitam ape- Só tenho, pois, a nortear-me -
deixar, também guardo imensa nas aos que delas se utilizam
saudade. Com a tranqüilidade em detrimento da plenitude da (Conclui na pág. 46)
REVISTA .AERONAUTICA
-9- MARÇO -ABRIL - 1967
A recuperação, o redescobri- ranhão a oeste do meridiano namento da economia regional
mento ou a ocupação da Ama- de 44°". pela quebra do mercado da
zônia, como muitos denominam, borracha, ocasionada pela im-
A "Amazônia Legal", assim
é o tema mais atual e fasci- plantação da hévea no Orrente,
chamada, tem uma área total
nante que está empolgando todo tentou o Govêrno Federal to-
de 5 057 200 km2 , ou sejam ...
o Brasil. A Revista Aeronáutica mar medidas amplas para uma
1451 000 km 2 acrescentados à
não se poderia omitir sôbre êste política imediatista e de sen-
área da amazônia clássica e
assunto e vai, aqui, focalizá-lo tido global.
correspondente a, pràticamente,
sôbre certos aspectos mais essen-
60% da área total do Brasil. Efetivamente, foi conseguida
ciais e com o título "Operação
Amazônia" como já batizado uma lei do Congresso Nacional
2. Hil.;tórico sob a denominação de Valori-
pela imprensa nacional.
O esfôrço maior para ocupar zação da Borracha. Foi criado
1. A Area e mobilizar a Amazônia, até um órgão para comandar o em-
agora, coube às iniciativas iso- preendimento, que compreen-
A área reconhecida pelo Go-
vêrno Brasileiro como Amazô- ~

nia, para fins de planejamento


e desenvolvimento, não ficou
restringida, apenas, à caracte-
OPERACAO ~
rização geográfica determinada A.
pela bacia hidrográfica do Ama-
zonas e pela cobertura florestal
incomum. Houve o cuidado de
acrescentar a êsse conceito a
AMAZONIA Escreve Cel Av Antônio Geraldo Peixoto,
identificação do homem brasi- especialmente para a Revista Aeronáutica
leiro envolvido nos mesmos pro-
blemas e constituindo uma so-
ladas das próprias populações dia, além da heveacultura, mais
ciedade cultural e econômica-
locais. Entretanto, muitas ten- financiamento, transportes, sa-
mente homogênea.
tativas para um esfôrço orga- neamento, colonização e imi-
Dessa maneira, pela Lei nú- nizado, tendo por base o plane- gração nacional e estrangeira,
mero 1. 806, de 6. de janeiro de jamento global, foram feitas em tudo visando à mudança de
1953, foi definida a área da diversas épocas da nossa his- tôda a estrutura social e eco-
"Amazônia Brasileira" ou Ama- tória. nômica da região.
zônia legal, assim constituída : Devemos citar como o pri- O plano elaborado era inten-
"A Região compreendida pe- meiro esfôrço a iniciativa de so, porém, decorrido um ano,
los Estados do Pará, Amazonas Pombal, quando o govêrno por- não mais constou do orçamen-
e Acre, pelos Territórios Fe- tuguês programou um vasto em- to da União o crédito corres-
derais do Amapá, Guaporé e preendimento para a região, com pondente.
Roraima, e, ainda, a parte do incentivos vários e o início da Nos primórdios da Segunda
Estado de Mato Grosso ao norte remessa de imigrantes. O su:- Grande Guerra, o então Govêr-
do paralelo de 16°, a do Estado cesso durou pouco, no entanto. no Federal, pela palavra de seu
de Goiás ao norte do paralelo Somente dois séculos após Chefe, lançou o célebre "Dis-
de 13°, e a do Estado de Ma- essa iniciativa, com o desmoro- curso do Rio Amazonas", sín-

Belém - a bela capital do Estado do Pará, possuindo mais de meio milhão de habitantes, é a sede dos prin-
cipais centros 'de Comando da Operação Amazônia que compreende : os Estados do Pará, Amazonas e Acre; Ter-
ritórios Federais do Amapá, Guaporé e Roraima; e, ainda, partes dos Estados de Mato Grosso, Goiás e Maranhão.

REVISTA AERONAUTICA 11- MARÇO - ABRIL - 1967

- - -- ---- - - - - - ----- - - -----·-·---··--·

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Saritarém, pela sua localização às margens do Amazonas e na foz do Tapajós, é um pôrto-chave para o desenvolvimento
da Região.

tese de um programa de valo- men tou para a Amazônia deze- panhia RDC (Ruber Develop-
rização do grande vale, ao mes- nas de milhares de nordestinos. ment Corporation), com a fina-
mo tempo que abria um crédi- O fracasso foi grande e todos lidade de coletar a borracha e
to para início dos estudos. Tudo nós nos lembramos das crônicas a remeter para os centros de
ficou na impressão e divulga- sôbre os navios que transpor- produção de guerra.
ção de cartazes alusivos ao fato. tavam o gado humano nas pio-
Só pouco depois, com o Brasil res condições de higiene e con- Finalmente, em 1953, após
já integrado no esfôrço de guer- fôrto, e sôbre a mortandade in- anos de debates e em cumpri-
ra, é que se tentou a revitali- fantil chocante, quer nos navios, mento a dispositivo constitu-
zação da . extração da borracha quer nas hospedarias de trân- cional de 1946, que mandava
então escassa no mercado alia- sito, onde ficou célebre a hos- aplicar anualmente na Amazô-
do pela perda das plantações do .pedaria do Tapanã em Belém. nia, durante 20 anos, 3% da
Oriente. renda da União, Estados e Mu-
Nessa ocasião foi também nicípios interes·.>ados, em planos
O órgão central, a "Coorde- criado o Banco da Borracha qüinqüenais de valorização, foi
nação da Mobilização Econômi- para financiamento da opera- criada a SPVEA (Superinten-
ca", então ativado para coorde- ção. Os E.>tados Unidos da Amé- dência do Plano para a Valori-
i'
nar o esfôrço .d e guerra, movi- rica do Norte criaram a com- zação Econômica da Amazônia).

REVISTA AERONAUTICA -12- MARÇO - ABRIL - 1967


'
com a finalidade de dar cumpri-
mento àquele dispositivo legal.
Em complementação à
SPVEA, o Banco da Borracha
foi transformado em Banco de
Crédito da Amazônia.
Igualmente, o IAN foi am-
pliado para Instituto de Pes-
quisa e Experimentação Agro-
nômica do Norte.
Ainda em complemento à
SPVEA, foi criado o INPA
(Instituto de Pesquisa da Ama-
zônia), destinado 81 proceder ao
inventário real da região em re-
lação à floresta, ao solo, subsolo
e águas da grande bacia,
Foram ativados mais, como
órgãos de pesquisas, o Institu-
to de Patologia Evandro Cha-
gas e o Museu Goeldi; êste su-
bordinado d i r e t a m e n t e ao
INPA.
Havia, assim, o Govêrno se
armado com um · órgão central
coordenador e planejador e di-
versos outros de pesquisas, cré-
ditos e serviços auxiliares, onde
poderíamos incluir a fundação
FSESP e os SNAPP,
Infelizmente, se bem que al-
guma cousa tenha sido feita
desde sua instalação, podemos
considerar, no seu todo, um ver-
dadeiro fracasso a atuação da
A Companhia Fôrça e Luz do Pará está completando sua ampliação
SPVEA para o desenvolvimen- para 80 mil KWA. Se os resultados dos estudos forem favoráveis,
to da área. Fatôres diversos muito em breve o Pará terá instalada a sua primeira usina termo-
nuclear para 150 mil KWA, conforme já anunciou o seu Governador.
contribuíram para êsse resulta-
do negativo. Desde sua organi-
zação em si, subordinação es-
púria de p I a n e j a m e n t o ao finaljdade global de programas. vio para a construção da estra-
DASP, descompasso no recebi- Corrupção desbragada, princi- da Belém-Brasília, no trécho.
mento das verbas, quase sempre palmente nas últimas gestões fora da região, mas que refletiu
recebidas por entidades, às vê- antes da revolução. Desvios de em benefício da mesma.)
zes, inexistentes, por m,unicípios verbas foram feitos também pa- O primeiro Plano Qüinqüenal
e serviços os mais diversos, tudo ra fora da área da Amazônia foi feito, em louvável esfôrço,
quase que para satisfazer sã- por imposição do govêrno cen- pela primeira equipe que che-
mente a pressões políticas e sem traL (Salva-se aí, apenas, o des- fiou a SPVEA e que esperou

REVISTA AERONAUTICA - 13 - ' MARÇO- ABRIL - 1967


\ > .
. .'·

O inipressiõnante ' crescimento da indústria modifica a paisagem·;'da ·área amazônica .


. ' '

por mais de dez anos a decisão começar pela própria SPVE~ Santarém e sua indústria.
do Congresso para aprovação. como seu órgão principal. Cet-
I tas práticas administrativas em-
I Um relatório do último Supe- perravam o serviço. O atraso na
rintendente da SPVEA, feito entrega das verbas e os cortes
11

I f ém princípio de 1965 para . uma excessivos para execução de


I~ comissão de Deputados da Ama-
zônia, é um documento impres-
programas básicos, que nunca
poderão ser _ ativ~dos a .conta-
sionante sôbre o descalabro que gôtas, ·constituíam rotina n or~
imperava na administração dês- mal. ...·. --
:;
se' órgão e qtie, no dizer do 'Go-·
~~

vernador do Pará, as suas ini- No período de 1954 a 1964,


ciais representavam a sigla da dos créditos destinados a Ama-
p~ópriâ · córrupÇão: zôiíiã.; .só forãm.~ ~ntre!tues, prà:-
Üéariíénte, 40%; -ó resto é-nttoú
<Mas · não· foF só á malversa- mt pauta · dos :cortes. Em 1965"
ção dÓ -bem pubiico ·:a causafda Q'J oi:'Çameiito' estabeleceu a : cifra
..,... . ·' . da
..fracasso .
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SPYEA.
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Muitos
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:o~ - êrros ~ ~s-t~t~rais 1do s!*m:ª :q'uê ·:rnihguaram pàrá :meuos da
.IDQJlté;l,d.q ::-~:r~.'j acionar.,:co __ . d_e- l'll.eíade:· com: os cortes : Ptogr<l:~
§~I;lY()!y1m.~ij.tq; df.l. -A.m~q:p.ia, a ~o.s ..· · ,~~~\: s1~26t P:::.~rç<J.~ento
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Manaus refina o seu petróleo .

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: -~'·;;·'.,-;,•"

O crescimento de Belém é uma realidade. ,., ~<'; ~

geral, incluindo a Rodobrás, Íoi Cm:no cooperação e para aten-


de 56 bilhões de cruzeiros, _po- d~r
ao programa de aeroportos
rém com corte de 50%. Como elahorado ~pela própria SPVEA,
se pode ver, quantias irrisórias ··o Ministério da Aeronáutica
para qualquer programa local, criou . uma comissão especial
quanto J?ais para uma região . com · seus próprios recursos de
que abrange 60% do território pessoal, material e instalações.
brasileiro. A COMARA (Comissão de Ae-
roportos da Amazônia), assim
Ainda como exemplo do des- criada para empregar os recur-
virtuamento dos programas, po- · sos da SPVEA em construções
·demos citar o caso 'da, infra-
de aeroportos, foi pouco a pou-
estrutura aeronáutica que é de
suma .importância para a área, . co deixando de receber êsses
PC!is é básico .para qualquer ou- recursos, e o Ministério da Ae-
. Capanema . produz· cimento em escala
tra programação. ronáutica, para não paralisar ' sempre · cres~ente ; .• '

REViSTA AEIÜ>NAUTICA -15- .."MARÇO- ABRIL - 1967


com quantia superior ao total
entregue desde sua fundação,
ainda ficou muito longe da con-
tribuição do Ministério da Ae-
ronáutica. Até a data de hoje,
a SPVEA contribuiu com cêrca
de 800 milhões para os progra-
mas de trabalho da COMARA,
contra cinco bilhões dados pelo
Ministério da Aeronáutica; isto
sem contabilizar o valor intrín-
seco da organização COMARA
e o seu equipamento.
Reconhecendo o fracasso da
SPVEA, procurou, agora, o Go-
vêrno Central, depois de estudo

Maéàpâ possui um bem instalado serviço de


extraçãó de miliérios.

O município de Tomé-Açtt é o maior centro produtor de


pimenta-do-reino no País.

uma obra de magna importân-


cia para a região e para a Se-
gurança Nacional, passou a em-
pregar verbas próprias, inver-
tendo completamente o estabe-
lecido. No período de 1954 a
1963, enquanto a SPVEA entre-
gou 214 milhões de cruzehos, o
Ministério da Aeronáutica con-
tribuiu com 662 milhões.

Em 1964, a SPVEA não atin-


giu a 1% da contribuição do
Ministério da Aeronáutiéa, pois,
enquanto êste empregou 1 097
milhões, ela só entregou à
COMARA 10 milhões de . cru-
zeiros. Em 1965 e 1966, embora
a SPVEA tenha contribuído

REVISTA AERONAUTICA
acurado, reformular todo o sis-
tema e transformar a SPVEA
em SUDAM.
A SUDAM e o Banco da
Amazônia, também. reestru_tu-
rado, serão os principais ins-
trumentos para o desencadea-
mento da Operação Amazônia.

3. SUDAM - Superintendên-
cia do Desenvolvimento da
Amazônia
Segundo o General Mário
Cavalcante, primeiro dirigente
da SUDAM e antigo Superin-
tendente da SPVEA, em entre-
vista à Imprensa Nacional, a
SUDAM terá a seu cargo as se-
guintes atribuições básicas :
a) elaborar o Plano deVa-
lorização Econômica da Ama-
zônia e coordenar e promover
a sua execução, diretamente
. ou mediante convênio com
órgãos ou entidades públicas,
inclusive sociedades dé eco-
nomia mista, ou através do
contrato com pessoas ou en-
tidades privadas;
b) revisar, uma vez por
ano, o plano mencionado no
item anterior e avaliar os re-
sultados de sua execução;
c) coordenar as atividades O amendoim é outra riqueza que surge na Amazônia.
dos órgãos e entidades fe-
derais e supervisionar a ela- elaboração ou execução .de e projetos integrantes do Pla-
boração de seus programas programas ou projetos con- no de Valorização Econômi-
anuais de trabalho; siderados prioritários para o ca da Amazônia, ou de inte-
d) coordenar a elaboração desenvolvimento, a critério rêsse para o desenvolvimento
e execução dos programas e da SUDAM; . econômico da região a cargo
projetos de interêsse para f) coordenar programas de de outros órgãos ou entida-
o desenvolvimento econômico assistência técnica nacional, des federais;
da Amazônia, a cargo de ou- estrangeira ou internacional, h) fiscalizar o emp:r:êgo de
tros órgãos ou entidades fe- a órgãos ou entidades fe- recursos financeiros destina-
derais; derais; dos ao Plano de Valorização
e) prestar assistência téc- g) fiscalizar a elaboração Econômica da Amazônia, in-
nica a entidades públicas, na e a execução dos programas clusive mediante o . confronto

REVI STA AERONAUTICA - 17-..,. MARÇO • ABRIL - 1967 .


