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Reforma Curricular

O documento analisa as razões para a reforma curricular do Ensino Básico em Moçambique, destacando a expansão do acesso à educação, a afirmação da identidade nacional e a resposta às necessidades socioeconômicas. As reformas visam modernizar a educação, integrar tecnologias de informação e abordar desafios sociais contemporâneos. Além disso, enfatiza a importância de um currículo que reflita as realidades e necessidades da sociedade moçambicana.

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Reforma Curricular

O documento analisa as razões para a reforma curricular do Ensino Básico em Moçambique, destacando a expansão do acesso à educação, a afirmação da identidade nacional e a resposta às necessidades socioeconômicas. As reformas visam modernizar a educação, integrar tecnologias de informação e abordar desafios sociais contemporâneos. Além disso, enfatiza a importância de um currículo que reflita as realidades e necessidades da sociedade moçambicana.

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Razoes da reforma curricular

Autor: Marcos André Magaia

Co- autor: Phd. Américo Júlio Taero

Academia Militar “Marechal Samora Machel”

Introdução

A reforma curricular do Ensino Básico em Moçambique deu início às seguintes


inovações: a introdução de Ciclos de Aprendizagem; o Ensino Básico Integrado; o
Currículo Local; a progressão por ciclos de aprendizagem; a introdução das Línguas
Moçambicanas; a introdução da Língua Inglesa, Ofícios, Educação Moral e Cívica e
Educação Musical. A segunda inovação diz respeito ao Ensino Básico Integrado,
caracterizado por desenvolver no aluno, habilidades, conhecimentos e valores de forma
articulada e integrada de todas as áreas de aprendizagem, que compõem o currículo,
conjugados com as actividades extracurriculares e apoiado por um sistema de avaliação,
que integra as componentes sumativas e formativa, sem perder de vista a influência do
currículo oculto. Para o ensino secundário as reformas do currículo prendem-se com a sua
profissionalização isto é, a introdução de componentes práticas do “saber fazer” que
desenvolvam nos jovens competências úteis para a sua vida laboral, uma nova
Abordagem dos Ciclos de Aprendizagem que correspondem a blocos de aprendizagem
com objectivos avaliados no final do ciclo.

No presente trabalho temos como objectivo analisar as causas ou razoes da reforma


curricular de uma forma inclinada para o nosso sistema de educação.

Reformas Curriculares

A palavra reforma é utilizada para legitimar projectos político-ideológicos concretos que


possibilitam progressos no processo de regulação social, tendo em vista a produção de
alterações significativas no sistema educativo (Candau, 2011).

Desta forma, a reforma curricular refere-se à modificação do sistema educativo com a


finalidade de o melhorar sob diferentes perspectivas e constitui elemento fundamental das
estratégias que permitem melhorias na educação do ponto de vista estratégico olhando na
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modernização da escola, dado que acolhe procedimentos múltiplos e localmente


organizados, regras e obrigações. A reforma deve ser vista como ente que tenta organizar
e disciplinar a forma como a instituição deve ser vista, sentida e como se deve agir e falar
sobre ela (Popkewitz, 1997).

Moçambique passou por várias reformas curriculares consubstanciadas nas leis 4/83, 6/92
e 18/2018, por baixo apresentamos as principais razoes de reforma curricular,
especificamente para o caso de Moçambique.

Razoes da reforma curricular.

Expansão do acesso a educação

Para Popkewitz (1997), Uma das principais motivações para as reformas curriculares foi
a necessidade de expandir o acesso à educação para uma maior parte da população
moçambicana. Após a independência, o governo buscou garantir que todos os cidadãos
tivessem acesso ao ensino básico, promovendo assim a inclusão social e a cidadania.
(Dourado, 2007)

Recentemente, o Governo de Moçambique tomou medidas positivas importantes para


promover o acesso à educação. Em 2018, aprovou uma revisão da lei da educação que
alargou a duração do ensino obrigatório e gratuito de sete para nove anos. O Governo
também adoptou estratégias nacionais ambiciosas para promover a educação inclusiva,
para que as crianças com necessidades educativas especiais ou com deficiência possam
frequentar escolas regulares.

Afirmação da identidade nacional

As reformas iniciais visavam fortalecer a identidade e cultura nacional de Moçambique.


Isso envolveu a introdução de conteúdos educacionais que reflectem a cultura, historia,
valores e tradições locais, assim, ajudando os alunos a se identificarem com as suas raízes
e tradições.

Neste sentido, a escola torna-se num instrumento importante e crucial de aprimoramento


e fixação da identidade cultural nos cidadãos, assim incutindo a valorização deste
património que pode culminar com a sua expansão e divulgação a nível das sociedades
nacional e internacional.
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Resposta as necessidades sócio económicas

Com o passar do tempo, tornou-se evidente que o currículo precisava ser ajustado para
atender às demandas do mercado de trabalho e às necessidades socioeconómicas do país.
As reformas curriculares foram projectadas para incluir habilidades técnicas e científicas
que preparassem os alunos para contribuir efectivamente para o desenvolvimento
económico de Moçambique. (UNESCO, 2008)

Com o fenómeno de desemprego que assola o nosso país, a educação pode vir surgir como
uma das ferramentas a se utilizar para combate-lo. Comisso, a introdução de disciplinas
profissionalizantes e bem acompanhadas, mas também na capitalização e reforço do
sistema educativo técnico e profissional, assim criando auto emprego para os jovens
formados no nosso sistema educativo.