m) praticar todos os atos
necessários à sua função de
órgão de planejamento eco-
nômico da Amazônia.
- O êxito do Plano de V alo-
rização - objetivo central da
SUDAM - seria bem duvidoso
- diz o General Mário Caval-
cante - se não pudéssemos ar-
ticular, dentro de uma única di-
retriz, os esforços das diferentes
agências ministeriais, autarquias
e outros organismos de ação do
Govêrno Federal, na missão
de promover o desenvolvimento
econômico da região. Partindo
de um passado pouco lisonjei-
ro, em que a dispersão e o pa-
r.alelismo constituíam a tônica
p~rmanente a frustrar os pla-
nos de trabalho traçados, o Go-
vêmo Federal, desta feita, rer-
solveu lançar-se à articulação,
como única maneira de conse-
guir resultados mais compensa-
dores. Assim se explica porque
a SUDAM, a1o contrário da
SPVEA, assumirá o papel de
organismo coordenador de tôda
a ação federal na Amazônia,
chegando mesmo a manifestar-
se sôbre os programas e orça-
mentos dos outros órgãos fe-
derais que atuam na área, afe-
No segundo semestre do ano de 1966, transitaram ceRt.o e dez mil veículos pela
Estrada Belém-Brasília. rindo, inclusive, em função das
conveniências do plano, suas
possibilidades e necessidades,
de obras e serviços realizados, j) sugerir, relativamente, à bem como os resultados da exe-
com os documentos compro- · Amazônia, as providências ne- cução dos programas que lhe
batórios da·s respectivas des- cessárias à criação, adaptação, 'são inerentes. Essa a razão pela
pesas; transformação ou extinção de qual a nova legislação estabe-
órgãos e entidades; tendo em lece como objetivo central do
i) julgar da prioridade dos vista a sua capacidade ou efi- Plano de Valorização Econômi-
projetos ou empreendimentos . ciência e a sua adequação às ca da Amazônia promover o
privados, de i.nterêsse para respectivas finalidades; desenvolvimento auto-sustenta-
o desenvolvimento econômico do da economia e o bem-estar
da região, visando à conces- I) promover e divulgar pes-
quisas, estudos e análises, vi- social. Dentro dessa diretriz é
são de benefícios fiscais ou de que estamos trabalhando, para
sando ao reconhecimento sis-
elab.oração financeira, na for- temático das potencialidades que os homens de emprêsa do
ma da legislação vigente; regionais; sul do Brasil se sintam atraídos
REVISTA AERONAUTICA __..;.. 18 ''--'- MARÇO - ABRIL - 1967
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pela região e para ela canali- s1çao da Amazônia foram inte- po útil, o desenvolvimento da
zem a sua produção, na certeza ligentemente divididos entre os Ámazônia, e nem isto seria pos-
de que êsses recursos retorna- dois organismos : para aplica- sível prever. A ;ma atuação não
rão sob a forma de lucro, d& Ção em investhnentos públicos excluirá os trabalhos da res-
senvolvimento e tranqüilidade ou em -capitélJ social básico da ponsabilidade de outros órgãos
social. régião, pela SUDAM, e no se- federais e estaduais como o Mi~
tor privado da economia ama- nistério da Viação e Obréls Pú-
4. Banco da Amazônia S/A
zonica; pelo BaJ1CO, esta última blicas, o Ministério da Sàúd~,
O presidente Armando Dias parcela sob à forma de Fundo o Ministério da Agri_c ultura ·e
Mendes assim condensa a prin- para Investimentos Privados no outros já com programas em
cipal missão do Banco da Ama- Desenvolvimento da Amazônia andameiitb _na região. · A
zônia S/A, antigo Banco de (FIDAM). :Êste, além de outras SUDAM . agirá como um órgão
Crédito da Amazônia S/A: fontes internas e externas per- coordenador geral e terá ação
Em linhas gerais, o nôvo Ban- manentes ou eventuais, poderá catalizadora para a ativação dos
co da Amazônia SI A a tua r á contar com o produto da emis- trabalhos de desenvolvimento da
como o grande agente finan- são das Obrigações Amazônia, área. A simples análise da dis~
ceiro do Govêrno Federal na que poderão ser, pelo Banco, ponibilidade . presumível dos re-
Região Amazônica. Será o ins- colocadas ·no · mercado de títulos cursos da SUDAM nos mostra
trumento da SUDAM para con- do País, sob ·condições que a lei como seria inviável qualquer
verter em investimentos os re- estabelece, a serem complemen- programação apenas baseada
cursos oriundos dos estímulos tadas pelo Conselho Monetário nessa disponibilidade. É neces-
fiscais, criados ou ampliados Nacional. Essa íntima articula- sário que os planos nacionais,
pela nova legislação, assim CO'" ção entre o Banco e a SUDAM na parte de interêsse da região,
mo do crédito destinado a tôdas expressa-se, ainda, em normas sejam acelerados e suplemen~
as emprêsas econômicas, pela que visam a acelerar a análise e tados pelo esfôrço de ·coorde'-
SUDAM consideradas prioritá- decisão sôbre os projetos desti- nação da SUDAM.
rias para o desenvolvimento da üados a promover o desenvolvi-
mento da área, quer no setor A iniciativa privada, como
região. Assumirá, nesta região,
primário, qu~r no das indústrias elemento impulsionador do pro-
funções que, em dimensões na-
de transformações, comó ainda gresso da região, deverá ser in-
cionais, são conferidas a outras
nos · serviços básicos que, con- centivada ao máximo.
instituições financeiras oficiais,
quer no tocante aos depósitos sultando peculiaridades da re- Outrossim, não poderemos es~
dos recursos dos órgãos fe- gião, são pela lei de incenti- quecer da situação geográfica
derais na região, quer em rela- vos fiscais definidos de forma da região em relação a sete paí-
ção à execução da política de excepcionalmente ampla. Um ses vizinhos que, forçosamente,
preços mínimos de seus produ- grande avanço a registrar nas direta ou indiretamente, estarão
tos primários. O principal pa- quatro leis que compõem a base
ligados ao progresso da Ama-
pel que lhe caberá será, :porém, da Operação Amazônia, das zônia.
o de Banco Regional de Desen- quais a de n .o 5 .122, de 28 de
volvimento, em íntima arti- setembro último, que transfor- O maciço andino é um obs-
culação institucional e funcio- mou o Banco da Amazônia S/A, táculo natural, forçando a u'a
nal com a Superintendência de é parte integrante, é a precisa maior ligação das terras baixas
Desenvolvimento da Amazônia delimitação dos campos de ação da Bolívia, Peru e Colômbia
(S U D A M), que substitui a da SUDAM e do Banco, de com o estuário do grande rio e
SPVEA e, no plano nacional, acôrdo com a natureza intrín- que podemos incluir parte do
com o BNDE, dentro da polí- seca de cada um dêsses orga- Equador. Por outro lado, o nos-
tica creditícia do Banco Central. nismos, afastando as superposi- so território de Roraima pode-
A SUDAM e o Banco estão ções, as lacunas e. os choques. rá melhor aproveitar as saídas
representados nos órgãos cole- já existentes para o mar das
giados um do outro, e os recur- A SUDAM, por si só, não está Caraíbas, compensando o isola-
sos postos pela União à dispo- capacitada a executar, em tem- mento em que é obrigado a fi-

REVISTA AERONAUTICA -19~ MARÇO- ABRIL - 1967


car, no rriomento, com o resto transporte aéreo, que, assim, com 22,5 MW instalados e a de
do Brasil por mais de 6 (seis) assume caráter prioritário. ;Belém com 50 MW. Estão em
meses anualmente. fase de construção as hidroelé-
Os exemplos estão bem visí-
tricas de Palhão para 14,4 MW,
Como medida inicial, segundo veis, bastando relembrar o pio-
no Pará, e a de Coaracy Nunes,
nossa · opinião, dever-se-á fazer neirismo do transporte aéreo
no Amapá, para 120 MW.
um maior esfôrço para a pre- para as ligações mais essenciais
paração da infra-estrutura da para a garantia de nossa -sobe- A Termoelétrica de Belém já
área, a fim de permitir a exe- rania na área, e para a implan- está com estudo finalizado para
cução de programas parciais. tação de rodovias, de núcleos expansão até 80 MW.
Isto porque não acreditamos de mineração ou de qualquer Poderá a região, ainda, con-
que possamos ocupar a Amazô- outro empreendimento de vul- tar com parte da capacidade
nia sem que haja condições per- to, onde houve a necessidade de geradora d.a hidroelétrica de
manentes para a fixação do ho- assegurar um permanente fluxo Boa Esperança, no Piauí, em
mem, e esta fixação só será de suprimento básico indispen- construção e para 216 MW.
possível pela existência de um sável.
É muito pouco, no entanto,
mercado de trabalho, se não
Os postos de fronteira têm no para a demanda mínima presu-
tentador, pelo menos digno da
avião o seu principal meio de mível, o que limitará, perigosa-
pessoa humana. Para a existên-
apoio. A construção das estra- mente, o desenvolvimento da
cia de um mercado de trabalho
das Belém-Brasília e Brasília- região. Estudos já estão sendo
adequado, há necessidade de
Acre foi facilitada pela implan- feitos para instalação de outras
implantação das mais diversas usinas, e o Govêrno do Pará já
-atividades, que só será exequí- tação de vários campos de pou-
so ao longo de seus trajetos que iniciou os primeiros entendi-
vel se contarmos com uma in-
garantiram o apoio indispensá- mentos para os estudos de via-
fra-estrutura disponível. bilidade de uma usina usando
vel. Em alguns casos, até o com-
Dentro dessa infra~estrutura, bustível para as ~áquinas de energia nuclear, face à dificul-
salientamos, com prioridade, o terraplenagem foi transportado dade de aproveitamento de ou-
por via aérea . tras fontes geradoras. É bem
.! 1
setor dos transportes e o da
energia. verdade que alguns r~os, como
- Na construção das duas usi- o Tocantins, o Tapajós e o Ne-
I Embora esteja na Amazônia
a maior rêde hidroviária . do
nas hidroelétricas da áre,"l., o
serviço só foi iniciado após a
gro, poderão apresentar grandes
possibilidades, porém mediante
País, não está essa rêde pre- instalação de uma pista de pou- obras complexas que, talvez,
so de apoio.
I
I parada para exercer sua fun-
ção básica, nem existem outros
meios de transporte complemen- Em virtude das grandes dis-
não sejam possíveis, econômica-
mente, em futuro próximo.
tâncias a percorrer e dos inú- Sem transporte e sem ener-
tares em condições adequadas. gia não -será possível levar a
meros obstáculos naturais a su-
o rio, só por si, atende, uni- perar, para um planejamento bom têrmo o mínimo que se de-
_camente, às suas margens, dei- global, onde várias frentes se- seja para a região, e as suas
xando as terras interiores como rão, compulsoriamente, ataca- possibilidades serão, perigosa-
um grande vazio. É necessário das até mesmo para a tarefa mente, diminuídas. Cónvém ci-
construir estradas de penetra- básica de coordenação, só _ o tar, como exej:nplo, o problema
ção e circulação. avião será o meio adequado de atual do estanho. Como uma
transporte inicial. dádiva do scéus, foram desco-
Convém salientar, no entan- bertas várias minas . de cassite-
to, que para a implantação de Quanto âo setor de energia, :dta no Território de Rondônia.
quâlqúer sistema viário de su- à Região Amazônica é a menos Essas minas estão· sendo explo-
pe~fície - ria Região Amazônica, dotada do País. No momento, só radas da maneira rriaiS precária
caracterizada pelas grandes dis- duas usinas termo-o.létricas po- possível. A mineração é feita à
tâncias é pela mata pujante, derão ser citadas pela sua capa- flor da terra, pelo :processo fnais
não será possível prescindir do cidade geradora : a de Manaus (Conclui n~ pág. 36)

REVISTA AERONAUTICA -20- MARÇO -ABRIL - 1967


A exeiJ+plo dos anos anterio-
res, a Fôrça Aérea Brasileira
comemorou, dia 22 de abril, na
Base Aérea de Santa Cruz, fei-
tos do 1. Grupo de Caça, na
0

Campanha da Itália e do Medi-


terrâneo, na 2.a Guerra Mun-
dial. · As solenidades foram pre-
sididas pelo Ministro Márcio
de Souza e Mello. O programa
incluiu:• m issa, no hangar da
Base, em memória dos mortos
do heróico 1.0 Grupo de Caça;
oferta de um escrínio contendo
terra do Cemitério de Pistóia
pelo presidente do Clube dos
Veteranos da Itália; . demons-
tração aérea da Esquadrilha da
Fumaça, 1. Grupo, 1. /14. Gru-
0 0 0

po ·de Aviação.
A data de 22 de abril assina-
la os maiores feitos do 1.0 Gru-.
po de Caça, cuja atuação cora..:
FAB COMEMORA
josa contra as tropas nazifas-
cistas, na Europa, foi da maior
valia para o avanço das Fôrças
Aliadas e sua vitória final, com
DATA FES .T IVA
a rendição incondicional de Hi-
tler e seus asseclas. do o valor do aviador brasilei- va de ser a primeira Fôrça
Há 22 anos, nesse dia, os ro, era constituído de 342 ho- Aérea da América do Sul ·que
bravos pilotos brasileiros do 1.• mens, embarcados nos Es~ados cruzou os oceanos e veio alçar
Grupo de Caça, ostentando em Unidos, dia 22 de setembH) d2 suas asas sôbre os campos de
suas fardas e na carenagem de 1944, no navio francês "Colom- batalha europeus. Cumpre-nos
seus aviões o símbolo "Senta bia", posto à disposição do Go- tudo enfrentar com fortaleza
a Pua", realizaram 44 sortidas, vêrno Americano. Eram 42 ofi- de ânimo, a fim de manter in-
na razão de duas missões de ciais-aviadores, 9 intendentes, tacto êsse tesouro jamais vio-
combate para cada pilôto e 2 médicos, 6 enfermeiros, 109 lado - a honra do Soldado
avião, bombardeando comboios suboficiais e sargentos, e 174 brasileiro e nós o faremos, cus-
de armas, metralhando a baixa cabos e soldados. Chegando a te o que custar. Lançado o gri-
altura as posições antiaéreas Livorno a 6 de outubro, no to de guerra, restava a ação,
inimigas, cortando com suas mesmo dia deslocaram-se os que não se fêz esperar. O sím-
bombas as ferrovias e rodovias) brasileiros para T a r q u í n i a, bolo que serviu de mística aos
e incendiando os depósitos e ocupando um antigo campo de bravos pilotos brasileiros e que
viaturas do Exército Alemão. aviação italiano. Os suboficiais ainda é ostentado nos unifor-
e sargentos mecânicos apronta- mes de campanha d'Os homens
Tão eloqüentes foram os fei- ram os P-47, os destemidos "Ti- do 1. Grupo de Caça era um
0

tos dos pilotos brasileiros no gres Voadores'', para a ação escudo azul, com o desenho de
campo da luta que, por suges- um avestruz, o Cruzeiro do Sul
tão do ex-Ministro Eduardo Primeira Ordem do Dia e a inscrição "Senta a Pua". A
Gomes, o ex-Presidente Caste- senha era IANBOCK.
lo Branco, compreendendo o al- Dia 14 daquele mês, o Co-
to significado dessa data para mandante do 1. Grupo de Ca-
0

Passando á operar, como in-


a Fôrça Aérea Brasileira, bai- , ça, o então Maj Av Nero Mou- tegrante das Fôrças Aliadas do
xou Decreto considerando data ra, fazia ler perante nossos ho- Mediterrâneo, subordinado ao
festiva o "22 de Abril". mens sua primeira Ordem do
Dia, já no campo de luta, en- 350.0 Regimento de Aviação, em
Grupo de Heróis quanto era hasteada a auriver- ;:tção conj uli ta com mais três
de Bandeira Nacional: grupos americanos, o 1.• GrUpo
, .9. ) . ,~rupo ci~ ., Çf:1ça .q)le ~e. ,,-•,
0
de . Caça começou a cumprir
cobriU de glórias ein combate - N á História dos Povos, sua:s missões de éombate no dia
nos céus da Itália, evidencian- coube-nos a honra ---'- acentua- 11 de novembro. Cumpriu 2 546

REVISTA. AERONAUTICA -21- MARÇO•ABRIL ·'-"-' 1967


Melo e Rolando Rittmeister.
Filmavam o acampamento de
Civitavechia, em companhia de
cinegrafistas americanos, quan-
do o avião C-47, em que esta-
vam, foi abalroado em pleno ar.

No dia 2 de janeiro de 1945,


depois de metralhar uma loco-
li motiva alemã em Alessandria,
I ao ter seu avião atingid-o pela ·
metralha inimiga, o tenente
João Maurício Campos de Me-
deiros saltou de pára-quedas,
morrendo eletrocutado por fios
I I de alta tensão. Era o oficial
I

brasileiro que maior número de


missões contava até então. Vin-
te dias depois, falecia o tenente
Aurélio Vieira Sampaio. Cum-
pria a sua 16. a missão ofensiva.
O avião que pilotava foi atin-
gido pelo fogo inimigo, chocan-
O Ministro Márcio quando falava sôbre o 22 de abril, vendo-se ao fundo
a galeria dos heróis do 1. 0 Grupo de Caça.
do-se c-ontra o solo.
O aspirante Frederico Gusta-
vo dos Santos morreu no dia 13
missões e voou 5 463 horas em quand-o treinava evasivas, pró- de àbri l, na explosão que pro-
operações de guerra. Foram ximo ao acampamento de Tar- vocara em vôo rasante num de-
destruídos dois aviões alemães, quínia. Poucos dias depois, a pósito de munição dos alemães.
e danificados outros 9, e bom- 16, mais dois oficiais brasileiros A última vítima da campanha
1,
bardeados 1 U43 locomotivas, morreram, colhidos pela fatali- da Itália foi o tenente Luís Lo-
250 vagões e tanques, 8 carros dade. Foram êles os tenentes pes Dorneles, abatidQ em Ales-
·I blindados, 25 pontes 214 estra- Valdir Paul in o Pequeno de sandria. Cumpria a sua 89."
das. Foram igualmente destruí-
dos, pelas bombas e ação da
metralha de nossos artilheiros,
144 prédios ocupados pek>s ale-
mães, um acampamento, 2 pos-
tos de comando, 85 posições de
artilharia, 3 alojamentos, 6 fá-
bricas, 31 depósitos de gasolina
e munições, 11 depósitos de ma-
terial, 3 destilarias, 5 usinas
elétricas, 19 embarcações, 79
viaturas a animal e vários ou-
tros objetivos ocasionais.

Glória aos Heróis

Os dois primeiros bravos pi-


lotos brasileiros a serem sacri-
ficados no campo de batalha fo-
ram os tenentes John Richard-
son Cordeiro e Silva, abatido
pela artilharia antiaérea alemã,
no dia 6 de novembro de 1944,
e Oldegard Olsen Sapucaia. O
primeiro foi atingido por ca. Sr. João dos Santos Vaz, Presidente do Clube dos Veteranos na Campanha
nhões de 8 milímetros em Bo- da Itália, quando falava, vendo-se o Brigadeiro Serra de Menezes e o
lonha e o segundo morreu Coronel Galvão.

REVISTA AERONAUTICA -22 - -MARÇO -- ABRIL - 1967


missão, metralhando uma loco- enaltecia a ação marcante ·de lizou q';J.an.t os -gar~~tira~ ,a:c~o~~
motiva, quando seu avião foi 22 de abril de 1945, em efemé- tinuídade territorial, f1rrnàr+arri
abatido. ride a ser exaltada, em unísso- a independência, asseguraram a
no, por tôda a Aeronáutica.
Antes de os pilotos brasileiros monarquia e engrandeceram a
Incluído no XXII Comando república.
seguirem para a Itália, a 18 de
Aerotático, o l.o Grupo de Avia- .
maio de 1944, falecia, no Pana- ó diá · dé hoje é, também, o
ção de Caça, voando 5% das
má, o tenente Dante Izidoro
saídas executadas por aquêle que marca o nascimento do
Gastaldoni. Seu avião chocou-
Comando, teve a seu crédito a Brasil e é precedido pelo que
se contra o solo ao sair de um
destruição de 15% dos veículos celebra o martírio de Tiraden-
"tonneau'' a 2 mil pés de al-
e 28% das pontes, e a danifica- tes, o Inconfidente excelso cujo
tura.
ção de 36% dos depósitos de sacrifício é o fanal eterno a
Ordem do Dia do Ministro combustíveis e 85% dos depósi- monarquia e engrandeceram a
tos de munição.
Para ser lida em tôdas as república. .
A significativa percentagem
Unidades da Fôrça Aérea Bra- Esta aproximação e coinci-
dos resultados globais alcança-
sileira, no País, o M i n i s t r o dência de eventos felizes para
dos pelos pilot·os brasileiros é,
Márcio de Souza e Mello baixou
sem dúvida, uma demonstração orgulho e estímulo da gente
a seguinte Orde~ do Dia:
inequívoca de eficiência da brasileira permite alicerçar a
"Esta data, há um ano, em nossa atuação. convicção que, quantos se dig-
obediência a-a prescrito no De- nificam e enaltecem servindo à
Em verdade, não somente de
creto número 58 . 221, de 19 de eficiência. A Fôrça Aérea Bra- Aeronáutica, não olvidarão a
abril de 1966, foi pela primeira sileira teve nos integrantes do memória dos feitos empolgan-
vez comemorada como . "Data 1. Grupo de Aviação de Caça
0
tes dos bravos do 1. 0 Grupo de
festiva da Fôrça Aérea Brasi- os mais legítimos representan- Aviação de Caça, reverencian-
leira". tes das tradições de patriotis-
do-os com permanente admira-.
mo, de bravura, de desprendi-
Bém haja a iniciativa ac~rta­ mento, de a:çrôjo e . de perícia ção e buscando tê-los como
. ~.
da do Ministro Eduardo Gomes, com que os co:rp.ponentes da exemplo e incentivo".
transformando as justas expan- ., ·.•
mais jovem Fôrça Armada do
sões de regozijo com que o 1. 0 Brasil ma.n:têm imarescível a Márcio .de Souza e Mello
Grupo de ' Aviação de Caça herança magnífica que imorta- Ministro da Aeronáutica
,.·,. _-.-:..··.

' ::'de edifícios e alcançando com eficiêntia cidades •


A VIAO-HELIC(lPTERO DESCON:GESTIONA
~; . TRANSITO URBANO localizadas num raio de 300 quilômetros.

Êste extraordinário veículo foi proposto du-


Burbank, CalifÇ>rni"a - O avião do futuro, o
rante a recente reunião anual do Instituto Ame-
"Air Commuter", combinação de helicópterÓ e
ricano de Aeronáutica e Astronáutica, que teve
étvião, será a , solução() adequ~da ao tremendo
lugar na cidade de Boston, como ajuda na solu- '
congestionamento de trânsito que vem sendo re-
ção do gigantesco problema do congestionamen-
gistrado nas grandes cidades do mundo, ou nas
to das autopistas e outras vias de comunicação
áreas como "megalópolis'', integrada por Boston-
terrestre, apresentada pela Lockheed.
N ova Iorque-Filadélfia-Washington.
O avião tem aproximadamente 30 metros de
O "Air Commuter" decola e aterra verti- largura e pêso total de 22 toneladas. É impulsio-
calmente. Pode transportar de 60 a 70 passagei- nado por três turbinas que servem tanto à hélice
ros •ràpid~mente dos aeroportos, · quase sempre superior como à propulsão .da nave. Sua veloci-
l·::>calizados nos arredores dos grandes centros, G.ade de cruzeiro é .de 480 km/h
,~- . e poderá
.
estar
até .o coração da cidade, pousando em terraços funcionando no comêço ·da próxima década.

REVISTA AERONAUTICA -23- MARÇO -ABRIL - 1967


~~
ij
i ~ -------------~~~--.--.~--.--.-------------------------------------------------------
AERONAU.tlCA

TRANSMISSAO DE CARGOS

Nossa reportagem fixou os


flagrantes abaixo, em solenida"
des de transmissão de cargos
no Ministério da Aeronáutica.
O Tenente-Brigadeiro Joelmir C. de
Araripe Macedo transmite o cargo de
"Diretor-Geral de Rotas Aéreas ao
Brig do Ar Itamar Rocha, na presença
do Ministro Márcio de Souza e Mello.

Na ECEMAR, o Brigadeiro-do-Ar
Deoclécio Lima de Siqueira recebe
o Comando daquele importante Esta-
belecimento de Ensino do Major-Bri-
gadeiro Adamastor Beltrão Cantalice.

~ ----------------

O Ten Brig Joelmir C. de Araripe


Macedo recebe, do Maj Brig Ma-
nuel José Vinh;~.is, a Inspetoria-Geral.

Ó Brigadeiro-do-Ar José Vaz da Silva


~ecebe a Chefia do Gabinete do
Ministro, na presença d e todos os
oficiais de Gabinete. O flagrante
fixa o momento em que o Brigadeiro
Deoclécio fazià seu discurso de pes-
sagem, que publicamos noutro. local.

~-------------------
AERONÁUTICA
• PASSAGEM DA CHEFIA para .a vida de nossa organiza- . os quais, sem ela, certamente
DO GABINETE DO ção, pois o que se evidencia é o iriam provocar uma saturação
MINISTRO desejo de uma continuidade ad- de atividades do órgão, que po- ,.
ministrativa. deria comprometer o seu equilí-
Quando da passagem das fun- brio, dada a grande sensibUida-
ções de Chefe do Gabinete do Neste instante, nós não esta-
de de um organismo com as res-
Exmo. Sr. Ministro da Aeronáu- mos interrompendo u 'a marcha; ponsabilidades dêste nível. An-
tica, o nosso companheiro de re- estamos apenas entregando o tes de mais nada, era preciso
t dação, Brigadeiro-do-Ar Deoclé- bastão depois de cumprida a que o Gabinete tivesse confian-
cio Lima de Siqueira, pronun- nossa etapa, como numa corrida ça em si mesmo para poder pro-
I. ciou o discurso que abaixo pu- de revezamento, cujos suces- porcionar um assessoramento à
blicamos: · sores são companheiros de u'a
mesma equipe e nos quais, por- altura do grande chefe a que
"Na vida das organizações, co- tanto, depositamos agora tôda a servia e resistir, sem desfaleci-
mo na vida dos indivíduos, exis- nossa confiança, e por cujo su- mento, aos embates de tôda or-
tem momentos que, pela sua sig- cesso torceremos com entusias- dem a que estão sujeitos os ele-
nificação, constituem os marcos mo e sinceridade, porque o êxi- mentos colocados nesta posição.
que irão determinar o curso da to dêles será uma contribuição
história. Mas, para que êsses ins- para o êxito de todos. Cumpria, portanto, criar um
tantes tenham essa característi- clima de fé e de esperança, o
ca de sobrevivência através do Para marcar esta hora, pare- que não seria difícil se as idéias
tempo, necessário se torna que ce-me justo, oportuno e adequa- do Ministro fôssem bem conhe-
êles sejam conseqüência de cau- do ficarem consignados os acon- cidas e compreendidas. Para isso
sas cuja grandeza é a razão fun- tecimentos que constituíram a era necessário a integração do
damental dessa consistência. Por noss~ co~tribuição, porque, na Gabinete como um bloco, a fim
isto, verifica-se, freqüentemente, focahzaçao de todo,
o conJ·unto
'
de que não houvessem interpre-
que, entre horas exatamente t eremos uma smtese do cami- tações diferentes e, muito me-
iguais, umas são esqueCidas rà- nho percorrido, assim como uma nos, uma difusão destorcida das
pidamente, enquanto outras per- idéia global da direção visada dítéttizes. Por isso, a nossa preo-
duram na memória. É que estas que ~ervirão de base para o pros~ cupação permanente foi a de
representaram para nós mais do segUimento da caminhada. trabalhar em grupo. Mensal-
que o simples desenrolar de um mente realizamos reuniões ge-
Assim eu me permitiria divi- rais, onde os assuntos foram
fato. d~r êsse retrospecto em duas
apresentados e devidamente es-
É o caso dêstes minutos que partes: a estruturação das tare- clarecidos. Muitos outros tipos
estamos vivendo, pois certa- fas . do Gabinete e os grandes de reuniões e de trabalhos em
mente, eles marcarão uma das problemas trabalhados.
A '
grupo · ocorreram, de tal modo
etapas da vida do Gabinete do Vejamos a primeira- relacio- que, após algum tempo, senti-
Ministro da Aeronáutica. E eu nada com a organização da vida mos perfeitamente que o todo
diria que duas razões funda- do órgão: a experiência, a visão, se consolidava como uma célula
mentais justificam essa afirma- o descortínio e o idealismo de irradiadora das idéias Ministe-
tiva: Eduardo Gomes haveriam de riais.
- a primeira delas é que hoje contribuir, logo de início, para
Como complemento à metodi-
encerramos o ciclo de atividades que grandes problemas da ·Pasta
de um grupo de companheiros, da Aeronáutica fôssem focaliza- zação do sistema de trabalho
cuja assessoria esclarecida e dos e os · seus equacionamentos preconizado, grupamos os pro-
estimulada pelo grande líder de . pronto atacados. Assim os blemas em cinco grandes cate-
. passos
pnme1ros da vida
'
dêste gorias que haveriam de facili-
Eduardo Gomes criou condições
para que se abrissem novas Gabinete foram marcados pela tar a coordenação, a apresenta-
perspectivas na vida da Aero- presença de uma avalancha de ção e a condução das nossas ta-
náutica Brasileir a; perspectivas questões, cujo vulto se nos afi- refas, além de demarcarem as li-
nhas-mestras da política do Mi-
essas que, certamente, serão am- gurava de difícil transposição.
nistro. Essas cinco categorias de
pliadas por aquêles que nos vão Pareceu-nos portanto indis- problemas, ou, mais precisamen-
suceder; pensável uma articulação ade- te, êsses cinco grandes objetivos
- a segunda razão é que o quada do próprio Gabinete, co- foram: a Revitalização da Fôr-
formalismo desta hora tem um mo preparação para enfrentar o ça; a Reformulação da Aviação
significado muito important e desenrolar dos acontecimentos, Civil; as Residências ; o Reequi-

REVISTA AERONAUTICA ~25- MARÇO -ABRIL - Hl67


AERONAUTICA
pamento; e a Reorganização. Ca~ ção e, sobretudo, agradeço a to- parece-me que realizamos gran-
da um dêsses itens compreen~ dos os comandos e chefias dire~ de obra, porque conseguimos co-
dendo uma quantidade apreciá~ tamente ligados ao Ministro pe~ locar o problema de reequipa-
vel de assuntos, como muito la paciência com que nos atura- mento em têrmos racionais de
bem- se ·.pode avaliar. E, assim, ram, e desculpem-nos se, por vê- planejamento, sem os inconve-
chegamos à segunda parte do zes, houve - excesso, porque a nientes das improvisações ao sa-
nosso retrospecto, ou sejam: os nossa intenção foi sempre a de bor de idéias pessoais ou mes-
grandes problemas trabalhados. limitar os nossos passos, a fim mo de grupos. Assim, chega-
Citarei apenas aquêles que me de não comprometer a autorida- mos a outro grande assunto.
pareceram mais importantes, de e a responsabilidade de to~
certo de que muitos outros fo- dos. Procurei sempre fazer com - O planejamento, conse-
ram também cuidados com o que o Gabinete nunca estivesse qüência das Diretrizes Básicas
mesmo interêsse e idealismo. presente sem a devida autoriza- de Planejamento elaboradas por
ção dos chefes respectivos, e êsse Gabinete e, sem dúvida,
Diria que a primeira preocu~ cumpre reconhecer que todos, um dos seus maiores trabalhos,
pação desta Chefia, a principal sem exceção, compreenderam o seguido das Diretrizes para o
e a permanente, foi sempre a nosso interêsse de aj'u'dar e ser- Plano Básico de Renovação do
de procurar colocar o Gabinete vir. E assim, somando os esfor- Material Aéreo e outras para o
na sua devida posição. Embora ços do Gabinete com- os dos ór- Plano Básico Habitacional. O
êle seja, por excelência, um ele- gãos, procurando acompanhar o Estado-Maior da Aeronáutica,
mento de assessoramento, a ex- estudo dos problemas nas Dire- com grande visão, compreen-
periência demonstrou-nos que tor,ias e no Estado-M,aior, ga- deu o alcance dessas medidas e
um outro grande papel lhe é re- nhavamos tempo porque, ao da- lançou-se ao trabalho com en-
servado, qual seja o de procu- rem entrada aqui, os assuntos tusiasmo, razão pela qual hoje
rar estabelecer a coordenação, o já estavam prontos para serem podemos apresentar, já apro-
entendimento e o equilíbrio com submetidos ao Ministro. vados pelo Ministro: O Plano
os diversos órgãos diretamente Básico Habitacional, o Plano
ligados ao Ministro. E aí está, E foi assim que procuramos Básico de Renovação do Mate-
talvez, a sua tarefa mais difícil. trabalhar os diversos problemas, rial Aéreo, o Plano Básico de
Sua interferência tem um limi- dentre os quais eu destacaria: Pesquisas e Desenvolvimento, o
te, além do qual pode compro- - A cooperação Aeronaval, Plano de Ação para 1967 e o
meter seriamente tôda a estru- cuja solução e execução exigi- Plano Preliminar de Ação para
~ I
tura, pela subtração de autori- ram sempre um entendimento 1968 que se antecede, pela pri-
I
dade ê responsabilidade nos es- cerrado entre o Estado-Maior da meira vez na história da Aero-
calões ; imediatos. . Aeronáutica, .o Cat-Nav e o Ga- náutica, -à apresentação da
binete. proposta orçamentária para
Esta foi uma preocupação 1968. Muitos outros ainda fal~
constante e, devo confessar, - O preparo da Fôrça, tendo tam, mas os primeiros passos aí
uma tarefa ·difícil para esta Che- em vista a hipótese de guerra estão. -
fi:a, porque é difícil se conter o prioritária, foi outro setor em
ímpeto dos oficiais de Gabinete que o Gabinete esteve sempre - A execução do Plano Habi-
que, pela vontade de verem as presente, atento pa ra a realiza- tacional foi outro problema que
diretrizes do Ministro de pron- ção normal de manobras pre- exigiu muito do Gabinete, pois
to impulsionadas, estão sempre vistas pelo Estado-Maior e aju- não bastara m as providências e
indóceis, procurando _apressar dando a criar-se na Fôrça u'a a obtenção dos respectivos re-
o:; t r abalhos, e, levados por êsse mentalidade militar, atra;.és do cursos. O vulto das obras exi-
entusiasmo, esquecendo-se, às enq uadramento de todo o pes- giu também a ação do Ministro
vêzes, de que o importante é a soal, consoante as diretrizes fre- ·para a partida, o que acarretou
marcha do conjunto, como um qüentes do Exmo. Sr. Ministro. o conseqüente trabalho dos seus
todo e como um bloco, e não as - . assessôres.
arrancadas isoladas que aos pou- - O _reequipamento também
cos se enfraquecem e se perdem exigiu grandes esforços porque - Digna de nota também foi
porque não têm o apoio de tôda abrangeu três campos de ação : a r'eformulação da A viação · Ci-
li a -estrutura. a formulação das idéias a res- vil, · com tôdas . as providências
_peito _dos meios necessários, a decorrentes da falência: da Pa-
Agradeço, neste instante, o es- obtenção dos recursos cor- nair do Brasil, da desapropria-
fôrço que ·os meus oficiais fize- respondentes e a orientação ção da CELMA, etc., e com a
ra~ para cumprir essa orienta- ,para as compras. Nesse setor, quantidade considerável de Le-