Modernização da educação

A modernização dos métodos de ensino e aprendizagem foi outra razão crucial para as
reformas. O sistema educacional precisava evoluir para incorporar novas abordagens
pedagógicas que favorecessem um aprendizado mais activo e centrado no aluno, em vez
de um modelo tradicional baseado na modernização (UNESCO, 2008).

Este facto associa-se com o desenvolvimento que o mundo tem levado, acompanhado
com a globalização, para que o nosso país não fique atras em matéria de exigências
educacionais, surge a necessidade da alteração de alguns métodos e meios de ensino.

Integração das tecnologias de informação

À medida que o mundo se tornava cada vez mais digitalizado, era imperativo que o
currículo incluísse componentes relacionados às tecnologias da informação e
comunicação (TIC). Isso não apenas equiparia os alunos com habilidades relevantes, mas
também os prepararia para um mundo globalizado.

Considerada a educação o espaço privilegiado para viabilizar a integração da população


na sociedade tecnológica, e, em especial, das pessoas que não têm condições económicas
para adquirir recursos que lhes propicie a inserção na cultura digital, surge a necessidade
de incluir no processo de ensino aprendizagem do nosso país a componente das
tecnologias para acompanhar as novas tendências globais.
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Desafios sociais

Falar do âmbito social da Educação parece óbvio que implica conhecimento da realidade
social da que estamos falando, sabido por nós, um dos grandes objectivos da educação a
nível mundial e em particular para o nosso país, é de formar um Homem que possa servir
á nossa sociedade, sociedade esta em que este mesmo Homem se insere.

Com esta perspectiva há uma grande necessidade de os currículos alinharem-se com os


problemas que a sociedade actual enfrenta, mas também sem ignorar as suas tendências.

As reformas também podem ser impulsionadas pela necessidade de abordar questões


sociais contemporâneas, como saúde pública (incluindo HIV/AIDS), meio ambiente e
cidadania activa. O currículo passa a incluir temas relevantes que podem ajudar os alunos
a se tornarem cidadãos informados e responsáveis.

Influencias externas

As pressões externas, como as directrizes internacionais sobre educação (por exemplo,


aquelas promovidas por organizações como UNESCO), influenciaram as reformas
curriculares em Moçambique. Essas directrizes frequentemente enfatizam a importância
da educação inclusiva e equitativa como base para o desenvolvimento sustentável.

Essas razões demonstram que as reformas curriculares em Moçambique não são apenas
uma resposta às necessidades imediatas do sistema educacional, e este facto não tem
apresentado grandes resultados, e com isso também que, o país tem adoptado politicas
educativas incompatíveis com a sua sociedade, consequentemente não respondendo com
os problemas que a nossa sociedade enfrenta que possivelmente a educação seria a grande
solução para tal.

Considerações finais

A construção curricular é um projecto que deve levar em conta muitos factores, como por
exemplo, (classe social, económica, religião, família, raça, género, valores, dificuldades
de aprendizagem, até mesmo o emocional dos aprendentes),

Portanto, o educador, então, não pode se limitar a desenvolver o que diversos agentes
decidem, mas deve estar atento aos diversos contextos em que são gestadas as propostas
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curriculares, pois esse é o instrumento de intervenção e defesa de propostas coerentes


com uma educação e uma sociedade mais condizentes com os desejos da maioria. Tendo
as ideias apresentadas, o currículo constitui, então, o elemento nuclear do projecto
pedagógico, é ele que viabiliza o processo de ensino e de e aprendizagem. Defende-se,
assim que o currículo é como um desdobramento necessário do projecto pedagógico,
transforma intenções e orientações previstas no projecto, em objectivos, conteúdos, ou
seja, em plano de acção. O currículo torna-se a orientação prática para a acção, é um nível
de planeamento para a acção prática.

Bibliografia

Candau, V. M. (2011). Diferenças culturais e educação: construindo caminhos. Orgs.


Rio de Janeiro: 7 Letras.

Dourado, L. F., João, F. de O e Santos, C de A. (2007). A qualidade da educação:


conceitos e definições. Brasília: INEP/MEC.

INDE/MEC. (2003). Plano Curricular do Ensino Básico: Objectivos, politica, estrutura,


Planos de estudo e estratégias de implementação. Maputo: Autor.

Popkewitz, T. S (1997). Reforma educacional: uma política sociológica. Poder e


conhecimento em educação. Trad. Porto Alegre: Artes Médicas.

UNESCO (2008) Conferência Internacional sobre o Planeamento da Educação. Paris:


Autor.

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