REVISTA AERONAUTICA MARÇO - ABRIL - 1967


AERONAUTfCA

gislação preparada, tendo em tantas vêzes demonstrada. Foi com elétrodo de grafita no for-
vista recuperar e consolidar a um dos grandes colaboradores no a arco instalado, são as se-
situação das companhias de do nosso Ministro, no Comando guintes: dureza - 120 Brinnel;
transporte aéreo, cujos índices da Escola Preparatória de Ca- resistência à tração - 45 kg/
de, eficiência alcançados em detes-do-Ar e, posteri9rmente, mm 2 ; alongamento - 31,4%;
1966 atestam o acêrto das medi- no Comando da 6. a Zona Aérea, limite elástico (0,2%) - 28 kg/
das tomadas. onde também prestou sempre mm 2 ; resistência à corrm:ão -
Poderia ainda me estender um apoio decidido às atividades excelente.
muito, falando sôbre a:; ativida- do Gabinete naquela área, o que Êstes resultados são o coroa-
des dêste Gabinete nos assuntos aproveito para agradecer nesta mento de uma ação conjunta da
relacionados com Suprimento e hora. Equipe de Metais do IPD, que
Manutenção, Pessoal, Ensino, Sob a crientação patriótica e longo tempo se vem dedicando
Reorganização e muitos outros ;deali-ta do Exmo. Sr. Ministro ao assunto.
de igual importância, mas não Máccio de Souza e Mello, terá
desejo alongar-me em demasia. a oportunidade de, uma vez Os estágios do Projeto Titâ-
mais, prestar grandes serviços nio (amparado pelo BNDE em
A caminhada pode ·não ter si- convênio com o Ministério da
do muito longa no tempo, po- à Aeronáutica neste pôsto, cujo
exercício desejo transcorra com Aeronáutica) são: 1) - purifi-
rém o acúmulo de problemas cação do tetracloreto de titânio
enfrentados a tornou trabalho- muito sucesso e felicidade".
nacional; 2) - redução do te-
sa e, sem falsa modéstia, foi ple- • MINISTRO MARCIO tracloreto de titânio pelo mag-
na de realizações honestas, por- PROFERIU AULA né3io; 3) - distilação a vácuo
que as árvores plantadas não INAUGURAL DOS da esponja de titânio; 4) - fun-
têm a vida efêmera das plantas CURSOS DA ECEMAR dição de peças; e 5) - contrôl
que crescem ràpidamente para de qualidade.
logo morrerem. Plagiando al- Perante altas autoridades e
guém, diria que não se plantou uma turma · de quarenta e seis O Departamento de Materiais
couve, mas sim carvalhos, por- novos oficiais-alunos, dentre os do IPD estudª, também, o de-
que preferimos buscar a .s ombra quais nove são oficiais das Fôr- senvolvimento da fundição de
duradoura, embora saibamos ças Aéreas de pa-í ses sul-ameri- carcaças de válvulas dos tipos
que a espera é longa. Não nos in- canos, o Ministro da Aeronáu- convencionais em Titânio, para
teres: aram os louros frágeis de tica, Marechal Márcio de Souza o ~eu emprêgo nos meios quí-
uma vitória de cunho imedia- e Mello, deu início aos cursos micos corrosivos industriais.
tista. Moveu-nos, apenas, o inte- da Escola de Comando e Estado-
rêsse de ver essa Corporação, a Maior da Aeronáutica, no cor- @ ESTRUTURA BASICA
quem tanto devemos, fortaleci- rente ano, com uma conferên- DA ORGANIZAÇÃO
d " e engrandecida. cia que será publicada, na ín- DO MINISTÉRIO
tegra, em nosso próximo nú- DA AERONAUTICA
Por isto, nesta hora em que
entregamos as nossas funções, mero.
O Presidente da República,
podemos assinalar, sem preten- ~ CENTRO TÉCNICO usando da atribuição que lhe
são e sem outras intenções, que DE AERONAUTICA confere o artigo 83, inciso II, da
2qui chegamos sentindo o cansa- FUNDE TITANIO Constituição do Brasil, de 24 de
ço natural das caminhadas tra- janeiro de 1967, e nos têrmos
balhosas, mas temos a satisfa- ·-Nos. laboratórios do CENTRO dos artigos 46, 145 e 146 do De-
ção de encerrar esta marcha TÉCNICO DE AERONÁUTICA creto-Lei n. 0 200, de 25 de feve-
com a consciência tranqüila do de São José dos Campos, do De- reiro de 1967, sob o n. 0 60 521, ,
dever bem cumprido. partamento de Materiais do Ins- de 31 de março de 1967, publi- '
Ao partirmos, queremos sali- tituto de Pesquisas e Desenvol- cado no "Diário Oficial" de 31
·entar que vamos com o espírito vimento, a Equipe de Metais de março de 1967, assinou De-
confiante, porque o nosso subs- realizou, pela primeira vez no creto estabelecendo a Estrutura
tituto, Brigadeiro Vaz, tem tô- Brasil, com sucesso, a fundição; Básica da Organização do Mi-
das as condições para prosseguir no vácuo, de uma série çie peças nistério da Aeronáutica, que
a jornada com maiores possibili- de Titânio metálico puro. teremos oportunidade de publi-
dades de êxito, dado o seu pas- As características do metal car, para conhecimento de nos-
sado de dedicação à Aeronáu- obtido naquele departamento, sos leitores, em nosso próximo
tica e a sua capacidade de chefia a partir da fusão de esponja número.

REVISTA •AERONÁUTICA -27- MARÇO - ABRIL - 1967


~~ ~~------------------------------------·------------·-------------------------------------
AERONÁUTICA

Comodoro Fernando Colman sendo


apresentado ao Brigadeiro Eduardo
Gomes.

modoro Elísio Ruiz com a Meda-


lha de Prata do Mérito Santos
Dumont, pronunciando no ato
iI da condecoração referências elo-
giosas à sua atuação.
MINISTRO ESPANHOL NO
BRASIL
Estêve em visita de cortesia
ao Brig Eduardo Gomes o Mi-
nistro da Marinha da Espanha,
Almirante Pedro Nieto Antunez.
O ilustre visitante chegou ao
Gabinete do Ministro da Aero-
náutica acompanhado do Almi-
rante Rodoval Costa Couto de

NôVO ADIDQ A:E;RONAUTICO


ARGENTINO
: O Comodoro Elísio Ruiz, da
Fôrça Aérea Argentina, por tér-
mino de sua missão, apresentou,
ao Ministro Eduardo Gomes, o
seu substituto, nôvo Adido Ae-
ronáutico Argentino junto à
Embaixada do seu país, Como-
doro Fernando Manuel Perez
' I
Colman. Em solenidade realiza-
da no Estado-Maior, o Ten Brig
Clóvis Travassos agraciou o Co-

I. Com.odoro Elisio Ruiz ao ser conde-


corado pelo Tenente-Brigadeiro Clóvis
Travassos, Chefe do Estado-Maior da
Aeronáutica.

Freitas, colocado pela nossa Ma-


rinha de Guerra à sua disposi-
ção, Conselheiro Valentim Alzi-
na de Boschi, da representação
diplomática da Espanha e outras
personalídades, tendo mantido
cordial palestra com o Titular
da Pasta da Aeronáutica.
O Almirante Pedro Nieto . ,Antunez,
Mhlistro da Marinha de · Espanha;
qú.~ndo era recebido pelo BrigadeirO'
Eduardo Gomes. ·

MARÇO - ABRIL = 1967


AERONÁUTICA
CAN LEVOU E TROUXE te supersônico previsto para o das realizações das atuais ativi-
MAIS 20 MIL PESSOAS último trimestre do ano em dades e dos recursos disponíveis
curso. para essas atividades, particu-
O ano de 1966 reservou ao larmente na Marinha, no Exér-
Correio Aéreo N acionai mais • NOVAS CONDIÇõES DE cito e na Aeronáutica. A Comis-
um expressivo recorde de trans- FUNCIONAMENTO DOS são estudará quais os tipos de fo-
porte de carga · e passageiros AEROCLUBES guetes e mísseis de necessidade
dentro e fora do Brasil. Mais .. mais imediata para cada uma
20 187 passageiros, do que em Dispondo sôbre a organização, das Fôrças Singulares, além da
1965, foram transportados pelos o funcionamento e . a extinção organização e as atribuições de
aviões do CAN, graças à grande dos aeroclubes, o Presidente da uma Comissão Permanente de
capacidade transportadora dos República, através de Decreto- Mísseis e Foguetes subordinada
aviões "Hércules" C-130-E, do Lei assinado, considerou essas ao EMF A. Esta Comissão terá
1. 0 /1. 0 Grupo de Transporte que, organizações de utilidade públi- por finalidade assegurar o de-
conduzindo grandes cargas, pro- ca. senvolvimento das fases de es-
piciaram aos demais aviões ... tudo, de pesquisa e de aquisição
(C-54 e C-47) maior número de Dentro do prazo de 120 dias ou produção de mísseis e fo-
assentos. deverão os aeroclubes adaptar- guetes, sem duplicação de esfor-
se às novas normas legais. ços e de iniciativa, com o apro-
O Correio Aéreo N acionai, veitamento dos conhecimentos,
missão do Comando de Trans- Estabelece o diploma legal
que o Ministério da Aeronáuti- rh1.s e-xperiências e da capacida-
porte Aéreo da Fôrça Aérea de técnico-industrial existentes
Brasileira, atualmente comanda- ca poderá, em qualquer época,
cassar a autorização para o fun- no país e no exterior, tanto no
do pelo Brig Roberto Faria Li- meio militar como no meio civil.
ma, ultrapassará no corrente ano Cionamento de um aeroclube ou
i n t e r v i r em sua organização
todos os seus recordes anterio- Diz ainda o diploma legal que
e assumir-lhe a administração
res, no transporte de carga e pas- a Comissão possibilitará, em
sageiros, no Brasil e exterior. para normalizar o seu funciona-
curto prazo, o U3o nas Fôrças
mento, através de medidas de
Armadas de foguetes e mísseis
ordem administrativa, técnica
• TRANSPORTES EM 1967 . ou econômica. de fabricação nacional. A Co-
SERÃO AUMENTADOS missão Especial será presidida
CONSIDERÀVELMENTE A intervenção ou a cassação por um Oficial-General das Fôr-
de autorização para o funciona- ças Armadas e terá, como mem-
bros, três oficiais superiores na
O Cel A v Paulo de Vasconce- mento do aeroclube e mesmo a qualidade de representantes,
los Souza e Silva, Delegado do dissolução da sociedade não dão rPspectivamente, da Marinha, do
Brasil junto à Organização de direito a seus associados de qual- Exército e da Aeronáutica, to-
Aviação Civil Internacional, em quer indenização, por parte da dos sem prejuízo de suas fun-
relatório apresentado ao Minis- União. - A existência de grave ções normais.
tro da · Aeronáutica, informou irregularidade na vida da socie-
sôbre a 'convocação do Comitê dade, inclusive a prática reitera-
de Transportes do Conselho da- da de infrações previstas na le- FAB VISTORIOU MAIS
quela Organização para prepa- gislação em vigor e a redução DE 3 MIL AVIõES EM 66
rar a pauta da VIl Conferência sensível das atividades aéreas,
do Departamento de Facilitação, constituem motivos para inter- No ano passado, a Divisão de
da qual os principais temas são venção ou cassação de funcio- Vistoria e Cóntrôle de Manu-
as providências a serem ·adota- namento dos aeroclubes. tenção de Aeronaves, da Dire-
das pelas emprêsas transporta- toria: de Aeronáutica Civil ...
doras, no ano de 1967, para en~ 8 COMISSÃO PARA (DAC); os Parques e Núcleos de
frentar o considerável aumento ESTUDAR OS TIPOS DE
-FOGUETES . - Parques de Aeronáutica execu-
rio número de passageiros e nas taram mais de três mil visto-
quantidades de carga a serem rias em aviões variados (do
despachadas ·nos · aeroportos de Em decreto assinado pelo Pre- "Teco-Teco" ao Boeing) espalha-
todo o muridó. A OACI acompa- sidente da República foi insti- dos por todo o País.
nhará êsse apreciável aumento, tuída Comissão Especial no Es-
tomando por base os serviços tado-Maior das Fôrças Armadas Essas vistorias anuais objeti-
óferecidos pelas aeronaves de para executar, no campo de fo- vam verificar: se as aeronaves
grande capacidade e o transpor- guetes e mísseis, levantamento estão em condições eficientes de

REVISTA: AERONAbTlCA. ~ 29- MARÇO- ABRIL - 1967


AERONÁUTICA
vôo; se a manutenção está sen- efetivo, altamente especializado, pensa de incorporação, como
do feita conforme recomenda- realizou importante obra para dispensado, do Serviço Militar
ção dos fabricantes e se estão a segurança dos vôos de nossas inicial, passando a "situação es-
sendo observados os limites de aeronaves que figuram entre as pecial". No caso de desligamen-
horas-vôo para as revisões; e f primeiras da aviação mundial. to ou interrupção do curso, por
qualquer motivo, ficarão obri-


o equipamento está sendo mane-
jado dentro da técnica aeronáu- CONTROLE DA gados não só o Diretor do Cur-
tica. FORMAÇÃO DA so a comunicar imediatamente
RESERVA DE PILOTOS êsse fato ao Comandante da Zo-
· A DAC faz a vistoria de tô- na Aérea correspondente, como
das as aeronaves das compa- Tendo em vista a necessidade também o alistado de se apre-
nhias de aviação comercial, par- de contrôle da formação da re- sentar à Seção Mobilizadora a
ticulares e de mais de 100 esco- serva de pilotos e técnicos em que estiver vinculado, para fi-
las de pilotagem, totalizando potencial para a FAB, e consi- xação de data de incorporação,
três mil aviões de todos os tipos. derando o resultado da reunião em corpo de tropa da F AB. Os
Nesse total estão incluídos os- realizada na Comissão de Ser- formandos nessas Escolas, esta-
frágeis Teco-Teco e os gigantes- viço Militar do Estado-Maior das beleceu ainda o Ministro Eduar-
cos Boeing Transatlânticos. Fôrças Armadas, o M i n i s t r o do Gomes, que já possuírem
Eduardo Gomes resolveu baixar Certificado de Reservista de ou-
As aeronaves, para efeito de instruções para reger, no futuro,
inspeção, são classificadas por tra Fôrça Armada, deverão re-
o contrôle do Serviço Militar querer ao Ministro da Fôrça a
grupos. O grupo 1 reúne as de dos alunos e pilotos -formados
1 a 3 lugares e pêso acima de que estiver vinculâdo, via Re-
pelas Escolas de Aviação Civil gião Militar ou Distrito Naval, a
5 700 quilos, e cabe à DAC vis- (de pilotagem e técnico-profis-
toriá-las. Os demais aviões são transferência de reserva.
sional), ligadas aos Aeroclubes
vistoriados pelos Parques e nú- ou Sociedades Aerodesportivas
cleos de Parques de Aeronáuti- DUPLICADA A FROTA
ou independentes, desde que de- DE "HÉRCULES" DA FAB
ca, sediados nas Zonas Aéreas vidamente autorizadas a funcio-
onde se acham baseados. A DAC nar, pelo Ministério da Aeronáu-
compete, ainda, homologar pe- O Brasil duplicará a sua fro-
tica. Assim, em A viso dirigido ta de aviões "Hércules", turbo-
quenas modificações de aviões, aos Chefe do Estado-Maior da
motores e componentes. hélice, tipo C-130 E, de grande
Aeronáutica, Diretor-Geral do capacidade de transporte. Se-
Em 1966, foram executadas Pessoal, Diretor-Geral de Aero- gundo o contrato de compra,
3 186 vistorias nas diversas Zo- náutica Civil e Comandantes das serão incorporados à frota da
nas Aéreas: o Núcleo de Parque seis Zonas Aéreas, o Titular da F AB mais cinco aparelhos, dois
de Aeronáutica de Belém rea- Pasta estabeleceu que, ao ser em agôsto e três em setembro
lizou 131; o Parque de Recife, matriculado na escolas referidas, de 1968.
280; a DÁC 692, na 3.a Zcina Aé- o interessado deverá alistar-sP
rea (Guanabara, Espírito Santo, em organização do Ministério da A F AB recebeu o prime!iro
Minas Gerais e Estado do Rio) ; Aeronáutica e, se já estiver alis- aparelho desse tipo em fins de
o Par<{Ue de S. Paulo; 1 513; e !tado na Aeronáutica, receber, 1965 e desde aquela época co-
os Serviços da DAC, das 5.a e na época oportuna, o adiamento meçaram os possantes "Hércu-
6.a Zonas Aéreas, um total de da incorporação, pelo prazo de les" a ser utilizados em tôdas as
750 vistorias. duracão do curso. Se alistado áreas econômico-militares do
em oi:ttra Fôrça Armada, reque- País e do estrangeiro.
O Brasil conta 123 oficinas de rer ao Ministro da Fôrça que es-
revisão de motores e aviões, mas tiver vinculado, via Região Mi- V e r d a d e i r o s cargueiros-
apenas 18 foràm homologadas litar ou Distrito Naval, trans- aéreos, levam alimentos às re-
e nove outras estão em fase de ferência do alistamento, como motas áreas, transportam ma-
homologação: preferência para a .Aeronáutica quinaria de estrada para as
e, ao ser matriculado, obter, na mais longínquas regiões amazô-
A Divisão de Vistoria e Con- nicas, evacuam vítimas e trans-
época oportuna o adiamento da
trôle de Manutenção de Aero- portam contingentes de tropa e
incorporação, pelo tempo de du-
naves, da DAC, tem como chefe carga pesada, inclusive para o
ração do curso.
o Maj Av Eng Christinatal Maia exterior, como tem ocorrido
de Godoy; mais dois oficiais es- Ao terminar o curso, com para a faixa de Gaza, no Suez, a
pecialistas e 19 suboficiais e sar- aproveitamento, o interessado serviço da Organização das Na-
gentos. Apesar de seu reduzido receberá o certificado de dis- ções Unidas (ONU), e para San-
REVISTA AERONAUTICA -30- MARÇO - ABRIL - 1967
AERONÁUT .I CA
te, a aviões de pequenos portes
e barcos fluviais".
Os cinco "Hercules" virão em
vôo para o Brasil, tripulados por
pessoal da F AB, conduzindo pe-
ças avulsas, acessórios e equipa-
mentos de solo. Escolhidos espe-
cialmente para o transporte de
tropa e material, podem também
operar em aeroportos que não
possuam as mais modernas apa-
.relhagens. São equipados com
quatro turbo-hélices, desenvol-
vendo a velocidade máxima de
cruzeiro de 360 milhas horárias.
Possuem compartimento de car-
ga de 41 pés e 5 polegadas de
comprimento, por 10 pés e 3 po-
legadas de largura e 9 pés de
altura. A rampa ajustável tanto
permite o carregamento direto
da prancha dos caminhões como
também da própria rampa do
avião.

Chegou ao Rio, dia 14 de mar-


ço, procedente dos Estados Uni-
dos, o primeiro avião "Hercules"
C-130, da segunda série adquiri-
da pela Fôrça Aérea Brasileira.
A tripulação do aparelho, co-
mandada pelo Maj A v Rui Mes-
sias Mendonça, foi recebida na
Base Aérea do Galeão pelo Mi-
nistro Eduardo Gomes, Mare-
chal Márcio de Souza e . Mello,
Brigadeiro Faria Lima, Cel Av
Gino Francescutti, oficiais supe-
riores e o representant~ da fi:r:-
ma "Hercules", no Brasil. O pos-
sante aparelho pertence ao 1.0 /I
Grupo de Transporte sediado na
to Domingo, em m1ssao de paz, tora, "é o resultado direto do Base Aérea do Galeão, e tro\lxe,
da Organização dos Estados sucesso que os primeiros apare- a ,bordo; um helicóptero desti.:m;-
AmeriCanos (OEA). lhos alcançaram no Brasil, tan;. do à 4. a Zona Aérea, São Pa.;"Ctil@,
to como aviões militares logísti- e material de suprimento. A fo-
"Essa duplicação da primeira cos, oomo meio die transporte to ao lado fixa um feliz flagran-
encomenda", declarou Mr. Tom necessário ao desenvolvimento te do Brig Eduar<;lQ Gomes, sen-
F. Morrow, Vice-Presidente da de áreas do interior do País, do auxiliado pelo Brig Márcio
organização comercial constru- acessíveis, até então, unicamen- ao descer do C-130.

REVISTA AERONAUTICA - ..31- MARÇO - ~BRIL - 1967


rli
l

Problemas Conjunturais do Transporte Aéreo


Ten Brig Eng - JOELMIR CAMPOS DE ARARIPE MACEDO

NOTA DA REDAÇÃO : O presente infelizmente, tirando o melhor Não vamos, aqui, entrar na aná-
artigo foi escrito em data anterior
à Reestruturação do Ministério da
partido dos vultosos investimen- lise dessa crise, cujas causas,
Aeronáutica. tos realizados, em conseqüência aliás, são elementarmente notó-
da angustiante crise de pessoal rias. Àqueles, entretanto, que
O transporte aéreo regular e especializado em que se vem de- estão em contato mais íntimo
a respectiva infra-estrutura de batendo o Ministério da Aero- com os problemas do transporte
apoio muito dificilmente obede- náutica. Essa crise, que tudo in- aéreo no País, não passa desa-
cem ao mesmo ritmo de pro- dica não ter ainda atingido o percebido que a falta do ele-
_gresso e desenvolvimento, como seu clímax, tem sido responsá- mento humano qualificado já es-
seria natural e desejável. Mes- vel pela morosidade dos traba- tá sendo responsável pela inca-
mo nos países líderes do trans- lhos de instalação de novos equi- pacidade real de bem aplicar os
porte aéreo e de alto nível tec- pamentos, bem como pelas de- parcos recursos financeiros pos-
nológico, nem sempre aquela ficiências operacionais e, sobre- tos à disposição da infra-estru-
condição elementar se verifica, tudo, de manutenção. tura do transporte aéreo. A sim-
muito embora a defasagem do Quando o desajustamento en- ples alegação de que estamos
reaparelhamento da infra-estru- tre o tráfego aéreo e a sua in- fazendo progressos neste setor,
tura, em relação ao progresso fra-estrutura de apoio ultrapas- ·progressos aliás bem visíveis,
tecnológico do material aéreo a sa determinados limi~es, algu- não constitui razão tranqüiliza-
que serve de apoio venha sendo mas conseqüências imediatas se clara bastante, pois a eficiência
mantido dentro de limites mí- fazem sentir, como por exem- de qualquer atividade se mede
nimos. No Brasil, a evolução do plo : em relação à unidade de tempq
transporte aéreo regular apre- ou à totalidade dos recursos dis-
sentou uma diferenciação muito a) insegurança para a nave- poníveis. l!:stes índices, frutos da
mais acentuada entre os perío- gação aérea; conjuntura, são lamentàvelmen-
dos de antes e de após guerra b) pontos de estrangulamen- te baixos e os meios corretivos,
do que nos Estados Unidos e na to na indústria do trans- em sua maior parte, escapam ao
Europa, onde a renovação do porte aéreo, com repercus- contrôle das autoridades respon-
material aéreo normalmente se sões no desenvolvimento sáveis pelos serviços de apoio
processa de forma mais regular do País; ao transporte aéreo regular. O
e planejada, pois dispõem das Serviço Público há muito que foi
excelentes facilidades do parque c) desprestígio do País no alijado da competição no mer-
industri;,tl e do respectivo con- concêrto internacional. cado de trabalho de maior gaba-
tingente de técnicos especializa- Um outro aspecto do proble- rito, principalmente no setor
dos. A verdade é que, no perío- ma para o qual desejamos cha- técnico especializado. No Minis-
do que ~mtecedeu ao último mar a atenção é a tendência para tério da Aeronáutica foi neces-
Conflito Mundial, a nossa infra- atribuir, generalizadamente, às sário lançar mão de militares
estrutura, apesar de primária e limitações financeiras a causa para preencher claros nos seto-
precária, estava mais ajustada maior das nossas dificuldades. res de atividades civis, o que é
ao material aéreo de então do Constituindo tais limitações um "despir um santo para vestir
oue no período de após guerra. mal crônico, acentuado de ano outro"; o elemento militar, en-
O reaparelhamento da infra-es- para ano em virtude do fenôme- tretanto, em conseqüência da
tr;utura do transporte aéreo foi, no inflacionário, é muito natu- sua constante movimentação
sem dúvida, notável, quer nas ral que sejamos levados àquele (transferências, cursos, viagéns
instalações aeroportuárias, quer diagnóstico tão simplista .. Mas a aéreas, etc.), não assegura,. de
no tocante aos auxílios à nave- verdade é que, por trás das di- forma desejável, a continuida-
gação aérea; mas onde não al- ficuldades financeiras, se ocul- de do serviço, nem permite a
cançamos grandes progressos, tam outras, muito mais graves, acumulação de . expe:r:iência nos
em têrmos relativos, foi na mo- relacionadas com o elemento setores ai tamente·especializados,
bilização do corpo de técnicos humano; e quando dizemos se- duas condições :fundamentais
especializados para fazer face ao rem estas muito mais graves é para a eficiência de qualquer
ritmo vertiginoso do tráfego aé- porque não admitem solução a atividade técnico-especializada.
reo, com tôdas as suas implica- curto prazo, como de resto acon-
cões de velocidade e intensid~­ tece com a maior parte dos pro- . Em nenhum sistema de tr;ms.-
de. Vale dizer que· não es~amos, blemas do campo psico-social. porte as vidas humanas depen-

REVISTA AERONAUTICA - 32 - MARÇO - ABRIL - 1967

I
dem tanto da qualidade da in- o lema básico: limpar o terreno, viços constitui, assim, uma pro-
fra-estrutura quanto no trans- superando rotinas anacrômicas vidência inadiável, pois seu de-
porte aéreo; isto porque as velo- e práticas administrativas in~ sajustamento face ·ao vertigino·
cidades em jôgo e os graus de compatíveis com a dinâmica do so progresso do transporte aé-
liberdade do próprio sistema transporte aéreo. O problema reo poderá cortstituir1 potenCial-
constituem fatôres eminente- não é fácil, exigindo principal- mente, uni fatorresponsável por
mente críticos, exigindo decisões mente mudança radical de men- acidentes àéronáutiéõS. A téÍor-
rápidas e acertadas. Em respei- talidade no Serviço Público; ma administrativa, reestruturan-
to às vidas humanas que se uti- atividades burocráticas de ou- do a cúpula da Administração
lizam do transporte aéreo, deve trora assumiram, na atualidade, Pública, deve ter prosseguimen-
êste ser objeto do máximo de feição tipicamente empresarial, to nos demais escalões, corri prio-
atenções por parte dos respon- tais como o Serviço de Proteção ridade para os mais desajusta-
sáveis pela sua segurança, quer ao Vôo, a Administração dos Ae· dos em relação às atividades de
dos homens de emprêsa, quer roportos, a Engenharia de ins• natureza técnico-especializada
das autoridades governamen- talação da infra~estrutura do ou empresarial. Mãos à c>bra,
tais. Remover obstáculos, que transporte aéreo e muitas ou~ pois de boas intenções está éheio
não são poucos, deve constituir tras. A estruturação dêsses ser- o Inferno ...

um cigarro de agrado
inte cional

+
~

minis er
FILTRO DE LUXO e CIA. DE CIGARROS SOUZA CRUZ

RE.VISTA AERONAUTIC{\ -3,3- MARÇO - ABRIL Hl6"1


MÃOS QUE
REPRESENTAM VIDA.
I POR ISSO MESMO,
SHEL~ FAZ QUESTÃO
DE AJUDÁ-LAS.

/ ;

Para que estas mãos possam repre- Pesquisando em laboratórios. realizan-


sentar vida é preciso um sem-número do descobertas, experimentando novas
de grandes e pequenos auxilias . Assim fórmulas para acelerar o progres-so e
como luvas de borracha sintética: com - servir à vida. Cumprindo seu deve r.
bustível para um gerador de eletricidade; Porque Shell sabe quanta coisa pode
ou. o uso de determinada resina num depender do que ela fizer de bem feito.
tubo de oxigênio. Aparentemente. coisas · Shell faz questão de ajudar mãos que
tão simples mas que às vêzes valem representam vida.
tudo . Aí Sh~ll faz sentir su·a presença.

VOCÊ PODE CON FIAR NA

- ·- ..
R EVI ST A AER O NA UTIC A
CLUBE DE AERONÁUTICA CARTEIRA
HIPOTECÁRIA
E
' DIRETORIA IMOBILIÁRIA
PRESIDENTE - Maj Brig do Ar Gabriel Grün Moss Publicamos · o resultado do
1.o VICE-PRESIDENTE - Brig do Ar Newton Ruben Scholl Serpa sorteio de habilitação, pela pri-
' ' ' meira vez realizado .na sede so-
2.o VICE-PRESIDENTE - Brig Int Luiz Augusto Machado Mendes
cial do Clube de Aeronáutica,
I
dia 1 de março de 1967, com re-
SECRETARIO - Brig R/R Samuel de Oliveira Eichin cursos próprios, já que a CHI
1.0 . TESOUREIRO - Ten Cel Int Adauto Bezerra de Araújo
adquiriu todo o material neces-
sário a um sorteio de tal impor-
2o TESOUREIRO - Maj Int Mauro de Almeida tância: ·
GRUPO 1
. CONSELHO Majores-Brigadeiros José Car-
los Teixeira Rocha e Theo.crito
Marechal . do Ar Már cio de Souza e Mello
de Castro Almeida Neves; Briga-
dei~os Hamlet Azambuja Estre-
. 'Maj Brig Med Geraldo Cesário Alvim la, Antonio R. Fontenelle Silva
Maj Brig R IR Henrique do Amaral Penna e Newton Lagares Silva; Coro-
nel Fausto Amélio da Silveira
Brig Med RiR José Carlos D'Andretta Gerpe; Tenentes-Coronéis Gil-
· Brig Int.Roberval Gomes da Costa berto Junqueira Gazolla, Frie-
drich Wolfgang Derschum, Ilde-
· Cel A v Paulo Costa
fonso Patrício de Almeida e Ur-
· Cel Av Carlos Af-f onso Dellamora bano Ernesto Stumpf; e Major
' Cel Med 'João Vater Zairo Diógenes Maia.
GRUPO 2
Cel A v Franklin Enéias de Miranda Galvão
Major-Brigadeiro Adhemar
: Ten Cel Av Adeele Migon Lyrio; Tenente-Coronel Oscar
Ten Cel Av Cassiano Pereira Ferreira Souza; Majores José
Rodrigues da Costa, -Joaquim
Maj A v Nelson Fish de Miranda
Francisco Lins de Araújo, An-
· Maj Esp CTA José Barbosa Barros tônio Ismar Braga e Zeferino
Maj I R/R Aldo Sartori Soares Filho; e Capitão Wladi-
mir Bressiani Lobo
· Cap Av Nylson de Queiroz Gardel
GRUPO 3
Beneficiária do Major Gusta-
CHEFES DE DEPARTAMENTOS vo Pereira Nunes.
GRUPO 4
BEN;EFICENTE . - Cel A v Paulo Victor da Silva
' l ' -·; (.'' ' ,. ,· _: · _; . Capitão Jayme Lino Mattos
TÉCNICO-CULTURAL . - Marechal R/R Antônio .Guedes Muniz
{ .-- r ,. , ,. ' ' ,. '•
G~UPO 5
D~SPORTIV:O - Brig Med R/R Pa~lo Eugênió Machado Soares Coronel Everaldo Breyes; Te-
FACILIDADES - Maj Int Carlos Eugênio PÍnto de Mo~aes nente-Coronel Geraldo, de Quei-
:_:t ' . roz àlm~ida e Major josé Araú-
J1.ECREATIVO .- Cel Av . Joaquim Vespaslano Ramos
, jp · ~e~l- . ~ .·. ':. ~ =·: ,, -. ~.
·;
. ,.r
r
' GRUPO 6 ..
,...,, CARTEIRA
" . . " .f ,, '
HI~OTECÃRIA
.. ·.. . ·-- ..
.E

IMOBILIÃRIA
. . ~ . ~
Major-Brigadeiro Newton Nei-
< -1 J
.v.a de Figueiredo;' Brígàdeiro
<" ·DIRETQW ?~:--: Brig :dó r·Arf Rtlf' Ubai'do T~Vares . de \Fàriâ.: '" ·- ·'('
~ \-j
.,, Ary Presser Belo; Coronéis:. Vic-
~ ,. ... . - •·t ~-
/ . r : , 11 ' •' _ r - ,• ..., __ , , • < ·- '
1to r Koren é Càntídio, Bentes •de
'SECRETARIO ·- Cel Av Cyro de Sou~atj Yí'lei'}t~ . · . ·
r , -, "' '.-r:: ,.:.:· 1 ' ·· rr r · '·· r. r ' •· _: · •·· · ' -{ ' · · - ·
J ( _: ; '
1 Olivéira Guimarães; ·e · Càpitão
TES'O'UREIRO "--- ·Maj · Int Haroldo · Sauer Guimarães · Paulo , Alves· r8algá:d0. . ··-'
\'ltEVlSTA AERONAU'Í'I~A ··- ' 35- ''MAUÇO -:; .ABRIL:. ;;:: . 19'67
OPERAÇA.O AMAZôNICA
CEDIDO AO CLUBE (Conclusão da pág. 20)

O TERRENO DA RUA rudimentar e sem a menor apa-


relhagem moderna. O transpor-
SANTA LUZIA te do minério é feito, em alguns
casos, da mina para um ponto
Pelo Decreto número 60. 282, tegrar seu patrimônio e enquan-
de 2 de março de 1967, o Exmo. to assim permanecer, bem co- intermediário, por meio de he-
Sr. Presidente da República au- mo de laudêmios nas transfe- licóptero, dêsse ponto até a es-
torizou a cessão do terreno de rências de frações ideais do do- trada Cuiabá-Pôrto Velho, em
marinha situado à Rua Santa mínio útil do terreno e benfei-
Luzia número 627 a 651 atuais, torias eventualmente aderidas, avião pequeno, e o restante do
anteriormente números 47, 51 e tendo um prazo de 5 anos, a par- percurso, até o Rio ou São
53, esquina com a Avenida Gra- tir da data do registro do Con-
ça Aranha, no Rio de Janeiro, trato de Cesssão no Tribunal de Paulo, por estrada-de-rodagem,
Estado da Guanabara, terreno Contas da União, para dar ao ainda de 3.' classe e com exten-
êsse destinado à construção de imóvel cedido a destinação pre- são da ordem de 2 000 km. Em
edifício para instalação da sede vista naquele decreto.
social do Clube de Aeronáutica. outros casos, o minério vai até
A Revista congratula-se co,m
os associados do Clube, pela Pôrto Velho por via terrestre e
Pelo mesmo decreto, ficou o
Clube de Aeronáutica autoriza- grande vitória alcançada pela daí para o Sul, por via aérea.
atual Diretoria. Uma pequena parte do minério
do a:
--0-- já é reduzida em Pôrto Velho,
1. 0 - pagar, no todo ou em par-
te, a construção de sua em uma usina rudimentar, no
BRASIL VAI COLOCAR
sede social no terreno ce- SATÉLITE EM óRBITA valor de 300 KW, obtendo-se o
dido, com a alienação de metal na ordem de 98% de pu-
parte de frações ideais Com a presença de cientistas
do domínio útil do mes- e técnicos de vários países, au- reza. Apesar de tudo, ainda há
mo, relativas às partes toridades civis e militares e compensação em relação ao mi-
do edifício que aí se cons-
jornalistas, as equipes da Fôrça
gir, desnecessárias às ins- nério importado. Imaginemos o
Aérea Brasileira e da Comissão
talaçõe,s de sua sede so-
Nacional de Atividades Espa- que seria de riqueza se pudés-
cial; semos contar com energia elé-
ciais vão colocar em órbita um
2. 0 - hipotecar parte de fra- satélite através do foguete "Ja- trica suficiente para processar o
ções ideais do domínio velin", que será lançado à alti- minério na própria região e com
útil do terreno e de ben- tude de mil quilômetros, na
feitorias eventualmente Base de Barreira do Inferno, um sistema de transporte ade-
aderidas com a · finalida- Natal. As equipes que compõem quado para escoamento do pro-
de de obter recursos para o GETEPE, Grupo Executivo duto.
a construção de sua sede de Trabalho e Projetos Es-
social; paciais, presidido pelo Major- A Amazônia tem tôdas as pos-
Brigadeiro-Engenheiro Oswaldo sibilidades de vir a ser real-
3. 0 - alugar ou arrendar par-
tes do imóvel cedido ou Balloussier, estão ultimando mente o celeiro do mundo. Pelo
do edifício que aí se cons- os preparativos para êste im.. pouco que já se conhece do seu
truir e que pertencerão portante lançamento, que cons-
ao cessionário, que sejam titui um grande avanço no pro- vasto território, somos levados
d esnecessárias ao seu uso grama de pesquisas aerônimas a acreditar em perspectivas as
imediato. realizado no Hemisfério Sul. mais otimistas. É, no entanto,
Atualmente, o Brasil ocupa o
Ainda pelo mesmo decreto, fi- quarto lugar no mundo em ati- um desafio ao brasileiro de hoje
ca o Clube de Aeronáutica isen- vidades espaciais, colocando-se que deve mostrar o seu verda-
to do pagamento do fôro anual imediatamente abaixo da Fran- deiro valor, fazendo jus à con-
relativo à parte do domínio útil - ça, URSS e dos Estados Unidos,
do terreno de marinha que in- segundo relatório da NASA. s~rvação de tão vasto tesouro.

REVISTA AERONAUTICA -36- MARÇO - ABRIL - 1967


dade aos estímulos ambientais e, em particular,
CONCEITOS BÁSICOS às experiências trocadas com seu meio social.
DE IDADE A unidade sensório-motora responsável pela
expressividade da personalidade é o sistema ner-
QUE INTERESSAM voso, o qual estudaremos posteriormente.
A'OS EDUCADORES Para darmos uma idéia mais objetiva do
• Dr. H. BALLARINY que seja personalidade, concebemos a represen-

NOÇOES DE
-·- tação gráfica da pirâmide da formaçã0 da per-
sonalidade. (Vide figura).
A formação, o crescimento e o desenvolvi-
~nento que redundam na estruturação da perso-
nalidade dependem, sempre, dos estímulos am-
BIOPSICOLOGIA bientais, quer êles atuem nos períodos pré-con-
EDUCACIONAL cepcionais, quer gestacionais, trans e pós-natais.
As influências dos estímulos pré-concepcio-
nais, congênitos e transnatais constituem os fa-
CONCEITUAÇÃO DE PERSONALIDADE - tôres determinantes da formação da base gené-
A PIRÂMIDE DA FORMAÇÃO E A FACE DA tica da personalidade.
ESTRUTURAÇÃO DA PERSONALIDADE - As influências dos estímulos pós-natais, sô-
TIPOS E CARACTERíSTICAS DA PERSONA- bre as cinco faces da base pentagonal da pirâ-
LIDADE - INFLU:E:NCIA DOS ESTíMULOS E mide, são as responsáveis pelo crescimento e
CONSEQ"OÊNCIA DA MÁ ORIENTAÇÃO EDU- desenvolvimento das mesmas, redundando na
CACIONAL NA ESTRUTURAÇÃO DOS CINCO estruturação expressiva da personalidade do in-
ASPECTOS DA PERSONALIDADE divíduo.
CAPíTULO III Como podemos ver na concepção do esque-
ma da personalidade, a base pentagonal da pi-
Como demonstramos nos capítulos anterio- râmide que representa a base genética ou ge-
res, tanto a higiene como a educação estão em- nótipo (vide figura) é formada por cinco dados
penhadas na formação, no crescimento e nQ de- que irã·o crescer e desenvolver-se pela ação dos
senvolvimento da personalidade humana, tendo estímulos ambientais, formando as cinco faces
como objetivo comum a Educação Integral. representativas da expressividade.

Portanto, Educação Integral é sinônimo de A base genética, responsável pelo tempera-


<~struturação sadia e eficiente da personalidade.
mento, ou reação inconsciente ou Id de Freud, é
influenciada pelos fatôres hereditários, cromos-
Uma das melh0res conceituações da perso- f;omiais que atuam no momento da fecundação,
nalidade é a de Gordon Allport, publicada em pelos fatôres congênitos que agem durante o pe-
1937, o qual considera a personalidade como: "a ríodo gestacional e pelos fatôres transnatais ou
organização dinâmica dos sistemas psicofisioló- obstétricos, que podem lesá-la durante 'o parto.
gicos individuais que determina a maneira pela
qual cada pessoa se ajusta ao meio ambiente". O organismo do recém-nascido, que irá rea-
gir como um todo, é constituído p0r 5 unidades
É uma definição bastante completa porque ou faces que passaremos a descrever:
<ieixa implícitos:
1. Pelos tecidos orgânicos que continuam a
a) a interferência dos traços físicos e psí- crescer, ou seja, a multiplicar o número de suas
·quicos dos seus semelhantes; células, após o nascimento, pela influência da ali-
mentação e do microclima formando a face so-
b) a distinção das reações de cada ser huma- mática da personalidade.
no da dos seus semelhantes;
c) o dinamismo reacional em permanente 2. Pelo conjunto total de neurônios, que
·estruturação e reestruturação; não se multiplicam após o nascimento, e que
constituem o sistema nervoso como um todo, e
d) a influência marcante dos estímulos am- t:m especial os centros motores neurovegetativos
bientais nas suas manifestações. e medulares.

Personalidade ~ a reação íntima e total do Êsses neurônios, ao desenvolverem-se pela


organismo (considerado como um conjunto físi- influência das vivências motoras, formam as
·co-sensório~motor) que responde como uma uni- r·eações condicionadas responsáveis pela motili-

REVISTA AERONAUTICA -37- MARÇO - ABRIL - 1967


ÇO.CII'ÇÃO DI
M 8ALLARINY

I' ACE

TÍMICA EMOCIONAL E TEMPERAMENTAL


FRÊNICA • INTELECTUAL
ÉTICA SOCIAL- CONSCIENCIA
"

dade, habilidade manual e linguagem, estrutu- estruturando, dessa maneira, a face tímica da
rando dessa maneira a face rítmica da perso- personalidade.
nalidade, responsável pela inteligência prática.
Denominamos tímica anímica porque, sen-
Denominamos rítmica porque resulta do flu- do sentimento, se prende às coisas do coração e
xo nervoso cíclico-sensitivo de fora para dentro da alma. É uma palavra derivada do vocábulo
e motor de dentro para a periferia. grego "Thymus" que significa exatamente isso.
3. Pelos centros nervosos localizados no 4. Pelo conjunto de centros nervosos supe-
tronco cerebral e em especial, no diencéfalo, e riores, localizados na córtex cerebral, cujos neu-
cujos neurônios estão em íntima conexão com os rônios, ao estabelecerem conexões com os outros
órgãos se1:sonais; esses neurônios, ao desenvol- centros inferiores, transmitem as reações cons-
';erem-se pela influência das vivências emocio- cientes e intelectivas que caracterizam a inteli-
nais, formam as reações condicionadas responsá- gência do homem. l!:sses neurônios corticais, ao
veis pelo mêdo, pela cólera e pela afetividade, desenvolverem-se pela influência da instrução

REVISTA AERONAUTICA -38- MARÇO- ABRIL · - 1967


intelectual, formam a face frênica da personali- cilindros eixos e dos dendrites dos neurônios que
dade. formam os inúmeros centros do sistema nervoso.
Denom inamos frênica d~ grego "Phrenos" Iniciando pelo queixo da face, vemos, re-
relativo à mente-inteligência. É a responsável presentado na fusão do espermatozóide paterno
oela inteligência conceptual ou superior do ho- com o óvulo materno, o fenômeno da fecunda-
mem. ção, onde a un ião dos cromossomos marca a in-
fluência dos fatôres hereditári<>s.
5. Pelo conjunto de arcos reflexos incondi- Logo acima, vemos representado um feto na
cionados, estruturados durante a gestação e res- cavidade uterina como o fruto dessa f11são, já em
ponsáveis pelos instintos atávicos, ou impulsos franco processo de crescimento e desenvolvimen-
dominantes de Gates, ou reações de sobrevivên- to, sofrendo as influências do microclima cervi-
cia individu al e da espécie. cal e da alimentação placentária, que constituem
Essas reações incondicionadas, quando in- os fatôres congênitos.
fluenciadas pela cultura, pelos m étodos educa- Finalmente, entre os lábios da figura, en-
cionais, pelas experiências sociais e pelo desen- contramos um recém-n ascido que, após passar
volvimen to das outras faces, dão margem à for- pelo traumatismo do parto, ou fatôres obstétri-
mação do caráter ou conduta ético-social, estru- cos, representa o genótipo ou base genética da
turando, dessa maneira, a face ética da p irâmide personalidade.
da personalidade.
O conjun to de todos os estímulos ambientais, Genótipo é o resultado dos caracteres here-
agindo sôbre a base genética, produz o cresci- ditários p rovenientes dos genes cromossomiais,
da influência do m icroclima e alimentação ute-
mento e o desenvolvimento da personalidade. rina (fator con gên ito) e dos acidentes do part<>
Depende da adequação das vivências educa- (fator obstétric::o) .
cion ais e das experiências sociais a formação e O genético é constituído pelo somatótipo e
estruturação de uma personalidade equilibrada pelo psicótipo.
ou desequilibrada do ponto de vista rítmico,
emocional, intelectivo ou social. Como conse- Somatótipo é a parte do genétipo, f-ormada
qüência da qualidade da alimentação e do mi- pelos tecidos orgânicos que crescem sob a in-
croclim a, resulta o crescimento eficiente ou de- fluência do m icroclima e da alimentação pós-
ficiente do aspecto físico da personalidade. natal.
Métodos educacionais corretos, agindo sôbre Pela influência das vivências motoras e da
uma base genética n ormal, redundam sempre higiene, representadas à esquerda da figura, de-
na estruturação de uma personalidade de alta senvolvem-se no somatótipo as aptidões que se
expressividade, rítmica, tímica, frênica e ética, t:ransformum . com o auxílio de métodos educacio-
mormente quando a higiene, sob todos os seus nais, em vocações.
aspectos, contribu i, também, para uma boa es-
truturação somática. A person alidade, pela in- Psicótipo é formado pelo sistema n ervoso,
fluência dos estím ulos ambientais, vai perma- neurovegetativo e cérebro-espinhal, cuj as células
n entemente estruturando e reestruturando a sua (neurôn ios) n ão crescem , apenas se desenvolvem,
conduta psico-social. aperfeiçoando seu funcionamento.
P ela ação dos estímulos ambientais cultu-
Nos capítulos seguintes, estudaremos o que rais, representados à direita da figura, teremos
f,ão e a influência que têm os estímulos ambien- o desenvolvimento das faces tímica e frênica da
tais na formação e estruturação das 5 faces ou personalidade.
unidades reacionais, acima descritas.
As reações incondicionadas do genótipo cons·
Esquematizando a estrutura reacional da per- tituem o temperamento ou reações, instintivas,
":: on alidade, idealizamos a concepção didática, re. inconscientes.
tratada na máscara ou "persona" usada pelos O temperamento, que é inato, resulta das
atores do teatro grego, quando procuravam ex- reações do somatótipo e do psicótipo, aos estí-
pressar os sentim entos preponderantes em cada mulos viscerais e cerebrais. É o modo de ser do or-
personagem (Ver figura "Estrutura da Persona- ganismo sem relação com o ambiente exterior . É
lidade"). o modo de reagir do organismo aos estímulos do
seu ambiente interior .
A estruturação que aumenta a expressivida-
'I de da personalidade é o resultante da mieliniza- O temperamento é o Id de Freud, a parte
ção e desenvolvimento dos prolongamentos elos mais pro~c.:nc.a cio psiquismo, e que imprime o rit-
REVISTA AERONAUT ICA -39- MARÇO -ABRIL - 1967
mo psíquico da personalidade introvertida ou ex- Tentando provar que tôda essa operação é
trovertida. É o verdadeiro inconsciente. É o re- instintiva mecanica inconsciente e praticada sem
ceptáculo dos impulsos de Gate ou instintos atá- inteligência, um naturalista colocou outro inse-
dcos. to nas mesmas condições da vítima, ao lado, no
chão, durante a operação de entêrro. Quand-::> a
Instinto, para William James, é á' faculda- vespa terminou de tapar a cova e deu com o nô-
cie de atuar de modo que se produzam certos fins YO inseto, desorientada voltou a reabrir o orifí-
sem previsão nem adestramento executivo. É cio. Mas, ao deparar com o inseto que realmen-
uma reação do ser vivo, cuja base estrutural é te havia enterrado, novamente tapou o buraco.
inata, e que não requer, portanto, um aprendi- Ficou repetindo aquela operação, como se fôsse
zado ou formação prévia do reflexo. Para W ood um disco quebrado que repete sempre o mesmo
Woorth são os estímulos não apreendidos. irecho da música; cansado, o naturalista desis-
tiu de continuar a observação.
Instinto, para Claparede, é uma resposta
imediata a um estímulo caracterizado por um O mesmo acontece com a abelha, que pro-
c:to realizado de modo uniforme por todos os in- cura encher de mel o favo, para alimentar a lar-
divíduos da mesma espécie, sem haver sido apren- va, mesmo que o favo tenh a sido furado. Depois
dido e sem conhecimento do fim a que se desti- de certa produção padronizada de mel para en-
na, nem da relação entre êsse fim e os meios cher aque1e !avo, dá a sua tarefa como termi-
empregados para atingi-lo . nada, m esmo o ne o favo permaneça vazio de
substância nutritiva para a futura larva. Idên-
Os atos de respirar, mamar, defecar, urinar, ticas sáo as m tl cestações instintivas das aves
chorar, etc. são reações instintivas que depen- no charco, ao chocarem ovos de outras espécies.
cicm, exclusivamente, da estrutura da base ge-
nética ou genótipo. Sob a influência de novos estímulos extero-
ceptivos captados no meio ambiente, a estrutu-
Podemos dizer que as reações do ser vivo aos ra genetica vai condicionando novas reações ou
estímulos interiores são os instintos ou tempe- comport am ento -; psicomotores subconscientes
ramento, cujas características são: que, pela influência da cultura dominante e pela
ação da educação, se transformam n a conduta
a) inatas e não -adquiridas após o nasci- psico-social consciente.
mento;
Se v·oltarmos a analisar a face (vide figura),
b) modificáveis e educáveis pela fôrça do podemos observar que a seta do crescimento ter-
hábito em contrário; mina no ôlho esquerdo onde podemos ler soma-
to aptidões.
c) características de cada espécie;
Isto representa o resultado do efeito do mi-
d) realizadas dentro da mais absoluta igno- croclima da alimentação e das vivências moto-
rância do seu fim, com absoluto automatismo ras sôbre a estrutura do somatótipo, que, além
inconsciente. c~e crescer fisicamente, desenvolve as suas apti-
dões inatas que se transformam em vocações.
É importante saber que as reações instinti-
. as atávicas, puramente animalescas, podem ser Aptidão é a habilidade de fazer alguma coi-
modificadas sob a influência de métodos educa- sa por dom n~tural. Quando a experiência au-
: ionais. ;nenta as aptidões, desenvolvendo a capacidade
1·e realizar certas tarefas sociais, a aptidão trans-
Diferenças entre instinto e reação automá- )rma-se elll. vocação.
tica inconsciente e a reação condicionada, apren-
dida ou inteligente. Da m esma forma, as vivências emocionais e
::-,s experiências trocadas com o meio social, atra-
Certas vespas, no período da desova (instin- , és dos órgãos sensoriais, resultam no desenvol-
to), cavam um buraco na terra, a seguir tapam vimento cuja seta aponta para o ôlho direito,
orifício de entrada, e saem à procura de um onde podemos ler "psíquico emoções".
mseto. Encontrada a vítima, metem-lhe o ferrão
e, sem matá-la, imobilizam-na com o seu veneno O psiquismo emocional é o conjunto de ma-
(como os índios fazem com o curare) . A seguir, nifestações anímicas resultantes das sensações
arrastam o inseto paralisado para a cova que do mêdo, da cólera e do prazer, e responsável pe-
abriram. Reabrem o buraco, colocam a vítima no lo comportamento emocional subconsciente.
seu interior e aepositam o ôvo sôbre a mesma.
Tornam a cobrir a cova de modo que as larvas O conjunto das r eações motoras e emocio-
:-.ascidas do ôvo tenham carne viva para devorar nais constitui a reação unitária da personalida-
no seu primeiro estágio de crescimento. de, denominada comportamento psicomotor. É

REVISTA AERONAUTICA -40- MARÇO - ABRIL - 1967


uma expressividade adquirida após o nascimen- mento psicomotor vai-se transformando na con-
to, significando um aperfeiçoamento das reações duta ético-social ou caráter.
inconscientes de sobrevivência. Cm·áter, ou .Conduta ético-social, seria o re-
sultado da ação da higiene mental e da cultura
Constitui as reações subconscientes, ou Ego absorvida pelo indivíduo, sôbre o ego, transfor-
de Freud. mando o comportamento psicomotor egoístico,
animalesco, anti-social, na conduta ético-social,
O comportamento psicomotor é o resultado consciente, altruística e humanitária.
das reações do genótipo às influências dos estí-
mulos ambientais. Constituem as reações psico- O bom e o mau caráter, portanto, resultam
somáticas e a organização dos reflexos condicio- do conjunto variável de tendências instintivas,
nados adquiridos. de reações subconscientes agressivas ou medro-
sas, de reações intelectivas conscientes orienta-
É a maneira do subconsciente agir sem as
das pelo culto do afeto e regidas de acôrdo com
restrições da moral e sem observar os ditames as normas morais que dominem no meio social
da ética social. · onde o indivíduo vive.
A conduta deve ser diferenciada do compor-
Posteriormente, pela análise e memoriza- tamento e não usada como sinônimo, porque
ções dos métodos educacionais, da instrução in- conduta é o comportamento no seu significado.
telectual e da disciplinação ética, o comporta- ético e moral.

ESíRUTURA DA
pfRSONALI DADE

CONCEPÇÃO DE H 8AUARINY

:REVISTA AERO.NAlJTICA -41- MARÇO - ABRIL - 1967

I
Consideramos - Ética - como a parte da nalização do superego, no sentido de que as rea-
filosofia e da teologia que dita as leis ideais da ções, as excitações e incitações dêem origem a
verdade moral aplicadas às relações humanas. atitudes ou normas de conduta que não prejudi-
Quando os métodos educacionais não são quem, ou venham a afetar, o perfeito bem-estar
regidos pela higiene mental, mas baseados em físico, psíquico ou social do indivíduo.
estímulos anaclíticos de mêdo, inibição e agres- Quando o ambiente social sistemàticamente
sividade, a disciplinação do comportamento psi- infunde mêdo, ou estimula a agressividade co-
comotor redundará em uma con!luta esquizotí- mo tônica reacional da personalidade em desen-
mica ou uma conduta delinqüente, e teremos en- volvimento, os seus atos conscientes, ditados pe-
tão, respectivamente: uma conduta anti-social, lo superego, serão, respectivamente, de fuga aos
não operante, de fuga à realidade; ou uma con- problemas ou de destruição pela agressividade
duta delinqüente de agressividade às normas éti- à sociedade e seus componentes.
cas que d·aminam na cultura em que vive o indi-
víduo (vide a parte superior, esquerda e direita Superego, ou reação consciente, é o resultan~·
da figura). te da ação compulsiva da moral e da ética sôbre
o ego, ou reação subconsciente, e da ação repres-
Se a higiene mental não vier em socorro de siva sôbre o id ou reação inconsciente, visando
tal personalidade, sem energia psíquica reacio- éi transformar o instinto e o comportamento psi-
nal e compulsada pelo mêdo, teremos o poltrão, comotor na conduta social.
c ébrio, o viciado em entorpecentes, ou o doente
mental. Um superego, que se estrutura excessiva-
mente punitivo e inibitório, leva o indivíduo à
Mas, se pelo contrário, o Ego fôr dominado timidez, à insegurança, à frustração, ao dese-
pelas emoções de cólera, em face de u'a moral quilíbrio da personalidade.
inexistente, de uma cultura deficiente e de um
temperamento extrovertido, teremos um caráter Um comportamento psicomotor excessiva-
anti-social, onde predominarão a agressividade, mente egoístico, por falta de disciplinação, ou
o complexo de rejeição, responsáveis pelo crime, pelo emprêgo de métodos educacionais anaclí-
pelo roubo e pela prostituição. ticos, se fôr estruturado sôbre um temperamen-
to extrovertido, desrítmico, superemotivo, difi-
Quando a Educação Integral se faz sentir cilmente, estruturará um superego de caráter
de maneira correta, isto é, através de métodos construtivo.
educacionais afetivos, a conduta expressará uma A disciplinação do comportamento psicomo-
personalidade equilibrada e construtiva, na qual tor egoístico através da educação integral, basea-
as reações do Id e do Ego não entram em graves da em métodos educacionais de predominância
conflitos com o superego. afetiva, forma um superego sadio, de grande po-
der criador, característica das personalidades
Neste caso, teremos uma personalidade sem equilibradas e bem desenvolvidas.
frustrações e sem complexos, dominada pelas
emoções afetivas de amor ao próximo, de res- Cabe à educação integral estruturar a per-
peito ao semelhante, cujo paradigma deve ser ~onalidade, respeitando o temperamento e as
a família bem constituída (vide parte superior características da base genética, através de trans-
central da face). formação suave, gradativa e adequada do com-
portamento instintivo e egoístico, na conduta al-
Conduta esquizotímica que leva o indivíduo truística, pelo afeto ou hedonismo.
aos vícios sociais, como mecanismo de fuga, é
aquela em que o indivíduo pr-ocura alhear-se aos Altruísmo é a conduta psicológica ou o sen-
estímulos ambientais, vivendo fora da realidade. timento que leva o indivíduo a agir sempre em
benefício do bem-estar do próximo.
É uma predisponente para a esquizofrenia,
uma forma da loucura. Afeto ou humanismo é o sentimento cons-
ciente de prazer que impele o indivíduo a pro-
Daí, a importância de conhecermos o tempe- porcionar satisfação aos outros sêres.
ramento reacional do genótipo .pata adequar os
estímulos ambientais, transformando-os em mé- O Psicótipo, sob a influência das vivências
todos educacionais não-anaclítiéos, sempre cal- motoras e emocionais, da experiência social e
çados na afetividade, única maneira de, pela da instrução intelectual, dá lugar ao desenvol-
higiene mental, chegar a uma personalidade equi- vimento das faces rítmica (expressividade ma-
librada e construtiva, objetivo da educação in- tora), tími.ea (emotividade), ética (caráter) e
tegral. frênica (cultura).
Consideramos, pois, que higiene mental é a A energia reacional, proveniente do psicó-
prevenção das einoções desagradáveis e a racio- tipo (faces tímica, rítmica, frênica e social), quan-
REVISTA AERONAUTICA -42- MARÇO - ABRIL - 1967 ,

I
do orientada para uma conduta que vise a satis- Quando os métodos educacionais forem com-
:fação, prazer, ou auto-afirmação social, nós a pulsivos, anaclíticos e o temperamento introver-
consideramos como libido. tido, o superego será o responsável pelo predo-
Para nós, portanto, libido é uma energia psí- mínio da inibição motora. E o resultado será: a
quica, gerada pelos estímulos sensuais, hed~ni­ inatividade, a falta de iniciativa, o mêdo, a ti-
cos, não-anaclíticos, que resultam em sensaçoes, midez, a ansiedade, a angústia e a esquizofrenia.
<OU emoções, ou sentimentos de prazer e bem-es- Se a educação compulsiva e anaclítica inci-
tar social. dir sôbre um temperamento extrovertido, o su-
Não concordamos com as teorias pansexua- perego será o responsável pelo aumento da mo-
listas de Freud, que consideram a libido, apenas, tilidade, da agressividade e da hostilidade, bem
como a expressão dinâmica do instinto sexual. como pela conduta anti-social consciente ou pe-
la insanidade mental.
Estímulos sensuais são os estímulos ambien-
t ais que geram reação prazerosa. Quando os mé- Mas, se a educação, pelo contrário, fôr hedô-
todos educacionais se baseiam neste tipo de es- nica, baseada no afeto, o superego resultante, in-
t ímulo, então dizemos que a educação é hedô- dependentemente do temperamento introverti-
nica. ào, ou extrovertido, será sempre o responsável
por uma conduta afetiva, corajosa, altruística,
Quando, pelo contrário, os estímulos am- emocionalmente equilibrada e socialmente cons-
bientais dão lugar às reações desprazerosas de trutiva.
mêdo, ou de cólera, dizemos que o indivíduo é
v fruto de um meio anaclítico. A educação, no seu objetivo de estruturar
a personalidade, deve investigar, reconhecer e
Os estímulos anaclíticos, baseados em com- adaptar-se aos traços resultantes do que geneti-
pulsões, são os responsáveis pelas frustrações e camente já está estruturado; deve, afetuosamen-
complexos que levam ao desequilíbrio a perso- te, transformar o comportamento psicomotor
nalidade. egoístico na conduta construtiva ético-social, ba-
seada no amor ao próximo.
Compulsão é a realização de um ato, por
sugestão ou imposição irresistível de um ou vá- Na estruturação da personalidade, todos os
rios indivíduos, contrárias aos impulsos ou à problemas psicológicos devem ser equacionados
vontade daquele que o realiza. como fruto da reação total e indissociável do or-
ganismo como unidade somática - rítmica - tí-
Frustração é o estado de tensão psíquica mica - frênica e social.
resultante de sensações que impeçlem a satisfa- As manifestações exteriores das reações
ção hedônica. · humanas aos estímulos ambientais, quando não
sofrerem a influência do superego, são sempre
Complexo é o grupo de emoções e sentimen- consideradas atos instintivos ou subconscientes
tos que, reprimidos, no todo ou em parte, levam e constituem o comportamento psicom0tor.
o indivíduo a reações subconscientes de inibi-
çãc, fuga ou agressividade. O comportamento psicomotor quando sofre
a influência do superego transforma-se na con-
Sensações são percepções agradáveis ou de- duta consciente.
sagradáveis, mal definidas e inconscientes.
A personalidade reestrutura-se, permanen-
Emoções são sensações subconscientes que temente, pela influência dos estímulos ambien-
resultam respectivamente em prazer, mêdo ou tais, modificados pela higiene e disciplinados
raiva. pela educação, os quais, agindo sôbre o genótipo,
provocam o crescimento do somatótipo e o de-
Sentimento são emoções que se concretiza- senvolvimento das aptidões, bem como provo-
ram em afeto, temor e ódio. cam no psicótipo o aparecimento das emoções de
mêdo, cólera e prazer.
Tensão Psíquica é a energia psíquica que, Tanto as emoções subconscientes como os
gerada por estímulos sensoriais, não conseguiu sentimentos conscientes de insegurança, de re-
expressividade motora em intensidade corres- jeição, de hostilidade, de afeto, originados das
pondente. sensações, dependem do temperamento intro ou
É a transição entre a tranqüilidade e a in- extrovertido, da libido, do comportamento psi-
tranqüilidade. comotor ou ego e do superego.
É o resultado de um obstáculo na realiza- As reações do psicótipo aos estímulos do
ção de nossos anseios. meio ambiente podem ser resumidas em:

' REVISTA AERONAUTICA -43- . MARÇO - ABRIL - 1967


1. extensões e contrações do seu sistema A personalidade pode ser considerada como
muscular, no que diz respeito à sua face rítmica; o conjunto de características desenvolvidas na
pessoa que permitem sua diferenciação indivi-
2. as extensões e contrações musculares dual específica e original, quanto às suas reações
da face rítmica mais tarde se transformam em psico-sociais.
emoções ou reações da face tímica: mêdo, raiva
E: prazer; A personalidade é avaliada em têrmos de
traços ou características que se r efletem nas ati-
3 . as emoções, quando influenciadas pelo tudes e reações dos indivíduos perante diversas
desenvolvimento da face frênica, ou vice-versa, situações.
em função da maior ou menor erudição, resul-
tam na conduta onde predomina a reação ora de Dependendo da qualidade dos estímulos am-
:Euga, ora de ataque, ora de posse egoística, ora bientais e da base genética, podemos ter os se-
de criação altruística; guintes tipos de personalidade:
a) equilibrada e construtiva ou permanen-
4. as reações às emoções do " homo socia- 1emente ajustada;
lis'' , quando influenciadas pelos códigos de éti-
ca (leis, obrigações, costumes, normas, tradi- b) desequilibrada ou temporàriamente de--
dições, mandamentos, etc.), transformam-se na sajustada por erros educacionais, apresentando-
quarta fôrça dos "gigantes da alma", o Dever, timidez, agressividade, ansiedade, angústia;
que determina o comportamento social do homem.
c) psicopática, em face de uma deficiência.
A qualidade e intensidade das contrações da base genética, apresentando síndromes ma-
musculares de flexão e extensão e das sensações níaco-depressivas, esquizofrênicas, paranóicas,.
dependem, inicialmente, da dotação da base ge- epileptóides e oligofrênicas.
nética, enquanto as emoções e sentimentos são
os resultantes das vivências e dos métodos edu- Três são os tipos de personalidade infantil,,
cacionais a que fôr submetido o indivíduo, poste- classificáveis como "crianças problemas":
riormente ao seu nascimento.
1. com inferioridades orgânicas, congêni--
A conduta social só pode ser levada em con- tas e pós-natais;
ta partindo da premissa da existência de tem- 2. mimadas e superprotegidas;
peramentos, de reações, emoções, ou melhor, da
estruturação genética das faces rítmica e frêni- 3. odiadas e rejeitadas.
ca. Assim sendo, a conduta social, ou sej a a rea-
ção conjunta das 3 faces, adequadas aos códigos A qualidade dos estímulos ambientais pode,-
de ética, dependem exclusivamente da Educa- imprimir na personalidade em desenvolvimento.
ção. caracte.r ísticas positivas ou negativas.

Positivas N egativas

A - Simpatia ou atração física. A - Antipatia ou repulsa física.

B - Eurritmia de gestos. B - Desritmia sensório-motora. Hipo ou hi-


pertonia reacional.
C - Empatia - Afetividade - Paciência.
Equilíbrio emotivo. C - Orgulho - Timidez - Impaciência -
Inveja- Agressividade- Instabilidade
D - Espírito de iniciativa - Engenho - emocional
Autoconfiança - Coragem - Perse-
verança. D - Apatia - Insegurança - Inferioridade
- Covardia - Desinterêsse.
E - Caráter - Altruísmo - Modéstia -
Capacidade de adaptação - Cordiali- E - Delinqüência- Egoísmo- Vaidade-
________________ _ ________ _ _______.!
dade no trato. Revolta.

REVISTA AERONAUTICA - 44 - MARÇO - ABRIL - 196/J


Consideramus como personalidade normal falta de crescimento estatura!, magreza ou obe-
aquela que apresenta : sidade, doenças nervosas, etc.
a) um mm1mo de conflito mental, com B) No Aspecto Psíquico
aptidão para chegar a uma decisão sem muita
pressa ou demora;
b) no desenvolvimento da face rítmica, ima-
b) capacidade satisfatória de trabalho, sem turidade da coordenação motora, falta de desen-
ter necessidade de mudanças freqüentes, e sem v-olvimento das aptidões, as somato-neuroses a
apresentar fadiga fácil, mantendo sempre um gagueira, os tiques nervosos, etc.; '
ótimo de eficiência;
c) no desenvolvimento da face tímica as
c) aptidão para amar alguém, que não êle psiconeuroses, as oligotimias ou os desvio~ da
mesmo, encontrando prazer nas relações sociais, conduta afetiva;
conjugais e familiares;
d) no desenvolvimento da face frênica, as
d) não apresentando sintomas de origem oligognósias ou má escolaridade.
neurótica.
Para que os objetivos da educação integral, C) No Aspecto Social
qual seja a estruturação de uma personalidade
desenvolvida; ao máximo de sua potencialidade e) na estruturação do caráter, as oligote-
física, psíquica e social, .sejam alcançados, é ne- lias, as crianças-problemas, a mentira, a covar-
·Cessário ao educador um mínimo de conheci- dia, a agressividade e a delinqüência.
mentos sôbre: Os objetivos da educação integral ou da for -
a) a formação da base genética; mação da personalidade ideal são atingir, gra-
dativamente, os graus de maturidade no cresci-
b) o funcionamento do sistema nervoso; mento e desenvolvimento evolutivo:
c) a influência dos diversos tipos de estí- a) da face somática - visando à perfeição
mulos ambientais sôbre o organismo; e à saúde física exteriorizada por estatura, pêso,
posturas, harmonia anatômica e bem-estar orgâ-
d) o crescimento da face so,mática, suas nico, dentro dos elevados padrões antropológi-
anomalias e a repercussão das mesmas na per- cos;
sonalidade;
b) da face rítmica - possibilitando um per-
e) o desenvolvimento da fàce rítmica ou feito desenvolvimento da coordenação neuro-
estruturação da expressividade motora, tais como muscular, exteriorizada pela eficiência motora
motilidade, locomoção, habilidade manual, e lin- 2 serviço da sobrevivência e necessária para do-
guagem falada e escrita; minar as hostilidades do meio ambiente;

f) a estruturação da face tímica ou o me- c) da face tímica - proporcionando bem-


canismo reacional emotivo sob o impacto do roê- estar psíquico através de um equilíbrio emocio-
do, da cólera e do afeto; nal caracterizado pelo mínimo de mêdo, pelo mí-
nimo de agressividade imprescindível à manu-
g) o aperfeiçoamento da face frênica ou tenção do evolutivo espírito de iniciativa e pelo
desenvolvimento da inteligência pela erudição; dominante traço de afetividade na exterioriza-
ção dos sentimentos;
h) o aprimoramento da face ética ou a trans-
formação do comportamento psicomotor · egoísti- d) da face frênica - proporcionando um
co na conduta altruística. sistema de ensino que não prejudique o desen-
volvimento das faces tímica e rítmica e que ve-
Transmitir noções básicas sôbre êsses co- nha a contribuir para o aperfeiçoamento de uma
nhecimentos é justamente o que tentaremos fa- cultura responsável por uma civilização onde o
zer na descrição dos capítulos seguintes. bem-estar social predomine;

As conseqüências da má orientação educa- e) da face ética - transformando, pacien-


cional refletem-se nos aspectos físicos, psíquicos temente, pelo afeto o comportamento psicomo-
e sociais da personalidade da seguinte maneira: tor egoísta, na conduta ético-social altruística.
A personalidade como um todo, em virtude das
A) No Aspecto Físico mais variadas s-olicitações do exterior, que ve-
nham a incidir em maior ou menor intensidade
a) no crescimento da face somática, a ali- sôbre uma ou mais de uma das suas faces, pode
mentação ou o microclima podem acarretar: vir a sofrer um desequilíbrio.

:REVISTA AERONAUTICA - 45 ,-- MARÇO - ABRIL - 1967


As reações da personalidade aos estúnulos ambientais podem ser:

Ajustadas por redução positiva de suas ati- resultando uma atitude que, embora não satis-
'l i vidades agressivas ou de fuga faça às necessidades do indivíduo ocasionando-
perante o meio. lhe moléstia, é uma atitude adequada socialmen-
te, de concisão e elegância de forma, altruísmo,
etc.

por extensão positiva de suas resultando uma atitude de fatôres sem preJUIZO
atividades agressivas dominado- para a saúde do indivíduo, construtiva para a
ras do meio. sociedade, significando pujança de forma, brilho,
ideais firmes.

Desajustadas por redução negativa demons- resultando uma conduta que não satisfaz nem
trando pobreza de espírito, au-. ao indivíduo nem à sociedade, é a forma de
sência de imaginação. frustração neurótica e psicótica; resulta sempre
em prejuízo para a saúde do indivíduo.

por extensão negativa denotan- resultando uma conduta que satisfaz o indivíduo,
do exagêro, luxo, prodigalidade mas é socialmente inadequada; é a criança-pro-
e nocividade social. blema e o delinqüente.

A extensão positiva como reação de ajusta- As reações de extensão negativa são o re-
mento do indivíduo ao meio ambiente é a mola sultante da influência da disciplinação pela ira ..
das grandes conquistas do gênio humano; é dese-
jável e não deve ser combatida pelos educadores. As reações de redução positiva são o resul-
tante do mêdo associado ao dever.
As reações de extensão positiva são apaná-
gio de incitações celulífugas geradas pelo siste- As reações de redução negativa são o resul-
ma nervoso e que se desenvolvem sob a influên- tante da educação baseada no temor exagerado
cia da segurança e não de insegurança. e na insegurança.

O PROGRAMA "GEMINI" 286, de rotor-rígido, fêz sensa- Pratt & Whitney PT6-B, cons-
cionais "loopings", como avião truído pela United Aircraft do
Em nosso número 40 (setem- de asas fixas, numa apresenta- Canadá.
bro-outubro de 1966), publica- ção durante a reunião anual da
mos o artigo "O Programa Ge- Associação Americana de Heli-
mini", de autoria do Coronel cópteros, no aeroporto de Palm POSSE DO NôVO CHEFE
Daniel D. McKee da Fôrça Aé- Springs. O pilôto de provas, Sa- (Conclusão da pãg. 9)
rea N arte-Americana muel Mason, controlou perfeita-
mente o helicóptero, numa série o TRABALHO. Para tanto es-
Lamentàvelmente deixamos de de acrobacias, com subidas, mer-
esclarecer a sua origem -e o fa- pero contar com a compreensão,.
gulhos, demonstrando a versati- a lealdade e a dedicação daque-
zemos, prazeirosamente, agora.
lidade do sistema de rotor-rígido les aos quais ficará a depender
TaY :,:trtigo, muito apreciado pe-
da Lockheed para helicópteros grande parte do acêrto desta:
los nossos leitores, foi transcrito
da -"Air University Review". de diversos tamanhos, para di- chefia. Os sábios ensinamentos:
ferentes tipos de missão. Foram que me ficaram da Escola Su-
OS PRIMEIROS "LOOPINGS" também comprovadas suas esta- perior de Guerra servirão de ba-
· NA HISTóRIA DOS bilidade, maneabilidade, reações se para as minhas decisões. Fi-
HELICóPTEROS imediatas aos comandos e faci- nalmente, esforçar-me-ei, auxi-
lidade operacional. O modêlo liado por oficiais capazes e de al-
Palm Springs, ·. California 286 voou a 331 . km/h, durante to valor militar, todos integrados:
A história da aviação al~ançou os "loopings". Esta foi a maior no mesmo ambiente de entusias-
nova etapa no comêço dêste velocidade conhecida já alcan- m.o e ardor, em favor da maior
ano, quando um helicóptero da çada por um helicóptero de me- grandeza da Fôrça Aérea Bra-
Lockheed-California Co., modêlo nos de 2 250 kg. O motor é um sileira"

REVISTA AERONAUTICA . -4&-


\,: - .. ' -

'
RECIFE

. Indo e vindo
econor:nrze nqs pa~sagens parapelo Brasil,
aprovertar ma~s a vragem:
me!hores hotéis, p9r ~emplo, ..
maJs compras, mars diversões..:·
Vá, e volte, pelos aviões
de tarifa mais reduzida na
aviacao
- comercial brasileira.
1
PARAENSE -boa viagem em boa companhia. _ _ _ _ _ --"---- ~

:REVISTA AERONÃUTICA
-47-
MARÇO- ABRIL - 1967
NOVAS NO MUNDO ...

COMEÇA A TOMAR FORMA O MAIOR ~ervir às grandes aeronaves e aos gigantescos


AVIAO DO MUNDO jatos cargueiros que estão sendo construídos pe-
la Lockheed.
Atlanta, Georgia- O maior avião do mundo NOTÁVEL AVANÇO NO TRANSPORTE
começa a tomar forma, de acôrdo com o previsto, DE CARGA AÉREO
anunciou a Lockheed-Georgia Company. A enor-
me emprêsa localizada nos arredores de Marietta, New York, N . Y. - A Lufthansa transpor-
Georgla, já começou a preparar as estruturas tou dois helicópteros a bordo do Lockheed 200
para a montagem, dentro dos planos de lança- d·o Texas até a Alemanha Ocidental, e dois ca-
mento do primeiro C-5A da Fôrça Aérea N arte- ças a jato da Alemanha à Califórnia, neste fa-
Americana para o comêço do próximo ano. buloso cargueiro aéreo.
As primeiras estrutura.:; montadas são para a Êstes vôos demonstram a versatilidade co-
fuselagem do tanque extra p ::~ ra reabastecimento mercial do transporte aéreo de grande carga a
do C-5A. Apesar de sua capacidade total de 49 longas distâncias e alta velocidade.
mil galões de combustível, o gigantesco avião O L-200 é a versão comercial do C-141 Star-
possui condições para reabastecimento em vôo, lifter, utilizado pela Fôrça Aérea Norte-Ameri-
facilitando possíveis mió:sões de grande duração a cana no transporte de alimentos, equipamento e
longas distâncias. 1ropas através do Pacífico, no abastecimento
das tropas do Exército no Vietnam, onde aterra
A estrutura de aço inoxidável ·e alumínio em pequenas pistas improvisadas.
para o tanque de reabastecimento, semelhante ao
esqueleto de um arranha-céu, e alguns m odelos e A experiência que demonstrou a versatili-
esboços, ocupam atualmente grande parte do dade civil do cargueiro foi planejada pela com-
prédio principal da fábrica. panhia aéreà alemã Lufthansa, e pela Lockheed
Ge-::>rgia Company, de Mariettá, Gêorgia.
Sendo terminado em fevereiro de 1962, o pri-
meiro C-5A fará sua estréia aérea antes de junho; Os dois helicópteros foram transportados em
até dezembro, mais 4 aviões estarão prontos para vôo sem escalas de Forth Worth (Texas) a Mu-
exten::o programa de testes de vôo em Marietta. nich (Alemanha), e os dois F-104 Starfight de
Ingolstadt (Alemanha) a Burbank (Califórnia) .
Os F-104 serão usados para treino de pilotos ale-
CONTRóLE DE CARGA AÉREA POR MEIO mães.
DE COMPUTADORES
Recordes foram batidos pelos Starlifters
Boston, Mass. - A carga aérea à ser condu- em suas viagens de ida e volta do Havaí ao Viet-
::.ida pelas aeronaves por volta de 1970 será con- nam, transportando suprimentos e tropas. As-
trolada por computadores, afirmou o gerente de :olm que os aviões tocavam o solo em Pleiku, as
\'endas de equipamento para carga aérea da r ampas dos C-141 desciam e sua carga era des-
Companhia Lockhedd, Sr. W. R. Rhoads. carregada, permanecendo os aviões em terra
cêrca de 17 minutos, em média, é alcançando
Êste conceito da Lockheed foi exposto aos o.té 4 minutos apenas.
5 mil cientistas e engenheiros norte-americanos Com capacidade para "soltar" carga e tro-
no nôvo "War Memorial Auditorium" de Bos-
pas de pára-quedas, o Starlifter estabeleceu o
ton, durante o terceiro Encontro Anual do Ins-
r.ec·Jrde mundial no lançamento de carga pesa-
tituto Americano de Aeronáutica e Astronáu-
da. Lançou mais de 30 toneladas em um vôo. O
tica. O programa de computadores controlando C-141 é também o primeiro jato cargueiro de
a carga aérea foi denominado CACHE, sigla de
onde saltaram tropas do Exército Norte-Ameri-
"Computer-automated cargo handling envelo- cano.
pe".
Atualmente, um Starlifter está levantando
CACHE consiste num amplo sistema de con- vôo ou aterrando em qualquer parte do mundo
trôle de carga utilizando computadores e o que cada 1 3/4 minuto. Até o próximo ano, a Fôrça
há de mais moderno no manejo automático de Aérea dos EE. UU. terá um total de 284 Star-
todos os tipos de mercadoria transportada por lífters operando no mundo inteiro. É o mais nôvo
via aérea. O sistema está sendo planejado para cargueiro operando na Fôrça Aérea dos EE. UU.

UEVISTA AERON.<\ tiTiCA - 43- MARÇO -ABRIL ' - HJ61


Que há
de especial
numa viagem pela
Varig?

.A atenção pessoal ·das comissárias. Os drínks, os hors d'oeuvres, os


menus que elas servem . Viajar é bom . Mas melhor ainda é viajar bem.
10SANG!US MIAMI ll!WYôiiK fRAMKFURf
·_...r:.~::ot LONDON

ZÜRICH
P.ANAMA ......8-0G.,..OT~k---==,_---=:::~~==--::-:-:-~~~e::::;..-~J::::EIR:!UT

.. Pôrto Alegrt

g SANTIAGO BUENOS AIRES MONTEVIDEO

CONSUlTe"" AGENTE lATA OE V'AGEN' OU

~.... A.G ~~~~~G QUALID A- DE E:M


TR ANSPORTE AEREO

A PI'ONEIRA DA AVIAÇÃO COMERCIAL NO BRASIL.

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